7 de ago de 2012

Machismo demite assessora do vídeo sexual do senado

BRASIL - Bizarro
Machismo demite assessora do vídeo sexual do senado
A assessora parlamentar Denise Leitão Rocha foi exonerada do cargo comissionado (onde recebia R$ 4 mil por mês) que ocupava no gabinete do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O ato de demissão foi publicado nesta segunda-feira no Diário Oficial do Senado. O senador tomou a decisão durante o recesso parlamentar. O deputado Domingos Dutra (PT-MA), Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, afirmou que se tratava de uma decisão precipitada e que Denise havia sido vítima de preconceito.

Foto: Facebook

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Extra, Blog do Josias de Souza, Extra, Correio do Brasil, G1

A CPI do Cachoeira ficou menos bonita nesta segunda (6). O senador Ciro Nogueira (PP-PI) demitiu Denise Leitão Rocha, a bela advogada que o assessorava na comissão.

Denise é aquela que foi exibida num vídeo íntimo. Aparece nas cenas mantendo relações sexuais explícitas com um parceiro. O vídeo tem vida clandestina na internet, já que não pode ser exibido nos sites tradicionais, ameaçados de processo, mas de qualquer forma, virou sucesso nacional, após navegar pelos laptops, tablets e pen drives do congresso nacional.

Depois de vacilar, no começo do escândalo, a primeira medida do senador Ciro, de volta ao congresso foi demitir a advogada. Alegou que o afastamento foi necessário. A superexposição comprometeu, segundo ele, o “futuro dos trabalhos” da assessora.

Nesta segunda, Denise afirmou que ficou chateada com a demissão e a rotulou de machista.

Denise afirmou que ainda não conversou com o senador sobre o assunto, embora já soubesse que seria demitida. Segundo Denise, o parlamentar tomou a decisão que considerou melhor.

"Ele tomou a decisão que achou melhor para ele. Só acho que foi desumano", reclamou.

Denise Rocha, que está se recuperando de uma cirurgia, afirmou que pretende conversar ainda nesta terça com o senador sobre a demissão.

O vazamento do vídeo encontra-se sob investigação num inquérito policial. Denise nega que tenha levado as imagens à internet. Seu parceiro sexual também diz que não foi ele quem tornou as cenas públicas. O caso permanece inconcluso.

Depois de receber manifestações de apoio e solidariedade de internautas, Denise Leitão Rocha, o Furacão da CPI, começa a provocar manifestações de apoio de ativistas femininas e até de integrantes do próprio Congresso.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Domingos Dutra (PT-MA) vê uma boa dose de preconceito no caso da advogada. Na opinião do parlamentar, Denise pagou o pato pelo machismo que impera na sociedade brasileira.

- Se fosse um homem, será que a reação da sociedade, do senador e da mídia seriam a mesma? Eu acho que não - analisa o deputado.

Para Domingos Dutra, a exoneração da advogada teria sido precipitada, a reboque da repercussão nas redes sociais e na imprensa:

- Não vou entar no mérito que levou o senador a demiti-la, mas foi uma decisão apressada que só reforça o preconceito existente hoje sobre a mulher, que ainda é muito forte no país. Esse caso a marcará para o resto da vida. Certamente, ela terá dificuldades para arranjar um namorado, um emprego, circular em seus meios sociais.

- Esse é mais um sinal de como a nossa sociedade é machista. Se fosse um homem, seria enaltecido como um garanhão. Como é mulher, julgam-na como piranha - critica Rogéria Peixinho, coordenadora regional da Articulação de Mulheres Brasileiras, movimento nacional que luta pelos direitos femininos.

De acordo com ela, o Congresso Nacional atuou como um reflexo desse preconceito tupiniquim:

- Ela foi uma vítima do vazamento desse vídeo e a repercussão chegou a esse ponto porque ela é mulher. O Congresso é muito retrógrado, a ver pela quantidade de mulheres e negros eleitos.

Ao contrário de episódios recentes em que a Secretaria de Políticas para Mulheres pediu a retirada do ar de um comercial de lingerie com a modelo Gisele Bündchen e criticou as agressões de um marido contra sua esposa na novela "Fina Estampa", da Rede Globo, o órgão, ligado à Presidência da República, recusou-se a comentar o caso ocorrido no gabinete do senador.

Denise Rocha não cometeu nenhum crime, não fez nada que seja estranho ao ser humano, não queria que sua intimidade fosse exposta. Denise devia ser tratada como uma vítima: com apoio, compreensão e respeito. A sua demissão é uma condenação sumaria e cruel.


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