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29 de nov. de 2013

Sírios caçam leão do zoológico para servir de alimento

SÍRIA - Guerra
Sírios caçam leão do zoológico para servir de alimento
Uma imagem que virou viral na internet mostra cidadãos sírios rebeldes esquartejando um leão do zoo local, com reflexo da fome desesperadora que atingiu essa parte do país. Religiosos teriam autorizado a população a comer carne normalmente proibido pela lei islâmica e teriam advertindo que pouco mais “os vivos seriam obrigados a comer os mortos” se a situação continuasse se deteriorando.

Foto: Reprodução

Rebeldes famintos fatiando o leão para comer

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The Independent, Telegraph, Uol, The Week, Religião de Deus

Uma imagem de rebeldes sírios esquartejando um leão está sendo compartilhada amplamente nos meios de comunicação e nas redes sociais, com ativistas apresentando a foto como prova de que cidadão sírios, sitiados , sem acesso a abastecimento, estão com tanta fome, que estão tendo de matar animais do jardim zoológico para sobreviver.

A imagem mostra quatro homens ao lado de um leão morto, com um deles segurando a cabeça do animal.

Não se pode verificar nem a foro nem a história de forma independente, devido aos limites de censura imposta a imprensa, mais muito estão relatando como verídica a história de que o leão de Al-Qarya al-Shama Zoo, em East Ghouta, foi abatido para servir de alimento, comoRe´prição um exemplo dos níveis de puro desespero da população de um país devastado pela guerra.

Especula-se que como a palavra árabe para leão é 'Assad', há conjecturar que esta imagem, mais que um fato, seria uma mensagem para o regime do presidente Bashar Hafez al-Assad.

No mês passado, um grupo de clérigos sírios emitiu uma fatwa (um pronunciamento legal no Islão emitido por um especialista em lei religiosa) , permitindo que as pessoas que vivem nos subúrbios sitiadas comer carne normalmente proibido pela lei islâmica. Os clérigos muçulmanos autorizaram as pessoas comerem gatos, cães e burros em uma tentativa de reduzir a crescente fome no cinturão agrícola de Ghouta.

O distrito de Ghuta Oriental, sitiado pelo Exército sírio, enfrenta uma grave crise de alimentos. A área foi uma das mais atingidas por ataques químicos em agosto.

Os religiosos clamara uma ajuda internacional, advertindo que pouco mais “os vivos seriam obrigados a comer os mortos” se a situação continuasse se deteriorando.

Mais de 100 pessoas morreram nos subúrbios orientais na última sexta-feira depois de violentos combates eclodiram quando os rebeldes sírios tentaram quebrar um mês de bloqueio. De acordo com grupos humanitários locais e internacionais, as forças do presidente Assad parece estar tentando usar a fome como arma de guerra contra os residentes.

11 de set. de 2013

Obama diz que tentará solução diplomática para Síria, mas não afasta a possibilidade de uma ação militar

ESTADOS UNIDOS
Obama diz que tentará solução diplomática para Síria, mas não afasta a possibilidade de uma ação militar
O presidente americano Barack Obama disse que a votação do Congresso sobre uma possível ação militar na Síria será adiada para que os Estados Unidos busquem uma solução diplomática para o conflito após a proposta da Rússia.

Foto: Jonathan Ernst /Reuters

Obama diz acreditar em ação militar, mas preferir saída diplomática

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters , BBC Brasil, The New York Times, The Mirror

Em um pronunciamento pela televisão na noite desta terça-feira, Obama esclareceu a posição dos Estados Unidos em relação ao conflito na Síria. Ele afirmou que o uso de armas químicas nos subúrbios de Damasco no dia 21 de agosto mudou sua forma de pensar.

"Nós não podemos resolver a guerra civil alheia pela força", disse. "Mas a situação na Síria mudou depois que o governo sírio realizou um ataque químico, matando mais de mil pessoas."

O presidente defendeu que os Estados Unidos devem realizar um ataque militar limitado na Síria, para "evitar o uso futuro" de armas químicas.

No entanto, ele disse ter pedido ao Congresso americano que adiasse a votação a respeito do ataque, após a proposta da Rússia de que a Síria entregue seu arsenal de armas químicas ao controle internacional.

Falando da Casa Branca, Obama disse que "ainda é cedo para dizer se a oferta da Rússia terá êxito".

"Qualquer acordo deve certificar-se de que o regime de Assad mantenha seus compromissos. Mas essa iniciativa tem o potencial de remover a ameaça de armas químicas sem o uso da força", afirmou.

'POLÍCIA DO MUNDO'

O líder americano afirmou novamente que o regime de Bashar Al-Assad foi o responsável pelo ataque químico.

Segundo ele, o governo sírio distribuiu máscaras antigás para seus soldados antes do ataque do dia 21 de agosto. Análises de sangue e cabelos das vítimas também teriam demonstrado a presença do gás sarin.

As imagens e vídeos de homens, mulheres e crianças vítimas das armas químicas são "repugnantes" e exigem uma resposta, de acordo com Obama.

Para justificar por que considera que a atuação americana no conflito é importante, o presidente disse que os Estados Unidos "não podem ser a polícia do mundo", mas que armas químicas podem vir a ser usadas por outro ditadores, por organizações terroristas e contra aliados como Turquia, Jordânia e Israel.

Obama disse não acreditar que os Estados Unidos devam remover outro ditador pela força, mas que um ataque específico pode fazer com que um deles "pense duas vezes" antes de usar armas de destruição em massa.

O presidente voltou a garantir que não irá enviar soldados americanos para a Síria, nem buscar uma ação militar aérea prolongada ou com prazo indefinido.

"Está além do nosso alcance consertar todos os erros, mas se com um esforço modesto e pouco risco nós podemos impedir que crianças sejam atingidas com gás até a morte, acredito que devemos agir. É isso o que torna a América diferente, é isso o que a torna excepcional."

DISPUTAS DIPLOMÁTICAS

Obama disse ter "profunda preferência" pela via diplomática e afirmou que o governo americano atuaria com o governo russo para persuadir o regime de Bashar Al-Assad a abrir mão de suas armas químicas.

Ele confirmou que o secretário de Estado americano John Kerry irá encontrar-se com o ministro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov em Genebra na próxima quinta-feira.

"Eu continuarei minhas discussões com o presidente (Vladimir) Putin", disse. No entanto, ele garantiu que o Exército americano ficará preparado "caso a diplomacia falhe".

O editor de América do Norte da BBC News, Mark Mardell, disse que o discurso do presidente americano foi claro, mas "quase totalmente desprovido de paixão e sem novos argumentos e deixa mais perguntas do que respostas sobre a Síria."

O pronunciamento de Obama acontece após um dia de disputas diplomáticas na ONU a respeito da proposta da Rússia para a Síria.

A Grã-Bretanha, os Estados Unidos e a França exigem que prazos para que a Síria entregue seu arsenal e a ameaça de duras consequências caso o país não cumpra o acordo sejam incluídas em uma resolução do Conselho de Segurança. Washington alertou que "não cairá em táticas paralisadoras", que sirvam somente para adiar uma ação militar.

A Rússia, no entanto, afirmou que qualquer resolução que culpe o governo sírio é inaceitável e pediu uma declaração que apoie sua proposta.

O president russo, Vladimir Putin, descartou nesta terça-feira qualquer proposta para lidar com a guerra na Síria que inclua a possibilidade de se usar a força contra o regime de Bashar al-Assad.

9 de set. de 2013

Por que os cristão sírios apoiam Assad? - de Guga Chacra, para o Estadão

BRASIL - Opinião
Por que os cristão sírios apoiam Assad?
O ataque da Al Qaeda a Maloula, onde se fala aramaico, ajuda a explicar

Fotos: Guga Chacra

Fotos da minha visita a Maloula e Saydnaya, outra vila cristã, onde se fala aramaica na Síria. Notem o cartaz de Assad ao lado de santos.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Guga Chacra
Fonte: Blog do Guga Chacra

Já estive múltiplas vezes na Síria. Em três destas oportunidades, fiz questão de visitar a vila cristã de Maloula, a pouco mais de 50 km de Damasco. Visitei não apenas para conhecer os monastérios, mas também para escutar aramaico, a língua de Jesus.

A última visita minha a Maloula ocorreu já durante a guerra civil da Síria. Na cidade, havia gigantescos cartazes de Assad, inclusive na montanha. Os moradores, em alguns casos, defendiam o ditador sírio. Em outros, diziam que ele seria a única proteção dos cristãos diante da ameaça do rebeldes jihadistas da oposição. No fim, recebi de presente um dicionário aramaico-espanhol – “El Arameo Hablado de Ma’aloula”, de Hanna Francis e Issam Francis.

A previsão deles, aparentemente, se tornou realidade. Nesta semana, um terrorista suicida ligado à oposição se explodiu diante do posto de controle do regime na entrada desta vila com suas cruzes espalhadas pelas montanhas. Depois, estes rebeldes da Frente Nusrah, ligados à Al Qaeda, tomaram um hotel no alto da cidade e começaram a disparar contra igrejas desta vila de apenas 2 mil habitantes.

Muitos deputados e senadores dos EUA temem justamente que cristãos e outras minorias religiosas, como os alauítas, sejam alvo de rebeldes majoritariamente sunitas religiosos. Conforme lembrou o Fareed Zakaria, a Guerra da Síria é um conflito sectário. De um lado, estão os alauítas (10%), cristãos (10%), drusos (10%) e parte dos sunitas, especialmente os laicos. Do outro, na oposição, estão os sunitas mais religiosos. Curdos, que são sunitas, mas etnicamente não-árabes, agem de forma independente, buscando autonomia de suas áreas.

Por este motivo, é extremamente difícil definir como seria uma intervenção na Síria. Um ataque químico, atribuído a Assad pelos EUA, embora o regime negue, a Rússia acuse a oposição e a ONU não tenha chegado a uma conclusão, não pode ficar impune. Caso contrário, abriria um precedente grave para este armamento de destruição em massa voltar a ser usado não apenas na Síria, mas também em outros países.

Ao mesmo tempo, não está clara qual seria a estratégia de Obama para levar adiante esta ação, sem deteriorar ainda mais o cenário da guerra civil. Por exemplo, como vimos no meu relato acima, uma das duas vilas cristãs do mundo onde ainda se fala aramaico foi alvejada por radicais da oposição ligados à Al Qaeda. A outra vila também é na Síria.

No fim, é uma guerra envolvendo um regime sanguinário, de viés laico e aliado do Irã e do Hezbollah, contra uma oposição sanguinária, de viés religioso, ligada à Al Qaeda e a monarquias ultra religiosas do Golfo Pérsico. Os dois são péssimos. A Síria, como já falo há dois anos, não tem solução.

Foto: Guga Chacra

O cartaz de Assad junto com as Cruzes nas montanhas


Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa "Globo News Em Pauta" em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia.

31 de ago. de 2013

Como Obama convencerá o Congresso a autorizar a intervenção na Guerra da Síria?

ESTADOS UNIDOS - SÍRIA
Como Obama convencerá o Congresso a autorizar a intervenção na Guerra da Síria?
Obama terá a tarefa agora de, em primeiro lugar, apresentar provas de que realmente o regime de Assad foi responsável pelo uso de armas químicas.

Foto: Charles Dharapak / Associated Press

Presidente Obama anunciando que vai pedir apoio ao congresso sobre intervenção na Síria, neste sábado, acompanhado do vice-presidente Joseph R. Biden, o Jardim das Rosas da Casa Branca, em Washington

Postado por Toinho de Passira
Texto de Guga Chacra*
Fontee: Blog Estadão

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez história hoje ao buscar autorização do Congresso para intervir na Síria. Desta forma, o líder americano abre um precedente para outros ocupantes da Casa Branca no futuro não agirem sem o aval de deputados e senadores. Mas esta decisão ocorreu apenas como um último recurso depois de fracassos na ONU e no Reino Unido e não por ele agir como um estadista.

Não será simples, porém, para Obama conseguir esta autorização. Existem opositores a esta operação tanto entre democratas como entre republicanos. No seu partido, há uma ala mais à esquerda que vê esta ação como uma repetição dos anos de Bush, embora a intervenção na Síria seja completamente distinta por ser de curta duração e sem o envio de tropas.

Entre os republicanos, o cenário é mais complexo. Alguns, como os senadores John McCain e Lindsay Graham, são a favor de uma intervenção ainda maior, incluindo, além dos bombardeios, uma zona de exclusão aérea e o armamento em larga escala da oposição. Outros, como os libertários e isolacionistas, são contra uma ação contra a Síria por achar uma intervenção cara, em um país não estratégico e que iria contra os cristãos sírios, majoritariamente aliados de Assad.

Obama terá a tarefa agora de, em primeiro lugar, apresentar provas de que realmente o regime de Assad foi responsável pelo uso de armas químicas. Em segundo lugar, precisará responder a todas às dúvidas sobre a eficiência de sua estratégia de bombardeios contra a infraestrutura militar de Assad. Será suficiente para coibir novas ações com armas químicas? Aumentará a intensidade da guerra civil? Provocará reações nos países vizinhos? Os EUA serão sugadas para um conflito ainda maior?

No Reino Unido, David Cameron fracassou. Mas o premiê teve pouco tempo para se preparar. Vamos ver a Casa Branca, com mais tempo e, possivelmente, mais informações.
Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia.

30 de ago. de 2013

Síria, quem ganha e quem perde? – de Lucas Mendes, para a BBC Brasil

BRASIL - Opinião
Síria, quem ganha e quem perde?
Uma ajuda de americanos, ingleses e franceses poderia decidir a parada a favor dos rebeldes, entre eles membros da Al Qaeda, do Hamas e Hezbollah. Se os rebeldes da Al Qaeda assumissem o poder? Bashar al-Assad ou Al Qaeda, qual dos dois é pior?

Charge : John Cole - The Times-Tribune (USA).

Postado por Toinho de Passira
Texto de Lucas Mendes
Fonte: BBC Brasil

Na tela da televisão os números das redes de finanças e economia mostram quem lucrou com a ameaça de Barack Obama de atacar o governo sírio.

O petróleo teve a maior alta em 2 anos e as bolsas no mundo perderam mais de US$ 800 bilhões. Quem apostou na alta do petróleo e nas quedas das bolsas, ganhou. E ganhou de novo quando comprou ações na baixa quarta de manhã. Já subiram.

Minha teoria conspiratória é inspirada nos meus livros de histórias em quadrinhos do Super Homem. Um grupo da Intergang* da Metropolis, em busca de mais fortuna, compra mísseis químicos no mercado negro, contrata meia dúzia de terroristas para dispará-los contra a população civil. Depois aposta milhões na alta do petróleo e na queda das bolsas. Se apostassem só numa bolsa seria fácil identificar os ganhadores mas com o dinheiro espalhado por dezenas de bolsas pelo mundo é mais difícil.

Fiquei surpreso de não encontrar este enredo elementar na enorme lista de filmes conspiratórios. Há centenas deles. Também tinha pensado no filme Siriana, do George Clooney, mas a trama é diferente. O meu será o Siriana 2.

Dos enredos conspiratórios, o mais próximo ocorre em um episódio da série 24 onde um terrorista explode uma arma química no Oriente Médio para justificar o envio de tropas americanas. A arma foi fornecida pela CIA. Super conspiratório.

Há outras teorias na mesa. O Irã e a Rússia são os países mais interessados em ver os Estados Unidos atolados numa terceira guerra invencível que vai exigir tropas, armas e dólares durante vários anos. São suspeitos?

Fazer estas elucubrações é fácil. Difícil é explicar para os americanos o que Bashar al-Assad tinha a ganhar com um ataque de armas químicas. A situação dele na guerra civil melhorou nas últimas semanas. Muito mais lógico é um veneno vindo dos rebeldes, que não conseguem fazer progressos e precisam enfraquecer Al-Assad.

Uma ajuda de americanos, ingleses e franceses poderia decidir a parada a favor dos rebeldes, entre eles membros da Al Qaeda, do Hamas e Hezbollah. Os moderados perderam terreno.

Há outras respostas para a pergunta "por que Bashar al Assad teria lançado as armas?".

1 - Para desafiar a comunidade internacional e projetar firmeza.

2 - Para aterrorizar a população civil que ainda não fugiu e abriga os rebeldes.

3 - Aumentar a pressão nos rincões rebeldes que ainda resistem.

Há duas outras teorias: Quem lançou os mísseis errou na dose ou o irmão de Al-Assad, Maher, o terrível líder da guarda republicana, teria disparado os mísseis por conta própria.

Já morreram mais de 100 mil sírios, 2 milhões saíram do país e vivem miseravelmente em campos de refugiados. O que aconteceria com eles depois da queda de Al-Assad, seguida de uma guerra pelo poder entre os rebeldes?

Ou, mesmo sem uma guerra, se os rebeldes da Al Qaeda assumissem o poder? Bashar al-Assad ou Al Qaeda, qual dos dois é pior?

A maioria dos americanos, por grande margem, 90% numa das pesquisas, é contra uma operação militar na Síria. Os políticos estão divididos.

Há conservadores pró e contra uma intervenção. Os a favor argumentam que se for provado pelos inspetores da ONU que Al-Assad foi responsável pelo ataque e Obama não fizer nada, perderá credibilidade internacional.

Porque o Irã, a Coreia do Norte ou qualquer outro país deveria ter medo das ameaças dele?

Uma grande operação está fora dos planos. Se a comissão da ONU garantir que as armas vieram de Al-Assad, pelo rufar dos tambores, haverá uma intervenção cirúrgica, minimalista para destruir comunicações, depósitos de armas e bases aéreas.

Mas e se os inspetores da ONU disserem que os mísseis podem ter vindo dos rebeldes? O preço do petróleo vai cair, a bolsa vai subir e a Intergang vai sair no lucro.
*Intergangue é um bando intergaláctico capaz de enfrentar e por em risco, o Super-Homem e outros super-heróis dos quadrinhos. São apoiados com armas e tecnologia fornecido por vilões do planeta “Apokolips”. A Intergangue foi criado por Jack Kirby, desenhista, roteirista e editor de Histórias em quadrinhos, em 1970

12 de mai. de 2013

Jordanianos compram esposas entre refugiadas sírias, aproveitando situação de penúria das famílias

TURQUIA - JORDÂNIA
Jordanianos compram esposas entre refugiadas sírias, aproveitando situação de penúria das famílias
Enquanto Andrew Harper, representante da agência de refugiados da ON, diz indignado que não consegue imagimar nada mais asqueroso que pessoas se aproveitarem de mulher refugiadas, o vice-presidente do Partido Republicano turco, Farouk Logoglu, denunciou, no Parlamento, que as mulheres sírias abrigadas em campos de refugiados turcos, estão sendo "vendidas aos xeques ricos dos países árabes".

Foto: Thaier al-Sudani/Reuters

Há denuncia que, fingindo-se trabalhadores humanitários, pessoas negociam, com as famílias em dificuldades extremas, “casamentos” entre jovens de tenra idade, com homens endinheirados da Jordânia e de todo o mundo árabe.

Postado por Toinho de Passira
Baseado no texto de Beth McLeod para “BBC The World Tonight”, em Amã (Jordânia)
Fontes: BBC Brasil, The Star, The Washington Post, Syria News, The Shia Post, Voice Of America

Antes do início da guerra civil síria, Kazal estava apaixonada por seu vizinho, na cidade de Homs. "Ele tinha 20 anos e eu sonhava em me casar com ele", diz ela. "Nunca imaginei que fosse casar com alguém que eu não amasse, mas eu e minha família passamos por momentos difíceis desde que viemos para Amã."

Anuncio em jornal egípcio oferecendo "senhoras sírias"
Kazal diz ter 18 anos, mas parece muito mais nova. Ela acaba de se divorciar de um saudita de 50 anos que pagou cerca de US$ 3,1 mil (cerca de R$ 6,2 mil) para se casar com ela. O casamento durou uma semana.

"Vivi com meu marido em Amã (capital da Jordânia), mas não éramos felizes. Ele me tratava como uma empregada e não me respeitava como esposa. Era muito rígido comigo. Estou contente que tenhamos nos divorciado."

Seus olhos azuis se enchem de lágrimas quando ela fala sobre o casamento.

"Concordei (em me casar) para ajudar minha família. Chorei muito quando fiquei noiva. Nunca mais casarei por dinheiro. No futuro, espero me casar com um garoto sírio que tenha a minha idade."

'SEXO PARA SOBREVIVÊNCIA'

Andrew Harper, representante da agência de refugiados da ONU (UNHCR) na Jordânia, se diz preocupado com o fato de os 500 mil refugiados sírios no país estarem cada vez mais recorrendo a medidas drásticas como a de Kazal.

"Não temos recursos suficientes para ajudar todos os que precisam", diz ele. "A grande maioria dos refugiados são mulheres e crianças. Muitas não estão acostumadas a sair para trabalhar, então o sexo para a sobrevivência acaba virando uma opção."

Seu escritório, no centro de Amã, está cercado por centenas de refugiados recém-chegados, fazendo longas filas para se registrar e pedir ajuda. Ele diz que agentes da UNHCR já intervieram em alguns casos, em que famílias estavam oferecendo suas filhas para casamentos.

"Não consigo imaginar nada mais asqueroso do que pessoas que buscam mulheres refugiadas. Você pode chamar isso de estupro, de prostituição, do que quiser, (o fato é que) isso é usar as (pessoas em situações) mais fracas como presas."


"Temos um bebê que precisa de leite diariamente e não temos dinheiro para o aluguel. Então tive de sacrificar Kazal para ajudar o resto da família." – diz a mãe de um das meninas negociadas.

'SACRIFÍCIO'

Acredita-se que casamentos rápidos entre homens do golfo Pérsico e meninas sírias já aconteciam mesmo antes do início da guerra na Síria. Mas a mãe de Kazal, Manal - que, como sua filha, se veste de forma conservadora, com vestimentas muçulmanas que a cobre dos pés à cabeça - diz que, no passado, nunca teria aceitado um casamento arranjado para sua filha.

"A vida aqui é muito difícil e temos pouca ajuda", queixa-se. "Temos um bebê que precisa de leite diariamente e não temos dinheiro para o aluguel. Então tive de sacrificar Kazal para ajudar o resto da família."

Ela diz que o casamento foi arranjado por uma ONG jordaniana chamada Kitab al-Sunna, que dá dinheiro, comida e medicamentos aos refugiados. Seu trabalho é financiado por indivíduos ao redor do mundo árabe.

"Quando fui à ONG pedir ajuda, eles pediram para ver minha filha. E disseram que iriam encontrar um marido para ela."

O diretor da Kitab al-Sunna, Zayed Hamad, diz que ele às vezes é abordado por homens interessados em se casar com mulheres sírias.

"Eles pedem garotas com mais de 18 anos. Sua motivação é ajudar essas mulheres, especialmente as que perderam seus maridos como mártires na Síria. Os homens árabes veem as mulheres sírias como boas donas de casa, acham elas bonitas, então elas são muito desejadas."


Jovens sírias são cobiçadas por homens árabes, alguns idosos, pela beleza e por serem boas donas de casa e submissas.

'ENTRE 50 E 80 ANOS'

Um Mazed é uma refugiada síria de 28 anos que começou a ganhar dinheiro arranjando casamentos entre suas compatriotas e homens árabes. Em um quarto cheio de mofo em Amã, ela fica no telefone conversando com potenciais noivas e noivos.

"Os homens têm entre 50 e 80 anos e pedem por garotas de pele e olhos claros. Eles querem garotas muito novas, de no máximo 16 anos."

Ela diz ter apresentado mais de cem jovens sírias a esses homens, que lhe pagam uma taxa inicial de US$ 70 e, se o casamento se concretizar, mais US$ 310.

"Se os casamentos acabam em divórcio em pouco tempo, não é problema meu. Sou só o 'cupido'. Para mim não é prostituição, porque há um contrato entre o noivo e a noiva."

Um Mazed é um nome falso. Ela não quer divulgar sua identidade porque diz ter vergonha do que faz, mas afirma não ter escolha.

"Como podemos viver se as ONGs nos ajudam tão pouco? Como vamos pagar o aluguel? Não recebemos ajuda o suficiente para viver decentemente, por isso faço o que faço - para que eu e minha família possamos sobreviver."

Foto: Reuters

Não se vê entusiasmo da noiva Hanan Al Hariri, no centro da imagem, na festa do seu casamento no campo de refugiados de Al Zaatri, na cidade jordaniana de Mafraq, fronteira com a Síria.


4 de mai. de 2013

Israel ataca, na Síria, comboio que transportava armas destinadas ao Hezbollah

ORIENTE MÉDIO
Israel ataca, na Síria, comboio que transportava
mísseis destinadas ao Hezbollah
O presidente dos EUA, Barack Obama, disse neste sábado que Israel tem o direito de se proteger contra a transferência de armas avançadas para o Hezbollah, um dia depois de Israel atacar comboio no território Sírio.

Foto: Ofer Sidom / Flash 90

Caça F-16, da Força Aérea israelense, possivelmente semelhante aos usados no ataque à Síria

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Stern, The Telegraph, Time of Israel, The New York Times, Al Jazeera, Reuters

Israel realizou um ataque aéreo contra um carregamento de mísseis na Síria, que tinha como destino as guerrilhas do Hezbollah no vizinho Líbano, confirmou neste sábado uma autoridade israelense.

Obama, em uma entrevista para a rede de língua espanhola Telemundo, como parte de uma turnê de três dias na América Latina, deixou claro que os ataques seriam justificados.

"O que eu disse no passado, e eu continuo a acreditar, é que os israelenses justificadamente têm de se proteger contra a transferência de armamento avançado para organizações terroristas como o Hezbollah. Nós coordenamos de forma muito próxima com os israelenses, reconhecendo que eles estão muito perto da Síria, e muito perto do Líbano ", afirmou.

Israel deixou claro há tempos que está preparado para usar a força para impedir que armas sírias, inclusive o arsenal químico do presidente Bashar al-Assad, cheguem aos xiitas do Hezbollah, ou a insurgentes islâmicos que promovem uma revolta contra o governo sírio há mais de dois anos.

O Hezbollah, que é aliado do Irã, um dos maiores inimigos de Israel, chegou a entrar em guerra contra o Estado judaico em 2006 e continua sendo uma potencial ameaça aos olhos israelenses. Outra preocupação dos judeus é de que, em caso de uma eventual queda de Assad, rebeldes islâmicos possam voltar suas armas contra o país após décadas de relativa calma na região fronteiriça das Colinas de Golã.

O ataque ocorreu depois de o gabinete de Segurança do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ter aprovado o ato em um encontro secreto na noite de quinta-feira, informou a fonte.

Fontes do governo sírio negaram ter informações sobre um ataque. Bashar Ja'afari, embaixador do país na Organização das Nações Unidas (ONU), disse à Reuters: "Não estou ciente de ataque algum neste momento".

Mas Qassim Saadedine, um comandante e porta-voz do Exército Livre da Síria, disse: "Nossa informação indica que houve um ataque israelense em um comboio que estava transferindo mísseis para o Hezbollah. Ainda não confirmamos a localidade".

Unidades rebeldes discordaram quanto a qual tipo de arma estava no comboio. Um membro da inteligência do grupo disse que o carregamento era de mísseis antiaéreos: "Houve três ataques de caças F-16 de Israel, que danificaram um comboio carregando mísseis antiaéreos para o partido libanês xiita, na estrada militar Damasco-Beirute".

O ministro das Relações Exteriores libanês foi crítico a Israel: "Ataques como esse resultarão em mais tensão", disse. "Isso não dará a Israel a paz ou a segurança que pretendem, mas vai colocar a região em uma luta inflamada e rumo ao desconhecido."

Israel permanece tecnicamente em guerra com a Síria. O país capturou as Colinas de Golã em 1967, construiu assentamentos e anexou a região ao seu território. Mesmo assim, conflitos são raros, e a região está relativamente pacificada há décadas.

Mas as preocupações israelenses cresceram desde que militantes ligados à Al Qaeda assumiram um papel importante na revolta contra Assad.

O Estado judaico também quer impedir que o Hezbollah tenha armas químicas e outros tipos de arsenal, mais eficiente e com maior poder de destruição, que possa atingir Israel a partir do território Palestino.

3 de ago. de 2012

Kofi Annan desiste de mediar conflito da Síria

SÍRIA - ONU -
Kofi Annan desiste de mediar conflito da Síria
A missão de Annan estava centrada em um cessar-fogo que foi declarado em abril, mas nunca chegou a ser integralmente cumprido. Dizendo-se frustrado o ex-secretário geral da ONU, desejou boa sorte ao seu sucessor.

Foto: Associated Press

Em artigo publicado pelo jornal Financial Times, Annan disse que Rússia, China e Irã "precisam fazer esforços coordenados para persuadir a liderança síria a alterar o rumo e adotar uma transição política (...). Está claro que o presidente Bashar al Assad deve deixar o cargo".

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Reuters

O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan decidiu deixar o cargo de enviado especial da comunidade internacional para a Síria, dizendo-se frustrado com as recriminações contra as Nações Unidas enquanto a guerra civil no país árabe se torna cada vez mais sangrenta.

Enquanto forças rebeldes e governamentais continuam se enfrentando em Aleppo, segunda maior cidade síria, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou que Annan irá ficar no cargo só até o fim do mês.

A missão de Annan estava centrada em um cessar-fogo que foi declarado em abril, mas nunca chegou a ser integralmente cumprido. Seu trabalho vinha parecendo cada vez mais irrelevante, num momento em que os combates se intensificam em toda a Síria, inclusive nas duas maiores cidades do país, Aleppo e Damasco.

Annan disse que decidiu renunciar por causa das "trocas de acusações e xingamentos" no Conselho de Segurança, e desejou mais sorte ao seu sucessor.

A Rússia e o bloco formado por EUA, Grã-Bretanha e França começaram a se acusar mutuamente pela saída de Annan. Um diplomata graduado do Conselho disse que é hora de admitir a "profunda irrelevância de um Conselho de Segurança impotente" no caso da Síria.

O governo sírio lamentou a saída do mediador.

Annan insinuou que o contínuo fluxo de armas para as partes em conflito e o impasse entre aliados e adversários do governo sírio no Conselho de Segurança afetaram as chances de sucesso da sua missão.

"A crescente militarização no terreno e a clara falta de unidade no Conselho de Segurança alteraram fundamentalmente as circunstâncias para o exercício efetivo do meu papel", disse Annan a jornalistas.

Nos últimos meses, China e Rússia têm usado seu poder de veto para impedir o Conselho de adotar qualquer resolução contra o presidente da Síria, Bashar al Assad, cujo governo reprime com violência há 17 meses uma rebelião que é parte da chamada Primavera Árabe.

No mais recente campo de batalha do conflito, Aleppo, a disputa pelo controle da cidade se intensificou. Durante a quinta-feira rebeldes capturaram um tanque do governo nos arredores da cidade e dispararam seu canhão contra uma base aérea do governo.

As tropas de Assad continuaram usando canhões, artilharia e apoio aéreo para bombardear o estratégico bairro de Salaheddine, na zona sudoeste da cidade de 2,5 milhões de habitantes. Enquanto isso, os rebeldes consolidaram seu controle sobre outras áreas.

A aguardada ofensiva do Exército sírio para expulsar as forças rebeldes de Aleppo é iminente, depois da concentração militar em torno da maior cidade do país, segundo um funcionário graduado da Organização das Nações Unidas.

As forças do presidente Bashar al-Assad mataram mais de 80 pessoas em uma série de ataques em todo o país desde a noite de quinta-feira.

O conflito entrou em uma nova fase em 18 de julho, quando um atentado a bomba em Damasco matou quatro membros graduados do regime de Assad. Depois disso, os combates se espalharam da capital para Aleppo, maior polo comercial sírio.

Nas últimas duas semanas, o Exército vem reforçando suas posições em Aleppo e arredores, e realiza bombardeios diários com artilharia e aviões contra bairros dominados pelos insurgentes.

Ativistas sírios de oposição disseram que pelo menos 50 pessoas foram mortas durante confrontos entre forças do governo e da oposição na quinta-feira em Hama, no centro do país, e que um bombardeio com helicópteros matou 16 rebeldes perto da cidade de Deraa, que foi o berço da revolta.

Em Damasco, pelo menos 20 pessoas foram mortas por três saraivadas de morteiros lançadas pelas forças de segurança contra um campo de refugiados onde vivem 100 mil palestinos, segundo fontes médicas.

A Rússia, importante aliada de Assad, aconselhou seus cidadãos a evitarem viagens à Síria. Voos da empresa russa Aeroflot entre Damasco e Moscou serão interrompidos a partir de segunda-feira, por falta de demanda, conforme anúncio feito há duas semanas.

Agências de notícias russas informaram que Moscou está despachando três navios de desembarque para a sua base naval que funciona na cidade portuária síria de Tartus.