17 de nov de 2011

BRASIL
Lula, o barbudo eterno, sem barba
O presidente divulga as primeiras fotos do visual antecipando os efeitos da quimioterapia, que por certo já se pronunciava. Ninguém se lembrava como era o presidente sem barba.

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

O presidente fez questão de divulgar as primeiras imagens sem os pelos. Por enquanto deixou o bigode, mas esse também não sobriverá ao tratamento. Se tudo ocorrer como o previsto, na campanha eleitoral, lá para os idos de agosto, o ex-presidente já estará recomposto, de barba, cabelo e bigode.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Instituto Lula , Veja

Na tarde de ontem (16), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu com a barba e o cabelo raspado, antecipando a queda causada pela quimioterapia usada em seu tratamento contra o câncer de laringe. Dona Marisa Letícia foi a barbeira que cortou o cabelo e fez a barba do ex-presidente.

Lula começou o tratamento no dia 31 de outubro último. Na primeira sessão de quimioterapia, os médicos do Hospital Sírio-Libanês responsáveis por seu tratamento contra o câncer na laringe diagnosticado no ex-presidente, dois dias antes, introduziram um cateter sob a pele na região do peito. O cateter ficará alojado na região até o fim do tratamento.

Em cada uma das três sessões de quimioterapia – com intervalo de 21 dias entre cada uma -, os medicamentos serão injetados, por meio de uma agulha acoplada a esse cateter, por até 120 horas em pequenas doses. Encerrado o período de 120 horas, a agulha é retirada do cateter.

No primeiro dia de tratamento, passou o dia no hospital, só na manhã de terça, após exames, voltou para casa.

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Associated Press

Durante a primeira sessão, que se assemelha, em tese, a uma aplicação de soro, o ex-presidente, recebeu a visita da presidenta Dilma Rousseff, que se acompanhada do Ministro da Fazenda Guido Mantega.

A previsão é de que as sessões de quimioterapia terminem na primeira quinzena de janeiro. Após três ou quatro semanas, será iniciada a radioterapia. Nessa etapa, Lula ficará deitado dentro de um equipamento no qual é emitida uma radiação direcionada ao local do tumor. O procedimento será repetido durante sete semanas e deve ser encerrado até o final de fevereiro. Segundo os médicos, só será possível garantir que o ex-presidente está curado do câncer se não houver recorrência do tumor nos próximos cinco anos.

O cirurgião de cabeça e pescoço Luiz Paulo Kowalski explicou que, no caso de Lula, uma cirurgia para a remoção do tumor seria mais arriscada e só será cogitada caso o tratamento atual não faça efeito.

“O tumor não se fixou nas cordas vocais porque foi descoberto a tempo, mas está muito próximo, logo, não teríamos uma margem de segurança”, disse.

“Há 15 anos essa seria a alternativa mais provável, mas hoje está comprovado que a quimioterapia e a radioterapia oferecem as mesmas possibilidades de cura e minimizam a apresentação de sequelas”.

De acordo com o oncologista Paulo Hoff, as chances de sucesso do tratamento são muito boas, mas ele poderá provocar alguma alteração na voz de Lula.

“Estamos trabalhando para que seja uma alteração mínima e não haja nenhum impacto nas atividades normais dele”, afirmou.

Os médicos na ocasião avisaram que o ex-presidente iria perder também outra marca registrada: a barba. Os médicos relataram que a queda de pelos para pacientes com câncer que são submetidos à quimioterapia é inevitável.

A equipe médica que atende o ex-presidente confirma que as causas mais prováveis do câncer na laringe são o uso de cigarro e de álcool – duas substâncias que acompanham Lula há anos.

Segundo Luiz Paulo Kowalski, esse tipo de tumor é mais comum em homens e São Paulo tem a maior incidência do problema no país.

“Em todo o mundo, há de seis a sete casos em cada 100.000 homens por ano. Em São Paulo, o número anual é de 16 a cada 100.000, provavelmente pelo maior uso de tabaco e pela poluição."

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Dona Marisa, uma fumante inveterada, dois maços de cigarros por dia, escanhoando o ex-presidente, que dizia que havia parado de fumar, e puxava um cigarrinho escondido dos médicos, até pouco tempo.


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