26 de out de 2010

PERNAMBUCO: Flagelados da cheia de julho estão abandonados

PERNAMBUCO
Flagelados da cheia de julho estão abandonados
A BBC Brasil, mandou uma equipe a Água Preta-PE para ver o que foi feito até agora, na recuperação da cidade destruída pelas enchentes há quatro meses. Descobriu que como no Haiti, os flagelados continuam morando em barracas, e em cômodos de um hospital, sem condições de higiene e com riscos de epidemias. Vivendo da esperança que os políticos, depois das eleições, finalmente comecem a construir a nova Água Preta.

Foto: Emma Lynch/BBC Brasil

Um dos poucos edifícios importantes que se manteve de pé foi a igreja

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil

A matéria da jornalista Liz Throssell e da fotografa Emma Lynch, enviadas especiais da BBC Brasil a Água Preta (PE) diz que “Mais de quatro meses depois das enchentes que devastaram Alagoas e Pernambuco, dezenas de habitantes de Água Preta (PE), distante 125 km de Recife, continuam abrigados no hospital da cidade, enquanto outros permanecem em acampamentos.

Em 19 de junho, o Rio Una, que passa na localidade, transbordou depois de dias e dias de chuva forte e inundou as ruas. Com isto, o nome da cidade deixou de ser poético para se tornar tristemente descritivo.

A moradora Ana Lúcia da Silva, comenta que "Foi terrível". "Nós perdemos a maioria das nossas coisas na enchente. A minha casa ainda está de pé, só que a água rachou as paredes e ela está condenada".

As enchentes de junho de 2010 afetaram 181 mil pessoas em Alagoas e 83 mil em Pernambuco, com um saldo de mais de 40 mortos.

Dos 35 mil habitantes de Água Preta, 3,4 mil ficaram e ainda estão desabrigados.

Foto: Emma Lynch/BBC Brasil

O hospital-maternidade é onde Ana Lúcia e outras 100 pessoas estão alojadas desde julho

Algumas famílias moram em abrigos de madeira, erguidos nos pátios de hospitais, enquanto outros desabrigados - entre eles, Ana Lúcia - moram dentro do próprio hospital. Cada família ocupa um quarto.

Ana Lúcia está consideravelmente otimista para quem perdeu tanto.

"Nós estamos conseguindo mantimentos. Comida, água, fraldas. Às vezes, a gente consegue roupas", ela diz.

Segundo Ana Lúcia, as pessoas que estão no hospital foram avisadas de que terão de permanecer em abrigos temporários por vários meses, mas que depois elas serão realocadas em casas que estão sendo construídas pelo governo(?)

Outras pessoas parecem menos otimistas. No hospital, duas mulheres sentadas à sombra dizem que há casos de pessoas doentes no local. Sabe-se que os riscos de epidemias nesses casos são enormes.

Foto: Emma Lynch/BBC Brasil

Cenário de guerra, após a devastadora enchente do Rio Una

A área próxima ao Rio Una parece o cenário de um bombardeio, com escombros e madeira jogados pelas margens. O cheiro de terra úmida se mistura ao odor de esgoto não-tratado.

Casas exibem um sinal de "OK" em amarelo. Trata-se de uma marca deixada por trabalhadores da Defesa Civil para mostrar que todas as pessoas da residência haviam sido encontradas.

Foto: Emma Lynch/BBC Brasil

Casa marcadas pela defesa civil, com o OK, que quer dizer que todas as pessoas da família sobreviveram a catástrofe.

Os desabrigados de Água Preta também estão sendo hospedados em acampamentos espalhados em volta da cidade.

Um deles, situado em uma área mais alta, dá a seus 173 residentes não só uma vista para o rio que causou os problemas, mas também uma visão de suas possíveis vidas futuras.

Autoridades locais dizem que casas serão construídas em uma colina próxima, em uma área que será chamada de Nova Água Preta.

Por enquanto, as pessoas estão mais preocupadas com a rotina diária no acampamento. Trabalhadores da saúde visitam os desabrigados em suas barracas, enquanto autoridades do governo estadual ajudam a providenciar suprimentos.

Foto: Emma Lynch/BBC Brasil

Riscos de epidemia nos acampamentos, como a que está acontecendo no Haiti, são permanentes

Contêineres enormes ocupam o perímetro do acampamento como baleias encalhadas. Dentro deles estão os móveis que cada família conseguiu salvar.

Dadas as perdas e os deslocamentos que estas pessoas enfrentaram, o desafio agora é assegurar que elas cuidem do acampamento e de sua higiene, diz Loursileide Rodrigues da Silva, funcionária do programa Operação Reconstrução, do governo estadual.

"Um dos maiores problemas que nós temos são as latrinas", diz.

Com as famílias obrigadas a morar tão perto uma da outra em suas barracas, problemas podem surgir rapidamente.

"Nós botamos no papel como as pessoas devem morar, estipulando o que não é aceitável, como, por exemplo, jogar lixo para fora de sua tenda ou maltratar as crianças", diz Loursleide.

"Outra regra é que as crianças não podem andar sem sapatos", afirma. Enquanto ela fala, um menino sem sapatos brinca alegremente próximo de sua barraca, junto de outras crianças.

Foto: Emma Lynch/BBC Brasil

Famílias “hospedadas” no hospital, há quatro meses e sem previsão para sair

Como O governo de Pernambuco diz que 5 mil casas estão sendo construídas, embora ninguém consiga vê-las, ou porque elas ainda são projetos e só existam no papel, na imaginação do povo, que continuam a acreditar no pacote de promessas, que sempre acontece em épocas eleitorais.

O governo Lula sempre se auto proclama como preocupado com os seus programas sociais, nunca cuidou com propriedade das vítimas de catástrofes, pelo menos no território nacional.

A jornalista da BBC afirma acreditar que muitos dos desabrigados devem ficar ainda meses no acampamento. Lembrar que em Alagoas, existem desabrigados que estão num presídio abandonado há 12 anos.

"Ainda hoje há pessoas que não se recuperaram das enchentes de 2000", diz Maria de Lourdes Nascimento, da Associação de Mulheres de Água Preta.

Ela diz, no entanto, que a ajuda do governo desta vez foi muito melhor.

O nível da destruição em Pernambuco fica mais evidente quando se deixa Água Preta para chegar à cidade de Palmares.

Lá, o Rio Una literalmente cortou os fundos das casas que ficavam próximos da água, deixando o interior das residências cruelmente exposto.

Foto: Emma Lynch/BBC Brasil

O que restou da velha Água Preta.

Adeilda Severina Teixeira, cuja casa fica poucas ruas distante do rio, diz que a água tomou todo o seu primeiro piso. As casas de alguns de seus vizinhos ficaram submersas.

A água manchou as paredes de sua cada, que ainda está escassamente mobiliada e coberta com uma poeira avermelhada, legado da lama depositada pela água das cheias.

Em setembro, engenheiros recomendaram a destruição de construções distantes 50 metros ou menos do rio em Palmares, devido ao risco de cheias frequentes naquela área.

Mas Adeilda diz que havia muita incerteza em sua vizinhança sobre o futuro. "Eu não sei se a minha casa é considerada segura", afirma.

Assim como em Água Preta, acampamentos foram montados para abrigar as pessoas que perderam suas casas.

Adeilda diz que conhece várias pessoas que voltaram para suas residências ameaçadas, ou então se espremeram nas casas de parentes, em vez de ocupar as barracas.

Foto: Emma Lynch/BBC Brasil

"É muito humilhante no acampamento, ter que fazer fila para tudo" diz Adeilda.

Foi preciso a BBC Brasil, ocupa-se em fazer uma matéria sobre os atingidos pelas cheias em Água Preta-PE, para que se soubesse o descaso com são tratados essas vítimas das enchentes e do poder público, quatro meses após a catástrofe. Nem um grande jornal pernambucano, ou da mídia nacional preocupou-se em pautar uma matéria sobre esses pobres nordestinos, esquecidos e abandonados a própria sorte.


*“Atingidos por enchentes em PE moram desde junho em hospital” é o título original da matéria de Emma Lynch para a BBC Brasil
**Acrescentamos subtítulo, legendas nas fotos, comentários adicionais e suprimimos parte do texto original que pode ser lido integralmente no Portal da BBC Brasil

Um comentário:

Mordaz disse...

Olha que interessante na ZERO HORA:
Geral | 26/10/2010 | 04h04min
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"Em três meses, moradores de Canela reconstroem casas danificadas pelo vento"
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Centenas de casas danificadas em julho foram recuperadas com apoio de amigos, de familiares e de empréstimos.
Vanessa Franzosi |
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Há três meses, sete bairros de Canela, na serra gaúcha, tiveram sua rotina e sua paisagem alteradas pela devastação causada em poucos minutos por rajadas de vento muito fortes. Hoje, mesmo sem dinheiro da União, a maioria dos atingidos voltou à vida normal com a ajuda de amigos e de familiares. Outros, porém, AINDA ESPERAM PELA AÇÃO DO GOVERNO FEDERAL PARA PODER VOLTAR PARA CASA.
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Este é o Governo Lula. A cada catástrofe ele vem a Televisão e promete ajuda só da boca para fora que nunca chega. É só autopromoção.