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16 de set. de 2014

Cardeal do Rio, Dom Orani Tempesta sofre assalto à mão armada ao deixar residência no Sumaré

BRASIL - Violência
Cardeal do Rio, Dom Orani Tempesta sofre assalto
à mão armada ao deixar residência no Sumaré
Um dos homens apontou uma arma para o cardeal. Bandidos levaram cruz e anel do arcebispo. Moradores haviam espalhado cartazes pela região alertando que aquela é uma área de assalto

Foto: Pedro Teixeira / O Globo

Dom Orani foi assaltado por três homens no Sumaré

Postado por Toinho de Passira
Fontes:  O Globo, O Dia, O Globo

O cardeal-arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, foi assaltado por três homens armados na noite desta segunda-feira, quando saía da Residência Assunção, no Sumaré, e ia para um debate na sede da Arquidiocese do Rio, na Glória. Os criminosos levaram o anel cardinalício e a cruz peitoral de dom Orani. Também recolheram um celular, uma máquina fotográfica, caneta, além da mochila e do paletó do motorista. Na ação, um dos bandidos chegou a apontar uma arma para a cabeça do arcebispo, que também foi revistado por um dos bandidos.

No carro, além de dom Orani, estavam um fotógrafo, que trabalha para o bispado, um seminarista, cuja batina também foi roubada, e o motorista. Ninguém se feriu durante a ação, que aconteceu rapidamente.

— Eles estavam de carro quando foram interceptados. O assaltante perguntou a dom Orani se a cruz e o anel eram de ouro. Dom Orani respondeu que não eram e entregou os pertences imediatamente — contou um assessor do bispado, confirmando a informação de que realmente os objetos usados pelo cardeal não eram de ouro.

Ainda de acordo com o assessor, os bandidos pretendiam também roubar o veículo em que dom Orani estava, mas desistiram após um deles reconhecê-lo.

LADRÃO PEDE DESCULPAS

Dom Orani havia acabado de celebrar uma missa no Sumaré, onde estava acontecendo um encontro de bispos eméritos. Segundo uma nota divulgada na página do Facebook do arcebispo, após o assalto, enquanto o cardeal seguia para o próximo compromisso, os outros ocupantes do carro se dirigiram para a 10ª DP (Botafogo), onde o caso foi registrado. O assalto aconteceu por volta das 20h30m.

De acordo com informações de dom Orani a seus assessores, os três assaltantes estavam num carro, que interceptou o veículo onde estava o cardeal, na altura de Santa Teresa. No fim do assalto, um dos bandidos reconheceu dom Orani.

— Ele pediu desculpas, mas levou os pertences assim mesmo — relatou o assessor do religioso.

Após o pedido, Dom Orani disse para o ladrão:

— Vá em paz, meu filho.

Na fuga, os bandidos deixaram pelo caminho quase tudo o que haviam roubado. O material foi recuperado por policiais que saíram à procura dos três assaltantes, em Santa Teresa. Eles conseguiram achar alguns dos pertences roubados, como celular, o anel e a cruz de dom Orani, a mochila e o paletó do motorista e a batina do seminarista. Apenas câmera do fotógrafo não foi encontrada. Ninguém foi preso. A agenda desta terça-feira do religioso não foi alterada.

Foto: - Márcia Foletto / Agência O Globo

Cartazes colocados em postes da Rua Cândido Mendes alertam para o risco de assaltos na área

ZONA DE ASSALTO

Os moradores de Santa Teresa de alguma forma esperam que com o assalto do Cardeal, a região comece a merecer mais atenção das autoridades.

Desde a semana passada na principal via do bairro, a Rua Cândido Mendes, cartazes colados nos postes denunciam a frequência de assaltos na região.

No aviso, um boneco de mãos para o alto e uma arma alerta em inglês e português que trata-se de uma "zona de assaltos". Moradores confirmam o que diz o cartaz.

O síndico de um prédio, em frente a um dos postes, contou que semana passada um assaltante invadiu o condomínio e chegou em um apartamento do 3º andar.

— Aqui está demais. Os assaltos são diários e, às vezes, acontece até tiroteio de assaltante com morador que anda armado — relatou.

— Não tem policiamento nenhum aqui. Agora que assaltaram uma pessoa conhecida, talvez a polícia faça alguma coisa. — comentou.

Os moradores do bairro dizem que não sabem quem colou os avisos espalhados na rua, no entanto, reclamaram da falta de policiamento. O taxista Tiago Henrique de Souza, de 48 anos, contou que foi assaltado na Estrada do Sumaré há três meses:

— Levaram a féria do dia, cerca de R$ 80. Circulo muito pela região e nunca vejo policiamento. Espero que agora, depois do que houve com o arcebispo, isso melhore.

Foto: - Márcia Foletto / Agência O Globo

Moradores de Santa Teresa não sabem quem colocou os cartazes, mas confirmam que a área é realmente perigosa

5 de mai. de 2014

Quem é o culpado da trágica morte do torcedor no Arruda?

BRASIL - Violência
De quem é a culpa da trágica morte
do torcedor no Arruda?
Assistir uma partida de futebol passou a ser um programa de alto risco, tanto no Recife, tanto noutras capitais brasileiras. A morte do torcedor atingido por um vaso sanitário, atirado da arquibancada, é o ápice de uma violência crescente e impune. Precisamos também de uma sociedade padrão FIFA

Foto: Carlos Ezequiel Vannoni/ Agência Jcm/ Fotoarena

Perícia investiga local onde o torcedor Paulo Ricardo Gomes da Silva foi atingido por um vaso sanitário

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Publico, Veja, Estadão, Ne10, JC online

o jornal português Publico, um dos mais importantes da Europa contou assim a violência ocorrida no Arruda:

Um jovem adepto morreu na sexta-feira à noite ao ser atingido por uma sanita atirada depois do final de um jogo de futebol do campeonato da série B do Brasil, no Recife, estado de Pernambuco.

Após o encontro entre o Santa Cruz e o Paraná, que acabou empatado (1-1), um jovem de 26 anos, que se encontrava já fora do Estádio do Arruda, teve morte imediata ao ser atingido por uma sanita, que terá sido arrancada de uma casa-de-banho do estádio e lançada de uma bancada para o exterior.

Segundo a polícia local, que ainda não avançou com muitos detalhes, outros três adeptos, atingidos por estilhaços, ficaram feridos e foram transportados para o hospital, mas não correm perigo de vida.

"Jogaram dois vasos sanitários [sanitas]. Infelizmente, um acabou matando o torcedor. Estamos tentando identificar pelas imagens de segurança quem jogou essa bacia", descreveu um responsável da Polícia Militar de Recife.

Paulo Ricardo Gomes da Silva era adepto do Sport e estava a apoiar o Paraná, já que as claques organizadas de ambas as equipes são aliadas. No final do jogo, tal como já tinha acontecido antes, registou-se uma rixa entre as claques do Paraná e do Santa Cruz e, durante os distúrbios, aconteceu a fatalidade.

O Estádio do Arruda, o quarto maior no Brasil, foi entretanto interditado preventivamente pela federação de futebol do país. Com capacidade para 60 mil pessoas, fica na cidade de Recife, mas não faz parte dos recintos escolhidos para o Mundial de 2014.

Foto: Guga Matos/JC Imagem/Reuters

A cena do torcedor morto, na área externa do Arruda, coberto por lençóis, no local do crime, junto aos fragmentos do vaso, correu o mundo, distribuída pela agencia de noticia Reuters

Está cada vez mais perigoso assistir jogos de futebol. Os bandidos invadiram as torcidas e sobrepondo-se as paixões desportivas e impuseram o vandalismo selvagem, a violência gratuita e o terrorismo sem causa, como marca registrada das partidas esportivas.

Em todos os jogos, principalmente nos fins de semanas, há confrontos entre torcidas e com a polícia, não importa quem esteja jogando, não importa os resultado das partidas.

Só no último mês de março, mais de 138 ônibus foram depredados em dia de futebol pelas torcidas. 57 deles foram depredados num único dia, 12 de março, após o jogo entre Sport e Santa Cruz, pelo campeonato pernambucano.

A impunidade desses bandidos somam-se a impunidade geral que reina no país.

Agora a Federação Pernambucana de Futebol, em parceria com o Disque-Denúncia Pernambuco está oferecendo uma recompensa de até R$ 5 mil para quem tiver informações que ajudem a identificar o suspeito de atirar os vasos e provocar a estúpida morte do torcedor. Isso significa que a polícia não tem nenhuma pista até agora para encontrar o suspeito.

Mesmo que o encontre, nada garante uma punição exemplar.

Lamentamos pela vida desperdiçada, do jovem torcedor, Paulo Ricardo Gomes da Silva. Sabemos, amarguradamente, que dentro de alguns dias ele, como outros, será apenas mais um número na estatística da violência, sobreposto por outra tragédia ainda maior.

Ou o Brasil acaba com a impunidade, ou a impunidade acaba com o Brasil.

28 de abr. de 2014

Traficantes assistiram ao “Esquenta” comendo pipoca? - Felipe Moura Brasil

BRASIL - Opinião
Traficantes assistiram ao “Esquenta” comendo pipoca?
Alguém lembrou que a taxa de homicídios de policiais é o dobro da relativa à população negra e parda? Que a chance de ser morto sendo policial é 100,83% superior à chance de ser morto sendo negro ou pardo? Que a possibilidade de um policial brasileiro ser vítima por um crime de homicídio é 196,70% superior do que seria com qualquer outra pessoa?

Foto: Captura de Video

Postado por Toinho de Passira
Texto de Felipe Moura Brasil - Veja
Fontes: Blog do Felipe Moura Brasil

Alguém falou umas palavrinhas contra os traficantes no especial do “Esquenta” em homenagem ao dançarino DG, morto na favela Pavão-Pavãozinho, em Copacabana? Contra Pitbull, um dos mais procurados do Rio – e que, segundo fontes da polícia civil, estava no mesmo churrasco do qual o dançarino fugiu pulando de uma laje ao muro de uma creche quando os seguranças do primeiro começaram a atirar contra a PM para “fazer contenção” e possibilitar a fuga do chefe? Algumas palavrinhas contra a pressa em culpar a polícia antes de concluídas as investigações (que, segundo o delegado, apontam que DG estava mesmo próximo e na direção dos traficantes em relação aos policiais)?

Algo contra os “bicos” nas mãos dos “amigos”? O contrabando de armas? As más companhias? A ESCOLHA imoral dos bandidos pela criminalidade? Contra “microondas”, “mulas”, “aviões”? Contra o arruinamento das famílias de crianças e adolescentes viciados em drogas? Contra o sustento que os próprios artistas usuários dão ao império do crime? Contra a exploração política do caso por militantes profissionais como Sininho, alguns dos quais a polícia já suspeita de estar orientando a mãe de DG em “media coachings”? Contra a morte do comandante Leidson e dos soldados Alda e Rodrigo Paes Leme, enquanto trabalhavam nas UPPs?

Ou só mostraram o trecho de um curta-metragem em que um policial apontava a arma para o personagem de DG, para que a polícia fosse vaiada pela plateia e se chegasse à conclusão precoce de que a vida imita a arte? Ou ainda se limitaram a ecoar a tese de um “especialista” em luta de classes que afirmou no programa que “Não tem nada mais perigoso no Brasil do que ser negro, jovem e pobre”, usando a velha estratégia esquerdista de mostrar os negros como vítimas predominantes de crimes violentos, sem perguntar se não são também predominantemente ou em grande parte os autores desses crimes?

PMs mortos

Alguém lembrou que o respaldo para essas meias verdades veio de outra pesquisa fajuta do famigerado IPEA, que tirou do número maior de vítimas negras a conclusão estapafúrdia sobre crimes raciais sem levar em conta a cor dos assassinos, sendo que, nos EUA, por exemplo, onde a esquerda utiliza a mesma estratégia, simplesmente 93%(!!!) dos negros assassinados foram mortos por outros negros?

Alguém lembrou que a taxa de homicídios de policiais é o dobro da relativa à população negra e parda? Que a chance de ser morto sendo policial é 100,83% superior à chance de ser morto sendo negro ou pardo? Que a possibilidade de um policial brasileiro ser vítima por um crime de homicídio é 196,70% superior do que seria com qualquer outra pessoa?

Soldado Alda, da UPP do Parque Proletário, morta por traficantes.
Por esta negra, a esquerda não chorou
Que o risco de ser morto, sendo policial, é quase três vezes superior do que sendo outro não integrante das forças policiais? Que as taxas de PMs mortos em serviço é de 17,8 e FORA DE SERVIÇO(!!!) de 58,7(!!!) por grupo de 100 mil habitantes, sendo que a OMS considera taxas de homicídio acima de 10 por grupo de 100 mil já como sintomas de violência epidêmica?

Alguém lembrou que a taxa de homicídios de PM e Policial Civil (em serviço e fora) chega a 72,1(!!!) por 100 mil habitantes, praticamente o triplo da taxa de homicídio nacional (de 24,3)? De quantas entrevistas, participações em programa de TV ou eventos em homenagem aos policiais mortos os especialistas e artistas convidados pelo “Esquenta” já participaram?

(E de quantas por jovens como Victor Hugo Deppman, cujo assassinato por um ”dimenó”, protegido por leis endossadas pelo mesmo PSOL que explora a tragédia de DG, completa um ano neste mês?)

Será que o único minimamente sensato foi o coreógrafo Carlinhos de Jesus quando disse “Eu acredito na instituição policial”, mas “é claro que há elementos que não merecem estar ali”, ainda que ninguém tenha reiterado que até o momento não há provas conclusivas contra supostos “elementos” assim no caso DG?

Não é maravilhoso que, não bastasse a campanha “Eu não mereço ser estuprada” – baseada na pesquisa errada e embusteira do IPEA – ter dissuadido (aham…) milhares de estupradores de cometer seus crimes pelo irresistível apelo de moças seminuas cobertas com plaquinhas na internet, surja não somente outra como “Eu não mereço morrer assassinado”, capaz de levar assassinos às lagrimas e ao divã, mas também a da hashtag “A vida é sagrada” [#avidaesagrada], proposta por Regina Casé ironicamente na mesma emissora cujas novelas fazem propaganda escancarada do aborto?


(E não era justamente a abortista Leandra Leal, outra “especialista” a palestrar sobre a “sociedade” no programa, aquela que dava uma forcinha aos Black Blocs no vídeo “Grito pela liberdade”, culpando o Estado pela violência dos terroristas nas manifestações, violência esta que depois resultaria na morte do cinegrafista da Band Santiado Andrade, por cuja “vida sagrada” nenhum dos globais do vídeo fez campanha depois, pedindo desculpas à família pelo estímulo ao caos?)

Alguém da família “Esquenta” afinal mencionou o medo que os moradores de bem da favela sentem de abrir a boca para falar mal dos traficantes (ou mesmo para narrar o que sabem deste episódio), enquanto um bando de militantes “especialistas” usam a sua liberdade de expressão para falar em nome deles exclusivamente contra a polícia, fomentando o ódio às instituições que, a despeito dos erros, excessos ou mesmo crimes de alguns de seus integrantes, são as únicas que podem livrá-los daqueles marginais? Ou hashtag ganha de fuzil?

A dor de parentes e amigos de DG é legítima e deve ser respeitada, mas se nada justifica a sua morte como se deu, nada tampouco justifica tanto cinismo, tanta ignorância, tanta ideologia barata em função dela, como se viu no “Esquenta” deste domingo (e em todos os jornais).

Na TV aberta, a voz que se erguia contra o tráfico e lamentava a morte de policiais e o silêncio dessa turma dos “direitos humanos” quando isso acontecia era a de Rachel Sheherazade, a apresentadora censurada em pleno ano eleitoral pelo governo do PT (com testas-de-ferro do PSOL e do PCdoB) sob ameaça de corte de verbas da Caixa Econômica Federal ao SBT. O que resta na TV brasileira é isso: o programa de Regina Casé, a garota-propaganda da Caixa.

Os traficantes que lutam pelo fim das UPPs devem ter assistido a tudo comendo pipoca.

12 de abr. de 2014

Era uma Major da PM do Rio, a loira armada que saltou de carro para impedir vândalos de incendiar ônibus

BRASIL - Inusitado
Era uma Major da PM do Rio, a loira armada que saltou de carro para impedir vândalos de incendiar ônibus
A cena cinematográfica mostra a major subcomandante do 22.º Batalhão (Maré), em ação quando estava a caminho do trabalho

Foto: Bruno Gonzalez/Agência O Globo

Major da PM Fabiana Silva desce do carro e saca arma durante confusão em reintegração de posse

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Extra, Programa Fátima Bernardes, Estadão, Folha de S. Paulo, Notícias Bol

O flagrante feito pelo fotografo Bruno Gonzalez, da Agência O Globo, parece cena de filme, de calça branca, empunhando uma pistola, uma loura corria com desenvoltura apesar do sapato de vermelho de salto alto, tentando impedir um grupo que tentava atear fogo a um ônibus, nas cercanias de onde houvera um confronto da Polícia com invasores, durante uma reintegração de posse, no Engenho Novo, Rio de Janeiro.

Todos os dias, a major da PM do Rio Fabiana Silva, 36, atravessa a cidade das zonas oeste (Jacarepaguá) a norte para chegar ao trabalho, no Batalhão da Maré. Nesta sexta, no meio do caminho, sentiu-se na obrigação de agir independente de estar fardada, cumpria ali sua função de impedir atos ilícitos. Depois de, quem sabe, ter evitado que outro veículo fosse incendiado, a major seguiu para o Batalhão da Maré, onde coordena uma equipe de 400 policiais.

Vaidosa mesmo de farda, a major Fabiana costuma usar um coturno com salto. Junto aos carregadores de munição carrega sempre um batom.

Mãe de dois meninos e casada com um capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais), ela costuma dizer que, em casa, se sente como uma "rainha".

Na PM, a major também tem prestígio. Há alguns meses o comandante da PM, coronel Luís Castro e o comandante das unidades da capital, Rogério Leitão, foram ao batalhão da Maré para sua festa de aniversário.

Mas em 2009 Fabiana Silva foi um dos 11 policiais punidos administrativamente pela PM por prestarem serviço de segurança à Liesa (Liga das Escolas de Samba do Rio), criada pelos bicheiros cariocas para cuidar do carnaval.

Foto: Captura de vídeo

Na véspera a Major Fabiana Silva esteve no Programa de Fátima Bernardes, numa reportagem que falava da dubiedade de ser policial e mulher. Foi mostrado que no closet da Major, estão enfileirados, juntos aos coturnos militares, cerca de 70 pares de sapatos, todos de saltos altíssimos, como o vermelho da foto do O Globo

15 de fev. de 2014

REVISTA VEJA:
Os black blocs têm agora uma morte sobre os ombros

BRASIL - Violência
REVISTA VEJA:
Os black blocs têm agora uma morte sobre os ombros
Reportagem de VEJA desta semana mostra que a máscara “libertária” do grupo caiu e revela o rosto soturno de um bando que, ao aliar inconsequência à violência e o uso de armas letais, equipara-se a terroristas

Foto: (Montagem sobre fotos: Armando Paiva/Fotoarena Christophe Simon/AFP)

SININHO: Boa de organizar passeatas e arrecadar dinheiro, ela estuda cinema, está desempregada e rompida com os pais, militantes do PT

Postado por Toinho de Passira
Texto de Cecília Ritto
Fonte: Veja

Eles não vieram com flores nas mãos. Os primeiros black blocs a surgir nas ruas brasileiras já chegaram de máscara e marreta em punho. Quebraram lojas, incendiaram ônibus e invadiram prédios públicos em badernas no Rio, em São Paulo e em outras 22 capitais. Mesmo assim, receberam olhares benevolentes de políticos (“Vários movimentos têm vários métodos distintos. Eu não sou juiz para ficar avaliando os métodos em si”, disse o deputado Marcelo Freixo, do PSOL) e francamente deslumbrados de alguns artistas (“Emma é linda. O anarquismo é lindo”, escreveu Caetano Veloso a propósito de uma black bloc, pouco antes de posar fantasiado de mascarado).

Um professor da Fundação Getulio Vargas, de São Paulo, chegou a escrever que os black blocs “usavam a estratégia da violência” porque eram “vítimas da violência cotidiana praticada pelo Estado”.

A polícia e as leis brasileiras fizeram a sua parte para piorar a situação. Nove meses após o início da baderna e dezenas de arruaças depois, há apenas um black bloc preso no Rio. Em São Paulo, nenhum. Na semana passada, a leniência e a impunidade cobraram seu preço: o cinegrafista Santiago Andrade, de 49 anos, morreu em consequência de um rojão que, disparado por um mascarado, o atingiu em cheio quando trabalhava. Com a tragédia, a máscara “libertária” dos black blocs caiu para revelar o rosto soturno de um grupo que, ao aliar inconsequência a violência e uso de armas letais, se equipara a terroristas.

Fotos: Rudy Trindade/Frame/Folhapress e Pablo Jacob/Ag. O Globo

A TRANSFORMAÇÃO: Caio Souza, tímido e contrito ao ser preso na semana passada e batendo boca com seguranças em manifestação no Rio: segundo ele, black blocs ganham dinheiro e “quentinhas” de patrocinadores. Quem são, ele não diz

Três personagens foram fundamentais para revelar a face mais sinistra dos black blocs: Fábio Raposo, o Fox, que carregou o rojão que atingiu o cinegrafista; Caio Silva de Souza, o Dik, que levou o artefato até perto da vítima; e Elisa Quadros, a Sininho, “militante ativista” (a definição é dela) que surgiu do nada para oferecer “assessoria jurídica” aos dois acusados e não parou mais de aparecer. Raposo e Souza, que se entregaram e estão presos, são peões do movimento, integrantes da tropa de choque do que­bra-quebra.

Já Sininho, 28 anos, estudante de cinema (já há seis anos) e atualmente desempregada, é da elite que decide e dá ordens. Sininho faz a ponte entre os black blocs e a parcela da classe política que nutre simpatia pelo grupo. Dela, constam, por exemplo, os vereadores Renato Cinco e Jefferson Moura, ambos do PSOL. Eles aparecem numa planilha que circulou em grupos fechados na internet, revelada pelo site de VEJA, com os nomes de pessoas que, a pedido de Sininho, patrocinaram um “evento cultural” que ela ajudou a organizar em dezembro passado. “Eles deram dinheiro, sim, e não foi nenhum segredo. Doa­ram como civis, e não políticos”, postou ela em janeiro, reagindo às críticas de integrantes do grupo cuja alegada inspiração anarquista não permite engajamentos partidários.

Foto:Paulo Campos/Futura Press

Marcelo Freixo, do PSOL, falando sobre os black blocs, antes e depois da morte do cinegrafista Santiago

Sininho diz que não gosta de políticos e políticos dizem que não apoiam a violência dos black blocs, mas as duas partes parecem se dar muito bem. A Câmara de Vereadores é um ambiente familiar para Sininho. Quando começou a minguar o movimento Ocupa Cabral, em que manifestantes permaneceram dois meses acampados diante da casa do governador do Rio, ela sugeriu a ocupação das escadarias da Câmara. Ficou lá por 52 dias.

Gaúcha, filha de petistas com quem não se dá (“Continuam no PT, pois devem acreditar que tem esperança, mas eu não tenho nada a ver com a decisão deles”), até o meio do ano passado fazia trabalhos esporádicos em uma produtora de vídeos. Vivia com quatro colegas em um apartamento com poucos móveis e paredes cobertas de discos de vinil, recebia amigos para festinhas (animadas a MPB, cerveja e baseados) e passeava na cidade com uma bicicleta modelo retrô.

Em junho, depois da primeira passeata, não saiu mais da rua e foi subindo na hierarquia dos “militantes ativistas”. Com tempo de sobra, esteve na linha de frente de quase todos os protestos. Ficou famosa — e mais ainda depois de ter sido detida por três dias (na investigação que se seguiu, livr­ou-se do grampo certo com um expediente simples: deu à polícia um número falso de telefone).

Fotos: Roberto Castro e Ag. O Globo

A PRIMEIRA VÍTIMA: O rojão disparado pelos black blocs atingiu em cheio a cabeça do cinegrafista Santiago Andrade

Sininho posta vídeos com frequência, às vezes com o ex-namorado, conhecido como Game Over. Articulada, gosta de mandar — em passeatas, é vista apontando a direção a ser tomada pelos mascarados — e de alardear amizade com quem julga poderoso, como o deputado Marcelo Freixo, do PSOL. Freixo minimiza os laços. Afirma ter se encontrado com Elisa apenas duas vezes, na condição de presidente da Comissão de Direitos Humanos, por iniciativa dela. Mas comentários nas redes sociais não deixam dúvida: black blocs e PSOL são mais do que bons amigos. É a uma ONG presidida por um alto funcionário do gabinete de Freixo, Thiago de Souza Melo, que Elisa e outros apelam quando alguém vai preso ou sofre ameaça. A organização é composta de advogados que ficam a postos, nas ruas e em delegacias, para ajudar manifestantes detidos em confrontos de rua. Em São Paulo, quem faz esse papel são os advogados da CSP-Conlutas, entidade sindical ligada ao PSTU.

Integrantes dos dois partidos costumam estar presentes em assembleias do bando, geralmente sob ataque de black blocs de inclinação purista, contrários à aliança com políticos. Freixo foi justamente o nome que Elisa brandiu quando contatou o advogado Jonas Tadeu Nunes para oferecer assessoria jurídica a Raposo, que se apresentou à polícia dois dias depois de Andrade ser atingido por um rojão.

Foto: Ag. O Globo

O CÚMPLICE: Raposo foi o primeiro a ser preso, levado pelo advogado Nunes (de azul): o vídeo mostra que ele deu a Caio o explosivo que matou Andrade

O advogado foi o primeiro a falar sobre o pagamento para promover quebra-quebras que os baderneiros receberiam de grupos, que ele não identificou. Coisa de “150, 200 reais”. Caio Souza confirmou, tanto a Nunes quanto à polícia, ter recebido propostas nesse sentido. Mais: diz ter visto a distribuição de quentinhas aos acampados na Câmara e de pedras e outros “apetrechos” aos mascarados na rua.

O advogado Nunes — que diz não receber nenhum tostão dos dois clientes, aos quais teria sido levado por um estagiário amigo de Raposo — tergiversa quando é arguido sobre detalhes. Afirmou que, na manifestação, a turma da baderna recebe munição de “Kombis cheias de rojões, cheias de máscaras”. E quem financia tudo isso? Políticos? Algum partido? “Não sei. A polícia tem de investigar”, escorregou Souza.

Fotos: Paulo Campos/Futura Press/Estadão Conteúdo
NÃO É CAUSA, É CRIME: Black blocs se preparam para a ação: “violência simbólica” também mata

​O principal responsável pela morte de Andrade mora com o pai em uma casa simples em Nilópolis, na região metropolitana do Rio. No dia seguinte à manifestação, 6 de janeiro, ele vendeu um celular, pagou o aluguel, pegou a correspondência e sumiu. Nunes conseguiu contatá-lo em um ônibus a caminho da casa dos avós em Ipu, no Ceará, e o convenceu a se entregar. Antes do crime, Souza era porteiro num hospital onde o pai é enfermeiro. Evangélico, fã de skate, descrito como calmo e calado, só mostra os dentes nos protestos de rua, aonde vai movido por convicções pouco claras — como mostra o texto que escreveu (veja o trecho abaixo).

Já Raposo, o fornecedor do rojão, é bem mais conhecido no meio. Carioca, 22 anos, abandonou o curso de contabilidade para ser tatuador e mora sozinho em um apartamento no Méier, Zona Norte carioca (no playground, pichou: “Ódio à polícia! Viva a manifestação!”). Em vídeo, é visto portando o rojão enquanto caminha ao lado de Souza — que, em certo momento, pega o artefato aceso e o coloca no chão, a poucos metros do cinegrafista. Ele diz que mirou na polícia e só queria “fazer barulho”.

Na semana passada, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, encaminhou ao Senado uma proposta de mudança na legislação que, se aprovada, atenderá às reclamações da polícia, que afirma não ter meios legais para manter presos os black blocs flagrados em ação. As principais medidas são: proibir o uso de máscaras em manifestações, como já é lei no Rio e em Pernambuco, e vetar o porte de objetos que possam ser usados para ferir, como rojões ou canivetes. Quem for pego desrespeitando essas regras será levado à delegacia. Os reincidentes teriam de pagar multa e ficariam banidos de eventos públicos por no mínimo 120 dias.
A medida é bem-vista por especialistas. Afirma o coronel reformado da Polícia Militar José Vicente da Silva: “A proposta facilita a punição. E é melhor ter uma pena branda mas de efeito imediato do que uma duríssima que nunca será posta em prática”. Para o cinegrafista morto e sua família, no entanto, as medidas chegam tarde demais. Que a tragédia sirva para lembrar que os black blocs não são uma causa a ser defendida, mas um bando a ser combatido. E que a violência que praticam não tem nada de “simbólica”.


Com reportagem de Alexandre Aragão, Alvaro Leme, Bela Megale, Cintia Thomaz e Helena Borges

11 de jan. de 2014

Pedrinhas, o presídio do terror, a vitória da barbárie no Maranhão dos Sarneys

BRASIL - Violência
Pedrinhas, o presídio do terror,
a vitória da barbárie no Maranhão dos Sarneys
Como o desgoverno de anos resultou nos horrores dos últimos dias, desde os bandidos degolados na penitenciária até a menina Ana Clara, de 6 anos, que morreu queimada, vítima de ataque criminoso a um ônibus urbano. “O Maranhão vai muito bem”, disse três dias depois a governadora do estado, Roseana Sarney, em entrevista coletiva. “Um dos problemas que estão piorando a segurança é que o estado está mais rico, o que aumenta o número de habitantes.” Ah,tá!

Divulgação Governo do Maranhão

CASA DO TERROR - Pedrinhas, o maior Complexo Penitenciário do Maranhão

Postado por Toinho de Passira
Reportagem Leslie Leitão e Alana Rizzo
Fonte: Veja

A vida da menina Ana Clara Santos Souza nunca deveria ter cruzado a de W.T.F., o bandido conhecido como Porca Preta, que aparece na foto abaixo empunhando um revólver. Aos 6 anos de idade, Ana Clara se preparava para ir à escola pela primeira vez. Adorava vestir-se de princesa e andar de bicicleta. Tinha acabado de dispensar as rodinhas da sua, e por esse motivo andava muito orgulhosa. Era um universo sem ponto de contato com o mundo sinistro habitado por Porca Preta. O bandido, de 17 anos, é um dos membros do Bonde dos 40, a sanguinária facção criminosa que disputa o mercado de drogas de São Luís e domina parte das cadeias do Maranhão à base de métodos que incluem a decapitação de adversários e o estupro de suas mulheres. O que fez com que Ana Clara e Porca Preta se encontrassem no último dia 3 não foi o azar, mas uma combinação de duas tragédias: a situação nacionalmente calamitosa das prisões brasileiras e a gestão particularmente funesta do problema pelo governo do Maranhão, onde o descaso, o apadrinhamento e o descontrole elevaram o horror a uma escala nunca vista.

Parte desse horror transbordou na semana retrasada para uma rua da periferia da capital maranhense. Da prisão de Pedrinhas, partiu a ordem para que bandidos atacassem ônibus em circulação na cidade em represália à entrada da Polícia Militar na cadeia depois de mais uma rebelião sangrenta. Um dos alvos escolhidos foi o carro em que haviam embarcado Ana Clara, sua mãe, Juliane Souza, e a irmã de 1 ano, Lorane. Porca Preta foi o encarregado de render o motorista, enquanto seus comparsas espalhavam gasolina no interior do veículo. Juliane, internada em estado grave, contou à mãe o que houve em seguida. Segundo disse, ela e as filhas já estavam na porta de entrada quando alguém riscou um fósforo e o ônibus explodiu em chamas. As três foram atingidas. Juliane atirou-se sobre a caçula e, com as costas e os braços queimando, rastejou com ela por baixo da roleta em direção à porta de trás. Achava que a filha mais velha a seguia. Ana Clara, no entanto, havia se desgarrado e permaneceu na parte da frente, onde as chamas ardiam altas. Com 95% do corpo queimado, ela ainda conseguiu sair do carro. São excruciantes as imagens feitas pelas câmeras de segurança do ônibus, que mostram a menina perambulando em choque, sozinha, com o corpo em chamas. Ana Clara morreu na última segunda-feira.


CENAS FORTES - VÍdeo publicado por Veja: desespero dos passageiros, no momento em que o ônibus é incendiado poo bandidos

“O Maranhão vai muito bem”, disse três dias depois a governadora do estado, Roseana Sarney, em entrevista coletiva. “Um dos problemas que estão piorando a segurança é que o estado está mais rico, o que aumenta o número de habitantes.” A entrevista girou em torno da série de motins no Complexo de Pedrinhas, que deu origem ao ataque ao ônibus em que viajava Ana Clara e, em 2013, resultou em sessenta presos mortos, ao menos cinco degolados. Roseana disse ainda que o que houve em Pedrinhas foi “inexplicável”. A governadora conseguiu errar em cheio em todas as declarações. Primeiro, o Maranhão, estado que sua família governa há cinco décadas, não vai nada bem. Tem o segundo pior índice de analfabetismo do Brasil e a pior renda per capita. Seu IDH só perde para o de Alagoas, e a mortalidade infantil é a segunda maior do país. Depois, o que aconteceu em Pedrinhas está longe de ser inexplicável.

A administração do complexo, como a de todas as prisões do estado, foi terceirizada para duas empresas - uma delas pertence a um velho apaniguado dos Sarney: Luís Cantanhede Fernandes. Sócio de Jorge Murad, marido da governadora, ele foi o homem que, em 2002, saiu em socorro da então candidata à Presidência Roseana depois que a Polícia Federal encontrou 1,3 milhão de reais em dinheiro vivo no escritório da Lunus, consultoria dela e de Murad. Na tentativa de livrar do naufrágio a candidatura de Roseana, Cantanhede assinou às pressas um contrato fajuto de empréstimo para justificar a origem da dinheirama. No ano passado, sua empresa, a Atlântica Segurança - juntamente com a VTI, de Fortaleza -, recebeu 71 milhões de reais para cuidar das cadeias do Maranhão. Nenhuma das duas tinha experiência no ramo.

A decisão de contratar empresas como essas para cuidar de um setor tão explosivo não chega a surpreender, tendo partido de uma governante cuja família há tanto tempo se dedica a cuidar com desvelo de assuntos de seu próprio interesse e de seus amigos. O que escandaliza no episódio é o fato de esses contratos terem sido mantidos mesmo diante dos resultados colhidos. O inferno de Pedrinhas supera com folga tudo o que já se viu no trágico cenário das cadeias brasileiras.

Foto: Manoel Marques - Reprodução - Francisco Silva/Jornal Pequeno

TUDO E MAIS UM POUCO - Nada do que existe no Complexo de Pedrinhas é estranho ao sistema penitenciário brasileiro, mas lá tudo é exacerbado: as instalações são imundas (foto à esq.) e tomadas por lixo e ratos, o despreparo e a corrupção entre os agentes podem ser medidos pela dimensão dos arsenais encontrados a cada revista mais rigorosa (ao centro) e o domínio de facções criminosas que disputam o controle do tráfico resulta frequentemente em batalhas sangrentas. A última, em 17 de dezembro, terminou com três presos decapitados e torturados (à dir.)

Na semana passada, a reportagem de VEJA percorreu cinco das oito unidades do complexo - com capacidade para 1 500 presos e população de 2  700. Nas celas de 6 metros quadrados espre­mem-se até dez homens, obrigados a disputar espaço com os ratos, atraídos pelos detritos acumulados em pilhas por todo canto. No pátio de uma das cadeias do complexo, o esgoto a céu aberto se mistura a montes de entulho e mato crescido. Algumas paredes dão a impressão de que poderiam ser derrubadas com um chute, de tão decrépitas.

Mas a parte das instalações em Pedrinhas ainda é melhor do que a de segurança. Os monitores encarregados de revistar os presos e administrar as visitas têm treinamento de uma semana e salário de 900 reais, menos de um terço do que ganham os agentes penitenciários do estado. Para aferir a eficiência do modelo, basta olhar a foto do arsenal apreendido em uma recente invasão da polícia: mais de 300 facas, facões e canivetes, além de munição para pistolas. Celulares circulam abertamente, e a cantina do complexo - que vende até cerveja - está sob o controle dos detentos. Os líderes das duas facções reinantes - o Primeiro Comando do Maranhão e o Bonde dos 40 - decidem quem vive e quem morre dentro da cadeia. E morre-se muito lá. No fim da matança mais recente, em 17 de dezembro, os presos se encarregaram de produzir e divulgar imagens estarrecedoras. Um dos vídeos mostrava corpos sobre o chão cobertos de ferimentos e sem alguns pedaços da pele. Três deles tiveram a cabeça cortada e elas foram colocadas lado a lado. Em uma das fotos que constam de trechos inéditos do relatório feito pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao qual a reportagem de VEJA teve acesso, um detento separa do corpo uma cabeça decapitada e a segura pelos cabelos, como um troféu. Em outra, dois homens chutam essa mesma cabeça de um lado para o outro, como se estivessem jogando futebol. O relatório inclui ainda a foto de pedaços de um corpo encontrado no lixo de Pedrinhas e dispostos sobre a bancada do Instituto Médico-Legal de São Luís - mais uma provável vítima do método conhecido em Pedrinhas como “picadinho”, destinado a fazer “desaparecer” corpos.

O acirramento das disputas entre as facções maranhenses e o banho de sangue que ele produziu no interior das penitenciárias não pegaram de surpresa o governo de Roseana Sarney. Inquéritos policiais instaurados em 2008 já indicavam alguns dos horrores em curso nos presídios. Em 2010, o CNJ fez a Roseana uma série de recomendações para conter a violência nas cadeias. Repetiu-as, em vão, em 2011. Em 2012, o então presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Ayres Britto, pediu à governadora que recebesse representantes do CNJ. Foi ignorado. Nos últimos dois anos, a Secretaria de Direitos Humanos do governo federal recebeu 157 denúncias sobre o sistema penitenciário do Maranhão, das quais 46 sobre tortura. “Inexplicável”, governadora?

Cadeias são um mal necessário. Prender bandidos tem, sim, influência direta na queda da criminalidade. Essa correlação já havia sido verificada em diversos trabalhos internacionais. No ano passado, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou um estudo feito em mais de 5 000 municípios de todos os estados brasileiros com dados de nove anos. O trabalho concluiu que, para cada elevação de 10% no número de presos, o de assassinatos diminui 0,5%, em média. Escrevem os pesquisadores: “Os resultados comprovam que prender mais bandidos e aumentar o policiamento são armas válidas para reduzir a taxa de homicídios, independentemente do que ocorra com outras variáveis socioeconômicas”.

Acontece que, desde o fim do século XVIII, o suplício deixou de ser uma prática aceitável. A punição aos criminosos perdeu a característica de “vingança social” para incorporar a de “reforma do indivíduo”. O objetivo passou a ser prender para evitar novos crimes e reduzir a reincidência. À luz desses conceitos, confinar o preso em jaulas onde não se deixaria um animal é, inclusive, contraproducente, como atesta um estudo recente da Itália. Ele analisou a vida em liberdade de 25 000 presos soltos em 2006 para abrandar o superlotado sistema carcerário daquele país. Os que tinham saído de presídios com uma alta taxa de mortes eram mais propensos a cometer novos crimes. Na fórmula matemática do estudo, o crescimento de 1 ponto nas mortes per capita atrás das grades aumenta em 4,2% a probabilidade de o criminoso ser pego novamente em delito. Mais do que ineficaz para os propósitos a que se destina, o tratamento degradante dos sentenciados extrapola o contrato firmado com a Justiça. Aos condenados, reserva-se a pena de reclusão, não o inferno.

Foto: Marlene Bergamo/Folhapress

LAGOSTA, DÓLARES E CAVIAR - Em meio à crise, o governo Roseana Sarney encomendou lagosta. Criticado, substituiu o pedido por caviar. A governadora (ao lado do ministro José Eduardo Cardozo) entregou a administração dos presídios do estado ao amigo e sócio da família que, em 2002, a socorreu quando a PF encontrou 1,3 milhão de reais na sede da empresa de seu marido

Para o Palácio do Planalto, o governo do Maranhão está despreparado para resolver sozinho a crise no sistema carcerário estadual. A gestão sofreria de “autismo” e de “completo distanciamento da realidade”, como teria demonstrado a licitação para compra de lagosta e outros quitutes, suspensa depois de revelada pela Folha de S.Paulo e substituída por outra... que solicita caviar e uísque escocês. Embora assessores de Dilma Rousseff digam que Roseana Sarney perdeu capital eleitoral, a presidente não pretende dispensar o apoio da governadora e de seu pai, o ex-presidente do Senado e cacique peemedebista José Sarney. Foi por isso que a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, evitou defender a intervenção federal no estado e foi por esse motivo também que, diante de tanto sangue derramado em território maranhense, Dilma limitou suas manifestações a uma lacônica mensagem postada na sexta-feira no Twitter. O texto diz que ela acompanha “com atenção a questão da segurança no Maranhão”. Ana Clara não andará mais de bicicleta, não se vestirá de novo de princesa nem irá à escola neste ano pela primeira vez. Mas é tranquilizador saber que a presidente acompanha tudo com atenção. E que o Maranhão vai muito bem, obrigado.

Com reportagem de Alexandre Aragão, Pieter Zalis, Cintia Thomaz e Daniel Pereira


*Alteramos título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

11 de dez. de 2013

O país do estamos providenciando, coluna Carlos Brickmann

BRASIL - Opinião
O país do estamos providenciando
O mesmo torcedor é preso em Oruro, na Bolívia, e pouco depois em Salvador, na Bahia. Já esteve em Tóquio, no Japão. De onde tira tanto dinheiro?

Foto: Geraldo Bubniak / Fotoarena

VIOLÊNCIA ROTINEIRA - Torcedores de Vasco e Atlético-PR brigam durante partida entre os dois times em Joinville, pelo Campeonato Brasileiro, neste domingo (8).

Postado por Toinho de Passira
Texto de Carlos Brickmann
Fonte: Site Brickmann & Associados Comunicação

As autoridades prometem que, daqui pra frente, tudo vai ser diferente, o torcedor briguento de futebol vai aprender a ser gente. O pior é que não somos só nós que sabemos que é tudo conversa mole: as autoridades também sabem.

1 - O mesmo torcedor é preso em Oruro, na Bolívia, e pouco depois em Salvador, na Bahia. Já esteve em Tóquio, no Japão. De onde tira tanto dinheiro?

2 - Um torcedor foi fotografado, na briga das torcidas organizadas do Atlético Paranaense e do Vasco da Gama, com um porrete quase do tamanho dele, com pregos na ponta. Por mais ingênuo que seja o policial, ou o porteiro, ou o segurança, que é que imaginou que ele pretendia fazer no estádio com o porrete? OK, temos de admitir que há possibilidades diversas, mas com pregos na ponta?

3 - Um ex-vereador de Curitiba, Juliano Borghetti, do PP, membro do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, membro da Comissão Especial para Assuntos da Copa 2014, superintendente da Ecoparaná, aliado do governador tucano Beto Richa, foi fotografado no meio da briga de atleticanos e vascaínos. Enfim, uma autoridade ativa! Pena que sua atividade seja participar de guerra de torcidas.

A solução para pacificar os estádios é simples: a mesma da Inglaterra, e não há falta de câmeras por aqui. É identificar e punir os baderneiros - ou com proibição de ir ao jogo, supervisionada pela Polícia, ou com prisão. E aqui? Por cerca de um ano, funcionou no Ministério da Justiça a Comissão Técnica de Combate à Intolerância Esportiva. Neste ano não houve brigas em estádios. Ao assumir, o ministro José Eduardo Cardozo acabou com ela.

Por que? Perguntem a ele, oras!

Parecia bom

Pior do que a ideia má é a falsa boa ideia. Eleição direta no futebol, por exemplo. Para garantir o apoio de uma massa organizada, a diretoria do clube abre os cofres para as torcidas organizadas (as que provocam as brigas). Surgem as viagens subsidiadas, os ingressos gratuitos ou com descontos, para que os líderes possam revendê-los, e se forja a aliança entre clube e baderneiros. Experimente o caro leitor comprar um ingresso numerado e, ao encontrar sua cadeira ocupada, chamar o segurança. Ele não vai tomar providência alguma.

Sabe quem manda.

15 de out. de 2013

Fazendeiro seria o autor do assassinato do promotor, por causa de conflito agrário com sogro da vítima

BRASIL - Violência
Fazendeiro seria o autor do assassinato do promotor, motivado por conflito agrário com sogro da vítima
O promotor Thiago Faria Soares, assassinado brutalmente, ontem em Itaíba, Agreste do estado, havia atuado na reintegração de posse de propriedade ocupada há vários anos por um fazendeiro, em benefício do seu sogro. Atualmente morava nessas mesmas terras, depois de tê-las arrematadas num leilão. Anteriormente, a corregedoria do Ministério Público, sabedora de sua participação no evento, advertiu-o dos riscos e transferiu-o compulsoriamente da comarca. Ele teimosamente continuou residindo no local.

Foto: Facebook

O jovem promotor Thiago Faria morto brutalmente ontem

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Jornal do Commercio, Folha de Pernambuco, Folha de São Paulo, Diario de Pernambuco

Conflito agrário pode ter sido o motivo da execução do promotor Thiago Faria Soares, 36 anos, na manhã de ontem, na PE-300, nas proximidades de Itaíba, Agreste do estado, a 331 km do Recife. Essa é a principal linha de investigação da Polícia Civil.

Ontem, o governador do estado, Eduardo Campos, garantiu que pedidos de prisão preventiva foram solicitados junto à Justiça.

Nesta tarde, a Polícia Civil de Pernambuco anunciou já identificou o principal suspeito do assassinato do promotor, confirmando que o crime está relacionado com disputa de terras na cidade e não estava ligado diretamente com sua atuação profissional, no Ministério Público de Pernambuco.

Segundo o chefe da Polícia Civil, Oswaldo Moraes, o fazendeiro José Maria de Paula, envolvido em uma disputa de terra com o pai da noiva do promotor, é apontado pelas investigações como o mandante do crime. Já há um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça contra o suspeito,que se encontra foragido.

No momento em que foi assassinado com quatro tiros de uma espingarda calibre 12, o promotor estava acompanhado da noiva, a advogada Mysheva Freire Ferrão Martins, e do tio dela Adautivo Elias Martins. Ele conduzia um Hyunday prata na altura do km15 quando foi interceptado por ocupantes de um Fiat Uno preto. A advogada teria conseguido escapar pulando do carro após o primeiro disparo. Ela foi socorrida com escoriações na Maternidade João Vicente, em Itaíba, onde recebeu alta médica ontem mesmo.

Foto: Paulo Paiva/DP/D.APress

A casa da fazenda onde o promotor residia, anteriormente na posse do fazendeiro José Maria de Paula, suspeito do crime, que se encontra foragido

O promotor, que estava com casamento marcado, já morava com a noiva, Mysheva Freire Ferrão, na Fazenda Nova, em Águas Belas, exatamente a terra que pode ter motivado o crime. A fazenda anteriormente estava na posse do fazendeiro, agora o principal suspeito de mandante do crime. O promotor teria atuado na reintegração de posse desta terra em benefício da família da noiva, no caso, do próprio sogro. Em seguida, as terras teriam sido colocadas para leilão através do Banco do Nordeste e, na ocasião, o promotor teria arrematado a propriedade, onde passou a residir.

Pelo seu comportamento nos fatos, Thiago Faria foi advertido pela Corregedoria Geral do Ministério Público de Pernambuco, que temendo pela segurança do servidor, e reprovando sua atuação, removeu-o compulsoriamente de Águas Belas, para Itaíba. Não se pode dizer que sua participação no caso chegou a ser ilegal, mas contém componentes de falta de ética e de muita falta de bom senso.

Foto: Facebook

Thiago Faria, num evento, exibindo, orgulhoso, os livros de sua autoria

PROFESSOR THIAGO

O promotor Thiago Faria Soares, 36 anos, era carioca, e graduou-se em direito pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ). Morava desde 2005 em Pernambuco, onde atuou como professor em diversos cursos preparatórios para concursos, como o Complexo de Ensino Renato Saraiva (CERS), reputado como a maior instituição de ensino a distância do Brasil, além de Espaço Jurídico e ATF Cursos Jurídicos.

Era conhecido inicialmente como Thiago Godoy, sobrenome de sua primeira esposa. Quando se divorciou, em 2011, passou a ser chamado pelos alunos de Thiago Faria. Consagrou-se como professor de direito civil, sendo reconhecido nacionalmente por suas aulas.

Além da carreira como docente, que o fez ser professor convidado do programa Saber Direito, da TV Justiça, do Supremo Tribunal Federal. Thiago Faria é autor de dezenas de artigos que foram publicados em revistas jurídicas especializadas e escreveu diversos livros jurídicos, como as recentes obras Saberes do Direito 17 - Direito Civil 3 e Passe na OAB - 2ª Fase - Teoria & Modelos - Civil, publicadas pela Editora Saraiva. Seus livros servem de base para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e para vários concursos.

Aprovado no último concurso para o Ministério Público, em 2008, ele foi nomeado promotor de Justiça em 30 de novembro do ano passado e assumiu o cargo em dezembro. Tinha uma irmã um ano mais velha e era filho de pais divorciados. De acordo com informações de um amigo próximo, Thiago Faria não falava com o pai. O carioca não tinha parentes residindo em Pernambuco, apenas a ex-mulher, Aline Godoy. Antes de conhecer a atual noiva, ele teve outras duas namoradas e noivou com ambas.

Foto: Facebook

Mysheva Freire Ferrão, a noiva, exibiu anel que recebera do seu noivo, o promotor Thiago Faria

CASAMENTO ESTAVA MARCADO PARA DIA 1º

A advogada Mysheva Freire Ferrão Martins conheceu o carioca Thiago Faria Soares em Águas Belas, município vizinho a Itaíba, onde ele atuava como promotor desde dezembro do ano passado. Pertencente a uma família tradicional e que domina politicamente a região, a jovem iniciou o curso de direito na Universidade Salgado de Oliveira (Universo), mas se formou na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

Eles tinham casamento marcado para o próximo dia 1º de novembro. Em sua foto de perfil no Facebook, Mysheva aparece sorrindo ao lado de Thiago Faria, de quem ficou noiva em junho.

Em postagem sobre o noivado na mesma rede social, o promotor afirmou: "Início de uma família! Momento mais feliz da minha vida até hoje, mas completo mesmo só com o casamento e com os filhos, que logo virão, se Deus abençoar".

Foto: Pedro Romero/JC

O carro do Promotor atingido por balas na estrada de acesso a Itaíba

ITAÍBA, POBRE E COM HISTÓRICO DE VIOLÊNCIA

Com 26 mil habitantes, Itaíba é uma cidade famosa pela violência, principalmente devido aos crimes de pistolagem. Ontem, o clima na cidade mais uma vez ficou tenso, com o assassinato do promotor Thiago Faria Soares. O movimento de carros do Ministério Público e da polícia foi intenso durante todo o dia. Além da violência, o município é conhecido também pela pobreza, com um dos piores indicadores da educação no Estado e Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de apenas 0,510, um dos mais baixos de Pernambuco e do Brasil.

Em 2010, apenas 19,45% da população de 18 anos ou mais de idade tinha completado o ensino fundamental e somente 10,93% o ensino médio. As péssimas condições da infraestrutura seria uma das razões para a violência que impera na cidade.

Citada na Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou os crimes de pistolagem em 2000, pelo menos três grupos com cerca de 150 integrantes e envolvimento de políticos, agiriam na cidade. Os grupos seriam responsáveis por crimes como assaltos a bancos e a carros-fortes. Ontem, apesar da morte do promotor, o fórum da cidade estava aberto e serviu de local para reuniões entre promotores e delegados. A segurança na cidade foi reforçada e policiais de grupos especiais faziam diligências para tentar prender os suspeitos de terem assassinado Thiago Faria.

ENTERRO

O corpo de Thiago Faria foi sepultado hoje, no fim da tarde, no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, na região metropolitana do Recife.

20 de set. de 2013

SWAT de Arkansas, alega legítima defesa, ao metralhar velhinho de 107 anos

ESTADOS UNIDOS – Violência Policial
SWAT de Arkansas, alega legítima defesa,
depois de metralhar velhinho de 107 anos
Monroe além de centenário tinha problemas auditivos e estava praticamente cego. Foi cercado pela polícia no seu quarto devido à queixa de outros moradores da residência onde alugará um quarto. Como não se entregou pacificamente e ameaçava os policiais com disparos, acabou morto, a tiros, dentro do seu dormitório. Nenhum policial resultou ferido.

Foto: Arquivo familiar

PERIGOSO? - Monroe Isadore no dia do seu aniversário de 105 anos, dois anos atrás

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Daily Mail, Huffington Post, Ozarks First , Mirror, Everyjoe

Na pequena comunidade de Pine Bluff, Arkansas, EUA, Monroe Isadore, um homem de 107 anos de idade, foi morto, atingido por vários disparos, por membros de uma equipe da SWAT, no sábado, 7 de setembro. As autoridades insistem em que os policiais agiram em legítima defesa e que o homem atirou primeiro e estava tentando acertar os polícias, no momento da ação extemada.

Membros da comunidade, estranham a versão, uma vez que o ancião um cidadão pacto, nunca representou perigo, e um pouco mais de paciência e habilidade para lidar com a situação poderiam ter evitado a tragédia. Destacam, inclusive, que Monroe, como era de se esperar, devido a idade, tinha grande dificuldades de audição e era praticamente cego.

Tudo começou quando a polícia foi chamada a casa onde ele morava, em Pine Bluff, Arkansas, por dois outros moradores que alegaram terem sido ameaçados, pelo velhinho armado, quando a dona da casa, outra anciã, Pauline Lewis, de 80 anos, senhoria de Monroe, pediu que ele desocupasse o quarto, onde moravam há um mês.

Ao receber a informação de que deveria procurar outro lugar para morar, o centenário velhinho, teria se tornado violento e de posse de uma pistola, trancou-se no quarto, avisando, para a velhinha: ' Se você quer viver é melhor você ficar longe dessa porta.

Sentindo-se ameaçada, ela chamou a polícia local. A polícia de Pine Bluff, não conseguiu fazer o velhinho se entregar pacificamente, apesar das tentativas de negociações, encerradas quando ele disparou pela janela.

Seguindo o protocolo, os policiais locais convocaram a Swat, a polícia que socorre policiais em dificuldades.

Foto: Danny Johnston/AP

CENA DO CRIME – A casa em Pine Bluff, Arkansas, onde tudo aconteceu, Isadore ameaçava atirar em qualquer um que se aproximasse da porta do seu quarto

O pessoal da Swat montou todo circo, tentou negociar, introduziu uma câmera robô no quarto onde o velhinho estava entrincheirado, para constatar sua localização e se ele estava realmente armado. Ele estava armado com uma pistola, que segundo se apurou depois, havia comprado há poucos dias.

Depois de horas de tentativas perdendo a paciência com o velho ranzinza decidiram invadir o quarto. Antecipadamente lançaram bombas de gás arrobaram a porta e foram recebidos à bala pelo velhinho. No tiroteio subsequente Monroe Isadore acabou morto, com uma saraivada de tiros (não foi divulgado ainda quantos), há vizinhos que falam que aconteceram mais de trinta tiros durante o ataque.

Agora o ministério público investiga se houve exagero, falta de perícia, ou violência injustificada para um contingente da Swat, bem armados e treinados, não terem conseguido a não ser eliminando, deter um velhinho de 107 anos.

Na cerimonia fúnebre na Igreja Batista Missionária, frequentada por Monroe, o pastor Anthony Craig, disse que estavam reunidos não para discutir como ele havia morrido, mas para celebrar a sua vida, enfatizando que a comunidade de Pine Bluff, havia perdido um tesouro. Um dos amigos lembrou o permanente bom humor de Monroe, dizendo que a forma violenta como ele morreu não reflete de forma alguma a forma de como viveu.

Monroe Isadore deixa três filhos, sete filhas, 27 netos e 66 bisnetos.

15 de set. de 2013

A 'justiça' do PCC, condenou à morte e executou, assassinos do menino boliviano morto em assalto

BRASIL – Violência Urbana
A 'justiça' do PCC, condenou à morte e executou, assassinos do menino boliviano morto em assalto
Sem direito a qualquer recurso, ou embargos infringentes, quatro dos bandidos que assassinaram o menino boliviano Brayan Yanarico Capcha, de cinco anos, durante um assalto na periferia de São Paulo, foram executados por ordem do PCC, Primeiro Comando da Capital, organização criminosa que opera em São Paulo. As execuções aconteceram dentro do Centro de Detenção Provisória de Santo André e num matagal do bairro do Jaçanã, na zona norte.


A carteira de Identidade boliviana do menino, Brayan Yanarico, assassinado durante assalto

Postado por Toinho de Passira
Fontes:  O Estado de S.Paulo

As mortes de quatro acusados de terem participado do assassinato do menino boliviano Brayan Yanarico Capcha, de cinco anos, durante um assalto à casa onde morava, no bairro de São Mateus, mostram a força do crime organizado em São Paulo e o modo como funciona tanto dentro quanto fora do sistema prisional, inteiramente à margem da ordem jurídica e das instituições judiciais.

O crime foi cometido há dois meses e meio numa das áreas da zona leste em que as taxas de latrocínio mais têm crescido, tendo como vítimas um número muito alto de imigrantes bolivianos. São pessoas pobres que, fugindo da miséria rural ou da fome nas periferias urbanas da Bolívia, vieram para o Brasil atraídas pelos postos de trabalho nas oficinas de costura e nas pequenas fábricas de confecções situadas nos bairros do Brás e da Mooca. Quase todos esses estabelecimentos empregam milhares de bolivianos em condições degradantes, com pagamento de salários aviltados e até privação de liberdade.

Alimentadas por atacadistas de roupas, que terceirizam a produção para reduzir custos, essas oficinas de costura e pequenas fábricas não têm existência legal e atuam numa zona cinzenta entre o cooperativismo perverso e o regime de semiescravidão. Além de cumprir uma jornada de trabalho das 6 às 22 horas sem receber hora extra e com hora predeterminada para ir ao banheiro, os costureiros imigrantes também não têm carteira assinada e ainda são obrigados a deixar seus passaportes com seus patrões.

Sem documentos, não têm como abrir contas bancárias, guardando em casa as pequenas poupanças que vão amealhando, tornando-se assim alvo fácil de quadrilhas, como a que assaltou a família Yanarico Capcha. Em apenas seis meses no Brasil, a família foi assaltada quatro vezes. O último assalto só ganhou destaque na imprensa porque os criminosos, irritados com o choro de Brayan, que estava no colo de sua mãe, mataram o menino com um tiro na cabeça.

Depois de um protesto promovido por cerca de 200 bolivianos em frente ao 49.º DP, em São Mateus, a polícia prendeu três dos cinco membros da quadrilha - enviando dois para o Centro de Detenção Provisória de Santo André e um para a Fundação Casa, por ser menor de idade. Antes mesmo que as autoridades oferecessem a denúncia criminal contra eles, o Primeiro Comando da Capital (PCC) entrou em cena.

Apesar de cometer boa parte dos crimes violentos de São Paulo, a facção alega não tolerar a morte de crianças. Dirigentes da organização detidos na Penitenciária de Presidente Venceslau - um presídio de segurança máxima - distribuíram uma circular em vários estabelecimentos do sistema prisional paulista, determinando a imediata execução dos integrantes da quadrilha que assassinou Brayan.

Dias depois da expedição da circular, os dois membros da quadrilha que estavam presos no Centro de Detenção Provisória de Santo André apareceram mortos, por terem ingerido uma mistura de creolina, cocaína e Viagra. E, quando os corpos foram recolhidos, detentos informaram aos agentes carcerários que a Polícia Civil não precisaria mais procurar os integrantes da quadrilha que estavam foragidos, pois o PCC já os havia assassinado a tiros, num matagal do bairro do Jaçanã, na zona norte. Os corpos já foram achados e identificados. Dos cinco integrantes da quadrilha, somente o menor internado na Fundação Casa - um adolescente de 17 anos - continua vivo. Por enquanto.

Até o momento, o Departamento de Homicídios ainda não atribuiu ao PCC a responsabilidade pelas mortes dos quatro acusados de terem assassinado Brayan.

"Não temos detalhes, mas nenhuma hipótese será descartada", disse o delegado Itagiba Franco. O irônico é que, dos quatro criminosos mortos, um cumpria pena numa penitenciária e, depois de ter recebido o benefício de passar o Dia das Mães em liberdade, acabou não voltando. Era um criminoso de alta periculosidade que recebeu, da Justiça, benefícios do regime da progressão - benefício esse que até o PCC considerou absurdo.

14 de jul. de 2013

Durante protesto, publicitária perde o olho,
atingida por granada de luz, atirada pela PM

BRASIL – Povo nas ruas
Durante protesto, publicitária perde o olho,
atingida por granada de luz, atirada pela PM
Durante a manifestação do dia 20 de junho, quando milhões foram as ruas do país, uma passeata pacífica no centro do Rio, transformou-se num ato violento. e houve confronto. A Polícia reagiu a vândalos que depredavam tudo pela frente. No meio disso a publicitária foi atingida por um artefato lançado pela tropa e perdeu o olho esquerdo

Foto: Fábio Seixo/O Globo

A publicitária Renata da Paz: protesto pacífico no Centro se tornou violento

Toinho de Passira
Texto de Pedro Doria, para O Globo
Fonte:   O Globo

O ápice dos protestos de junho ocorreu no dia 20, quando mais de um milhão de pessoas foram às ruas do país. É uma noite da qual a jovem publicitária Renata da Paz Ataíde, de 26 anos, jamais se esquecerá.

No Centro do Rio, segundo a PM, formavam um conjunto de 300 mil. Naquele dia, uma manifestação que por mais de duas horas se manteve pacífica repentinamente se descontrolou.

Um grupo de vândalos atacou o prédio da prefeitura na Avenida Presidente Vargas e, depois, o da Assembleia Legislativa, na Rua Primeiro de Março. Sinalização de rua, pontos de ônibus e agências bancárias foram depredados.

A Tropa de Choque da PM reagiu com balas de borracha, gás de pimenta e bombas de efeito moral. O clima foi tenso, as pessoas não sabiam para onde ir. E ali, perdida entre as ruelas do Centro, Renata perdeu o olho esquerdo após uma explosão.

A noite começara bem.

— Parecia clima de Copa do Mundo — ela lembra. — No metrô havia crianças, bandeiras, gente com a cara pintada.

Roqueira, Renata trazia uma cartolina na qual escreveu em letras grandes “Que país é este?” e, abaixo, “Todos acreditam no futuro da nação”.

Ela não foi sozinha. Renata é de Belém, Pará. Mudou-se para o Rio no dia 27 de janeiro. Primeira experiência longe da casa materna. Enquanto faz uma pós-graduação em marketing digital na ESPM, busca emprego. E divide um agradável apartamento na Tijuca com um amigo e uma amiga. O carioca Jorge Pereira, de 27 anos, estudante de Engenharia Mecânica na Uerj, é um deles. Foram juntos, de metrô. Saltaram na Presidente Vargas pela Uruguaiana quando já estava próximo das 19h. Seguiram com o povo para a prefeitura. A multidão cantou o hino.

— Eu estava muito feliz — conta Renata.

O clima ameno não se manteria por muito tempo. Quando já estavam no meio do caminho, começaram a ouvir de longe o barulho das explosões. Aí, o primeiro momento de pânico: pessoas correndo de volta. Ambos decidiram voltar. Foi também quando viram os primeiros vândalos depredando placas publicitárias.

Foto: Tomaz Silva/ABr

Policial da Tropa de Choque dispara granada de luz e som, semelhante a que produziu fragmentos e atingiu o olho da publicitária

PRÓTESE: MAIS DE R$ 100 MIL

Passava das 20h quando, buscando condução para sair, foram parar na Rua Primeiro de Março. Não sabiam que, naquele momento, outro grupo de vândalos se encontrava no Palácio Tiradentes, poucas quadras adiante. E que, com eles, estava o Batalhão de Choque.

Renata e Jorge não lembram em que transversal entraram. Talvez Rua do Rosário, talvez do Ouvidor. À frente, estavam dois soldados do Choque. Atiraram em sua direção uma bomba escura que, ao cair, gerou muito barulho e um clarão. Os dois se desviaram, veio a segunda.

Num primeiro momento, Renata achou que o clarão a cegara. Havia sangue em seu rosto. Algum tipo de fragmento, ainda desconhecido, já se instalara em seu globo ocular.

O ex-capitão do Bope e antropólogo Pedro Storani diz que, pela descrição, parece uma granada de luz e som, que serve para atordoar e solta fragmentos.

Foram também policiais militares que encaminharam Renata, em uma viatura, ao Hospital Souza Aguiar, onde ela passou por duas cirurgias. Uma reparadora do rosto, outra no olho. Já visitou cinco médicos, todos pessimistas. Provavelmente precisará de uma prótese do globo ocular. A conta sairá por mais de R$ 100 mil, e ela não tem seguro.

A não ser que o Estado a indenize, os pais terão de vender um imóvel. O caso foi registrado na 5ª DP (Gomes Freire).

— No início, estava bem deslumbrada com o Rio — conta. — Mas agora já tenho cotidiano de morador.

Renata frequenta a Lapa, faz entrevistas de emprego. Quando pode, vai à praia:

— Gosto do Rio. Quero continuar vivendo aqui.

Procuradas, a Polícia Militar e a Secretaria municipal de Saúde não deram informações sobre o caso.

12 de jun. de 2013

Câmara estuda liberação da compra de armas

BRASIL - Violência
Câmara estuda liberação da compra de armas
Proposta em discussão nas comissões permite a venda para qualquer brasileiro com 25 anos ou mais, sem antecedentes criminais. Porte de armas continuará restrito

Foto: Wikipedia

Escultura de um Colt Python.357 Magnum, conhecida como a “arma atada”, obra do artista sueco, Carl Fredrik Reuterswärd. Diante do edifício da ONU, Nova Iorque.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Mariana Haubert, para Congresso em Foco
Fonte: Congresso em Foco

A Câmara estuda uma proposta de revogar o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03), existente desde 2003 e que restringiu e dificultou a venda e o porte de armas para civis. Deputados se preparam para colocar em pauta na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, ainda antes do recesso parlamentar de julho, um projeto que visa facilitar a compra de armas no país para autodefesa.

O artigo 35 do Estatuto do Desarmamento trazia a possibilidade de proibição total de compra e porte de armamento para civis. Para isso acontecer, era preciso fazer uma consulta à população. Em 2005, um referendo realizado em todo país manteve a possibilidade da venda de armas e munições no Brasil dentro das restrições previstas. Na época, 64% dos eleitores rejeitaram a restrição por completo. Adaptar à legislação à vontade da população é o argumento usado agora para revogar o estatuto.

De autoria do deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC), o projeto altera os critérios para aquisição de armas, suprimindo a obrigação de comprovar “a efetiva necessidade”, como exige a legislação em vigor. As regras para a cassação do direito de porte de armas são semelhantes às atuais, e a fiscalização ficará a cargo dos órgãos policiais dos estados e do Distrito Federal, sob supervisão do Departamento de Polícia Federal, por intermédio do Sistema Nacional de Armas (Sinarm). Apesar de facilitar a compra de armas, a proposta mantém o porte restrito.

Para portar uma arma de fogo, será necessário, segundo o projeto, ter no mínimo 25 anos e não possuir nenhum antecedente criminal. Será preciso ainda fazer antes um treinamento de manuseio e tiro, além de não poder responder a processos criminais. O porte de arma sem autorização será considerado crime. “Acredito que a pessoa, para ter o porte de arma, precisa ter maturidade. É preciso uma pessoa madura para que ela tenha equilíbrio psicológico e não coloque, de forma irresponsável ou aleatória, em risco a vida de outras pessoas”, diz o relator da proposta na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, Cláudio Cajado (DEM-BA).

Atualmente, a concessão e renovação do porte de arma e a fiscalização cabem ao Sinarm. “Acho que o porte tem que ter critérios e regras bem estabelecidos na lei para que a pessoa possa ter o direito a portar a arma. Mas o registro não pode ser tão restritivo como é hoje. Atendidos os pré-riquisitos que a lei prevê, aí qualquer cidadão poderá adquirir a sua arma e tê-la em casa, mas não para transportá-la consigo”, explica Cajado.

Foto: José Cruz/ABr

Em 2005, 64% dos eleitores votaram "não" e mantiveram a venda de armas no país

O deputado baiano, Cláudio Cajado, defende a aprovação do texto com a premissa de assegurar “o direito universal à posse de armas”, ao mesmo tempo em que restringe o porte. “

“A existência de parcela da sociedade apta a defender suas vida e propriedade, na ausência eventual de agente do poder público que o proteja, desestimulará os delinquentes de agredirem os interesses juridicamente protegidos, ao atacarem indistintamente as pessoas de bem”, argumenta.

O tema é considerado polêmico entre deputados. Especialmente quando outros assuntos relacionados à violência e à segurança pública estão sendo discutidos, como a redução da maioridade penal.

Desde a entrada em vigor, em 1º de janeiro de 2004, o Estatuto do Desarmamento já foi modificado quatro vezes. Em boa parte, para ampliar as categorias profissionais que podem ter acesso ao porte de armas. Em 2004, por exemplo, ficaram autorizados os integrantes de guardas municipais de cidades com mais de 50 mil habitantes. Em 2007, entraram integrantes das carreiras de auditoria da Receita Federal de auditoria fiscal do Trabalho, além dos demais auditores fiscais e dos analistas tributários.

“É uma proposta muito polêmica. Temos que reservar uma sessão só para ela. Mas vamos analisar e colocar em votação assim que der, possivelmente mais para o fim do mês”, afirma o presidente da Comissão de Relações Exteriores, Nelson Pellegrino (PT-BA). Uma vez aprovado, o texto ainda será analisado pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e de Constituição e Justiça antes de ser votado em plenário.

O relator reconhece o caráter controvertido do projeto. “Este é o projeto mais polêmico em discussão na Câmara atualmente. Acredito que vai ser um grande debate ainda, apesar de eu ter tentado ao máximo aprofundar a discussão sobre armamentos e munições”, acrescenta Cajado, que entregou o seu relatório à comissão na semana passada.


7 de mai. de 2013

VEJA: Os órfãos da impunidade

BRASIL -
VEJA: Os órfãos da impunidade
As pessoas que ficam desassistidas quando um parente mata alguém são tão vítimas quanto as que choram a perda de um pai de família num assalto? Mais: é sensato usar do mesmo grau de compaixão para com um menino de 19 anos morto na frente de casa por causa de um celular e um rapaz de 17 anos que atirou contra a sua cabeça mas “não sabia o que estava fazendo”?

Detalhe da capa da Veja desta semana

O pagamento do “bolsa-bandido” explodiu nos últimos doze anos e chegou a quase 40 000 famílias; enquanto isso, uma geração de órfãos do crime cresce desassistida no Brasil.

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Laura Diniz e Julia Carvalho
Fonte: Veja

Hoje, quase 40 000 presos brasileiros podem dormir tranquilos em sua cela com a certeza de que sua família está amparada pelo estado. Graças ao estímulo do governo federal, o número de criminosos que requereram e obtiveram o auxílio reclusão aumentou 550% de 2000 a 2012 — uma alta que se deu em um ritmo três vezes maior do que o da população carcerária. Entre os principais auxílios previdenciários, o chamado “bolsa-bandido” é o segundo que mais cresceu nos últimos anos. atrás apenas da ajuda para quem sofreu acidente de trabalho. A média de pagamento por família é de 730 reais mensais, acima do salário mínimo no país, de 678 reais. É correto que alguém que roubou ou matou tenha direito a um benefício desses? As pessoas que ficam desassistidas quando um parente mata alguém são tão vítimas quanto as que choram a perda de um pai de família num assalto? Mais: é sensato usar do mesmo grau de compaixão para com um menino de 19 anos morto na frente de casa por causa de um celular e um rapaz de 17 anos que atirou contra a sua cabeça mas “não sabia o que estava fazendo”? O debate sobre a violência no Brasil atingiu um grau de insensatez capaz de borrar a distinção entre criminosos e vítimas. Para ajudar a restabelecer essa fronteira, a reportagem de VEJA foi a cinco regiões do país ouvir as mais frágeis vítimas dessa situação: os órfãos do crime, crianças e adolescentes que perderam o pai, a mãe ou ambos nas m3os de criminosos.

No Brasil, ao contrário do que acontece em países como França e Estados Unidos, familiares de alguém morto por bandidos não têm direito a nenhum benefício exclusivo, embora possam contar com o auxílio previdenciário genérico da pensão por morte — no valor de 920 reais, recebidos pelos dependentes dos contribuintes da Previdência Social. Já o auxílio-reclusão foi criado com a finalidade específica de proteger as famílias dos criminosos também contribuintes. Ele é fruto de dois conceitos jurídicos. Um deles diz que, diferentemente do que ocorre nas ditaduras, na democracia admitem-se somente penas individuais — ou seja, a família do criminoso não pode pagar pelos erros dele. O outro prevê que, quando o estado, detentor do monopólio da força, tira a liberdade de um provedor de família, deve sustentá-la. Seriam premissas indiscutíveis não fosse o fato de que o estado brasileiro já conta com uma rede de proteção social perfeitamente capaz de amparar uma família pobre que perde seu arrimo, por morte ou outro motivo, sendo a mais notória delas o Bolsa Família. Para especialistas, isso tira o sentido de uma proteção específica para familiares de alguém que violou as regras da sociedade. “Trata-se de uma cota para quem fez o mal”, diz o filósofo Denis Rosenfield.” O estado deveria garantir a segurança, não beneficiar alguém que quebrou essa segurança. Em última instância, a família da vítima ajuda a pagar um benefício à família da pessoa que destruiu a sua.”

As crianças mostradas nesta reportagem perderam seus pais para o crime que mais pavor desperta nas grandes cidades, o latrocínio. É o roubo seguido de morte, e muitas vezes precedido de agressão, quando não tortura — como ocorreu no caso da dentista queimada viva por bandidos por ter apenas 30 reais em sua conta (veja na pág. 92). Em catorze estados brasileiros com estatísticas criminais precisas, o número de latrocínios se mantém estável há alguns anos — de 2007 a 2011 eles têm registrado, juntos, cerca de 1000 por ano. Em São Paulo, o número de latrocínios aumentou 18% na comparação entre o primeiro trimestre deste ano e o do ano passado. A percepção geral é de que os criminosos apertam o gatilho com uma facilidade cada vez maior. Policiais que convivem todos os dias com essas situações e especialistas que estudam o tema têm uma explicação. Segundo eles, a idade média dos bandidos diminuiu — passou dos 20 e poucos anos para menos de 20. Isso significa que hoje há bandidos mais impulsivos e mais inseguros — do tipo que se assusta e atira com mais facilidade do que um criminoso experiente. “Além disso, quanto mais jovens eles são, menor é a maturidade emocional e maior a sua vulnerabilidade a pressões. Querem se impor, e para isso só têm a força”, explica o psicólogo Antonio Serafim, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica, do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Derramar um líquido inflamável sobre o corpo das vítimas e ameaçar atear fogo é um recurso comum entre jovens assaltantes de residências”, diz um policial experiente de São Paulo.

O conjunto de ações que pode derrubar os latrocínios é o mesmo que pode provocar uma queda generalizada dos demais delitos. Uma boa iluminação pública e rondas ostensivas da Polícia Militar diminuem a probabilidade de criminosos abordarem a vítima nas ruas. A apreensão de armas de fogo das mãos dos bandidos também reduz as possibilidades de um roubo terminar em morte. Uma investigação policial eficiente é fundamental, à medida que tira de circulação bandidos que poderiam evoluir de batedores de carteira para latrocidas. Finalmente, a condenação a penas severas é o antídoto mais eficaz contra a impunidade — por sua vez, o principal combustível a alimentar o círculo vicioso do crime.

Não existem fórmulas novas. A diferença está no maior ou menor rigor com que elas são aplicadas — e na coragem de tratar como criminosos os que cometem crimes e como vítimas os que de fato o são. As crianças desta reportagem não vão mais à escola de mãos dadas com seus pais, não os terão por perto para assistir à sua primeira comunhão, presenciar suas primeiras vitórias esportivas, comemorar o primeiro emprego, levá-las ao altar quando se casarem nem brincar com seus filhos. Alguém, munido de uma arma e do desejo de roubar, tirou-lhes tudo isso. Não pode haver dúvidas sobre quem são as vítimas.