BRASIL - IMPUNIDADE: Jaqueline Roriz é absolvida pelos comparsas
31/08/2011
BRASIL - IMPUNIDADE Jaqueline Roriz é absolvida pelos comparsas Os colegas parlamentares absolveram a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) no processo de cassação do seu mandato. Dois terços dos deputados presentes acharam que não foi nada demais que ela tenha recebido um pacote de dinheiro originário de corrupção, registrado em vídeo. Nem ela disse que era inocente. Mas os parlamentares não vacilaram em encamparam o argumento de que ela quando praticou a corrupção ainda não era parlamentar. Pensando bem, o resultado não foi uma surpresa. Os deputados foram coerentes: como podiam condenar uma colega se a grande maioria tem o rabo preso?
Foto: Diógenis Santos/Agência Câmara Postado por Toinho de Passira
A própria deputada usou a sessão que definiu seu futuro para falar na Casa pela primeira vez sobre o episódio. Frustrando as expectativas, porém, ela não entrou no mérito do caso. Jaqueline preferiu atacar a imprensa. "Lamentavelmente vivemos um período em que parcela da mídia devora a honra de qualquer pessoa". Fez ataques também ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que a denunciou na semana passada. Para ela, o processo que enfrentou na Câmara deveu-se a "absoluto interesse político". Em seu pronunciamento, Jaqueline tentou dar um tom emocional ao caso. Ela afirmou ter sofrido muito junto com sua família e citou até o problema de um filho que sofre de hemofilia. Terminou seu discurso pedindo aos colegas que não a condenassem de forma "sumária". O relator do processo tentou rebater a defesa argumentando que o fato só foi conhecido em 2011 e, portanto, teria de ser encarado como novo. "O ato indecoroso existe para que possamos extirpar do parlamento aquele que praticou ato contra o parlamento. Isso só pode ser discutido no momento em que o fato veio a luz", disse o relator. Sampaio citou que a própria Jaqueline já tinha pedido a condenação de uma colega quando esteve diante de uma situação similar. Em 2009, a Câmara Legislativa da Distrito Federal cassou Eurides Brito por ter aparecido em vídeo recebendo dinheiro de Durval. Na ocasião, Jaqueline foi à tribuna e chamou a colega de "cara de pau" e "mau caráter". Os argumentos do relator, porém, foram poucos para demover os deputados a proteger um dos seus e, com isso, Jaqueline Roriz foi absolvida e poderá agora "resgatar plenamente" sua capacidade política, como ela afirmou. A última vez que a Câmara cassou um deputado foi no escândalo do mensalão. Naquela ocasião, foram cassados Roberto Jefferson (PTB), José Dirceu (PT) e o pernambucano Pedro Correa (PP). Naquele escândalo, outros seis deputados foram absolvidos em plenário. A jornalista Cristiana Lôbo, da Globo News, no seu comentário, disse que a mensagem que o plenário da Câmara dos Deputados deu é a de que não vai tomar nenhuma iniciativa para punir qualquer um de seus pares por denúncia anterior ao mandato: “Muita gente aqui (na Câmara) dizia que ela (Jaqueline Roriz) não deveria ser cassada para que não fosse aberto um precedente de avaliar e punir um parlamentar por acusação feita em período anterior ao mandato. Se isso ocorresse, iria sobrar muita pouca gente, segundo eles”. Cristiana registrou que a sensação que as pessoas têm é de que, depois que os políticos são eleitos, eles passam a ser intocáveis. “Enquanto a votação for secreta, isso vai acontecer, porque o desgaste fica pulverizado, não fica direto a uma pessoa. Por isso, se falou aqui no plenário em votar logo uma emenda constitucional que torne aberta a votação dos pedidos de cassação de mandatos de parlamentares”, disse Cristiana. Jaqueline Roriz ainda terá que responder sobre as denúncias na Justiça. Interessante é que a coisa tem dois pesos e duas medidas, apesar do crime ter sido cometido antes do mandato, e isso a teria livrado da cassação, o processo deverá correr no foro privilegiado do Supremo Tribunal Federal, uma vez que ela está investida do mandato de Deputada Federal. Um celeiro de gente processada e de má conduta, os nossos congressistas, protegem-se numa ação que vai além do corporativismo: na verdade, na hora de votar, cada um sente um frio na espinha, imaginando que a qualquer momento, um dos seus “maus feitos” possa vir à tona e a sua cabeça pode ser a próxima a ir à guilhotina. Foto:Ed Ferreira/AE
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