14 de ago de 2012

RECIFE: Rede protetora contra ataques de tubarões

BRASIL – Pernambuco - Recife
Rede protetora contra ataques de tubarões
Segundo o Diário de Pernambuco até o fim do ano, estará sendo instalada uma rede experimental, para evitar ataques de tubarões na orla recifense, um projeto polêmico, sem comprovação de eficácia, criticado por ambientalistas e endeusado pela indústria turística local

Foto: Toinho de Passira

Em Olinda, placa avisando isco de ataque de tubarão

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Mundo Estranho, Diário de Pernambuco, NE10, Clube do Mergulho, Surf Guru

O polêmico projeto de instalação de uma rede protetora para evitar ataques de tubarões na orla de Boa Viagem deverá sair do papel até o fim do ano, diz o Diário de Pernambuco. O equipamento de segurança para os banhistas e praticantes de esportes náuticos será montado numa área de 200 metros, próximo ao antigo Hotel Castelinho, na praia de Boa Viagem. O período de testes será de dois meses.

Segundo a reportagem em setembro próximo, as redes começarão a ser confeccionadas por pescadores das colônias de Brasília Teimosa e Boa Viagem. O equipamento terá sete metros de altura e ficará a 150 metros da faixa de areia.

“Esse projeto está em fase de captação de recursos. Vou pedir dados mais concretos sobre o impacto da tela no meio ambiente", disse a nova presidente do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) e oceanóloga da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Rosângela Lessa.

A proposta da rede protetora foi do Instituto Praia Segura com a Secretaria de Defesa Social (SDS) em parceria com o Cemit. “As redes começam a ser confeccionadas pelos pescadores, que têm experiência. Quando tudo estiver aprovado, vamos realizar um campeonato de esporte náutico com exposição sobre meio ambiente na orla”, adiantou o coordenador do Praia Segura, Sérgio Murilo Filho.

Foto: Surfguru

Ficamos com a impressão, pelo que foi dito na reportagem, que vão colocar a rede e fazer um campeonato de surf, se nenhum tubarão atacar, considerarão o projeto um sucesso. É isso?

Algumas importantes entidades ambientalistas mundiais são contras a instalação desse tipo de redes de proteção para supostamente evitar ataques de tubarão, por impacto no meio ambiente. Dizem que as redes servem de armadilhas para todos os animais marinhos, além dos tubarões, são enredados golfinhos, tartarugas e outros peixes de grande porte. O irônico é que a concentração de animais presos nas redes pode atrair tubarões, em busca de alimentos.

Em 2004, no Workshop Internacional de Ataques de Tubarões, realizado em Recife, os integrantes do então Projeto Praia Segura, a adoção de redes de proteção foi, de forma bastante contundente, desaconselhada por todos os especialistas presentes, incluindo os congêneres locais e os representantes da África do Sul e da Austrália, em cujos países tal medida foi adotada na época em que valia o antigo conceito de que "tubarão bom, é tubarão morto".

Todos os especialistas destacaram as redes de proteção como antiquadas e contraproducentes, devido ao forte impacto ambiental que elas provocam. A recomendação unânime dos especialistas foi dar ênfase nas campanhas de educação e conscientização da população. As redes de proteção pode até aumentar os riscos de ataques, pois, a sensação de segurança fará com que os banhistas e surfistas sintam-se excessivamente seguros para se colocarem irresponsavelmente em situação de risco.

Todos os especialistas defendem a teoria que a construção do Porto de Suape e despejos de matadouros através de rios são as principais causas de ataques de tubarão em nossas praias.

Também se relaciona o fato de que a costa pernambucana possuir um profundo e extenso canal natural, que serve de habitat natural aos tubarões.

O Recife metropolitano é recordista brasileiro em acidentes com ataques de tubarão. Isso causa prejuízos enormes à indústria do turismo, já que as praias são as principais atrações ao turismo interno e internacional. Visto assim, dá a impressão que as costas pernambucanas estão infestadas de tubarões, como nos filmes de Steven Spielberg.

Não é bem assim, raros foram os ataques ocorridos contra banhistas. A maioria dos acidentes aconteceu com surfistas, em mar aberto, em áreas consideradas de risco, inclusive com placas de proteção proibindo a prática de surfe, exatamente devido ao perigo de ataques de tubarão.

Por serem tabus, quando se está falando de turismo, os ataques de tubarões acabam causando mais prejuízos e temores, por falta de informações e esclarecimentos.

Os seres humanos não estão originariamente na cadeia alimentar dos tubarões. Eles atacam os surfistas, pois, confundem-nos com tartarugas, no momento em que eles remam, com as mãos, sentados na prancha em direção às ondas.

Se você não fizer isso, em mar aberto, fora da área de proteção dos arrecifes, o risco de ser atacado por um tubarão é praticamente zero.

Estatisticamente, ao visitar Recife, o turista corre mais risco de ser assaltado por um “trombadinha”, cair num buraco aberto na calçada ou esbarrar num candidato a prefeito que ser atacado por um tubarão.

Um comentário:

sérgio murilo disse...

Caro Toinho, saudações

As telas que utilizaremos segue o mesmo modelo de Hong Kong na China e seu objetivo é criar uma área de proteção que não venha a danificar a natura nem tampouco matar animais marinhos. Outros países que se utilizam de modelos condenáveis, o que não é o nosso caso. Esta opinião dos especialistas não dizem respeito ao nosso projeto. Na época houve esta dúvida o que gerou dúvidas. Parabéns pelo interesse. Qualquer dúvida nos acione. abs sérgio murilo (coordenador do Instituto Praia Segura)