O vulcão chileno Puyehue, postado próximo a fronteira com a Argentina, entrou em erupção no sábado, após dezenas de tremores de terra. A gigantesca coluna de fumaça, gás e detritos lançada na atmosfera a altura de dez quilometros, alcançou, neste domingo, localidades distantes em até 100 km. Turistas foram estimulados a deixar a região e cerca de 3,5 mil pessoas já foram retiradas das cercanias do vulcão. O movimento causado pelos terremotos ocorrido no Chile poderia ter despertado o vulcão que estava inativo desde 1960.
Foto: Reuters As cinzas do vulcão chileno foram arremessadas na atmosfera como se fora um gigantesco cogumelo das explosões nucleares
As nuvem de cinzas do vulcão chileno Puyehue-Caulle avançou neste domingo para a Patagônia argentina, como as cidades da província de Chubut, Trelew e Puerto Madryn, na costa atlântica.
As cidades argentinas estão a quase 900 quilômetros do complexo vulcânico e registram baixa visibilidade, segundo informa o site Infoglaciar, de Chubut.
O vulcão Puyehue, que forma parte da cadeia Puyehue-Cordón Caulle, perto da fronteira com a Argentina, entrou em erupção no sábado e grandes colunas de fumaça podiam ser vistas de longe.
Foto: Reuters As cinzas do vulcão cobriram o balneário argentino de San Carlos de Bariloche, a 160 km da erupção, cancelando o fim de semana turístico
As cinzas chegaram até a cidade de San Carlos de Bariloche, a 160 quilômetros de distância, e Villa Angostura, a 45 quilômetros do epicentro do fenômeno.
A nuvem escureceu estas cidades a partir das cinco horas da tarde de sábado, como contou à rádio Mitre o prefeito de Villa Angostura, Ricardo Alonso.
“Hoje, domingo, podemos dizer que é uma situação de emergência, mas que estamos tomando todas as precauções necessárias. As aulas e os voos, por exemplo, foram suspensos até que tudo volte à normalidade”, afirmou.
Foto: Reuters Enquanto o morador da cidade de Osorno sai da área de risco, o Puyehue-Caulle exibe sua força
Segundo a imprensa local, os moradores da cidade foram orientados a não sair de casa e o transporte público entre as duas cidades também foi interrompido.
Neste domingo foram cancelados doze voos do aeroporto Jorge Newberry, de Buenos Aires para a região patagônica. Entre eles, dois para Bariloche e um para Ushuaia, na província de Terra do Fogo – dois destinos muito visitados pelos brasileiros.
Segundo os jornais argentinos, os poucos moradores que saíram às ruas no sábado usavam máscaras para evitar respirar as cinzas vulcânicas.
No entanto, as autoridades chilenas decretaram alerta vermelho na região do vulcão, na localidade de Osorno, no sul do Chile e em frente a Bariloche.
Neste domingo, o subsecretário do Ministério do Interior, Rodrigo Ubilla, e o diretor nacional do Escritório Nacional de Emergência (Onemi, na sigla em espanhol), Vicente Nunez, iniciaram discussões para retirar os moradores que permaneciam na região. Eles fizeram apelos para que os turistas deixassem o local.
Foto: Jornal La Terceira Na véspera, cerca de 3,5 mil pessoas foram retiradas da região onde fica o vulcão.
A erupção, de acordo com as autoridades chilenas, foi acompanhada por “dezenas de tremores de terra” por hora. O movimento causado pelos terremotos poderia ter tornado o vulcão mais ativo, de acordo com a imprensa chilena.
Segundo o ministro de Mineração do Chile, Laurence Golborne, "a fumaça de gases vulcânicos tem uma altura de dez quilômetros e uma largura de cinco quilômetros".
A última erupção do vulcão Pueyhue ocorreu em 1960. Em 2008, outro vulcão chileno, Chaitén, também no sul do país, entrou em erupção, derramando igualmente cinzas na própria localidade e nas vizinhas províncias argentinas da Patagônia.
Foto: AFP A assustadora beleza da natureza em fúria
As usinas nucleares japonesas atingidos pelo terremoto e tsunami deixaram o mundo em suspense. Os alarmistas falam num iminente desastre nucelar de grandes proporções capaz de afetar todo o planeta. Os mais moderados asseguram que o problema esta prestes a ficar sob controle e tem modesto alcance local. Muitos, nem os japoneses, acreditam na honestidade das informações do governo do Japão. Sabe-se que uma equipe de 50 heróicos engenheiros estão voluntariamente isolados no local, lutando contra o tempo, expostos a níveis radiativos, que não querem, espalhem-se pelo resto do país.
Foto: Reuters Imagem aérea mostra os danos no reator nº 4 na usina de nuclear de kushima Daiichi, Japão a
Após uma terceira explosão em um de seus reatores nucleares, a usina de Fukushima Daiichi, 250 km a noroeste de Tóquio, no Japão, começou a deixar escapar radiação em níveis que se aproximam do preocupante, alertaram nesta terça-feira as autoridades japonesas.
O governo japonês afirmou que os níveis de radiação após as explosões na usina de Fukushima podem afetar a saúde humana. Moradores que vivem em um raio de 30 km da usina foram aconselhados a deixar suas residências ou permanecer em casa a portas fechadas para evitar exposição.
Em Tóquio, os níveis estariam acima do normal, mas sem apresentar riscos à saúde. Na segunda-feira, as autoridades em Fukushima haviam informado que 190 pessoas foram expostas a radiação e um navio militar americano, o porta-aviões USS Ronald Reagan, havia detectado baixos níveis de radiação a uma distância de 160 km da usina de Fukushima.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) descreveu o vazamento como um evento de nível quatro em uma escala internacional que tem como pico máximo, oito. O que significa que trata-se de um incidente "com consequências locais".
As informações são de que houve vazamento de isótopos de césio e iodo nas redondezas da usina. Especialistas dizem que seria natural haver também um escape de isótopos de nitrogênio e argônio. Mas não há evidências de que tenham escapado plutônio ou urânio.
Em um primeiro momento, a exposição a níveis moderados de radiação pode resultar em náusea, vômito, diarréia, dor de cabeça e febre. Em altos níveis, essa exposição pode incluir também danos possivelmente fatais aos órgãos internos do corpo.
Foto: Associated Press As crianças são mais vulneráveis em casos de exposição nuclear. Num centro de evacuados de Fukushima, Japão, técnico examina níveis de radiação num bebê.
No longo prazo, o maior risco do iodo radioativo é o câncer, e as crianças são potencialmente mais vulneráveis. A explicação para isso é que, nas crianças, as células estão se multiplicando e reproduzindo mais rapidamente os efeitos da radiação. O desastre de Chernobyl, em 1986, resultou em um aumento de casos de câncer de tireóide (região em que o iodo radioativo absorvido pelo corpo tende a se concentrar) na população infantil da vizinhança da usina.
É possível prevenir o problema com pastilhas de iodo não-radioativo, porque o corpo não absorve iodo da atmosfera se já estiver "satisfeito" com todo o iodo de que necessita. Especialistas dizem que a dieta dos japoneses já é rica em iodo, o que ajuda na prevenção. Césio, urânio e plutônio radioativos são prejudiciais, mas não atacam nenhum órgão do corpo em particular. O nitrogênio radioativo se dissipa em segundos após a sua liberação, e o argônio não apresenta riscos para a saúde.
A usina de Fukushima teve problemas com o sistema de resfriamento de seus reatores, que superaqueceram. A produção de vapor gerou um acúmulo de pressão dentro do reator e a consequente liberação de pequenas quantidades de vapor.
Para especialistas, a presença de vapores de césio e iodo – que resultam do processo de fissão nuclear – sugere que o invólucro de metal que guarda alguns dos bastões de combustível pode ter se quebrado ou fundido. Mas o combustível de urânio em si tem um altíssimo ponto de fusão e é improvável que tenha se liquefeito, e ainda mais improvável que tenha se convertido em vapor.
Como plano de contingência, os técnicos estão usando água do mar para resfriar os reatores.
O iodo radioativo se dissipa rapidamente e a estimativa é de que a maior parte terá se dissipado em um mês. O césio radioativo não permanece no corpo por muito tempo – a maior parte terá saído em um ano. Entretanto, a substância fica no ambiente e pode continuar a representar um risco por muitos anos.
Especialistas dizem que essa possibilidade é improvável. As explosões ocorreram do lado de fora do compartimento de aço e concreto que envolve os reatores, que aparentemente permanecem sólidos. Foram danificados apenas o teto e os muros erigidos ao redor dos compartimentos de proteção. No caso de Chernobyl, a explosão expôs o núcleo do reator ao ar. Por vários dias, seguiu-se um incêndio que lançou na atmosfera nuvens de fumaça carregadas de conteúdo radioativo.
Especialistas esclarecem que não pode haver uma explosão nuclear em nenhuma hipótese. Uma bomba nuclear e um reator nuclear são coisas completamente diferentes.
Foto: Reuters Helicópteros militares lançam água para tentar resfriar reator da usina Fukushima Daiichi, Japão
Como boa notícia a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) disse nesta quinta-feira, que engenheiros instalaram um cabo de força externo no reator número 2 da usina de Fukushima Daiichi, o que permitiria a reativação do sistema de resfriamento da usina.
De acordo com a empresa que opera a usina, a Tokyo Electric Power (Tepco), o reator número 2 preocupa porque ele fica em um edifício que permanece com o teto intacto. Por isso, não pode ser resfriado por água jogada de helicópteros.
Nesta quinta-feira, toneladas de água foram despejadas nos reatores 3 e 4 por helicópteros e caminhões-pipa.
O objetivo da operação é impedir o derretimento das barras de combustível nuclear armazenadas no reservatório. Se danificadas, elas podem liberar muita radioatividade na atmosfera.
A agência de notícias japonesa Kyodo Newsdisse que as tentativas de jogar água no reservatório de combustível do reator 3 de Daiichi foram bem sucedidas.
A Tepco informou que o vapor que subiu do edifício do reator sugere que a operação conseguiu estabilizar a temperatura do reservatório, que estava aquecendo rapidamente. Embora não houvesse ainda sido observado decréscimos imediatos nos níveis de radiação da usina.
Foto: Associated Press Num ginasio em Koriyama, norte do Japão, técnico examina níveis de exposição radiativa, num dos abrigados
Alarmados, países de todo o mundo cobram do governo japonês maiores explicações sobre a situação, enquanto realizam operações para a retirada de seus cidadãos e pessoal diplomático do país.
O governo japonês evacuou os moradores num raio de 20 km da usina nuclear Fukushima Daiichi e sugeriu aos moradores em um raio inferior a 30 km que permanecessem em suas casas.
No entanto, a embaixada dos Estados Unidos sugeriu aos norte-americanos que moram num raio de 80 km que evacuem a área como medida de prevenção.
A embaixada britânica advertiu aos seus nacionais para que deixem Tóquio e áreas mais ao norte, enquanto a Rússia anunciou a retirada de famílias de diplomatas da capital. A França pediu à Air France para disponibilizar mais aviões na rota Tóquio-Paris e, assim, facilitar a saída dos franceses da cidade.
Outras embaixadas transferiram seus funcionários para cidades mais a sudoeste do Japão. O governo da Áustria, por exemplo, transferiu suas atividades para Osaka. Muitas multinacionais seguiram o exemplo dos governos e também realocaram seus funcionários para outras áreas ou países asiáticos.
Com medo de um desastre nuclear, diversos japoneses começaram a deixar Tóquio e regiões adjacentes para se protegerem de uma possível nuvem de radiação.
JAPÃO Terremoto e tsunami provocam devastação, mortes e riscos de radiação nuclear
O terremoto mais forte já registrado na história do Japão, 9 de magnitude, o quinto mais forte do mundo no último século, ganhou o nome de Tohoku Jishin, ou Terremoto do Nordeste. Para completar a tragédia o tremor foi seguido por um tsunami com ondas de até 13 metros. Mais de 1.800 pessoas podem ter morrido. Há uma grave preocupação com a situação da usina nuclear de Fukushima, cujo sistema de refrigeração foi danificado pelo terremoto. Houve vazamento de radiação após uma explosão ter arrebentado o telhado da instalação e há temores de que ocorra um desastroso derretimento da usina. Estão evacuando uma área de 10 km ao redor do reator.
Foto: Kyodo News, via Associated Press O instante em que ondas gigantes do tsunami atingiam residencias em Natori
O Japão confronta a devastação provocada pelo terremoto e o tsunami de sexta-feira na sua costa nordeste, onde ainda há incêndios e cidades parcialmente submersas. Pelo menos 1.800 pessoas podem ter morrido, a maioria delas por afogamento.
Foto: Kyodo News/Associated Press Depois do terremoto de magnitude 9, um tsunami com ondas de até 13 metros arremessaram barcos, carros, edifícios e toneladas de detritos quilometros a dentro da costa
O amanhecer do sábado revelou toda a extensão dos danos causados pela violência do tremor de magnitude 9 e pelo tsunami com ondas de até dez metros de altura que varreu vilarejos e cidades.
O tremor atingiu uma das regiões mais pobres do país, formada por seis províncias: Aomori, Akita, Iwate, Fukushima, Yamagata e Miyagi, cuja capital é Sendai, o local mais próximo do epicentro do tremor.
A região abriga uma população de pouco mais de 9,4 milhões de habitantes e sua economia é baseada na agricultura.
Conhecida popularmente como "celeiro do Japão", é de lá que sai boa parte da comida que é consumida pelos japoneses. Arroz, legumes, frutas e pescados são os principais produtos locais.
Em uma das áreas residenciais mais atingidas, era possível escutar pessoas soterradas sob os escombros, pedindo socorro e perguntando quando seriam resgatadas.
Foto: Yasushi Kanno/Yomiuri Shimbun/Associated Press Casas em chamas arrastadas pelo tsunami na cidade Natori, tudo transmitido ao vivo pela televisão
O alcance exato dos danos ainda é desconhecido. Balanços iniciais indicam que mais de 5 milhões de casas estão sem energia elétrica e ao menos 1.800 foram destruídas somente na região de Fukushima. Estima-se que 90% das casas na costa japonesa foram destruídas. Mais de 300 mil pessoas já foram evacuadas de suas casas. O número de prédios destruídos completa ou parcialmente subiu para 3.400. Quatro trens na área costeira entre as regiões de Miyagi e Iwate permaneciam desaparecidos, informaram as ferrovias japonesas. Não se sabe quantos passageiros estavam nos vagões.
A cidade de Kesennuma, com 74 mil habitantes, sofreu fortes incêndios e um terço da sua área está submersa.
Em Sendai, cidade com 1 milhão de habitantes, o aeroporto está em chamas depois de ser inundado pelo tsunami.
Na sexta-feira, imagens de TV mostraram uma veloz torrente de água barrenta arrastando carros e destruindo casas nos arredores de Sendai, 300 quilômetros a nordeste de Tóquio. No cais, navios foram arremessados para a terra e ficaram virados de lado.
Foto: Kyodo News/Reuters Barco tombado em terra firme, arremssado pelo tsunami em Hachinohe, Aomori
No norte do Japão, um tsunami atingiu a cidade de Kamaichi, e apesar de ter sido de pequenas dimensões atirou barcos, carros e caminhões como se fossem de brinquedo.
Foto: Kyodo News/Associated Press Trens descarrilaram durante o terremoto, em Higashimatsushima, Miyagi.
A dimensão dos danos ao longo de uma extensa faixa costeira e o grande número de desaparecidos indicam que o número de mortos pode aumentar.
Mesmo para um país acostumado a terremotos, a devastação era impressionante.
Foto: Itsuo Inouye/Associated Press A cidade de Sendai , consumida pelo fogo e pelas águas
O terremoto, o maior desde que o Japão iniciou seus registros há 140 anos.
A grande preocupação no momento é com a usina nuclear Fukushima Daiichi, em Okumamachi, na província de Fukushima, cerca de 240 quilômetros ao norte de Tóquio, cujo sistema de refrigeração foi danificado pelo terremoto e obrigou o governo a declarar estado de emergência e ordenar a retirada de moradores num raio de 20 km em torno do complexo nuclear.
Foto: NTV Japan/APTN/Associated Press Imagem da TV estatal japonesa, NTV Japan, mostra o provável momento da explosão, neste sábado, na Usina Nuclear de Fukushima.
Na manhã deste sábado, uma explosão na usina Fukushima 1 aumentou as preocupações. O porta-voz do governo japonês não soube informar as causas da explosão, mas afirmou que não o reator não foi atingido.
O governo japonês confirmou o vazamento radioativo proveniente da explosão ocorrida neste sábado. A companhia de eletricidade japonesa Tokyo Electric Power (Tepco) confirmou o incidente e adiantou que planeja preencher o reator com água do mar para esfriá-lo e reduzir a pressão na unidade.
A direção do vento na região da usina é outro fator que preocupa as autoridades japonesas. Durante todo o sábado, ele soprou do sul em direção ao continente e assim pode causar danos ao meio ambiente e à população que vive no entorno. No entanto, a agência meteorológica local garantiu que a direção do vento pode mudar mais tarde para que ele sopre do noroeste em direção ao mar.
Foto: Kyodo News/Associated Press Aldeias inteiras em partes da costa do Pacífico do Japão norte desapareceram sob uma parede de água, e muitas comunidades estão cortadas. Uma área urbana devastada pelo tsunami e terremoto em Minami Sanriku, Miyagi
A agência de inspeção nuclear da ONU solicitou com urgência informações sobre a dimensão do vazamento de radiação do reator, cujo recipiente é feito de aço e revestido por um edificio de concreto. A explosão teria acontecido por conta do desabamento deste revestimento.
Ao todo o governo japonês declarou estado de emergência em duas usinas nucleares depois de uma falha no sistema de resfriamento de cinco reatores - dois na planta Fukushima 1 e três na vizinha Fukushima 2 -, em decorrência do forte terremoto. As cinco instalações foram fechadas e a agência nuclear ordenou a liberação de vapor levemente radioativo para reduzir a pressão e proteger os reatores de danos. No total, o país tem 55 reatores fornecendo cerca de um terço da eletricidade do país.
A central nuclear Fukushima 2 está localizada a 12 km da central Fukushima 1, onde a sala de controle de um reator registrou, pela manhã, um nível de radioatividade 1 mil vezes superior ao normal. Segundo medição feita num posto de controle próximo ao portão principal da usina, os níveis de radiação fora de Fukushima 1 aumentaram oito vezes nas últimas horas.
Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuters Técnicos verificam se há sinais de radiação em crianças evacuadas de áreas próximas da Usina Nuclear de Fukushima Daini, em Koriyama.
O número de indivíduos expostos à radiação da usina nuclear em Fukushima, inicialmente de nove pessoas pode chegar até a 160 segundo informações adicionais da central nuclear da Agência de Segurança Industrial e Nuclear japonesa.
Foto: Kyodo/Reuters Tanques de gás natural em chamas na província de Chiba, nos arredores de Tóquio.
Assim como as usinas nucleares, por questões de segurança, algumas industrias de grande porte, como as montadoras de veículos e as refinarias de petróleo foram paralisadas.
Foto: European Pressphoto Agency Casa destruídas, incêndios e toneladas de detritos compõem o cenário dramático nas ruas de Kesennuma, Miyagi
TRAGÉDIA CARIOCA “Um investimento de R$ 36 milhões, teriam sido suficiente para evitar as centenas de mortes”
– afirmou o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luiz Antônio Barreto de Castro, numa comissão do Senado, nesta semana. A afirmação irretocável, de um técnico respeitado, sepulta, junto com mais de mil mortos, as desculpas esfarrapadas de Dilma defendendo o governo Lula
Foto: Jose Cruz/Ag Senado
Luiz Antônio exibindo documentos que comprovam que o governo Lula vetou os investimentos na área de prevenção de catastrofes
O secretário demissionário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luiz Antônio Barreto de Castro, falando no Senado explicou porque as tragédias brasileiras continuam vitimando tantas pessoas, quando a maioria delas poderia ser salva se o governo tivesse feito a sua parte.
Luiz Antônio disse que há cerca de dois anos foi montado o protótipo de um sistema de radares para monitorar e alertar sobre tragédias como a que atingiu o Rio e já vitimou oficialmente quase mil pessoas.
“O Rio de Janeiro sabia que a chuva ia acontecer. O radar disse que ia acontecer, mas não tinha um sistema (de alerta) e o radar ficou com aquilo [a informação] na mão, que não foi pra lugar nenhum”.
Segundo ele, o protótipo exigia um investimento inicial de R$ 36 milhões que evitaria, grande parte das mortes ocorridas na Região Serrana do estado.
“Se gastarmos R$ 36 milhões ao longo deste ano, no ano que vem não morre ninguém. Não é uma coisa mágica. A pessoa fica olhando os radares, vê a quantidade de chuva que está caindo e fala para a Defesa Civil: “tira as pessoas de lá”, disse.
Agora se compreende melhor as declarações surrealistas da presidenta Dilma Rousseff, fez durante sua visita as áreas da catástrofe, acompanhada do governador Sérgio Cabral.
”O Rio vive um momento muito forte"(!?)disse a presidenta sem explicar bem o que significava isso. A frase era tão inexpugnável quanto algumas áreas atingidas pelas chuvas.
Na etapa seguinte desandou a defender o presidente Lula: "Agora vou defender o presidente Lula." E acrescentou "O Minha Casa, Minha Vida não investe em área de risco. Nós não incentivamos a população a construir em área de risco".
A defesa intempestiva de Dilma ao presidente Lula, quando ninguém o acusava de nada, soa como uma confissão de culpa. Qualquer investigador sabe que alguém com a consciência pesada, toma uma atitude defensiva mesmo que não esteja sendo acusado. Naquele instante o que se esperava dela era solidariedade e gerenciamento, indicando, diante da tragédia, quais providências o governo federal iria tomar para minorar o sofrimento dos atingidos.
Mas para ela todos aqueles corpos soterrados a apontavam e mais cedo ou mais tarde os vivos iriam perceber. Assim sentindo-se pressionada acionou o com o seu cacoete de mentir, “para defender comparsas” coisa que se diz orgulhar.
No caso porém, há uma sutileza fundamental, ao defender o presidente Lula, naquela momento específico, ela estava inicialmente admitindo que ele precisava ser defendido, como se soubesse, mais que o resto da sociedade, que ele poderia ser culpabilizado pelo resultado da tragédia. O que só ficou claro agora com as declarações de Luiz Antônio Barreto de Castro, no Senado.
O mais interessante disso tudo é que enquanto simulava defender Lula, Dilma, na verdade o estava expondo como possível culpado, tentando tirar de si, como gerente dos programas do governo, a responsabilidade, de ter vetado os investimentos para a área de prevenção de acidentes.
Enquanto inventavam gastos bilionários, submarinos atômicos, aviões de caça, trem bala, Olimpíadas, Copa do mundo, deixavam que as pessoas ficassem a própria sorte.
Contabilize-se, pois, como co-responsáveis pelas mortes da tragédia do Rio, a dupla Dilma-Lula, tendo como coadjuvante importante o governador Sérgio Cabral.
Ironicamente, depois da catástrofe, Dilma anunciou que vai implantar um novo sistema de prevenção de acidente, mas que só ficará pronto daqui há quatro anos. Tradução: todas as falhas na prevenção de acidentes que acontecerem durante o seu governo serão de responsabilidade dos governos anteriores, pois o seu sistema só ficará pronto, quando o seu governo acabar.
Pelo visto, ao invés de resolver a questão presidenta Dilma Rousseff está mais preocupada em tirar algo seu da reta, nem que para isso tenha que por o de Lula.
Foto: Roberto Ferreira/Agência O Dia Em Teresópolis, os mortos enterrados na Lama, em covas numeradas
RIO DE JANEIRO A responsabilidade dos políticos pela tragédia carioca
Especialistas internacionais dizem que a falta de planejamento fez a chuva no Brasil matar mais que na Austrália e que as mortes ocorridas nas tragédias brasileiras são frutos de “descasos políticos”. Quem está afirmando isso não é a oposição, nem somos nós, são as maiores autoridades em catástrofes no mundo.
Foto: Alexandre Carius/Agência O Dia O Brasil poderia ter evitado mortes se tivesse planos de emergência eficazes, diz Margareta Wahlström, secretaria da ONU, para a Redução de Riscos de Desastres
Falando a BBC Brasil, Margareta Wahlström, (foto) subsecretária-geral da ONU para a Redução de Riscos de Desastres disse que “a falta de “comunicação” e de um plano de emergência foram fatores que pesaram para que as fortes chuvas na região serrana do Rio resultassem em uma tragédia maior do que a ocorrida em Queensland, na Austrália, também submersa recentemente pelas águas.
Esclarece que a “ocorrência de ciclones, fez a Austrália começar a se preparar para o imprevisível. “As autoridades sabem como evacuar as áreas e as populações locomovem-se orientadas por instruções transmitidas pelo rádio”.
Numa comparação esclarecedora, diz que foi assim que uma inundação que invadiu três quartos do estado australiano de Queensland havia provocado 13 mortes até a última quarta-feira. Na serra fluminense, um área muito menor, o saldo de mortos passou de 500.
Para Wahlström, o Brasil poderia ter evitado mortes se tivesse planos de emergência eficazes. Ela cita como exemplo iniciativas de outros países em desenvolvimento, como a Indonésia, que "apesar de ser uma nação pobre, têm planos de evacuação diante de ameaças de terremoto e de erupção de vulcão, por exemplo".
Monitorar as áreas de risco e montar um sistema de alerta - com a designação de um líder para orientar a população e a criação de abrigos pré-definidos para receber moradores - são medidas consideradas básicas por Wahlström para evitar mortes como as ocorridas em Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo.
“No Brasil, ainda há muito a ser feito em termos de planejamento urbano. Os governos têm que trabalhar com a população e realmente proibir construções em áreas de risco. Muitas regulamentações existem, o problema é que nem sempre são cumpridas”, disse a subsubsecretária-geral da ONU para a Redução de Riscos de Desastres.
Outra especialista, a indiana, Debarati Guha-Sapir, (foto) consultora externa da ONU e diretora do Centro para a Pesquisa da Epidemiologia de Desastres, falando ao Estadão, foi mais incisiva ainda: "O Brasil não é Bangladesh e não tem nenhuma desculpa para permitir, no século 21, que pessoas morram em deslizamentos de terras causados por chuva." Para ela, só um fator mata depois da chuva: "descaso político."
Debarati analisa que o Brasil já viveu pelo menos 37 grandes enchentes em apenas 10 anos, nessa mesma região. É um número enorme e mostra que os problemas das chuvas estão se tornando cada vez mais frequentes no País. Descarta até que o alto numero de mortos é o resultado direto de fenômenos naturais, rebatendo que “as chuvas são fenômenos naturais”. “Mas essas pessoas morreram, porque não têm peso político algum e não há vontade política para resolver seus dramas, que se repetem ano após ano”.
“ Brasil é um país que já sabe que tem esse problema de forma recorrente. Portanto, não há desculpa para não se preparar ou se dizer surpreendido pela chuva. Além disso, o Brasil é um país que tem dinheiro, pelo menos para o que quer.”
Enchentes ocorrem sempre nos mesmos lugares, portanto, não são surpresas. O problema é que, se nada é feito, elas aparentemente só ficam mais violentas. A segunda grande vantagem de um país que apenas enfrenta enchentes é que a tecnologia para lidar com isso e para preparar áreas é barata e está disponível. O Brasil praticamente só tem um problema natural e não consegue lidar com ele. Imagine se tivesse terremoto, vulcão, furacões...
Foto: Reuters Os nossos políticos contribuem com descaso, incompetência e abandono, para piorar e as vezes provocar as maiores catástrofes brasileiras. Criminosamente, faturam com a tragédia, deixando-se fotografar fazendo sobrevôo sobre o desastre e conversando com as vítimas. Depois fazem promessas de ajuda que jamais cumprirão e se vão como se estivessem com o dever cumprido.
O Estado do Rio de Janeiro defronta-se com a maior tragédia climática da história do país. O forte temporal, que atingiu principalmente a região serrana do estado, já contabiliza a morte de mais de cinco dezenas de pessoas. A presidenta Dilma fez-se presente com mais presteza que seu sucessor. Prometeu milhões para ajudar na reconstrução, ajuda de todos os ministérios e solidarizou-se com as vitimas. Os flagelados das enchentes do nordeste, do ano passado, ainda não viram chegar nem os milhões, nem as providencias federais prometidas por Lula. Vamos ver o que acontecerá com as promessas de Dilma
Foto: Getty Images A força das águas e a destruição dos acessos, está dificultando o socorro as vitimas, algumas delas isoladas , em meio a um mar de água e lama.
A todo o momento os sites que falam da tragédia provocada pela tempestade na Região Serrana do Rio, atualiza o números de mortos, se pela manhã se falava em 300 agora se constata que as vítimas fatais podem chegar à bem mais que 500. Pelo número de vítimas fatais essa já é a maior tragédia climática da história do país.
Segundo o Portal G1, a chuva na Região Serrana do RJ, que provocou oficialmente 506 mortes. O número de vítimas ultrapassou o registrado em 1967, na cidade de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo. Naquela tragédia, tida até então como a maior do Brasil, 436 pessoas morreram.
Foto: Associated Press Uma das vítimas fatais encontrada em Teresópolis
Às 22h10, desta quinta-feira, a prefeitura de Teresópolis, informou que o número de mortos na cidade subiu para 223. Em Nova Friburgo, o número subiu para 225, segundo o coordenador da Defesa Civil do município, coronel Roberto Robadey. Em Sumidouro, a prefeitura confirmou um total de 19 mortos. Já em Petrópolis, a prefeitura divulgou que o total de mortos chega a 39 mortos. A Polícia Civil informou que 470 corpos já foram identificados pelos peritos do IML (Instituto Médico Legal).
A chuva que devastou a Região Serrana do Rio esta semana já matou mais gente que a tragédia de Angra, no início do ano passado, e as chuvas de abril, que arrasaram locais como o Morro dos Prazeres, na capital fluminense, e no Morro do Bumba, em Niterói, na Região Metropolitana
Foto: Reuters Dilma, que visitou Nova Friburgo, junto com o governador Sergio Cabral, tem agora a chance de mudar o perfil de descaso com que os sobreviventes das vítimas de catastrofes são tratadas pelo governo federal no Brasil
Após sobrevoar a Região Serrana do Rio nesta quinta-feira (13), a presidente Dilma Rousseff e o governador Sérgio Cabral, estiveram em Nova Friburgo e falaram sobre os trabalhos de resgate e reconstrução nas áreas atingidas pela chuva.
“É de fato um momento muito dramático. As cenas são muito fortes. É visível o sofrimento das pessoas. O risco é muito grande”, disse Dilma.
Sobre a prevenção de deslizamentos, Dilma disse que a questão é de ocupação adequada do solo.
Dois corpos foram achados nos escombros da Rua Luís Spinelli, no Centro de Nova Friburgo, após a retomada das buscas no fim da tarde desta quinta-feira (13), com a trégua da chuva. Um deles é o do sargento do 6º Grupamento de Bombeiros Militar (GBM), Marcos Antônio Werly da Conceição, o último dos três bombeiros que foram soterrados na quarta (12), durante as buscas por vítimas das chuvas.
Mais cedo, outro corpo já havia sido resgatado do mesmo local, e a Defesa Civil de Nova Friburgo chegou a suspender as buscas no local, após o reinício da chuva, por medida de segurança, mas o resgate foi retomado.
Foto: Valter Campanato/ABr NOVA Friburgo- A força das águas destruiu irremediavelmente milhares de residências.
O ex-prefeito de Nova Friburgo, Paulo Azevedo, e o filho Mateus estão entre os desaparecidos depois da chuva. Desde a manhã dezenas de pessoas formam uma fila em frente ao ginásio Celso Peçanha da escola estadual de Nova Friburgo, em busca de informações de amigos e parentes desaparecidos no temporal.
Um comboio da Marinha segue para montar o hospital de campanha que atenderá a vítimas das chuvas na cidade. Desde quarta-feira (12) um grupo avançado já estava na cidade para avaliar o melhor local para instalar o serviço.
O acesso à Região Serrana ainda é complicado nesta quinta-feira.
Foto: Vladimir Platonow/ABr O momento dramático do sepultamento das vítimas, em Teresópolis.
Familiares das vítimas da chuva que atingiu Teresópolis reuniram-se na tarde desta quinta-feira para os enterros dos corpos. O Cemitério municipal Carlinda Berlim ficou lotado e, segundo os responsáveis pelo local, a expectativa era de que 145 pessoas fossem enterradas lá. Novas covas individuais precisaram ser abertas para receber os mortos.
A prefeitura designou dois abrigos para receber desabrigados: o Ginásio Pedrão, no Centro de Teresópolis, com capacidade para 800 pessoas, e um galpão no Bairro Meudon, onde podem ser alojadas 400 pessoas. O prefeito decretou luto oficial na cidade.
Começou a funcionar, na manhã desta quinta, o Hospital de Campanha do Corpo de Bombeiros, que foi montado na cidade. Ele fica próximo à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e da prefeitura local, e vai ajudar no atendimento às vítimas das chuvas na região.
O secretário de Defesa Civil de Teresópolis, Flávio Luiz Castro, afirmou na tarde desta quinta que as regiões mais atingidas por desabamentos e deslizamentos não eram ”áreas prioritárias de risco”. De acordo com o secretário, a prefeitura tem um plano que analisa regiões de risco, e afirmou que os bairros afetados não estavam nessa lista.
Foto: Getty Images Como sempre, herois anonimos e voluntários, evitam que a tragédia tornem-se ainda mais dramática
As equipes que trabalham no resgate às vítimas das chuvas no Vale do Cuiabá, em Itaipava, distrito de Petrópolis, encontraram, nesta quinta, 26 pessoas que estavam isoladas e incomunicáveis.
De acordo com a prefeitura de Petrópolis, elas foram localizadas pouco antes das 14h nas regiões conhecidas como Alto Cavalo e Santa Rita, locais com o maior grau de dificuldade de acesso. Segundo a Defesa Civil, nenhum óbito foi registrado no local.
Segundo a Secretaria de Trabalho, Assistência Social e Cidadania (Setrac), já foram encaminhados alimentos, água, material higiênico, entre outros para o auxílio das vítimas.
O tenente-coronel Geraldino, do Corpo de Bombeiros de Itaipava, informou que as buscas são prejudicadas nos locais mais acidentados e sem iluminação, mas o comando da unidade informou que o resgate não se encerrará totalmente no começo da noite, já que ainda há informações de pessoas vivas que estão em áreas isoladas.
Foto: Vladimir Platonow/ABr O ginásio de Teresopolis transformado num abrigo as familias que perderam suas moradias
A Prefeitura de Petrópolis já recolheu 15 toneladas de alimentos não perecíveis para ajudar as vítimas da chuva da cidade. Foram recolhidos ainda cerca de mil colchonetes, 5 mil litros de água, 10 toneladas de roupa, além de 3 mil rodos e 3 mil vassouras.
Foto: Captura de Tela A tragedia carioca repercutiu na imprensa mundial
Foto: Reuters A criança dormindo a salvo no abrigo, arremete-nos as responsabilidades de nossas autoridades, que não tomam medidas eficazes para evitar que tragédias como essa fiquem a bater recordes sobre recordes, numa macabra competição de irresponsabilidade pública, sejam evitadas ou pelo menos minimizadas.
Jornal Nacional: Nesta quinta, uma senhora que teve a casa levada pela correnteza no município de São José do Vale do Rio Preto, na Região Serrana, voltou ao local da enxurrada e reencontrou um de seus salvadores.
Cercada pela força arrasadora da água, Dona Ilair, de 53 anos, só teve tempo de buscar abrigo no terraço da casa do irmão com os cachorros. Mas em poucos minutos, o refúgio também começou a ficar ameaçado. O telhado desabou. Ela ficou sem chão, equilibrada em um pedaço de madeira.
Do alto, veio a ajuda dos vizinhos. A corda alcançou a dona de casa, na hora certa. As últimas paredes desmoronaram e Ilair saltou pra sobreviver.
PERNAMBUCO Flagelados da cheia de julho estão abandonados
A BBC Brasil, mandou uma equipe a Água Preta-PE para ver o que foi feito até agora, na recuperação da cidade destruída pelas enchentes há quatro meses. Descobriu que como no Haiti, os flagelados continuam morando em barracas, e em cômodos de um hospital, sem condições de higiene e com riscos de epidemias. Vivendo da esperança que os políticos, depois das eleições, finalmente comecem a construir a nova Água Preta.
Foto: Emma Lynch/BBC Brasil Um dos poucos edifícios importantes que se manteve de pé foi a igreja
A matéria da jornalista Liz Throssell e da fotografa Emma Lynch, enviadas especiais da BBC Brasil a Água Preta (PE) diz que “Mais de quatro meses depois das enchentes que devastaram Alagoas e Pernambuco, dezenas de habitantes de Água Preta (PE), distante 125 km de Recife, continuam abrigados no hospital da cidade, enquanto outros permanecem em acampamentos.
Em 19 de junho, o Rio Una, que passa na localidade, transbordou depois de dias e dias de chuva forte e inundou as ruas. Com isto, o nome da cidade deixou de ser poético para se tornar tristemente descritivo.
A moradora Ana Lúcia da Silva, comenta que "Foi terrível". "Nós perdemos a maioria das nossas coisas na enchente. A minha casa ainda está de pé, só que a água rachou as paredes e ela está condenada".
As enchentes de junho de 2010 afetaram 181 mil pessoas em Alagoas e 83 mil em Pernambuco, com um saldo de mais de 40 mortos.
Dos 35 mil habitantes de Água Preta, 3,4 mil ficaram e ainda estão desabrigados.
Foto: Emma Lynch/BBC Brasil O hospital-maternidade é onde Ana Lúcia e outras 100 pessoas estão alojadas desde julho
Algumas famílias moram em abrigos de madeira, erguidos nos pátios de hospitais, enquanto outros desabrigados - entre eles, Ana Lúcia - moram dentro do próprio hospital. Cada família ocupa um quarto.
Ana Lúcia está consideravelmente otimista para quem perdeu tanto.
"Nós estamos conseguindo mantimentos. Comida, água, fraldas. Às vezes, a gente consegue roupas", ela diz.
Segundo Ana Lúcia, as pessoas que estão no hospital foram avisadas de que terão de permanecer em abrigos temporários por vários meses, mas que depois elas serão realocadas em casas que estão sendo construídas pelo governo(?)
Outras pessoas parecem menos otimistas. No hospital, duas mulheres sentadas à sombra dizem que há casos de pessoas doentes no local. Sabe-se que os riscos de epidemias nesses casos são enormes.
Foto: Emma Lynch/BBC Brasil Cenário de guerra, após a devastadora enchente do Rio Una
A área próxima ao Rio Una parece o cenário de um bombardeio, com escombros e madeira jogados pelas margens. O cheiro de terra úmida se mistura ao odor de esgoto não-tratado.
Casas exibem um sinal de "OK" em amarelo. Trata-se de uma marca deixada por trabalhadores da Defesa Civil para mostrar que todas as pessoas da residência haviam sido encontradas.
Foto: Emma Lynch/BBC Brasil Casa marcadas pela defesa civil, com o OK, que quer dizer que todas as pessoas da família sobreviveram a catástrofe.
Os desabrigados de Água Preta também estão sendo hospedados em acampamentos espalhados em volta da cidade.
Um deles, situado em uma área mais alta, dá a seus 173 residentes não só uma vista para o rio que causou os problemas, mas também uma visão de suas possíveis vidas futuras.
Autoridades locais dizem que casas serão construídas em uma colina próxima, em uma área que será chamada de Nova Água Preta.
Por enquanto, as pessoas estão mais preocupadas com a rotina diária no acampamento. Trabalhadores da saúde visitam os desabrigados em suas barracas, enquanto autoridades do governo estadual ajudam a providenciar suprimentos.
Foto: Emma Lynch/BBC Brasil Riscos de epidemia nos acampamentos, como a que está acontecendo no Haiti, são permanentes
Contêineres enormes ocupam o perímetro do acampamento como baleias encalhadas. Dentro deles estão os móveis que cada família conseguiu salvar.
Dadas as perdas e os deslocamentos que estas pessoas enfrentaram, o desafio agora é assegurar que elas cuidem do acampamento e de sua higiene, diz Loursileide Rodrigues da Silva, funcionária do programa Operação Reconstrução, do governo estadual.
"Um dos maiores problemas que nós temos são as latrinas", diz.
Com as famílias obrigadas a morar tão perto uma da outra em suas barracas, problemas podem surgir rapidamente.
"Nós botamos no papel como as pessoas devem morar, estipulando o que não é aceitável, como, por exemplo, jogar lixo para fora de sua tenda ou maltratar as crianças", diz Loursleide.
"Outra regra é que as crianças não podem andar sem sapatos", afirma. Enquanto ela fala, um menino sem sapatos brinca alegremente próximo de sua barraca, junto de outras crianças.
Foto: Emma Lynch/BBC Brasil Famílias “hospedadas” no hospital, há quatro meses e sem previsão para sair
Como O governo de Pernambuco diz que 5 mil casas estão sendo construídas, embora ninguém consiga vê-las, ou porque elas ainda são projetos e só existam no papel, na imaginação do povo, que continuam a acreditar no pacote de promessas, que sempre acontece em épocas eleitorais.
O governo Lula sempre se auto proclama como preocupado com os seus programas sociais, nunca cuidou com propriedade das vítimas de catástrofes, pelo menos no território nacional.
A jornalista da BBC afirma acreditar que muitos dos desabrigados devem ficar ainda meses no acampamento. Lembrar que em Alagoas, existem desabrigados que estão num presídio abandonado há 12 anos.
"Ainda hoje há pessoas que não se recuperaram das enchentes de 2000", diz Maria de Lourdes Nascimento, da Associação de Mulheres de Água Preta.
Ela diz, no entanto, que a ajuda do governo desta vez foi muito melhor.
O nível da destruição em Pernambuco fica mais evidente quando se deixa Água Preta para chegar à cidade de Palmares.
Lá, o Rio Una literalmente cortou os fundos das casas que ficavam próximos da água, deixando o interior das residências cruelmente exposto.
Foto: Emma Lynch/BBC Brasil O que restou da velha Água Preta.
Adeilda Severina Teixeira, cuja casa fica poucas ruas distante do rio, diz que a água tomou todo o seu primeiro piso. As casas de alguns de seus vizinhos ficaram submersas.
A água manchou as paredes de sua cada, que ainda está escassamente mobiliada e coberta com uma poeira avermelhada, legado da lama depositada pela água das cheias.
Em setembro, engenheiros recomendaram a destruição de construções distantes 50 metros ou menos do rio em Palmares, devido ao risco de cheias frequentes naquela área.
Mas Adeilda diz que havia muita incerteza em sua vizinhança sobre o futuro. "Eu não sei se a minha casa é considerada segura", afirma.
Assim como em Água Preta, acampamentos foram montados para abrigar as pessoas que perderam suas casas.
Adeilda diz que conhece várias pessoas que voltaram para suas residências ameaçadas, ou então se espremeram nas casas de parentes, em vez de ocupar as barracas.
Foto: Emma Lynch/BBC Brasil "É muito humilhante no acampamento, ter que fazer fila para tudo" diz Adeilda.
Foi preciso a BBC Brasil, ocupa-se em fazer uma matéria sobre os atingidos pelas cheias em Água Preta-PE, para que se soubesse o descaso com são tratados essas vítimas das enchentes e do poder público, quatro meses após a catástrofe. Nem um grande jornal pernambucano, ou da mídia nacional preocupou-se em pautar uma matéria sobre esses pobres nordestinos, esquecidos e abandonados a própria sorte.
*“Atingidos por enchentes em PE moram desde junho em hospital” é o título original da matéria de Emma Lynch para a BBC Brasil **Acrescentamos subtítulo, legendas nas fotos, comentários adicionais e suprimimos parte do texto original que pode ser lido integralmente no Portal da BBC Brasil
BRASIL – MEIO AMBIENTE As secas na Amazônia pioram a cada ano
Em algumas regiões da Amazonia passaram 100 dias sem chover. Os rios batem recordes de baixo nível de água. Todo o eco sistema das águas das florestas, da fauna e do caboclo amazonense está comprometido. Como os rios são as estradas da região e os barcos não conseguem navegar com o baixo nível das águas, começam a faltar alimentos, combustível e remédios nas localidades mais distantes, onde até as aulas estão sendo suspensas, por falta de merenda escolar.
Foto: Euzivaldo Queiroz/A Crítica/AE) O baixo nível dos rios prejudica a navegação e o abastecimento de comunidades. No igarapé de Educandos, no centro de Manaus, barcos aparecem em meio à terra devido à baixa das águas.
Uma das maiores secas dos últimos anos registrada na Amazônia atingiu a navegação, abastecimento e transporte de algumas comunidades da região, de acordo com informações da Agência Nacional de Águas (ANA). Por causa da falta de chuva, os rios Javari, Juruá, Japurá, Acre, Negro, Purus, Iça, Jutaí, Solimões e Madeira, que têm papel fundamental para o transporte e o abastecimento de alimentos, medicamentos e combustíveis, estão com níveis abaixo da média.
Em razão disso, a Capitania dos Portos da região proibiu o transporte por barcos de alimentos e passageiros no período noturno e ameaça suspender por tempo indeterminado o transporte de veículos pesados pelas balsas, o que pode prejudicar o abastecimento de alimentos e outras mercadorias essenciais, como combustíveis, nos Estados de Rondônia e, principalmente, do Acre.
Além da proibição, a população necessita percorrer grandes distâncias para obter água de boa qualidade, já que, em muitos casos, a qualidade da água disponível está comprometida devido à mortandade de peixes, segundo a ANA.
Dados da estação telemétrica de Tabatinga (AM) indicam queda acentuada no nível do Rio Solimões na cidade, a mais baixa desde 1982, quando começou a ser aferida, o que dificulta a navegação até Tefé, fazendo com que, por razões de segurança, a navegação seja limitada ao período diurno.
Cidades no Peru já sentem os efeitos do baixo nível de água no Rio Amazonas, como é chamado o Solimões antes de entrar em território brasileiro. No Brasil, a seca isolou quatro municípios no interior do Amazonas abastecidos pelo Purus e pelo Juruá, afluentes do Solimões. Além disso, a Defesa Civil emitiu estado de alerta para 25 cidades.
Foto: Reuters O pior, é que quando os rios e igarapés baixam, como se pode comprovar nessa foto, vê-se que os rios amazonenses estão excessivamente poluídos, com resíduos plásticos e lixo
No Porto de Manaus, o nível do Rio Negro estava em 20,67 metros no último dia 8, mas vem baixando dia a dia. A menor cota já registrada no Porto foi de 13,64 metros, em 1963.
Foto: Reuters width=600> Estacionamento de barcos no leito seco do rio Manaquiri (imagem de dezembro do ano passado)
Pelo menos três mil estudantes de 35 escolas da Zona Rural do município de Manaquiri (a 65 quilômetros de Manaus) podem ficar sem aula por conta da vazante dos rios.
A estiagem, além de dificultar a locomoção dos alunos, também deve afetar o transporte da merenda escolar.
Na região, já são 70 quilômetros de rios e igarapés atingidos. Em alguns lugares não dá para ver a água, como nas comunidades de Janauacá e Inajá, distante a três horas via fluvial da sede do município, onde os moradores correm risco de contrair doenças transmitidas pela água suja da seca.
“Estamos com dificuldades para transportar a merenda escolar e também o material didático. Além destes entraves, a água potável está escassa. Problemas maiores enfrentam os moradores das áreas mais distantes, que precisam andar horas, por leitos de lagos e igarapés secos para conseguir comprar água e alimentos”, relatou a secretária de Educação de Manaquiri, professora Raimunda Nonata Cordeiro, ao acrescentar que as únicas fontes disponíveis são as cacimbas e os poços artesianos construídos nas comunidades.
As cidades de Juruá, Envira, Eirunepé, Ipixuna e Guajará, todas na calha do Juruá, também devem ter as aulas paralisadas. De acordo com a Associação Amazonense de Municípios (AAM), até ontem. sete municípios haviam decretado estado de emergência por ocasião da vazante, são eles Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Tabatinga, Guajará, Ipixuna, Envira e Itamarati.
Foto: Reuters
No ano passado, a estiagem no município de Manaquiri provocou uma das maiores catástrofes ambientais, com a morte de toneladas de peixes no rio que leva o nome da cidade. Na ocasião, vários quilômetros das margens do rio Manaquiri cobertas por uma cama de peixe podre, uma desastre ecológico incomensurável, causando um inusportável odor de podridão e deixando a água sem condições de consumo humano. incomensúravel.
A atriz fez uma visita de dois dias ao sofrido povo paquistanês, para chamar a atenção da comunidade internacional para a situação de 21 milhões de afetados pelas chuvas de monções que atingiram o Paquistão no final de julho, que causou a morte de 1.700 pessoas
Foto: Reuters Angelina Jolie no campo de refugiados em Jalozai
A Organização das Nações Unidas lamentou que o mundo ainda não tenha entendido a magnitude das inundações no Paquistão, onde chegou, nesta terça-feira, a atriz norte-americana Angelina Jolie, como embaixadora da boa vontade do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, para impulsionar a assistência aos mais de 21 milhões de afetados.
“Neste desastre lento e progressivo, é preciso que a comunidade internacional desperte e ajude o Paquistão com uma nova visão”, declarou, em entrevista coletiva em Islamabad, o diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na Ásia e no Pacífico, Ajay Chhibber.
Chhibber ressaltou que o mundo ainda não entendeu a magnitude do desastre no país asiático e reforçou o pedido de urgência de acelerar o ritmo nas doações que, por enquanto, somam pouco mais de US$ 1,1 bilhão.
“Estou muito comovida com eles (os desabrigados). Espero poder fazer algo para ajudar”, disse a atriz Angelina Jolie diante de um grupo de jornalistas na cidade de Nowshera, no noroeste do país, após ter visitado o acampamento de desabrigados de Jalozai.
“A situação das inundações é extraordinariamente complexa. É algo a longo prazo, que irá exceder o prazo de mandato dos presidentes”, ressaltou a atriz.
Jolie, que dias atrás fez uma doação pessoal de US$ 100 mil às vítimas, lembrou nesta terça-feira que há pessoas que já foram afetadas por tragédias em outras ocasiões, como alguns refugiados afegãos e os deslocados pelo conflito entre o Exército e a insurgência talibã.
Em sua quarta viagem ao Paquistão desde que, em 2001, se tornou embaixadora da boa vontade da Acnur - a última foi há cinco anos, após o terremoto na região setentrional da Caxemira -, a atriz visitará diferentes comunidades de desabrigados e se reunirá com trabalhadores humanitários e representantes do Governo paquistanês.
“Esperamos que (sua visita) tenha um grande impacto. é importante que as (grandes) personalidades façam o mundo consciente do problema”, disse o representante do PNUD.
Chhibber argumentou, no entanto, que é importante que haja “mecanismos de supervisão e controle com credibilidade no país” para “ajudar a atrair mais recursos”.
Foto: Associated Press Angelina Jolie vestida com trajes típicos do Sul da Ásia - um shalwar kameez preto e uma dupatta preta com debrum grená, cobrindo o seu cabelo, em respeito as tradições locais, mostrou-se muito preocupada com a ineficácia da comunidade internacional em socorrer os paquistaneses
Entre contribuições entregues e prometidas, o Paquistão assegurou até o momento cerca de US$ 1,1 bilhão, dos quais US$ 818 milhões canalizados através da ONU e diversas ONGs, enquanto o resto chega diretamente às autoridades paquistanesas, segundo dados oficiais.
O organismo multilateral recentemente pediu ao Governo paquistanês que criasse um órgão independente para supervisionar as ajudas internacionais, a fim de garantir transparência na distribuição e assegurar que os fundos não sejam alvo de corrupção.
Foto: Getty Images
Enquanto isso, a catástrofe, que desde o fim de julho já deixou 1.752 vítimas fatais e cerca de 21 milhões de afetados - sendo dez milhões sem nenhum tipo de alojamento -, segue agravando-se no sul do país com novas inundações.
Com 896 mil casos de infecções cutâneas e outros 705 mil de doenças respiratórias registrados em consultas médicas, os organismos humanitários voltaram a alertar nesta terça-feira que há risco de graves epidemias de malária - por enquanto, 139 mil casos foram registrados - e cólera, dado o alto número de diarreias agudas (639 mil casos).
Segundo um comunicado da ONU, o Ministério de Saúde paquistanês “confirmou focos de cólera” depois que cerca de 50% dos supostos casos da doença - endêmica no Paquistão - foram confirmados nos últimos dias.