12 de out de 2010

217 anos de devoção a Nossa Senhora de Nazaré

PARÁ – CÍRIO DE NAZARÉ
217 anos de devoção a Nossa Senhora de Nazaré
Ocorreu nesse domingo, 10, a mais importante manifestação católica do mundo, o Círo de Nazaré, que atraiu uma multidão de mais de dois milhões de fiéis e turistas as ruas de Belém, capital do Estado do Pará, fato, cada vez mais grandioso, que se repete desde 1973

Foto: Reuters

A imagem de N. S de Nazaré acompanhada por 2 milhões de fiéis pelas ruas de Belém, uma das maiores manifestações religiosas do planeta

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Governo do Pará, Blog do Marco Pimenta, Wikipedia, Jornal Hoje, Portal do Círio de Nazaré, Portal da Amazônia, Diário do Pará

Há 217 anos, desde 1793, o Círio de Nazaré, em devoção a Nossa Senhora de Nazaré, percorre as ruas de Belém, capital do Pará, no segundo domingo de outubro, acompanhado por cerca de 2,2 milhões de fiéis, é a maior e a mais tradicional romaria religiosa da América Latina, e a segunda do planeta, perdendo apenas para Fátima em Portugal.

Neste ano 70 mil turistas visitam o estado nesse período, para assistirem todas as romarias, em número de 11, que juntas reúnem mais de 4 milhões de pessoas.

Profanamente, fruto do Círio, o estado recebe um injeção de US$ 25 milhões gastos no Pará pelos turistas durante o período da festa, considerada o Natal dos paraenses.

São fiéis e curiosos vindos principalmente dos Estados do Maranhão, Amapá, Rio de Janeiro e de São Paulo. Entre os estrangeiros que mais visitam Belém no início de outubro estão os que vêm da França, dos Estados Unidos e do Suriname, representando cerca de 10% do total de visitantes.

Segundo a Paratur, 40% do total de turistas são paraenses que moram fora do Estado, e o restante participa pela primeira vez do evento religioso.

Foto: Reuters

Uma das mais importantes tradições é acompanhar o Círio segurando à corda, de 400m de extensão, que é atrelada a berlinda, a carruagem que conduz a Santa.

Os visitantes aproveitam para conhecer outros municípios paraenses, atraídos pelas praias, rios, gastronomia e manifestações culturais.

Com uma média diária de 80 voos, durante o Círio as companhias aéreas ofereceram 56 voos extras, 24 a mais do que em 2009, quando foi registrado um movimento acima de 103 mil passageiros no mesmo período. Neste ano, o aumento foi de cerca de 30%.

A estimativa é que a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré percorra, até o final da festividade, nas 11 romarias programadas, mais de 129 km em aproximadamente 39 horas.

A primeira romaria da festa é a que tem o maior percurso, a do Traslado, ocorrida na sexta-feira (8). A berlinda com a imagem da Santa partiu da Basílica Santuário até a Igreja Matriz do município de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém (RMB), percorrendo 55 km em cerca de 12h20.

Foto: Reuters

Nas águas do rio amazonas, dezenas de embarcações, entre barcos, ferry boats, balsas e lanchas, acompanham o trajeto, do Círio fluvial, enquanto das margens, centenas de devotos assistem a passagem da Santa.

A Romaria Rodoviária, segunda procissão, aconteceu no sábado (09), saindo da igreja matriz de Ananindeua e seguindo até o trapiche de Icoaraci, percorrendo 24 km em aproximadamente 2h25. No mesmo dia ocorreu a terceira romaria, a Fluvial, que partiu do trapiche até a escadinha, ao lado da Estação das Docas, no bairro da Campina, em Belém, percorrendo, pela Baía de Guajará, 18,5 km em pouco mais de 2 horas. Já a Motorromaria, que parte da escadinha até o colégio Gentil Bittencourt, percorreu 2,5 km em cerca de 40 minutos.

A Trasladação, procissão da noite anterior ao Círio, partiu do colégio Gentil rumo à Catedral de Belém, percorrendo os 3,750 km em aproximadamente 06h5, uma hora a mais do tempo previsto. A missa que antecede a Trasladação iniciou pontualmente às 16h30, e a procissão às 17h30.

Na manhã de domingo (10) aconteceu o Círio de Nazaré, com saída da Catedral até a Praça Santuário, um percurso de 3,600 km concluído em torno de nove horas, no Círio considerado o mais rápido dos últimos tempos. A última procissão da quadra nazarena é o Recírio, a procissão de despedida que ocorrerá na manhã do dia 25 de outubro.

Foto: Reuters

Promessas são pagas com a condução de objetos em miniaturas, como uma casa adquirida por milagre da santa, ou um barco que foi poupado de um naufragio

Outras regiões devido a migração de paraenses acabaram criando a procissões, como em São Luís do Maranhão, por exemplo, para se sentirem mais próximos de Belém, e sob a proteção direta de Nossa Senhora de Nazaré.

Há celebrações em Portugal, como a que acontece no dia 8 de Setembro na vila da Nazaré.

O Termo "Círio" tem origem na palavra latina "Cereus", que significa vela grande.

No Brasil, no início era uma romaria vespertina, e até mesmo noturna, daí o uso de velas. No ano de 1854, para evitar a repetição da chuva torrencial como a que havia caído no ano anterior, a procissão passou a ser realizada de manhã.

Foto: Reuters

Os fiéis tomam o sacrificio de acompanhar o Círio, sob um calor de 40º, como uma forma de penitência pela remissão dos pecados /P>

A introdução da devoção à Senhora da Nazaré, no Pará, foi feita pelos padres jesuítas, no século XVII. Embora o culto tenha se iniciado na povoação da Vigia, a tradição mais conhecida relata que, em 1700, Plácido, um caboclo descendente de portugueses, andava pelas imediações do igarapé Murutucu (área correspondente, hoje, aos fundos da Basílica) quando encontrou uma pequena estátua de Nossa Senhora da Nazaré. Essa imagem, réplica de outra que se encontra em Portugal, entalhada em madeira com aproximadamente 28 cm de altura, encontrava-se entre pedras lodosas e bastante deteriorada pelo tempo e pelos elementos.

Plácido levou a imagem consigo para casa, onde tendo-a limpado, improvisou um altar. De acordo com a tradição local, a imagem retornou inexplicavelmente ao lugar do achado por diversas ocasiões até que, interpretando o fato como um sinal divino, o caboclo decidiu erguer às próprias custas uma pequena ermida no local, como sinal de devoção. A divulgação do milagre da imagem santa atraiu a atenção dos habitantes da região, que passaram a acorrer à capela, para render-lhe homenagem.

A atenção do então governador da Capitania, Francisco da Silva Coutinho, também foi atraída à época, tendo este determinado a remoção da imagem para a Capela do Palácio da Cidade, em Belém. Não obstante ser mantida sob a guarda do Palácio, a imagem novamente desapareceu, para ressurgir em seu nicho na capela. Desse modo, a devoção adquiriu caráter oficial, erguendo-se atualmente, no lugar da primitiva ermida, uma capela, hoje a suntuosa Basílica de Nossa Senhora de Nazaré.

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A multidão entra em contrição de fé, ao avistar a berlinda conduzindo a Santa

Em 1773 o bispo do Pará, Dom João Evangelista, colocou a cidade de Belém sob a proteção de Nossa Senhora de Nazaré. No início do ano seguinte (1774), a imagem foi enviada a Portugal, onde foi submetida a uma completa restauração.

O seu retorno ocorreu em outubro desse mesmo ano, tendo a imagem sido transportada, do porto até ao santuário, pelos fiéis em romaria, acompanhada pelo Governador, pelo Bispo e pelas demais autoridades, civis e eclesiásticas, escoltadas pela tropa.

Este foi considerado o primeiro Círio.


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