15 de abr de 2013

Maduro vence, com apenas 1,59 de vantagem. Capriles denuncia fraude e requer recontagem

VENEZUELA – Eleição
Maduro vence, com apenas 1,59 de vantagem.
Capriles denuncia fraude e requer recontagem
Tudo é suspeito no resultado da eleição venezuelana: a Comissão Eleitoral, o TSE deles, tem decido de forma a não merecer credibilidade. É incrível que todos os institutos de pesquisas tenham errado de forma tão grosseira, a favor do candidato governista, a quem davam vitória folgada de até 12% à frente do opositor Henrique Capriles. O mais claro resultado da eleição é que o chavismo não sobreviverá a morte de Hugo Chávez.

Foto: AFP

Henrique Capriles, e declarou enfaticamente que nenhum pacto com "uma pessoa que considero ilegítimo" e pediu à CNE para abrir todas as caixas e que cada voto é contado. " O hoje é derrotado você (Casal) e de seu governo e eu digo como firmeza, mas comprometido, com total transparência ", disse Capriles enquanto exigia respeito para o povo da Venezuela." Nós não vamos confundir ou tentar elevar em uma posição diferente.

Postado por Toinho de Passira
Texto de
Fontes: O Globo, Uol, El Universal, El Mundo, El Nacional, Reuters, Blog do Reinaldo AzevedoBBC Brasil,

O cadáver de Chávez pode ainda está insepulto, mais o chavismo foi enterrado como o resultado das eleições neste domingo na Venezuela.

No seu Blog Reinaldo Azevedo escreveu:

“É a ditadura que sustenta o chavismo, não é o chavismo que sustenta a ditadura”. Com essas palavras, chama a atenção para o fato de que é mentirosa a versão de que a sociedade venezuelana foi mesmerizada pelo tirano e de que a oposição representa não mais do que a vontade de uma extrema minoria. Nicolás Maduro, que já exerce o poder de forma ilegítima — cuja posse foi legalizada por uma Corte de Justiça composta de eunucos — foi declarado o vencedor das eleições deste domingo.”

Nicolas Maduro oficialmente obteve 7.505.338 votos (50,66%), contra 7.270.403 votos (49,07%) oposicionista Henrique Capriles.

Comparada com a votação de Hugo Chavez, em outubro do ano passado, 8.191.132 votos, vê-se 600 mil eleitores abandonaram o chavismo, no pleito desse domingo.

A expressiva participação dos eleitores, 78,71%, num país em que votar não é obrigatório, comprova o interesse dos venezuelanos em participar do pleito.

Logo que o resultado foi divulgado pela presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, o candidato da oposição Henrique Capriles, pronunciou-se pedindo recontagem do total de votos, afirmando que recebera mais de 3 mil denúncias de fraudes, vindas de todo o país.

Desdenhando e fingindo segurança, no discurso da “vitória”, Maduro concordou com a recontagem, mas ninguém acredita que ele levará essa intenção adiante ou com seriedade.

Mesmo reconhecendo que o resultado esteja correto, tem-se claramente a certeza que o processo eleitoral como um todo foi uma fraude a céu aberto.

Desconfia-se inclusive de todos os Institutos de Pesquisas, que até a última hora, davam como certa a vitória de Maduro, por margens de diferenças de até 12 pontos percentuais. O que mais se aproximou da realidade afirmou que a diferença seria de 7%.

As pesquisas não interferem fortemente no resultado de uma eleição, mas o candidato que sempre tem a expectativa de vitória, por números acachapantes, como era o caso, faz alguns setores indecisos aderirem ao provável vitorioso e motiva desânimo, retração e até falta de comparecimento, naqueles que torcem pelo candidato tido como derrotado.

Como a maquina governamental nas mãos e no exercício do poder, Nicolás Maduro, tomou medidas inadmissível, no processo eleitoral de qualquer democracia, como o fato de ter a cinco dias da eleição (9) ter anunciado um aumento de até 45% no salário mínimo.

Foto: Ramon Espinosa / AP

A expressiva participação dos eleitores, 78,71%, num país em que votar não é obrigatório

Comenta adiante Reinaldo Azevedo:

”Ainda que se faça a recontagem de 100% dos votos e que a “vitória” de Maduro seja confirmava, é evidente que se trata de roubo e de fraude — mesmo que os votos tenham sido os declarados oficiais. Por quê?”

”A eleição na Venezuela não é nem livre nem limpa. Não é livre porque a oposição não dispõe dos mesmos instrumentos de que dispõe o governo para falar com a população”.

”Chávez estatizou a radiodifusão no país, e as TVs e as rádios são usadas como porta-vozes oficiais do governo. O Beiçola de Caracas chegava a ficar no ar, por dia, até seis horas. Falava bem da própria gestão e demonizava seus opositores”.

”As notícias passam por um severo serviço de censura interna, e só vai ao ar o que o governo considera “saudável” e “didático” para a consciência do povo. Os críticos do governo são tratados como larápios, como sabotadores, como malvados em defesa de privilégios”.

”As eleições na Venezuela, pois, não são livres, já que a oposição é obrigada a enfrentar uma estupenda máquina de desqualificação. Ainda assim, praticamente a metade dos que foram votar disse “não” ao chavismo”.

”Isso é formidável! Significa que toda essa gente soube resistir à pressão oficial, especialmente de 5 de março a esta data, quando morreu o tirano. Chávez passou a ser tratado como santo. Declarou-se não apenas a sua imortalidade. Falou-se também na sua ressurreição”.

”A oposição também têm de enfrentar uma formidável máquina assistencialista. Chávez transformou a Venezuela num país dependente exclusivamente do petróleo, destruiu a indústria, arrasou a agricultura e passou a distribuir caraminguás da renda do óleo às populações mais pobres. É a sua versão do “Bolsa Família”. Só que essa distribuição de benesses é controlada por milícias — armadas! — que dominam as áreas mais pobres do país”.

”A degeneração social é de tal sorte que Caracas é hoje uma das cidades mais violentas do mundo, com, atenção!, 122 mortos por 100 mil habitantes. A taxa, no Brasil, já escandalosa, fica em torno de 25. Mata-se em Caracas DEZ VEZES MAIS do que em São Paulo e quatro vezes mais do que no Rio”.

Foto: Ronaldo Schemidt/AFP

Os jornais registram a vitória apertada de Maduro

O Chávez amado pelas massas — e, consequentemente, o chavismo supostamente invencível — é fruto da propaganda oficial. Se as oposições pudesse disputar em condições de igualdade e se houvesse imprensa livre no país, essa canalha já teria sido varrida do poder há muito tempo. Até porque a Venezuela continuará em espiral negativa porque o governo está infiltrado de delinquentes — alguns deles procurados internacionalmente por envolvimento com o tráfico de drogas”.

”Parte da cocaína que circula hoje no EUA e no Brasil tem origem na Venezuela, que dá abrigo e apoio material aos narcoterroristas das Farc. É esse o governo para o qual Lula gravou um vídeo emprestando seu apoio entusiasmado”.

”Se as eleições não são livres, também não são limpas. As milícias chavistas assombram os locais de votação e aterrorizam os eleitores, especialmente os mais pobres”.

“Assim, a Venezuela é hoje um país governado por um súcia autoritária, eivada de criminosos, sim! Se tiverem curiosidade, pesquisem sobre as denúncias feitas pelo ex-juiz venezuelano Eládio Ramón Aponte Aponte.

Ele era nada menos que o presidente do Superior Tribunal de Justiça, o STF da Venezuela, e um dos pilares do chavismo no Judiciário.

”No ano passado, fugiu do país, entregou-se às autoridades americanas e declarou-se cúmplice da máfia do tráfico de drogas no país, com a qual, afirma, está envolvida a alta cúpula do chavismo”.

O jornalista José Casado, ano passado, no Globo, diz que o ex-Juiz Eládio Aponte Aponte, asilado sob a proteçãoda agência antidrogas dos EUA citou especificamente [como envolvidos com o tráfico] várias autoridades do alto escalão do governo de Hugo Chávez: o ministro da Defesa, general de brigada Henry de Jesus Rangel Silva; o presidente da Assembleia Nacional, deputado Diosdado Cabello; o vice-ministro de Segurança Interna e diretor do Escritório Nacional Antidrogas, Néstor Luis Reverol; o comandante da IVa Divisão Blindada do Exército, Clíver Alcalá; e o ex-diretor da seção de Inteligência Militar, Hugo Carvaja.

Não se pode pois falar em eleições livres e limpas num país nessas condições. Admira que mesmo assim, debaixo de falcatruas e pesada propaganda oficial, o corajoso e consciente povo venezuelano, tenha demonstrado de forma veemente e desconcertante sua insatisfação!

Foto: Luis Acosta/AFP

Nicolás Maduro comemora ao lado de sua esposa Cilia Flores o resultado da eleição presidencial na Venezuela


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