16 de nov de 2011

Evo Morales forçado a desistir da transcocaleira

28/09/2011

BOLIVIA
Evo Morales forçado a desistir da transcocaleira
A estrada financiada pelo nosso BNDES foi barrada pela corajosa resistência dos índios bolivianos. E por burrada de Morales

Foto: Daniel Miranda/Associated Press

Evo Morales querendo se isentar da responsabilidade da repressão policial, pediu desculpa aos índios e mandou apurar e punir os responsáveis pela violência.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Pais de Elite News, Veja Abril, La Razón, Portal Terra, Reuters, La Prensa, Jornada Net

O presidente boliviano, não aguentou a pressão dos povos indígenas e resolveu arquivar, por enquanto a superfaturada estrada transoceânica, que ligaria por terra o Brasil ao Pacífico, 300 quilômetros rasgando a selva boliviana, apelidada pelos críticos de transcocaleira.

Ano passado o presidente Lula e Evo Morales assinaram os protocolos de financiamento da rodovia, agora contestada pelos índios bolivianos. O Brasil financiaria a obra com US$ 320 milhões, financiados pelo nosso BNDES.

“Na Bolívia, suspeita-se que o financiamento do BNDES seja uma maneira de conferir contratos vantajosos a construtoras brasileiras sem fiscalização rigorosa. Os promotores bolivianos investigam um superfaturamento de 215 milhões de dólares na transcocaleira. “

Foto: Aizar Raldes/AFP/Getty Images

Os indios foram cercados pela polícia de choque, reagiram : acabaram presos e espancados.

Foto: Imagem da TV Bolivia/Reuters


Primeira página do Jornal El Diário/Detalhe do flagrante da ação policial

Alguns líderes indigenas humilhados pela Tropa de Choque, desagradou os bolivianos de todas as camadas sociais. 

Cerca de 1.500 indígenas empreendiam uma marcharam de 600 km, desde Trinidad, no centro do país, até a capital La Paz, contra a realização da obra. Haviam chegado ao povoado de Yucumo, 300 quilômetros da capital, quando foram confrontados neste domingo, por tropas enviadas pelo governo, que visava dispersá-los, antes da chegada a La Paz.

Foto: Pavel Alarcon/La Prensa

Os protestos, contra a estrada, antes restritos aos indigenas, espalharam-se em todas as regiões bolivianas. No cartaz, numa marcha na capital, o repúdio contra a possibilidade das plantações de soja e de coca, nas reservas indigenas

As cenas de lideres indígenas amordaçados e algemados presos como marginais, ocuparam as primeiras páginas dos jornais bolivianos. O que era uma questão indígena transformou-se numa questão nacional. Em todas as regiões do país aconteceram veementes protestos a favor da luta indígena e contra a “estrada brasileira.”

O subcomandante da Polícia, general Óscar Muñoz, assegurou que os agentes responderam com violência ao serem ameaçados por nativos armados com flechas, mas o defensor público, Rolando Villena, rejeitou essa versão e exigiu de Morales a "cessação imediata da violência", como já fizera o escritório da ONU em La Paz.

A resistência indígena ao projeto põe em xeque o compromisso de Morales com a preservação ambiental, e expõe as divergências dentro do partido dele, o Movimento ao Socialismo.

Alguns parlamentares governistas manifestaram apoio ao protesto. Morales é muito popular entre os indígenas quéchua e aimará que vivem no Altiplano, mas enfrenta forte oposição nas áreas baixas do país, inclusive por parte de indígenas guaranis e dos que vivem no Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), que seria cortado pela estrada.

A ministra da Defesa, Cecilia Chacón, não gostou da repressão policial aos índios e pediu demissão do cargo
A ministra boliviana da Defesa, Cecilia Chacón, pediu demissão do cargo. Saiu jogando meleca no ventilador, protestando contra a violência policial contra os índios, responsabilizando indiretamente Morales pelos incidentes.

A repercussão negativa do confronto de domingo pode deixar o governo na defensiva em meio à campanha para uma inédita eleição direta de juízes, em outubro, que são parte das reformas com as quais Morales promete dar mais poder político aos indígenas.

Condenando a violência das tropas que mandou para enfrentar e dispersar os manifestantes, Evo Morales quer sair da questão como um dos indignados pelos acontecimentos, mas a oposição prepara um movimento para responsabilizá-lo, pelo malsucedido evento.

Por enquanto o que se vislumbra é um prejuízo para aqueles que pensavam em embolsar gordas comissões com o projeto, que facilitaria entre outras coisas a rota de exportação de cocaína para o Brasil.

Por tudo isso, nós brasileiros temos o dever de nos solidarizarmos e agradecermos aos corajosos índios bolivianos.

Foto:Gaston Brito/Reuters

Manifestante exibe sua indignação contra Evo Morales


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