14 de nov. de 2011

BRASIL: Patrícia Acioli, a mártir de São Gonçalo

12/08/2011

BRASIL - VIOLÊNCIA
Patrícia Acioli, a mártir de São Gonçalo
”21 tiros no peito da Justiça”, essa é a manchete do jornal de São Gonçalo, na edição deste fim de semana, referente a execução da juíza, conhecida por condenar com severidade e celeridade os integrantes dos grupos de extermínio da cidade. Acioli estava marcada para morrer, e as autoridades do judiciário e do executivo sabiam, mas no momento da sua morte, ela estava sozinha, dirigindo o seu veículo, totalmente a mercê dos bandidos que a alvejaram impiedosamente, 21 vezes.

Foto: Reuters

Comoção no enterro da juíza assassinada no Rio

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Blog do Ricardo Setti, BBC News, O Fluminense, Extra, O São Gonçalo, Correio Braziliense, Extra, The Telegraph, O Dia, Extra, Yahoo Notícias, G1

A notícia do assassinato da juíza Patrícia Acioli, 44 anos, da 4ª Vara Criminal, de São Gonçalo, Rio de Janeiro, aumenta a sensação de insegurança de todos os cidadãos brasileiros. Os bandidos acham-se com os mesmos direitos a impunidade que os nossos políticos. Assim uma juíza que cumpria a lei e punha e mantinha na cadeia os bandidos que eram julgados no seu tribunal, acabou conhecida como a “mulher do martelo pesado”. Sua fama de competente, rigorosa na hora de inquirir os réus, por dar celeridade aos processos e considerar o crime cometido por um policial durante o serviço mais grave que o praticado por um cidadão comum, decretou sua sentença de morte.

Foto: Frederico Rozario/O Globo

Patrícia disse, em entrevista recente, que não acreditava que fosse morrer em função da sua maneira de atuar como juíza.

Patrícia Lourival Acioli, a juíza conhecida como linha dura, não agia arbitrariamente. Cumpria apenas a lei. Estivessem suas sentenças irregulares, seriam reformuladas e abrandadas pelo Tribunal de Justiça, que tem poderes e existe para corrigir excessos e irregularidades. Ela era apenas uma juíza do primeiro grau, sujeita a fiscalização e correição dos seus atos, por instâncias superiores. Os advogados dos bandidos apelavam de suas sentenças e não obtinham benesses para os seus clientes juntos aos desembargadores, porque ela, que por anos fora defensoras pública, conhecia bem os eu oficio, e não deixava brechas para a impunidade.

No seu currículo costa que mandou para prisão, com penas severas, mais de 60 maus policiais, só no período em que foi a juíza criminal de São Gonçalo. Como seus últimos atos, recentemente, ela havia decretado a prisão de Luiz Anderson de Azeredo Coutinho, tido como o maior bicheiro da cidade, envolvido com o crime organizado, além de 11 milicianos, acusados de mais de 100 assassinatos.

Foto: Osvaldo Praddo/Agencia O Dia

Policias e peritos examinam o corpo, sem vida, de Patrícia Acioli, no local do crime .

Pelos primeiros relatos, os perigosos bandidos das organizações criminosas do Rio, juntaram-se para usar Patrícia como exemplo. Dois carros cheios de bandidos, duas motos pilotadas por assassinos montaram uma emboscada para exterminá-la. Talvez eles se achem valentões e corajosos, mas foram precisos dez bandidos e 21 tiros, a maioria na cabeça, para silenciar a juíza Patrícia Acioli, sozinha, dirigindo o seu carro, numa pacata rua do bairro de Piratininga, em Niterói, diante de sua residência. Pelas capsulas encontradas no local, os criminosos utilizaram pistolas calibre 40, usada pelas polícias civil e militar, e pistola calibre 45, de uso exclusivo das Forças Armadas.

Patrícia estava marcada para morrer e havia provas disso. Vários telefonemas para o disque denuncia, com confirmação, anunciava a execução que se avizinhava. Em janeiro deste ano, quando o chefe de grupo de extermínio Wanderson Silva Tavares, o Gordinho, de 34 anos, atuante na jurisdição da juíza assassinada, foi preso, tinha no bolso, uma "lista negra" com 12 nomes de pessoas marcadas para morrer, entre eles estava o nome de Patricia Acioli.

Agora, depois de morta, Patrícia Lourival Acioli é tardiamente motivo de comoção e carinho. As autoridades fingindo circunspeção anunciam rigorosos inquéritos, punição de criminosos e frases de efeito, como a de que “a morte da juíza não será em vão”. Mas para o povo de São Gonçalo e do Brasil, o sentimento é de orfandade. Na segunda-feira Patricia não estará no Forum, com seu entusiasmo legalista, armada apenas do ideal, do senso de justiça e da coragem dos que sabem que cumpre os seu dever. Por outro lado, os bandidos estarão muito mais felizes e seguros de sua impunidades.

Foto: Rafael Andrade/Folhapress

A mãe da juíza Patrícia Acioli acompanha o enterro da filha no cemitério de Maruí, em Niterói (RJ)

Após o crime, diz o Jornal de São Gonçalo, o filho da juíza, em prantos, quebrou o vidro do carro com uma pedra na tentativa de socorrer a mãe. Patrícia morreu nos braços do adolescente. Morreu nos braços de todas as vítimas de crimes que ela ajudou a desvendar e punir os culpados


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