21 de out de 2010

FRANÇA: A nova revolução francesa

FRANÇA
A nova revolução francesa
Ao completar uma semana de greves e protestos que abalam a França e deixam quase um terço dos postos de gasolina desabastecidos, trabalhadores de setores-chave do país não demonstram planos de enfraquecer. Apesar da crise, o presidente Nicolas Sarkozy garantiu que não pretende recuar no plano de reforma da Previdência e disse que irá até o fim para aprovar o projeto.

Foto: Getty Images

Sarkozy zomba da Democracia - Diz o cartaz colocado num dos monumentos de Paris aS

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brsil, Le Figaro, Liberation, Diario Catarinense, Diário de Noticias

O ministro do Interior da França, Brice Hortefeux, instruído pelo presidente Nicolai Sarkozy, prometeu prisão, punição e mais repressão aos manifestantes que realizarem protestos violentos contra a reforma da previdência no país.

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Hortefeux disse que a França "pertence às pessoas honestas que querem trabalhar", e alertou, passando um recado para os sindicatos, que se a situação atual persistir, empresas serão sacrificadas e empregos serão suprimidos.

Em vários pontos do país, manifestantes entraram em confronto com a polícia durante o novo dia de protestos, que já duram sete dias, causando estragos em veículos e estabelecimentos comerciais.

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Só nessa quarta-feira, 245 pessoas foram presas. Desde o inicio das manifestações 1.901 franceses foram detidos pela polícia. A grande maioria vai enfrentar processos na justiça francesa.

Em reposta o presidente francês, Nicolas Sarkozy, determinou a intervenção da polícia para garantir a reabertura de todos os reservatórios de combustível bloqueados durante os protestos, o que tem provocado falta do produto nos postos.

O ministério do Interior está empregado nessa missão a força especial da polícia francesa – equivalente à Swat americana - para liberar os reservatórios, dominado pelos sindicalistas em greve.

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Os estudantes entraram na briga: mais de duzentas escolas estão sem aulas em Paris, enquanto os jovens enfrentam a polícia

Hortefeux, o ministro do interior, ressaltou que respeita o direito ao protesto dos trabalhadores, mas que este direito não inclui o bloqueio a outros trabalhadores ou a violência.

Mas enquanto o governo conseguia desbloquear três reservatórios importantes, em La Rochelle, Donges e Le Mans, os manifestantes, fecharam o porto de Le Havre, no norte, impedindo o descarregamento de dez petroleiros.

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De acordo com o correspondente da BBC na França Christian Fraser, em toda a França, mais de três mil postos de combustível estão sem o produto.

O temor de desabastecimento dos motoristas provocou filas enormes nos postos e levou a um aumento de 500% na vendas.

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Funcionários do setor de transporte também continuam com seus protestos e a estatal ferroviária, SNCF, informou que um em cada três trens de alta velocidade, o TGV, teve viagens canceladas.

Manifestantes dificultaram o tráfego pelas estradas de acesso aos aeroportos Charles de Gaulle e Orly, na região de Paris, os dois maiores do país, obrigando os passageiros, que chegam e saem da França, a se deslocar a pé, após longas caminhadas, deixando ou chegando aos terminais.

O projeto de reforma da Previdência, que entre seus pontos mais polêmicos aumenta a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos, deve começar a ser votado pelo Senado nesta quinta-feira.

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Apesar dos protestos, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que não pretende recuar e que irá "até o fim" para aprovar a reforma, que considera um dos projetos mais importantes de seu mandato e como tal, "é para ser aprovado e posto em prática".

Segundo o jornal Diário de Notícias, de Portugal, 79% dos franceses, sugerem que o impasse seja resolvido com uma negociação. Esta intransigência autoritária, de Sarkozy, tem sido alvo de críticas por parte de analistas políticos.

"Ao marginalizar-nos, Sarkozy transferiu o poder para a rua", afirmou um sindicalista citado pelo diário Liberation.

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