16 de nov de 2011

Mil por um: a troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas

19/10/2011

ISRAEL
Mil por um: a troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas
O sargento Shalit, do exército de Israel, prisioneiro de radicais de Gaza, há cinco anos, foi trocado por mil palestinos, num acordo entre o governo israelita e os lideres do Hamas. Enquanto em Tel Aviv comemorava-se a volta do militar na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, centenas de milhares de palestinos comemoraram a libertação dos prisioneiros, soltos na terça-feira. Entre as principais palavras de ordem gritadas pela multidão estava o slogan "queremos mais Shalit", exortando militantes palestinos a capturarem mais soldados israelenses para conseguir a libertação de mais prisioneiros palestinos detidos em cadeias de Israel.

Foto: Reuters

Gilad Shalit (esquerda) é visto ao lado de seu pai Noam na base aérea de Tel Nof, no centro de Israel, nesta foto divulgada pelas Forças de Defesa de Israel nesta terça-feira.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:BBC Brasil, Portal Terra, Reuters

A notícia internacional mais importante de ontem, foi a libertação do soldado israelense Gilad Shalit e de centenas de palestinos que cruzaram as fronteiras de Israel em sentidos opostos, nesta terça-feira, numa troca de prisioneiros, que trouxe alegria para as famílias, embora pouco represente para amenizar décadas de conflito.

Em uma das maiores trocas entre os dois lados, o sargento Shalit, de 25 anos, foi levado através da fronteira entre a Faixa de Gaza e a península do Sinai, do Egito, e entregue num posto de fronteira israelense, de onde foi conduzido a um helicóptero que o esperava para transportá-lo a uma base aérea de Israel, onde se encontrou com seus pais.

Foto: Ahmed Jadallah/Reuters

Simultaneamente, Israel começou a libertar 477 presos palestinos dos mais de 1.000 que fazem parte do acordo. Testemunhas viram o primeiro grupo chegando a Gaza. Outros devem ser libertados na Cisjordânia ocupada.

Outro grupo de 550 deve ser libertado ainda neste ano, e cerca de 40 estão sendo enviados para exílio na Turquia, Catar e Síria.

Foto: Moran Maayan/Associated Press

A celebração em Israel

O ambiente em Israel era de júbilo, com cartazes de "bem-vindo ao lar" nas ruas e passageiros do transporte público assistindo ao vivo transmissões da troca em telefones celulares.

Shalit era visto como "o filho de todos" e pesquisas de opinião mostraram que a maioria dos israelenses apoiava o acordo mil-por-um, embora muitos dos presos libertados tivessem sido condenados por ataques que resultaram em mortes de judeus.

Foto: Canal 10 TV Egípcia via Reuters

"Senti falta de minha família", disse Shalit, que estava magro e respirando às vezes com dificuldade, em entrevista a uma TV egípcia antes de ser entregue a Israel. A declaração à emissora foi divulgada depois de sua transferência para Israel.

"Espero que este acordo vá promover a paz entre Israel e os palestinos", disse ele. No enclave costeiro palestino, líderes islâmicos do Hamas alegaram defesa pela hostilidade em relação a Israel que, nesta terça-feira pelo menos, ofuscou os esforços dos rivais liderados pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas, na Cisjordânia.

Mas não havia nenhum sinal de Israel ou do Hamas de que o acordo poderia ser um ponto de partida para o diálogo.

Foto: Ilia Yefimovich /Getty Images

Palestinos à espera dos prisioneiros libertados em um posto de inspeção na Cisjordânia jogaram pedras em soldados israelenses, que responderam com gás lacrimogêneo, depois que os militares anunciaram para a população que o grupo havia sido levado para outro ponto da fronteira

"O povo quer um novo Gilad, o povo quer um novo Gilad", clamavam dezenas de milhares de pessoas em um comício em Gaza para os prisioneiros libertados, pedindo que seus combatentes capturassem mais soldados para ajudar a libertar alguns dos 5.000 palestinos ainda detidos por Israel.

Foto: Eric Gaillard/Reuters

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, saudando o retorno de Shalit para casa, advertiu os ex-prisioneiros de que eles estariam "colocando suas vidas em risco" se "retornassem ao terror."

Defendendo o acordo que deixou um sabor amargo em Israel, Netanyahu disse que sentiu a dor dos parentes de israelenses mortos por alguns dos palestinos libertados, mas salvar um soldado do cativeiro era um imperativo bíblico judaico.

"É um dia difícil", disse ele, descrevendo o preço pago por Israel pela libertação de Shalit como elevado.

O Egito ajudou a mediar o acordo e seu governo interino apoiado pelo Exército buscou reviver o papel diplomático chave no Oriente Médio. 

Foto: Canal 10 TV Egípcia via Reuters

No primeiro vídeo de Shalit divulgado desde 2009, antes de sua libertação, imagens da televisão egípcia mostraram o soldado em trajes civis e com um boné de beisebol. Sem sorrir e aparentando confusão, Shalit andava rapidamente escoltado por membros do Hamas, que seguravam seus braços ao retirá-lo de um veículo.

Segundo comentaristas políticos, parecia improvável que o acordo entre dois grandes inimigos tivesse um impacto imediato sobre os esforços de reviver as negociações de paz entre israelenses e palestinos. Mas o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse esperar que o acordo tenha um impacto positivo sobre o processo paralisado.

Foto: Ronen Zvulun/Reuters

Os pais de Shalit, Noam Schalit e Aviva Schalit, fizeram uma campanha pública para insistir que o líder de direita fizesse mais para assegurar a libertação do filho e montaram uma tenda de protesto perto da residência de Netanyahu.

Para os palestinos, este foi um momento de celebrar o que o Hamas descreveu como uma vitória. Em Gaza, território tomado pelo Hamas em 2007 do movimento Fatah, de Abbas, foi declarado feriado nacional e jovens carregando bandeiras tomaram a cidade.

Foto: Hatem Moussa/Associated Press

O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, abraçou os prisioneiros libertados conforme eles desciam dos ônibus.

"Essa é a maior alegria para o povo palestino", disse Azzia al-Qawasmeh, que esperava em um posto de controle na Cisjordânia por seu filho Amer, que estava na prisão havia 24 anos.

Foto: Ibraheem Abu Mustafa/Reuters

Na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, centenas de milhares de palestinos comemoraram a libertação de 477 prisioneiros, soltos na terça-feira.

Alguns veem o acordo de troca de prisioneiros como um impulso para o Hamas às custas de Abbas, que renunciou à violência em favor de um diálogo, mas até agora não conseguiu ver os anos de negociações com Israel produzirem grande progresso rumo a um Estado palestino.

Na véspera da troca, foi anunciado que os esforços internacionais para reviver as negociações de paz após 13 meses do colapso por causa dos assentamentos construídos por Israel fracassaram em reunir os dois lados para encontros marcados para o dia 26 de outubro em Jerusalém.

Enviados do Quarteto de mediadores, formado por Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU, farão sessões separadas com autoridades israelenses e palestinas. O Hamas se opõe ao processo de paz.

Por outro lado, o acordo de troca de prisioneiros assinado pelo primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e o Hamas deu proeminência ao grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza como liderança nacional dos palestinos, na opinião de analistas israelenses.

Depois da libertação de Shalit, o analista do canal 10 da TV israelense, Chico Menashe, afirmou que o acordo entre Israel e o Hamas significa "pena de morte para Abu Mazen (apelido do presidente palestino Mahmoud Abbas, que é do laico Fatah)" e a "coroação" do Hamas, que é rival do Fatah.

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