4 de ago de 2012

Petrobras surpreende com prejuízo de 1,346 bi de reais, no trimestre

BRASIL - Economia
Petrobras surpreende com prejuízo
de 1,346 bi de reais, no trimestre
O prejuízo da Petrobras, o primeiro em 13 anos, é resultado de oito anos de desmandos e uso político da estatal, disparou o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura Adriano Pires. O prejuízo, mesmo anunciado após o fechamento da bolsa, provocaram uma queda de 2% nas ações da Petrobras, o máximo permitido após fechamento do pregão regular, espera-se uma forte queda na abertura do mercado na próxima segunda-feira.

Foto: Associated Press

Cai no colo de Graça Foster, a nova presidenta da Petrobras, a bomba relógio ativada por oito anos de irresponsável gestão política da estatal brasileira

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, Reuters, Economia IG, Informoney, Folha de S. Paulo, Yahoo noticias, India Times

A Petrobras superando mesmo as expectativas mais negativas reportou, nesta sexta-feira, prejuízo líquido no segundo trimestre de 1,346 bilhão de reais, ante um lucro de 10,94 bilhões de reais no mesmo período de 2011 e contra um lucro de 9,21 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2012.

Analistas esperavam queda no lucro, na ordem de 66 por cento, para uma média de 3,68 bilhões de reais, segundo pesquisa feita pela Reuters , mas foram pegos de surpresa pelo resultado negativo, o que deve levar a uma revisão das suas projeções.

Essa é a primeira perda trimestral em mais de 13 anos. Elenca-se como causas a desvalorização do real e da defasagem de preços dos derivados no mercado interno, queda na produção e maiores custos exploratórios.

"Nunca vi uma empresa passar de um lucro de 10 bilhões de reais para um prejuízo de mais de 1 bilhão. É uma coisa inédita", disse Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e especialista em petróleo.

Desde o primeiro trimestre de 1999, quando o Brasil desvalorizou o real, a Petrobras não registrava prejuízo trimestral.

Pires lembrou o ambiente econômico mundial era completamente diferente do atual, com o petróleo abaixo de 20 dólares. "Além disso, não havia a perspectiva do pré-sal. Não dá para comparar", disse ele.

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse em comunicado que o resultado se deu pela expressiva depreciação do real frente ao dólar e despesas extraordinárias com poços secos, com perfurações realizadas principalmente entre 2009 e 2012, além de menor exportação de petróleo fruto da menor produção devido às paradas programadas.

Graça Foster afirmou ainda que também pesaram no resultado o desalinhamento de preços dos derivados vendidos no mercado brasileiro em relação aos parâmetros internacionais.

A empresa tem trabalhado, segundo a presidente, para recuperar a rentabilidade e reajustou os combustíveis --3,94 por cento para o diesel e 7,83 por cento para a gasolina, a partir de 25 de junho, e em 6 por cento para o diesel, a partir de 16 de julho.

"O resultado foi uma surpresa muito negativa, a pior das expectativas", disse o analista da Ativa Corretora Ricardo Corrêa.

Como resultado da venda de combustíveis com defasagem no mercado interno e do câmbio, a Petrobras informou que a área de abastecimento registrou perdas de 7,03 bilhões de reais no mesmo período. No semestre, o prejuízo da área de abastecimento é de 11,6 bilhões de reais.

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O uso político da Petrobras rendeu dividendos eleitoriais a Lula, e enormes prejuizo a estatal

Falando à Folha de S. Paulo, Adriano Pires Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura foi incisivo: "Agradeçam a Lula e [ao ex-presidente da Petrobras, José Sergio] Gabrielli, isso é resultado da gestão deles, do uso da Petrobras para controlar a inflação e da política de conteúdo nacional"

Pires lembrou que desde 2003 a Petrobras não trabalha com paridade de preços em relação ao mercado internacional, sob o argumento de não trazer para o país a volatilidade externa do mercado de petróleo.

A própria presidente da Petrobras, Graça Foster, admite em carta aos investidores que acompanha os resultados que desde que assumiu a presidência, há cinco meses, vem reiterando "o comprometimento com a paridade internacional de preços".

Segundo Pires, apesar dos últimos aumentos da gasolina e do diesel os dois combustíveis mantém defasagem de cerca de 14% e 17%, respectivamente, me relação aos preços praticados fora do país.

O especialista afirmou que a Petrobras só não apresentou prejuízo antes porque o preço do petróleo ajudou a gestão anterior.

"Lula e Gabrielli foram beneficiados por preços altos do petróleo, mas agora a coisa mudou um pouco", ressaltou.

Para ele, é inadmissível que uma empresa do porte da Petrobras apresente um resultado negativo.

Foto: Edson SilvaFolhapress

Segundo analistas, o que pode salvar as ações da Petrobras na Bolsa no curto prazo seria o anúncio de um segundo reajuste nos preços dos combustíveis.

O primeiro prejuízo da Petrobras em 13 anos provocou na noite de ontem um tsunami de ordens de vendas das ações da companhia no after-market, como é chamado o horário de negociação da Bolsa após o fechamento do pregão regular.

As ações preferenciais (PN, sem voto) e ordinárias (ON, com voto) da Petrobras recuaram 2% após a divulgação do resultado, em relação ao preço de fechamento, cotadas a R$ 19,55 e R$ 20,26, respectivamente. Essa queda não foi maior porque 2% é o limite que uma ação pode cair no horário especial de negociações.

Segundo operadores, foram 2,2 milhões de ações da estatal colocadas à venda por investidores no after-market, em apenas 30 minutos. Poucos negócios, no entanto, foram realmente fechados por causa da falta de compradores interessados nos papéis da empresa.

O mercado ficou claramente assustado com os números da Petrobras - disse um operador.

Segundo analistas, as ações da Petrobras devem ter forte queda na abertura do mercado na próxima segunda-feira.

No pregão regular de ontem, antes do anúncio, os papéis preferenciais da Petrobras subiram 1,73%, cotadas a R$ 19,94. Já as ações ordinários ganharam 2,53%, para R$ 20,67. Os papéis avançaram embalados pelos ganhos dos mercados financeiros pelo mundo, após bons números do mercado de trabalho dos EUA.

Os investidores e analistas aguardam agora ansiosamente a teleconferência dos diretores da Petrobras. Essa apresentação dos resultados vai acontecer na próxima segunda-feira, às 10h, mesmo horário da abertura do pregão. Nele, os diretores da estatal terão que explicar os resultados e detalhar estratégias da empresa.

O pessimismo do mercado com as ações da Petrobras, no entanto, não são de agora. No ano, os papéis PN caem 4,91% e os ON, 8%. Em maio passado, a companhia chegou a perder o posto de maior empresa da América Latina, pelo critério valor de mercado, para a petroleira colombiana Ecopetrol, sediada em Bogotá.

Segundo dados da consultoria Economatica, a Petrobras valia ontem R$ 265 bilhões na Bolsa. Esse valor é R$ 26,5 bilhões menor do que em 30 de dezembro do ano passado.


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