3 de ago de 2012

Kofi Annan desiste de mediar conflito da Síria

SÍRIA - ONU -
Kofi Annan desiste de mediar conflito da Síria
A missão de Annan estava centrada em um cessar-fogo que foi declarado em abril, mas nunca chegou a ser integralmente cumprido. Dizendo-se frustrado o ex-secretário geral da ONU, desejou boa sorte ao seu sucessor.

Foto: Associated Press

Em artigo publicado pelo jornal Financial Times, Annan disse que Rússia, China e Irã "precisam fazer esforços coordenados para persuadir a liderança síria a alterar o rumo e adotar uma transição política (...). Está claro que o presidente Bashar al Assad deve deixar o cargo".

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Reuters

O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan decidiu deixar o cargo de enviado especial da comunidade internacional para a Síria, dizendo-se frustrado com as recriminações contra as Nações Unidas enquanto a guerra civil no país árabe se torna cada vez mais sangrenta.

Enquanto forças rebeldes e governamentais continuam se enfrentando em Aleppo, segunda maior cidade síria, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou que Annan irá ficar no cargo só até o fim do mês.

A missão de Annan estava centrada em um cessar-fogo que foi declarado em abril, mas nunca chegou a ser integralmente cumprido. Seu trabalho vinha parecendo cada vez mais irrelevante, num momento em que os combates se intensificam em toda a Síria, inclusive nas duas maiores cidades do país, Aleppo e Damasco.

Annan disse que decidiu renunciar por causa das "trocas de acusações e xingamentos" no Conselho de Segurança, e desejou mais sorte ao seu sucessor.

A Rússia e o bloco formado por EUA, Grã-Bretanha e França começaram a se acusar mutuamente pela saída de Annan. Um diplomata graduado do Conselho disse que é hora de admitir a "profunda irrelevância de um Conselho de Segurança impotente" no caso da Síria.

O governo sírio lamentou a saída do mediador.

Annan insinuou que o contínuo fluxo de armas para as partes em conflito e o impasse entre aliados e adversários do governo sírio no Conselho de Segurança afetaram as chances de sucesso da sua missão.

"A crescente militarização no terreno e a clara falta de unidade no Conselho de Segurança alteraram fundamentalmente as circunstâncias para o exercício efetivo do meu papel", disse Annan a jornalistas.

Nos últimos meses, China e Rússia têm usado seu poder de veto para impedir o Conselho de adotar qualquer resolução contra o presidente da Síria, Bashar al Assad, cujo governo reprime com violência há 17 meses uma rebelião que é parte da chamada Primavera Árabe.

No mais recente campo de batalha do conflito, Aleppo, a disputa pelo controle da cidade se intensificou. Durante a quinta-feira rebeldes capturaram um tanque do governo nos arredores da cidade e dispararam seu canhão contra uma base aérea do governo.

As tropas de Assad continuaram usando canhões, artilharia e apoio aéreo para bombardear o estratégico bairro de Salaheddine, na zona sudoeste da cidade de 2,5 milhões de habitantes. Enquanto isso, os rebeldes consolidaram seu controle sobre outras áreas.

A aguardada ofensiva do Exército sírio para expulsar as forças rebeldes de Aleppo é iminente, depois da concentração militar em torno da maior cidade do país, segundo um funcionário graduado da Organização das Nações Unidas.

As forças do presidente Bashar al-Assad mataram mais de 80 pessoas em uma série de ataques em todo o país desde a noite de quinta-feira.

O conflito entrou em uma nova fase em 18 de julho, quando um atentado a bomba em Damasco matou quatro membros graduados do regime de Assad. Depois disso, os combates se espalharam da capital para Aleppo, maior polo comercial sírio.

Nas últimas duas semanas, o Exército vem reforçando suas posições em Aleppo e arredores, e realiza bombardeios diários com artilharia e aviões contra bairros dominados pelos insurgentes.

Ativistas sírios de oposição disseram que pelo menos 50 pessoas foram mortas durante confrontos entre forças do governo e da oposição na quinta-feira em Hama, no centro do país, e que um bombardeio com helicópteros matou 16 rebeldes perto da cidade de Deraa, que foi o berço da revolta.

Em Damasco, pelo menos 20 pessoas foram mortas por três saraivadas de morteiros lançadas pelas forças de segurança contra um campo de refugiados onde vivem 100 mil palestinos, segundo fontes médicas.

A Rússia, importante aliada de Assad, aconselhou seus cidadãos a evitarem viagens à Síria. Voos da empresa russa Aeroflot entre Damasco e Moscou serão interrompidos a partir de segunda-feira, por falta de demanda, conforme anúncio feito há duas semanas.

Agências de notícias russas informaram que Moscou está despachando três navios de desembarque para a sua base naval que funciona na cidade portuária síria de Tartus.


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