3 de ago de 2012

Banda Pussy Riot, no banco dos réus, por desafiar Putin

RÚSSIA
Banda Pussy Riot, no banco dos réus,
por desafiar Vladimir Putin
Por terem feito um protesto contra Putin, num igreja Ortodoxa, durante a campanha eleitoral da Rússia, três jovens artista integrantes de uma banda punk correm o risco de serem condenadas a 7 anos de cadeia. Artistas, intelectuais e a Anistia Internacional defendem que não houve crime e que as moças seja libertadas

Foto: Associated Press

Da esq. para a dir., Nadezhda Tolokonnikova, Yekaterina Samutsevich e Maria Alekhina durante o julgamento em Moscou

Postado por Texto de Toinho de Passira
Fontes: BBC Europe, Politiken, TVI 24, Voz da Rússia, Sol, G1, Diario de Notícias, Folha de S. Paulo

Três jovens russas, Nadejda Tolokonnikova, de 22 anos, Yekaterina Samutsevish, de 29, e Maria Alejina, de 24, integrantes da banda punk “Pussy Riot” (vagina amotinada), estão sendo julgadas num tribunal de Moscou sob a acusação de "vandalismo motivados por ódio religioso", crime que pelo Código Penal russo pode acarretar uma pena de até sete anos.

O “ato criminoso” praticado pelas meninas, ocorreu em 21 de fevereiro e durou pouco mais de um minuto: encapuzadas, realizaram uma performance, no interior da catedral da Igreja Ortodoxa, Cristo Salvador, em Moscou. Com guitarras e alto-falantes, cantaram uma "oração punk" intitulada "Maria, mãe de Deus, tire Putin."

Numa manifestação diante da Catedral Kazan, em São Petersburgo, no mês passado, um simpatizante da banda “Pussy Riot” protestou costurando a boca
A oração contra Vladimir Putin, dentro de uma igreja era um protesto contra o apoio do patriarca Cirilo I, o líder da Igreja Ortodoxa russa, (o equivalente ao Papa da Igreja Católica), a Vladimir Putin durante a campanha eleitoral.

Em março Putin acabou se elegendo Presidente da Republica pela terceira vez, numa eleição cheia de irregularidades praticadas em favor de Putin, que já era primeiro ministro, segundo monitores internacionais, que acompanharam a votação.

O caso das jovens chamou a atenção do mundo, até a Anistia Internacional se pôs ao lado delas, pela desproporcionalidade da ação pública. Em qualquer lugar do mundo, uma irregularidade como essa, não seria tratado como um crime tão ofensivo. Na Rússia a Promotoria elaborou uma acusação que possui 3.000 páginas. A advogada pediu o prazo de 30 dias para tomar conhecimento detalhado da acusação, mas teve o seu pedido rejeitado.

As três meninas estão presas desde fevereiro e tiveram todos os pedidos de habeas corpus negados. Há uma determinação judicial, torando elas submetidas a uma espécie de prisão preventiva com validade até janeiro de 2013.

Há algo acontecendo na Rússia que preocupa inclusive o governo americano que já demonstrou preocupação como o julgamento das meninas do “Pussy Riot”. Foram aprovadas leis que castigam com severidade e anos de prisão atos de protestos, enquanto líderes oposicionistas são perseguidos e acusados de crimes, sem as necessárias provas legais, o que faz lembrar a velha Rússia da KGB, onde Putin trabalhou.

Foto: Sergey Ponomarev/Associated Press

Imagem do protesto da banda "Pussy Riot" dentro da Igreja em Moscou

A advogada das meninas, Violetta Volkova, afirma que o julgamento, está sendo conduzido de maneira "escandalosa" pelas autoridades judiciárias russas.

"As sessões duram até 11 horas por dia, e não permitem que minhas clientes durmam ou se alimentem direito", diz Volkova. Segundo ela, as três jovens não estão sendo alimentadas adequadamente, são mantidas num cubículo fechado, a ponto de uma delas ter passado mal, durante a sessão e serem socorridas por serviço de urgência.

O presidente russo, Vladimir Putin, de passagem por Londres, em visita aos Jogos Olímpicos, questionado pela imprensa ocidental, disse que as três integrantes da banda punk não deveriam ser julgadas severamente. Espero que a corte chegue a uma decisão adequada e justa, afirmou o presidente russo, acrescentando que cabe à Justiça decidir sobre o caso.

Diversos grupos vêm demonstrando apoio à banda punk em protestos internacionais, como a organização de direitos humanos Anistia Internacional, a banda Red Hot Chili Peppers, o cantor Sting e a cantora alemã Nina Hagen.

A Anistia Internacional lançou uma campanha de apoio à libertação da banda Pussy Riot.

Sob o lema "Liberdade de expressão não é vandalismo", a organização de defesa dos direitos humanos escreveu uma carta ao procurador-geral russo, Yuri Yakovlevich Chaika, e ao procurador de Moscou, Denis Gennadievich Popov pedido suspensão das acusações e de investigação imediata e imparcial das ameaças recebidas por familiares e advogados das três mulheres, além da garantia de proteção a elas.


Veja o vídeo da oração da banda “Pussy Riot” e sua polêmica oração punk contra Putin


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