30 de ago de 2012

“Bin Laden estava desarmado ao ser morto” - diz livro

ESTADOS UNIDOS
“Bin Laden estava desarmado ao ser morto” - diz livro
Integrante do comando de elite que eliminou o terrorista apresenta versão diferente da oficial em obra que estará à venda no começo de setembro. Pentágono, surpreendido com a notícia, ainda está 'analisando o texto'. Dependendo do conteúdo, essa publicação pode, eleitoralmente, atrapalhar ou favorecer Obama. Se por um lado a nova versão contradiz a apresentada por ele, o retorno do tema, realça, para o eleitor americano, o êxito que sua administração obteve, eliminando o terrorista, que nunca foi localizado pela administração de George W Bush, um republicano como o seu opositor Mitt Romney.

Foto: Aamir Qureshi/Agence France-Presse — Getty Images

No dia seguinte, a morte de Osama bin Laden, pelas forças de seguranças americanas, moradores e jornalistas aglomeram-se diante do esconderijo, do terrorista, no Paquistão

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, Huffington Post, Washington Post, The New York Times - Blog

Um novo relato da extraordinária operação militar americana que eliminou o terrorista Osama bin Laden em maio do ano passado causa controvérsias antes mesmo de chegar às livrarias.

O livro No Easy Day: The Firsthand Account of the Mission that Killed Osama Bin Laden (Nenhum Dia é Fácil: Relato em Primeira Mão da Missão que Matou Osama Bin Laden), com lançamento anteriormente previsto para 11 de setembro, deve estar disponível a partir do dia 4, devido à grande procura on-line.

O texto foi escrito por um ex-comandante da Marinha que participou da operação que executou o terrorista, sob o pseudônimo de Mark Owen. Ele foi identificado pela rede Fox News, que teve acesso ao livro na semana passada, como Matt Bissonnette, de 36 anos, um ex-membro do comando de elite Team Six, da Navy Seal - a força de elite da marinha americana responsável pelo ataque.

A expressão que dá título ao livro é usada pelos seals como uma espécie de lema e quer dizer que eles vivem sob risco permanente, e os únicos dias fáceis são aqueles que já passaram.

Foto: Departamento de Defesa dos EUA/Reprodução/AFP

Osama bin Laden em um dos vídeos encontrados pelos soldados americanos em seu esconderijo em Abbottabad, no Paquistão

Contradições - Publicações americanas que tiveram acesso ao livro antes do lançamento afirmam que o autor apresenta uma versão surpreendente da morte de Bin Laden: ele estaria desarmado quando foi ferido pelos seals, em seu esconderijo em Abbottabad, no Paquistão.

A versão oficial diz que o terrorista resistiu à prisão, estava armado e foi morto pelos comandos enquanto procurava uma arma para atirar contra eles.

Em trechos do livro, citados pela imprensa americana, o autor conta que o chefe de sua equipe viu um homem aparecer rapidamente na porta do quarto onde estaria Bin Laden e disparou.

"Estava a menos de cinco passos de chegar ao topo (da escada) quando ouvi tiros. Eu não podia dizer, da posição onde estava, se os tiros acertaram o alvo ou não", diz o ex-soldado.

Segundo o autor, o terrorista estava desarmado quando os soldados entraram no quarto. Eles teriam visto mulheres sobre o corpo de Bin Laden - que usava uma camiseta sem mangas branca, calças soltas e uma túnica.

"Sangue e pedaços de cérebro se espalhavam para fora do crânio. Ele ainda se contorcia em convulsões", conta Owen. Só então, ele e outro soldado atiraram no peito de Bin Laden, que ficou inerte no chão.

Depois, confirmaram a identidade do terrorista com a ajuda das mulheres que estavam no quarto. De acordo com o livro, havia armas no cômodo, mas nenhuma delas estava preparada para ser utilizada. Ele afirma que não houve tiroteio de 40 minutos e que o terrorista não teve tempo de encarar os seus captores.

Foto: Pete Souza/White House

Na Sala da Situação da Casa Branca, o presidente Obama e integrantes do Conselho de Segurança acompanhando, ao vivo, a ação que matou Osama bin Laden, 01 de maio de 2011

Reação - O anúncio da publicação do livro parece ter tomado o Pentágono de surpresa. Na semana passada, o órgão disse à agência France Presse não ter conhecimento de que alguma autoridade da Defesa houvesse lido o manuscrito.

O autor do livro não teria respeitado as regras para esses casos, segundo as quais os militares reformados que pretendem publicar livros devem antes entregar os manuscritos às autoridades, para que informações que eventualmente coloquem em perigo a segurança nacional sejam vetadas.


Capa do livro
'No Easy Day'

O Pentágono anunciou nesta quarta-feira que obteve uma cópia da obra e a está analisando.

Owen escreveu o livro junto com o jornalista Kevin Maurer, que cobriu operações especiais das forças americanas durante nove anos, segundo a editora. A editora apresenta o livro como "um relato em primeira pessoa da operação contra Bin Laden por parte de um dos membros do comando Seal que presenciou os últimos momentos do terrorista". "Owen foi um dos primeiros homens a entrar pela porta do terceiro andar do esconderijo do líder terrorista e estava presente no momento de sua morte", indica a Dutton em um comunicado.

"Apesar de escrito na primeira pessoa, minhas experiências são universais. É hora de deixar registrada uma das missões mais importantes da história militar dos Estados Unidos", afirma Owen, citado pela Dutton. "No Easy Day é a história dos 'caras', do custo humano que pagamos e dos sacrifícios que fazemos para realizar esse serviço sujo. Minha esperança é que um dia um jovem da escola secundária leia este livro e vire um Seal", acrescenta.

A eliminação de Bin Laden, que conseguiu escapar das forças americanas por uma década depois dos atentados de 11/9, é vista como um dos grandes êxitos da administração do presidente Barack Obama. O lançamento do livro, que deve se tornar tema relevante na campanha eleitoral americana, acontecerá justamente menos de dois meses antes das eleições presidenciais americanas, nas quais Obama enfrentará o republicano Mitt Romney.

Há alguns dias, um grupo de ex-agentes da CIA e das forças especiais dos Estados Unidos lançou um ataque político contra Obama, a quem acusam de ter vazado imprudentemente dados sobre a operação que matou Bin Laden e outras operações sensíveis a fim de obter apoio para sua campanha eleitoral. O presidente minimizou essas críticas afirmando que "este é o tipo de truque que é preciso enfrentar antes das eleições".

O sucesso antecipado do livro foi tamanho, que já surgem boatos sobre uma possível adaptação para o cinema. Os estúdios da DreamWorks teriam demonstrarado interesse no roteiro e Steven Spielberg seria um dos nomes cogitados para participar da produção do filme. Por enquanto, no entanto, essas possibilidades não passam de rumores.

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