27/05/2012

Teria Lula tentado chantagear o Ministro Gilmar Mendes?

BRASIL - Escândalo
Teria Lula tentado chantagear o Ministro Gilmar Mendes?
Segundo a Veja, Lula teria tentado chantagear o Ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, no intuito de adiar e amaciar o julgamento do Mensalão em troca blindaria o ministro de supostas acusações na CPI do Cachoeira.
Reinaldo Azevedo comenta no seu Blog: “A reportagem que VEJA traz na edição desta semana expõe aquela que é a mais grave agressão sofrida pelo estado de direito desde a redemocratização do país — muito mais grave do que o mensalão!!!”

Foto: Getty Images

Segundo a reportagem, “o ex-presidente Lula supondo que o ministro do Supremo Gilmar Mendes tivesse algo a temer na CPI do Cachoeira, fez algumas insinuações e ofereceu-lhe uma espécie de “proteção” desde que o ministro se comportasse direitinho”, no julgamento do mensalão.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Noblat, Blog do Augusto Nunes, Blog do Reinaldo Azevedo, Blog do Moreno

“É nitroglicerina pura a reportagem de Rodrigo Rangel e Otávio Cabral publicada na VEJA que começou a circular. Ela conta a história de um encontro entre Lula e Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), no escritório de advocacia do ex-ministro Nelson Jobim”. – diz Ricardo Noblat no seu Blog.

Tratando do mesmo tema, Augusto Nunes, no seu Blog, comenta:

”O ex-presidente Lula vem erguendo desde o começo de abril o mais obsceno dos numerosos monumentos à cafajestagem forjados desde 2005 para impedir que os quadrilheiros do mensalão sejam castigados pela Justiça. Inquieto com a aproximação do julgamento, perturbado pela suspeita de que os bandidos de estimação correm perigo, o Padroeiro dos Pecadores jogou o que restava de vergonha numa lixeira do Sírio Libanês e resolveu pressionar pessoalmente os ministros do Supremo Tribunal Federal. De novo, como informou VEJA neste sábado, o colecionador de atrevimentos derrapou na autoconfiança delirante e bateu de frente com um interlocutor que não se intimida com bravatas.(referia-se a Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal”

Reinaldo Azevedo no seu Blog, comenta:

”Luiz Inácio Lula da Silva perdeu completamente a noção de limite, quesito em que nunca foi muito bom. VEJA publica hoje uma reportagem estarrecedora. O ex-presidente iniciou um trabalho direto de pressão contra os ministros do Supremo para livrar a cara dos mensaleiros. Ele nomeou seis dos atuais membros da corte — outros dois foram indicados por Dilma Rousseff. Sendo quem é, parece achar que os integrantes da corte suprema do país lhe devem obediência. Àqueles que estariam fora de sua alçada, tenta constranger com expedientes ainda menos republicanos. E foi o que fez com Gilmar Mendes”.

”A reportagem Rodrigo Rangel e Otávio Cabral reproduz os momentos espantosos e vexatórios do encontro entre Lula e o ministro Gilmar Mendes ocorrido em Brasília no dia 26 de abril último, no escritório mantido em Brasília pelo amigo comum Nelson Jobim, ex-ministro do Supremo e ex-ministro da Defesa.”

TRECHOS DA REPORTAGEM DA VEJA
Transcrito do Blog de Reinaldo Azevedo

Há um mês, o ministro Gilmar Mendes, do STF, foi convidado para uma conversa com Lula em Brasília. O encontro foi realizado no escritório de advocacia do ex-presidente do STF e ex-ministro da Justiça Nelson Jobim, amigo comum dos dois. Depois de algumas amenidades, Lula foi ao ponto que lhe interessava: “É inconveniente julgar esse processo agora”. O argumento do ex-presidente foi que seria mais correto esperar passar as eleições municipais de outubro deste ano e só depois julgar a ação que tanto preocupa o PT, partido que tem o objetivo declarado de conquistar 1.000 prefeituras nas urnas.

Para espíritos mais sensíveis, Lula já teria sido indecoroso simplesmente por sugerir a um ministro do STF o adiamento de julgamento do interesse de seu partido. Mas vá lá. Até aí, estaria tudo dentro do entendimento mais amplo do que seja uma ação republicana. Mas o ex-presidente cruzaria a fina linha que divide um encontro desse tipo entre uma conversa aceitável e um evidente constrangimento.

Depois de afirmar que detém o controle político da CPI do Cachoeira, Lula magnanimamente, ofereceu proteção ao ministro Gilmar Mendes, dizendo que ele não teria motivo para preocupação com as investigações. O recado foi decodificado. Se Gilmar aceitasse ajudar os mensaleiros, ele seria blindado na CPI. (…) “Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula”, disse Gilmar Mendes a VEJA. O ministro defende a realização do julgamento neste semestre para evitar a prescrição dos crimes.

A certa altura da conversa com Mendes. Lula perguntou: “E a viagem a Berlim?”. Ele se referia a boatos de que o ministro e o senador Demóstenes Torres teriam viajado para a Alemanha à custa de Carlos Cachoeira e usado um avião cedido pelo contraventor. Em resposta, o ministro confirmou o encontro com o senador em Berlim, mas disse que pagou de seu bolso todas as suas despesas, tendo como comprovar a origem dos recursos. “Vou a Berlim como você vai a São Bernardo. Minha filha mora lá”, disse Gilmar, que, sentindo-se constrangido, desabafou com ex-presidente: “Vá fundo na CPI”. O ministro Gilmar relatou o encontro a dois senadores, ao procurador-geral da República e ao advogado-geral da União.

Ayres Britto contou que o relato de Gilmar ajudou-o a entender uma abordagem que Lula lhe fizera uma semana antes, durante um almoço no Palácio da Alvorada, onde estiveram a convite da presidente Dilma Rousseff. Diz o ministro Ayres Britto: “O ex-presidente Lula me perguntou se eu tinha notícias do Bandeirinha e completou dizendo que, “qualquer dia desses, a gente toma um vinho”. Confesso que, depois que conversei com o Gilmar, acendeu a luz amarela, mas eu mesmo tratei de apagá-la”.

Ouvido por VEJA, Jobim confirmou o encontro de Lula e Gilmar em seu escritório em Brasília, mas, como bom político, disse que as partes da conversa que presenciou “foram em tom amigável”.

VEJA tentou entrevistar Lula a respeito do episódio. Sem sucesso, enviou a seguinte mensagem aos assessores: “Estamos fechando uma matéria sobre o julgamento do mensalão para a edição desta semana. Gostaríamos de saber a versão do ex-presidente Lula sobre o encontro ocorrido em 26 de abril, no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, com a presença do anfitrião e do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, no qual Lula fez gestões com Mendes sobre o julgamento do mensalão”.

Obteve a seguinte frase como resposta: “Quem fala sobre mensalão agora são apenas os ministros do Supremo Tribunal Federal”. Certo. Mas eles têm ouvido muito também sobre o mensalão”.

Foto: Antonio Cruz\Agência Brasil

“Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula”, disse Gilmar a VEJA

Reinaldo Azevedo comenta ainda sobre a publicação:

“Lula deixou claro que está investindo em outros ministros da corte. Revelou já ter conversado com Ricardo Lewandowski, revisor do processo do mensalão — só depende dele o início do julgamento — sobre a conveniência de deixar o processo para o ano que vem. Sobre José Antônio Dias Toffoli, foi peremptório e senhorial: “Eu disse ao Toffoli que ele tem de participar do julgamento”. Qual a dúvida? O agora ministro já foi advogado do PT e assessor de José Dirceu; sua namorada advoga para um dos acusados. A prudência e o bom senso indicam que se declare impedido. Lula pensa de modo diferente — e o faz como quem tem certeza do voto. Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo e um dos porta-vozes informais do chefão do PT, já disse algo mais sério: “Ele não tem o direito de não participar”.

”A ministra Carmen Lúcia, na imaginação de Lula, ficaria por conta de Sepúlveda Pertence, ex-ministro do STF e atual presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República: “Vou falar com o Pertence para cuidar dela”. Com Joaquim Barbosa, o relator, Lula está bravo. Rotula o ministro de “complexado”. Ayres Britto, que vai presidir o julgamento se ele for realizado até novembro, estaria na conta do jurista Celso Antonio Bandeira de Mello, amigo de ambos, que ficaria encarregado de marcar a conversa.

”Ayres Britto contou que o relato de Gilmar ajudou-o a entender uma abordagem que Lula lhe fizera uma semana antes, durante um almoço no Palácio da Alvorada, onde estiveram a convite da presidente Dilma Rousseff. Diz o ministro Ayres Britto: “O ex-presidente Lula me perguntou se eu tinha notícias do Bandeirinha e completou dizendo que, “qualquer dia desses, a gente toma um vinho”. “Confesso que, depois que conversei com o Gilmar, acendeu a luz amarela, mas eu mesmo tratei de apagá-la”.

“É isso aí. Não há um só jornalista de política que ignore essas gestões de Lula, sempre contadas em off. Ele mesmo não tem pejo de passar adiante supostas informações sobre comprometimentos deste ou daquele. Desde o início, estava claro que pretendia usar a CPI como instrumento de vingança contra desafetos — inclusive a imprensa — e como arma para inocentar os mensaleiros. ”

“As informações estarrecedoras da reportagem da VEJA dão conta da degradação institucional a que Lula tenta submeter a República. Como já afirmei aqui, ele exerce, como ex-presidente, um papel muito mais nefasto do que exerceu como presidente. O cargo lhe impunha, por força dos limites legais, certos impedimentos. Livre para agir, certo de que é o senhor de ao menos seis vassalos do Supremo (que estes lhe dêem a resposta com a altivez necessária, pouco importa seu voto), tenta fazer valer a sua vontade junto àqueles que, segundo pensa, lhe devem obrigações. Aos que estariam fora do que supõe ser sua área de mando, tenta aplicar o que pode ser caracterizado como uma variante da chantagem. ”

“Tudo isso para reescrever a história e livrar a cara de larápios”.

“Nem a ditadura militar conseguiu do Supremo Tribunal Federal o que Lula anseia: transformar o tribunal num quintal de recreação de um partido político.”


26/05/2012

A traição do mordomo papal

VATICANO
A traição do mordomo papal
Um ingênuo, vítima de um complô, ou um traidor? O reservado círculo que acompanha de perto os assuntos do Vaticano se pergunta quem é de verdade Paolo Gabriele, mordomo do papa Bento XVI, detido como suspeito de vazamento de documentos confidenciais.

Foto: AFP

Gabriele, o mordomo, chamado agora de Corvo, pela imprensa italiana, era a primeira e a ultima pessoa que via o Papa todos os dias e um dos poucos funcionários que tinha acesso à parte privada do apartamento papal, desde 2006.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Terra , Reuters, BBC Brasil, La Repubblica, La Stampa

Como na ficção, depois de muita investigação e especulações descobriu-se que era o mordomo e assistente pessoal do papa Bento 16, Paolo Gabriele, de 46 anos, o traidor que teria disponibilizado para a imprensa documentos confidenciais roubados do Vaticano.

O porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, confirmou “que a pessoa detida na quarta-feira por posse ilegal de documentos particulares é o senhor Paolo Gabriele”.

Como não há prisões no Vaticano, Gabriele estaria detido em uma das três salas "seguras" nos escritórios da força policial do Vaticano.

Paolo Gabriele sempre foi um homem reservado, quase tímido, como exigia seu trabalho. Ele tinha acesso aos aposentos mais privados no Palácio Apostólico do Vaticano - o apartamento do papa Bento 16.

Mas o que teria levado o mordomo do papa, a trair o homem que confiava nele?

Foi por dinheiro? Provavelmente não.

Gianluigi Nuzzi, o jornalista italiano que revelou parte dos documentos vazados que alegam corrupção no Vaticano e conflito interno sobre o papel do Banco do Vaticano, recusa-se a revelar suas fontes, mas insiste que não lhes deu dinheiro.

Nuzzi, é um jornalista respeitado com um bom histórico, cujo livro "Sua Santidade" contém parte das acusações, diz que os que lhe deram os documentos eram pessoas devotas, "genuinamente preocupadas com a Igreja Católica" e que queriam expor a corrupção.

O Vaticano chamou o livro de "criminoso" e prometeu processar o autor, a editora e o responsável pelos vazamentos.

Os documentos entregues à imprensa incluem uma carta do atual embaixador do Vaticano em Washington para o papa, mencionando tratamento preferencial, nepotismo e corrupção entre administradores da Cidade do Vaticano.

Havia também documentos com críticas ao número dois do papa, o cardeal Tarcisio Bertone, e relatos de pagamentos suspeitos feitos pelo Banco do Vaticano (Instituto para as Obras Religiosas, IOR).

Foto: Reuters

Ettore Gotti Tedeschi, o presidente do Banco do Vaticano, afastado do cargo, suspeição de envolvimento com o escândalo

Na última quinta-feira, o presidente do Banco do Vaticano, Ettore Gotti Tedeschi, foi destituído do cargo.

Fontes ligadas à investigação dizem que ele também teria vazado documentos, apesar de a razão oficial para a demissão ter sido a falta de resultados na função.

Gabriele, o mordomo, que pode pegar até 30 anos de prisão se for condenado, vive em um apartamento confortável no Vaticano com sua mulher e três filhos, e todos que o conhecem dizem que ele é muito religioso.

Embora os empregados do Vaticano não recebam altos salários, eles desfrutam de benefícios como aluguel baixo, isenção de impostos e comida e combustível subsidiados nos comissariados da cidade-estado de 43,7 hectares.

Nas viagens do papa, o bonito e sempre polido Gabriele raramente aparecia na área da imprensa. Quando o fazia, era educado com os jornalistas, mas resistia a qualquer tentativa de divulgar informações.

Um padre que conhece Gabriele disse ao jornal La Stampa no sábado que ele era um "homem simples", que não teria sido capaz de organizar uma campanha de vazamentos.

"Por que ele poria em risco a boa vida familiar que ele construiu?", disse o padre, que não quis ser identificado, ao repórter Andrea Tornielli, do jornal do Vaticano.

O livro "Sua Santidade” do jornalista Gianluigi Nuzzi: revelações contidas nos documentos secretos do Vaticano.
Realmente, como em qualquer bom mistério, a questão que muitas pessoas fazem é: qual foi o motivo?

Se o denunciante realmente é o homem que ajudou a vestir o papa e servir suas refeições, ele poderia ter feito isso por conta própria?

Muitos comentaristas duvidam, e alguns especulam que ele pode ter sido um peão em uma grande luta pelo poder interno, um "bode expiatório".

Alguns comentaristas disseram que tramas maquiavélicas que têm vindo à tona recentemente são parte de uma disputa entre aliados e inimigos do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone.

"Este não é apenas um vazamento de documentos que pode ser definido como uma traição", disse o historiador da Igreja Alberto Melloni, dizendo que o caso é parte de uma luta de poder entre os cardeais da Cúria, a administração central do Vaticano.

"Esta é uma estratégia de tensão, uma orgia de vinganças que já saiu do controle daqueles que pensaram que poderiam controlar a situação," disse Melloni.

Outro historiador da Igreja, Vittorio Messori, que escreveu livros sobre o cardeal Joseph Ratzinger, antes de ser eleito papa em 2005, disse ao La Stampa: "A Cúria sempre foi um ninho de víboras".

Resta ver se o mordomo papal, é culpado, era um solitário denunciante idealista, ou uma vítima daquele ninho.

Foto: Getty Images

Neste sábado, nuvens carregadas pairavam sobre a Basílica de São Pedro, no Vaticano


Fraturas e fortuna - Míriam Leitão

OPINIÃO
Fraturas e fortuna
“Na segunda-feira, o Código atual não estará em vigor, haverá uma lei sancionada com buracos e uma MP tentando preencher esses buracos “ - resume Tasso Azevedo, que foi diretor do Serviço Florestal Brasileiro.

Foto: Ibama/Divulgação

Pecuária é considerada por ambientalistas a principal atividade responsável pelo desmatamento da Amazônia. Na foto, um flagrante de apreensão de bois em área de proteção ambiental, feito pelo IBAMA, em 2009

Míriam Leitão
Fonte: Coluna de Miriam Leitão – O Globo

Toda a discussão do Código Florestal mostrou uma fratura no sistema de representação política do Brasil. A bancada ruralista defendeu pontos que são inaceitáveis pelo momento em que o mundo vive, são contraditórios com o que pensa a maioria da sociedade e não refletem a prática de parte importante do agronegócio. Há um lado moderno e dinâmico do setor que pelo silêncio se deixou representar por defensores de teses obsoletas.

A lei vai ser sancionada toda fraturada. O governo pegou a lei aprovada na Câmara, vetou 12 dispositivos e mudou, fez ajustes ou acrescentou outros 32.

“Na segunda-feira, o Código atual não estará em vigor, haverá uma lei sancionada com buracos e uma MP tentando preencher esses buracos “ - resume Tasso Azevedo, que foi diretor do Serviço Florestal Brasileiro.

A tramitação será difícil porque é uma MP que tenta consertar uma lei com vetos. Se a MP cair, ficará um monstrengo cheio de falhas em vigor. O governo diz que não há anistia, mas as multas estão suspensas. Diz que se o proprietário não fizer o Cadastro Ambiental Rural e o Plano de Recuperação Ambiental em cinco anos não terá direito a financiamento. Mas o prazo era um ano. Os vetos melhoram o que foi aprovado na Câmara, mas não organizam a confusão nem atualizam o debate no país.

Houve, durante todo o processo, uma fratura do governo com ele mesmo. No início da tramitação no Congresso, o governo não quis ver a dimensão do que estava sendo decidido. Omitiu-se. Um deputado da base, hoje ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, comandou de forma equivocada a discussão. Era para encontrar um caminho equilibrado. Ouviu apenas o pior de um dos lados. E defendeu sua proposta com argumentos de deplorável xenofobia. Já o governo ficou na estranha situação de perder de sua própria base nas etapas seguintes. Até chegar na posição de vetar partes do Código aprovado com muitos votos governistas.

Existe uma agricultura moderna que sabe que o desmatamento descontrolado, as práticas agressivas ao solo e a falta de proteção aos rios, morros, nascentes levarão a prejuízos. A terra e a água são os principais insumos da agropecuária. Isso é cristalino. Agora, ficará assim: dependendo do tamanho da propriedade, a mata ciliar a ser respeitada terá uma dimensão. Os rios brasileiros serão protegidos relativamente.

Houve uma fratura no país. O Congresso aprovou um Código que a sociedade não concordou. A mobilização pelas mídias sociais, pelo país afora, unindo pessoas de áreas e pensamentos diferentes, mostrou isso. As questões não respondidas: por que o Congresso não representou a sociedade? Por que a agricultura moderna, dinâmica e atualizada prefere não ter voz?

Ficou de tudo isso um rancor entre as partes. Há bons debates políticos. Esse foi ruim. Os produtores acham que enfrentaram ONGs internacionais e urbanóides sem noção, e se queixam de preconceito contra eles. O outro lado está convencido de que todo produtor é um desmatador em potencial.

O Brasil não pode viver sem o agronegócio. O setor entrega por ano US$ 77 bilhões de saldo comercial. Se, por absurdo, ele não exportasse nenhum dólar durante um ano, o país naufragaria. O Brasil disputa com os EUA a liderança pela exportação de carne bovina, é o segundo maior de soja, o primeiro de açúcar, frango, café. Isso sem falar no alimento nosso de cada dia.

A consciência ambiental se espalha de maneira irreversível no Brasil. As novas gerações não querem viver num país que sacrifica biodiversidade e passa o correntão na mata para ampliar a fronteira agrícola. A tendência vai se intensificar nos anos que virão. Pode-se até contrariar a opinião pública, mas é impossível fazer isso com a natureza. Ela tem suas leis irrevogáveis.

A burocracia dos órgãos públicos é irritante. Um produtor rural que queira fazer tudo direito viverá situações bizarras. O governo é exigente com quem está no caminho da legalidade e é displicente com o infrator. Isso se enfrenta com mais estrutura para o Ibama e o Incra e menor burocracia nos processos do Cadastro Ambiental Rural, do Georreferenciamento e da Licença Ambiental. Para isso não seria necessário mudar o Código Florestal.

O setor rural deixou de lado todos os problemas concretos para tentar desmontar o marco legal. Poderia ter se dedicado a lutar contra a excessiva burocracia da legalização, defender a garantia dos preços mínimos, o aumento da estrutura de estocagem e a eficiência de transporte da produção.

O debate expôs uma fratura de uma parte do país com o tempo presente. As propostas foram feitas com o olho no passado. Os vetos às piores partes não curam essas fraturas. Hoje se tem meio Código e muitos remendos. O governo não liderou o processo, o Congresso não representou o país, os produtores rurais deixaram os mais atrasados falarem pelo setor, não houve conciliação entre meio ambiente protegido e produção eficiente, e ampliou-se a insegurança jurídica. Os vetos apenas evitaram o pior.

Às vésperas da Rio+20, a conferência que ocorre duas décadas depois da histórica Cúpula da Terra, o Brasil informa, com todo esse debate, que ainda não entendeu o tamanho da sua fortuna.


Veja no “thepassiranews”: Meio veto desagradou ambientalistas e ruralistas
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original

Maluf cobiçado por Serra e Haddad

BRASIL – Eleições 2012
Maluf: cobiçado por Serra e Haddad
Além da Interpol, Paulo Maluf está também sendo procurado pelos políticos que disputam a eleição em São Paulo, capital. Todo mundo corteja o deputado, dono do PP, eleito com 479 mil votos, nas últimas eleições, de olho no tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV do seu partido. Ninguém parece se preocupar com a ordem de prisão internacional, estampada na página de Interpol, onde ele é acusado de fraudes, roubos, formação de quadrilha, falsificação e lavagem de dinheiro.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Interpol, Terra

O apoio do PP e do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), eleito em 2010 com 497 mil votos, está sendo disputado tanto pelo PT, quanto pelo PSDB em São Paulo. Os líderes tucanos e petistas tem cortejado o PP por ser o 4º maior partido do país com tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV.

As assessorias dos pré-candidatos José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) foram procuradas pelo Terra sobre a possível aliança com o partido do ex-governador e ex-prefeito de SP, durante as décadas de 1970, 1980 e 1990.

A equipe da pré-campanha de Haddad e seu diretório municipal negaram envolvimento nas negociações, embora o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, tenha ido até a residência de Paulo Maluf, cerca de três semanas, “em busca do apoio do deputado Maluf ao pré-candidato Haddad", conforme informação da assessoria do PT.

Por outro lado, a coordenação da pré-campanha de José Serra também afirmou que está negociando com o PP. Além da sigla malufista, o PSDB de São Paulo, que já conta com o apoio de DEM, Partido Verde (PV) e Partido Social Democrático (PSD), disse estar em busca também do apoio de outras duas legendas, Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e Partido da República (PR).

Questionada sobre uma possível perda de votos pela alta rejeição de Maluf demonstrada nas últimas pesquisas eleitorais em SP, a equipe do tucano desculpa-se afirmando que essa aliança "é uma coligação partidária entre PP e PSDB, e não envolve apenas o deputado".

Paulo Maluf disse através de sua assessoria que ele e a executiva estadual do PP devem decidir o apoio ao candidato, Haddad ou Serra, apenas no dia 15 de junho.

Como se pode ver, enquanto é procurado mundialmente, com ordem de prisão, pela Interpol, acusado de fraudes, roubos, formação de quadrilha , falsificação e lavagem de dinheiro, o nosso Maluf, por aqui, é um cobiçado aliado e um prestigiado ficha limpa.


Inaugurando Elizabeth II

INGLATERRA
Inaugurando Elizabeth II
Uma nova rainha foi providenciada para comemorar os 60 anos de sua ascensão ao trono

Foto: Leon Neal / AFP

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Le Figaro, Wikipedia

A rainha Elizabeth II, a soberana britânica, que comemorou seu aniversário de 86 anos, em 21 de abril, recebe os últimos retoques, para enfrentar as câmeras e os flashes dos fotógrafos, para mais uma evento comemorativo do seu Jubileu de Diamante, sessenta anos da sua ascensão ao trono da Inglaterra.

Trata-se da nova estátua de cera, de sua da monarca, inaugurada em 14 de maio, no famoso museu de certa londrino de Madame Tussauds, fundado em 1834.

Poucos sabem, mas Elizabeth II, tem 125 milhões de súditos espalhados pelo planeta em diversos países onde o soberano do Reino Unido é o chefe de estado. Seu domínio real alcançam, além do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, a Antígua e Barbuda, Austrália, Bahamas, Barbados, Belize, Canadá, Granada, Jamaica, Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Ilhas Salomão e Tuvalu.

A rainha Elizabeth II é também a chefe da Comunidade de Nações, governante suprema da igreja da Inglaterra (também denominada igreja anglicana), comandante-em-chefe das Forças Armadas do Reino Unido, Lorde de Mann e Duquesa de Normandia.

Atualmente é a chefe de Estado que está no poder há mais tempo na Europa, nas Américas, África e Oceânia, sendo a segunda no mundo, superada apenas pelo rei Rama IX da Tailândia. Elizabeth II é a mais velha monarca britânica de todos os tempos. O recorde pertencia à rainha Vitória, que viveu 81 anos, sete meses e 29 dias, vindo a falecer em 1901; um marco que a sua trineta alcançou no dia 20 de dezembro de 2007. Para superar sua trisavó, Vitória, no recorde do mais longo reinado, terá de reinar mais 1202 dias, até 9 de setembro de 2015.


Cachoeira também atuava no ramo das quentinha suspeitas

BRASIL - Corrupção
Cachoeira também atuava no ramo das quentinha suspeitas
A reportagem de Murilo Ramos e Marcelo Rocha para a revista Época, conta como Carlinhos Cachoeira fazia lobby para a empresa goiana fornecedora de alimentos, Cial, que além de fornecer quentinhas para presídios, inclusive o da Papuda, no Distrito Federal, onde no momento o bicheiro está “hospedado”, tem como clientes, entre outros, a Presidência da República e o governo de Sérgio Cabral.

Foto: Igo Estrela/ÉPOCA

FORNECEDORA
Um veículo da Cial faz entrega nas dependências do Palácio do Planalto. A empresa contou com lobby de Cachoeira para conseguir contrato em Goiás

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Revista Época

Até o dia 29 de fevereiro deste ano, quando foi preso, o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, estava acostumado à gastronomia de luxo. Entre os milhares de gravações captadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, há ocasiões em que se ouve Cachoeira tratando de jantares e da degustação de bons vinhos com o senador Demóstenes Torres (“Quero saber a que horas você vem, para... decantar o vinho”, diz Demóstenes).

Cachoeira come no presídio da Papuda a quentinha que ele mesmo amassou
Na prisão, a realidade é outra. As regras do presídio da Papuda, em Brasília, permitem a entrada de poucos alimentos externos. Cachoeira tem de se virar com a comida da cadeia. Por coincidência, trata-se da comida que ele mesmo patrocinou, por meio de lobby para influenciar o resultado de concorrências.

Uma das três fornecedoras de marmitas para os mais de 11 mil presos da Papuda é a empresa Cial Comércio e Indústria de Alimentos. De acordo com a investigação da polícia, no ano passado Cachoeira trabalhou para que a Cial ganhasse contratos com o governo de Goiás.

A Cial é uma empresa goiana. Além de servir à Papuda, ela administra dois restaurantes e fornece lanches, coquetéis e outras refeições para servidores do Palácio do Planalto. O contrato com a Presidência da República, firmado em 2008, já lhe rendeu R$ 27 milhões.

Nem todo contrato, porém, pode lhe trazer benefícios. Há quase dois meses, a Secretaria de Direito Econômico (SDE) abriu uma investigação sobre o contrato da Cial e outras 16 empresas com o governo do Rio de Janeiro. Responsável por investigar práticas lesivas à concorrência, em agosto de 2009 a SDE recebeu a denúncia de que 17 empresas haviam formado um cartel para s burlar uma concorrência para fornecer marmitas a presídios. A Cial encabeça a lista das denunciadas.

Órgão do Ministério da Justiça, a SDE só inicia uma investigação se houver indícios contundentes de condutas desleais. No caso do Rio, a SDE identificou propostas de preços idênticos, falta de competição e elos entre as participantes. A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro afirma não ter encontrado irregularidades na concorrência. Nos últimos anos, a Cial recebeu cerca de R$ 30 milhões do governo de Sérgio Cabral (PMDB).

Foto: reprodução

INVESTIGADA
Trecho de documento da Secretaria de Direito Econômico. A Cial é investigada por suspeita de formação de cartel no Estado do Rio de Janeiro

Na investigação da PF sobre o esquema de Cachoeira, a Cial aparece como uma empresa defendida pelo bicheiro. Em conversa com um interlocutor identificado apenas por Michel, no dia 9 de agosto do ano passado, Cachoeira afirma que a Cial deveria ser favorecida por uma decisão judicial para fornecer marmitas ao presídio de Aparecida de Goiânia, o maior de Goiás.

Cachoeira pretendia afastar do contrato uma concorrente, a Coral. Michel pergunta a Cachoeira se a Cial era do bicheiro. “Não é minha não, rapaz”, diz Cachoeira. “É de amigos. É Cial. A nossa é a Cial.” Sem entender direito o que Cachoeira diz, Michel pergunta se é Cial ou Coral. “Não. É para ser a Cial. A Coral tem de levar ferro”, diz o bicheiro.

Um mês antes desse diálogo, Cachoeira conversara sobre o assunto com o ex-vereador de Goiânia Wladmir Garcez (PSDB). Segundo a PF, Garcez era um de seus principais auxiliares da organização criminosa. Numa gravação, Garcez afirma a Cachoeira que um interlocutor ligara para o então procurador-geral do Estado, Ronald Bicca, para “tirar a Coral do processo”.

Garcez e Cachoeira cogitam pedir ajuda ao senador Demóstenes para favorecer a empresa de seus amigos. A Cial não foi beneficiada pela Justiça porque o juiz que analisou o caso entendeu que a Coral tinha o direito de fornecer as marmitas.

Meses depois, devido a dificuldades financeiras da concorrente, a Cial conseguiu fornecer parte das marmitas. Mencionado em outras conversas entre Cachoeira e seus comparsas, o procurador Bicca deixou o cargo após a deflagração da Operação Monte Carlo.

A Cial enfrenta contestações sobre a qualidade de seus produtos servidos no Distrito Federal. De acordo com relatórios da Secretaria da Saúde do DF, a Cial serviu alimentos contaminados a pacientes de um hospital público de Brasília. Foi constatado, também, o reaproveitamento de refeições. A Secretaria da Saúde apontou ainda superfaturamento no preço de itens fornecidos.

A empresa corre o risco de ser considerada “inidônea” pelo governo do DF. Frederico Valente, proprietário da Cial, nega que sua empresa tenha participado de cartel no Rio de Janeiro. Valente diz não conhecer Cachoeira nem saber por que ele usou o nome da Cial em suas conversas.

Valente admite conhecer Garcez, mas diz nunca ter conversado com ele sobre o contrato da prisão de Goiás. Valente afirma, ainda, que a Cial enfrentou problemas pontuais no fornecimento de refeições para um hospital de Brasília, mas que todos foram sanados.

Como consumidor das refeições oferecidas pela Cial na Papuda, Cachoeira pode agora avaliar melhor os serviços da empresa que defendeu.


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Meio veto desagradou ambientalistas e ruralistas

BRASIL – Meio Ambiente
Meio veto desagradou ambientalistas e ruralistas
Dilma guardou para o ultimo dia possível à divulgação de que iria vetar parte do controverso “Código Florestal”, aprovado pelo Congresso Brasileiro. Havia uma campanha nacional e internacional pedindo pelo veto completo da Lei. Os ambientalistas queixam-se que a legislação beneficiava e indultava desmatadores estimulando a derrubada da floresta. Os críticos, de ambos os lados, reclamam que o governo fez um anúncio cheio de intenções, sem que concretamente comprovasse a extensão da sua decisão, o que só ocorrerá com a publicação do veto e da Medida Provisória prometida, no Diário Oficial de segunda-feira.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, e o ministro da Agriculltura, Mendes Ribeiro, anunciam veto em 12 itens e 32 modificações no texto do Código Florestal, feitos pela presidenta Dilma Rousseff

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, BBC Brasil, Reuters, Greepeace, The Guardian, Finacial Times

O governo federal anunciou nesta sexta-feira uma série de vetos ao Código Florestal aprovado em abril no Congresso.

De acordo com o anúncio, feito pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a presidente Dilma Rousseff determinou 12 vetos e 32 modificações no texto da lei. Entre as modificações estão 14 recuperações do texto aprovado anteriormente pelo Senado Federal, 13 ajustes ou adequações e cinco novos dispositivos.

Entre elas estão recompor o texto previamente aprovado pelo Senado, não anistiando o desmatador, preservar o pequeno proprietário e responsabilizar a todos pela recuperação ambiental.

"Todos terão que recuperar tudo o que foi desmatado ou suprimido de vegetação no passado", disse a ministra, em entrevista coletiva.

"Este não é o código dos ambientalistas, e não é o código dos ruralistas. É o código daqueles que acreditam que o Brasil pode produzir mantendo o respeito ao meio ambiente", acrescentou o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho.

Segundo foi informado Dilma cortou da legislação, aprovada pelo Congresso, todo o artigo que regulariza propriedades que destruíram sua vegetação nativa. Também retirou a possibilidade de Estados e municípios definirem as áreas de proteção perto de rios em regiões urbanas, além de classificar mangues, topos de morro e encostas como áreas que devem ser preservadas.

O prazo para análise da legislação ambiental se encerrava nesta sexta.

Imagina-se que as mudanças, a serem promovidas por Medida Provisória, tornaram o texto mais parecido com o que havia sido aprovado pelo Senado, no fim do ano passado.

Uma das principais alterações ocorreu no artigo que trata da reflorestação em margens de rios. O governo retomou a versão aprovada no Senado, que obriga donos de terra a recompor a mata ciliar em níveis que variam conforme a largura do rio.

Desde que o projeto chegou ao Planalto, há três semanas, ONGs ambientalistas e artistas pressionavam Dilma a vetá-lo integralmente, argumentando que ele estimularia futuros desmatamentos.

O Código ainda pode passar a valer na totalidade, pois, veto pode ser derrubado em uma sessão mista do Congresso, desde que tenha votos da maioria absoluta dos deputados (257) e dos senadores (41), mas as chances de isso acontecer são pequenas, pela grande base de apoio ao governo, que conta ainda que não há votos suficientes do Senado para derrubar o veto.

A versão atual do Código Florestal data de 1965. Tanto ambientalistas como ruralistas argumentam que a legislação precisa ser reformada para se adequar às mudanças ocorridas no país desde então. A reforma desse Código Florestal controverso está em discussão no Congresso há mais de dez anos e provocou diversos embates durante sua tramitação.

Foto: Greenpeace Brasil

Uma revoada de guarás sobre a Reserva Biológica do Lago do Piratuba, Amapá

A presidente optou por editar uma Medida Provisória sobre o tema, porque de imediato a MP tem força de lei a partir de sua publicação, ou seja, seus efeitos são imediatos. Mas o governo pode enfrentar turbulências na Câmara, que tem uma expressiva bancada ruralista, e já impôs duas derrotas ao Planalto, aprovando textos que flexibilizavam e ampliavam as ocupações em áreas de proteção ambiental.

Entre os insatisfeitos, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), um representante ruralista, classificou a edição da Medida Provisória como uma "afronta" e um "desrespeito" ao Congresso Nacional. Caiado afirmou que aguarda a publicação da medida para entrar com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a inconstitucionalidade da medida.

Os mais moderados estão aguardando a publicação dos artigos vetados e o conteúdo da MP, que só acontecerá na próxima segunda-feira, com a publicação no Diário Oficial da União, para se posicionarem.

Vários segmentos da sociedade manifestaram-se contra o no Código Florestas. Hoje, 25, em artigo assinado publicado no site do jornal britânico The Guardian, o cineasta Fernando Meirelles pedia à presidente Dilma Rousseff que vetasse os pontos do Código Florestal que, segundo ele, ameaçam a sobrevivência da Amazônia.

"Nunca antes a sobrevivência da floresta dependeu tanto de uma só pessoa. Mas é nesta posição em que a presidente do Brasil, Dilma Roussef, se encontra. O Congresso brasileiro aprovou um código florestal que coloca a Amazônia e outras florestas sob ameaça", escreveu o cineasta, diretor de Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel, entre outros.

Meirelles afirma ainda que, se aprovado pela presidente, o código permitiria a madeireiras e fazendeiros que cortem 190 milhões de acres de floresta.

"Este projeto de lei seria uma catástrofe não só para o Brasil, mas para todo o mundo e nosso futuro. O Brasil abriga 40% da última floresta tropical remanescente no mundo - um pulmão que fornece um quinto do nosso oxigênio. Então, por que o Congresso passou uma lei destruidora como esta? E por que Rousseff apenas não o vetou imediatamente? Simples: os agricultores e a indústria madeireira têm forte influência no Congresso e este poderoso lobby afirma que a legislação é um entrave ao desenvolvimento no Brasil" - comenta Meirelles, no seu artigo.

Foto: Greenpeace Brasil

AMAZONIA - Rio Araguari. Ao fundo, as matas do Parque Nacional das Serras do Tumucumaque

O pessoal do Greenpeace também expressou insatisfação no seu site:

”Dilma precisava vetar o texto e iniciar um novo processo, começando por eliminar o desmatamento e com base técnica e social desde o início.

“O governo fez hoje um anúncio vazio. E esse nada apresentado é o retrato do governo, que durante dois anos não deu as caras enquanto o Código Florestal era retalhado pelo Congresso”, afirma Marcio Astrini, da campanha Amazônia do Greenpeace. “Dilma falhou com o povo brasileiro.”

Desde que o processo começou, há dois anos e meio, a presidente ignorou os avisos de diversos setores da sociedade, de que uma lei tão importante não pode ser reescrita sem a participação de todos. Ela aceitou que um dos maiores tesouros do país – a floresta e a decisão constitucional de protegê-la pelo bem comum e futuro – fosse destruída pelo interesse de apenas um setor da sociedade.

Tanto é que, apenas quando o texto saiu no Congresso, o governo foi ver exatamente quantos seriam beneficiados pelo projeto de lei. Quanta surpresa: percebeu que 81% das propriedades são pequenas, e que elas ocupam apenas 16% da área agrícola do país – e que, portanto, o código escrito no Congresso falhava em proteger os pequenos produtores, pois fora escrito para proteger os grandes. Como se todos não soubessem disso.

Nesses quase 18 meses de Presidência, essa não foi a única omissão nem pecado ambiental de Dilma. Seu governo não criou, até agora, um palmo sequer de unidades de conservação. Mas diminuiu o tamanho de várias, sobretudo na Amazônia, para plantar nelas grandes hidrelétricas e projetos de mineração. Dilma solapou poderes do Ibama, órgão que fiscaliza crimes ambientais, e ainda permitiu o ataque da bancada ruralista a terras indígenas.

Como se vê a insatisfação geral continua.


25/05/2012

Executiva nacional do PT cassou vitória de João da Costa

PERNAMBUCO – Eleições 2012
Executiva nacional do PT cassou vitória de João da Costa
A Executiva Nacional do PT decidiu anular nesta quinta às prévias realizadas no último domingo (20) pelo Diretório Municipal do Recife. Os dirigentes petistas garfaram a vitória do atual prefeito João da Costa, alegando irregularidades na realização da consulta. Foi marcada nova prévia para fazer o candidato derrotado Maurício Rands, ganhar de qualquer maneira. Nos bastidores dizem que a manobra visa atender Eduardo Campos, que só aceita Rands, (Por coincidência primo de Renata Campos, mulher do governador) como o candidato dos petistas em Recife. A chapa esquenta, pois, Campos ameaça retirar o apoio do PSB a Fernando Haddad em São Paulo, se não for atendido

Charge de HUMBERTO – publicada no Jornal do Comércio - 22/05/2012

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Veja, Terra, Exame, Diário de Pernambuco, Congresso em Foco, ”thepassiranews”

A executiva nacional do PT anulou, nesta quinta-feira, 24, a prévia do partido ocorrida no Recife, por dez votos a três, a executiva nacional do PT decidiu, preparar outra disputa interna com os mesmos pré-candidatos, no próximo dia 3 de junho.

Segundo o Diário de Pernambuco os dois pré-candidatos, João da Costa e Maurício Rands, saíram do encontro insatisfeitos, cada um com meia vitória e meia derrota. João da Costa esperava sair de São Paulo, onde o encontro ocorreu, com a confirmação do resultado obtido nas urnas, que lhe garantiu 553 votos de diferença sobre o adversário. Não conseguiu, mas ganhou sobrevida porque a direção petista desistiu de usar o termo “fraude”, substituindo por “irregularidades”. Rands, por sua vez, conseguiu invalidar a prévia, mas esperava ser escolhido como pré-candidato ontem mesmo.

O debate entre os petistas foi longo e desgastante. Começou à tarde e terminou no início da noite com a presença de apenas 13 dos 21 integrantes da executiva. Mas nenhum dos pré-candidatos saiu vencedor. Na reunião, valeu a palavra dos observadores que vieram ao Recife no último domingo - o secretário geral e de organização nacional do PT, respectivamente Elói Pietá e Paulo Frateschi.


MARCADO PARA PERDER - João da Costa entra na disputa com a obrigação de perder. Além de enfrentar o candidato preferido de Lula e Eduardo Campos, está proibido de incluir os seus 13 mil militantes ilegais nessa segunda prévia.

Segundo avaliação feita por outros petistas, em reserva, ambos entenderam que seria muito traumático “sacar” o prefeito da disputa e indicar Rands como candidato após a realização das prévias. Analisaram que essa decisão iria ferir os militantes que foram às urnas de forma espontânea e abalar muito imagem da legenda, porque o prefeito petista iria ficar maculado como “fraudador”.

Se Rands fosse indicado sumariamente, o discurso de seus adversários poderia ser: ele foi escolhido pelos caciques do PT, não pelos militantes. Depois de quase quatro horas de reunião, o PT disse, entre outros pontos, que houve irregulares e diferenças nas listas, mas não revelou o número de pessoas inaptas - 2.540 militantes, segundo antecipou o Diário de Pernambuco.

As prévias foram anuladas oficialmente por quatro motivos: indefinição do colégio eleitoral, “falhas” na votação, judicialização e inobservância da resolução da nacional.

Na próxima disputa, o secretário-geral do PT nacional, Elói Pietá, não será mais um dos observadores, como foi na última, do dia 20. Ele teve uma discussão séria com João da Costa na reunião e poderia ser considerado como parcial

O senador Humberto Costa sofreu uma derrota no encontro. No último dia 20, tinha batido na mesa e dito que o “prefeito estava fora” por judicializar à disputa.

A executiva determinou que os candidatos honrassem o compromisso de buscar a unidade e tentem um acordo. Caso não seja possível, respeitem o resultado das urnas, coisa que eles não fizeram.


MARCANDO TERRITÓRIO - Eduardo Campos cobra caro e paga bem. Pediu a cabeça de João da Costa, em troca, promete socorrer o PT paulista.

Por trás desse imbróglio “há, porém, mais coisas do que supõe nossa vã filosofia.” A Executiva Nacional do PT, sob inspiração do ex-presidente Lula e José Dirceu, garfaram o petista João da Costa, para facilitar a vida da frágil candidatura de Fernando Haddad, a Prefeito de São Paulo.

Acontece que num acordo de pé de ouvido, Eduardo Campos, que finge se manter fora da disputa petista no Recife, exigiu que o candidato da legenda na capital pernambucana fosse Maurício Rands. Teria dito que se os petistas não apontarem Rands como candidato, o PSB, de Eduardo Campos, teria dificuldades em fechar com Haddad na capital paulista, e ainda por cima, pode lançar candidatos em mais duas capitais, atrapalhando os planos do PT.

Com medo do governador pernambucano, o perigoso cangaceiro dos olhos verdes, a cúpula petista, está até ameaçando João da Costa com um possível processo no Conselho de Ética do PT, dizendo que ele usou informações falsas para obter a liminar que permitiu que 13 mil militantes votassem ilegalmente na prévia.

Segundo o site Congresso em Foco, a preferencia do Governador Eduardo Campos, por Maurício Rands, tem como justificativa, que ele, governador precisa “de alguém de confiança na prefeitura, ou literalmente, alguém de casa”. "Rands é o homem certo, pois é primo direto da mulher do governador, Renata" Campos.


MARCADO PARA GANHAR - Maurício Rands entra na disputa com garantia de vitória, porque Lula e Eduardo Campos querem e Haddad precisa. Já ganhou !


Phillip Phillips é o novo 'American Idol'

ESTADOS UNIDOS - Entreterimento
Phillip Phillips é o novo 'American Idol'
Como previsto Phillip Phillips foi o grande vencedor ao programa de calouro americano neste ano. A crítica especializada diz que a vitória foi merecida, apesar da concorrente direta na final, a adolescente Jessica Sanchez, de 16 anos, nossa preferida, ser uma extraordinária cantora. Mantém-se uma tradição dos últimos cinco anos. O vencedor sempre tem sido “um homem branco que toca violão”, comenta Laura Prudom, editora de entretenimento do “The Huffington Post”.

Foto: Getty Images

Vista a partir do começo da competição a vitória de Phillip Phillipsfoi um azarão. O georgiano foi crescendo durante a disputa, até chegar como o grande favorito na final.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, American Idol, The New York Times, Huffington Post

Phillip Phillips, de 21 anos, venceu a 11ª temporada do “American Idol” em final exibida ao vivo nesta noite de quarta-feira (23). Ele disputava com a adolescente Jessica Sanchez, de 16 anos, a final do reality show de calouros.

A escolha do vitorioso é feita exclusivamente pelo telefone e pela internet e o georgiano tinha as ferramentas certa para vencer, era carismático, talentoso, boa pinta.

Laura Prudom, editora de entretenimento do “The Huffington Post”, comentou na sua coluna, que a vitória de Phillip Phillips não surpreendeu, até porque ele é agora o quinto de uma linha ininterrupta de "homens brancos com guitarras" que têm roubado a cobiçada coroa ao longo das últimas temporadas. Como vantagem ele ainda ganhou simpatias extras por seus problemas renais, e necessitou submeter-se a oito pequenas intervenções cirúrgicas durante o programa.

Foto: Associated Press

Torcíamos por Jessica Sanchez, a menina de 16 anos, que encantou o mundo. Não teve votos suficientes para ganhar, mas por certo vai se tornar uma grande estrela mundial.

Laura Prudom disse ainda, que em certo momento imaginou ser possível que Jessica Sanchez, a adolescente de 16 anos, segunda colocada, quebrar o ciclo e vencer. Lembrou também que o American Idol tem ao final premiado os mais populares e comerciáveis que os talentosos.

Antes do anúncio, convidados e participantes da competição apresentaram um show grandioso no Nokia Theatre, em Los Angeles. Houve homenagem a Robin Gibb (dos Bee Gees), morto recentemente. Passaram pelo palco da atração Rihanna (que apresentou seu single “Where Have You Been”), John Fogerty (ex-líder da banda Creedence Clearwater Revival), Reba McEntire e Neil Diamond.

Durante o programa, os dois finalistas tiveram chance de demonstrar no palco por que foram os eleitos. O primeiro foi Phillips, que apresentou “Have You Ever Seen the Rain?” e “Bad Moon Rising”, do Creedence Clearwater Revival. Ele esteve acompanhado por John Fogerty, ex-líder da banda e autor das duas músicas apresentadas. Jessica, por sua vez, cantou “I Will Always Love You”, maior sucesso de Whitney Houston, morta em fevereiro deste ano.

A finalista depois fez um dueto com Jennifer Holliday, em “And I Am Telling You”, que faz parte da trilha do musical da Broadway “Dreamgirls”: as duas promoveram um verdadeiro duelo de rouquidão e tons elevados. A exibição quase atlética de virtuosismo agradou especialmente a Randy Jackson e Jennifer Lopez, que, junto com Steven Tyler, foram os jurados do programa. Jennifer Lopez e Steven Tyler, apresentaram ao vivo, durante o show. Ela com seu corpo de Balé incluindo o atual marido ele, acompanhado dos companheiros do Aerosmith, banda da qual é vocalista.

Foto: Reuters

Phillip Phillips e Jessica Sanchez entram no palco do American Idol 2012, do qual foram finalistas (Foto: Reuters)A

No último bloco, antes de ser anunciado o vencedor, Phillips e Jessica cantaram juntos "Up Where We Belong", uma das mais famosas de Joe Cocker e trilha do filme "A força do destino" (1982), estrelado por Richard Gere e Debra Winger. Os demais concorrentes também tiveram direito a seus próprios números. Joshua Ledet, o melhor cantor do programa, eliminado na penúltima etapa, apresentou “Take me to the Pilot”, de Elton John, em dueto com Fantasia Barrino, ganhadora da terceira temporada do “American Idol”.

Mais tarde, as mulheres finalistas da edição 2012 do programa receberam a veterana Chaka Khan, que cantou com elas seu maior hit, “I’m Every Woman” – na década de 1990, a canção ganhou versão na voz de Whitney Houston. Outra concorrente, Skylar Laine, cantou “Turn on the Radio” em dupla com a veterana do country Reba McEntire.

Já os rapazes finalistas, além de cantar músicas dos Bee Gees, apresentaram a clássica “I’m a Believer” e chamaram ao palco o autor da música, Neil Diamond.

Foto: Getty Images

Além da dupla lembrança de Whitney Houston, o último capítulo do "American Idol" deste ano ficou marcado por um pedido de casamento. Ace Young, participante da sétima temporada do programa, fez a proposta a Diana DeGarmo, vice-campeã da terceira temporada, que entre lágrimas e beijos aceitou, diante de milhares de espectadores presentes no Nokia Theatre e milhões de telespectadores em todo o planeta.

Foto: Reuters

No instante em que foi anunciado o vencedor, Jessica Sanchez sem demonstrar frustração abraçou carinhosamente Phillip Phillips o “American Idol 2012"

Jessica Sanchez canta "I Will Always Love You ”
de Whitney Houston


Os orientadores Jimmy Iovine, produtor musical e Mary J. Blige, uma das maiores cantoras americanas da atualidade, ficam extasiados com a performance de Jessica Sanchez, interpretando a musica consagrada por Whitney Houston.

Phillip Phillips canta acompanhado de John Fogerty
"Have You Ever Seen The Rain?"
de John Fogerty



24/05/2012

STF: Ministro Joaquim Barbosa divulga relatório do mensalão

BRASIL - CORRUPÇÃO
STF: Ministro Joaquim Barbosa divulga relatório do mensalão
Ministro do Supremo antecipa o texto com o resumo do processo, a parte inicial que será lida, por ele, na abertura dos trabalhos do julgamento do mensalão. Em seguida, Joaquim Barbosa apresentará seu voto, dizendo, se após a conclusão do processo, com a juntada de provas e ouvida das testemunhas, ele está convencido ou não da culpa dos indiciados. A partir daí os outros ministros, concordando ou discordando do voto de Barbosa, o relator, condenarão ou absolverão os réus.

Foto: Carlos Humberto/SCO/STF (16/05/2012)

Ministro Joaquim Barbosa: aceitou a denúncia do Procurador Geral da República, Roberto Gurgel contra a "sofisticada organização criminosa" que criou o mensalão

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Congresso em Foco

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa informou, durante sessão do plenário que tornou disponível no site do Supremo Tribunal Federal na internet seu relatório com um resumo do processo do mensalão. O relatório de Barbosa foi concluído no final do ano passado. O texto descreve a denúncia da Procuradoria Geral da República contra 38 réus envolvidos com o esquema, tem 122 páginas e narra como agiu a “sofisticada organização criminosa” para “garantir a continuidade do projeto poder do Partido dos Trabalhadores, mediante a compra de suporte político de outros partidos”. A denúncia foi feita pelo então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, e, no julgamento que acontecerá ainda este ano, será defendida pelo atual procurador, Roberto Gurgel.

De acordo com o rito acertado pelo STF ontem (9) para o julgamento do mensalão, Joaquim Barbosa, como relator do processo, será o segundo a falar. Primeiro, Roberto Gurgel terá cinco horas para fazer a acusação. Em seguida, Joaquim Barbosa terá uma hora para ler o resumo do seu relatório. Ele informou que fará, para essa leitura, um texto menor, de cerca de três páginas. Para que os ministros tivessem conhecimento prévio de seu relatório, o ministro divulgou o texto.

Inicialmente, a denúncia feita por Antonio Fernando de Souza era contra 40 pessoas. Mas o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira foi afastado por ter colaborado com as coesstigações e o ex-deputado José Janene (PP-SP) morreu.

De acordo com a denúncia, a “sofisticada organização criminosa” era “dividida em setores de atuação”, e “se estruturou profissionalmente para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de fraude”. Os réus são divididos em grupos. O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, Sílvio Pereira e o ex-presidente do PT José Genoino foram o primeiro grupo, que, para garantir o projeto de poder do PT, criou um esquema para comprar “suporte político” de outros partidos e garantir o financiamento de suas campanhas eleitorais.

Para viabilizar isso, o primeiro grupo uniu-se ao “núcleo publicitário”, chefiado pelo “até então obscuro empresário Marcos Valério”. A “quadrilha” de Valério ofereceria seus “préstimos” em troca de “vantagens patrimoniais no governo federal”. Para garantir o suporte financeiro ao esquema, associou-se o terceiro grupo, formado pelos executivos do Banco Rural Kátia Rabello, José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório. Os “mecanismos criminosos” oferecidos ao PT “já vinham sendo praticados”, segundo a denúncia do Procurador-Geral da República, em Minas Gerais, “especialmente a partir do governo” do hoje deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que responde a outra ação também em tramitação no STF.

Foto : O Globo

NOS TEMPOS DO MENSALÃO - José Dirceu, O Ex-Ministro Chefe da Casa Civil, do Governo Lula, considerado no processo como o chefe da “sofisticada organização criminosa”, conhecida por Mensalão, o principal réu do processo, na foto, acompanhado do seu chefe.

“Os fatos, como narrados pelo procurador-geral da República, demonstram a existência de uma associação prévia, consolidada ao longo tempo, reunindo os requisitos estabilidade e finalidade voltada para a prática de crimes, além da união de desígnios entre os acusados”, disse Joaquim Barbosa, no seu voto, ao aceitar a denúncia da Procuradoria Geral da República.

Leia na íntegra o resumo do mensalão feito por Joaquim Barbosa


BRASIL - MARANHÃO: Atriz de Hollywood no bloqueio do Greenpeace

BRASIL - MARANHÃO - Ecologia
Atriz de Hollywood no bloqueio do Greenpeace
Há mais de uma semana, ativistas do Greenpeace, inclusive a atriz Q'Orianka Kilcher (Pocahontas) se revezam na corrente da âncora do navio Clipper Hope e impedem que ele se movimente para receber um carregamento de 31 mil toneladas de ferro gusa no Porto de Itaqui, em São Luis, no Maranhão. Segundo o Greenpeace essa denúncia expõe três crimes graves relacionados à produção de ferro gusa no Brasil: trabalho escravo, desmatamento e invasão de terras indígenas. O carvão vindo da Amazônia serve para alimentar as siderúrgicas que produzem ferro gusa.

Foto: Greenpeace/Marizilda Cruppe/EVE

A atriz americana Q'orianka Kilcher ocupa a corrente da âncora do cargueiro Clipper Hope ao lado da ativista brasileira Leonor Cristina Silva Souza, de 27 anos.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Greenpeace Brasil, SCPR, Terra, G1, Diário de Pernambuco

A atriz norte-americana Q’orianka Kilcher, 22 anos, juntando-se a outros ativistas, escalou a âncora do cargueiro, nesta segunda-feira, 21, quando completava uma semana, que o Greenpeace bloqueava o navio Clipper Hope, fundeado próximo ao porto de Itaqui, na baía de São Marcos, a 20 quilômetros da costa de São Luís, para evitar o carregamento de 31,5 mil toneladas de ferro gusa proveniente da Amazônia.

Filha de índio peruano quéchua e mãe suíca, a atriz de 22 anos ganhou fama após encarnar a personagem Pocahontas no filme “O Novo Mundo” (2005). Mas sua atuação vai além dos estúdios de Hollywood. Q’orianka também é conhecida por seu ativismo ambiental e pelos Direitos Humanos, especialmente pelos direitos das populações indígenas.

“Eu acabei de vir de uma viagem à Amazônia, na região onde o ferro gusa é produzido. Vi de perto como essa produção está colocando em risco alguns povos indígenas, inclusive grupos isolados”, afirmou Q’orianka. “Precisamos defender esses povos. Eles são peça-chave na proteção das últimas reservas florestais no mundo. Preservá-los é garantir um futuro para nós mesmos”.

Q’orianka ficou comovida e resolveu integrar-se ao grupo, quando tomou conhecimento da participação, no perigoso bloqueio, de duas jovens ativistas brasileiras.

“Estou aqui, presa a essa âncora, porque no mundo todo, jovens como nós vamos herdar os problemas que as gerações passadas deixaram para trás”, disse. “O trabalho escravo e a extração ilegal de madeira, que a gente vê em livros de história, infelizmente ainda são uma realidade no Brasil”.

Foto: Greenpeace/Rodrigo Paiva

Q’orianka escalando a corrente da âncora do cargueiro Clipper Hopper, fundeado próximo ao porto ao porto de Itaqui, no Maranhão

Q’orianka escalou a corrente da âncora do cargueiro Clipper Hopper por volta das 9h30, acompanhada de voluntários do Greenpeace, tripulantes do navio Rainbow Warrior que, desde o dia 14, se mantêm pendurados noite e dia para evitar que o cargueiro atraque no porto de Itaqui. O carregamento pertence à Viena Siderúrgica, uma das empresas apontadas pelo Greenpeace como envolvidas em irregularidades na cadeia de produção do ferro gusa.

“Q’orianka está dando um exemplo de que a defesa da Amazônia ultrapassa nossas fronteiras”, disse Paulo Adario, diretor da campanha Amazônia, a bordo do Rainbow Warrior. “Ela está ajudando o Greenpeace a demonstrar que, apesar da imagem positiva que nosso país vem construindo nos últimos anos, ao reduzir o desmatamento da Amazônia, muita coisa ainda precisa ser feita”, acrescentou. “Isso inclui o veto total, pela presidente Dilma, do novo código florestal ruralista aprovado pelo Congresso”.

A partir de uma pesquisa de dois anos, o Greenpeace identificou uma série de desrespeitos à legislação brasileira na produção de carvão vegetal usado pela indústria de ferro gusa na Amazônia. Entre os sérios problemas apontados pela organização ambientalista estão o uso, por carvoarias, de trabalhadores em situação análoga à escravidão e extração de madeira ilegal, inclusive dentro de Terras Indígenas e Unidades de Conservação. Estas denúncias foram compiladas no relatório “Carvoaria Amazônia”, publicado semana passada pela organização.

Foto: Ismar Ingber/Tyba/Greenpeace/

Carvoaria localizada ao lado da Rebio (Reserva Biológica) de Gurupi, no município de Centro Novo do Maranhão. De acordo com investigação do Greenpeace, as carvoarias da região produzem ferro gusa a partir de madeira extraída ilegalmente da reserva.

Principal matéria-prima do aço, o minério de ferro se transforma em ferro gusa dentro de fornos alimentados por carvão vegetal. Parte deste carvão é proveniente de extração ilegal de madeira. O ferro gusa brasileiro é exportado, principalmente, para os Estados Unidos. Lá, ele é usado na produção de aço para, entre outros fins, a fabricação de veículos por grandes montadoras.

Mas que só uma ação de protesto, o Greenpeace entregou, no dia 16, uma denúncia ao Ministério Público Federal do Maranhão sobre as ilegalidades encontradas na cadeia de produção do ferro gusa no Estado. O documento também será encaminhada ao MMA (Ministério de Meio Ambiente), MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), além da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados.

“Algumas empresas da região onde se concentram as denúncias já respondem a uma ação civil pública, porque o carvão que utilizam não têm certificado de origem”, disse o procurador da República Alexandre Soares, nesta tarde. “Esse trabalho (do Greenpeace) permite aprofundar a investigação, em que teremos de responder qual é a origem do carvão e o nome das pessoas envolvidas.”


23/05/2012

"On the Road", do brasileiro Walter Salles, estreia em Cannes

FRANÇA - FESTIVAL DE CANNES
"On the Road", do brasileiro Walter Salles, estreia em Cannes
O livro cult de Jack Kerouac Pé na Estrada, um hino à liberdade da juventude regado a sexo, álcool e drogas, entrou na disputa pela Palma de Ouro do Festival de Cannes nesta quarta-feira (23) pelas mãos do diretor brasileiro Walter Salles, em um filme considerado por suas estrelas um tributo às revoluções de hoje.

Foto: Getty Images

O diretor brasileiro Walter Salles e a atriz Kristen Stewart do elenco de 'On The Road' durante entrevista com a imprensa no 65º Festival de Cannes, França, nesta manhã de quarta-feira, 23.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: R7, Reuters , Terra, The New York Times

A Bíblia da Geração do Beat, "On the Road" estreou no Festival de Cannes nesta quarta-feira, demorando mais de cinco décadas para a história frenética da libertação, masculinidade e América pós-guerra levar sua jornada do livro para a tela grande.

Furiosamente escrito numa máquina de escrever durante uma farra criativa de três semanas em 1951, "On the Road", de Jack Kerouac, é o retrato da cultura do "Beat" e sua busca espiritual para se expressar.

A versão cinematográfica do diretor brasileiro Walter Salles ("Diários de Motocicleta") se esforça para capturar a energia e o fluxo de consciência guiado por drogas do livro original.

Salles é ajudado pelo ator britânico Sam Riley no papel do protagonista Sal Paradise, uma versão do próprio Kerouac, e pelo ator norte-americano Garrett Hedlund como Dean Moriarty, que representa o verdadeiro Neal Cassidy, um símbolo da virilidade americana e garoto-propaganda sobre como viver o momento.

"As únicas pessoas que me interessam são as loucas", escreve Paradise, e Moriarty se encaixa na descrição. O golpista encantador e aventureiro se torna alter ego de Paradise, e sua amizade intimamente próxima é retratada através de uma série de viagens pela estrada.

Foto:

O ator Garret Hedlund, o diretor Walter Salles, e os outros integrantes do elenco, Tom Sturridge, Kristen Stewart, Danny Morgan, Kirsten Dunst, o produtor Roman Coppola, e os atores Sam Riley e Viggo Mortensen, diante do Palacio do Festival de Cannes, minutos antes do lançamento do filme 'On The Road', França

"É sobre a perda da inocência, é sobre a busca daquela última fronteira que eles nunca vão encontrar", disse Salles a jornalistas em Cannes. "Trata-se também de descobrir que este é o fim da estrada e o fim do sonho americano."

Kristen Stewart de "Crepúsculo" interpreta a jovem esposa de Moriarty Marylou, Kirsten Dunst interpreta a segunda esposa Camille e Viggo Mortensen aparece como Old Bull Lee, que é baseado em William Burroughs.

Salles disse que ele e a equipe tiveram "um enorme respeito por Kerouac", que ajudou a conduzir o processo a partir do momento em que Francis Ford Coppola comprou os direitos cinematográficos do livro em 1979.

A idéia de transformar "On the Road" em um filme foi se perdendo "até que Walter levantou a mão e disse eu acho que eu posso fazer este filme", contou o filho de Coppola, Roman, que é coprodutor. "Demorou 30 anos, mas combinou naturalmente com Walter."

As primeiras resenhas foram mistas. Roger Friedman, da Forbes, escreveu que o roteirista Jose Rivera conseguiu capturar "a viagem, a poesia e o olhar".

"É a vida interior dos personagens que sofrem. Salles filmou o livro fielmente. Ao fazê-lo, é como se nós estivéssemos observando ''On the Road'' ao invés de experimentar a aventura de Sal. Isso vai frustrar os críticos e estudiosos de Kerouac."

Foto: Divulgação

Sam Riley, Kristen Stewart e Garrett Hedlund, numa das cenas do filme “On the Road.” do director brasileiro Walter Salles

FILME DE ESTRADA

Drogas, sexo e jazz são fundamentais para "On the Road", à medida que a busca dos personagens por liberdade de corpo e mente os leva para clubes de jazz, casas de drogas, campos de migrantes e depósitos ferroviários.

"Acho que um filme de estrada foi o que me tornou cineasta e eu sou muito leal a isso", disse Salles à imprensa.

Ele contou que encontrou paralelos entre a busca de Kerouac por inspiração por meio do jazz e do bebop ao escrever seu romance com um estilo de improvisação, e o trabalho de diretor.

"Você sempre tem que estar atento para o que você encontra ao longo do caminho, é uma maneira de criar imagens fantásticas."

A câmera de Salles capta a vastidão da América -e a promessa de algo novo virando a esquina- desde as luzes de Nova York até as colinas de San Francisco e a longa extensão de estrada plana e céu infinito no meio.


EGITO: Hoje é dia de eleições livres

EGITO
Hoje é dia de eleições livres
Os egípcios estão votando livremente pela primeira vez na história do país, deixando para trás os 30 anos de governo de Mubarak, e suas eleições de mentirinha, e os não menos antidemocráticos tempos dos faraós, sultões, reis e regimes militares. Sem favoristos visíveis, é provável que haja um segundo turno de votação agendado para 16 e 17 de junho

Foto: Moises Saman/The New York Times

Mulheres fazem fila diante de uma seção eleitoral, no Cairo, para votar nas primeiras eleições presidenciais livres na história do Egito

Postado por Toinho de Passira
Fontes: The New York Times, Reuters, BBC Brasil, G1

Os egípcios vão às urnas na quarta-feira na primeira eleição presidencial livre no país 15 meses depois de derrubar Hosni Mubarak no levante da Primavera árabe, opondo políticos islâmicos a ex-integrantes do deposto regime de Hosni Mubarak.

Cinquenta milhões de pessoas têm direito a voto, e as filas estão se formando em seções eleitorais. A votação dura dois dias e, caso nenhum candidato consiga a maioria dos votos, haverá segundo turno, em junho.

A junta militar que assumiu o poder presidencial em fevereiro de 2011 prometeu uma votação justa e um regime civil.

Até 2005, as eleições no Egito antes eram indiretas, com o presidente escolhido pelo Parlamento e ratificado por consulta popular, tida como claramente fraudulenta pela oposição e por observadores internacionais. A partir daquele ano, houve eleição direta, mas a Irmandade Muçulmana, principal partido de oposição, era considerada ilegal. O pleito de 2012 seria o primeiro livre, não manipulado, da história do país. Eleições

Foto: Reuters

Um artista pinta um mural representando o candidato presidencial Amr Moussa e uma combinação das faces do ex-presidente Hosni Mubarak e Marechal de Campo Mohamed Hussein Tantawi, no Cairo

A campanha eleitoral oficial, que durou três semanas, terminou no domingo (20). Durante esse período, houve o primeiro debate televisionado na história do país, envolvendo dois candidatos. Cartazes e faixas dominam as ruas.

A eleição opõe islamitas a secularistas, e revolucionários a ex-ministros de Mubarak. Os principais candidatos são os seguintes:

Ahmed Shafiq, antigo comandante da força aérea e primeiro-ministro durante os protestos de fevereiro de 2011

Amr Moussa, que foi ministro das Relações Exteriores e chefe da Liga Árabe

Mohammed Mursi, que lidera a Irmandade Muçulmana e o Partido da Justiça e Liberdade

Abdul Moneim Aboul Fotouh, candidato independente islâmico
Até que uma nova Constituição seja aprovada, não está claro que poderes o presidente terá, o que provoca temores de atrito com os militares.

A votação começou pontualmente às 8h, hora local (06:00 GMT), com filas crescentes em muitos dos locais de votação no Cairo.

"É um grande dia", disse uma mulher à BBC. "Este é um grande momento para os egípcios mudarem (o país)."

Foto: Khaled Desouki/AFP

Mulher mergulha o dedo em tinteiro para votar no Cairo

Outra mulher, ao ser questionada sobre por quanto tempo estava esperando para votar, respondeu com uma risada: "30 anos".

Mohamed Mursi era originalmente o candidato reserva da Irmandade Muçulmana, mas acabou virando o titular após a primeira opção, Khairat al-Shater, ser desclassificado pela Comissão Presidencial Superior Eleitoral (HPEC) por ser réu de um processo ainda em curso.

A Irmandade Muçulmana, no entanto, comparou Mursi, engenheiro educado nos EUA e parlamentar, a um jogador de futebol reserva subestimado.

"Em qualquer jogo há um reserva que entra faltando dez minutos para o fim da partida, faz o gol e garante a vitória. Mursi é este jogador", disse o clérigo Mohamed Abdel Maqsoud a uma multidão de apoiadores da Irmandade no domingo.

Um segundo turno de votação está agendado para 16 e 17 de junho, se não houver vencedor.

O editor da BBC para Oriente Médio Jeremy Bowen diz que há também um conflito potencial com os militares, que parecem determinados a não abrir mão de seu poder no país.

O eleitorado não sabe que poderes o novo presidente terá para fazer seu trabalho, uma vez que tais responsabilidades não estão claras sem uma nova Constituição, destaca o correspondente.

Foto: Ahmed Ali/Associated Press

Egípcios fazem fila para votar em um colégio eleitoral perto de Giza.

A eleição está sendo saudada como um marco para os egípcios, que têm a oportunidade de escolher o seu líder pela primeira vez na história do país, de 5.000 anos.

O Conselho Supremo das Forças Armadas (SCAF), preocupado com a agitação pós-eleitoral, tem procurado tranquilizar os egípcios afirmando que a democracia veio para ficar.

"É importante que todos aceitem o resultado das urnas, que refletem a livre escolha do povo egípcio, tendo em conta que o processo democrático do Egito está dando seu primeiro passo e todos nós devemos contribuir para seu sucesso", disse o Conselho em um comunicado emitido na segunda-feira.

O primeiro-ministro, Kamal al-Ganzuri, disse na terça-feira esperar que as eleições corram tranquilamente.

Ele pediu que "os candidatos, as forças políticas, e os partidos estimulem seus apoiadores a respeitar a vontade dos outros e aceitar os resultados da eleição".

Os 15 meses seguidos à deposição de Mubarak foram turbulentos, com constantes protestos violentos e conflitos entre muçulmanos e a minoria cristã, que corresponde a 10% da população. Os cristãos temem que ascensão de conservadores islamistas aumente tensões religiosas.

A economia em deterioração também é um desafio para o novo presidente.

O investimento direto estrangeiro caiu de US$ 6,4 bilhões positivos em 2010 para US$ 500 milhões negativos no ano passado.

O turismo, importante gerador de receita para o país, também caiu em um terço.

O novo presidente também terá de reformar a polícia para lidar com a onda de crime que se seguiu à revolta popular.

Pelo menos um terço dos eleitores estavam indecisos sobre os candidatos e a disparidade em pesquisas deixa eleições sem favoritos.

Pela manhã se noticiou que um policial morreu nesta quarta-feira (23) e um civil ficou ferido na perna, vítimas de disparos durante confrontos entre partidários de dois candidatos em frente a um local de votação no Cairo.

Apesar disso, a coalizão "Observadores para a proteção da revolução', composta por várias organizações de direitos humanos, qualificou de "promissor" o começo da votação.

Foto: Pete Muller/Associated Press

Mulher procura o nome dela em lista de votantes em colégio eleitoral na periferia do Cairo


Márcio Thomaz Bastos, é um ser único no mundo democrático

OPINIÃO
Márcio Thomaz Bastos, é um ser único no mundo democrático
“Não venham me dizer que devemos encarar como coisa corriqueira o fato de Dr. Márcio ora estar de um lado do balcão, tentando coibir o crime, ora estar do outro, oferecendo seus préstimos profissionais a criminosos. Não há nada de errado numa coisa. Não há nada de errado na outra. Uma e outra são parte do jogo democrático. Quando as duas condições, no entanto, se juntam num homem só, há algo de errado é na República.”

Foto: Valter Campanato/Agencia Brasil

“O problema de Márcio Thomaz Bastos não é sua expertise de criminalista,
mas a sua inserção na vida política.”

Reinaldo Azevedo
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo – VEJA

Olhem aqui: todos têm direito a um advogado. É fundamento do estado de direito. Ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo ou a se autoincriminar. É outro fundamento do estado de direito. Advogados criminalistas não devem atender apenas freirinhas do convento das carmelitas descalças e probos professores de educação moral e civismo. Muito provavelmente eles não precisem de… advogados criminalistas. Isso também é um apanágio do estado de direito.

Márcio Thomaz Bastos é, sem dúvida, um dos maiores criminalistas do país. Fez fama e grande fortuna nesse ramo. Que o advogado provavelmente mais rico do país atue justamente na área criminal, eis um emblema da vida pública brasileira, não é? Ao mesmo tempo, Bastos sabe cuidar de sua reputação politicamente correta. O militante lulo-petista falou, por exemplo, como “amicus curiae” no STF em defesa das cotas raciais. Curiosamente, pronunciava-se em nome da Associação dos Advogados Afrodescendentes. Adiante.

Não! Não serei eu aqui a julgar doutor Márcio em razão da qualidade de seus clientes. Isso não faz sentido. Seria o mesmo que dizer que o estado se torna copartícipe de crime quando nomeia, por força de lei, um defensor para o pior dos homicidas. O ponto definitivamente não é esse.

O problema de Márcio Thomaz Bastos não é sua expertise de criminalista, mas a sua inserção na vida política. Eu duvido que exista em qualquer outra democracia do mundo alguém como ele. É militante partidário; é um dos principais conselheiros e interlocutores de Lula (dentro e fora do poder formal) — o mesmo Lula que tenta, a todo custo, manipular a CPI; foi ministro da Justiça; guarda os arcanos da República e do PT…

Essa condição lhe rendeu hoje, durante a CPI do Cachoeira, muitos elogios, salamaleques e rapapés. Ora, foi durante a sua gestão no Ministério da Justiça, com a Polícia Federal sob o seu comando, que se estabeleceu no país a República do Grampo. Foi sob o seu comando que setores da PF decidiram brincar de luta de classes, com algumas operações espetaculosas para demonstrar que “os ricos também choram”. Sob os seus auspícios, prisões, digamos, midiáticas ganharam o noticiário. O preso poderia até ser solto logo depois, mas a notícia já estava garantida. E se criou então um mito: acabou a impunidade, acabou a festa!

Acabou? Como criminalista no Ministério da Justiça, foi dele a tese de que mensalão era mero caixa dois de campanha. O esquema Delta, diga-se, tem tudo para ser um mensalão de dimensões pantagruélicas. Não venham me dizer que devemos encarar como coisa corriqueira o fato de Dr. Márcio ora estar de um lado do balcão, tentando coibir o crime, ora estar do outro, oferecendo seus préstimos profissionais a criminosos. Não há nada de errado numa coisa. Não há nada de errado na outra. Uma e outra são parte do jogo democrático. Quando as duas condições, no entanto, se juntam num homem só, há algo de errado é na República.

Consta que a defesa de Cachoeira custará R$ 15 milhões ao contraventor. 99,9% dos criminalistas brasileiros — na verdade, dos advogados — não ambicionam receber isso ao longo de, sei lá, 10 ou 15 anos; uma vida, quem sabe? Por isso, claro!, parabéns ao doutor Márcio. Mas não o parabenizo, não!, por ser, a um só tempo, um homem que domina segredos de estado e do principal partido do poder e também o advogado de um criminoso que tem relações íntimas com essas duas instâncias.

Se os parlamentares quiserem elogiar o criminalista, fiquem à vontade. Se quiserem elogiar o ex-ministro da Justiça, vá lá. As duas coisas no mesmo discurso? Aí não! Isso é mais sintoma de um problema do que motivo para regozijo. De resto, dado o perfil, não será doutor Bastos a estimular Cachoeira a dizer tudo o que sabe justamente contra o grupo de poder e a corrente ideológica que fazem do advogado a mais fina flor do pensamento dito ”progressista e de esquerda” do Brasil.

Vejam que coisa: Márcio Thomaz Bastos detém hoje segredos de estado (foi ministro de uma das pastas mais importantes), segredo do PT e segredos do Cachoeira. Tudo isso e, consta, mais R$ 15 milhões só nessa causa. O Brasil que ele sempre disse que queria mudar tem sido muito generoso com ele. <


*"Márcio Thomaz Bastos. Nunca antes na história das democracias houve alguém como ele. É um ser único no mundo democrático" - é o título original
**Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original