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6 de ago. de 2014

Por que a guerra Israel-Hamas é típica guerra Exército-Guerrilha? - Gustavo Chacra

Oriente Médio - Opinião
Por que a guerra Israel-Hamas é típica
guerra Exército-Guerrilha?
O Exército de Israel não é diferente de nenhum outro Exército do mundo. O Hamas tampouco é diferente de outras guerrilhas urbanas do mundo.

Charge: Joep Bertrams – Het Parool - Amsterdam - Holanda

Postado por Toinho de Passira
Texto de Gustavo Chacra
Fonte: Estadão

O Exército de Israel não é diferente de nenhum outro Exército do mundo. Não é o mais moral e tampouco o mais cruel. Atua da mesma forma que a maior parte das Forças Armadas do mundo atuariam se enfrentassem uma guerrilha como o Hamas.

Como exemplo, pegue os Estados Unidos, do celebrado Barack Obama, Nobel da Paz. Seus Drones bombardeiam o Yemen para combater a Al Qaeda. Mas no fim morrem centenas de civis nestes ataques. E olhe que os iemenitas não lançam um foguete sequer contra o território americano.

Noto que os conflitos mais sanguinários do Oriente Médio no pós Guerra envolveram potências não árabes – Irã (Guerra Irã-Iraque), EUA (Guerra do Iraque) e França (Guerra da Argélia). Todos mataram bem mais do que qualquer conflito entre israelenses e palestinos.

O Hamas tampouco é diferente de outras guerrilhas urbanas do mundo. Age de forma similar a outros grupos guerrilheiros, independentemente da região. Suas táticas são comuns em uma zona com elevada densidade demográfica, bloqueada e enfrentando um Exército superior. É um pouco óbvio que se esconderão no meio da população.

Trata-se de um conflito assimétrico. Não há condições de nenhum dos lados sair totalmente vencedor, embora guerrilhas, como o Hamas, tendem a sair vencedoras ao não perderem. Foi o que aconteceu no atual conflito.

A única forma de estabilidade definitiva seria um acordo de paz. Isso também já ocorreu em outras partes do mundo. Os europeus, que são o povo que mais se matou na história da humanidade, hoje vivem em relativa paz, a não ser pela Ucrânia.

Por que no Oriente Médio, onde nunca houve violência que chegasse aos pés da violência europeia, judeus e árabes não conseguirão o mesmo?
*Guga Chacra é comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY.
**Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

4 de mai. de 2013

Israel ataca, na Síria, comboio que transportava armas destinadas ao Hezbollah

ORIENTE MÉDIO
Israel ataca, na Síria, comboio que transportava
mísseis destinadas ao Hezbollah
O presidente dos EUA, Barack Obama, disse neste sábado que Israel tem o direito de se proteger contra a transferência de armas avançadas para o Hezbollah, um dia depois de Israel atacar comboio no território Sírio.

Foto: Ofer Sidom / Flash 90

Caça F-16, da Força Aérea israelense, possivelmente semelhante aos usados no ataque à Síria

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Stern, The Telegraph, Time of Israel, The New York Times, Al Jazeera, Reuters

Israel realizou um ataque aéreo contra um carregamento de mísseis na Síria, que tinha como destino as guerrilhas do Hezbollah no vizinho Líbano, confirmou neste sábado uma autoridade israelense.

Obama, em uma entrevista para a rede de língua espanhola Telemundo, como parte de uma turnê de três dias na América Latina, deixou claro que os ataques seriam justificados.

"O que eu disse no passado, e eu continuo a acreditar, é que os israelenses justificadamente têm de se proteger contra a transferência de armamento avançado para organizações terroristas como o Hezbollah. Nós coordenamos de forma muito próxima com os israelenses, reconhecendo que eles estão muito perto da Síria, e muito perto do Líbano ", afirmou.

Israel deixou claro há tempos que está preparado para usar a força para impedir que armas sírias, inclusive o arsenal químico do presidente Bashar al-Assad, cheguem aos xiitas do Hezbollah, ou a insurgentes islâmicos que promovem uma revolta contra o governo sírio há mais de dois anos.

O Hezbollah, que é aliado do Irã, um dos maiores inimigos de Israel, chegou a entrar em guerra contra o Estado judaico em 2006 e continua sendo uma potencial ameaça aos olhos israelenses. Outra preocupação dos judeus é de que, em caso de uma eventual queda de Assad, rebeldes islâmicos possam voltar suas armas contra o país após décadas de relativa calma na região fronteiriça das Colinas de Golã.

O ataque ocorreu depois de o gabinete de Segurança do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ter aprovado o ato em um encontro secreto na noite de quinta-feira, informou a fonte.

Fontes do governo sírio negaram ter informações sobre um ataque. Bashar Ja'afari, embaixador do país na Organização das Nações Unidas (ONU), disse à Reuters: "Não estou ciente de ataque algum neste momento".

Mas Qassim Saadedine, um comandante e porta-voz do Exército Livre da Síria, disse: "Nossa informação indica que houve um ataque israelense em um comboio que estava transferindo mísseis para o Hezbollah. Ainda não confirmamos a localidade".

Unidades rebeldes discordaram quanto a qual tipo de arma estava no comboio. Um membro da inteligência do grupo disse que o carregamento era de mísseis antiaéreos: "Houve três ataques de caças F-16 de Israel, que danificaram um comboio carregando mísseis antiaéreos para o partido libanês xiita, na estrada militar Damasco-Beirute".

O ministro das Relações Exteriores libanês foi crítico a Israel: "Ataques como esse resultarão em mais tensão", disse. "Isso não dará a Israel a paz ou a segurança que pretendem, mas vai colocar a região em uma luta inflamada e rumo ao desconhecido."

Israel permanece tecnicamente em guerra com a Síria. O país capturou as Colinas de Golã em 1967, construiu assentamentos e anexou a região ao seu território. Mesmo assim, conflitos são raros, e a região está relativamente pacificada há décadas.

Mas as preocupações israelenses cresceram desde que militantes ligados à Al Qaeda assumiram um papel importante na revolta contra Assad.

O Estado judaico também quer impedir que o Hezbollah tenha armas químicas e outros tipos de arsenal, mais eficiente e com maior poder de destruição, que possa atingir Israel a partir do território Palestino.

30 de nov. de 2012

Em Israel, vitória da Palestina no ONU
é considerado 'bofetão diplomático'

BRASIL -
Em Israel, vitória da Palestina no ONU
é considerado 'bofetão diplomático'
A aprovação na Assembleia Geral da ONU da elevação do status palestino na entidade para "Estado observador não-membro" - uma resolução a que Israel e Estados Unidos se opuseram traz consequência diferentes no Oriente Médio. De um lado os palestinos festejam, o que chamam a certidão de nascimento da sua pátria, do outro os judeus, cobram do primeiro minsitro Netanyahy, o que chamam de uma derrota vergonhosa

Foto: Marko Djurica / Reuters

Um menino palestino acena com uma bandeira Palestinain durante um comício na Cisjordânia, em Ramallah, na festa de comemoração da resolução na ONU

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, Times of Israel, Haaretz , The New York Times, G1, Ultimo Segundo com AP, Reuters e AFP

Enquanto nos territórios palestinos a população comemora o novo status de "Estado observador não-membro" nas Nações Unidas, em Israel o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu vem sendo responsabilizado pelo que os críticos consideram uma grave derrota diplomática.

Nesta quinta-feira, a Assembleia Geral da ONU aprovou por 138 votos a favor, 9 contra e 41 abstenções a nova condição para os palestinos, que os equipara à condição do Estado do Vaticano.

O respaldo ao pedido palestino por reconhecimento como Estado superou até os cálculos mais otimistas da Autoridade Nacional Palestina e de seu presidente, Mahmoud Abbas.

Mas o que para Abbas foi um grande triunfo diplomático, para Netanyahu é um revés que muitos em Israel já estão lhe cobrando.

Foto: Andrew Gombert / EPA

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, centro, chanceler palestino Reyad al-Maliki, direito, e outros membros da delegação palestina emocionados após a votação das Nações Unidas da resolução que considerou a Palestina "Estado observador não-membro" nas Nações Unidas

'Bofetão'

A deputada Shelly Yacimovich, presidente do Partido Trabalhista, de oposição, afirmou que o resultado da votação na ONU é consequência da política externa de Netanyahu e do aprofundamento da paralisação do processo de paz com os palestinos.

Em declarações à imprensa local, Yacimovich afirmou que Netanyahy e o chanceler Avigdor Lieberman "envergonharam o país internacionalmente" e presentearam os palestinos com uma vitória histórica.

Zahava Gal On, presidente do partido pacifista Meretz, afirmou que a comunidade internacional "deu um bofetão na cara de Netanyahu", mas assegurou que o reconhecimento palestino poderia ajudar Israel a se envolver de novo no processo de paz.

A se julgar pelas declarações dos principais porta-vozes israelenses, porém, é pouco provável que o novo status palestino possa ter esse efeito.

Lieberman afirmou que o discurso de Abbas na ONU pedindo "um certificado de nascimento para a Palestina" demonstra que ele não está interessado na paz.

Foto: Issam Rimawi/Flash90

Palestinos comemorando em Ramallah

'Luz de advertência'

Em sua edição desta sexta-feira, o diário israelense Haaretz afirma que Israel sofreu uma derrota "humilhante" na ONU e diz que o resultado foi uma "luz de advertência" ao país. Segundo o diário, países "amigos" enviaram com seus votos a mensagem de que a paciência com a ocupação dos territórios palestinos está acabando.

Em um artigo no jornal, o especialista em assuntos diplomáticos Avi Issacharoff afirma que "Abbas nunca admitirá, mas deve um enorme agradecimento ao governo israelense e em particular ao chanceler Avigdor Lieberman".

"Até alguns poucos dias atrás, parecia que Abbas poderia evaporar da consciência palestina e internacional em consequência dos avanços do Hamas durante a operação Pilar de Defesa", escreveu Issacharoff, fazendo referência à recente ofensiva militar israelense contra Gaza para neutralizar os ataques com foguetes lançados por grupos palestinos.

O analista destaca que, agora, Abbas recuperou sua posição de liderança, ao menos entre os círculos políticos do mundo árabe, e conseguiu um consenso raro entre os palestinos, divididos entre os seguidores do Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e do Fatah, de Abbas, que controla a Cisjordânia.

Foto: Ronen Zvulun / Reuters

Registro da construção no assentamento judeu na Cisjordânia, em Maale Adumim, em junho passado

'Ocupação racista'

Em seu discurso diante da Assembleia Geral, antes da votação, Abbas fez declarações duras contra Israel, acusando o país de promover "uma ocupação colonial racista" equiparável ao apartheid, o sistema de discriminação racial vigente na África do Sul até os anos 1990.

"O mundo pôde ver um discurso difamatório e venenoso, cheio de propaganda mentirosa contra o Exército israelense e os cidadãos israelenses", afirmou Netanyahu, em um comunicado divulgado após a intervenção de Abbas.

"Alguém que deseja a paz não fala dessa maneira", diz o comunicado. "Não se criará um Estado palestino que não garanta a segurança dos cidadãos israelenses", afirmou.

"O caminho da paz entre Jerusalém e Ramallah passa por negociações diretas sem condições prévias e não por decisões unilaterais na ONU", acrescentou.

Em declarações à BBC, o porta-voz do governo israelense Mark Regev afirmou nesta sexta-feira que a concessão de status de Estado aos palestinos é "um teatro político negativo" e "prejudicará a paz".

"Isso é um teatro político negativo, que vai nos tirar do processo de negociação. Vai prejudicar a paz", disse Regev.

Foto: Rina Castelnuovo/The New York Times

De sua casa em Jerusalém Oriental no ano passado, Haj Ibrahim Ahmad Hawa olhou para a barreira de separação em torno de Jerusalém com o assentamento israelense de Maale Adumim no fundo

ONU 'hostil'

Apesar de Israel ter nascido a partir da resolução da ONU pela partilha da Palestina, aprovada exatos 65 anos antes, em 29 de novembro de 1947, seus governos costumam acusar a organização de "hostilidade" contra o país e de pretender impor uma solução multilateral ao problema com os palestinos.

"Temo que a Autoridade Palestina possa usar a ONU como um clube político contra Israel", afirmou o senador republicano americano Lindsey Graham.

O republicano e outros congressistas americanos apresentaram um projeto de lei ao Congresso que retiraria os fundos que os Estados Unidos destinam à ONU se os palestinos não entrarem em "conversações significativas" para solucionar suas questões bilateralmente.

Apesar de a Casa Branca ter deixado claro que não considerava boa a ideia de mudança do status palestino na ONU, a embaixadora americana na ONU, Susan Rice, pediu que os dois lados comecem a falar de paz "e parem de se provocar em Nova York (cidade sede da ONU) ou em qualquer outra parte".

Foto: Foto: AP

Netanyahu: pressão interna às vésperas das eleições que acontecerão em janeiro

REAÇÃO

Longe de apresentar um comportamento de paz negociada, começa a ser noticiado, que em contrapartida Israel vai autorizar a construção de 3 mil novas casas em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, em represália a aprovação do novo status da Palestina como Estado observador da ONU.

O governo conservador do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, autorizou a construção de 3 mil moradias e ordenou o "zoneamento preliminar e planejamento de (outras) milhares".

A imprensa israelense disse que o governo busca reforçar sua imagem domesticamente, em frente a rejeição sofrida após à aprovação da medida.

Israel considera toda a cidade de Jerusalém como sua capital indivisível e quer manter faixas de assentamentos na Cisjordânia sob qualquer eventual tratado de paz com palestinos.

A maioria das potências mundiais consideram os assentamentos ilegais por serem em terras capturadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Palestinos querem que seu Estado inclua a Faixa de Gaza, que Israel desocupou em 2005 e agora é governada por islâmicos do Hamas.

Isso tudo é mais gasolina no incêndio da relações entre Judeus e Palestinos.


19 de nov. de 2012

ISRAEL - GAZA: Ganhos políticos apesar dos mais de 100 mortos

ISRAEL – PALESTINA – Conflito
Ganhos políticos apesar dos mais de 100 mortos
O número de palestinos mortos no sexto dia da ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza chegou a 100 nesta segunda-feira. Do lado de Israel, três civis morreram por um foguete na quinta-feira. Há centenas de feridos em ambos os lados. Em meio aos cadáveres e ameaça de piora da situação, pesquisas informam que tanto o governo israelense como o Hamas obtiveram ganhos políticos com os confrontos, por absurdo que isso possa parecer.

Foto: Nir Elias / Reuters

Judeu hassídicos, da seita Breslov, dançou com soldados israelenses durante uma visita a apoiar os soldados, perto da fronteira com a Faixa de Gaza em 19 de novembro.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, Ultimo Segundo, Estadão, Haaretz

Com a notícia de que ultrapassou de 100 o número de mortos no somatório dos seis dias de conflito entre Israelenses e palestinos, na Faixa de Gaza, a BBC Brasil, revela que tanto o governo israelense como o Hamas obtiveram ganhos políticos com os confrontos.

Em qualquer lugar essa seria uma tragédia horripilante, no Oriente médio se faz pesquisa para saber o que a opinião pública está achando.

Os palestinos levam a pior, mas exultam por assustar Israel com todo o seu poderio. Os judeus sentem-se mais seguros com as forças armadas israelense disparando contra os vizinhos.

Informa-se que o número de palestinos mortos, até essa segunda-feira, chegou a 100, do lado de Israel, três civis vitimas de um foguete na quinta-feira. Dentre os palestinos mortos, 53 eram civis, enquanto os feridos somam 840, incluindo 225 crianças. Há dezenas de feridos também em Israel em decorrência do ataque de quinta.

Foto: Ibraheem Abu Mustafa / Reuters

Palestino usa seu iPad para tirar fotos de uma casa destruída após um ataque aéreo israelense em Khan Younis, sul de Gaza, Faixa em 19 de novembro.

Mas de acordo com uma pesquisa de opinião publicada pelo jornal Haaretz, a popularidade dos dois líderes israelenses que estão à frente da chamada Operação Coluna de Nuvem – o premiê Binyamin Netanyahu e o ministro da Defesa Ehud Barak – aumentou em decorrência dos confrontos. A pesquisa indica que o apoio do público a Netanyahu e Barak subiu em 20 pontos e que 84% da população concorda com a decisão do gabinete de lançar a ofensiva contra a Faixa de Gaza. Lembrar que em janeiro há eleições em Israel.

Por outro lado, analistas palestinos afirmam também que o Hamas, grupo islâmico que governa a Faixa de Gaza, também obteve ganhos políticos desde que os confrontos começaram.

De acordo com o analista Mahdi Abdul Hadi, para a população palestina "tanto na Faixa de Gaza, como na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental", o Hamas torna-se cada vez mais o símbolo da "resistência".

O Hamas, que esteve isolado desde que tomou à força o controle da Faixa de Gaza em 2007, agora obtém mais e mais legitimidade, principalmente por parte do novo governo egípcio.

Foto: Majed Hamdan / AP

Palestino chora pela morte de parente, no necrotério do Hospital Shifa, na Cidade de Gaza, 18 de novembro.

Desde a vitória do lider da Irmandade Muçulmana, Mohamed Mursi, nas eleições egípcias, houve uma mudança drástica na relação do país com o Hamas.

O líder anterior do Egito Hosni Mobarak colaborava com o bloqueio israelense à Faixa de Gaza, enquanto Mursi manifesta solidariedade ao Hamas, grupo que tem afinidade ideológica com a Irmandade Muçulmana.

O fato de que, apesar da disparidade de forças com Israel, o Hamas tem conseguido colocar mais de 4 milhões de civis israelenses dentro da linha de fogo, atacando inclusive Tel Aviv, é visto pela população palestina como um êxito.

Foto: Hatem Moussa / AP

Explosão em Gaza, durante bombardeio israelense, 17 de novembro.

"A nova geração palestina já não acredita mais no caminho das negociações, no qual o Fatah apostou, o processo de paz está morto, agora o que prevalece entre os jovens é a cultura da resistência", afirmou Abdul Hadi, que é diretor da Passia, Associação Palestina de Estudos Internacionais.

O presidente Abbas enviou um dos líderes do Fatah, Nabil Shaat, à Faixa de Gaza com uma mensagem de solidariedade com os palestinos da região, que desde o dia 14 deste mes, sofreram mais de mil bombardeios das tropas israelenses.

A vida das cidades do sul de Israel se encontra praticamente paralisada desde o início dos confrontos e a população desta região já foi alvo de mais de 900 foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza.

De acordo com porta-vozes do Exército israelense, desde o início da operação as tropas "já destruíram grande parte do arsenal do Hamas e mataram líderes militares importantes do grupo".

No sexto dia desde o início da violência entre Israel e os grupos armados da Faixa de Gaza – Hamas, Jihad Islâmico, Comitês de Resistência Popular e grupos salafistas – o confronto se aproxima de uma encruzilhada.

Foto: Abir Sultan / EPA

Israelense olha pela janela de seu apartamento depois que um foguete disparado de Gaza atingiu diretamente o edifício em seu prédio em Ashkelon, em 18 de novembro.

Se por um lado há a possibilidade de cessar-fogo bilateral - que está sendo negociado principalmente com intermediação egípcia, não se descarta também o risco de um recrudescimento da violência.

O Exército israelense já recrutou 40 mil reservistas e deslocou tropas para a fronteira da Faixa de Gaza, se preparando para uma invasão terrestre.

O vice-premiê de Israel, Moshe Yaalon, afirmou nesta segunda-feira que Israel "quer cessar-fogo em troca de cessar-fogo" e que se o Hamas não parar de disparar foguetes contra seu país, "não haverá outro caminho exceto a operação terrestre".

De acordo com as últimas informações, o lider político do Hamas, Haled Mashal, que está negociando um acordo com os chefes da Inteligência egípcia no Cairo, aproveita a oportunidade para exigir que o cessar fogo seja acompanhado por um alivio do bloqueio israelense à Faixa de Gaza, o que Israel não vai aceitar de forma alguma.

Foto: Uriel Sinai / Getty Images

Um míssil israelense do sistema de mísseis de defesa Iron Dome é lançado para interceptar e destruir foguetes disparado da Faixa de Gaza em 17 de novembro, em Tel Aviv, Israel.


18 de nov. de 2012

Jornalista da BBC relata o rompimento da 'bolha' de normalidade em Tel Aviv

ISRAEL - Opinião
Jornalista da BBC relata o rompimento
de 'bolha' de normalidade em Tel Aviv
“Na manhã deste domingo, os alarmes antiaéreos soaram pelo quarto dia consecutivo em Tel Aviv, desde o inicio da chamada Operação Coluna de Nuvem” A terminologia utilizada pelos dois lados desse confronto tem conotações religiosas. O nome dado por Israel à operação militar, Coluna de Nuvem, é uma citação de um trecho da Bíblia. Já o nome utilizado pelo Hamas é "Pedras do Céu", em referência a um trecho do Corão.

Foto: Daniel Bar-On / AFP

Muitos edifícios em Tel Aviv contam com bunkeres para a proteção em caso de ataque

Postado por Toinho de Passira
Texto de Guila Flint, para a BBC Brasil
Fonte: BBC Brasil

Moradora de Tel Aviv, a repórter da BBC Brasil em Israel, Guila Flint, conta como a nova onda de violência vem alterando o dia a dia:

"O som alto e lúgubre das sirenes mexe com os nervos da população e rompe a sensação de segurança que havia na maior cidade de Israel.

De acordo com as instruções das autoridades, quando soa o alarme antiaéreo o cidadão deve correr para o bunker ou para o chamado 'espaço protegido' dentro do próprio apartamento.

Só que eu moro em um prédio velho, no centro de Tel Aviv, que foi construído ainda na época do Mandato Britânico, em 1921.

Aqui não tem bunker. Também não tenho o tal 'espaço protegido' no meu apartamento.

Desde a Guerra do Golfo, em 1991, a lei de Israel obriga todas as construções novas a terem um espaço especial em cada apartamento, no qual as paredes são reforçadas e as janelas são de ferro.

Na ausência de tal espaço e de um bunker, as autoridades recomendam correr para a escadaria do prédio, de preferência para um andar que não seja o mais alto.

Quando corro para a escadaria encontro vários dos meus vizinhos, muitos deles idosos.

Outro dia, quando soou o alarme, me deparei com uma vizinha tremendo e chorando no segundo andar. Tentei acalmá-la.

Eu já morava em Tel Aviv em 1991, quando 45 mísseis iraquianos do tipo Scud foram lançados contra a cidade durante a Guerra do Golfo.

Aquela guerra, que durou um mês e meio, com alarmes antiaéreos constantes, de alguma maneira me preparou para esse tipo de experiência.

Naquela época, além do perigo de explosões, também se falava do risco de que o Iraque lançasse bombas químicas contra Israel e foram distribuídas máscaras de gás a toda a população.

Outra diferença é que em 1991 Tel Aviv era o principal alvo, e agora a cidade é um alvo secundário comparando com as cidades do sul do país.

Dos mais de 800 disparos contra o território israelense, apenas 4 foram contra Tel Aviv. São as cidades de Ashdod, Ashkelon, Beer Sheva e Sderot, no sul, que estão realmente sofrendo com o contínuo sobressalto das sirenes.

Foto: Activestills.org

Tel Aviv é o reduto de grupos pacifistas, de ONGs de direitos humanos e dos seculares

Ontem falei com uma brasileira que mora na cidade de Gaza. O que os israelenses estão passando no sul é bem ameno comparando com o que os palestinos estão vivendo na Faixa de Gaza.

Lá já houve mais de 900 ataques das tropas israelenses, com a Força Aérea, a Marinha e a artilharia.

A brasileira palestina relatou que "tudo treme o tempo todo e parece que o mundo vai acabar" desde quarta-feira.

Tel Aviv é chamada de "bolha", considerada uma ilha de normalidade dentro desse oceano de violência e fanatismo que é o Oriente Médio. Uma cidade tolerante e cosmopolita, na qual a maioria da população quer a paz.

Aqui fica o reduto dos grupos pacifistas, das ONGs de direitos humanos, dos seculares.

Cada alarme antiaéreo que soa em Tel Aviv rompe mais um pouco dessa tênue bolha.

A terminologia utilizada pelos dois lados desse confronto tem conotações religiosas.

O nome dado por Israel à operação militar, Coluna de Nuvem, é uma citação de um trecho da Bíblia.

Já o nome utilizado pelo Hamas é "Pedras do Céu", em referência a um trecho do Corão.

Grande parte da população dos dois lados do conflito é religiosa e acredita em algum tipo de proteção divina.

Aos seculares, como eu, resta acreditar na estatística. Afinal, a probabilidade de que um míssil iraniano do tipo Fajr, lançado a partir da Faixa de Gaza contra Tel Aviv, caia justamente na minha cabeça, é muito baixa. Mas, como já dizia John Lennon, “Give Peace a Chance."

John Lennon - canta "Give Peace a Chance”
de John Lennon, acompanhado da Plastic Ono Band, Toronto 1969


"Give Peace a Chance" foi composta por John Lennon em 1969, e se transformou num dos hinos da campanha contra a Guerra do Vietnã. Lennon gravou essa música durante o segundo Bed-in, no Canadá. Bed-ins eram conferências de imprensa em favor da paz, realizados em uma cama de hotel. Esse é um dos momentos mais marcantes dos protestos realizados por Lennon em favor da Paz Mundial.



16 de nov. de 2012

Terceiro morteiro atinge Tel Aviv, no 2º dia de ataque contra a cidade

ISRAEL – PALESTINA -Conflito
Terceiro morteiro atinge Tel Aviv,
no 2º dia de ataque contra a cidade
A crise agrava-se: enquanto o primeiro ministro egípcio visitava Gaza, em sinal de solidariedade ao Hamas, devido ao ataque de Israel que matou o seu líder Ahmed al-Jabari, palestinos e israelenses disparam misseis e foguetes em ataques mútuos que não cessaram nem durante o pacto de cessar fogo, combinado acontecer durante a visita do premier egípcio.

Foto: Mahmud Hams / Pool via EPA

O líder do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Haniya, à esquerda, e primeiro-ministro egípcio Hisham Qandil, segunda à esquerda, visitar um homem ferido em um ataque aéreo israelense, no hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza ,hoje, 16 . A visita de Hisham, a Palestina, forçou Israel a promover trégua de três horas.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo

Um morteiro atingiu nesta sexta-feira Tel Aviv, centro financeiro israelense. É o terceiro incidente do tipo na cidade desde quinta-feira. Mais cedo, Israel chegou a decretar um cessar-fogo de três horas, durante a visita do premier egípcio, Hisham Kandil, ao território palestino, mas segundo os dois lados do conflito não teria sido respeitada.

Sirenes foram acionadas em Tel Aviv nesta manhã, e uma explosão foi ouvida, disse uma testemunha. Militantes palestinos dispararam dois morteiros contra a cidade na quinta-feira, e sirenes também foram acionadas pela primeira vez desde a Guerra do Golfo, em 1991. Um deles teria caído no mar, e outro em um subúrbio de Tel Aviv; nenhum incidente foi registrado.

Foto: Wissam Nassar/The New York Times

Funeral de Ahmed al-Jabari, o comandante militar do Hamas, morto por Israel, na cidade de Gaza, nesta quinta-feira, 15

Segundo o Exército israelense, o foguete desta sexta-feira atingiu uma área aberta e explodiu antes de tocar o chão. A prefeitura de Tel Aviv, por sua vez, disse que vai abrir todos os abrigos públicos antibombas. Apesar de grande parte de imprensa local falar em um foguete, o jornal “Jerusalem Post” diz que dois morteiros atingiram Tel Aviv hoje.

Foto: Uriel Sinai / Getty Images

Uma nuvem de fumaça se eleva sobre Gaza durante um ataque aéreo israelense, visto a partir da cidade israelense de Sderot, em 15 de novembro.

A viagem de Kandil a Gaza pode ser vista como um ato de solidariedade dos islamistas do Cairo com o Hamas, mas é também uma mensagem clara de que os tempos de cumplicidade com Israel, que vingavam durante o governo de Hosni Mubarak, acabaram. Durante a breve visita, Kandil chamou os ataques de Israel contra o território palestino de agressão:

- O que testemunho em Gaza é um desastre e não posso continuar calado. A agressão israelense tem que parar - disse o premier, durante uma visita a um hospital. - O Egito não vai poupar esforços para deter a agressão e alcançar uma trégua.

Foto: Uriel Sinai / Getty Images

Israelenses abrigados em um grande tubo de concreto usado como um abrigo anti-bomba depois que um foguete foi lançado a partir da Faixa de Gaza em 15 de novembro, 201, no Nitzan, Israel.

O presidente egípcio, Mohamed Mursi, emitiu um comunicado após a visita de seu premier a Gaza, denunciando os ataques israelenses como uma “gritante agressão contra a Humanidade” e se comprometendo a ajudar os palestinos.

O chanceler tunisiano também anunciou nesta sexta-feira que vai visitar o território palestino no sábado para oferecer seu apoio ao Hamas. O premier turco, Recep Tayyio Erdogan, também manifestou seu apoio a Gaza, chamando de “bárbara” a postura israelense.

Foto: Nir Elias / Reuters

Um rastro de fumaça traça o céu, produzido por um foguete lançado do norte da Faixa de Gaza, em direção a Israel, em 15 de novembro.

Cessar-fogo é decretado, mas ambas partes desrespeitam trégua

Apesar do breve cessar-fogo, Israel acusa o Hamas de não respeitar as três horas de trégua, e o grupo islâmico também acusa o Estado judeu de continuar os ataques. O governo de Tel Aviv ainda disse estar disposto a suspender a ofensiva, se e quando os islamistas fizerem o mesmo.

O Exército de Israel diz ter atingido 150 alvos na Faixa de Gaza durante a noite. Segundo o jornal “Haaretz”, três israelenses foram feridos nesta sexta-feira depois que um morteiro atingiu o sul do país. O Hamas diz ainda ter atingido um avião israelense, mas o Exército nega, informou o “New York Times”.

Vinte e um palestinos e três israelenses morreram desde o início da ofensiva, desatada com a morte do chefe militar do Hamas, Ahmed Jabari, na quarta-feira.

Nesta sexta-feira, 85 mísseis explodiram durante 45 minutos na Cidade de Gaza. Fontes militares disseram que os alvos do ataque são locais subterrâneos de lançamento de foguetes. Um míssil atingiu o Ministério do Interior, um símbolo de poder do Hamas, e outro alcançou uma casa vazia pertencente a um comandante do Hamas.

Segundo islamistas, uma criança e um militante teria morrido em um ataque israelense, durante a visita do premier egípcio. A violência, juntamente com um ataque a um prédio perto da casa do primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh, em Gaza, indica que Israel está expandindo sua ofensiva além de alvos militares.

Fontes do Hamas dizem que o Exército israelense respondeu os ataques de morteiro com um bombardeio aéreo contra o norte da Faixa de Gaza, no qual dois palestinos teriam morrido. Israel nega que tenha atacado o território palestino durante a visita de Kandil.

No Twitter, um porta-voz do premier Benjamin Netanyahu acusou o “Hamas de não respeitar a visita do primeiro-ministro egípcio a Gaza e violar o cessar-fogo temporário”. Segundo um porta-voz do Exército, 50 morteiros foram lançados contra Israel durante a estadia de Kandil no território palestino.

Foto: Amir Cohen / Reuters

Um bebê judeu emoldurado por estilhaços de um janela quebrada após um foguete disparado por militantes palestinos na Faixa de Gaza re atingido sua casa no sul da cidade de Netivot, Israel, em 12 de novembro. A pesar dos danos, o pretado não causou vítimas, mas recebeu uma resposta dura por parte dos israelenses, nessa onda de violência sem data para acabar.


14 de nov. de 2012

Israel mata lider do Hamas e prepara ataque terrestre ao território palestino

ISRAEL- PALESTINA
Israel mata lider do Hamas
e prepara ataque terrestre ao território palestino
Na tarde desta quarta feira, o veículo onde estava Ahmed Jabari, considerado chefe do Estado Maior do Hamas, foi atingido por bombas disparadas por uma aeronave israelense. Logo depois, a Força Aérea israelense iniciou uma série de bombardeios à Faixa de Gaza, mais de 30 alvos na região foram atingidos. Em seguida recruta reservistas num claro sinal de preparação de um ataque de maior proporção ao território palestino. O Hamas declarou que "ao assassinar Jabari, Israel abriu as portas do inferno".

Foto: Mahmud Hams/AFP


Ali Ali/EPA


Mohammed-Salem-Reuters

O carro que conduzia o líder palestino Ahmad Jabari, foi pulverizado, com um único disparo oriundo de uma aeronave israelense. Israel disse que matou o militante devido as suas atividades terroristas.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Expresso , Reuters, BBC Brasil, Aljazeera, Le Figaro, Folha de S. Paulo

Ahmed Jabari, chefe militar do Hamas, foi morto hoje, 14, na Faixa de Gaza quando o carro em que seguia foi alvo de um bombardeio aéreo lançado pelas forças israelitas. Logo depois, a Força Aérea israelense iniciou uma série de bombardeios à Faixa de Gaza, que já deixou pelo menos 11 mortos e dezenas de feridos na região. Nas primeiras horas da operação militar, mais de 30 alvos na região foram atingidos.

A mídia israelense relatou que três israelenses foram mortos, nesta madrugada, quando foguetes disparados da Faixa de Gaza, atingiram um prédio de apartamentos na cidade de Qiryat Malakhi, no sul do país.

De acordo com analistas militares, os alvos principais são depósitos de mísseis de longo alcance que podem atingir inclusive a cidade de Tel Aviv.

O porta-voz do Exército israelense, Ioav Mordechai, afirmou que as tropas "estão prontas" para se deslocar em direção à Faixa de Gaza.

"O primeiro objetivo da operação é restaurar a tranquilidade para o sul de Israel e o segundo é atingir as organizações terroristas", disse o porta-voz.

Ahmed Jabari, líder do Hamas, morto por Israel
Ahmed Jabari, 52, morto hoje, era uma das mais importantes lideranças Palestina, liderava as Brigadas Ezzedine al-Qassam - que funcionavam como braço armado do Hamas -, e foi o responsável pelo ataque em Kerem Shalom, junto à fronteira entre Israel e Gaza, a 25 de junho de 2006, que culminou no rapto de três soldados, entre os quais Gilad Shalit.

No ano passado, chefiou a delegação do Hamas nas negociações no Cairo, que culminaram na libertação de Shalit, a 18 de outubro de 2011. Shalit foi trocado por 1027 prisioneiros, na sua esmagadora maioria palestinianos e israelitas árabes.

'Portas do inferno'

A operação militar ocorre depois de uma semana de violência durante a qual seis palestinos foram mortos pelas tropas israelenses e grupos palestinos lançaram mais de 100 foguetes contra o sul de Israel.

O Hamas declarou que "ao assassinar Jabari, Israel abriu as portas do inferno".

Um dos líderes do Hamas, Izat Al Rishk, afirmou que o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, "decidiu cometer crimes de guerra para elevar suas chances nas eleições".

Para o analista do jornal Haaretz, Barak Ravid, "Ahmed Jabari é o Bin Laden de Netanyahu", em referência à morte do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, que foi utilizada como trunfo eleitoral na campanha do presidente americano Barack Obama.

De acordo com o analista, o assassinato de Jabari dois meses antes das eleições em Israel (previstas para 22 de janeiro) "pode se revelar como uma aposta errada" de Netanyahu.

Ravid adverte que as consequências da operação militar podem fugir do controle do governo israelense.

O principal negociador palestino, Saeb Erekat, declarou que a operação militar israelense demonstra que "Israel tem uma agenda de guerra e não de paz".

"Condenamos nos mais duros termos esse novo assassinato israelense que tem o objetivo de iniciar uma escalada sangrenta. Consideramos Israel responsável pelas consequências desse novo ato de agressão", declarou Erekat.

O Comando da Retaguarda instruiu os residentes do sul de Israel a permanecerem a uma distância de 15 segundos dos abrigos anti-aéreos e cancelou as aulas em todas as escolas da região nesta quinta feira.

De acordo com as instruções do Exército, ficam proibidas aglomerações de mais de 100 pessoas nas áreas de risco.

O Exército israelense iniciou o recrutamento de reservistas em preparação para uma possível operação terrestre na Faixa de Gaza, poucas horas depois da morte de Ahmed Jabari.

De acordo com a mídia israelense, o Exército começou a emitir a chamada "ordem 8", que equivale à convocação imediata de soldados da reserva, ato que está sendo interpretado como sinal de que poderá haver uma invasão terrestre à Faixa de Gaza.

Foto: Ariel Schalit/AP

Falando na TV, após o ataque que matou Jabari, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse: "Hoje nós enviamos uma mensagem clara para o Hamas e outras organizações terroristas, e se for necessário, estamos preparados para expandir a operação”. "Nós não vamos tolerar que os cidadãos israelenses continuem a serem ameaçados por ataques de foguetes."


16 de nov. de 2011

Mil por um: a troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas

19/10/2011

ISRAEL
Mil por um: a troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas
O sargento Shalit, do exército de Israel, prisioneiro de radicais de Gaza, há cinco anos, foi trocado por mil palestinos, num acordo entre o governo israelita e os lideres do Hamas. Enquanto em Tel Aviv comemorava-se a volta do militar na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, centenas de milhares de palestinos comemoraram a libertação dos prisioneiros, soltos na terça-feira. Entre as principais palavras de ordem gritadas pela multidão estava o slogan "queremos mais Shalit", exortando militantes palestinos a capturarem mais soldados israelenses para conseguir a libertação de mais prisioneiros palestinos detidos em cadeias de Israel.

Foto: Reuters

Gilad Shalit (esquerda) é visto ao lado de seu pai Noam na base aérea de Tel Nof, no centro de Israel, nesta foto divulgada pelas Forças de Defesa de Israel nesta terça-feira.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:BBC Brasil, Portal Terra, Reuters

A notícia internacional mais importante de ontem, foi a libertação do soldado israelense Gilad Shalit e de centenas de palestinos que cruzaram as fronteiras de Israel em sentidos opostos, nesta terça-feira, numa troca de prisioneiros, que trouxe alegria para as famílias, embora pouco represente para amenizar décadas de conflito.

Em uma das maiores trocas entre os dois lados, o sargento Shalit, de 25 anos, foi levado através da fronteira entre a Faixa de Gaza e a península do Sinai, do Egito, e entregue num posto de fronteira israelense, de onde foi conduzido a um helicóptero que o esperava para transportá-lo a uma base aérea de Israel, onde se encontrou com seus pais.

Foto: Ahmed Jadallah/Reuters

Simultaneamente, Israel começou a libertar 477 presos palestinos dos mais de 1.000 que fazem parte do acordo. Testemunhas viram o primeiro grupo chegando a Gaza. Outros devem ser libertados na Cisjordânia ocupada.

Outro grupo de 550 deve ser libertado ainda neste ano, e cerca de 40 estão sendo enviados para exílio na Turquia, Catar e Síria.

Foto: Moran Maayan/Associated Press

A celebração em Israel

O ambiente em Israel era de júbilo, com cartazes de "bem-vindo ao lar" nas ruas e passageiros do transporte público assistindo ao vivo transmissões da troca em telefones celulares.

Shalit era visto como "o filho de todos" e pesquisas de opinião mostraram que a maioria dos israelenses apoiava o acordo mil-por-um, embora muitos dos presos libertados tivessem sido condenados por ataques que resultaram em mortes de judeus.

Foto: Canal 10 TV Egípcia via Reuters

"Senti falta de minha família", disse Shalit, que estava magro e respirando às vezes com dificuldade, em entrevista a uma TV egípcia antes de ser entregue a Israel. A declaração à emissora foi divulgada depois de sua transferência para Israel.

"Espero que este acordo vá promover a paz entre Israel e os palestinos", disse ele. No enclave costeiro palestino, líderes islâmicos do Hamas alegaram defesa pela hostilidade em relação a Israel que, nesta terça-feira pelo menos, ofuscou os esforços dos rivais liderados pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas, na Cisjordânia.

Mas não havia nenhum sinal de Israel ou do Hamas de que o acordo poderia ser um ponto de partida para o diálogo.

Foto: Ilia Yefimovich /Getty Images

Palestinos à espera dos prisioneiros libertados em um posto de inspeção na Cisjordânia jogaram pedras em soldados israelenses, que responderam com gás lacrimogêneo, depois que os militares anunciaram para a população que o grupo havia sido levado para outro ponto da fronteira

"O povo quer um novo Gilad, o povo quer um novo Gilad", clamavam dezenas de milhares de pessoas em um comício em Gaza para os prisioneiros libertados, pedindo que seus combatentes capturassem mais soldados para ajudar a libertar alguns dos 5.000 palestinos ainda detidos por Israel.

Foto: Eric Gaillard/Reuters

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, saudando o retorno de Shalit para casa, advertiu os ex-prisioneiros de que eles estariam "colocando suas vidas em risco" se "retornassem ao terror."

Defendendo o acordo que deixou um sabor amargo em Israel, Netanyahu disse que sentiu a dor dos parentes de israelenses mortos por alguns dos palestinos libertados, mas salvar um soldado do cativeiro era um imperativo bíblico judaico.

"É um dia difícil", disse ele, descrevendo o preço pago por Israel pela libertação de Shalit como elevado.

O Egito ajudou a mediar o acordo e seu governo interino apoiado pelo Exército buscou reviver o papel diplomático chave no Oriente Médio. 

Foto: Canal 10 TV Egípcia via Reuters

No primeiro vídeo de Shalit divulgado desde 2009, antes de sua libertação, imagens da televisão egípcia mostraram o soldado em trajes civis e com um boné de beisebol. Sem sorrir e aparentando confusão, Shalit andava rapidamente escoltado por membros do Hamas, que seguravam seus braços ao retirá-lo de um veículo.

Segundo comentaristas políticos, parecia improvável que o acordo entre dois grandes inimigos tivesse um impacto imediato sobre os esforços de reviver as negociações de paz entre israelenses e palestinos. Mas o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse esperar que o acordo tenha um impacto positivo sobre o processo paralisado.

Foto: Ronen Zvulun/Reuters

Os pais de Shalit, Noam Schalit e Aviva Schalit, fizeram uma campanha pública para insistir que o líder de direita fizesse mais para assegurar a libertação do filho e montaram uma tenda de protesto perto da residência de Netanyahu.

Para os palestinos, este foi um momento de celebrar o que o Hamas descreveu como uma vitória. Em Gaza, território tomado pelo Hamas em 2007 do movimento Fatah, de Abbas, foi declarado feriado nacional e jovens carregando bandeiras tomaram a cidade.

Foto: Hatem Moussa/Associated Press

O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, abraçou os prisioneiros libertados conforme eles desciam dos ônibus.

"Essa é a maior alegria para o povo palestino", disse Azzia al-Qawasmeh, que esperava em um posto de controle na Cisjordânia por seu filho Amer, que estava na prisão havia 24 anos.

Foto: Ibraheem Abu Mustafa/Reuters

Na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, centenas de milhares de palestinos comemoraram a libertação de 477 prisioneiros, soltos na terça-feira.

Alguns veem o acordo de troca de prisioneiros como um impulso para o Hamas às custas de Abbas, que renunciou à violência em favor de um diálogo, mas até agora não conseguiu ver os anos de negociações com Israel produzirem grande progresso rumo a um Estado palestino.

Na véspera da troca, foi anunciado que os esforços internacionais para reviver as negociações de paz após 13 meses do colapso por causa dos assentamentos construídos por Israel fracassaram em reunir os dois lados para encontros marcados para o dia 26 de outubro em Jerusalém.

Enviados do Quarteto de mediadores, formado por Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU, farão sessões separadas com autoridades israelenses e palestinas. O Hamas se opõe ao processo de paz.

Por outro lado, o acordo de troca de prisioneiros assinado pelo primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e o Hamas deu proeminência ao grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza como liderança nacional dos palestinos, na opinião de analistas israelenses.

Depois da libertação de Shalit, o analista do canal 10 da TV israelense, Chico Menashe, afirmou que o acordo entre Israel e o Hamas significa "pena de morte para Abu Mazen (apelido do presidente palestino Mahmoud Abbas, que é do laico Fatah)" e a "coroação" do Hamas, que é rival do Fatah.

13 de ago. de 2010

ISRAEL - PALESTINA: Mulheres israelenses arriscam-se em defesa de palestinas

ISRAEL - PALESTINA
Mulheres israelenses arriscam-se em defesa de palestinas
Algumas mulheres israelenes, estão dispostas a enfrentar a lei do seu país, e os cuidados de segurança para minorar o sofrimento das palestinas, proibidas de sair, pelo governo de Isarael da Palestina, em ato de desobediência civil

Foto: BBC Brasil

Daphne Banai levou mulheres palestinas para conhecer o mar pela primeira vez

Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil

Em um ato premeditado de desobediência civil, mulheres israelenses violaram a chamada Lei de Entrada em Israel, que proíbe a entrada de palestinos, e "contrabandearam" mulheres palestinas para passear em Tel Aviv, expondo-se ao risco de uma pena de dois anos de prisão.

"Quando uma lei é desumana e racista, desobedecer torna-se uma obrigação moral", disse à BBC Brasil Daphne Banai, uma das israelenses que participaram do ato de protesto.

"Enquanto os israelenses, inclusive os colonos, podem circular livremente em toda a região, os palestinos ficam presos em enclaves cercados por muros e pontos de checagem", afirmou.

Segundo as autoridades israelenses, as restrições à entrada de palestinos em Israel têm o objetivo de evitar atentados.

A proibição tornou-se praticamente hermética durante a segunda Intifada (levante palestino) que começou no ano 2000, depois de uma série de atentados suicidas realizados em grandes cidades israelenses.

Daphne, de 61 anos, contou que o passeio com as mulheres palestinas foi um dos dias "mais emocionantes e felizes" de sua vida.

"Senti uma sensação de libertação naquele dia", disse Daphne. "A ocupação e o enclausuramento da população palestina em enclaves na Cisjordânia me fazem sentir em uma prisão", disse.

"Desafiar a lei e trazer as mulheres palestinas para passear em Tel Aviv e ver o mar me fez sentir uma sensação de liberdade por um dia", disse.

"Acho que a ocupação coloca não só os palestinos, mas tambem nós, os israelenses, em uma prisão."

O desafio à proibição generalizada à entrada de palestinos em Israel começou com um ato isolado da escritora Ilana Hamermann.

Em maio deste ano, a escritora, de 66 anos, publicou um artigo no jornal Haaretz, relatando que havia "contrabandeado" três mulheres palestinas, em seu carro, para dentro de Israel, e as levado para ver o mar em Tel Aviv.

"Eu já faço isso há muitos anos, 'contrabandeio' amigos palestinos pois não reconheço a legitimidade da ocupação, dos muros, das cercas e dos pontos de checagem que Israel instalou na Cisjordânia", disse Ilana à BBC Brasil.

"Essas limitações à liberdade dos palestinos não contribuem para a segurança dos israelenses, muito pelo contrário, acho que é essa política de ocupação que nos coloca em risco", afirmou.

Passeio inclui almoço de confraternização em restaurante em Israel
O gesto simbólico de Ilana comoveu mais onze mulheres israelenses, que seguiram seu exemplo e há alguns dias publicaram um anúncio assinado na imprensa local, declarando que haviam violado a lei, de maneira premeditada, e levado 12 mulheres e 5 crianças palestinas, para passear em Tel Aviv.

A operação foi cuidadosamente planejada e houve dois encontros preliminares com as mulheres palestinas, antes do passeio.

De acordo com Daphne, as mulheres palestinas, habitantes de duas aldeias próximas a Jerusalém, na Cisjordânia, sabiam que estavam assumindo o risco de serem presas pelas tropas israelenses.

Para conseguir passar pelos vários pontos de checagem no caminho, elas se disfarçaram de israelenses e não vestiram as roupas tradicionais palestinas, retirando inclusive o véu com o qual geralmente cobrem os cabelos.

"Para todas as mulheres envolvidas, tanto as israelenses como as palestinas, nosso passeio foi, antes de tudo, um ato politico", disse Daphne.

"Mas acabou sendo também um ato de prazer. Comemos juntas em um restaurante em Jaffa, fomos à praia de Tel Aviv, passeamos pela cidade e ao entardecer as levamos de volta para suas aldeias, passando por Jerusalém", conta.

Daphne relatou que, para as palestinas, o momento mais forte do passeio foi quando viram o mar pela primeira vez.

"A vida toda elas sofrem restrições à sua liberdade de movimentação, e ver aquela imensidão livre e sem fronteiras que é o mar gerou uma emoção e uma sensação de libertação, que só uma pessoa enclausurada pode sentir", afirmou.

Publicando esse ato de desobediência civil, as mulheres esperam gerar um debate na sociedade israelense sobre os limites da obediência e sobre o significado de leis que vigoram no país.

O grupo de direita Fórum Juridico em Prol da Terra de Israel entrou com uma queixa contra Ilana Hamermann junto à Procuradoria Geral da Justiça que, por sua vez, encaminhou o processo à policia.

A pena pela violação da Lei de Entrada em Israel pode chegar a dois anos de prisão.

As participantes israelenses estão dispostas a pagar o preço da violação da lei.

"Para isso estou disposta a ficar dois anos na prisão", afirmou Daphne.

Ilana e Daphne relataram que, desde a publicação do anúncio, receberam dezenas de telefonemas de outras mulheres israelenses, que querem participar do próximo "passeio".

"Depois da visita a Tel Aviv, as palestinas que participaram me disseram que milhares de palestinas estariam dispostas a fazer parte do próximo projeto, pois não aguentam mais a situação atual e querem aderir a atos de desobediência civil junto com mulheres israelenses", disse Ilana.


5 de jun. de 2010

PALESTINA: Israel intercepta navio, desta vez, sem violência

PALESTINA
Israel intercepta navio, desta vez, sem violência
Como havia anunciado, o governo de Israel interceptou mais um navio com ajuda para Gaza, deteve os ocupantes, apreendeu a carga para verificação e deportou os passageiros. A operação foi feita sem que houvesse aparenta violência

Foto: Reuters

O navio “Rachel Corrie”, com os pacifistas a bordo, que não ofereceram resistência, interceptado por soldados israelitas

Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, Le JDD, The New York Times

O navio de bandeira irlandesa Rachel Corrie, que transportava ajuda humanitária à Faixa de Gaza, chegou ao porto israelense de Ashdod neste sábado, depois de ser interceptado por militares de Israel.

O Exército afirma que os ativistas a bordo do barco não ofereceram resistência e que a abordagem foi pacífica, mas os passageiros do Rachel Corrie ainda não se manifestaram.

A comunicação com os ativistas foi cortada e uma das organizadoras da frota, no Chipre, diz que os militares israelenses obrigaram os tripulantes a agir contra a vontade e em águas internacionais.

"A marinha israelense entrou no navio e este ruma ao porto de Ashdod. A operação ocorreu tranquilamente, sem violência e de comum acordo com as pessoas a bordo", disse o porta-voz do governo israelense Moro Eisin após a abordagem do sábado.

Israel afirma também que, antes de invadir o barco, enviou quatro mensagens por rádio pedindo para que este mudasse sua rota para Ashdod, mas não recebeu resposta nenhuma.

O governo israelense disse que interrogará os 11 ativistas, irlandeses e malaios, incluindo a vencedora do prêmio Nobel da Paz irlandesa Mairead Corrigan (foto) no porto e transferirá a carga para Gaza depois de vistoriá-la.

Israel diz querer verificar o conteúdo da ajuda, que inclui cimento, cadeiras de roda, equipamentos médicos, giz de cera e cadernos, antes de entregá-la a Gaza, confiscando mercadorias que alega poderem ser utilizadas para fins militares, como material de construção e metal, por exemplo.

O premiê israelense, Binyamyn Netanyahu, elogiou o fato de a operação ter transcorrido sem violência, ao contrário da de segunda-feira.

"Hoje vimos a diferença entre um barco de ativistas pela paz, com quem não concordamos mas respeitamos seus direitos a opiniões diferentes das nossas, e um barco do ódio organizado por violentos extremistas turcos", disse ele.

Mas após a abordagem do navio Rachel Corrie, uma das fundadoras da organização Free Gaza que organizou a tentativa de furar o bloqueio, Mary Hughes, disse estar "ultrajada" pela atitude israelense.

Ela disse que a ONG organizará novos barcos e prometeu “continuar até quebrarmos o bloqueio”.

A ONG Free Gaza, baseada no Chipre, é uma coalizão de grupos pró-palestinos e de organizações de defesa dos direitos humanos.

Foto: Reuters

Manifestantes contrários à ação israelense contra os navios de ajuda humanitária à Gaza, que resultou na morte de nove ativistas e ferimentos em mais 20, realizaram protestos em várias cidades neste sábado, entre elas Londres, Dublin, Istambul, Paris (foto) e Cairo.

Compreenda o que está acontecendo na Palestina lendo posts anteriores do “thepassiranews”:

Israel ataca navio e mata ativistas
Vão morrer mais “pacifistas”?
A história secular se repete na palestina
Entrevista da brasileira do navio atacado em Gaza


17 de mar. de 2010

Lula continua aprontando na Terra Santa

BRASIL – PALESTINA
Lula continua aprontando na Terra Santa
“O sonho faraônico de se transformar no estadista global que entrará para a história por ter tido êxito ali onde todos fracassaram nos últimos 60 anos conduz Lula da futilidade à ridicularia.” – do editorial do Estado de São Paulo

Foto: Getty Images

PARLAMENTO DE ISRAEL ESVAZIADO – O presidente antes de falar ouviu discursos pouco amistosos, devido a sua amizade com Ahmadinejad, notou-se a ausência de muitos congressistas durante o pronunciamento de Lula, no parlamento judaico

Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, BBC Brasil, Estadão, Ansa, G1, Blog Gustavo Chacra

O grande profeta de caetés e presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, desde que chegou ao Oriente Médio na sua “missão de paz”, têm atirado apenas na direção de Israel e poupado os Palestinos de qualquer crítica.

Esse não é bem o discurso de quem se propõe a ser mediador, o que exige um comportamento neutro, para merecer a confiança de ambas as partes.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, boicotou todos os movimentos de Lula em Israel, aparentemente em protesto à decisão de Lula de não visitar o túmulo de *Theodor Herzl, fundador do sionismo, uma herói nacional judeu.

Para os judeus resultou suspeito o gesto do chefe de estado brasileiro, uma vez que está programada uma visita do presidente ao túmulo do ex-líder palestino Yasser Arafat durante sua visita oficial a Ramallah.

Entre idas e vindas, o Chanceler Celso Amorim, disse que Lula não foi ao túmulo, pois não estava programado e o nosso presidente como “grande líder mundial”, não ia alterar sua programação, só para evitar um incidente diplomático.

Para sermos sincero achamos que o chanceler Avigdor Lieberman usou o pretexto para demonstrar sua insatisfação em receber Lula em Israel, mas se não fosse por isso seria por outra coisa, na verdade ele não queria apertar a mesma mão que acolheu o presidente iraniano Ahmadinejad.

Foto: Reuters

"O Brasil não pode dar legitimidade indireta a esse regime", afirmou o primeiro ministro israelense, referindo-se ao Irã, no parlamento, antes da fala de Lula, que fingiu que não era com ele.

Antes de iniciar seu discurso no parlamento israelense, com poucos membros presentes, Lula ouviu comentários contundentes contra a aproximação brasileira com o Irã do presidente do Parlamento, Reuven Rivlin, do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e da líder da oposição Tizipi Livni.

A postura israelense demonstra que a defesa de sanções mais duras contra o país de Mahmoud Ahmadinejad e o rechaço ao caminho do diálogo com o Irã é um tema que une políticos de várias vertentes em Israel.

"Ser publicamente contra sanções pode ser interpretado como fraqueza por líderes que não têm freios", disse a Lula o presidente do Knesset, o Parlamento israelense, Reuven Rivlin.

"Peço que você apóie a frente internacional contra o regime de Ahmadinejad", pediu o primeiro-ministro israelense. "O Brasil não pode dar legitimidade indireta a esse regime", acrescentou Livni.

O tema, no entanto, não mereceu uma linha sequer no discurso lido por Lula diante dos parlamentares israelenses. O presidente falou, várias vezes, da importância do diálogo, sem mencionar, no entanto, o polêmico interlocutor iraniano.

"Defendemos a existência de um Estado de Israel soberano, seguro e pacífico", disse o presidente. "Ele deverá conviver com um Estado palestino igualmente soberano, pacífico, seguro, e viável, sobretudo pelo traçado de seu território."

Lula também foi direto nas críticas à expansão de assentamentos judaicos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental e defendeu a importância do diálogo na solução dos conflitos no Oriente Médio.

"O impasse agrava a deterioração das condições de vida nos territórios palestinos ocupados. Mas também alimenta fundamentalismos de todos os lados e coloca no horizonte conflitos mais sangrentos ainda."

Foto: Getty Images

Lula, junto a dona Marias usa o “Keffiyeh”, o pano normalmente usado na cabeça e nos ombros dos beduínos, associado ao movimento nacionalista palestiniano devido à sua adoção pelo ex-líder palestiniano Yasser Arafat

Se criticou Israel dentro do parlamento judeu, agora confortavelmente ao lado do primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina, Salam Fayyad, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva bateu forte no estado de Israel.

"Sabemos qual é o primeiro desafio nessa caminhada. Vencer o cruel bloqueio que vem sofrendo o povo palestino. O muro de separação cobra um alto preço em termos de sofrimento humano e prejuízo material, sobretudo na Faixa de Gaza", disse.

"A asfixia imposta à Cisjordânia e a Gaza impede que a Palestina se beneficie dos fluxos de comércio internacional", disse Lula, prometendo ajudar na busca de uma solução que permita a criação de um Estado palestino.

A barreira que corta a Cisjordânia é formada por muros e cercas, já tem mais de 400 km de extensão e anexa parte da Cisjordânia a Israel.

Foto: Reuters

Junto ao muro construído por Israel jovens palestinos protestam jogando pedras em soldados do exército judeu, no último dia 17. Lula estava por lá.

"Não é possível a gente ficar numa década feliz porque caiu o muro de Berlim e, na outra década, ficar triste porque está se erguendo um muro dividindo o Estado de Israel e o Estado Palestino."

Todos os pronunciamentos de Lula soam como música aos ouvidos palestinos e apontam um dedo acusador contra Israel.

Foto: Associated Press

Jovem palestina, num protesto, exibe fotos de crianças mortas por ataques de Israel a Faixa de Gaza
Por que os judeus estão construindo um tão odioso muro? O muro humilha e prejudica seriamente os palestinos, é verdade, mas essa foi a única forma que o estado de Israel encontrou de reduzir as chances dos homens bombas do Hamas e, sobretudo do Hezbollah, financiados pelo companheiro Ahmadinejad, explodirem-se em territorio israelense.

O grupo libanes Hezbollah, com livre circulação pela palestina, é considerado mais poderoso que qualquer exército árabe na região.

Não estamos eximindo Israel de culpa. Erros do passado e do presente, dos judeus motivaram também esse tipo de situação.

O trio que pos Lula contra a parede, nessa visita: Binyamin Netanyahu, a ex chanceler Tizipi Livni e o atual chanceler Avigdor Lieberman não são figuras inocentes, bem intencionadas e compromissadas com a Paz.

Israel já exagerou muitas vezes em ataques sangrentos, desproporcionais e desumanos em atos de guerra contra os palestinos, matando inocentes: velhos, crianças e mulheres inofencisavas.

Israel já foi atacado por mulheres bombas, velhos aparentemente invalidos, jovens com sindrome de down e até pessoas mutiladas, utilizados como suicidas para executar cidadão judeus inocentes. Um cronista israelense disse esta semana, que o terrível dessas visitas de autoridades estrageiras a Israel, são os engarrafamentos que provocam devido aos cuidados com a segurança. Dizia ele: "nada é mais apavorante em Tel-Aviv do que ficar preso num engarrafamento, com o risco de tudo explodir de repente..."

Como se vê esse é um mundo de poucos inocentes, e de muita tragédia, para onde o presidente Lula está intrometendo o Brasil, sem motivação relevante, sem experiencia e sem aparente objetivo definido, apenas para inflar o própio ego.

O editorial do Estado de São Paulo resume tudo na conclusão:

Propondo-se a mediar não apenas o conflito histórico entre judeus e palestinos, mas também o conflito interno entre palestinos do Hamas e do Fatah, Lula exibe o grau de exacerbação da sua megalomania.

*Quem é Theodor Herzl ?

Theodor Herzl é um escritor e político judeu nascido em Budapest, Hungria, criador do sionismo como movimento político, dirigido a estabelecer uma pátria judaica.

Organizou o primeiro congresso sionista, que se realizou na Suíça (1897).

Foi eleito presidente da Organização Sionista Mundial e prosseguiu pelo resta de sua vida nas atividades na imprensa e o trabalho pela criação do estado judeu.

Morreu em Edlach, Áustria, quatro décadas e meia antes da realização de seu sonho: a fundação do Estado de Israel.

Seus restos mortais foram transladados para Israel (1949) e sepultados na colina que leva seu nome, em Israel.

6 de set. de 2009

A difícil Paz

A difícil Paz
Como manter a esperança na solução do conflito entre Israel e Palestina?

Foto: Associated Press

Fernando Henrique fala pelos “Elders” na coletiva de imprensa em Jerusalém

Fernando Henrique Cardoso
O Globo

Estive em Israel e na Palestina, na última semana de agosto, em missão de um grupo criado por Nelson Mandela (os Elders) para atuar em defesa da democracia, da paz e dos direitos humanos. Fazem parte dele pessoas que não estão ligadas a governos, embora muitas delas tenham ocupado posições políticas relevantes no passado. Entre outros, o arcebispo Desmond Tutu, que presidiu a Comissão de Reconciliação da África do Sul; Gro Brutland, ex-primeira-ministra da Noruega; Mary Robinson, expresidente da Irlanda; Jimmy Carter, que dispensa apresentações; e Kofi Anan, ex-secretário-geral da ONU. Com exceção deste último, todos os mencionados fizeram parte da missão ao Oriente Médio, a qual eu liderei.

As esperanças de um acordo de paz na região reapareceram graças à ação internacional e especialmente ao empenho do presidente Obama. O presidente americano tem dito reiteradamente que os Estados Unidos querem um acordo baseado na existência de dois estados soberanos, ambos sediados em Jerusalém, com a aceitação das fronteiras existentes antes da guerra de 1967. Naquele ano, Israel tomou territórios ao Egito (Faixa de Gaza) e à Jordânia (Cisjordânia), considerados territórios árabe-palestinos.

Foto: Reuters

Os “Elders” visitam Qalandiya, posto de controle israelita, perto da cidade de Ramallah, Cisjordânia

A solução pacífica, entretanto, não é simples. E as condições para viabilizá-la são hoje mais complexas do que eram uma década e meia atrás, quando se firmaram os Acordos de Oslo, que previram a solução dos “dois Estados” e estabeleceram as bases legais da Autoridade Palestina, embrião do futuro Estado palestino.

Atualmente, cerca de 50% dos territórios palestinos na Cisjordânia estão ocupados por assentamentos de colonos israelenses. A Faixa de Gaza, de onde até recentemente os palestinos disparavam foguetes contra Israel, está submetida a um cerrado bloqueio. Mesmo o ingresso de alimentos depende da boa vontade do governo israelense. A alternativa são os túneis por onde passa o contrabando, não só de comida, mas também de armamento, que os israelenses dizem não estar diminuindo.

Foto: Associated Press

Presidente de Israel Shimon Peres recebeu o grupo liderado por Fernando Henrique em sua residência em Jerusalém, no último dia 26, junto a eminentes líderes mundiais

Na Cisjordânia, nos últimos anos, sob a justificativa de proteger os seus colonos de ataques terroristas, Israel vem construindo muros altíssimos ou eletrificados e inúmeras barreiras de vigilância. Os transtornos causados produzem um permanente estado de angústia e ódio nas populações palestinas. Para complicar, a política de colonização está sendo levada para dentro das cidades, como há pouco em Jerusalém, com a desocupação de casas habitadas por famílias árabes.

O governo de Israel justifica a política de ocupação alegando razões de segurança. Não apenas do Estado, mas dos cidadãos israelenses, ainda atemorizados com atentados de homens-bomba, patrocinados pelo Hamas, em anos passados.

A ascensão do Hamas, além de aumentar a percepção de risco à segurança de Israel e dos israelenses, produziu dois interlocutores do lado palestino, que se antagonizam internamente e não falam a mesma linguagem nas suas relações externas, em geral, e com Israel, em particular. O Fatah, herdeiro de Yasser Arafat, tem autoridade sobre os territórios não ocupados na Cisjordânia, reconhece o Estado de Israel e repudia práticas terroristas, que adotou no passado . O Hamas controla Gaza, não reconhece estatutariamente Israel e vê resistência onde os israelenses enxergam terrorismo.

Shimon Peres, a quem conheço e admiro há muitos anos, ex-primeiro ministro e hoje presidente de Israel, aponta essa cisão interna como um dos grandes obstáculos à paz , tanto maior pelo apoio que Irã e Síria emprestam ao Hamas. Peres refuta a acusação de que haja um cerco israelense à Gaza. Afirma haver fornecimento regular de comida, o que é referendado pelo presidente da Autoridade Palestina, Abu Abbas, ligado ao Fatah. E diz serem frequentes o atendimento de habitantes de Gaza em serviços de saúde de Israel.

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Para Abbas e o primeiro ministro palestino, Salom Fayyad, com quem estivemos em Ramallah, (foto) o fortalecimento da Autoridade Palestina passa pelas eleições marcadas para janeiro de 2010. O próprio pleito, porém, é motivo de controvérsia, a julgar pela conversa telefônica que tive com Ismael Haniyeh, dirigente máximo em Gaza, e pelo encontro com Abdul Dweik, ex-presidente da Assembleia palestina, e dois colegas seus, todos recém saídos de prisões palestinas controladas pelo Fatah. O Hamas exige que centenas de líderes seus sejam libertados a tempo de dedicar-se à campanha eleitoral. Mais ainda, querem garantias de que a comunidade internacional respeitará os resultados, quaisquer que sejam.

Representando os "Elders" Fernando Henrique deposita flores, junto a ex-primeira ministra da Noruega Gro Brundtland depositam uma coroa de flores no Memorial do Holocausto, em Jerusalém
Membros do The antigos, um grupo de eminentes líderes mundiais, fundados por Nelson Mandela , antiga Presidente do Brasil Fernando Henrique de Cardoso , justo e antigo Tony norueguesa estabelecer um Coroa durante uma cerimônia no Salão de memória no Holocausto Yad Vashem Memorial de JerusalémNesse contexto, como manter as esperanças na solução do conflito? Há dois elementos que podem mudar o quadro em favor da paz. O primeiro é a pressão internacional, capitaneada pelos Estados Unidos, se for suficientemente forte para levar os contendores à mesa de negociação.

A ação resoluta do enviado especial de Obama, senador George Mitchell, tem mostrado a disposição americana de não ceder frente aos “falcões” do governo israelense.

Por outro lado, há indicações de que a solução dos “dois Estados” poderia ser aceita pelo Hamas.

O segundo e principal elemento é a reação das pessoas comuns, movidas por um misto de ceticismo, pelas inúmeras tentativas fracassadas, e necessidade de crer que algo deve ser feito para recriar um horizonte de esperanças. Conversamos, sem exagero, com centenas de cidadãos palestinos e israelenses.

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Os “Elders” em Marrakech: Mary Robinson, ex-Presidente da Irlanda e ex-Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil, Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos e pelo Arcebispo Sul-Africano Desmond Tutu

Vimos, em Bil”in, a resistência pacífica dos palestinos em cujas terras passaria um muro. Mas vimos , também , um exemplo de cooperação em nível local, entre Wadi Fukin, aldeia palestina, e Tzur Hadassah, aldeia israelense vizinha, ambas abeberando-se das mesmas fontes de água. E ouvimos vozes jovens, ora vítimas dos foguetes palestinos, ora das coerções israelenses, com a firme disposição para um “basta!”. Conhecemos empresários israelenses que investem e estão dispostos a investir mais na Cisjordânia. Em suma, há elementos subjetivos e objetivos que tornam a paz um sonho possível.

Oxalá, ou como dizem por lá, Inch´ Allah! Mekavé!