4 de jun. de 2009

Cuba esnoba OEA que abriu portas para seu retorno

Cuba esnoba OEA que abriu portas para seu retorno

Foto: Juan Manuel Herrera/OEA

A Ministro dos Negócios Estrangeiros de Honduras, Patricia Rodas que preside a 39ª Assembléia Geral da OEA proclama que a Organização dos Estados Americanos, por consenso readmite Cuba entre as nações integrantes do bloco, em San Pedro Sula

Fontes: Granma, The New York Times, Folha Online, BBC Brasil, OEA

Revertendo um dos marcos da Guerra Fria no continente, os chanceleres que participam da 39ª Assembleia Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), realizado em Honduras, chegaram nesta quarta-feira a um acordo para revogar a suspensão de Cuba que começou há 47 anos.

Segundo o equatoriano a decisão foi tomada "sem condições", mas estabelece mecanismos para o retorno de Cuba --incluindo a concordância do país de cumprir as convenções da OEA sobre direitos humanos e outros assuntos.

O governo americano, que foi representado no encontro nesta terça-feira pela secretária de Estado, Hillary Clinton, defendia que o retorno de Cuba à organização fosse condicionado a avanços do regime cubano no aumento das liberdades civis e políticas para atender aos critérios democráticos da OEA.

Vendo que seu discurso estava isolado e tendo coisa mais importante para fazer, Hillary abandonou a reunião, deixando no entanto representantes americanos a representar o país e foi juntar-se a Barack Obama, na sua visita ao Oriente Médio.

Em uma resolução de 1962, período da Guerra Fria, Cuba foi suspensa da entidade, pois os países-membros consideraram incompatível o regime marxista-leninista adotado pela ilha e suas relações com a União Soviética.

Foto: Arquivo - Reuters

Quando o embargo foi implantado Fidel Castro era assim, um gato revolucionário, 47 anos depois, quando pode voltar, a OEA Fidel está assim, um rato de esgoto

Ironicamente, à época, a suspensão de Cuba foi proposta pelo governo venezuelano do presidente Romulo Betancourt.

A organização, sob forte influência americana, acusou o regime cubano de receber armas de "potências comunistas extracontinentais", uma referência à União Soviética e à China.

Em outubro do mesmo ano ocorreu um dos episódios mais tensos da Guerra Fria, a chamada crise dos mísseis cubanos, quando a ex-União Soviética transferiu secretamente ogivas nucleares para a ilha.

Na época, os Estados Unidos alegaram que a relação de Cuba com os países comunistas ameaçava o equilíbrio da região.

Meses antes, em fevereiro, Washington adotou um embargo econômico à Cuba para retaliar as expropriações contra cidadãos americanos realizadas por Fidel Castro durante a Revolução Cubana de 1959.

A reincorporação de Cuba à OEA é mais simbólica do que prática. Tanto o líder cubano Fidel Castro, como seu irmão e presidente, Raúl Castro, anunciaram não estarem interessados em voltar à entidade, por considerarem-na um "instrumento" dos Estados Unidos para o controle regional.

A múmia do ditador cubano Fidel Castro escreveu no jornal estatal "Granma" nesta quarta-feira que a OEA deveria não existir, e que a organização, historicamente, tem "aberto portas para o Cavalo de Troia --os Estados Unidos-- devastar a América Latina".

O sonho de Castro é o mesmo de Hugo Chávez, criar uma Organização dos Estados Latinos Americanos, o que deixaria o império, os Estados Unidos, de fora, uma vingança cubana. Nos últimos anos, todos os países do hemisfério restabeleceram relações com a ilha, com exceção dos EUA, que ainda mantêm um embargo econômico ao regime cubano.


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