13 de abr de 2013

LEI DAS DOMÉSTICAS: OS PÓS E OS CONTRAS, de Agamenon

BRASIL – Humor
LEI DAS DOMÉSTICAS: OS PÓS E OS CONTRAS

Foto: Blog do Agamenon

Com os novos encargos trabalhistas, as domésticas vão virar artigo de luxo. Para cortar custos, já tem muito patrão pensando em se separar da mulher pra casar com a empregada

Postado por Toinho de Passira
Texto de Agamenon
Fonte: O GLOBO

Nunca tive empregada doméstica aqui na minha residência, o Dodge Dart 73, enferrujado, que fica estacionado na porta de O Globo. Aqui em casa eu e a Isaura, a minha patroa, realizamos nós mesmos o serviço doméstico num sistema de parceria e divisão de trabalhos. A Isaura lava, passa, cozinha, faz a faxina e eu ajudo a minha companheira sujando tudo.

Outra coisa que sempre atrapalhou a contratação de uma serviçal foi o ciúme doentio da Isaura, a minha patroa, que sempre teve medo que eu acabasse pegando alguma empregada gostosa, o que, provavelmente, ia acabar acontecendo mesmo.

Devido de quê a esta nova legislação, como se fosse uma chaleira, a classe média começou a chiar! Com os novos encargos, as domésticas cheias da grana vão acabar contratando as suas patroas para fazer faxina no barraco e tomar conta das crianças enquanto elas estão no serviço.

Assim como o Saci Pererê, a Mula Sem Cabeça e o Afro Descendentinho do Pastoreio, a Empregada Doméstica já virou uma figura do Imaginário Popular. Muitos afirmam que já viram, tem gente que jura de pé junto que já teve uma, mas isso não passa de uma lenda delirante.

Até o Eike Batista, que está na maior M...X, ficou apavorado com a nova Lei das Domésticas e mandou embora a cozinheira, a faxineira, a arrumadeira, o caseiro, o jardineiro e o diretor de marketing. E ainda teve que pedir uma grana pro André Esteves do BTG PACTUAL pra inteirar o FGTS dos seus ex-empregados.

O Brasil está mudando. Os hábitos e costumes arcaicos do passado ficaram para trás, assim como o pastor homofóbico Marcos Felicianus, só que ele não sabe. Antigamente, o racismo não era considerado preconceito, as mulheres podiam apanhar de seus maridos sossegadas sem ter que prestar queixa na delegacia, os homossexuais viviam sendo espancados tranquilamente e os índios eram queimados numa boa em praça pública.

E as empregadas domésticas, que eram quase membros da família, levavam chibatadas se errassem no tempero do feijão. Agora, as empregadas estão por cima da carne seca, do paio e da lingüiça do patrão. E diante desta nova realidade trabalhista, estou pensando seriamente em trocar de profissão e virar empregada doméstica, uma profissão muito melhor remunerada que o jornalismo onde, além de ganhar pouco, você não tem direito à férias e nem dormir no emprego.
Agamenon Mendes Pedreira é jornalista de forno e fogão.

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