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25 de set. de 2014

Presidente Dilma e o uso indevido da tribuna da ONU

BRASIL - Opinião
Presidente Dilma e o uso indevido da tribuna da ONU
Vergonha alheia: A presidente disse que “os dois lados” (Estados Unidos e os sangrentos extremistas do Estado Islâmico) precisavam dialogar, como se fosse possível diálogo com um bando de terroristas que decepam cabeças ao vivo na televisão.


Tão eleitoreiro foi seu discurso que achou um meio de encaixar lá pelas tantas o elogio à decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira
Fontes: Blog do Merval

Temos uma presidente que usa a tribuna da Organização das Nações Unidas (ONU) para montar uma grotesca propaganda eleitoral, e ao mesmo tempo se pronuncia de maneira absurdamente equivocada contra os ataques dos Estados Unidos e outras nações ao Estado Islâmico, com o endosso da própria ONU.

O que provoca mais a “vergonha alheia”, aquele sentimento que a gente sente quando alguém faz alguma coisa que não deveria? No caso em pauta, essa vergonha é turbinada por que as gafes presidenciais levam ladeira abaixo a imagem do país que ela representa.

Mais que uma “vergonha alheia” é uma vergonha direta, pois a presidente Dilma nos representa, com toda a legitimidade, mas abusa do poder ao impor suas idiossincrasias à política externa do país, que tem uma tradição que vem sendo distorcida nesses anos de petismo explícito.

Pode ser que tenha sido alertada por algum assessor – haverá os que a alertam sem receio de levar um contravapor como os muitos que conhecemos por relatos próprios ? –, mas o fato é que a presidente Dilma ontem, no discurso oficial de abertura da reunião geral da ONU, não foi explícita em sua crítica aos ataques da coalizão de países contra o Estado Islâmico.

Dilma, que na véspera dissera “lamentar enormemente” os bombardeios, apenas condenou o “uso da força” e as ‘intervenções militares’ como forma de resolver conflitos, o que já é um absurdo dito assim, genericamente.

Mas o absurdo de dar o mesmo tratamento aos Estados Unidos e ao Estado Islâmico já havia sido perpetrado no dia anterior, quando a presidente disse em uma entrevista coletiva que “os dois lados” precisavam dialogar, como se fosse possível diálogo com um bando de terroristas que decepam cabeças ao vivo na televisão.

Discursando logo depois, e certamente não em resposta à nossa “soberana”, mas aos críticos em geral dos ataques contra os radicais que dominam territórios no Iraque e na Síria, entre os quais se encontra o “democrata” Putin, presidente da Rússia, o presidente americano Barack Obama disse que “a única língua que assassinos entendem é a força”.

Uma nota oficial de Ban Ki-Moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas, também tratou do assunto, já que a ONU apóia os ataques. Para Ki-Moon os adeptos da barbárie só serão contidos por operações militares como as executadas pelos Estados Unidos.

Quando ela decidiu que iria fazer o discurso de corpo presente em NY, pensava-se que a presidente Dilma aproveitaria essa presença no cenário internacional para reforçar uma imagem presidencial que a sobrepõe |à imagem de Marina Silva, de acordo com seus marqueteiros.

Mas não bastava a imagem, seu discurso na ONU foi de uma candidata, sobre questões nacionais, auto-elogios que criaram um quadro cor de rosa para a situação atual, fora completamente do contexto real em que disputa a reeleição. Ela negou depois que falasse para as câmeras do marqueteiro João Santana, e está moralmente impedida de usar essas imagens na sua propaganda eleitoral. Mas isso não deve ser empecilho para usá-las.

Tão eleitoreiro foi seu discurso que achou um meio de encaixar lá pelas tantas o elogio à decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo, “assegurando-lhes todos os direitos civis daí decorrentes”. Uma maneira de trazer à baila a questão do casamento gay, cuja aprovação constava de um esboço do programa de Marina e foi suprimida.

A candidata do PSB adotou a mesma posição, apoiando a legislação aprovada pelo STF, mas a campanha oficialista tenta carimbar-lhe a peja de evangélica à serviço da homofobia. A presidente que tenta a reeleição abusa mais uma vez da sua condição para estabelecer uma disputa desigual. Como disse Marina, é uma guerra entre o mangangá, um besouro enorme "com um ferrão poderosíssimo", e o carapanã, um pequeno pernilongo.
*Alteramos o título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

28 de out. de 2013

Estupro vira arma de guerra no Congo

CONGO - Violência contra a mulher
Estupro vira arma de guerra no Congo
Estudo registra 400 mil casos de violência sexual em apenas um ano. 1.095 congolesas são estupradas por dia - 45 por hora.

Foto: Reuters

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Adriana Carranca, Enviada Especial, República Democrática do Congo
Fontes: O Estado de S.Paulo, Reuters , "thepassiranews"

Em um leito do hospital de Masisi, na conturbada Província de Kivu do Norte, dominada por rebeldes, K.S., de 33 anos, não consegue olhar para o filho recém-nascido. O bebê faz parte de uma geração perdida no rastro dos conflitos na República Democrática do Congo, ex-Zaire: os filhos de estupros. O crime ocorre no país mais do que em qualquer outro lugar do mundo.

O estudo mais recente, da Associação Americana de Saúde Pública, divulgado em 2011, registrou 400 mil estupros de mulheres, de entre 15 e 49 anos, em um ano.

Isso significa que 1.095 congolesas foram estupradas por dia - 45 por hora. Num país como o Congo, de proporções continentais e infraestrutura precária que impede o acesso às regiões mais remotas, é difícil obter números confiáveis. Nos vilarejos do leste, porém, ainda mais difícil é encontrar mulheres que não tenham uma história de violência sexual para relatar.

Uma delas, de 30 anos, tentou oferecer tudo o que tinha - 1.000 francos congoleses (US$ 1) - a rebeldes do M23 quando eles a encontraram na mata, após ela ver seu marido ser morto com um tiro em um ataque contra o vilarejo de Kabizo, na região de Rutshuro, mas eles não queriam seu dinheiro. A chacina de homens e os estupros de mulheres se tornaram armas de guerra no Congo. Servem para demonstrar força e humilhar o oponente ao dominar e massacrar populações de sua etnia.

K.S. estava a caminho de Kitchanga, no território disputado por rebeldes tutsis, hutus e hundes, quando um grupo cruzou o seu caminho. Ela foi forçada a seguir com eles e a testemunhar o ataque contra seu próprio vilarejo, quando mataram os homens com facões - seu marido, entre eles. Na base dos rebeldes, foi amarrada com cordas entre duas árvores e estuprada durante três semanas, até conseguir fugir com a ajuda de uma das mulheres do campo - os grupos rebeldes mantêm mulheres para funções como cozinhar e cuidar de crianças sequestradas que se tornarão soldados.

Foto: James Oatway

Menores adolescentes e até crianças são igualmente vítimas dos estupradores

A riqueza dos detalhes que as mulheres dão e a quantidade que chega aos hospitais com infecções, suspeita de gravidez ou de contaminação pelo vírus HIV após os estupros não deixam dúvidas de que essa não é uma tragédia fabricada.

Em 2012, os centros de saúde em Kivu do Sul, uma das 11 províncias do Congo, registraram o atendimento de pelo menos 40 mulheres por dia vítimas de estupro, em 2012, segundo relatório do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos. Destas, um terço era de crianças, 13% das quais menores de 10 anos.

Esses são somente os casos que puderam ser registrados. "É muito difícil para as mulheres admitir que foram estupradas, porque elas têm vergonha e podem ser excluídas", diz Maman Agathe Farini, que cuida de grávidas de risco. Como as distâncias são longas e o atendimento de emergência é dificultado por estradas precárias, elas passam os últimos três meses na casa, com 76 leitos, em um anexo do hospital de Masisi, mantido pela organização Médicos Sem Fronteiras.

Maman perdeu seu filho, de 25 anos, em um ataque e foi testemunha de dezenas de outros. No último deles, em dezembro, viu rebeldes em uma área perto do hospital. Depois, ajudou a recolher os corpos. "Eles estupraram as mulheres. Das grávidas, cortaram a barriga com facões, os bebês mortos lá dentro. As que sobrevivem a um ataque como esse não querem mais ver um homem. Se engravidam (dos estupradores), não querem ver a criança, não querem alimentá-la. Muitas tentam abortar em casa. Tomam chá de ervas, usam galhos, porque, no Congo, isso é ilegal."

K.S. tentou abortar, mas, quando descobriu a gravidez, já era tarde.

Foto: Reuters

Muitas morrem ao tenta abortar em segredo, em suas casas

Entre 9% e 10% das mortes de mulheres no Congo é causada por abortos ilegais, a maioria por vítimas de estupros. Se nascem, as crianças serão abandonadas, excluídas do convívio social ou até assassinadas.

Em razão do componente étnico do conflito, aos olhos da comunidade, os filhos de estupros se tornam automaticamente um "interahamwe" - referência à milícia hutu responsável pelo genocídio de tutsis em Ruanda, que se refugiou nas matas do vizinho Congo após o massacre. São vistos como inimigos.

"É nesse ambiente de trauma que estão crescendo as crianças do Congo e isso é preocupante, porque já se percebe mudanças nos valores da sociedade", diz a psiquiatra Audrey Magis, da ONG Médicos sem Fronteiras, especialista em stress pós-traumático, com experiência em países como Síria, Líbia, Egito e territórios palestinos.

"Nós fizemos campanha para que as mulheres procurassem atendimento médico após um estupro para evitar a aids. Então, hoje, elas nos procuram, mas chegam com questões práticas, como quanto tempo devem deixar de fazer sexo com o marido, porque não querem contar a eles que foram estupradas. A violência que sofreram, em si, parece ter menos impacto. São tantas mulheres violentadas que se tornou rotina."

Foto: Spencer Platt/Getty Images

A brutalidade faz com que algumas vítimas, por trauma, fiquem momentaneamente com paralisias, cegueira e surdez

Os efeitos do trauma só são conhecidos mais tarde, na forma de uma doença que já não é vista no Ocidente: histeria, um tipo complexo de neurose causada por um problema emocional que se manifesta em sintomas físicos como dores e até paralisia, cegueira e surdez.

K.S. tem pesadelos constantes, em que sonha ainda estar em posse dos rebeldes.

Desperta com os próprios gritos, encharcada de suor, Ao acordar, só consegue ver no filho a materialização de seu tormento.


Neste momento o general de Divisão brasileiro, Carlos Alberto dos Santos Cruz , comanda uma missão de paz, da ONU, chamada “Monusco”, na República Democrática do Congo. A frente de uma tropa de mais de 20 mil capacetes azuis, comanda uma "Brigada de Intervenção" com a tarefa de tentar restituir a paz no país.
*Acrescentamos subtítulo, fotos e legendas a publicação original. Informamos que as fotos constante do post são ilustrativas, embora mostre mulheres congolesas vitimadas, não tem conexão direta com a reportagem.

1 de ago. de 2013

General brasileiro prepara ação inédita de tropas da ONU no Congo

CONGO - BRASIL - ONU
General brasileiro prepara ação inédita
de tropas da ONU no Congo
O general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz está autorizado a combater os grupos armados congoleses como inimigos. No momento, as tropas sob o seu comando defende militarmente uma das principais cidades do leste da República Democrática do Congo, Goma, de grupos armados.

Foto: Sylvain Liechti/ONU

O novo comandante das tropas da ONU no Congo, o general brasileiro Santos Cruz, em uma colina perto da capital provincial de Goma, diz que proteção de civis e de pessoal da ONU é prioridade da tropa internacional

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, ONU, BBC UK

O general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz está usando tropas da ONU para isolar uma das principais cidades do leste da República Democrática do Congo e defendê-la de grupos armados.

O brasileiro foi escolhido recentemente pela ONU para combater os mais de 50 grupos armados que atuam no leste do país.

Santos Cruz chefia uma tropa internacional de 20 mil homens, a maioria de países da África e Ásia, além de uma brigada especial elaborada para lutar contra os rebeldes.

A unidade foi criada a partir de um mandato sem precedentes na história das missões de paz. Ele autoriza os capacetes azuis a lançar missões de ataque com armas pesadas e usar todos os meios necessários para neutralizar os grupos armados do país.

"O mandato é bem claro nas prioridades: a proteção de civis, a proteção do pessoal da ONU, isso é fundamental, e nós vamos utilizar no limite todos os recursos, todos os meios, toda a força disponível para responder a qualquer agressão que se tenha aos civis, à população ou às Nações Unidas", disse o general. "A nossa tolerância é zero, vamos utilizar nossos recursos no limite, sem dúvida nenhuma."

Até agora, não há tropas brasileiras integrando a missão.

Foto: James Akena / Reuters

Uma patrulha de paz da ONU dirige pela cidade congolesa de Goma

Uma das maiores tarefas de Santos Cruz hoje é defender Goma, um dos principais focos de conflito no país, contra os rebeldes do M23. Para isso, ele instalou um cinturão de trincheiras e fortificações nas montanhas que circundam a cidade.

Os militares que fazem guarda nessas posições têm ordem para disparar caso grupos armados se aproximem.

O M23 é formado por ex-militares treinados que desertaram das Forças Armadas levando grande quantidade de armamento pesado. Eles fazem oposição ao governo e teriam recebido, treinamento, financiamento e armas, da vizinha Ruanda, segundo relatórios da ONU.

Quilômetros ao norte da cidade, rebeldes e tropas do governo se enfrentam em uma forte campanha militar iniciada no último dia 14. Enquanto a luta não atinge populações civis ou estruturas da ONU, os capacetes azuis apenas observam o conflito à distância.

Mas estão pronto para intervir a qualquer momento, o que não deve estar distante.

17 de jul. de 2013

Cargueiro norte-coreano retido no Panamá levava mísseis cubanos escondidos debaixo de carregamento de açúcar

PANAMÁ
Cargueiro norte-coreano retido no Panamá levava mísseis cubanos debaixo de carregamento de açúcar
Cuba admitiu estar por trás de um carregamento militar que foi descoberto dentro de um barco com a bandeira da Coreia do Norte retido pelo governo do Panamá

Foto: Arnulfo Franco/Associated Press

Rebocador aproxima-se do cargueiro coreano Chong Chon Gang, ancorado em Colon, Panamá

Postado por Toinho de Passira
Fontes:   The New York Times, USA Today, RT, La Prensa, BBC Brasil , Reuters

O Panamá deteve para investigação um navio de bandeira norte-coreana, o Chong Chon Gang, sob suspeita de esconder equipamentos de mísseis em um carregamento de açúcar mascavo vindo de Cuba. Para tentar evitar a inspeção o capitão da embarcação tentou se matar, duas vezes, seguidas, cortando a própria garganta.

O navio foi parado na semana passada enquanto se dirigia para o Canal do Panamá. A tripulação acabou presa depois que foram encontrados mísseis não declarados, numa potencial violação das sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) ao programa nuclear da Coreia do Norte.

"Descobrimos recipientes que supostamente contêm equipamentos sofisticados de mísseis. Isso não é permitido. O Canal do Panamá é um canal de paz, não de guerra", disse o presidente panamenho, Ricardo Martinelli, a uma rádio local nesta terça-feira.

O governo do Panamá disse que a embarcação contrabandeava "um equipamento sofisticado de mísseis" através do canal.

Na noite dessa terça-feira, o ministro de Relações Exteriores de Cuba disse em comunicado que o navio levava armas obsoletas cubanas para serem consertadas na Coreia do Norte.

Ao admitir que as armas eram suas e seriam apenas feitos serviços de manutenção na Coréia do Norte, Cuba quer se livrar da acusação de estar vendendo armas aos norte coreanos, o que seria uma violação as sanções da ONU.

Foto: Bienvenido Velasco/La Prensa

O primeiro equipamento encontrado é um radar de controle de fogo da família de mísseis terra-ar SA-2, de origem Russa, Foi usado na Guerra do Vietnã e instalado em Cuba durante a crise dos mísseis cubanos em 1962. Podem ser atualizados, ganhando sistema digital e novos softwares, tornando-se mais eficazes em rastrear e abater aviões militares modernos e menos vulneráveis à interferência eletrônica.

O QUE ACONTECEU?

O ministro da Segurança do Panamá, José Raúl Mulino, disse que "o barco foi detido na quarta-feira passada, por causa de uma informação relacionada com drogas".

As autoridades panamenhas tiveram dificuldades em inspecionar o navio, diante da forte e violenta reação da tripulação. Culminando com a tentativa de suicídio do capitão da embarcação que tentava a todo custo impedir a descoberta de sua carga clandestina.

Depois de negociações e prisão da tripulação o navio começou a ser inspecionado e logo se encontrou um míssil terra-ar de fabricação soviética, um modelo usado nos tempos da guerra do Vietnã, (1955 -1975).

Nesta terça-feira à noite, um comunicado oficial do Ministério das Relações Exteriores cubano admitiu que o navio levava armas obsoletas de Cuba para serem consertadas na Coreia do Norte.

No entanto, a nota diz que Cuba reafirma seu compromisso com "a paz, o desarmamento, incluindo o desarmamento nuclear, e o respeito pelas leis internacionais".

Foto: La Prensa

O presidente panamenho, Ricardo Martinelli, inspecionou os trabalhos de vistoria no navio apreendido com a carga ilegal

O QUE SE SABE SOBRE O CARREGAMENTO?

Cuba afirmou que o navio carregava 240 toneladas de "armamento de defesa obsoleto" ─ dois complexos de mísseis anti-aéreos, nove mísseis divididos em partes menores, dois aviões de caça MiG 21-Bis e 15 motores de MiG.

O comunicado cubano disse que as armas haviam sido fabricadas em meados do século 20. Elas passariam por uma manutenção na Coreia do Norte e seriam levadas de volta ao país.

"Os acordos assinados por Cuba nesse campo incluem a necessidade de manter nossa capacidade defensiva para preservar nossa soberania nacional", diz a nota.

O país afirmou ainda que o navio estava carregado com cerca de 10 mil toneladas de açúcar.

O governo do Panamá continua descarregando o navio para investigar seu conteúdo. Um trabalho demorado já que a tripulação danificou o guindaste à bordo, o trabalho tem que ser feito a mão e pode durar semanas. São mais de 250 mil sacas de açúcar mascavo, unidades de 50 quilos, um total de 10 mil toneladas.

O presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, fez o anúncio da detenção do barco em sua conta no Twitter.

Martinelli afirmou não é permitido navegar através do Canal do Panamá com armas de guerra não declaradas.

O navio norte-coreano deixou o extremo leste da Rússia em abril e cruzou o oceano Pacífico com seu sistema de localização automática desligado ─ uma manobra "suspeita", segundo especialistas em segurança naval.

Foto: Reuters

o cargueiro Chong Chon Gang é reincidente, já foi flagrado por autoridades ucranianas com carga clandestina que incluía munição e drogas

O QUE ACONTECEU COM O BARCO E COM A TRIPULAÇÃO?

As autoridades detiveram 35 membros da tripulação, quem teriam resistido fortemente, segundo Martinelli.

A agência de notícias Reuters cita uma entrevista do presidente a um canal de televisão do país, em que ele teria dito que o capitão do navio tentou o suicídio depois que a embarcação foi apreendida.

Os tripulantes e o capitão foram levados à ex-base aeronaval americana de Sherman, agora sob o comando do Serviço Aeronaval do Panamá.

O ministro de Segurança, José Raúl Mulino, afirmou que o governo consultará a ONU para determinar a que organismo teria que entregar os prisioneiros caso se confirmasse o contrabando de armas de guerra.

O navio Chong Chon Gang já havia sido objeto de controvérsias em anos anteriores.

Hugh Griffiths, especialista em tráfico de armas do Instituto Internacional de Pesquisas da Paz de Estocolmo, na Suécia, diz que a embarcação havia sido capturada anteriormente por traficar drogas e munições, segundo a agência de notícias Associated Press.

O barco foi retido em 2010 na Ucrânia e foi atacado por piradas na costa da Somália em 2009. Nesse mesmo ano, chamou a atenção do Instituto por causa de uma parada que fez em Tartus, o porto sírio onde a Rússia tem uma base naval.

Foto: Reuters

As autoridades panamenhas vão ter que mandar descarregar a 250 mil sacas, em busca do armamento contrabandeado, embaixo do “azucar” cubano.

QUE RESTRIÇÕES PESAM SOBRE A COREIA DO NORTE EM RELAÇÃO A ARMAMENTOS?

As sanções da ONU impedem a Coreia do Norte de exportar e importar armamentos. No caso das importações, só armas leves são permitidas.

As restrições se intensificaram logo depois que Pyongyang realizou seu terceiro teste nuclear em 12 de fevereiro, quando os Estados Unidos passaram inspecionar navios norte-coreanos suspeitos.

Nos últimos anos, diversos barcos norte-coreanos foram confiscados sob o regime de sanções da ONU.

Em julho de 2009, um navio da Coreia do Norte rumo à Birmânia (também conhecida como Mianmar) foi obrigado pela marinha americana a voltar a seu porto quando se suspeitou que ele levava armas.

Especialistas acreditam que Pyongyang está desenvolvendo uma ogiva nuclear suficientemente pequena para ser colocada em um míssil de longo alcance.

25 de abr. de 2013

General brasileiro comandará, no Congo, a maior missão de paz da ONU

BRASIL - ONU
General brasileiro comandará, no Congo,
a maior missão de paz da ONU
O general de Divisão brasileiro, Carlos Alberto dos Santos Cruz , foi convidado pela ONU para comandar a missão de paz, intitulada “Monusco”, na República Democrática do Congo, a frente de uma tropa de mais de 20 mil capacetes azuis, uma "Brigada de Intervenção" com a tarefa de restituir a paz no país, combatendo os grupos rebeldes do M23 (Movimento 23 de Março), o FDLR (Forças Democráticas para Libertação de Ruanda) e o LRA (Exército de Resistência do Senhor), e mais outros grupos rebeldes locais e internacionais que operam no país.

Foto: Siegfried Amanca/Flickr

Carlos Alberto dos Santos Cruz, em missão no Haiti

Postado por Toinho de Passira
baseado no texto de Luis Kawaguti, para a BBC Brasil
Fonte: BBC Brasil, Terra, World Time<

A experiência prévia à frente de operações militares no Haiti fez o general de divisão brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz ser convidado pela ONU para comandar sua maior missão de paz: a Monusco, na República Democrática do Congo.

Embora se torne responsável por uma tropa de mais de 20 mil capacetes azuis, sua tarefa mais delicada será conduzir uma unidade militar criada há menos de um mês, de uma forma sem precedentes na história das missões da paz da ONU.

A "Brigada de Intervenção" foi estabelecida com uma "autorização especial" da cúpula da ONU para adotar "qualquer medida necessária" para derrotar o M23 (Movimento 23 de Março), o FDLR (Forças Democráticas para Libertação de Ruanda) e o LRA (Exército de Resistência do Senhor), e ao menos outros quatro grupos rebeldes locais e internacionais que operam especialmente no leste do país.

Na prática, isso significa que o Departamento de Missões da Paz da ONU criou uma estrutura para possibilitar a realização de ofensivas militares mais robustas no âmbito de uma missão de paz convencional, sem ferir a legislação e os princípios das Nações Unidas. Trocando em miúdos eles vão enfrentar os grupos rebeldes no campo de batalha de forma ofensiva.

A brigada, sediada na cidade de Goma, é composta por dois batalhões de infantaria, um de artilharia, um de forças especiais e uma companhia de reconhecimento. Santos Cruz e um grupo de oficiais brasileiros comandarão um contingente formado principalmente por soldados africanos.

"Há uma grande variedade de grupos rebeldes no leste do país. Eu me considero pronto para enfrentar até o pior cenário. O objetivo será aliviar o sofrimento da população", disse Santos Cruz à BBC Brasil.

Foto: Divulgação

Para o ministro da Defesa, Celso Amorim, a escolha do general brasileiro, que aparece na foto no Haiti, para comandar a missão no Congo é uma demonstração do prestígio e respeito conquistados pelo país no cenário internacional.

A escolha dele foi motivada pelo papel que exerceu como chefe militar da missão de paz no Haiti entre os anos de 2007 e 2009.

Na época, o general autorizou seus coronéis e subordinados a planejar e executar ações de força, que finalizaram o processo de desmantelamento de grupos rebeldes e gangues que dominavam a favela de Citè Soleil – o último grande bastião rebelde do país.

Segundo militares, assim como seus antecessores, Santos Cruz sofreu grande pressão de diplomatas da ONU para endurecer as ações no Haiti naquela ocasião.

Porém, de acordo com diplomatas do Itamaraty, ele teve versatilidade para balancear o uso da força – fazendo com que as operações em Porto Príncipe atingissem seus objetivos sem descumprir a legislação internacional ou ferir direitos humanos.

Além disso, o general ganhou a confiança do embaixador Edmond Mulet, que à época chefiou a parte civil da Minustah e hoje é o assistente do secretário-geral da ONU para operações de paz.

Foto: Phil Moore / AFP - GETTY IMAGES

Grupo de congoleses, próximos a um veículo patrulha de combate da ONU, na província de Kibati, nos arredores de Goma, no leste da República Democrática do Congo,
em 2 de agosto de 2012

Ou seja, segundo fontes no Itamaraty, não houve um esforço diplomático brasileiro específico para assumir a missão na Republica Democratica do Congo, mas um reconhecimento da ONU sobre o papel que o Brasil exerceu na pacificação do Haiti que foi recompensado.

"Trata-se de uma homenagem pelo excelente trabalho que ele desempenhou à frente da Minustah e um novo sinal de reconhecimento internacional à atuação dos militares brasileiros", disse em entrevista o ministro da Defesa Celso Amorim, que ocupava a chancelaria durante a maior parte da permanência de tropas brasileiras no Haiti.

Santos Cruz já havia sido colocado na reserva quando começou a ser sondado para a missão na Republica Democratica do Congo. Vinculado atualmente a um órgão civil do governo federal, está sendo trazido de volta à ativa no Exército para assumir o cargo internacional.

Ele disse acreditar que a percepção e a experiência com situações dinâmicas adquiridas no Haiti serão de grande ajuda na RDC. Porém, afirmou que são missões muito diferentes, principalmente em relação ao tamanho do país de 71 milhões de habitantes (o Haiti tem 8 milhões) e da diversidades das forças que disputam o poder.

Foto: Reuters

M23, combatentes rebeldes em Karambi, leste da Republica Democratica do Congo, na província de Kivu do Norte, perto da fronteira com Uganda,
julho de 2012.

CRISE

A situação na região da RDC começou a se agravar após o genocídio de Ruanda, em 1994, quando mais de 1,2 milhão de hutus (muitos deles milicianos envolvidos no massacre de tutsis em Ruanda) cruzaram a fronteira leste da RDC, o antigo Zaire – em uma área tradicionalmente habitada por tutsis e outras etnias.

Ali, os hutus se aliaram a forças do governo do então Zaire em uma campanha militar contra os tutsis congoleses. Mas uma coalizão de tropas de Ruanda e Uganda com forças rebeldes congolesas, lideradas por Laurent Désiré Kabila, invadiu o país e derrotou o Exército do então presidente Mobuto Sese Seko, tomando a capital, Kinshasa, em 1997 e colocando Kabila no poder. Um ano depois, Kabila enfrentou uma rebelião que também teve a intromissão de nações vizinhas.

Em 1999 a ONU promoveu um cessar-fogo entre a RDC e Angola, Namíbia, Ruanda, Uganda e Zimbábue. Uma força de capacetes azuis foi então enviada ao país.

Foto: Phil Moore/AFP/Getty Images

Refugiados congoleses aglomeram-se de um choque entre M23 rebeldes e o exército congolês na borda da aldeia de Rugari, cerca de 37 quilômetros de Goma, no Congo Kivu do Norte,
em 26 de julho de 2012.

Foto: James Akena / Reuters

Refugiados usam uma improvisada bicicleta de madeira, para fugir com seus pertences dos combates entre exército congolês e os rebeldes M23, perto da cidade congolesa de Goma
24 julho de 2012.

Eleições livres foram realizadas, mas conflitos continuaram irrompendo em diversas províncias da RDC. Em 2010, a ONU endureceu a missão do país, mas abusos de direitos humanos e violência sexual continuaram a ocorrer.

Um vácuo de poder no leste do país possibilitou aos grupos rebeldes ameaçar o governo central. A reação das Nações Unidas foi endurecer ainda mais o mandato da missão de paz e criar as condições para a organização da Brigada de Intervenção.

Essa unidade especial funcionará durante um ano. Santos Cruz ainda não tem uma data definida para assumir o comando. Seu envio depende de uma autorização formal da presidente Dilma Rousseff - que deve ocorrer em breve.

O Brasil deve então enviar uma equipe de oficiais das Forças Armadas à RDC para integrar a equipe do general.

Segundo fontes do Itamaraty não há por enquanto intenção de enviar um contingente de militares combatentes à RDC. Isso porque a característica principal das tropas que integram a Monusco é uma forte participação africana.

O Brasil participa de uma série de missões de paz da ONU. As principais delas ocorrem no Haiti, onde o país tem, além do comando, uma batalhão com cerca de 1.200 homens e no Líbano, onde o país mantém um contra-almirante que chefia a Força Tarefa Naval da ONU e uma fragata com mais de 300 tripulantes.

Comentário nosso: o Brasil está entrando numa armadilha internacional, sem volta. Quando integramos missões como essa para combater extremistas, estamos atraindo a ira de outros extremistas na direção do nosso país. Tudo isso por causa do velho sonho de ter assento numa das cadeiras do Conselho de Segurança da ONU. Bummmm!

Foto: Reuters

Uma patrulha da ONU na cidade congolesa de Goma, Julho 23, 2012.

25 de dez. de 2012

Brasil já gastou no Haiti R$ 1,9 bi

BRASIL - HAITI
Brasil já gastou no Haiti R$ 1,9 bi
Na lista de heranças malditas do governo Lula, recebida por Dilma, está o beco sem saída das tropas brasileiras no Haiti. Em 2004, fizeram Lula de bobo insinuando que seria possível conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, se o Brasil enviasse uma tropa para ajudar na situação política a Ilha do Caribe. Passados oito anos, exceto pelo governo brasileiro, o assunto é sequer cogitado.

Foto: Arquivo Minustah

Por que o Brasil está gastando tanto dinheiro no Haiti?

Postado por Toinho de Passira
baseado no texto de Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, para O Estado de S.Paulo
Fonte: Estadão

O Brasil num momento de crise, com problemas orçamentários, faltando dinheiro para a educação, saúde, segurança e investimentos na infraestrutura, dá-se o luxo de gastar R$ 1,892 bilhão na manutenção da tropa estacionada no Haiti, no período de abril de 2004 a novembro deste ano.

O país caribenho foi arrasado por uma guerra civil e, mais recentemente, por um terremoto recebe a ajuda brasileira, liderando uma missão de paz da ONU, há oito anos.

O bizarro dessa história, é que todo mundo sabe, que a presença brasileira, não é uma questão apenas humanitária, o governo Lula, resolveu que o Brasil devia participar da missão, pois isso desencadearia a possibilidade do país obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Uma espécie de mensalão internacional, um “dando é que se recebe”.

O certo é que a jogada não funcionou, nem se sabe ao certo, quais vantagens o Brasil teria em obter tal responsabilidade.

Segundo o Ministério da Defesa, do total gasto, a ONU reembolsou R$ 556,5 milhões para o Tesouro Nacional, fazendo nossas despesas, com a missão, mesmo assim, atingirem a vultosa quantia de R$ 1,3 bilhão líquido.

Atualmente, o Brasil mantém 1.910 homens das Forças Armadas na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). A maioria do contingente brasileiro é do Exército. Ainda há militares da Aeronáutica (30 homens da Força Aérea Brasileira) e da Marinha (200 fuzileiros navais). A meta para 2013 é reduzir o efetivo para 1.200 militares, mesmo número do início da operação, em 2004 – o acréscimo ocorreu após o terremoto de 2010.

A redução da tropa de forma “responsável”, nas palavras do ministro da Defesa, Celso Amorim, é respaldada por uma resolução da ONU, de outubro. No começo deste mês, o presidente do Haiti, Michel Martelly, escreveu uma carta de duas páginas implorando à presidente Dilma Rousseff para negociar a manutenção do efetivo, argumentando que ainda não conseguiu formar uma polícia nacional para deter o avanço de gangues.

Em oito anos e meio, cerca de 25 mil militares brasileiros passaram pelo Haiti. O governo avalia que a missão, embora não tenha garantido um assento no Conselho de Segurança, derrubou uma das principais críticas ao País no âmbito da ONU. Delegações estrangeiras sempre questionaram a contundência dos discursos dos diplomatas do Itamaraty na área de direitos humanos e a fraca presença real brasileira nos campos de conflito.

O gasto total do Brasil no Haiti é quase nove vezes maior que o valor pedido em 2012 pelo governo de São Paulo ao governo federal para modernizar as áreas de informação e inteligência da polícia – neste ano, o governo paulista reclamou que pediu R$ 148,8 milhões ao Ministério da Justiça e só recebeu R$ 4 milhões.

Se aplicada na área social, a despesa no Haiti daria para pagar o plano de expansão da rede de creches e escolas infantis nos próximos três anos e que, até agora, não saiu do papel. O governo anunciou um investimento de R$ 1,3 bilhão até 2014.

Não estão incluídos no total de despesas os recursos gastos com soldos dos militares. O gasto inclui recursos de diárias, alimentação, comunicação, rede de internet, processamento de dados, explosivos e munições, vestuário, transporte, combustível e produtos médicos e farmacêuticos.

O projeto brasileiro no Haiti começou com festa. Enquanto soldados chegavam a Porto Príncipe para montar base, a seleção liderada por Ronaldo Fenômeno desfilava com a Copa Fifa em blindados da ONU pela capital haitiana, diante de uma multidão eufórica, e aplicaria depois uma goleada de 6 a 0 no time da casa, para a festa dos ricos do país que tiveram acesso ao estádio.

Foto: Arquivo Minustah

Enquanto tentavam se adaptar a um país sem infraestrutura, com mais de 70% da população sem emprego, generais brasileiros pressionavam diplomatas e autoridades para exigir recursos de organismos internacionais para combater a miséria no Haiti. Em janeiro de 2010, o país caribenho foi atingido por um terremoto, que deixou 316 mil mortos, segundo o governo haitiano. A tropa brasileira também foi atingida, com a morte de 18 militares.

Dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) indicam que o governo gastou, em 2011 e 2012, R$ 235 mil em bolsas para os filhos dos militares mortos no terremoto. A tragédia de 2010 tornou ainda mais dramática a vida que já era praticamente insuportável no país. Sem árvores – cortadas para lenha de fogão –, as ruas de Porto Príncipe ainda estão tomadas de abrigos improvisados de sobreviventes do terremoto.

Os discursos de dirigentes da ONU pedindo recursos “impactantes” para o Haiti não mobilizaram a comunidade internacional, antes ou depois do começo da crise financeira de 2008. O governo brasileiro deve endurecer, no próximo ano, o discurso contra a própria ONU.

O Ministério da Defesa e o Itamaraty reclamam que o Brasil se comprometeu a gastar US$ 40 milhões, por exemplo, na construção de uma hidrelétrica com capacidade de 32 megawatts no Rio Artibonite, ao sul de Porto Príncipe, e, até agora, os demais países não repassaram um centavo para o projeto orçado em US$ 190 milhões e que beneficiará 1 milhão de pessoas.

Essa foi mais uma das heranças malditas deixadas por Lula.


30 de nov. de 2012

Em Israel, vitória da Palestina no ONU
é considerado 'bofetão diplomático'

BRASIL -
Em Israel, vitória da Palestina no ONU
é considerado 'bofetão diplomático'
A aprovação na Assembleia Geral da ONU da elevação do status palestino na entidade para "Estado observador não-membro" - uma resolução a que Israel e Estados Unidos se opuseram traz consequência diferentes no Oriente Médio. De um lado os palestinos festejam, o que chamam a certidão de nascimento da sua pátria, do outro os judeus, cobram do primeiro minsitro Netanyahy, o que chamam de uma derrota vergonhosa

Foto: Marko Djurica / Reuters

Um menino palestino acena com uma bandeira Palestinain durante um comício na Cisjordânia, em Ramallah, na festa de comemoração da resolução na ONU

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, Times of Israel, Haaretz , The New York Times, G1, Ultimo Segundo com AP, Reuters e AFP

Enquanto nos territórios palestinos a população comemora o novo status de "Estado observador não-membro" nas Nações Unidas, em Israel o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu vem sendo responsabilizado pelo que os críticos consideram uma grave derrota diplomática.

Nesta quinta-feira, a Assembleia Geral da ONU aprovou por 138 votos a favor, 9 contra e 41 abstenções a nova condição para os palestinos, que os equipara à condição do Estado do Vaticano.

O respaldo ao pedido palestino por reconhecimento como Estado superou até os cálculos mais otimistas da Autoridade Nacional Palestina e de seu presidente, Mahmoud Abbas.

Mas o que para Abbas foi um grande triunfo diplomático, para Netanyahu é um revés que muitos em Israel já estão lhe cobrando.

Foto: Andrew Gombert / EPA

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, centro, chanceler palestino Reyad al-Maliki, direito, e outros membros da delegação palestina emocionados após a votação das Nações Unidas da resolução que considerou a Palestina "Estado observador não-membro" nas Nações Unidas

'Bofetão'

A deputada Shelly Yacimovich, presidente do Partido Trabalhista, de oposição, afirmou que o resultado da votação na ONU é consequência da política externa de Netanyahu e do aprofundamento da paralisação do processo de paz com os palestinos.

Em declarações à imprensa local, Yacimovich afirmou que Netanyahy e o chanceler Avigdor Lieberman "envergonharam o país internacionalmente" e presentearam os palestinos com uma vitória histórica.

Zahava Gal On, presidente do partido pacifista Meretz, afirmou que a comunidade internacional "deu um bofetão na cara de Netanyahu", mas assegurou que o reconhecimento palestino poderia ajudar Israel a se envolver de novo no processo de paz.

A se julgar pelas declarações dos principais porta-vozes israelenses, porém, é pouco provável que o novo status palestino possa ter esse efeito.

Lieberman afirmou que o discurso de Abbas na ONU pedindo "um certificado de nascimento para a Palestina" demonstra que ele não está interessado na paz.

Foto: Issam Rimawi/Flash90

Palestinos comemorando em Ramallah

'Luz de advertência'

Em sua edição desta sexta-feira, o diário israelense Haaretz afirma que Israel sofreu uma derrota "humilhante" na ONU e diz que o resultado foi uma "luz de advertência" ao país. Segundo o diário, países "amigos" enviaram com seus votos a mensagem de que a paciência com a ocupação dos territórios palestinos está acabando.

Em um artigo no jornal, o especialista em assuntos diplomáticos Avi Issacharoff afirma que "Abbas nunca admitirá, mas deve um enorme agradecimento ao governo israelense e em particular ao chanceler Avigdor Lieberman".

"Até alguns poucos dias atrás, parecia que Abbas poderia evaporar da consciência palestina e internacional em consequência dos avanços do Hamas durante a operação Pilar de Defesa", escreveu Issacharoff, fazendo referência à recente ofensiva militar israelense contra Gaza para neutralizar os ataques com foguetes lançados por grupos palestinos.

O analista destaca que, agora, Abbas recuperou sua posição de liderança, ao menos entre os círculos políticos do mundo árabe, e conseguiu um consenso raro entre os palestinos, divididos entre os seguidores do Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e do Fatah, de Abbas, que controla a Cisjordânia.

Foto: Ronen Zvulun / Reuters

Registro da construção no assentamento judeu na Cisjordânia, em Maale Adumim, em junho passado

'Ocupação racista'

Em seu discurso diante da Assembleia Geral, antes da votação, Abbas fez declarações duras contra Israel, acusando o país de promover "uma ocupação colonial racista" equiparável ao apartheid, o sistema de discriminação racial vigente na África do Sul até os anos 1990.

"O mundo pôde ver um discurso difamatório e venenoso, cheio de propaganda mentirosa contra o Exército israelense e os cidadãos israelenses", afirmou Netanyahu, em um comunicado divulgado após a intervenção de Abbas.

"Alguém que deseja a paz não fala dessa maneira", diz o comunicado. "Não se criará um Estado palestino que não garanta a segurança dos cidadãos israelenses", afirmou.

"O caminho da paz entre Jerusalém e Ramallah passa por negociações diretas sem condições prévias e não por decisões unilaterais na ONU", acrescentou.

Em declarações à BBC, o porta-voz do governo israelense Mark Regev afirmou nesta sexta-feira que a concessão de status de Estado aos palestinos é "um teatro político negativo" e "prejudicará a paz".

"Isso é um teatro político negativo, que vai nos tirar do processo de negociação. Vai prejudicar a paz", disse Regev.

Foto: Rina Castelnuovo/The New York Times

De sua casa em Jerusalém Oriental no ano passado, Haj Ibrahim Ahmad Hawa olhou para a barreira de separação em torno de Jerusalém com o assentamento israelense de Maale Adumim no fundo

ONU 'hostil'

Apesar de Israel ter nascido a partir da resolução da ONU pela partilha da Palestina, aprovada exatos 65 anos antes, em 29 de novembro de 1947, seus governos costumam acusar a organização de "hostilidade" contra o país e de pretender impor uma solução multilateral ao problema com os palestinos.

"Temo que a Autoridade Palestina possa usar a ONU como um clube político contra Israel", afirmou o senador republicano americano Lindsey Graham.

O republicano e outros congressistas americanos apresentaram um projeto de lei ao Congresso que retiraria os fundos que os Estados Unidos destinam à ONU se os palestinos não entrarem em "conversações significativas" para solucionar suas questões bilateralmente.

Apesar de a Casa Branca ter deixado claro que não considerava boa a ideia de mudança do status palestino na ONU, a embaixadora americana na ONU, Susan Rice, pediu que os dois lados comecem a falar de paz "e parem de se provocar em Nova York (cidade sede da ONU) ou em qualquer outra parte".

Foto: Foto: AP

Netanyahu: pressão interna às vésperas das eleições que acontecerão em janeiro

REAÇÃO

Longe de apresentar um comportamento de paz negociada, começa a ser noticiado, que em contrapartida Israel vai autorizar a construção de 3 mil novas casas em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, em represália a aprovação do novo status da Palestina como Estado observador da ONU.

O governo conservador do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, autorizou a construção de 3 mil moradias e ordenou o "zoneamento preliminar e planejamento de (outras) milhares".

A imprensa israelense disse que o governo busca reforçar sua imagem domesticamente, em frente a rejeição sofrida após à aprovação da medida.

Israel considera toda a cidade de Jerusalém como sua capital indivisível e quer manter faixas de assentamentos na Cisjordânia sob qualquer eventual tratado de paz com palestinos.

A maioria das potências mundiais consideram os assentamentos ilegais por serem em terras capturadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Palestinos querem que seu Estado inclua a Faixa de Gaza, que Israel desocupou em 2005 e agora é governada por islâmicos do Hamas.

Isso tudo é mais gasolina no incêndio da relações entre Judeus e Palestinos.


22 de out. de 2012

Argentina denuncia Gana na ONU, pela retenção da “Fragata Libertad”, a pedido de credores internacionais

ARGENTINA - GANA
Argentina denuncia Gana na ONU, pela retenção da “Fragata Libertad”, a pedido de credores internacionais
O barco escola da marinha argentina, o famoso veleiro Libertad, está retido no país africano, desde 02 de outubro, por decisão de um tribunal local, a pedido de credores, que cobram da Argentina uma dívida de 370 milhões de dólares, resultante da declaração de moratória portenha de 2001

Foto: Michael A. Mariant/AP

A fragata argentina Libertad apreendida no porto de Tema, Uganda

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, El Clarin, G1, Uol - AFP, Google - AFP

Um embaraço econômico-diplomático vem incomodando a presidente argentina, Cristina Kirchner, desde quando a “Fragata Libertad”, um navio escola da Marinha Argentina, foi retida em um porto ganês, em 2 de outubro. O confisco foi uma forma de pressão encontrada por credores do fundo NML Capital, que sofreram um calote milionário quando a Argentina declarou moratória em 2001. O tribunal de Gana que autorizou a ação diz que só liberará o navio quando o governo argentino saldar a dívida.

Formanda por 326 pessoas – a maioria argentinos, mas também com cidadãos do Uruguai, Chile, Brasil, Paraguai, Equador, África do Sul e Venezuela –, a tripulação da fragata permanece na embarcação desde o início da crise diplomática, cujo estopim foi uma decisão de um tribunal do país africano, que determinou a apreensão da fragata a pedido de um grupo de credores das Ilhas Caymán. Eles reivindicam o pagamento de uma dívida de cerca de 370 milhões de dólares pela Argentina.

A retenção do navio-escola "Liberdade" gerou uma controvérsia sem precedentes na Argentina. O incidente já levou à renúncia, na segunda-feira, do chefe da Marinha, o almirante Carlos Alberto Paz. Na quinta-feira, a diretora da inteligência militar, Lourdes Puente Olivera, também deixou seu cargo.

Estas renúncias aconteceram depois de as autoridades argentinas suspenderem o diretor geral de organização da Marinha, Alfredo Mario Blanco, e o secretário geral da Marinha, o almirante Luis González, pela decisão de que a fragata fizesse escala no porto de Tema, no leste de Gana, quando a rota da viagem era fazer escala na Nigéria.

Num esforço para liberar a fragata pela via diplomática, o governo argentino enviou uma delegação a Gana composta pelos vice-ministros de Defesa, Alfredo Forti, e de Relações Exteriores, Eduardo Zuain, o que resultou infrutífero, pois a justiça ugandense, disse que só liberará o barco, após ter sido saldada a dívida.

A Argentina lembra que "distintas cortes, de vários países (Alemanha, França e Estados Unidos), já estabeleceram jurisprudência sobre a matéria a favor da Argentina", por negar arresto sobre "bens militares".

O chanceler argentino, Héctor Timerman, nesta segunda-feira, denunciou Uganda perante a ONU, classificando como ilegal o gesto do país africano, e exigindo providencias para a libertação da fragata Libertad.

Timerman se reuniu em Nova York com o presidente do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador guatemalteco Gert Rosenthal, com Ban Ki-moon e com o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Vuk Jeremic, além da secretária-geral assistente para assuntos legais, Patricia O'Brien.

"O embargo de um navio de guerra, que está amparado pelas imunidades do tratado do direito marítimo, implica um grave risco para todas as embarcações militares que estão navegando hoje pelos oceanos do mundo (...). Gana está violando um direito que garante o funcionamento normal da navegação militar", alertou.

O governo argentino pede a aplicação de um princípio de 1926 segundo o qual "os navios de guerra têm imunidade frente a todo tipo de ações entre particulares, ou um indivíduo e um Estado ou entre Estados", como lembrou Timerman.

Durante sua reunião com Ban Ki-moon, o chanceler argentino recebeu a promessa de que serão "utilizados os bons ofícios de seu gabinete para entrar em contato com o governo de Gana, trocar opiniões sobre como resolver este conflito".

Foto: Elena Craescu/EPA

Tripulantes da fragata montam guarda no cais do porto de Tema, Uganda.

Ban se interessou pela situação humanitária dos 326 marinheiros a bordo do navio-escola, a maioria dos quais serão retirados na terça-feira em um voo da Air France fretado pelo governo argentino, deixando uma tripulação de segurança de 45 homens, incluindo o capitão.

Timerman explicou que não existem antecedentes de ações deste tipo, à exceção de um barco russo retido em um porto francês, mas que a justiça francesa finalmente determinou a irregularidade do embargo e liberou a embarcação.

O presidente do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador guatemalteco Gert Rosenthal explicou que o Conselho de Segurança da ONU não pode se ocupar da questão, já que este caso "não ameaça precisamente a paz mundial".

Contudo, Rosenthal informou que a "ONU está do lado do cumprimento do direito internacional" e que "o direito do mar claramente liberta os navios do Ministério de Defesa dos governos membros, concedendo-lhes status diplomático".

A Argentina apelou nesta segunda-feira da decisão do juiz de Gana e alertou que se reservava o direito de recorrer aos tribunais internacionais, já que o caso é uma violação de uma convenção assinada tanto pela Argentina como pela República de Gana, continuou Timerman.

"A decisão do governo argentino é não negociar com os fundos abutres. Nunca um fundo abutre conseguiu se apropriar de uma propriedade do governo argentino. Sempre fracassaram, nos Estados unidos, na Alemanha, na França e na Suíça", disse Timerman.


25 de set. de 2012

Dilma falou e disse na ONU

BRASIL
Dilma falou e disse na ONU
”Não podemos aceitar que iniciativas legítimas de defesa comercial por parte dos países em desenvolvimento sejam consideradas protecionismo — disse a presidente.”

Foto: AFP

Dilma, pela segunda vez na ONU abrindo a Assembleia Geral

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, O Globo, Agência Brasil, Portal Terra

Ao abrir a 67ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, a presidente Dilma Rousseff fez um discurso direcionado para as questões econômicas que afligem os países em crise - e também o Brasil. A presidente usou metade do tempo de seu discurso (cerca de 10 minutos) para listar os acertos de seu governo e criticar as medidas de estímulo e os planos de austeridade adotados por países desenvolvidos para combater a crise.

O ponto central do discurso da presidente foi a afirmação categórica de que os países desenvolvidos não conseguirão sair da crise se não colocarem em prática, junto com as medidas de austeridade, um forte plano de estímulo ao emprego e bem-estar social.

"Responsabilidade fiscal é tão imprescindível quanto medidas de estímulo ao crescimento. Pois a consolidação fiscal só é sustentável em um contexto de crescimento. E a austeridade, quando não associada ao crescimento, derrota a si mesma", disse a presidente.

A presidente disse ainda que estimular o crescimento não significa injetar dinheiro diretamente na economia, por meio dos bancos. Dilma criticou o "tsunami monetário" provocado pelos países desenvolvidos - expressão criada para descrever a enxurrada de euros e dólares disponibilizada pelos bancos centrais para estimular o crédito em nações em crise, mas que, segundo a presidente, acaba sendo trazida aos mercados emergentes em forma de investimento especulativo.

"Os países desenvolvidos, por meio de sua política monetária expansionista, causam a desvalorização do câmbio. Por isso, os países emergentes perdem mercado", afirmou Dilma. Para combater essa perda de mercado, a presidente argumentou que os emergentes têm o direito de desenvolver mecanismos de defesa que, segundo ela, são autorizados pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

"Isso não pode ser chamado de protecionismo", afirmou, referindo-se às inúmeras medidas de aumento de impostos para produtos importados aplicadas pelo Brasil durante seu governo.

"O protecionismo e todas as formas de manipulação do comércio devem ser combatidos porque conferem competitividade de maneira fraudulenta a determinados produtos", afirmou.

Dilma também listou as principais conquistas econômicas de seu governo, afirmando que o Brasil conseguiu manter o nível de emprego mesmo com crescimento menor, além de manter a inflação sob controle, reduzir a pobreza, reduzir impostos do setor produtivo e investir em infraestrutura.

"Fomos impactados pela crise, como outros países emergentes. Mas, apesar disso, mantemos o emprego em um patamar elevado e continuamos diminuindo a desigualdade. Superamos a visão incorreta de que há um contraponto entre medidas de incentivo ao crescimento e plano de austeridade", afirmou a presidente.

Oriente Médio - A outra metade do discurso de Dilma abordou as questões políticas no Oriente Médio e na América Latina, a defesa do desarmamento, as relações entre Israel e a Palestina e os ataques terroristas contra embaixadas dos Estados Unidos. "Repito agora que apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender ao legítimos anseios de Israel por paz", disse a presidente, arrancando aplausos no plenário da ONU.

Dilma reiterou uma preocupação central com os conflitos na Síria e condenou o derramamento de sangue tanto dos governos quanto das oposições armadas, "especialmente as que contam com o apoio de fora", disse. "Como presidente de um país que tem milhares de descendentes de sírios, peço que considerem que não há solução militar para a crise síria. Diplomacia e diálogo são não só a melhor, mas a única opção", afirmou.

"Sírios, deponham as armas e juntem-se aos esforços de mediação", disse. Mais de 20.000 pessoas, a maioria civis, já morreram em chacinas e conflitos entre as tropas do ditador Bashar Assad e os grupos rebeldes.

Em referência à onda de protestos contra sátiras a Maomé, a presidente brasileira voltou a arrancar aplausos ao afirmar que repudia o "preconceito islamofóbico"."Registro nesse plenário nosso mais veemente repúdio à escalada do preconceito islamofóbico em países ocidentais. Com a mesma veemência, repudiamos os atos de terrorismo que vitimaram os diplomatas americanos na Líbia", afirmou.

Dircurso paradoxal - Dilma terminou sua participação proclamando frases de elogio ao desempenho econômico e de cooperação da América Latina - e enalteceu, de maneira paradoxal, a democracia presente nos governos da região. A presidente afirmou que a região "tem sido um bom exemplo para o mundo no que se refere ao estado de direito".

"E conseguimos superar os regimes autoritários que marcaram nosso continente", afirmou, desconsiderando completamente os regimes antidemocráticos de Cuba e Venezuela.

A presidente elogiou também o desempenho do Mercosul e da Unasul na preservação dos preceitos democráticos da região, em uma clara alusão à questão paraguaia, em que o Brasil atuou como protagonista para retirar o país do bloco econômico latino-americano e inserir, em seu lugar, a Venezuela chavista.

Sobre Cuba, a presidente considerou que houve avanços econômicos e, como é praxe entre petistas, criticou o embargo ao país governado pela ditadura Castro.


3 de ago. de 2012

Kofi Annan desiste de mediar conflito da Síria

SÍRIA - ONU -
Kofi Annan desiste de mediar conflito da Síria
A missão de Annan estava centrada em um cessar-fogo que foi declarado em abril, mas nunca chegou a ser integralmente cumprido. Dizendo-se frustrado o ex-secretário geral da ONU, desejou boa sorte ao seu sucessor.

Foto: Associated Press

Em artigo publicado pelo jornal Financial Times, Annan disse que Rússia, China e Irã "precisam fazer esforços coordenados para persuadir a liderança síria a alterar o rumo e adotar uma transição política (...). Está claro que o presidente Bashar al Assad deve deixar o cargo".

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Reuters

O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan decidiu deixar o cargo de enviado especial da comunidade internacional para a Síria, dizendo-se frustrado com as recriminações contra as Nações Unidas enquanto a guerra civil no país árabe se torna cada vez mais sangrenta.

Enquanto forças rebeldes e governamentais continuam se enfrentando em Aleppo, segunda maior cidade síria, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou que Annan irá ficar no cargo só até o fim do mês.

A missão de Annan estava centrada em um cessar-fogo que foi declarado em abril, mas nunca chegou a ser integralmente cumprido. Seu trabalho vinha parecendo cada vez mais irrelevante, num momento em que os combates se intensificam em toda a Síria, inclusive nas duas maiores cidades do país, Aleppo e Damasco.

Annan disse que decidiu renunciar por causa das "trocas de acusações e xingamentos" no Conselho de Segurança, e desejou mais sorte ao seu sucessor.

A Rússia e o bloco formado por EUA, Grã-Bretanha e França começaram a se acusar mutuamente pela saída de Annan. Um diplomata graduado do Conselho disse que é hora de admitir a "profunda irrelevância de um Conselho de Segurança impotente" no caso da Síria.

O governo sírio lamentou a saída do mediador.

Annan insinuou que o contínuo fluxo de armas para as partes em conflito e o impasse entre aliados e adversários do governo sírio no Conselho de Segurança afetaram as chances de sucesso da sua missão.

"A crescente militarização no terreno e a clara falta de unidade no Conselho de Segurança alteraram fundamentalmente as circunstâncias para o exercício efetivo do meu papel", disse Annan a jornalistas.

Nos últimos meses, China e Rússia têm usado seu poder de veto para impedir o Conselho de adotar qualquer resolução contra o presidente da Síria, Bashar al Assad, cujo governo reprime com violência há 17 meses uma rebelião que é parte da chamada Primavera Árabe.

No mais recente campo de batalha do conflito, Aleppo, a disputa pelo controle da cidade se intensificou. Durante a quinta-feira rebeldes capturaram um tanque do governo nos arredores da cidade e dispararam seu canhão contra uma base aérea do governo.

As tropas de Assad continuaram usando canhões, artilharia e apoio aéreo para bombardear o estratégico bairro de Salaheddine, na zona sudoeste da cidade de 2,5 milhões de habitantes. Enquanto isso, os rebeldes consolidaram seu controle sobre outras áreas.

A aguardada ofensiva do Exército sírio para expulsar as forças rebeldes de Aleppo é iminente, depois da concentração militar em torno da maior cidade do país, segundo um funcionário graduado da Organização das Nações Unidas.

As forças do presidente Bashar al-Assad mataram mais de 80 pessoas em uma série de ataques em todo o país desde a noite de quinta-feira.

O conflito entrou em uma nova fase em 18 de julho, quando um atentado a bomba em Damasco matou quatro membros graduados do regime de Assad. Depois disso, os combates se espalharam da capital para Aleppo, maior polo comercial sírio.

Nas últimas duas semanas, o Exército vem reforçando suas posições em Aleppo e arredores, e realiza bombardeios diários com artilharia e aviões contra bairros dominados pelos insurgentes.

Ativistas sírios de oposição disseram que pelo menos 50 pessoas foram mortas durante confrontos entre forças do governo e da oposição na quinta-feira em Hama, no centro do país, e que um bombardeio com helicópteros matou 16 rebeldes perto da cidade de Deraa, que foi o berço da revolta.

Em Damasco, pelo menos 20 pessoas foram mortas por três saraivadas de morteiros lançadas pelas forças de segurança contra um campo de refugiados onde vivem 100 mil palestinos, segundo fontes médicas.

A Rússia, importante aliada de Assad, aconselhou seus cidadãos a evitarem viagens à Síria. Voos da empresa russa Aeroflot entre Damasco e Moscou serão interrompidos a partir de segunda-feira, por falta de demanda, conforme anúncio feito há duas semanas.

Agências de notícias russas informaram que Moscou está despachando três navios de desembarque para a sua base naval que funciona na cidade portuária síria de Tartus.


23 de jun. de 2012

Rio+20 termina à sombra da crise e com acordo "possível"

BRASIL - Rio+20 Rio+20 termina à sombra da crise e com acordo "possível"
“A conferência havia gerado baixa expectativa, com a ausência de importantes líderes e países preocupados em resolver problemas internos, mas diversas delegações, sobretudo da União Europeia, criticaram o texto final, "O Futuro que Nós Queremos", apontando falta de ambição”.

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A presidente Dilma Rousseff discursa no encerramento da Rio+20

Postado por Toinho de Passira
Texto de Hugo Bachega e Maria Pia Palermo
Fonte: Reuters

Apenas o "possível" venceu a falta de consenso e de disposição para desembolsar recursos em nome do desenvolvimento sustentável, e a Rio+20 terminou sob críticas de falta de ambição e à sombra da crise econômica internacional.

Países ricos, tradicionais financiadores de projetos ambientais, usaram a crise como justificativa para rejeitar o aporte de recursos, deixando no documento final um vazio quanto a valores a serem destinados a programas de desenvolvimento sustentável.

Delegações comemoraram o consenso, alcançado antes da reunião de chefes de Estado e governo, sobretudo por ter reafirmado pontos já acertados há 20 anos, na Eco-92, e evitar um retrocesso em acordos já assinados

Outros países, no entanto, se mostraram frustrados com o que chamaram de falta de ambição e urgência no combate a problemas decorrentes do aumento do consumo, da população e da industrialização.

A atual crise financeira assombrou a conferência, e o acordo foi chamado de "possível" pela presidente Dilma Rousseff.

"Aplaudo em especial os países em desenvolvimento que assumiram compromisso concreto, mesmo sem a necessária contrapartida de financiamento dos países desenvolvidos", disse Dilma, ao encerrar a conferência nesta sexta-feira.

Com a resistência dos ricos de se comprometer com novos aportes, o texto apontou apenas para uma diversidade de fundos, inclusive privados, para o financiamento de ações para o desenvolvimento sustentável.

Cerca de 100 chefes de Estado e governo, que estiveram reunidos nos últimos três dias no Rio, discutiram formas de estabelecer os chamados "objetivos de desenvolvimento sustentável", uma iniciativa da ONU construída em torno do crescimento econômico, da preservação ambiental e da inclusão social.

O G7, grupo dos países em desenvolvimento -que inclui Brasil e China- havia proposto a criação de um fundo de 30 bilhões de dólares destinado a projetos, mas foi derrotado.

A conferência havia gerado baixa expectativa, com a ausência de importantes líderes e países preocupados em resolver problemas internos, mas diversas delegações, sobretudo da União Europeia, criticaram o texto final, "O Futuro que Nós Queremos", apontando falta de ambição.

"Muito se falou aqui sobre ambição, mas pouco se colocou sobre a mesa. Não se pode exigir ação se não há ambição de financiamento. Quem exige e não põe dinheiro está sendo incoerente", disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

As ausências notáveis incluíram o presidente dos EUA, Barack Obama, a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que participaram de uma reunião do G20 no início desta semana no México.

As delegações fracassaram em chegar a um texto na sexta-feira passada, e o Brasil assumiu as negociações, sob a ameaça do documento representar retrocesso a políticas já acertadas.

O acordo foi fechado após o Brasil ter simplificado a redação e eliminado trechos que causavam grandes divergências.

Na terça-feira, pouco depois da aprovação do acordo, o ministro de Relações Anteriores, Antonio Patriota, disse que a perspectiva das negociações era de que os países não conseguissem chegar a um consenso.

A mudança de status do Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente (Pnuma) foi citada por diplomatas brasileiros como outro entrave para um acordo.

O Brasil e países europeus e africanos defendiam a garantia de elevação do programa à condição de órgão da ONU. O texto cita apenas um apoio ao fortalecimento do programa, mas deixa à Assembleia Geral da entidade discussões sobre a transformação para agência.

O diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, reconheceu que o documento reflete as dificuldades atuais no cenário internacional, mas comemorou a redação sobre o programa.

Organizações não-governamentais também criticaram o resultado da conferência, que foi chamada de "Rio-20", e apontaram a ausência de compromissos e metas. O documento final foi chamado de "O Futuro que nós não Queremos".

"A Rio+20 se transformou em um fracasso épico. Falhou em equidade, falhou em ecologia e falhou na economia", disse em comunicado Daniel Mittler, diretor político do Greenpeace.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier)


20 de jun. de 2012

RIO+20: Na retranca – Míriam Leitão

BRASIL - Rio+20 - OPINIÃONa retranca
A Rio+20 é a maior conferência já realizada pela ONU. Mas ontem apresentou um documento considerado decepcionante por todo mundo, não só pelas ONGS, que chegaram a pedir que a frase "com o acordo da sociedade civil" fosse retirada do texto. Esse texto está fechado, pronto, não tem mais volta. A presidente Dilma afirmou que foi um avanço o Brasil ter conseguido fechá-lo antes da reunião dos chefes de Estado.

Foto: Getty Images

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que não é conhecido por declarações fortes, disse que o documento é pouco ambicioso

Postado por Toinho de Passira
Texto de Míriam Leitão
Fontes: Coluna de Miriam Leitão - O Globo, Blog de Miriam Leitão

O momento mais difícil dos últimos dias para o Itamaraty foi quando a União Europeia ameaçou, na segunda-feira, não levar o documento aos níveis superiores, o que significava sair das negociações. O momento de maior alívio para a diplomacia brasileira aconteceu ontem, ao meio-dia, quando o documento foi aprovado. A estratégia foi tirar o que incomodasse qualquer grupo. A soma dos vetos desidratou o texto O Futuro que Queremos.

A partir de hoje começa a reunião dos chefes de Estado, e o texto está fechado. A comissária europeia para a Ação Climática, Connie Hedegaard, desabafou no Twitter: "Riomais20, muito ’tomam nota’ e ’reafirmam’ e pouco ’decidem’ e ’se comprometem’." De fato, dos 20 primeiros parágrafos, cinco começam com "reconhecemos", e seis, com "reafirmamos".

Na entrevista coletiva, as autoridades brasileiras repetiram com palavras diferentes o mesmo recado. "Foi possível assegurar o não retrocesso", disse a ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente. "Depois de uma longa batalha confirmamos os princípios do Rio", disse o ministro Antonio Patriota, referindo-se à conferência de 20 anos atrás. O embaixador Figueiredo também comemorou ter sido possível "preservar e não retroceder". O negociador André Corrêa do Lago disse que foi "possível reiterar e não ir para trás".

Some essas declarações e você entenderá o que houve. O Brasil jogou na retranca. O importante passou a ser reafirmar o que foi estabelecido há 20 anos. Assim, o futuro que queremos ficou com a cara do passado que tivemos.

E não fomos felizes no passado. O Brasil, como já disse aqui, desmatou em 20 anos uma área equivalente a São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo somados. A China mais que duplicou as emissões dos gases de efeito estufa. Estados Unidos, Brasil, China, Índia não assinaram o Protocolo de Kioto e isso aumentou as muitas falhas do único acordo de redução de emissões já assinado. Depois de 15 Conferências das Partes, o mundo não tem um novo acordo global de emissões dos gases de efeito estufa. O acordo de proteção da biodiversidade não impediu o desaparecimento de inúmeras espécies.

O Itamaraty teve medo de que a reunião fracassasse por não fechar o documento. O Brasil é que propôs a reunião. Na época, a proposta foi mal recebida por muitos. Vários países disseram que o ciclo das grandes conferências da ONU já havia se esgotado. A insistência e a articulação do Brasil, da qual participaram ONGs internacionais, levaram à aprovação do encontro.

O Brasil trabalhou para evitar que esta fosse uma espécie de COP-17 e meia, ou seja, não quis que fosse sobre a questão climática. Se as duas últimas reuniões, de Cancún e Durban, fossem mais bem sucedidas, aqui poderia ser o local da assinatura do tão sonhado acordo global das emissões dos gases de efeito estufa. Por isso, o Brasil manobrou para evitar essa estrada interditada e propôs que o tema fosse "desenvolvimento sustentável". Negociou para que a reunião estabelecesse objetivos de desenvolvimento sustentável e decidisse qual órgão passaria a comandar a questão ambiental na ONU. Parecia uma trilha, mas reuniões preparatórias foram uma sucessão de impasses. Na quarta-feira da semana passada, os delegados se debruçaram sobre um documento apenas 30% fechado. Ontem, o Itamaraty se congratulava por estar com ele 100% aprovado.

Para isso teve que abandonar a ideia de transformar o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) na agência ambiental da ONU. Os Estados Unidos vetaram a agência porque têm medo de interferência em sua política interna. A União Europeia queria muito que o Pnuma ganhasse poderes de agência. A solução foi pôr no documento que o órgão será fortalecido. Em vez de ter apenas 52 membros, será universal. Terá mais dinheiro e pode ser promovida. A que e quando, o documento não diz.

O fundo de US$ 30 bilhões que seria criado desapareceu. Agora há apenas a decisão de criar uma comissão de especialistas intergovernamentais, que vai até 2014 estabelecer mecanismos financeiros para garantir recursos. O que atrapalhou aqui foi a insistência da China, com Brasil e Índia, de manter intocado o princípio das "responsabilidades comuns porém diferenciadas". Esses países não querem pagar o preço de terem crescido. Fica mais absurdo no caso da China, a maior chaminé do mundo.

Seriam lançados aqui no Rio os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Ficou assim: os chefes de Estado reconhecem a importância de ter objetivos. Vai se constituir um grupo de trabalho na próxima assembleia da ONU, que fará um relatório para a reunião do ano que vem.

Houve um momento nos últimos dias de tensas e longas negociações que o Brasil dava como certo que haveria um acordo sobre oceanos que permitiria a negociação de legislação sobre águas territoriais. Estados Unidos e Venezuela ficaram contra. Foi a mais exótica aliança da reunião.

O Brasil recolheu os vetos, avançou para o passado e confirmou a Rio 92. A diplomacia brasileira diz que foram lançadas pontes para decisões futuras. Resta torcer pelas pontes. Hoje começa a reunião dos chefes de Estado. O Brasil comemora o fato de que há um texto aprovado sobre a mesa.


14 de jun. de 2012

RIO+20: Entre crises – Míriam Leitão

RIO+20: Entre crises – Míriam Leitão

BRASIL - Rio+20 - OPINIÃO
Entre crises
”A capacidade que as burocracias dos países têm de se enrolar e criar impasses, mesmo diante de riscos planetários, é enorme. E a Conferência do Desenvolvimento Sustentável Rio+20 pode sim produzir no final um documento vago sem resultado prático, que deixe lacunas, que não tenha números, que apenas encaminhe questões sobre as quais há ainda controvérsias.”

Foto: The Guardian

Postado por Toinho de Passira
Texto: Míriam Leitão para O Globo (13.06.2012)
Fonte: Blog de Míriam Leitão

A Rio+20 começa num cenário de crise econômica, nos países ricos, de longa duração e profundas repercussões. Mas é conjuntural. Um dia ela passará de alguma forma deixando suas cicatrizes e lições. A crise ambiental e climática continuará conosco porque é mais longa, complexa e decisiva. Encontrar a sustentabilidade financeira da Europa é mais fácil do que pacificar a relação da humanidade com os recursos finitos do planeta.

Começa hoje no Rio a mais ampla discussão já ocorrida sobre a nossa capacidade de conciliar desenvolvimento econômico e social com menos agressão ao que não podemos repor: as milhões de formas de vida espalhadas por esse planeta misterioso, fértil, complexo e belo.

O tema é tão vasto que vai se espalhar pela cidade em tantos eventos. Cada pessoa que quiser participar poderá no máximo ver uns poucos. Aliás, já começaram. O Riocentro é a capital do mundo neste momento, e lá estarão as negociações oficiais, que estão bem encrencadas. Delegações vão se debruçar em vários níveis sobre um documento grande demais, desfocado, cheio de impasses, e que fugiu das duas trilhas abertas na Rio 92: a do combate às mudanças climáticas e a da preservação das espécies. Era para o documento ter chegado ao dia de hoje com mais avanços do que chegou.

Em 92, os chefes de Estado assinaram os dois documentos mais importantes de toda essa jornada de encontros pelo mundo: a convenção da biodiversidade e a da mudança climática. Várias COPs têm sido feitas sob essas duas convenções. A de número 18, do clima, será em dezembro, em Catar. Em todas as 17 houve avanços e impasses.

Para fugir dos bloqueios a que chegaram os dois temas, o Rio vai discutir desenvolvimento sustentável. Perseguirá dois resultados. Primeiro, a definição sobre que órgão vai comandar as negociações relacionadas ao meio ambiente. Será o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o Pnuma? Ele tem serviços prestados, mas é apenas um programa. Precisaria de mais dinheiro e mais poder para ser uma espécie de OMC do meio ambiente. Alguns defendem que seja um órgão novo. O segundo tema da conferência é a economia verde.

O governo brasileiro considera que o evento terá sido bem sucedido se, ao final, conseguir estabelecer metas de desenvolvimento sustentável, para substituir as metas do milênio que expiram em 2015.

A capacidade que as burocracias dos países têm de se enrolar e criar impasses, mesmo diante de riscos planetários, é enorme. E a Conferência do Desenvolvimento Sustentável Rio+20 pode sim produzir no final um documento vago sem resultado prático, que deixe lacunas, que não tenha números, que apenas encaminhe questões sobre as quais há ainda controvérsias.

Mas, felizmente, nem tudo é governo. Pelo Rio inteiro estarão acontecendo nos próximos dias eventos que trarão frutos concretos. Jovens do mundo inteiro multiplicarão seus laços para atuar em rede na mesma direção. Pessoas estarão sendo expostas a informações mais precisas sobre os riscos e as chances que temos nesse definitivo encontro da humanidade com seus hábitos de vida. Organizações serão criadas ou fortalecidas. Empresas passarão a reduzir o impacto da sua atividade. Administradores públicos trocarão experiência. Cientistas vão comparar estudos sobre os mais variados aspectos dessa questão interminável. Economistas colocarão nas suas equações outras variáveis que não as tradicionais. Políticas públicas serão impactadas pelo que as autoridades, pessoas e organizações ouvirem no Rio nos próximos dias.

Esse resultado é mais difícil de medir mas é fundamental. Conto só uma história para ilustrar. A ONG Onda Verde trará mil jovens da Baixada Fluminense para uma coreografia no aterro. Eles virão de trem para reduzir o impacto dos seus deslocamentos. Dirão com seus corpos em movimento que a Terra roda numa direção, a humanidade, em outra, e que essa contradição é perigosa. Visto assim parece coisa passageira. Por trás, há 18 anos de trabalho. A ONG nasceu como efeito da Rio 92. Entre suas várias atividades está a educação ambiental. Cada um desses mil jovens participou de treinamentos em suas escolas. A informação vai se multiplicar.

É impossível resumir uma conferência tão ampla. Mais de mil eventos estão acontecendo pela cidade inteira. Um evento como esse é uma chance única. Os governos podem perdê-la, mas a sociedade não deveria. Há 20 anos, o Brasil estava em crise em todas as áreas. O presidente Fernando Collor já estava sob o efeito das denúncias feitas pelo irmão Pedro. A inflação estava subindo de forma descontrolada após o fracasso de cinco planos (Cruzado, Bresser, Verão, Collor e Collor II). Tudo isso parecia ser mais importante do que toda aquela conferência que movimentaria a cidade momentaneamente.

Collor sofreu impeachment naquele ano mesmo. Dois anos depois, o Plano Real estabilizou a moeda na sexta - e definitiva - tentativa. Aquelas crises que dominavam o noticiário passaram. A ambiental que estava sendo discutida no Rio permanece entre nós como enigma e desafio. As crises econômicas e políticas passam. A que começa hoje a ser discutida no Rio é o dilema mais definitivo para a humanidade.


*Acrescentamos subtítulo e foto a publicação original