21 de out de 2010

CUBA - EUROPA : Fariñas, dissidente cubano, ganha importante premio

CUBA - EUROPA
Fariñas, dissidente cubano, ganha importante premio
O Parlamento Europeu concedeu o Prêmio Sakharov ao dissidente cubano Guillermo Fariñas, que realizou uma greve de fome de mais de quatro meses para pressionar o governo pela libertação de dezenas de presos políticos. O Prêmio inclui o pagamento de 50 mil euros. A decisão de premiar Fariñas veio a público horas antes de chanceleres da União Européia se reunirem em Luxemburgo para discutir as relações das 27 nações do bloco com Cuba.

Foto: Reuters

Fariñas, que só encerrou seu jejum de 135 dias, depois que o presidente de Cuba, prometeu à Igreja Católica soltar cinquenta presos políticos, passou o dia recebendo cumprimentos pelo prêmio

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Le Monde, AFP, Portal Terra, DCI, European Parliament

O dissidente cubano Guillermo Fariñas Hernández, 48 anos, recebeu do Parlamento Europeu, nesta quinta-feira o prêmio Sakharov de Direitos Humanos para a Liberdade de Pensamento. Fariñas é hoje o mais conhecido opositor ao regime castrista residente em Cuba. Jornalista, psicólogo e ex-militar, é tido pelo governo cubano como um mercenário a serviço dos inimigos do regime nos Estados Unidos e na Europa. Já realizou 23 greves de fomes e pela dissidência passou 11 anos encarcerados.

Em fevereiro deste ano, Guilhermo Fariñas começou uma nova greve de fome nova greve de fome em protesto contra a morte, do cubano dissidente Orlando Zapata (morto durante uma greve de fome na prisão) e para exigir a libertação de vinte e seis presos políticos. O ato ajudou a pressionar o governo cubano, que acabou anunciando a libertação de 52 presos políticos, com intermediação da Igreja.

Na ocasição Fariñas rejeitou asilo político na Espanha, insistindo a continuar em Cuba, enfrentando o regime Castrista apenas com a sua determinação.

Foto: Reuters

Fariñas na porta de sua casa em Santa Clara, Cuba

A imprensa internacional o encontrou em sua casa na cidade de Santa Clara, 270 km a leste de Havana. Muito magro e ainda mostrando dificuldade para andar, devido as suas últimas greves de fome, em sua modesta residência.

Modesto e lúcido, o opositor cubano Guillermo Fariñas dedicou o Prêmio que lhe foi concedido, aos "lutadores pela democracia" em Cuba.

"O mundo civilizado, o Parlamento Europeu está enviando mensagem aos governantes cubanos de que já é hora da democracia e da liberdade de consciência e expressão em Cuba", disse o dissidente, as agências de notícias internacionais.

Sentado em frente ao andador de metal, de pijama e sem camisa, o homem - um mulato alto, de 48 anos -, não parava desde cedo de atender o telefone, depois que uma chamada a partir de Estrasburgo anunciou a concessão do Prêmio Sakharov 2010 de liberdade de consciência.

"Não é um prêmio a Guillermo Fariñas, mas a todo o povo cubano que há 50 anos luta para sair da ditadura; nós, os opositores pacíficos dentro de Cuba, somos o rosto mais visível", assim como os presos políticos e o exílio", acrescentou Fariñas.

Sua mãe Alicia Hernández, uma enfermeira aposentada de 75 anos, defensora da revolução, e uma irmã, acompanhavam-no na modestíssima casa, no momento do anúncio.

Natural de Santa Clara, cidade que ficou ao lado de Ernesto Che Guevara numa batalha decisiva para a vitória de Fidel Castro, em 1 de janeiro de 1959, Fariñas, filho de dois fervorosos seguidores da revolução, fez parte das Tropas Especiais; na década de 80 realizou missão militar em Angola.

Distanciou-se do Governo em 1989, quando se opôs ao fuzilamento do general Arnaldo Ochoa, acusado de narcotráfico.

Foto: Getty Images

Fariãs recebeu a visita de Laura Pollan, a líder do movimento “Damas de Branco”, que defende presos políticos cubanos e que ganhou o prêmio no ano passado, mas foram impedidas de recebê-lo

O prêmio, de 50 mil euros, leva o nome do dissidente russo Andrei Sakharov, que ganhou o Nobel da Paz, e foi entregue pela primeira vez em 1988.

Fariñas disse que espera viajar em dezembro para receber pessoalmente o prêmio e a imprensa já especula que o cubano possa fazer uma nova greve de fome caso o governo impeça sua saída.

Fariñas é o terceiro Prêmio Sakharov concedido à oposição cubana, depois de Oswaldo Payá em 2002 e das Damas de Branco, esposas de presos políticos, em 2005. O governo não as autorizou a viajar para receber a homenagem, em dezembro passado.

Foto: European Parliament

O presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, ao anunciar a premiação ao plenário declarou que “Fariñas esteve pronto para se sacrificar e arriscar a própria vida e saúde como meio de pressão para alcançar mudanças em Cuba”

Leia o que foi publicado sobre Guilhermo Fariñas no “thepassiranews”:

O primeiro gole de água
Boas novas: governo cubano vai libertar 52 presos
Mais cinco cubanos iniciam greve de fome


Um comentário:

Mordaz disse...

Para Lula e o seu Governo, direitos humanos não são para todos. Não se pode considerar este dissidente da ditadura da Ilha da Fantasia com uma pessoa perseguida pela democracia italiana, como Cesare Battisti, que matou apenas quatro inocentes. Há quase um ano que Lula espera passar o tempo para soltar o amigo terrorista de Tarso Genro.