16 de nov de 2011

BRASIL - SAÚDE: A furadeira do SUS

07/09/2011

BRASIL - SAÚDE
A furadeira do SUS
Parece filme de terror tipo B, mais é realidade, os médicos paraibanos denunciaram que sob a tutela do SUS, estão fazendo cirurgias cranianas, utilizando furadeiras de construção, ao invés do equipamento apropriado, o craniótomo. O governo quis negar, mais os médicos mostraram fotos das furadeiras nas salas de cirurgias prontas para serem utilizadas.

Foto:Valdir Delmiro

A furadeira, no bloco cirúrgico, pronta para entrar no cérebro de um paciente do SUS na Paraíba.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Valor, Notícia UOL, Notícia UOL, G1, Paraíba.com, Blog do Josias de Souza

Parece um roteiro de filme de terror as denuncias da Associação Médica da Paraíba, mostrando que os neurocirurgiões do Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, o maior da Paraíba, são obrigados a usar, por falta de equipamento adequado, furadeiras, do tipo usado na construção civil, para abrir a cabeça dos pacientes com traumas de alto risco, como nos casos de aneurisma cerebral.

A denúncia faz crer que os paraibanos não são os únicos contemplados com essa excrecência médica. Para complementar eles ainda enumeram que o tratamento desumano aplicado aos pacientes, inclui falta de macas para conduzir os pacientes, desde a porta do hospital até o local do atendimento, pois as que existem estão ocupadas nas enfermarias, servindo inadequadamente de leito para internados, devido à superlotação.

Tudo foi exposto pelo médico Ronald Farias, da Associação Médica da Paraíba, em uma audiência pública na Câmara Municipal de João Pessoa. Segundo ele, o instrumento cirúrgico apropriado, o craniótomo, substituído pela furadeira, está quebrado há mais de um ano, sem que haja uma aparente disposição oficial de adquirir um novo.

Todo mês, pelo menos 35 pacientes, do Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena tem a cabeça perfurada cirurgicamente com essas furadeiras industriais, em cirurgias, consideradas delicadas e de alto risco. O médico expôs que com o uso da furadeira comum, o risco de morte, aumenta consideravelmente, entre outros motivos, porque sua utilização faz a cirurgia durar mais de uma hora, enquanto como o craniótomo, o tempo médio do procedimento é de dez minutos. Acrescente-se aí o aumento de possibilidade de infecção hospitalar.

As fotos enviadas pelo médico Valdir Delmiro, conceituado neurocirurgião paraibano, uma das referencias nacionais na especialidade e presidente da Cooperativa dos Cirurgiões do Hospital Senador Humberto Lucena, para o site G1, mostrando furadeiras nas salas cirúrgicas, prontas para serem usadas em intervenções cranianas, calou de vez o governo da Paraíba e o pessoal do SUS, que haviam reagido procurando desacreditar a denuncia.

Segundo Delmiro, além do Hospital Senador Humberto Lucena o procedimento também é adotado no Hospital Ortotrauma, localizado em Mangabeira, bairro de João Pessoa.

Desde setembro de 2009 a ANVISA proibiu oficialmente o uso de furadeiras domésticas em procedimentos cirúrgicos. Num documento a Agencia Federal determina o banimento “das furadeiras domésticas da rotina dos serviços de saúde”. Explica que o craniótomo permite ao cirurgião controlar e regular a rotação do equipamento que pode ser e mantida em cada faixa; podem dispor de sistema resfriamento das ferramentas, que previne a necrose dos tecidos abordados, por excesso de calor; utiliza broca autoblocante que após a perfuração do osso, desarma automaticamente; por fim, possui características próprias de esterilização indicadas pelo fabricante.

Por outro lado, as furadeiras domésticas, segundo a ANVISA, Não apresenta controle da rotação; pode aspirar partículas de osso para seu interior; não pode ser esterilizada, com segurança; a lubrificação a óleo pode contaminar o campo cirúrgico; e por fim não está protegida do risco de descarga elétrica.

Por isso, o gerente da Agência de Vigilância Sanitária da Paraíba, Ivanildo Brasileiro, mandou inspecionar e apreender as furadeiras encontradas nos hospitais paraibanos, em utilização médica, uma vez que o equipamento não está catalogado como instrumento cirúrgico.

Assim, o que parecia muito ruim, piorou: sem o craniótomo e sem as furadeiras, os médicos, dos hospitais paraibanos, até que se faça uma licitação e se providencie o instrumento adequado, vão ter que abrir os crânios dos pacientes da emergência, com pregos e martelos.


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