22 de nov de 2011

EUROPA
Crise economica já derrubou 10 governos, pode derrubar mais
Os eleitores espanhóis foram às urnas neste final de semana e derrubou o governo de Zapatero. Repetiu-se a história: desde maio do ano passado quando os trabalhistas ingleses sofreram uma derrota histórica, praticamente todos os governos que tem se submetido ao julgamento dos eleitores, vem sofrendo derrotas frustrantes, não importam a ideologia, nem a qualidade do adversário. O inimigo comum de todos é a economia, na versão de desempregos, redução de aposentadorias, aumento de impostos e poucas perspectivas de crescimento.

Foto: Getty Images

O primeiro ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, o décimo governante europeu vitimado pela crise econômica

Postado por Toinho de Passira
Fontes:El Pais, PSOE, Publico, Correio do Brasil, DCI

Neste fim de semana os espanhóis foram às urnas e fizeram o primeiro ministro José Luis Rodríguez Zapatero, apear do poder. O seu partido, o PSOE (Partido Socialista Obrero Español), perdeu mais de 4,3 milhões de votos, desde o último pleito. Por outro lado o líder do PP (Partido Popular), de centro-direita, Mariano Rajoy, celebra a retumbante vitória nas eleições legislativas: elegeu 186 deputados, maioria absoluta, mais da metade do congresso espanhol que possui 350 cadeiras. O PSOE, de Zapatero, elegeu apenas 110 deputados.

Repete-se o script de praticamente todas as últimas eleições ocorridas na Europa: a crise econômica vem derrubando, um a um, os atuais governantes, pondo a oposição no poder, responsabilizando, culpados ou não, os atuais dirigentes pelas agruras que tem que enfrentar.

Não há uma corrente politica em evidência. Derruba-se o governo de esquerda, para dá lugar a um de direita, e vice-versa. Conservadores ou progressistas, todos estão em risco, se estão no poder e tem que enfrentar um pleito.

Insatisfeitos com a maneira como os governos administram a crise, os eleitores ao irem às urnas mudaram os governos de oito países: Islândia, Dinamarca, Grécia, Grã-Bretanha, Holanda, Irlanda, Espanha e de Portugal. Fora das urnas, por pressão popular e política caíram ainda os governos centrais da Grécia, com a queda de George Papandreou e da Itália, que expeliu Silvio Berlusconi .

A comentarista politica, Sara España, do jornal espanhol, El Pais, realça que “os trabalhistas ingleses liderados por Gordon Brown foram ceifados nas eleições de 6 de maio de 2010". Obtiveram seu pior resultado desde 1983 contra os conservadores de David Cameron, que se tornou primeiro ministro.

Não foi diferente na Holanda: o então primeiro-ministro democrata-cristão Jan Peter Balkenende perdeu nas urnas 20 assentos. Amargou uma queda de eleitores nunca experimentada em 23 anos de vida de seu partido, a Democracia Cristã (CDA). Manteve-se no poder em um governo de coalizão. Pela primeira vez em 92 anos, um liberal ganhou o Executivo holandês.

Os resultados das eleições gerais na Irlanda em fevereiro deste ano confirmaram a queda do Fianna Fáil, partido dominante na política irlandesa desde a independência. Deixou de ser o partido mais votado para ser o terceiro lugar e perdeu 24% dos votos.

O Partido Socialista (PS) Português não tinha conhecido pior resultado nos últimos 20 anos até as eleições de junho. O primeiro-ministro José Sócrates, caiu após a derrota. Com apenas 28% dos votos em comparação com os 38,7% do Partido Social Democrata.

Em Setembro deste ano, os eleitores da Dinamarca encerrou a rotina de 10 anos dos sucessivos governos do Partido de centro-direita populista Povo Dinamarquês (DF). O bloco de centro-esquerda da oposição, liderada pelo socialdemocrata Helle Thorning-Schmidt, venceu a eleição geral ao conseguir 50,3% dos votos em comparação com 48,9% à direita.

Apenas na Suécia os conservadores conseguiram renovar seu mandato em setembro de 2010. A boa gestão econômica do Fredrik Reinfeldt e seu projeto de reforma moderada da previdência social convenceram os suecos a permitir que, pela primeira vez em sua história que a Aliança para a Suécia governasse por dois mandatos consecutivos.

A próxima vítima pode ser o governo francês: o presidente Nicolas Sarkozy, que vai tentar a reeleição no próximo ano, está atrás nas pesquisas lideradas pelo socialista François Hollande, adversário político de Sarkozy.

Há quem diga que destino semelhante espera o presidente americano Barack Obama nas eleições do próximo ano. Mesmo que os republicanos tenham encontrado até agora, um candidato viável para enfrentar o atual ocupante da Casa Branca, mesmo que ele tenha recebido do republicano George Bush, a herança maldita, assim mesmo corre o risco de perder, não derrotado pelos republicanos, mais pela economia mundial destroçada.


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