30 de ago de 2013

Síria, quem ganha e quem perde? – de Lucas Mendes, para a BBC Brasil

BRASIL - Opinião
Síria, quem ganha e quem perde?
Uma ajuda de americanos, ingleses e franceses poderia decidir a parada a favor dos rebeldes, entre eles membros da Al Qaeda, do Hamas e Hezbollah. Se os rebeldes da Al Qaeda assumissem o poder? Bashar al-Assad ou Al Qaeda, qual dos dois é pior?

Charge : John Cole - The Times-Tribune (USA).

Postado por Toinho de Passira
Texto de Lucas Mendes
Fonte: BBC Brasil

Na tela da televisão os números das redes de finanças e economia mostram quem lucrou com a ameaça de Barack Obama de atacar o governo sírio.

O petróleo teve a maior alta em 2 anos e as bolsas no mundo perderam mais de US$ 800 bilhões. Quem apostou na alta do petróleo e nas quedas das bolsas, ganhou. E ganhou de novo quando comprou ações na baixa quarta de manhã. Já subiram.

Minha teoria conspiratória é inspirada nos meus livros de histórias em quadrinhos do Super Homem. Um grupo da Intergang* da Metropolis, em busca de mais fortuna, compra mísseis químicos no mercado negro, contrata meia dúzia de terroristas para dispará-los contra a população civil. Depois aposta milhões na alta do petróleo e na queda das bolsas. Se apostassem só numa bolsa seria fácil identificar os ganhadores mas com o dinheiro espalhado por dezenas de bolsas pelo mundo é mais difícil.

Fiquei surpreso de não encontrar este enredo elementar na enorme lista de filmes conspiratórios. Há centenas deles. Também tinha pensado no filme Siriana, do George Clooney, mas a trama é diferente. O meu será o Siriana 2.

Dos enredos conspiratórios, o mais próximo ocorre em um episódio da série 24 onde um terrorista explode uma arma química no Oriente Médio para justificar o envio de tropas americanas. A arma foi fornecida pela CIA. Super conspiratório.

Há outras teorias na mesa. O Irã e a Rússia são os países mais interessados em ver os Estados Unidos atolados numa terceira guerra invencível que vai exigir tropas, armas e dólares durante vários anos. São suspeitos?

Fazer estas elucubrações é fácil. Difícil é explicar para os americanos o que Bashar al-Assad tinha a ganhar com um ataque de armas químicas. A situação dele na guerra civil melhorou nas últimas semanas. Muito mais lógico é um veneno vindo dos rebeldes, que não conseguem fazer progressos e precisam enfraquecer Al-Assad.

Uma ajuda de americanos, ingleses e franceses poderia decidir a parada a favor dos rebeldes, entre eles membros da Al Qaeda, do Hamas e Hezbollah. Os moderados perderam terreno.

Há outras respostas para a pergunta "por que Bashar al Assad teria lançado as armas?".

1 - Para desafiar a comunidade internacional e projetar firmeza.

2 - Para aterrorizar a população civil que ainda não fugiu e abriga os rebeldes.

3 - Aumentar a pressão nos rincões rebeldes que ainda resistem.

Há duas outras teorias: Quem lançou os mísseis errou na dose ou o irmão de Al-Assad, Maher, o terrível líder da guarda republicana, teria disparado os mísseis por conta própria.

Já morreram mais de 100 mil sírios, 2 milhões saíram do país e vivem miseravelmente em campos de refugiados. O que aconteceria com eles depois da queda de Al-Assad, seguida de uma guerra pelo poder entre os rebeldes?

Ou, mesmo sem uma guerra, se os rebeldes da Al Qaeda assumissem o poder? Bashar al-Assad ou Al Qaeda, qual dos dois é pior?

A maioria dos americanos, por grande margem, 90% numa das pesquisas, é contra uma operação militar na Síria. Os políticos estão divididos.

Há conservadores pró e contra uma intervenção. Os a favor argumentam que se for provado pelos inspetores da ONU que Al-Assad foi responsável pelo ataque e Obama não fizer nada, perderá credibilidade internacional.

Porque o Irã, a Coreia do Norte ou qualquer outro país deveria ter medo das ameaças dele?

Uma grande operação está fora dos planos. Se a comissão da ONU garantir que as armas vieram de Al-Assad, pelo rufar dos tambores, haverá uma intervenção cirúrgica, minimalista para destruir comunicações, depósitos de armas e bases aéreas.

Mas e se os inspetores da ONU disserem que os mísseis podem ter vindo dos rebeldes? O preço do petróleo vai cair, a bolsa vai subir e a Intergang vai sair no lucro.
*Intergangue é um bando intergaláctico capaz de enfrentar e por em risco, o Super-Homem e outros super-heróis dos quadrinhos. São apoiados com armas e tecnologia fornecido por vilões do planeta “Apokolips”. A Intergangue foi criado por Jack Kirby, desenhista, roteirista e editor de Histórias em quadrinhos, em 1970

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