17 de ago de 2012

Crise Equador x Reino Unido, por causa do asilo de Julian Assange, do Wikileaks

EQUADOR - REINO UNIDO
Crise Equador x Reino Unido, por causa do asilo
de Julian Assange, do Wikileaks
A controvérsia entre o Reino Unido e o Equador devido à concessão de asilo político ao australiano Julian Assange, fundador do site Wikileaks, levou a reuniões extraordinárias do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), da Aliança Bolivariana para a América (Alba) e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Foto: Getty Images

Pessoas que puderam visitar o fundador do grupo Wikileaks, Julian Assange, dentro da embaixada, dizem que ele está chateado, sem ter o que fazer e com uma capacidade de movimentação muito restrita. Alguns admitem que ele está deprimido.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters, Veja , BBC Brasil, O globo, El Comercio, NE10

O Equador concedeu asilo político ao fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, um dia depois de o governo britânico ameaçar invadir a embaixada do país sul-americano em Londres para prendê-lo.

A Grã-Bretanha afirmou que está determinada a extraditar o ex-hacker para a Suécia, onde é acusado de abuso sexual. E que não reconhece o asilo político do Equador, pois o australiano é um criminoso comum.

O australiano de 41 anos provocou a revolta do governo dos Estados Unidos depois que seu portal publicou milhares de documentos confidenciais, o que deixou em situação incômoda o serviço diplomático americano e de outros países em 2010. Assange teme que uma eventual deportação para a Suécia abra as portas para uma nova deportação, desta vez para os Estados Unidos, onde as acusações poderiam levá-lo à pena de morte.

O governo equatoriano disse que outorgou o asilo ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, porque compartilha de seu temor de ser vítima de perseguição política e das possíveis consequências de uma eventual extradição aos EUA.

Um grande número de simpatizantes do fundador da WikiLeaks está convencido do mesmo.

E Assange sabia que poderia contar com o presidente equatoriano, Rafael Correa, entre esses simpatizantes muito antes de entrar na embaixada do Equador em Londres.

Foto: Getty Images

Simpatisantes de Assange comemoram o anúncio do asilo do Equador, em frente a embaixada equatoriana em Londres

Analistas internacionais afirmam que, para se entender a decisão do governo equatoriano, é preciso ter em conta que Correa e Assange têm interesses comuns.

“Os dois acreditam que os Estados Unidos são um império que precisa ser controlado”, afirmou à rede CNN Robert Amsterdam, advogado especializado em direito internacional.

A relação do presidente equatoriano e do criador da WikiLeaks é, aliás, estreita. Correa, por exemplo, já participou do show de TV comandado por Assange, “The World Tomorrow”, transmitido pelo canal de televisão russa R-TV. No programa, ambos trocaram elogios. O australiano definiu Correa como um “líder transformador”. “Sua WikiLeaks nos fez fortes”, respondeu Correa.

Para o analista político equatoriano Jorge Leon, a concessão do asilo a Assange está relacionada às eleições presidenciais, programadas para acontecer em fevereiro de 2013. Segundo ele, a presença de Assange no país pode ser "útil para reforçar a imagem de esquerda de Correa".

Não deixa de ser irônica essa aproximação entre um homem que se proclama defensor incondicional do direito de expressão, como Assange, com um dos grandes perseguidores da imprensa independente, como Correa. O presidente equatoriano é famoso por processar jornalistas e recomendar a ministros que não deem entrevistas. Para Amsterdam, Assange parece agora estar mais interessado em se salvar do que em defender a imprensa livre.

Enquanto Correa tenta utilizar o caso, para fazer um discurso nacionalista e unir os equatorianos em seu torno, a caminho da reeleição quase certa, em fevereiro de 2013, a oposição tenta dá novo rumo ao evento.

O ex-presidente equatoriano Lucio Gutiérrez, por exemplo, chegou a sugerir que a intenção real de Correa é utilizar as habilidades de hacker de Assange para roubar as eleições.

Foto: Reuters

Simpatizante de Assange diante da embaixada do Equador, Londres

Um pequeno escritório, improvisado em quarto, é agora habitat de Assange – há 58 dias “aprisionado’ num espaço onde deve dormir, tomar banho e fazer refeições. Já se fala que ele está deprimido e instável.

Material de escritório, uma cama e uma esteira para correr compõem os móveis no cubículo do australiano, que tem acesso à internet e liberdade para receber amigos e simpatizantes.

O prédio, literalmente cercado pela polícia londrina, abriga também a embaixada da Colômbia e apartamentos privados, alguns deles de membros da família real saudita e do ex-primeiro-ministro líbio Ben-Halim Mustafa.

Apesar de ganhar um cliente famoso, os empregados dos cafés e restaurantes da área não veem com bons olhos a presença constante de um helicóptero da polícia, devido ao barulho ensurdecedor do aparelho. Isso e o espetáculo organizado diante do número 3 da Hans Crescent Street - geralmente um endereço tranquilo, mas hoje repleto de policiais, curiosos e simpatizantes de um homem cujo confinamento voluntário causou uma crise diplomática entre dois países. A grande questão em Londres hoje é quando e como Assange conseguirá escapar dessa confusão monumental.

Se é que vai conseguir.

A controvérsia entre o Reino Unido e o Equador, devido à concessão do asilo político, levou a reuniões extraordinárias do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), da Aliança Bolivariana para a América (Alba) e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Foto: Reuters

Rafael Correa, presidente do Equador, garantindo o direito de expressão do Wikilike, acusado de perseguidor da imprensa livre equatoriana


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