15 de nov de 2011

CUBA - OPINIÃO: Moeda falsa

23/08/2011

CUBA - OPINIÃO
Moeda falsa
A blogueiro cubana comenta simbolicamente que a moeda que tem a esfinge de “Che” Guevara, desvalorizada e sem serventia é usada para enganar cubanos distraídos ou como souvenir barato para turistas


LEGENDA

Yoani Sánchez
Fontes:Desde Cuba - Generación Y

O menino puxava a saia pedindo um caramelo enquanto o segurança lhe exigia a nota fiscal e alguém pedia a mesma para o guarda-volumes. Em meio a toda essa loucura cometeu o erro de não conferir o troco da compra, pouco mais de 6 CUC que deveriam durar até o final do mês. Quando chegou a casa descobriu que – escondida entre as moedas – havia uma com o rosto de Che Guevara, que de sua olhada majestática tentava se fazer passar por um peso conversível. A senhora voltou correndo para encarar a vendedora, porém ninguém lhe fez caso. Haviam-na enganado com um dos truques mais usados nas lojas de moedas fortes: entregar uma moeda de três pesos cubanos ao invés de um reluzente CUC, oito vezes mais valioso. Teve o impulso de jogar aquela insignificância monetária pela janela, porém o marido lhe recomendou que vendesse para algum turista para obter o resto do dinheiro perdido.

A vida dá essas voltas imprevisíveis. O rosto do que foi presidente do Banco Central (1960) nos olha agora de uma moeda utilizada, majoritariamente, como souvenir ou como objeto de golpe. Aquele homem que teve a irreverência – outros dirão o desrespeito - de assinar o dinheiro nacional com seu curto apelido de “Che”, ficou encerrado num círculo de metal de valor duvidoso; capturado nessa dualidade monetária que jamais imaginou saracotear sobre o quimérico “homem novo” dos seus discursos. Ao redor dos hotéis vêem-se agora os velhinhos, de magras pensões, mostrando a “mercadoria“ desses três reluzentes pesos com um guerrilheiro de boina e jaqueta aos estrangeiros. Entretanto a mão sagaz de uma caixeira tenta empurrá-los no troco do cliente, aproveitando a distração de algum comprador distraído pelo filho que lhe pede um caramelo e o porteiro que lhe revista a bolsa.


* Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto

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