4 de set de 2012

Histórica medalha de ouro do brasileiro Alan Fonteles

BRASIL – Paraolimpiada – Londres 2012
Histórica medalha de ouro do brasileiro Alan Fonteles
Finalmente o atleta paraolimpico Alan Fonteles recebe a medalha de ouro, a que fez jús, após vitória sobre o lendário sul-africano Pistorius que derrotado reclamou das próteses usadas pelo brasileiro, ao Comitê Paralímpico Internacional, validou a vitória do paraense.

Foto: Matt Dunham / AP


Foto: Getty Images

MEDALHA DE OURO HISTÓRICA - A chegada sensacional do brasileiro, numa arrancada final, ultrapassando o sul-africano

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, O Globo, Revista Época, Globo Esporte

O atleta paraolímpico brasileiro Alan Fonteles, 20 anos, mais rápido na prova dos 200m na categoria T44, subiu ao pódio nesta segunda-feira (3) para receber a medalha de ouro. O sul-africano Oscar Pistorius, que conquistou a medalha de prata, também subiu ao pódio, depois de ter reclamado do resultado da disputa, realizada na noite de domingo (2).

Pistorius, também conhecido como 'Blade Runner' era considerado, até então, o bi-amputado mais rápido do mundo.

A polêmica começou nas eliminatórias do sábado (1º), quando Pistorius criticou as próteses usadas por Fonteles e pelo americano Blake Leeper (medalha de bronze na prova dos 200m T44), que deixam os atletas alguns centímetros mais altos. Depois da prova realizada no domingo, Pistorius fez uma reclamação oficial ao Comitê Paralímpico Internacional (IPC), mas foi orientado a repensar sua atitude depois que a "emoção da derrota" tivesse passado.

Nesta segunda-feira, o atleta sul-africano, conhecido como "Blade Runner", pediu desculpas ao brasileiro. "Eu jamais iria diminuir o momento de triunfo de outro aleta. E quero me desculpar pelo momento em que diz meus comentários, após a corrida. Eu creio que existe um problema aqui e saúdo a oportunidade de discuti-lo com o CPI. Mas reconheço que levantar essas preocupações imediatamente ao sair da pista foi um erro", disse. "Aquele foi o momento de Alan e eu gostaria de deixar registrado que tenho respeito por ele".

A controvérsia surgiu logo após a vitória de Fonteles na final dos 200 metros rasos, cujo recorde era detido por Pistorius, também conhecido como 'Blade Runner' e considerado até então o bi-amputado mais rápido do mundo.

Fonteles, que ultrapassou Pistorius nos instantes finais da corrida para conquistar o ouro paraolímpico, foi acusado pelo sul-africano de ter sua altura ajustada em "quatro polegadas acima do permitido".

"Sem tirar o mérito do desempenho de Alan, mas esses caras estão muito maiores e você não pode competir (com eles)", afirmou Pistorius, logo após a derrota.

Foto:Associated Press

PODIO - Alan Fonteles, do Brasil, medalha de Ouro (recorde mundial): Pistorius, Africa do Sul, medalha de Prata: Blake Leeper, Estados Unidos, medalha de Bronze

O Comitê Paraolímpico Internacional (CPI) confirmou como legítima a vitória do brasileiro. Segundo a organização, todos os competidores tiveram suas próteses auditadas antes da corrida, de acordo com o manual de classificação.

Existe um corolário de regras complexas que definem o limite de altura das lâminas que compõem as próteses. A proporção é regulada de acordo com a altura do atleta amputado.

O guia de CPI do ano passado determina uma fórmula detalhada para o cálculo do tamanho das próteses e leva em conta características anatômicas, dimensões e outros fatores.

Apesar de os cálculos minuciosos que orientam o manual de classificação do CPI, sempre há espaço para debate. O argumento de Pistorius é de que tal metodologia está errada ou que a letra da lei não foi imposta.

O sul-africano, que detinha o recorde mundial da modalidade (200 metros rasos), disse que, embora haja um procedimento-padrão de checagem das lâminas protéticas antes da competição, "os fiscais raramente fazem a medição na sala de espera".

Ao fazer tal declaração, Pistorius teria dado a entender de que lâminas diferentes poderiam ser adicionadas à prótese após a inspeção.

A indireta foi negada por Fonteles, que, por sua vez, alegou que usou as mesmas próteses utilizadas no mês passado.

Pistorius criou em torno de si uma aura de que era o atleta bi-amputado mais rápido do mundo, uma espécie de Usain Bolt com próteses. Ele também foi um modelo inspiracional do movimento paraolímpico, ao vencer barreiras legais para se tornar o primeiro atleta amputado a competir nos Jogos Olímpicos, em Londres deste ano.

Por todos esses motivos, a medalha de prata foi considerado um choque.

Foto: Adrian Dennis/AFP/GettyImages

SUPERANDO A LENDA - Até esse domingo, em Londres, o atleta paraense, Alan Fonteles Cardoso Oliveira , era chamado de o Oscar Pistorius, brasileiro.

Para o especialista em Jogos Paraolímpicos Tony Garrett, há uma sensação de dejá vu. Quando Pistorius apareceu pela primeira vez a público, o homem a ser batido era o americano Marlon Shirley, amputado de apenas uma perna.

Quando Pistorius venceu Shirley na final dos 200 metros rasos nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, os mesmos questionamentos foram levantados, incluindo acusações do campeão perdedor. "Quando Oscar Pistorius derrotou Marlon Shirley, Shirley afirmou que as próteses de Pistorius também eram maiores", disse Garrett.

Para Garrett, polêmicas à parte, o campeão sul-africano teria sido derrotado simplesmente porque "cantou vitória antes do tempo".

"Eu acho que Pistorius estava confiante na vitória e foi pego de surpresa. Em caso afirmativo, foi um erro que acabou lhe custando o ouro", afirmou.

Pistorius e Fonteles ainda vão se enfrentar em mais três provas: 100m e 400m T44 e no revezamento 4x100m.


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