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4 de nov. de 2014

Vergonha: José Dirceu passa a cumprir pena em casa

BRASIL – Impunidade
Vergonha: José Dirceu passa a cumprir pena em casa
O ex-chefe da Casa Civil trabalhou e estudou na cadeia, o que resultou no abatimento de parte dos dias da sentença de 7 anos e 11 meses. Oficialmente é um prisioneiro, em condição especial, tecnicamente está em liberdade.

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, na chegada à Vara de Execuções Penais em Brasília, para audiência com o juiz que irá liberá-lo para cumprir o restante de sua pena em casa, em regime aberto

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, Veja, G1, Estadão, O Globo, Jornal do Brasil

Condenado a sete anos e onze meses no julgamento do mensalão, o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu vai agora cumprir o restante da pena em casa. Ele assinou na tarde desta terça-feira um termo na Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Distrito Federal que o libera para a prisão em regime domiciliar, já autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.

O ex-ministro passou onze meses e vinte dias atrás das grades. O novo relator do processo do mensalão, o ministro Luís Roberto Barroso autorizou na semana passada o benefício ao mensaleiro. Dirceu trabalhou e estudou na cadeia, o que resultou no abatimento de parte dos dias da sentença – o ex-ministro só teria direito a progredir para o regime aberto em março de 2015.

Como no Distrito Federal não há casas de albergado, estabelecimentos próprios para condenados a regime aberto, a Justiça garante aos detentos nessa condição que sejam postos na condição de prisão domiciliar.

Outros condenados do “núcleo político” do esquema, o ex-tesoureiro do extinto PL Jacinto Lamas e o ex-deputado federal Bispo Rodrigues também já cumprem a pena em casa. Somente o ex-deputado federal Valdemar Costa Neto aguarda autorização do ministro Barroso para ter o mesmo benefício.

Para cumprir a pena em casa, o condenado deve, via de regra, assumir o compromisso de morar no endereço declarado e avisar qualquer mudança, permanecer recolhido das 21 horas até as 5 horas da manhã e ficar recluso nos domingos e feriados por período integral nos primeiros meses da pena.

Em maio, durante mais uma tentativa de desqualificar as condenações proferidas pelo STF no julgamento do mensalão, a defesa do ex-ministro da Casa Civil chegou a apresentar recurso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), acusando o Estado brasileiro de violação de direitos.

Fica uma frustração em observar o resultado prático de um ano e meio de atuação da Suprema Corte do país, que em 69 sessões, julgou e condenou os mensaleiros. Imaginar que à época os críticos insistiram que as penas eram muito severas, e o ministro agora relator do processo, Luís Roberto Barroso, disse que o Supremo foi muito duro no julgamento do mensalão. Chegou a afirmar que foi um “ponto fora da curva” em relação aos julgamentos anteriores da Corte, quando da sua sabatina no Senado, quando foi aprovado como ministro do Supremo Tribunal Federal.

Na prática mesmo, Dirceu ficou trancafiado apenas seis meses de novembro a junho, quando, autorizado, foi trabalhar fora da cadeia durante o dia, tendo como tarefa, “organizar a biblioteca de um escritório de advocacia de Brasília”. À noite retornava ao Centro de Progressão Penitenciária do DF para dormir.

Assim o principal mentor do maior escândalo da história republicana, o hoje milionário José Dirceu, não ficou nem um ano na cadeia e ainda é considerado um herói pelo seu Partido o PT. Portanto não é um absurdo constatar que, no Brasil, é um bom negócio ser corrupto.

12 de set. de 2013

Adeus as ilusões: STF decide beneficiar mensaleiros

BRASIL – Julgamento do Mensalão
Adeus as ilusões: STF decide beneficiar mensaleiros
Ninguém tem mais dúvidas que Delúbio Soares, tesoureiro do PT, à época do mensalão, tinha razão quando profetizou que esse julgamento do mensalão iria virar uma piada, só errou porque disse que seria uma piada de salão.

Foto: Vanessa Carvalho

Dirceu rindo por último.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Uol, G1, Blog do Reinaldo Azevedo, Folha de S. Paulo, Estadão

A decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o acolhimento de embargos infringentes no julgamento do mensalão, oficialmente, ficará para a semana que vem. Mas poucas dúvidas restam que os embargos serão aceitos, pelo escore de 6 a 5. Pois o voto restante, que será do decano da corte, o ministro Celso de Mello, deverá ser favorável a aceitação do recurso conforme ele mesmo declarou ao final da sessão.

Tentando evitar expectativas e fugindo de pressões Celso de Mello afirmou que manterá o entendimento que tem sobre os embargos infringentes e que já se manifestou sobre esse tema na sessão de 2 de agosto de 2012 do julgamento do mensalão, quando disse serem válidos os embargos infringentes.

Com essa decisão o Supremo praticamente reabrirá o julgamento de pelo menos 12 réus nos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Um novo julgamento com todas as possibilidades abertas. Devido a mudança da composição da corte, com a entrada de novos ministros, claramente comprometidos em beneficiar os réus, o novo julgamento tornar-se-á interminável, com amplas possibilidades de prescrições e absolvições. Em resumo, marcha para a impunibilidade.

Um novo acórdão (resultado escrito do julgamento) será publicado em um prazo que pode chegar a 60 dias. Então serão sorteados um novo relator e um novo revisor para o caso dos 12 réus, que terão um novo julgamento.

A discussão acerca dos embargos infringentes se refere à validade ou não do artigo 333 do regimento interno do STF, de 1980, que prevê os embargos infringentes. Enquanto os favoráveis a esse tipo de recurso dizem que o regimento tem força de lei, os contrários afirmam que a Lei 8.038, de 1990, tornou nulo o regimento da Corte.

Os embargos infringentes são cabíveis aos réus que tiveram ao menos 4 votos pela absolvição em algum crime. Terão direito a um novo julgamento nove réus condenados por formação de quadrilha com placar apertado: estarão beneficiados gente da maior periculosidade, como José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil), José Genoino (ex-presidente do PT), Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT), Marcos Valério, além de Ramon Hollerbach, Cristiano Paz (os três, publicitários), Simone Vasconcelos (ex-funcionária de Valério) --cuja pena por formação de quadrilha já prescreveu--Kátia Rabello e José Roberto Salgado (ex-dirigentes do Banco Rural).

Outros três réus condenados por lavagem de dinheiro também poderão apresentar os infringentes: João Paulo Cunha (deputado do PT-SP), João Cláudio Genú (ex-assessor do PP na Câmara) e Breno Fischberg (ex-corretor financeiro).

Adeus às ilusões: o Supremo Tribunal Federal, perde a credibilidade e desmoraliza-se de vez, ao deixar impune a turma da quadrilha do mensalão.

Dirceu não vai mais para a cadeia, e será perigoso, até calunioso e difamante, de agora em diante, chamá-lo de chefe da sofisticada quadrilha do mensalão, melhor dizer, “suposto chefe”, ou melhor, dizendo, que foi um dia acusado.

Saudade dos tempos em que respaldado pelo Supremo a gente podia sem medo chamá-lo de bandido.

Assim o Brasil volta ao seu estado natural, o país que “quem com o ferro fere, com o ferro fere e fica por isso mesmo...” (frase atribuída a Millor Fernandes)

9 de ago. de 2013

Boa Notícia: STF condena senador por corrupção. Má Notícia: Dirceu pode se livrar da cadeia

BRASIL - Justiça
Boa Notícia: STF condena senador por corrupção
Má Notícia: Dirceu pode se livrar da cadeia
Ministros definem pena de 4 anos, 8 meses e 26 dias de prisão para senador Ivo Cassol (PP-RO) e alteram concepção sobre quadrilha e mandato. Novos ministros dão pista, que se forem aceitos os embargos infringentes dos réus do mensalão, poderá cair o crime de formação de quadrilha e o ex-ministro José Dirceu não mais será condenado ao regime fechado e a própria existência da quadrilha do mensalão ficará descaracterizada.

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Mesmo condenado pelo Supremo Tribunal Federal, o senador Ivo Cassol, vai continuar exercendo o mandato, enquanto os recursos impetrados por seus advogados não forem julgados. Depois ainda terá que ser julgado por seus pares, que apreciarão se ele deve ou não ser cassado. Não é lindo ?

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Estadão, STF

O Supremo Tribunal Federal condenou ontem, pela primeira vez na história, um senador à prisão. Por unanimidade, o representante de Rondônia Ivo Cassol (PP) foi condenado a 4 anos, 8 meses e 26 dias de prisão em regime inicial semiaberto, por fraudar licitações entre 1998 e 2002, quando foi prefeito de Rolim de Moura, no Estado de Rondônia.

Cassol terá de pagar uma multa de R$ 201 mil, dinheiro que será depositado nos cofres da prefeitura da cidade. Caberá ao Senado decidir se cassa ou não o mandato do senador. Em nota, ele afirmou que "não houve direcionamento e muito menos fracionamento dos processos licitatórios" e que vai recorrer da condenação.

O julgamento de ontem foi um prenúncio para o dos recursos do mensalão, que deve começar na semana que vem.

Os dois novos ministros da Corte - Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso - se alinharam às teses dos colegas que votaram contra a condenação dos mensaleiros pelo crime de formação de quadrilha e contra a cassação imediata dos mandatos dos deputados condenados.

Integrantes da Corte já diziam, ao final da sessão de ontem, que o julgamento poderá, por isso, ser afetado.

Cassol foi condenado por fraudar licitações no valor de R$ 6,7 milhões, beneficiando um grupo restrito de empresas, cujos sócios seriam seus parentes ou amigos seus.

Os ministros julgaram que o então prefeito e dois integrantes das comissões de licitações - Salomão de Silveira e Erodi Antônio Mott - fracionaram artificialmente os valores das obras para permitir que a prefeitura escolhesse as empresas contratadas para promover obras de infraestrutura.

As investigações mostraram que as obras foram devidamente realizadas, não houve superfaturamento ou indício de que Cassol tenha se beneficiado financeiramente do esquema, mas confirmaram que as licitações foram fraudadas.


Se José Dirceu não for para a cadeia, a frustração popular poderá gerar onda de protestos violentos pelo país.

LIVRANDO A CARA DE DIRCEU

No julgamento de ontem, pela primeira vez, os ministros Zavascki e Barroso se manifestaram no tribunal sobre o crime de formação de quadrilha, posição que era aguardada por colegas de tribunal e por advogados que defendem réus envolvidos com o esquema de compra de votos no governo Lula.

Com Toffoli. Barroso tentou evitar declarações que pudessem ser interpretadas como uma posição definitiva sobre o assunto. Mas ao final acompanhou o voto do ministro Dias Toffoli, que repetiu os argumentos expostos no julgamento do mensalão - de que não configura a existência de uma quadrilha um "ocasional concerto de vontades para a prática de crimes".

Essa foi a argumentação usada no julgamento do mensalão pela ministra Rosa Weber e expressamente ressaltada ontem por Dias Toffoli como fundamento para absolver Ivo Cassol da acusação de formação de quadrilha. No ano passado, cinco ministros votaram pela condenação dos réus do mensalão por esse mesmo crime. Outros quatro votaram pela absolvição.

Se os argumentos usados ontem pelos ministros Teori e Barroso forem replicados no julgamento do mensalão, o placar definido no ano passado poderia ser revertido. Mas isso só será possível se os ministros aceitarem o recurso - embargos infringentes - que permitiria novo julgamento para parte dos mensaleiros. Se vingar a tese, o ex-ministro José Dirceu não mais será condenado ao regime fechado e a própria existência da quadrilha do mensalão ficará descaracterizada.

Na sessão de ontem, os ministros Marco Aurélio e Joaquim Barbosa votaram pela condenação de Cassol também por formação de quadrilha, assim como fizeram no passado em relação aos mensaleiros.

Gilmar Mendes e Celso de Mello, que também condenaram os envolvidos no mensalão, ressaltaram ontem que só absolveram Ivo Cassol pelo crime porque não havia quatro pessoas envolvidas nas fraudes em licitações em Rondônia. A legislação penal estabelece que para se caracterizar a quadrilha é preciso que haja ao menos quatro pessoas.

CASSAÇÃO

Os ministros vencidos no mensalão quanto à cassação imediata dos deputados condenados ganharam também a adesão de Barroso e Zavascki. Os dois julgaram ontem que cabe ao Congresso decidir sobre a cassação de condenados judicialmente.

Com isso, da composição atual da Corte, os ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Teori Zavascki, Luís Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski e Rosa Weber entendem que cabe ao Congresso decidiu se cassa ou não o mandato do parlamente condenado por um crime.

Quatro deputados federais foram condenados no julgamento do mensalão: João Paulo Cunha (PT-SP), José Genoino (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP).

Pela tese de cassação imediata, agora aparentemente minoritária, caberia ao Congresso apenas declarar a perda, algo protocolar. O Supremo retoma na próxima semana o julgamento dos primeiros recursos contra a condenação dos réus do mensalão.

29 de abr. de 2013

Erenice Guerra: de acusada de tráfico de influência a assessora de multinacionais em projetos bilionários

BRASIL - Impunidade
Erenice Guerra: de acusada de tráfico de influência a assessora de multinacionais em projetos bilionários
Dois anos e meio depois de ser demitida da Casa Civil, em meio a denúncias de tráfico de influência, ex-ministra defende empresas interessadas em negócios com o governo federal

Foto: Ricardo Stuckert / PR

Lula dando posse a Erenice Guerra, como Ministra Chefe da Casa Civil, ficou na cadeira de ministra apenas 170 dias.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Fernanda Krakovics e Danilo Fariello, para O Globo
Fontes: O Globo, Veja , Folha de S. Paulo, Blog do Reinaldo Azevedo

Pouco mais de dois anos e meio após ser demitida da Casa Civil em meio a denúncias de tráfico de influência, a ex-ministra Erenice Guerra tem defendido interesses de grandes multinacionais que buscam conquistar negócios junto ao governo federal, inclusive em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O escritório Guerra Advogados, do qual é sócia, está representando empresas do setor de energia. Erenice era consultora jurídica do Ministério de Minas e Energia quando a presidente Dilma Rousseff era titular da pasta.

Ex-braço-direito de Dilma, de quem foi secretária-executiva na Casa Civil no governo Lula, Erenice assumiu o comando da pasta quando a petista saiu para disputar a Presidência em 2010. A ex-ministra foi prestigiada pela antiga chefe mesmo após ser defenestrada do governo Lula. Erenice estava na ala dos convidados especiais do Palácio do Planalto na cerimônia de transmissão da faixa presidencial de Lula para Dilma. Também foi à festa da posse no Palácio do Itamaraty.

Com experiência na administração pública e uma rede de contatos no governo federal, Erenice foi contratada, por meio de seu escritório, pela multinacional Isolux Corsán, com sede na Espanha. Ela atua, por exemplo, em processo administrativo na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para rever as condições da concessão de trecho de linhas de transmissão de Tucuruí, sob controle da empresa espanhola.

A Isolux afirmou que contratou o Guerra Advogados e outros dois escritórios de advocacia de Brasília “com atuação administrativa junto à Aneel, para a discussão e o encontro de soluções em relação ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão de linhas de transmissão — Linhão de Tucuruí.” Área que Erenice conhece profundamente.

Na França, está o controlador de outro megaempreendimento do setor elétrico com a participação de Erenice, segundo fontes credenciadas do setor. A ex-ministra atua na disputa de bilhões de reais entre as usinas de Jirau e Santo Antônio pela alteração do nível do Rio Madeira, duas obras do PAC. Ela, segundo essas fontes, presta consultoria para a Energia Sustentável do Brasil (ESBR), que administra Jirau. A ESBR, que é controlada em 60% de suas ações pela francesa GDF Suez, disse que não se pronuncia sobre o tema da reportagem.

Foto: Agência Brasil

CASAL DILMA-ERENICE - Queridinha da então Ministra Dilma, Erenice, praticamente assumiu o ministério, um ano antes, quando a titutalar lançou-se informalmente candidata a presidente da República.

Segundo políticos que atuam na área de energia, Erenice está intermediando a negociação para venda de ativos da Petrobras na Argentina. E trabalhando para o grupo argentino Indalo, que fez uma oferta de compra. Procurado, o grupo Indalo não se manifestou. Já a Petrobras disse, em um primeiro momento, que não comentaria o assunto. Duas horas e meia depois, informou desconhecer qualquer ligação de Erenice com o grupo Indalo e esse tema.

Erenice não retornou as ligações do GLOBO. Nenhuma das empresas citadas negou relação com ela ou com o escritório dela quando procuradas.

No meio político, chamou atenção a passagem de Erenice por Fortaleza, no início de abril, na mesma data em que a presidente Dilma cumpria agenda oficial na cidade. Mas não há informação de que as duas tenham se encontrado. A presidente passou poucas horas na cidade, em eventos públicos. Na ocasião, a ex-ministra teve uma audiência com o vice-governador do Ceará, Domingos Filho (PMDB).

Segundo o vice-governador, Erenice pediu o encontro como consultora de uma empresa chamada Brasil Solar. Posteriormente, ao checar a sua agenda, a assessoria de Domingos Filho afirmou que, na verdade, a ex-ministra marcou audiência como consultora da Solar Technics, subsidiária do grupo GDF Suez, o mesmo da usina de Jirau. A empresa trabalha com instalação e financiamento de grandes sistemas industriais de produção de energia solar.

— Ela queria saber da política energética do estado. O Ceará é o único polo no Brasil de produção de energia solar. Várias empresas nos procuram para conhecer o projeto — disse o vice-governador.

O governo do Ceará criou o Fundo de Incentivo à Energia Solar (Fies), para atrair investimentos nesse setor. A mulher de Domingos Filho, Patrícia Aguiar, é prefeita de Tauá, localizada em uma região que, segundo estudo, concentra a maior radiação solar do país. Em Tauá está localizado um projeto de produção de energia solar do empresário Eike Batista.

Advogada, ex-funcionária pública com carreira na Eletronorte, de onde se desligou no auge do escândalo, Erenice tem atuado basicamente na área de energia, segundo informações obtidas nas duas últimas semanas com diferentes fontes do governo e da iniciativa privada.

O nome de Erenice é citado em esquema de fraude do programa Minha Casa Minha Vida, do Ministério das Cidades. Em ação judicial, Fernando Lopes Borges, ex-sócio da RCA, empresa no centro do caso, diz, sem apresentar provas, que o desvio de recursos teria começado com Erenice. Ela teria articulado a entrada de bancos privados na operação do programa habitacional em pequenos municípios. Segundo o denunciante, ela teria direito a R$ 200 por casa construída.

Foto: Luciana Marques/Veja

Mesmo pesando sobre ela acusações de envolvimento em um esquema de lobby, a ex-ministra Erenice Guerra, compareceu a posse de Dilma, na condição de convidada especial, ao lado do marido, o empresário José Roberto Campos.

Erenice é filiada ao PT desde 1981. Trabalhou no governo de Cristovam Buarque (na época no PT) no Distrito Federal e na assessoria da bancada do partido na Câmara, onde produzia pareceres técnicos na área de energia. No final de 2002, na equipe de transição, passou a atuar na área de infraestrutura, onde conheceu Dilma. .

Segundo o portal da Veja , Erenice Guerra perdeu o Ministério, para não prejudicar a campanha de Dilma, e recebeu uma moção de censura da Comissão de Ética. Três de seus assessores deixaram a Casa Civil e um diretor dos Correios apaniguado por ela foi expulso do governo. A sindicância aberta para investigar os casos de tráfico de influência não deu em nada, mas a Controladoria-Geral da União comprovou as irregularidades em contratos públicos.

O Ministério Público e a Polícia Federal também constataram que as denúncias eram verdadeiras. No entanto, em julho de 2012, as investigações foram arquivadas. A procuradora encarregada de atuar no caso, Luciana Marcelino, não viu a ocorrência de crime, não deixando alternativa ao juiz responsável pelo inquérito, Vallisney de Souza. Disse ele, com certa dose de resignação nas palavras: 'Segundo a lei, o juiz não pode indeferir o pedido de arquivamento e dar continuidade às investigações'. O jornal Folha de S. Paulo comenta que ele perdeu o cargo no dia em que a Folha revelou que ela recebeu no gabinete o empresário Rubnei Quícoli e o orientou a contratar a consultoria do seu filho para conseguir um empréstimo no BNDES.

A revista "Veja" também publicou reportagem segundo a qual Israel Guerra, filho da então ministra, usava o nome da mãe para fazer lobby. De acordo com a revista, dinheiro de propina foi entregue no Palácio do Planalto, no gabinete da Casa Civil.

A impunidade, entretanto, pode ser apenas relativa. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) verificou que pelas contas bancárias da família Guerra e de seus sócios passaram volumes de dinheiro incompatíveis com os rendimentos declarados à Receita Federal. Diante da possível prática do crime de lavagem de dinheiro, a polícia vai abrir um novo inquérito. Será?


6 de mai. de 2012

Cinco anos depois, Cacciola está livre, leve e solto

BRASIL - CORRUPÇÃO
Cinco anos depois, Cacciola está livre, leve e solto
Pivô de um dos maiores escândalos financeiros da história do Brasil, O ex-banqueiro Salvatore Alberto Cacciola conseguiu liberdade condicional, no ano passado, após cumprir um terço da pena. Havia sido condenado 13 anos de prisão pelos crimes de gestão fraudulenta e desvio de dinheiro público. Agora, com a extinção da pena, está livre para ir e vir, inclusive para Itália sua terra natal, onde é sócio de um luxuoso hotel, possivelmente comprando com o dinheiro desviado no Brasil. Do escândalo, segundo a revista Veja, seu patrimônio saiu intacto à custa da ruína dos 1.300 investidores dos fundos do Marka.

Foto: Paula Giolito/Folhapress

O ex-banqueiro Salvatore Cacciola, 68, tornou-se um dos maiores símbolos brasileiros do empresário inescrupuloso e confiante na impunidade, quando saía do Complexo Penitenciário de Bangu, Rio de Janeiro, liberado pela justiça, após cumprir módicos três anos e 11 meses de cadeia, em agosto do ano passado.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: O Globo , Veja

Um mês após conseguir a extinção completa de sua pena na Justiça do Rio, o ex-banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, de 68 anos, começa discretamente a retomar uma parte da rotina que ficou para trás com o escândalo do Banco Marka, em 1999. Em entrevista ao GLOBO por e-mail, a primeira exclusiva a um jornal há pelo menos quatro anos, Cacciola diz que tem propostas de emprego e que está se “adaptando à liberdade”.

“Tenho lido tudo que posso e avaliado as propostas de trabalho que têm aparecido no Brasil e na Itália” , afirma o ex-dono do Banco Marka. “(Quero) Voltar a fazer o que faço desde os 12 anos de idade, trabalhar”.

Segundo o ex-banqueiro, nada relacionado ao mercado financeiro. Mesmo livre da pena de 13 anos de prisão, ele não pode atuar pelos próximos dez anos em atividades sob a área de fiscalização do Banco Central (BC), por condenação da própria autoridade monetária. Mas preferiu não detalhar quais seriam essas propostas de trabalho. “Como perdi o emprego no Fortyseven e a Europa está em crise, ainda não defini.”

O Fortyseven é um hotel, em Roma. Mais do que um funcionário, Cacciola tinha participação societária no hotel, mas não entrou em detalhes sobre o assunto. Seu filho, que comandava o hotel, mora novamente no Brasil. O Fortyseven tem 47 quartos e uma diária pode custar 400 a noite na suíte de luxo.

Cacciola afirma que quer recuperar sua “privacidade”. Mesmo assim, o caso Marka invariavelmente volta à tona. Em abril, a Justiça Federal condenou Cacciola e outros envolvidos a uma multa de pelo menos R$ 6 bilhões. Foram condenados também a BM&FBovespa, o BB Investimentos e ex-diretores do Banco Central. Indagado se tem meios pagar sua parcela da multa, ele diz:

“Claro que não tenho e não pretendo fazer nada diferente do que estou fazendo: me defendendo.” E acrescenta: “Se houve (prejuízo), com certeza não foi por causa do Banco Marka, mas por quem conduziu de forma desastrosa a flutuação do câmbio em janeiro de 1999.”

Os problemas de Cacciola com a Justiça começaram em 1999, quando o Marka, sediado no Rio, teve problemas na maxidesvalorização do real, em 1999. O banco fez apostas erradas no mercado de câmbio e precisou ser socorrido pelo Banco Central (BC), numa operação que causou prejuízo de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos, valor que considera também o resgate do banco FonteCindam. O polêmico socorro envolveu denúncias de chantagem e informações privilegiadas, além de ter sido alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Cacciola foi o único envolvido no caso a ser preso. Indagado sobre o porquê, ele se recusa a comentar: “Esta pergunta deve ser feita ao MP e aos juízes que me condenaram e prenderam.” O ex-banqueiro alega que não tem mais “nenhum interesse” em tentar mostrar sua versão do escândalo do banco, como fez durante a CPI dos Bancos, que investigou o socorro recebido pelo Marka e em sua autobiografia “Eu, Salvatore Cacciola, confesso.”

É na autobiografia, publicada em 2001, que Cacciola revela parte de sua vida. Ele conta, por exemplo, como se adaptou na carceragem da Polinter, no Rio, onde ficou 37 dias preso em 2000, antes de fugir do país. Cacciola chegou a cozinhar frutos do mar para os presos.

Segundo o ex-banqueiro, foi com essa capacidade de adaptação que sobreviveu aos três anos e 11 meses de prisão no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, de onde saiu em liberdade condicional em agosto do ano passado.

“Esta é uma forte característica minha, caso contrário já teria morrido”, diz.

Sobre sua fuga do país, afirma que não tem arrependimentos. Ele saiu do Brasil em 2000, numa operação cinematográfica após receber um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF). Na mesma noite que deixou a Polinter, ele viajou de carro a Paraty (RJ), de onde seguiu ao interior de São Paulo. Embarcou de avião para Santana do Livramento (RS) e cruzou a fronteira com o Uruguai. De Montevidéu, seguiu a Buenos Aires e, depois, para a Itália.

Em Roma, o ex-banqueiro permaneceu até 2007 protegido da extradição por sua dupla cidadania — ele é italiano, nascido em Milão, mas naturalizado brasileiro. E foi flagrado no país vivendo uma dolce vita. Só foi novamente preso em agosto do mesmo ano, quando foi visitar a namorada, em Mônaco. Extraditado ao Brasil, voltou a ser motivo de polêmicas em 2008. Foi acusado de ter comido lagosta na prisão, no Rio. “Claro que não (comi a lagosta), foi outra invenção da imprensa”.

Charge: IQUE - Jornal do Brail (RJ)

Cacciola, um preso cheio de regalias, satirizado por IQUE, quando da denúncia de que ele almoçava lagosta, no presídio.


15 de nov. de 2011

BRASIL - IMPUNIDADE: Jaqueline Roriz é absolvida pelos comparsas

31/08/2011

BRASIL - IMPUNIDADE
Jaqueline Roriz é absolvida pelos comparsas
Os colegas parlamentares absolveram a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) no processo de cassação do seu mandato. Dois terços dos deputados presentes acharam que não foi nada demais que ela tenha recebido um pacote de dinheiro originário de corrupção, registrado em vídeo. Nem ela disse que era inocente. Mas os parlamentares não vacilaram em encamparam o argumento de que ela quando praticou a corrupção ainda não era parlamentar. Pensando bem, o resultado não foi uma surpresa. Os deputados foram coerentes: como podiam condenar uma colega se a grande maioria tem o rabo preso?

Foto: Diógenis Santos/Agência Câmara

Mesmo quando usou a tribuna para se defender, Jaqueline Roriz não se disse inocente, reafirmou a tese de que não poderia ser condenada por ato cometido antes do início do mandato. “Em 2006, eu era uma cidadã comum, não era deputada nem funcionária pública. Portanto, não estava submetida ao Código de Ética da Câmara”, argumentou.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Noticia Yahoo, Globo News, Estadão, Agência Brasil, Agência Câmara, G1

A Câmara dos Deputados absolveu na noite desta terça-feira (30) a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) no processo de cassação do seu mandato. Foram 265 votos favoráveis a ela, 166 pela cassação e 20 abstenções. Eram necessários 257 votos para tirar o mandato de Jaqueline. Para os parlamentares, o vídeo de 2006 no qual ela aparece recebendo um pacote de dinheiro do delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa, não representou quebra de decoro parlamentar. O principal argumento usado é que, naquela época, ela ainda não era deputada.

A gravação em que Jaqueline aparece recebendo um pacote de dinheiro foi divulgada em março em primeira mão pelo portal do Estadão. Com base nisso, o PSOL pediu ao Conselho de Ética a abertura de investigação contra a deputada. Aquele colegiado decidiu por 11 votos a 3 recomendar a cassação da parlamentar. No plenário, porém, o voto secreto e o quórum baixo ajudaram a salvar o mandato da deputada.

Durante o dia, dezenas de manifestantes protestaram pela cassação da deputada. Faixas foram espalhadas por Brasília para tentar sensibilizar os deputados. Jaqueline chegou à Câmara pouco antes das 17 horas e utilizou uma entrada em um túnel no anexo I da Câmara para evitar dar declarações aos jornalistas.

A sessão foi iniciada às 17h30, com uma hora e meia de atraso. Mesmo assim, somente 310 deputados tinham registrado presença e menos de 100 estavam presentes quando o relator, Carlos Sampaio (PSDB-SP), foi ao plenário explicar aos colegas seu parecer. Outra amostra da pouca atenção dispensada pelos deputados ao caso é que somente seis se inscreveram para falar sobre o tema.

Entre os parlamentares, prevaleceu o discurso do medo espalhado pela defesa de Jaqueline. Os deputados acabaram absolvendo a colega para se proteger do futuro por enxergarem em uma eventual condenação a possibilidade de virem a ser alvos de processos por fatos cometidos antes do mandato. Apesar das poucas defesas públicas, a maioria da Casa preferiu enfrentar a opinião pública a correr riscos.

O advogado de Jaqueline, José Eduardo Alckmin, foi o responsável pela aposta nesta tese da impossibilidade de se punir fatos anteriores ao mandato. "O que se quer é que todos os fatos da vida de um parlamentar possam ser julgados", disse o advogado.

Foto: Rodolfo Stuckert/Agencia Câmara
Relator do processo que pedia a cassação de Jaqueline Roriz, o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse nesta terça-feira (30) que o voto secreto foi o "ponto crucial" da absolvição da deputada federal. Para o tucano, o voto secreto é uma "excrescência".
A própria deputada usou a sessão que definiu seu futuro para falar na Casa pela primeira vez sobre o episódio. Frustrando as expectativas, porém, ela não entrou no mérito do caso. Jaqueline preferiu atacar a imprensa. "Lamentavelmente vivemos um período em que parcela da mídia devora a honra de qualquer pessoa". Fez ataques também ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que a denunciou na semana passada. Para ela, o processo que enfrentou na Câmara deveu-se a "absoluto interesse político".

Em seu pronunciamento, Jaqueline tentou dar um tom emocional ao caso. Ela afirmou ter sofrido muito junto com sua família e citou até o problema de um filho que sofre de hemofilia. Terminou seu discurso pedindo aos colegas que não a condenassem de forma "sumária".

O relator do processo tentou rebater a defesa argumentando que o fato só foi conhecido em 2011 e, portanto, teria de ser encarado como novo. "O ato indecoroso existe para que possamos extirpar do parlamento aquele que praticou ato contra o parlamento. Isso só pode ser discutido no momento em que o fato veio a luz", disse o relator.

Sampaio citou que a própria Jaqueline já tinha pedido a condenação de uma colega quando esteve diante de uma situação similar. Em 2009, a Câmara Legislativa da Distrito Federal cassou Eurides Brito por ter aparecido em vídeo recebendo dinheiro de Durval. Na ocasião, Jaqueline foi à tribuna e chamou a colega de "cara de pau" e "mau caráter".

Os argumentos do relator, porém, foram poucos para demover os deputados a proteger um dos seus e, com isso, Jaqueline Roriz foi absolvida e poderá agora "resgatar plenamente" sua capacidade política, como ela afirmou.

A última vez que a Câmara cassou um deputado foi no escândalo do mensalão. Naquela ocasião, foram cassados Roberto Jefferson (PTB), José Dirceu (PT) e o pernambucano Pedro Correa (PP). Naquele escândalo, outros seis deputados foram absolvidos em plenário.

A jornalista Cristiana Lôbo, da Globo News, no seu comentário, disse que a mensagem que o plenário da Câmara dos Deputados deu é a de que não vai tomar nenhuma iniciativa para punir qualquer um de seus pares por denúncia anterior ao mandato:

“Muita gente aqui (na Câmara) dizia que ela (Jaqueline Roriz) não deveria ser cassada para que não fosse aberto um precedente de avaliar e punir um parlamentar por acusação feita em período anterior ao mandato. Se isso ocorresse, iria sobrar muita pouca gente, segundo eles”.

Cristiana registrou que a sensação que as pessoas têm é de que, depois que os políticos são eleitos, eles passam a ser intocáveis. “Enquanto a votação for secreta, isso vai acontecer, porque o desgaste fica pulverizado, não fica direto a uma pessoa. Por isso, se falou aqui no plenário em votar logo uma emenda constitucional que torne aberta a votação dos pedidos de cassação de mandatos de parlamentares”, disse Cristiana.

Jaqueline Roriz ainda terá que responder sobre as denúncias na Justiça. Interessante é que a coisa tem dois pesos e duas medidas, apesar do crime ter sido cometido antes do mandato, e isso a teria livrado da cassação, o processo deverá correr no foro privilegiado do Supremo Tribunal Federal, uma vez que ela está investida do mandato de Deputada Federal.

Um celeiro de gente processada e de má conduta, os nossos congressistas, protegem-se numa ação que vai além do corporativismo: na verdade, na hora de votar, cada um sente um frio na espinha, imaginando que a qualquer momento, um dos seus “maus feitos” possa vir à tona e a sua cabeça pode ser a próxima a ir à guilhotina.

Foto:Ed Ferreira/AE

Ruim mesmo é suportar esse ar de felicidade dos eternamente impunes estampado no rosto da deputada Jaqueline Roriz , após o resultado que lhe foi favorável.

Veja os comentário da jornalista Cristiana Lôbo, da Globo News, logo após o fim da votação


6 de fev. de 2011

A vexatória “inocentação” de Dirceu e outros mensaleiros

BRASIL
A vexatória “inocentação” de Dirceu e outros mensaleiros
Se tudo correr conforme os sintomas legais, a turma do mensalão, inclusive o chefão José Dirceu, vão acabar não sendo condenados, fruto de manobras judiciais dos advogados, brechas na legislação e a brutal morosidade da Justiça Brasileira.

Charge HUMBERTO - Jornal do Comércio (PE)

Perseguido pela pecha de chefe de organização criminosa Dirceu fez o que fez na republica lulista, imagine o que fará “inocente”, debaixo das saias da companheira presidenta.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Radar On-line – Lauro Jardim

Segundo o Blog Radar on-line de Lauro Jardim, por causa de recursos variados impetrados pelos advogados dos réus, o processo do mensalão ainda está na fase das diligências finais. Em sua maioria, tais recursos se enquadram nas chamadas chicanas jurídicas (jeitinhos encontrados por advogados de acusados, que travam o andamento do processo).

Segundo analistas, na melhor das hipóteses, “as diligências deverão ir até abril. O que faz com que o processo só deva ser julgado pelo Supremo no início de 2012, “por mais que o ministro Joaquim Barbosa, relator do escândalo-símbolo do governo anterior, não vá admitir o fato publicamente e se esforce para isso não ocorrer”. O pior, é que em agosto começam a prescrever alguns crimes, “um deles, o de formação de quadrilha”. Ou seja, esses crimes deixarão ser definitivamente apreciados no atual processo, porque o estado brasileiro perdeu o prazo de punir devido ao tempo exagerado que durou o processo.

Nisso é que anda confiado, o chefe da sofisticada quadrilha do mensalão, José Dirceu, desde já, pronto em transformar, essa prescrição em inocência e se ungir da imagem do mais correto dos homens.

Na verdade, o Supremo, mais uma vez, evidenciará sua incapacidade de punir os bandoleiros parlamentares do nosso Congresso Nacional.

Os Ministros do Supremo, quase todos oriundos de especialização em Direito Civil, enredam-se no próprio formalismo e nas leis marotas redigidas pelos próprios réus, os deputados e senadores, e nunca conseguiram punir criminalmente um parlamentar, embora centenas deles sejam alvos de processos, e em sua maioria, como evidentes culpados. Assim a suprema corte do país contribui para a impunidade sistemática de numerosos marginais, travestidos de parlamentares.

Imaginemos o mal que essa bancada de delinqüentes faz ao país, elaborando leis que beneficiam os comparsas, favorecendo-se do cargo para ajudar organizações criminosas. O Brasil tornou-se, pois, o paraíso dos grandes meliantes: numa curiosa inversão de valores, quem rouba uma galinha acaba num presídio de segurança máxima, mas quem assalta um banco pode ser presidente da república.


28 de out. de 2009

VIOLÊNCIA - Europa: Seqüestrou e entregou a justiça assassino da filha

VIOLÊNCIA – Europa
Seqüestrou e entregou a justiça assassino da filha

Cansado de tentar, por 27 anos, que a Alemanha extraditasse para a França o responsável pela morte da sua filha menor, pai seqüestrou o criminoso e o abandonou amarrado junto ao tribunal da cidade francesa de Mulhouse. Agora autoridades alemãs querem condenar o pai sequestrador e libertar o assassino: criou-se um incidente diplomático entre os dois países

Foto: Pascal Pavani/AFP

Em 2007, Bamberski protestando em frente ao consulado alemão em Toulouse, junto aos integrantes do grupo “Justice for Kalinka”, fundado por ele.

Fontes: Le Figaro, Hannover-Zeitung, Spiegel, Temps Reel, La Pedeche, Jornal de Notícias


Médico alemão condenado pela morte da adolescente francesa, desde 1982, nunca havia sido preso antes, por isso
Dieter Krombach, (foto) de 74 anos, cardiologista alemão foi sequestrado no seu país e apareceu amarrado, amordaçado e apresentando o nariz quebrado e ferimentos na cabeça junto ao tribunal da cidade de Kempten Mulhouse na França.

Ao ser encontrado pelas autoridades francesas, alertados por um telefonema anonimo, foi levado inicialmente para um hospital sob custódia policial e depois transferido para prisão, à disposição da justiça , por estar condenado pelo assassinado e violação da jovem francesa, Kalinka Bamberski, de 14 anos em 1982.

Desde 1995 a França emitiu um mandato internacional de captura para Krombach, mas as autoridades alemãs recusaram-se a entregá-lo porque ele já tinha sido julgado num tribunal alemão e declarado inocente por falta de provas.

O pai da vítima, André Bamberski, 72 anos, também encontra-se preso, por ter sido o autor do sequestro, identificado como autor do telefonema anonimo que alertou a polícia da localização do alemão condenado posto ao lado do prédio do tribunal.

Kalinka, de 14 anos, (foto) foi encontrada morta, em 1982, na casa que o padrasto alemão tinha na margem do lago Constança. Os seus braços apresentavam marcas de várias picadas de agulha, mas a investigação revelou-se inconclusiva na Alemanha.

André Bamberski, o pai da jovem sempre acusou o médico de a ter drogado e violado e acionou os tribunais alegando que quem fez a autópsia foram médicos alemães amigos do cardiologista que ocultaram a violação.

Quando o corpo foi exumado, em 1985, depois de um batalha judicial, constatou-se "que a integralidade das partes genitais e da bacia da jovem haviam sido retiradas do corpo".

O que impossibilitou a já dificil prova da violação, mas que fez tornar ainda mais crível as acusações do pai incansável.

Krombach continuou a viver e a exercer cardiologia na Alemanha sem ser molestado pela lei, no que se refere ao caso.

Dando ainda mais suporte a versão do pai de Kalinka, o alemão, mais tarde, foi condenado, noutro processo na alemanha, 1997, por abusar sexualmente de uma paciente de 16 anos, depois de anestesiá-la para uma cirurgia, mas a pena foi reduzida a liberdade condicional. Em 2007 foi novamente condenado a dois anos e quatro meses de prisão por burla, noutro processo.

Foto: Sebastien Bozon/AFP

Local onde o médico alemão foi deixado pelos sequestradores, em Mulhouse, França

Agora o seu advogado tenta soltá-lo da prisão francesa, sob o argumento de que o assassino foi entregue à França através de método ilegal: rapto, não podendo pois ser mantido nos cárceres franceses e é respaldado pelo Ministério alemão dos Negócios Estrangeiros que pressiona diplomaticamente a França tentando garantir a libertação de Krombach.

O governo alemão se recusa a aceitar que um cidadão considerado inocente, no seu país, seja raptado e levado através da fronteira com a França e preso como condenado em território francês. Acrescentam que é inaceitável a violência que foi usada para contornar as disposições da lei de extradição, e exigem que o homem seqüestrado seja devolvido para a Alemanha.


André Bamberski mostrou que não quer vingar-se do assassino de sua filha, quer justiça, tanto que o teve em suas mãos e o entregou à justiça
Especialista em direito internacional, mostram que a Alemanha tem poucas opções para assegurar a libertação Krombach, embora seja possível intentar uma ação contra a França no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, em Estrasburgo, que seria um ato incomum.

O Ministério Público francês, que vêm tentando impor a condenação contra o médico há 14 anos, não está disposto a deixar o prisioneiro escapar do cumprimento da pena.

Por outro lado, o Ministério Público alemão anunciou que emitiu um mandado de detenção europeu contra o francês Andre Bamberski, pelo crime de seqüestro, na Alemanha, contra um cidadão alemão. Os promotores de justiça em Kempten, na Baviera cidade perto da fronteira austríaca, acompanharam o pedido, acusando André Bamberski de ter contratado um cidadão de Kosovo, de 38 anos, detido naquela cidade, cuja identidade não foi revelada, para seqüestrar o médico alemão Dieter Krombach em sua casa próxima a fronteira.

Um prisioneiro, presumivelmente um europeu orientea, envolvido no seqüestro, já interrogado pela polícia, disse que o médico alemão Dieter Krombach , foi abordado violentamente duas semanas atrás, próximo ao seu apartamento em Scheidegg-Lindenau, uma cidade da Bavária. Investigadores, mais tarde, encontraram vestígios de sangue de Krombach, seus óculos e os sapatos. O médico só foi reaparecer, sem receber tratamentos médicos, conduzido 270 km a oeste, diante do tribunal da cidade francesa de Mulhouse.

Ninguém acredita que Krombach irá retornar ao seu apartamento, perto do Lago Constança tão cedo. As negociações diplomáticas levará meses, e o resultado está longe de lhe ser favorável.

André Bamberski, o pai que nunca desistiu da promessa que fez no túmulo de sua filha, que o seu assassino seria pego, acha que atingiu parte dos seus objetivos, e não importa o que vai lhe acontecer, mas o que vai acontecer ao responsável pela morte de Kalinka.>


27 de mai. de 2009

Suzane Richthofen no regime semi-aberto

Suzane Richthofen no regime semi-aberto
Mesmo depois de ter assassinado pai e mãe a jovem estudante de direito, já pode gozar de liberdade parcial, por ter cumprido um sexto da pena. Um escândalo legal

Foto:Revista Veja

Fontes: O Globo, O Dia, Estadão

Está para gozar de progressão da pena e ganhar a moleza de prisão semi aberta, a virulenta, Suzane von Richthofen, que com 19 anos, estudante de direito, cometeu na noite de 31 de outubro de 2002, um crime bárbaro: planejou e participou da execução do assassinato de forma cruel, dos seu pais, o engenheiro, Manfred, 49 anos e a psiquiatra Marisia Von Richthofen, 50 anos, liquidados a pauladas no quarto onde dormiam.

Confessou o crime, não houve dúvidas quanto a sua autoria e participação, foi legalmente processada, levada a júri, em 2006 e teve uma sentença exemplar, foi condenada a 39 anos e seis meses de prisão em regime fechado.

Mas recentemente, como havia sido mantida presa antes do julgamento, feito as contas judiciais, constatou-se que Suzane já cumpriu um sexto da pena a que foi condenada e seu advogado pediu a progressão da pena, para o regime semi-aberto.

Para tanto foram contados mais 334 dias remidos, a se somar com os seis anos que ficou presa. Para cada três dias trabalhados dentro da penitenciária, o condenado tem direito a um dia remido. Até dezembro, a ré tinha 334 dias remidos.

Suzane von Richthofen, dentro de pouco mais de um mês, cumprida algumas formalidades, desfrutará de toda liberdade diurna, indo apenas dormir num presídio que disponha de possibilidade de cumprimento desse tipo de pena.

Poderá trabalhar, estudar, divertir-se, namorar comunicando a justiça os endereços onde se encontra e desfrutar a parte da fortuna que lhe coube como herança deixada por seus pais, cerca de dois milhões de reais, em função de sua morte, essa última parte ainda seja motivo de ação judicial, por parte do irmão que quer deserdá-la devido ao crime.

Segundo a tese da promotoria aceita pelo júri, que motivou a pena foi Suzane von Richthofen quem convenceu os executores, os irmãos Daniel Cravinho, 21 anos, seu namorado, e Cristian Cravinho, 20 anos, seu cunhado, ambos sem emprego fixo, a perpetrar o crime, planejado e premeditado por ela, com sua participação direta.

Foto:Rogério Cassimiro/Folha Imagem

A apresentação do trio criminoso a imprensa, logo depois de esclarecido o crime. Cristian Cravinho, Daniel Cravinho e , Suzane von Richthofen

Fez, inclusive, com os Cravinhos, dias antes do crime, um teste de barulho causado pelos disparos de uma arma de fogo e com isso descartaram a idéia de utilizar uma.

No dia fatídico, Suzane desligou as câmeras de segurança e o alarme da residência, abriu as portas para os assassinos, informou que seus pais estavam acordados, para que eles não dessem tempo deles reagirem e ficou esperando que o crime acontecesse.

O primeiro a ser atingido foi Manfred, que morreu quase imediatamente por trauma crânio-encefálico, segundo dados da perícia. Marísia sofreu mais: foi golpeada impiedosamente na cabeça por Christian, sofreu vazamento de massa encefálica, todavia, não morreu na hora. Para apressar a morte da mãe de Suzane, Christian a estrangulou. A casa foi mais tarde revirada e alguns dólares e euros foram levados, para forjar latrocínio (roubo seguido de morte).

Os dólares e euros foram repassados para Christian, o cunhado, como recompensa pela sua participação. Após o brutal assassinato, Cristian foi deixado perto do apartamento onde mora com a avó e o casal de namorados tratou de forjar o álibi para aquela noite.

Entraram no Motel Colonial, na Zona Sul da capital, e escolheram a melhor suíte. Suzane fez questão de guardar a nota fiscal. Pagaram R$ 380 pelo conforto do quarto e por um lanche. Saíram do motel às 2h56 da madrugada e foram ao encontro de Andreas o irmão dela, que os aguardava, sem nada saber, no Cyber Café.

Passado dois dias do crime, as suspeitas para com Suzane e o namorado adquiriram consistência mais forte, quando investigadores da Delegacia de Homícidio, apareceram para uma vistoria e surpreenderam Suzane, Daniel, Andreas e um casal de amigos celebrando alegremente à beira da piscina, ao som de música alta.

A festa continuou no dia seguinte, um domingo, o casal de namorados foi até o sítio da família no interior de São Paulo, onde comemoraram o aniversário de 19 anos de Suzane. Os colegas de faculdade da garota contam que lhes chamou atenção o comportamento de Suzane.

Mesmo dispensada de assistir às aulas, ela não chegou a faltar um único dia. Chegou a apresentar um seminário na quinta-feira - horas antes de confessar o crime. Suzane era abordada por colegas querendo confortá-la, mas sempre respondia de forma lacônica.

Foto: Flávio Grieger/Folha Imagem

No enterro, observada pela imprensa, a encenação da órfã inconsolável.
Na foto com o irmão Andreas, mais atrás de gravata o assassino Daniel Cravinho

Evidente que há algo errado no nosso Codigo Penal. Se alguém que mata o pai e mãe, de forma tão cruel, seis anos depois já está desfruntando de liberdade legal, com direito de usurfruir da herança, caso a justiça entenda que o crime não foi motivado pelo interesse economico. (Nas alegações de defesa são postas que Suzane planejou o crime por que os pais não permitiam o seu namoro com o potencial e depois efetivo assassino Daniel Cravinho.)

Suzane von Richthofen hoje está mais para celebridade, deverá ser entrevistada por alguns programas de televisão e até vai virar personagem de um cinema, a produtora Ana Paula Sant’Anna prepara um filme, já em fase de pré-produção que contará a história da jovem milionária parricida.

No Brasil mesmo quando os crimes são desvendados e os réus condenados, acabam passando uma sensação estranha de impunidade.

Faz-nos lembrar a frase atribuída a Millor Fernandes:

“Nesse país, quem como ferro fere, como ferro fere e fica por isso mesmo...”