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2 de set. de 2014

Na Venezuela, chavistas mudam Pai Nosso para "Chávez nosso que estás no céu".

VENEZUELA - BIZARRO
Na Venezuela, chavistas mudam Pai Nosso para
"Chávez nosso que estás no céu".
'Não nos deixe cair na tentação do capitalismo', diz um trecho da oração chavista, o mais novo golpe de oportunismo populista do presidente Maduro

Foto: Arquivo La Nación

Nicola Maduro segura cartilha com Hugo Chávez na capa. "El chavismo estrenó su propio Padre Nuestro: "Chávez nuestro que estás en el cielo" – diz o jornal venezuelano La Nación

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Exame, Veja, La Nación, El Mundo

“Chávez nosso que estás no céu”. Parece uma piada de mau gosto, blasfêmia, mas é a primeira frase da ‘oração chavista’, a mais nova criação do governo de Nicolás Maduro para tentar perpetuar o chavismo na Venezuela – reporta nesta terça-feira o jornal La Nación.

A prece chavista foi apresentada oficialmente nesta segunda em um evento do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), atualmente no poder. A mais nova peça do populismo rasteiro de Maduro pode soar como piada, mas é cínica o suficiente para mesclar o chavismo com a oração mais popular do catolicismo, a religião de mais de 85% dos venezuelanos.

Em um teatro em Caracas, com a presença de Maduro ministros, governadores e outras autoridades chavistas, a oração marcou o encerramento – e o ponto alto – do evento governista. A "oração" foi entonada em tom solene pela deputada chavista María Estrella Uribe:

“Chávez nosso que estás no céu, na terra, no mar e em nós. Santificado seja o teu nome, venha a nós o teu legado para ajudar pessoas de aqui e ali. Dê a nós a tua luz para nos guiar todos os dias. Não nos deixe cair na tentação do capitalismo, mas livra-nos do mal, da oligarquia, do crime de contrabando, porque a pátria, a paz e a vida são nossas. Por séculos e séculos, amém, Viva Chávez!”

País com a maior reserva de petróleo comprovada do planeta, a Venezuela atravessa uma severa crise econômica, com escassez de produtos básicos, inflação de mais de 60% ao ano, entre outros problemas. Maduro acusa setores ligados à oposição venezuelana e conservadores dos Estados Unidos e Colômbia de promover uma "guerra econômica" contra seu governo.

A Venezuela atravessou uma violenta onda de protestos entre fevereiro e final de maio devido à inflação, à falta de produtos básicos – como papel higiênico, açúcar, farinha ou leite – e à altíssima violência que provoca em média 65 mortes por dia no país.

Os protestos foram repreendidos e resultaram na morte de mais de 40 pessoas, além de mais de 700 feridos.

10 de mar. de 2014

A liberdade nas ruas, de Mario Vargas Llosa, para O Estado de S.Paulo

VENEZUELA - Opinião
A liberdade nas ruas
*O escritor peruano, Mario Vargas Llosa, lamenta a solidão dos valentes venezuelanos que lutam para "salvar seu país e toda a América Latina de uma nova satrapia comunista, sem receber o apoio que merecem dos países democráticos e da OEA" e critica os governos latinos que prestam “homenagem a Fidel Castro, múmia viva e símbolo animado da ditadura mais longeva da história da América Latina”.

Foto: Rodrigo Abd/AP

Jovem ativista, num protesto em Caracas, exibe lágrimas simbólicas, com as cores da Venezuela

Postado por Toinho de Passira
Texto de Mario Vargas Llosa - Prêmio Nobel de Literatura
Fontes: O Estado de S.Paulo

Há quatro semanas, os estudantes venezuelanos começaram a protestar nas ruas das principais cidades do país contra o governo de Nicolás Maduro. Apesar da dura repressão - 20 mortos, mais de 300 feridos reconhecidos até agora pelo regime e cerca de mil presos, entre eles Leopoldo López, um dos principais líderes da oposição -, a mobilização popular continua firme.

Ela semeou pela Venezuela "Trincheiras da Liberdade" nas quais, além de universitários e escolares, há também operários, donas de casa, funcionários de escritório e profissionais liberais, em uma onda popular que parece ter superado a Mesa da Unidade Democrática (MUD), a organização que abrange todos os partidos e grupos políticos de oposição, graças aos quais a Venezuela não se transformou ainda numa segunda Cuba.

No entanto, é evidente que essas são as intenções do sucessor do comandante Hugo Chávez. Todos os passos que ele deu desde que assumiu o poder que lhe foi ungido, no ano passado, são inequívocos. O mais notório deles, a asfixia sistemática da liberdade de expressão. O único canal de TV independente que sobrevivia - a Globovisión - foi submetido a uma perseguição tal pelo governo, que seus donos tiveram de vendê-lo a empresários favoráveis à situação, que agora o alinharam ao chavismo.

O controle das estações de rádio é praticamente absoluto e as que ainda se atrevem a dizer a verdade sobre a catastrófica situação econômica e social do país têm os dias contados. A mesma coisa ocorre com a imprensa independente que o governo está eliminando aos poucos pela privação de papel-jornal.

Entretanto, embora o povo venezuelano quase não possa ver, ouvir nem ler uma informação livre, experimenta na carne a brutal e trágica situação para a qual os desvarios ideológicos do regime - as estatizações, o intervencionismo sistemático na vida econômica, a perseguição às empresas privadas, a burocratização cancerosa - levaram a Venezuela e essa realidade não pode ser ocultada com demagogia. A inflação é a mais elevada da América Latina e a criminalidade, uma das mais altas do mundo.

A carestia e o desabastecimento esvaziaram as prateleiras das lojas e a imposição do tabelamento dos preços para todos os produtos básicos criou um mercado negro que multiplica a corrupção a extremos vertiginosos. Somente a nomenclatura conserva os elevados níveis de vida, enquanto a classe média encolhe cada vez mais e os setores populares são golpeados de uma maneira cruel que o regime trata de amenizar com medidas populistas - estatismo, coletivismo, distribuição de doações e muita propaganda acusando a "direita", o "fascismo" e o "imperialismo americano" pela desordem e pela queda livre do nível de vida do povo venezuelano.

O historiador mexicano Enrique Krauze lembrava há alguns dias o fantástico desperdício do regime chavista, nos seus 15 anos no poder, dos US$ 800 bilhões que ingressaram no país neste período, graças ao petróleo. Boa parte desse esbanjamento serviu para garantir a sobrevivência econômica de Cuba e para subvencionar ou subornar governos que, como o nicaraguense do comandante Daniel Ortega, o argentino de Cristina Kirchner ou o boliviano de Evo Morales, apressaram-se nos últimos dias em solidarizar-se com Maduro e em condenar os protestos dos estudantes "fascistas" venezuelanos.

A prostituição das palavras, como assinalou George Orwell, é a primeira façanha de todo governo de vocação totalitária. Nicolás Maduro não é um homem de ideias, como percebe de imediato quem o ouve falar. Os lugares comuns tornam seus discursos confusos e ele os pronuncia sempre rugindo, como se o barulho pudesse suprir a falta de argumentos. Sua palavra favorita é "fascista", com a qual ele se dirige sem o menor motivo a todos os que o criticam e se opõem ao regime que levou um dos países potencialmente mais ricos do mundo à pavorosa situação em que se encontra.

Sabe, senhor Maduro, o que significa fascismo? Não o ensinaram nas escolas cubanas? Fascismo significa um regime vertical e caudilhista, que elimina toda forma de oposição e, mediante a violência, anula ou extermina as vozes dissidentes. Um regime que invade todos os aspectos da vida dos cidadãos, do econômico ao cultural e, principalmente, é claro, o político. Um regime em que pistoleiros e capangas asseguram, mediante o terror, a unanimidade do medo, do silêncio e uma frenética demagogia por meio de todos os veículos de comunicação na tentativa de convencer o povo, dia e noite, de que vive no melhor dos mundos.

Ou seja, o que está vivendo cada dia mais o infeliz povo venezuelano é o fascismo, que representa o chavismo em sua essência, esse fundo ideológico no qual, como explicou tão bem Jean-François Revel, todos os totalitarismos - fascismo, leninismo, stalinismo, castrismo, maoismo e chavismo - se fundem e se confundem.

É contra essa trágica decadência e a ameaça de um endurecimento ainda maior do regime - uma segunda Cuba - que se levantaram os estudantes venezuelanos, arrastando com eles setores muito diferentes da sociedade. Sua luta é para impedir que a noite totalitária caia totalmente sobre a terra de Simón Bolívar e não haja volta.

Acabei de ler um artigo de Joaquín Villalobos (Como enfrentar o chavismo)no jornal El País, desaconselhando a oposição venezuelana a adotar a ação direta que empreendeu e recomendando que, ao contrário, espere se fortalecer para poder ganhar as próximas eleições. Surpreende a ingenuidade do ex-guerrilheiro convertido à cultura democrática.

Quem garante que haverá futuras eleições dignas desse nome na Venezuela? Por acaso foram as últimas, nas condições de desvantagem da oposição em que transcorreram, com um poder eleitoral submisso ao regime, uma imprensa sufocada e um controle obsceno da recontagem dos votos pelos testas de ferro do governo?

Evidentemente, a oposição pacífica é o ideal na democracia. A Venezuela, porém, não é mais um país democrático e está muito mais próximo de uma ditadura como a cubana do que são, hoje, países como México, Chile ou Peru. A grande mobilização popular que a Venezuela vive ocorre precisamente para que, no futuro, haja ainda eleições de verdade e essas operações não se tornem rituais circenses como eram as da ex-União Soviética ou são as de Cuba, onde os eleitores votam em candidatos únicos, que ganham com 99% dos votos.

O que é triste, embora não surpreendente, é a solidão em que os valentes venezuelanos que ocupam as Trincheiras da Liberdade estão lutando para salvar seu país e toda a América Latina de uma nova satrapia comunista, sem receber o apoio que merecem dos países democráticos ou desta inútil e carcomida Organização dos Estados Americanos (OEA), que, segundo sua declaração de princípios, que vergonha, deveria zelar pela legalidade e pela liberdade dos países que a integram.

Naturalmente, que outra coisa pode se esperar de governos cujos presidentes compareceram, praticamente todos, em Havana, para a cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e para prestar homenagem a Fidel Castro, múmia viva e símbolo animado da ditadura mais longeva da história da América Latina.

Entretanto, o lamentável espetáculo não deve tirar as esperanças dos que acreditam que, apesar de tantos indícios contrários, a cultura da liberdade lançou raízes no continente latino-americano e não voltará a ser erradicada no futuro imediato, como tantas vezes no passado.

Os povos dos nossos países costumam ser melhores do que seus governos. Ali, estão para demonstrar isso os venezuelanos, assim como os ucranianos, arriscando suas próprias vidas em nome de todos nós para impedir que na terra da qual saíram os libertadores da América do Sul desapareçam os últimos resquícios de liberdade que ainda restam. Mais cedo ou mais tarde, eles triunfarão.
Tradução de Anna Capovilla
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

20 de fev. de 2014

Primavera venezuelana: mortes, inquietação popular e incertezas

VENEZUELA
Primavera venezuelana:
violência, mortes, inquietação popular e incertezas
Uma jovem estudante venezuelana, Génesis Carmona, 22 anos morreu nesta quarta-feira após ser baleada na cabeça durante uma manifestação contra o governo de Nicolás Maduro. Universitária, também era modelo e foi eleita, no ano passado, Miss Turismo de Carabobo. Ela foi alvejada quando a manifestação que participava foi atacada por motociclistas armados que dispararam contra a multidão. Carmona é a quinta vítima fatal decorrente dos protestos contra o governo venezuelano.

Foto: Redes Sociais

Génesis Carmona, 22 anos, Miss Turismo de Carabobo, no esplendor da juventude


Génesis Carmona, sendo levada ao hospital, de motocicleta, com um tiro na cabeça

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters, AFP, Veja, Estadão, Gazeta do Povo, Diario Correo

Subiu nesta quarta-feira para seis o número de mortos na onda de protestos políticos que sacode a Venezuela, num momento em que o detido líder opositor Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular convocou seus seguidores a continuar lutando para derrubar o governo socialista.

A televisão estatal informou que uma mulher morreu depois que a ambulância que a levava ao hospital foi bloqueada por manifestantes da oposição em Caracas. Segundo a VTV, ela estava sendo socorrida após sofrer um ataque cardíaco.

Mais cedo nesta quarta-feira, Génesis Carmona, eleita, no ano passado, Miss Turismo de Carabobo, modelo e estudante de turismo de 22 anos, morreu após ser baleada na cabeça, Na véspera, havido sido alvejada por motociclistas não identificados, possivelmente integrantes das milícias chavistas, que abriram fogo contra uma manifestação pacifica, da oposição, em Valencia, ferindo nove pessoas, incluindo a jovem estudante, que chegou a ser operada, mas não resistiu.

Há quase 20 dias, milhares de venezuelanos protestam nas ruas contra preocupações que vão desde a piora da economia até a insegurança no dividido país. Além de haver centenas de feridos, quatro pessoas morreram baleadas, uma de ataque cardíaco e outra atropelada:

O motorista de um caminhão da estatal petrolífera venezuelana PDVSA atropelou e matou o adolescente José Ernesto Mendez, 17 anos durante protestos em Carúpano, estado de Sucre. Ele teria tentado parar o veículo.

Embora os protestos tenham se convertido no maior desafio de governabilidade do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, desde que assumiu o cargo em abril, não há ainda indícios de que seu governo esteja seriamente ameaçado institucionalmente.

Os militares, cruciais na história venezuelana para equilibrar a balança e pressionar pela saída de um mandatário, estão do lado do presidente.

Os países do Mercosul, incluindo o governo Dilma, tem se manifestado favorável ao presidente, e a maneira como ele vem conduzindo a crise.

Maduro, como fazia seu padrinho Hugo Cháves, garante que a oposição, com apoio dos Estados Unidos, tenta repetir o sangrento golpe de Estado que tirou brevemente do poder o então presidente Hugo Chávez em 2002. Sem reconhecer que a posição política de Leopoldo López, o opositor, é de revogar o mandato de Maduro através de referendo, permitido pela Constituição venezuelana, para 2016.

Foto: Jorge Silva/Reuters

O opositor Leopoldo López é colocado dentro de veículo da Guarda Nacional depois de se entregar à polícia em Caracas, na Venezuela

Nesta quinta feira (20), um tribunal da Venezuela confirmou a prisão preventiva do dirigente de oposição Leopoldo López, que continuará detido na penitenciária militar de Ramo Verde, nos arredores da capital Caracas. Foram aceitas as acusações de incêndio e depredação, assim como as de formação de quadrilha e incitação da violência. O líder da oposição continuará reclusão pelo menos durante 45 dias.

O advogado Juan Carlos Gutiérrez, que defende López, tinha rejeitado durante a tarde a decisão da juíza Dalenys Tovar, encarregada do caso, de realizar a audiência dentro da penitenciária militar, ao invés do Palácio de Justiça de Caracas, por considerá-la "irregular" e uma "violação da Constituição".

A juíza alegou que o procedimento visava proteger a integridade física de Leopoldo López, temendo manifestações prós e contra diante da corte onde ele seria apresentado.

López foi responsabilizado pessoalmente pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos distúrbios durante uma manifestação que no último dia 12 acabou com três mortes.

Economista de 42 anos, educado nos Estados Unidos, López lidera a ala mais dura da oposição. Ele se entregou na terça-feira voluntariamente às autoridades em uma manifestação diante de um mar de simpatizantes, após uma semana fugindo de uma ordem de prisão expedida contra ele.

"Nossa causa foi, continua sendo e hoje mais do que nunca tem de ser a queda deste governo", disse López junto à sua mulher em um vídeo publicado na noite de terça-feira.

A Venezuela está dividida entre aqueles que defendem os planos sociais do governo que favorecem boa parte dos 29 milhões de habitantes por meio de subsídios milionários e os que querem uma mudança e estão cansados da elevada inflação, o desabastecimento crônico e a crescente onda de violência urbana.

A criminalidade disparou na Venezuela ao longo dos 14 anos de governo Chávez. Em 2011, foram cometidos 20 000 assassinatos do país, em um índice de 67 homicídios por 100.000 habitantes. Em 2013, foram mortas na Venezuela quase 25 000 pessoas, cinco vezes mais do que em 1998, quando Hugo Chávez foi eleito.

Foto: Arquivo

O então presidente Hugo Chávez, a frente, de Nicolas Maduro, o atual presidente, venezuelano, seu herdeiro político

A HERANÇA MALDITA DE CHÁVEZ

A Venezuela é o país com a terceira maior taxa de homicídios do mundo, atrás de Honduras e El Salvador. Entre as razões para tanto está a baixa proporção de criminosos presos. De acordo com uma ONG que promove os direitos humanos na Venezuela, a Cofavic, em 96% dos casos de homicídio os responsáveis pelos crimes não são condenados.

A economia venezuelana tem um histórico de inflação alta, desde antes de Chávez chegar ao poder. Contudo, a gastança pública aliada a uma política expansionista e estatizante fez com que a alta dos preços atingisse níveis absurdos. Em 2013, o índice fechou em 56%, a mais alta taxa do continente americano e mais do que o dobro da registrada no país no ano anterior. Os números poderiam ser muito piores se não fosse o controle de preços exercido pelo governo.

No entanto, essa regulação afetou a produção e levou a escassez de alimentos básicos como leite, carne e até papel higiênico. A desvalorização de mais de 30% da moeda, que entrou em vigor em fevereiro, fez com que alguns preços duplicassem.

Em 1999, Chávez aprovou uma nova Constituição que eliminou o Senado e estendeu seu mandato para seis anos, além de conseguir uma lei que lhe permitia governar por decreto. A concentração de poderes promovida pelo caudilho, no entanto, não se restringiu ao Legislativo. O Judiciário foi tomado por juízes alinhados ao chavismo. A cúpula das Forças Armadas também demonstrou lealdade ao coronel logo depois de anunciada sua morte, quando as tropas foram colocadas nas ruas com o objetivo declarado de "manter a ordem". "Vida longa, Chávez. Vida longa, revolução", bradou o ministro da Defesa, Diego Alfredo Molero Bellavia. A oposição em várias oportunidades pediu a obediência à Constituição.

O petróleo, extraído quase inteiramente pela PDVSA, a Petrobras da Venezuela, é responsável por 50% das receitas do governo venezuelano. Além do prejuízo de uma economia não diversificada, Chávez demitiu em 2003 40% dos funcionários da companhia após uma greve geral e os substituiu por aliados. A partir daí, as metas de investimento não foram cumpridas e a produção estagnou.

O plano de investimentos da PDVSA divulgado em 2007 previa a produção de 6 milhões de barris por dia este ano, mas entrega menos da metade. A exploração de petróleo caiu de 3,2 milhões de barris diários (em 1998) para 2,4 milhões (em 2012). Cháves porém, foi beneficiado, pelo aumento do preço do produto e usou a fortuna para financiar programas assistencialistas e comprar aliados na América Latina.

Foto: Arquivo

Sem o carisma de Chávez, Maduro tenta equilibrar-se diante da revolta popular: não tão forte, ainda, que o ameace seriamente, mas suficiente para inquietar

O presidente Nicolás Maduro deu continuidade às 'misiones', como são conhecidos os programas assistencialistas. O desafio será mantê-los e ainda investir na petrolífera e aumentar a produção.

Entre o final de 2009 e início de 2010, a Venezuela sofreu uma crise no setor elétrico, agravada pela estiagem que reduziu drasticamente os níveis dos rios que alimentam as hidrelétricas. Preocupado em ajudar financeiramente os aliados latino-americanos, o governo Chávez deixou de investir em novas usinas. E as companhias do setor elétrico, sob a praga da gestão chavista, tiveram queda na produção por falta de manutenção, corrupção e aumento escandaloso do número de funcionários. A crise foi tão grave que paralisou vários setores da economia e obrigou o governo a declarar estado de emergência no país.

Para contornar a situação, Chávez propôs o "banho socialista" de três minutos, pediu para os venezuelanos usarem lanternas para ir ao banheiro no meio da madrugada e exortou as grandes empresas a gerar sua própria eletricidade. Em 2012, Chávez reconheceu que a Venezuela ainda sofria com problemas elétricos, mas disse que, se não tivesse chegado ao poder em 1999, o país se iluminaria com lanternas e cozinharia com lenha.

Boa parte dos recursos do petróleo venezuelano foi usada por Chávez para comprar aliados na região e ampliar o alcance de sua 'revolução bolivariana'. O maior beneficiário é Cuba, cuja mesada vinda dos cofres venezuelanos equivale a 22% do PIB - a ilha foi o destino do coronel ao longo de todo o tratamento contra o câncer e a oposição venezuelana denuncia a interferência dos irmãos Castro na política do país. Chávez também abasteceu o caixa de campanha de candidatos presidenciais populistas na América Latina e Central, como Cristina Kirchner, na Argentina, Evo Morales, na Bolívia, e Daniel Ortega, na Nicarágua.

Durante a era Chávez, o endividamento do governo subiu de 37% para 51% do PIB. A dívida pública externa oficial está em 107 bilhões de dólares, sem contar a dívida da PDVSA com fornecedores e sócios e os débitos do governo com empresas expropriadas. No total, a conta deve chegar a 140 bilhões de dólares, um grande desafio para o novo presidente.

17 de nov. de 2013

Venezuela a beira do precipício

VENEZUELA - Economia
Venezuela a beira do precipício
Nicolas Maduro, presidente da Venezuela, sempre surpreende para pior: com poderes especiais para governar por decreto, resolveu travar uma guerra contra os comerciantes: ordenou a ocupação de centenas de lojas e obrigou os proprietários a liquidar seus estoques a preços fixados pelo Governo. Como esperado, a iniciativa foi coroada de tumultos e saques e prisões de proprietários resistentes à ideia. É evidente que, longe de garantir o abastecimento, principalmente de alimentos, essa onda de intervenções fará exatamente o oposto

Detalhe da primeira página do periodico La Razón

Manchete: Venezuela à beira de um colapso. A crise se aprofunda. Escassez aumenta, provoca inflação e reserva de moeda estrangeira é insuficiente para importações.

Postado por Toinho de Passira
BR>Fontes: Blog de Miriam Leitão, Opera Mundi, La Razón, El Nacional, El Universal, Diario de Noticias

Na Venezuela os índices inflacionários estão ladeira a cima, a inflação dos últimos 12 meses é quase dez vezes a do Brasil. O governo combate a crise, como remédios econômicos populistas e cosméticos, que alivia momentaneamente os sintomas, sem se preocupar, nem de longe, com a busca de uma solução definitiva. Encurta cada vez mais o prazo da necessidade do lançamento sequencial de novas medidas, para combater novas crises ou para enfrentar os efeitos colaterais das ações anteriores.

Há tabelamento de preços e desabastecimento generalizado, inclusive dos produtos da cesta básica. As filas para compra de alimentos racionados, como açúcar, leite em pó e papel higiênicos, são de até duas horas. Muitos estão perigosamente endividados.

Dilma fiadora do inadimplente Nicolas Maduro
Diante de tudo isso, o governo Maduro tirou da cartola medidas que não resolvem o problema. Criou o risível Ministério da Felicidade, por decreto antecipou o Natal e baixou os preços dos eletrodomésticos.

A inflação geral dos últimos 12 meses está em assustadores 54%, e o mais grave, o aumento de preços nos alimentos é ainda maior, alcança 72,2%. As populações mais pobres são as mais prejudicadas.

Segundo o economista venezuelano Pedro Palma, que conversou com a coluna, de Miriam Leitão, o poder de compra das remunerações dos trabalhadores é hoje quase 20% menor do que há 15 anos.

O site do jornal “El Nacional” reportava nesses últimos dias, que enquanto os preços de alguns eletrodomésticos tinham sido reduzidos, o racionamento de alimentos continuava. E que dois tipos de filas eram vistas pelas ruas de Caracas: uma para a compra de TVs e equipamentos eletrônicos, e outras, diante dos supermercados: donas de casa aguardavam para comprar dois quilos de leite em pó, dois de açúcar e quatro quilos de farinha. Produtos racionados.

O ambiente econômico complica-se ainda mais com a proximidade das eleições municipais, que serão uma prova de fogo para o governo, posto pela primeira vez, desde a posse, diante de uma avaliação eleitoral.

Maduro que conseguiu, recentemente, do parlamento a esdruxula autorização para governar por decreto, como conseguira anteriormente seu antecessor Hugo Chávez, usa desses poderes, para lançar as tais medidas de alivio de curto prazo. Nesses últimos dias, além da redução de preços, Maduro fez novos anúncios, como a criação de um órgão para administrar as divisas para as importações e fomentar as exportações. É o terceiro desse tipo desde fevereiro.

Por exemplo, na sexta-feira, o presidente Maduro, em rede nacional, fez um pronunciamento para anunciar que mais de 100 comerciantes haviam sido presos acusados de estarem cobrando preços exorbitantes.

Foto: EFE

"(...) temos mais de 100 burgueses atrás das grades neste momento", afirmou como um general que acaba de ganhar uma batalha contra o inimigo.

Entre as 'irregularidades identificadas' desde o início das inspeções, segundo o governo, em mais de mil estabelecimentos comerciais, estão o uso ilegal de dólares obtidos pela rede governamental de distribuição de divisas, fixação de preços desproporcionais, sonegação de impostos, entre outros. Os comerciantes são fiscalizados por inspetores do Exército, que forçam a redução dos preços. Diante de qualquer sinal de desobediência os lojista são sumariamente presos.

De acordo com Maduro, 99% dos comércios inspecionados que vendem produtos importados realizam suas compras com dólares obtidos pelo Cadivi (Comissão de Administração de Divisas) e 99% destes vendem a valores inflados, com um sobrepreço médio de 400 a 1200%. Em muitos casos, segundo ele, os preços são remarcados de acordo com a variação do dólar no mercado paralelo, que supera em quase dez vezes o valor oficial da moeda norte-americana, fixado em 6,30 bolívares.

Maduro diz que empresas sem escrúpulos têm levantado os preços dos eletroeletrônicos e outros bens em mais de mil por cento, por isso confirma que seu governo está preparando novas leis para limitar os lucros das empresas entre 15 e 30 por cento.

Foto: Juan Barreto/AFP

SAQUE OFICIAL - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, mandou "ocupar" no sábado, passado, uma rede de loja de eletrodomésticos, lojas Daka, em uma operação 'contra especulação dos preços'. Detiveram vários administradores da empresa e obrigaram a vender os produtos a preços 70% mais baixos.

Segundo o Governo, apenas cinco das 1.400 lojas inspecionadas até quarta-feira vendia seus produtos a preços justos."

No mundo real, segundo o jornal La Razón, muitos comerciantes forçados a baixar os seus preços, sob risco de prisão, estão se desfazendo dos estoques, com margens de lucros que não cobrem os custos das compras feitas com os dólares no paralelo. A consequência imediata será o fechamento de muitos desses estabelecimentos, o aumento do desemprego e agravamento descontrolado do desabastecimento.

Não podemos esquecer que a crise do nosso vizinho não pode ser ignorada, os jornais venezuelanos ressaltam que a ajuda do Brasil tem sido fundamental para que o governo Maduro enfrente a atual crise econômica, ou seja, a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, tem sido avalista das exportações brasileiras, num esforço para que os empresários brasileiros continuem enviando alimentos à Venezuela, especialmente carne, bovinos vivos, galinha e açúcar, apesar da enorme dívida, e atrasos nos pagamentos dos contratos vencidos, que já somam 8 milhões de dólares.

As Controlar inflação e desabastecimento por decreto, nunca funcionou, mesmo para quem tem superpoderes para governar e uma amiga como Dilma Rousseff.

Detalhe da primeira página do Jornal El Tiempo - 14.11.2013

“Eu prefiro que o povo entre e nos saque, sai mais barato! Deus, isso é um desrespeito! ” disse o comerciante árabe, Hakim Raffai, chorando enquanto era conduzido preso, referindo-se a resistindo a exigência do governo Maduro em obrigá-lo a reduzir os preços de todos os eletrodomésticos vendidos em sua loja em 70%.

A frase transcrita na manchete do jornal “El Tiempo”, enfureceu o presidente Nicolas Maduro, que acusa do jornal de guerra psicológica. “Eles colocaram as palavras de um ladrão empresário, que estavam sendo presos ", disse Maduro. "É um crime que não pode ser ignorado é uma guerra psicológica, eles (os proprietários) preparem-se para as consequências legais”, acrescentou.

O empresário permanece detido na sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).

7 de jul. de 2013

Hugo Chávez torna-se nome de rua em Moscou

RÚSSIA – VENEZUELA- Homenagem
Hugo Chávez torna-se nome de rua em Moscou
A prefeitura de Moscou homenageou o presidente venezuelano falecido, por sua ligação com o povo russo, segundo nota do governo venezuelano

Foto: Stringer/Reuters


Foto: Prensa Oficial Venezuela


Foto: Prensa Oficial Venezuela


Fotos da cerimonia que teve até música latina e um grupo improvisado de chavistas

Postado por Toinho de Passira
Fontes:   The Moscou Times, UPI, The Wall Street Journal, Cuba Debate, Blog do Nicola Maduro

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, participou, junto a autoridades municipais moscovitas, da inauguração da denominação de uma rua da capital russa, com o nome do ex-presidente venezuelano, Hugo Chávez, morto em março do ano passado, vítima de câncer.

A página oficial do governo venezuelano, apesar de não mencionar a presença do prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, fez questão de registrar o prestigioso comparecimento de Igor Ivanovich Sechin, 53 anos, um dos importantes conselheiros do presidente russo, Vladimir Putin, muitas vezes citado pela imprensa russa como "Darth Vader, o assustador vilão da saga de “Guerra das Estrelas”.

Ivanovich é constantemente acusado de corrupção e de ser contrabandista de armas, já foi vice-presidente da Rússia, é atualmente o presidente executivo da poderosa Rosneft, a estatal petrolífera russa. Consta que foi dele a ideia de nomear a rua com o nome de Chávez, imediatamente acatada pelas autoridades moscovitas.

Falando na cerimônia, o presidente venezuelano, Maduro disse que Chávez tinha visitado a capital russa pelo menos 10 vezes, durante seus 14 anos no poder.

“Ele nunca me senti como um estranho em Moscou”. Agradeço por este presente", disse Maduro, que havia chegado a Moscou na segunda-feira, 01, para uma visita de dois dias.

A rua foco da homenagem faz parte de um complexo de novas ruas do plano de reurbanização de Moscou, anteriormente, sem nome, referida como rua projetada 5509.

A Rua Hugo Chávez fica na região noroeste da cidade, contígua a uma das principais avenidas de Moscou, tem 170 metros de extensão, é ladeado por um parque, residências e um hotel.

Vai se transformar num ponto de referência para turistas latinos. Ninguém consultou, porém os moradores. Será que eles estão satisfeitos em morar na Rua Hugo Chávez?

Foto: Olga Razumovskaya/Wall Street Journal

Não vai ser fácil, aos venezuelanos encontrar a rua Hugo Chávez pela placa, (foto acima) escrita no alfabeto cirílico, usado pelos russos

2 de jul. de 2013

Putin diz Snowden só fica na Rússia se parar de divulgar segredos dos EUA, ele pode parar na Venezuela

RÚSSIA – ESTADOS UNIDOS - VENEZUELA
Putin impõe condições para o espião EUA receber asilo
Especula-se que ele pode estar indo para a Venezuela
O americano, Edward Snowden, responsável pela divulgação de segredos dos EUA, ao chegar a Moscou, vindo de Hong Kong, não pode passar pela imigração pois seu passaporte havia sido cancelado. Como personagem de filme, está na zona internacional do aeroporto russo, sem poder sair. As chances de ser resgatado pelo Equador diminui. Há forte expeculação de Nicolas Maduro, presidente da Venezeula, em visita a Rússia, trazê-lo na bagagem, ao voltar à Caracas.

Foto: Reuters

Retido no aeroporto de Moscou, Edward Snowden, o espião americano, busca desesperadamente uma nação para se asilar, longe das garras do governo EUA

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Times of Israel, The New York Times, Los Angeles Times, Izvestia, Komsomoliskaj Pravda, Publico

O presidente Vladimir V. Putin, disse nesta segunda-feira que Edward J. Snowden, o ex-funcionário de segurança nacional, dos EUA, acusado de espionagem, só receberia asilo político na Rússia, se parasse de publicar documentos secretos que prejudicam os interesses dos Estados Unidos.

Putin, porém, deixou nas entrelinhas a decisão de não extraditar o espião, apesar dos esforços dos americanos, a esse respeito.

Snowden pediu asilo político na Rússia na noite de domingo, de acordo com Kim Shevchenko, um funcionário do consulado russo no aeroporto de Sheremetyevo.

Oito dias atrás, 23 de junho, o americano chegou num voo da Aeroflot originário de Hong Kong, aparentemente com a intenção de embarcar em uma conexão para América Latina, o Equador, provavelmente.

Desde então, está retido na zona de transito do aeroporto, uma espécie de limbo geopolítico, depois que as autoridades russas, constataram que o seu passaporte americano havia sido revogado pelo governo dos EUA.

O presidente do Equador, Rafael Correa, segundo o The New York Times, confirmou ter recebido extraoficialmente um pedido de asilo político de Snowden. Mas o presidente latino disse que seu governo não poderia começar a considerar a solicitação até que o espião, estivesse em território equatoriano, no país, ou em alguma das suas embaixadas.

"Ele está na zona internacional do aeroporto de Moscou, sob os cuidados das autoridades russas", disse Correa, "Estritamente falando, o caso não está em nossas mãos."

Foto: Tatyana Makeyeva/Reuters

A imprensa faz plantão diante do aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou, onde encontra-se o espião americano, num limbo geopolítico, legalmente fora do território russo.

Tecnicamente sem passaporte, o americano está impedido de passar pelo controle de imigração da Rússia ou de lá sair para outro país.

As autoridades russas, dizem não ter qualquer responsabilidade, para com o americano, afirmam que a zona de trânsito do aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou, onde Snowden está enclausurada, é legalmente considerado fora das fronteiras da Rússia.

Com essas questões em aberto, a opções de Snowden parecem ter diminuído, e sua escala no aeroporto Sheremetyevo agora corre o risco de esticar indefinidamente, a menos que algo novo aconteça.

Na sua fala, Putin, abriu uma brecha na questão, dizendo: "Se ele quiser ir a algum lugar e eles o aceitarem, por favor, fique à vontade", disse o presidente russo. "Então ele deve escolher para si um país para onde ir. Quando isso vai acontecer, eu infelizmente não sei", concluiu Putin.

Um funcionário do Ministério das Relações Exteriores disse o Los Angeles Times nesta segunda-feira que o Snowden tinha endereçado apelos de asilo político para 15 países, "uma medida desesperada" após as autoridades equatorianas, não demonstrem interesse em regatá-lo.

Sabe-se agora, que o ex-consultor da Agência de Segurança Nacional Edward Snowden solicitou, pedidos de asilo a 21 países: Rússia, Islândia, Equador, Cuba, Venezuela, Brasil, Índia, China, Alemanha, França, Finlândia, Polônia, Áustria, Noruega, Espanha, Bolívia, Itália, Irlanda, Holanda, Nicarágua e Suíça. Vários já rejeitaram, como são os casos da Finlândia, da Índia, da Polônia, da Espanha e do Brasil.

Uma série de figuras públicas na Rússia saíram nos últimos dias em favor de estender ao espião americano, asilo político, na segunda-feira, a questão foi tema de uma mesa-redonda na Câmara Pública, um órgão consultivo do Kremlin.

"Eu acredito que não devemos denunciá-lo, sob nenhum pretexto", disse Aleksandr Sidyakin, um membro proeminente da maioria Partido Rússia Unida. "Parece-me que Snowden é um grande pacifista. Essa pessoa fez muito mais por merecer ganhar o Prêmio Nobel da Paz, do Barack Obama."

Foto: Reuters

Maduro em Moscou ao lado de Putin, primeira viagem internacional, participação do "Fórum de Países Exportadores de Gás". Pode arranjar, de quebra, uma encrenca com os Estados Unidos

O jornal russo Izvestia, sem citar fontes, levanta uma hipótese polêmica, da possibilidade, do presidente da Venezuela, Nicola Maduro, em visita oficial a Rússia, nesta semana, trazer na sua bagagem de volta à Caracas, o espião americano, Edward J. Snowden.

A programação oficial de Nicolas Maduro na Rússia, inclui reuniões com Vladimir Putin e participação do Fórum de Países Exportadores de Gás e até uma cerimônia oficial de nomeação de uma das ruas de Moscou, com o nome de Hugo Chávez. Apesar da Embaixada da Venezuela se recusar a comentar o assunto, diz o jornal, há a possibilidade de entrar na pauta de discussão de Putin e Maduro, a situação de Edward Snowden.

Se Maduro retirar o espião americano da Rússia, livra Putin de um grande embaraço. O presidente venezuelano pode achar que o ato de dá asilo ao dissidente americano, pode lhe dá projeção internacional, apesar de atrair a ira americana contra Caracas. Estranho mesmo é que Edward Snowden, dito pacifista e defensor das liberdades civis, esteja buscando abrigo em países como a China, a Rússia e a Venezuela.


Leia no “thepassiranews”
Delator é de empresa de encarregada segredos da segurança dos EUA

13 de jun. de 2013

Venezuelano cria aplicativo para encontrar papel higiênico

VENEZUELA – Economia - Bizarro
Universitário venezuelano cria aplicativo
para encontrar papel higiênico
Um app criado por um jovem universitário, usa uma rede de assinantes que informa onde está sendo vendido os produtos básicos escassos no mercado venezuelano como açúcar, farinha e até papel higiênico.

Foto: EFE

Usuário venezuelano procura no "smartphones" papel higiênico através do "abastéceme”

Postado por Toinho de Passira
Fontes: ABC - Espanha, Peru 21, Clarin, Virgula, Abastéceme, BBC Brasil

A crise venezuelana de escassez de produtos básicos como açúcar, farinha e até papel higiênico tirou a paciência do jovem Jose Augusto Montiel, 21 anos, estudante da Universidade Rafael Urdaneta de Maracaibo, onde está concluindo a curso de engenharia química, que teve que abrir mão de seu café com leite pelas manhãs.

Ver seus pais na cidade de Maracaibo indo de supermercado a supermercado em busca de leite o levou a criar o "Abastéceme", uma rede social em que os usuários trocam informações sobre onde estão disponíveis os produtos mais procurados pelos consumidores.

"Talvez isso não vá solucionar o problema da falta de abastecimento, mas pelo menos temos agora uma ferramentas para facilitar a vida do venezuelano", explicou Montiel

Em um mês, o estudante de engenharia química de 21 anos já criou uma versão para o Android. Em poucos dias, promovido apenas no "boca a boca", já foi baixado por 4 mil usuários ativos.

Ainda que a maioria de seus usuários esteja na capital, Caracas, seu nível de aprovação e aceitação como ferramenta confiável na hora de fazer compras é, entretanto, incipiente.

Por exemplo, no leste da capital venezuelana, o sistema não acusava, nas lojas locais, a presença de farinha - principal ingrediente para a tradicional arepa, um tipo de pão bastante apreciado e popular no país - ou papel higiênico, que ultimamente se transformou no produto mais procurado da cidade.

Mesmo assim, clientes corriam a um supermercado dessa região de classe média alta que vendia o cobiçado papel higiênico.

No mês passado, o presidente do Instituto Nacional de Estatísticas da Venezuela, Elías Eljuri, tentou justificar de maneira inusitada a falta do produto, dizendo que 95% da população está se alimentando melhor: “comem três vezes por dia e mais” e isso justificaria a grande demanda por papel higiênico.

Foto: EFE

Montiel afirmou que o aplicativo "Abastéceme" se tornou "viral" no dia 3 de junho, foram feitos mais de mil downloads, um tráfego que chegou a seis solicitações de informação por segundo.

APROVEITADORES X GOVERNO

O governo do presidente Nicolás Maduro, acusa os empresários de se alinharem com a oposição para desestabilizar o governo ao ocultarem bens essenciais.

Para resolver a situação, anunciou a importação de alimentos e outros produtos da cesta básica.

Economistas alinhados com a oposição culpam o controle do câmbio, que mantém a moeda venezuelana, o bolívar, sobrevalorizado, provocando uma escassez de dólares disponíveis para os importadores.

Os especialistas ainda apontam que o controle de preços desacelera a produção local e incentiva o mercado negro - em que os bens que não se encontram no comércio formal se vendem acima do preço definido pelo governo.

Mas o que nem o governo e nem a oposição negam é o fenômeno das compras feitas no impulso. Pelo temor constante de que produtos venham a ficar escassos, muitos venezuelanos passaram a comprar quase que de forma compulsiva.

Foto: Jorge Silva/Reuters

Venezuelanos fazem fila para comprar papel higiênico em Caracas.


*Post baseado no texto de Abraham Zamoranoda BBC Mundo em Caracas

25 de mai. de 2013

A herança podre de Maduro, de Nelson Motta, para O Globo

BRASIL – VENEZUELA – Opinião
A herança podre de Maduro
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, acredita que o seu país é o mais violento da America do Sul, por causa dos enredos das novelas. Isso não é uma piada.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Nelson Motta*
Fonte: O Globo

Não há herança mais maldita do que governar o país mais violento da América do Sul. Para enfrentar a criminalidade que mata por ano 75 pessoas por grupo de 100 mil (no Brasil selvagem morrem 26 e no Chile, três), o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, chamou os donos das três redes de televisão e denunciou a origem do mal:

“Por que as novelas têm de divulgar a deslealdade, a traição, o narcotráfico, a violência, a cultura das armas, a vingança?”

Os roteiristas venezuelanos estão em pânico. Como fazer uma novela sem traição, vingança, deslealdade, assassinatos, cobiça, ódio, inveja, e todas as coisas que Maduro diz que levam ao crime e à violência? Chávez já havia proibido videogames violentos há cinco anos, quando o país era bem menos violento.

Maduro assegura que a pobreza não é a única causa da delinquência, “porque a Venezuela tem os índices mais altos do mundo em superação da pobreza” (para matar Lula de inveja). Mas as mortes cresceram 15% de um ano para cá.

“Às vezes o que a escola faz em seis horas, um programa televisivo destrói em uma. Não vamos permitir programas que divulguem a prostituição, as drogas, a violência.” E bradou retumbante: “Vamos interromper o festim da morte.”

Algum passarinho precisa avisá-lo de que há muito mais consumo de programas com esses venenosos “antivalores do capitalismo” em países como o Japão e a Inglaterra do que na Venezuela, mas nenhum festim da morte: as vítimas de homicídios são de 0,4 (menos de meio japa) e 1,7 inglês por grupo de 100 mil. Como o marido traído, Maduro quer tirar a televisão da sala.

Como Chávez, o mexicano, o arguto lider chavista disse que como já sabe que quase 90% dos crimes ocorrem em 80 municípios, basta deslocar 3 mil soldados do Exército para as regiões violentas. E pronto. O secretario Beltrame poderia informá-lo que quando uma UPP toma uma comunidade a bandidagem não vai vender artesanato, se muda para áreas menos policiadas.

Ver o ex-motorista de metrô Nicolás Maduro dirigindo a Venezuela é como imaginar o Brasil com Carlos Lupi na Presidência da Republica. Só que Lupi é mais esperto.
* Nelson Motta é jornalista

1 de mai. de 2013

Deputados da oposição são agredidos e impedidos de falar durante sessão no congresso venezuelano

VENEZUELA – Bizarro
Deputados da oposição são agredidos e impedidos de falar durante sessão no congresso venezuelano
Deputados chavistas atacaram com socos e pontapés, durante sessão parlamentar, os colegas da oposição, após esses protestarem por terem sidos impedidos de falar na Assembleia, até que reconheçam o resultado da eleição com fortes indícios de fraude, que elegeu o Nicolas Maduro presidente do país. Sete parlamentares foram espancados enquanto o chefe do Parlamento a tudo assistia sorrindo, da sua cadeira na presidência. É assim que funciona a Democracia venezuelana

Foto: Captura de Video

OS MAIS LESIONADOS: A deputada, María Corina Machado, teve o septo nasal quebrado e o deputado, Julio Borges, sofreu ferimentos no rosto

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, G1, Le Figaro, La Razón, El Nacional

Tudo começou após a aprovação sumária da indicação da nova presidente do Banco Central venezuelano. Cabello impediu os deputados opositores de participar de debates adicionais sobre o assunto, alegando "reciprocidade" por esses ignorarem a vitória de Maduro nas eleições de 14 de abril.

O clima era tenso antes mesmo do início da sessão, quando os deputados não alinhados ao chavismo que chegavam ao Parlamento não encontravam microfones em frente a seus assentos. Os equipamentos foram retirados por ordem do presidente da Assembleia, o chavista Diosdado Cabello. Os trabalhos só foram abertos com mais de três horas de atraso e, cerca de 30 minutos depois, o confronto eclodiu.

"Enquanto aqui nesta Assembleia Nacional não forem reconhecidas as autoridades, as instituições da República, os senhores da oposição poderão falar na (TV) Globovisión , no (jornal) El Nacional, mas aqui não", disse Cabello.

Os deputados opositores então iniciaram um apitaço e mostraram um cartaz em que se lia "Golpe no Parlamento".

Foto: Miguel Gutierrez/EFE

Presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, está sendo responsabilizado pelo conflito

Foi o bastante para membros da bancada governista partirem para cima de seus pares não chavistas, dando início a um conflito que, segundo relatos, teve até a participação de um guarda-costas da Assembleia. Ao mesmo tempo, as câmeras da TV Assembleia foram viradas para o teto do plenário. Em seguida, a transmissão foi suspensa e o acesso de jornalistas ao local, proibido.

María Corina Machado, deputada da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), contou que quando se aproximava da bancada da presidência da Assembleia foi derrubada pela deputada chavista Nancy Ascensio. Mesmo no chão continuou a ser agredida, com pontapés. O mais grave é que assistindo a cena, de perto, o presidente da Assembleia, Diosdado Cabello, apenas sorria.

Por sua vez, o deputado Julio Borges disse que a oposição não compareceria a uma reunião convocada pela bancada governista na manhã desta quarta-feira, e pediu ações concretas para restabelecer a ordem no Parlamento. Para Borges, as agressões foram um golpe à democracia na Venezuela. “Nós não viemos mostrar nenhum golpe, não nos golpearam hoje, golpearam a Venezuela, a democracia venezuelana”, disse.

A tensão política na Venezuela está em nível máximo desde que Nicolás Maduro venceu o líder da oposição, Henrique Capriles, na eleição presidencial de 14 de abril por uma diferença de apenas 224.000 votos (1,49 ponto percentual). Trata-se do número final, atualizado na segunda-feira após a divulgação do resultado das urnas no exterior, nas quais Capriles teve mais de 93% dos votos. A oposição não reconhece a vitória de Maduro, alega fraude eleitoral e, nos próximos dias, entrará com um recurso para impugnar o pleito no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Foto:Captura de Video

Das agressões onze deputados sairam com algum tipo de ferimento, a grande maioria oposicionista

Além do deputado Julio Borges, o mais atingido, também foram agredidos os parlamentares oposicionistas: Américo de Grazzia, Ismael García, Eduardo Gómez Sigala, Homero Ruiz, Luis Barragán, Abelardo Díaz e as deputadas María Corina Machado e Nora Bracho. Entre os aliados do Governo saíram lesionados: Claudio Farías, Odalis Monzón e Nancy Ascencio.


17 de abr. de 2013

VENEZUELA: rumores da decretação de prisão de Capriles, por suposta incitação à violência

VENEZUELA – Eleição
Rumores da decretação de prisão de Capriles, por suposta incitação à violência
Protestos pós eleição já causou 7 mortos, 60 feridos e 170 presos. O país está em crise desde que Capriles, derrotado por pequena margem nas urnas, disse que não reconhecia a vitória de Maduro, herdeiro político de Hugo Chávez, e exigiu recontagem dos votos. Se confirmado os rumores de uma ordem de prisão contra o candidato de oposição, pode piorar as coisas

Foto: Reuteres

Capriles nega que tem pregado a violência e o confronto entre os irmãos venezuelanos

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters, El Universal, G1, El Nacional, El Universal

Caracas amanheceu hoje, com rumores de que estaria sendo emitida pela justiça, uma ordem de prisão contra o candidato de oposição Henrique Capriles, baseado na legislação antiterror, responsabilizando-o pela violência no país, pelas mortes e pelos feridos.

Leopoldo López, líder do Partido “Vontade do Povo (VP) e correligionário de Capriles, em sua conta @ leopoldolopez, disse que ter informações de fontes seguras que ordens de prisão contra ele e Capriles já havia sido emitidas pelo juiz Miguel Graterol Maneiro da 6ª Vara da Área Metropolitana de Caracas (el Juzgado Sexto de Control del Área Metropolitana de Caracas). Junto exibe na sua conta do Twitter, pequeno detalhe do que seria o documento oficial.

Em entrevista à CNN em espanhol, Henrique Capriles disse que o “mundo é testemunha que todos os meus pronunciamentos, todas as minhas informações não contém uma única palavra que signifique apelo à violência ou confronto entre irmãos”.

Reiterou que a sua exigência pela recontagem total dos votos, é em respeito a vontade legítima do povo venezuelano.

Foto: Reuters

Protesto em Caracas, confronto com a polícia

Milhares de partidários da oposição participaram de passeatas nesta terça-feira na Venezuela para exigir uma recontagem de votos, depois da apertada vitória do chavista Nicolás Maduro na eleição presidencial de domingo, em mais uma jornada de distúrbios pós-eleitorais em que, segundo o governo, sete pessoas já morreram.

Maduro foi declarado presidente eleito na segunda-feira, mas a diferença inferior a 2 pontos percentuais sobre o oposicionista Henrique Capriles e denúncias de irregularidades durante a votação acirraram ainda mais os ânimos no polarizado país, provocando confrontos nas ruas.

A procuradora geral Luisa Ortega disse que sete pessoas morreram e 60 ficaram feridas em incidentes em várias cidades. As autoridades detiveram 170 pessoas, e o governo determinou o aquartelamento das forças policiais. Na terça-feira, porém, a violência não se repetiu no mesmo grau.

"Isso é responsabilidade de quem chamou à violência, de quem desacatou a Constituição e as instituições", disse Maduro em ato público pela televisão. "Seu plano é um golpe de Estado."

Milhares de eleitores de Capriles se reuniram nesta terça-feira diante das sedes regionais do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para exigir uma auditoria nos votos. Capriles diz que a apuração paralela feita por sua equipe indica sua vitória na eleição, a mais acirrada na Venezuela em quase meio século.

MARCHA SUSPENSA

Num esforço para acalmar os ânimos, o candidato oposicionista decidiu suspender a passeata que previa liderar em Caracas na quarta-feira, depois de Maduro chamá-lo de "assassino" e declarar que não iria permitir uma manifestação da oposição na capital.

"O país precisa de calma, exercer seu direito sem violência. Pedimos a recontagem de votos, cadernos de votação e atas", disse Capriles em entrevista coletiva. "Eu quero pedir calma ao senhor Maduro. Quem está no (palácio presidencial de) Miraflores tem de garantir a paz dos venezuelanos."

A Organização dos Estados Americanos (OEA), os Estados Unidos e a União Europeia apoiaram Capriles em seu pedido de recontagem, mas vários países aliados, como Argentina, Brasil, Bolívia e Rússia, reconheceram a vitória de Maduro, que terá mandato até 2019.

Foto: Reuters

Os protestos continuam

Enquanto Maduro se prepara para assumir, na sexta-feira, o comando do país com as maiores reservas de petróleo do mundo, o conselho eleitoral não deu ouvidos às exigências de Capriles.

"O candidato Henrique Capriles não entregou ao CNE nenhuma prova nem demanda que apoie o que afirma publicamente", disse a chefe da autoridade eleitoral, Tibisay Lucena, em mensagem pelo Twitter.

Embora o sistema eletrônico de votação no país seja considerado confiável por organismos internacionais, a oposição diz que nem todas as atas de votação foram computadas pela autoridade eleitoral. Por isso, opositores exigem uma revisão de cada urna com o registro de papel que acompanha os votos.

A eleição na Venezuela foi convocada depois da morte do popular líder socialista Hugo Chávez, que passou 14 anos como presidente e morreu de câncer em 5 de março. Maduro, que já é o presidente interino, havia sido apontado por Chávez como seu herdeiro político.

Uma provável prisão de Henrique Capriles pode desencadear uma onda de violência e até um clima de pré-guerra civil na Venezuela.


15 de abr. de 2013

Maduro vence, com apenas 1,59 de vantagem. Capriles denuncia fraude e requer recontagem

VENEZUELA – Eleição
Maduro vence, com apenas 1,59 de vantagem.
Capriles denuncia fraude e requer recontagem
Tudo é suspeito no resultado da eleição venezuelana: a Comissão Eleitoral, o TSE deles, tem decido de forma a não merecer credibilidade. É incrível que todos os institutos de pesquisas tenham errado de forma tão grosseira, a favor do candidato governista, a quem davam vitória folgada de até 12% à frente do opositor Henrique Capriles. O mais claro resultado da eleição é que o chavismo não sobreviverá a morte de Hugo Chávez.

Foto: AFP

Henrique Capriles, e declarou enfaticamente que nenhum pacto com "uma pessoa que considero ilegítimo" e pediu à CNE para abrir todas as caixas e que cada voto é contado. " O hoje é derrotado você (Casal) e de seu governo e eu digo como firmeza, mas comprometido, com total transparência ", disse Capriles enquanto exigia respeito para o povo da Venezuela." Nós não vamos confundir ou tentar elevar em uma posição diferente.

Postado por Toinho de Passira
Texto de
Fontes: O Globo, Uol, El Universal, El Mundo, El Nacional, Reuters, Blog do Reinaldo AzevedoBBC Brasil,

O cadáver de Chávez pode ainda está insepulto, mais o chavismo foi enterrado como o resultado das eleições neste domingo na Venezuela.

No seu Blog Reinaldo Azevedo escreveu:

“É a ditadura que sustenta o chavismo, não é o chavismo que sustenta a ditadura”. Com essas palavras, chama a atenção para o fato de que é mentirosa a versão de que a sociedade venezuelana foi mesmerizada pelo tirano e de que a oposição representa não mais do que a vontade de uma extrema minoria. Nicolás Maduro, que já exerce o poder de forma ilegítima — cuja posse foi legalizada por uma Corte de Justiça composta de eunucos — foi declarado o vencedor das eleições deste domingo.”

Nicolas Maduro oficialmente obteve 7.505.338 votos (50,66%), contra 7.270.403 votos (49,07%) oposicionista Henrique Capriles.

Comparada com a votação de Hugo Chavez, em outubro do ano passado, 8.191.132 votos, vê-se 600 mil eleitores abandonaram o chavismo, no pleito desse domingo.

A expressiva participação dos eleitores, 78,71%, num país em que votar não é obrigatório, comprova o interesse dos venezuelanos em participar do pleito.

Logo que o resultado foi divulgado pela presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, o candidato da oposição Henrique Capriles, pronunciou-se pedindo recontagem do total de votos, afirmando que recebera mais de 3 mil denúncias de fraudes, vindas de todo o país.

Desdenhando e fingindo segurança, no discurso da “vitória”, Maduro concordou com a recontagem, mas ninguém acredita que ele levará essa intenção adiante ou com seriedade.

Mesmo reconhecendo que o resultado esteja correto, tem-se claramente a certeza que o processo eleitoral como um todo foi uma fraude a céu aberto.

Desconfia-se inclusive de todos os Institutos de Pesquisas, que até a última hora, davam como certa a vitória de Maduro, por margens de diferenças de até 12 pontos percentuais. O que mais se aproximou da realidade afirmou que a diferença seria de 7%.

As pesquisas não interferem fortemente no resultado de uma eleição, mas o candidato que sempre tem a expectativa de vitória, por números acachapantes, como era o caso, faz alguns setores indecisos aderirem ao provável vitorioso e motiva desânimo, retração e até falta de comparecimento, naqueles que torcem pelo candidato tido como derrotado.

Como a maquina governamental nas mãos e no exercício do poder, Nicolás Maduro, tomou medidas inadmissível, no processo eleitoral de qualquer democracia, como o fato de ter a cinco dias da eleição (9) ter anunciado um aumento de até 45% no salário mínimo.

Foto: Ramon Espinosa / AP

A expressiva participação dos eleitores, 78,71%, num país em que votar não é obrigatório

Comenta adiante Reinaldo Azevedo:

”Ainda que se faça a recontagem de 100% dos votos e que a “vitória” de Maduro seja confirmava, é evidente que se trata de roubo e de fraude — mesmo que os votos tenham sido os declarados oficiais. Por quê?”

”A eleição na Venezuela não é nem livre nem limpa. Não é livre porque a oposição não dispõe dos mesmos instrumentos de que dispõe o governo para falar com a população”.

”Chávez estatizou a radiodifusão no país, e as TVs e as rádios são usadas como porta-vozes oficiais do governo. O Beiçola de Caracas chegava a ficar no ar, por dia, até seis horas. Falava bem da própria gestão e demonizava seus opositores”.

”As notícias passam por um severo serviço de censura interna, e só vai ao ar o que o governo considera “saudável” e “didático” para a consciência do povo. Os críticos do governo são tratados como larápios, como sabotadores, como malvados em defesa de privilégios”.

”As eleições na Venezuela, pois, não são livres, já que a oposição é obrigada a enfrentar uma estupenda máquina de desqualificação. Ainda assim, praticamente a metade dos que foram votar disse “não” ao chavismo”.

”Isso é formidável! Significa que toda essa gente soube resistir à pressão oficial, especialmente de 5 de março a esta data, quando morreu o tirano. Chávez passou a ser tratado como santo. Declarou-se não apenas a sua imortalidade. Falou-se também na sua ressurreição”.

”A oposição também têm de enfrentar uma formidável máquina assistencialista. Chávez transformou a Venezuela num país dependente exclusivamente do petróleo, destruiu a indústria, arrasou a agricultura e passou a distribuir caraminguás da renda do óleo às populações mais pobres. É a sua versão do “Bolsa Família”. Só que essa distribuição de benesses é controlada por milícias — armadas! — que dominam as áreas mais pobres do país”.

”A degeneração social é de tal sorte que Caracas é hoje uma das cidades mais violentas do mundo, com, atenção!, 122 mortos por 100 mil habitantes. A taxa, no Brasil, já escandalosa, fica em torno de 25. Mata-se em Caracas DEZ VEZES MAIS do que em São Paulo e quatro vezes mais do que no Rio”.

Foto: Ronaldo Schemidt/AFP

Os jornais registram a vitória apertada de Maduro

O Chávez amado pelas massas — e, consequentemente, o chavismo supostamente invencível — é fruto da propaganda oficial. Se as oposições pudesse disputar em condições de igualdade e se houvesse imprensa livre no país, essa canalha já teria sido varrida do poder há muito tempo. Até porque a Venezuela continuará em espiral negativa porque o governo está infiltrado de delinquentes — alguns deles procurados internacionalmente por envolvimento com o tráfico de drogas”.

”Parte da cocaína que circula hoje no EUA e no Brasil tem origem na Venezuela, que dá abrigo e apoio material aos narcoterroristas das Farc. É esse o governo para o qual Lula gravou um vídeo emprestando seu apoio entusiasmado”.

”Se as eleições não são livres, também não são limpas. As milícias chavistas assombram os locais de votação e aterrorizam os eleitores, especialmente os mais pobres”.

“Assim, a Venezuela é hoje um país governado por um súcia autoritária, eivada de criminosos, sim! Se tiverem curiosidade, pesquisem sobre as denúncias feitas pelo ex-juiz venezuelano Eládio Ramón Aponte Aponte.

Ele era nada menos que o presidente do Superior Tribunal de Justiça, o STF da Venezuela, e um dos pilares do chavismo no Judiciário.

”No ano passado, fugiu do país, entregou-se às autoridades americanas e declarou-se cúmplice da máfia do tráfico de drogas no país, com a qual, afirma, está envolvida a alta cúpula do chavismo”.

O jornalista José Casado, ano passado, no Globo, diz que o ex-Juiz Eládio Aponte Aponte, asilado sob a proteçãoda agência antidrogas dos EUA citou especificamente [como envolvidos com o tráfico] várias autoridades do alto escalão do governo de Hugo Chávez: o ministro da Defesa, general de brigada Henry de Jesus Rangel Silva; o presidente da Assembleia Nacional, deputado Diosdado Cabello; o vice-ministro de Segurança Interna e diretor do Escritório Nacional Antidrogas, Néstor Luis Reverol; o comandante da IVa Divisão Blindada do Exército, Clíver Alcalá; e o ex-diretor da seção de Inteligência Militar, Hugo Carvaja.

Não se pode pois falar em eleições livres e limpas num país nessas condições. Admira que mesmo assim, debaixo de falcatruas e pesada propaganda oficial, o corajoso e consciente povo venezuelano, tenha demonstrado de forma veemente e desconcertante sua insatisfação!

Foto: Luis Acosta/AFP

Nicolás Maduro comemora ao lado de sua esposa Cilia Flores o resultado da eleição presidencial na Venezuela


13 de abr. de 2013

Venezuela: O futuro do passado

VENEZUELA- Opinião
Venezuela: O futuro do passado
“A Venezuela vive uma divisão que só aumentou depois da morte de Hugo Chávez. Vem de erros políticos históricos, mas piorou pelo estilo de liderança escolhido por Chávez. Ele não fez a revolução que prometeu, mas aprofundou a clivagem entre os pobres, que são a clientela das suas políticas sociais paternalistas, e a classe média e elite do país.”

Foto: Leo Ramírez e Ronaldo Schemidt/AFP

Henrique Capriles, a oposição, Nicolas Maduro, o indicado por Chávez

Postado por Toinho de Passira
Texto de Míriam Leitão
Fontes: Blog da Miriam Leitão

Amanhã a Venezuela contrata um futuro difícil, qualquer que seja o resultado da eleição. O mais provável é a vitória de Nicolás Maduro para um novo período presidencial chavista. É o resultado da manipulação da emoção da morte do líder Hugo Chávez ao ponto do desatino. Ele foi apresentado como divindade. A oposição não teria, se ganhasse, a capacidade de suturar o tecido social do país.

A Venezuela vive uma divisão que só aumentou depois da morte de Hugo Chávez. Vem de erros políticos históricos, mas piorou pelo estilo de liderança escolhido por Chávez. Ele não fez a revolução que prometeu, mas aprofundou a clivagem entre os pobres, que são a clientela das suas políticas sociais paternalistas, e a classe média e elite do país.

O eleito terá que enfrentar um espantoso crescimento da criminalidade do país, que faz com que a Venezuela tenha se tornado um dos campeões na estatística de homicídios por 100 mil habitantes. A leniência com que Chávez tratou essa questão foi apenas um dos sintomas da sua inabilidade para as ações administrativas. Chávez dedicava seu tempo às ações de mobilização, como se estivesse eternamente em campanha.

Além disso, terá de enfrentar uma conjuntura econômica de inflação crescente. Já era alta e ainda está sendo elevada como efeito da forte desvalorização cambial. O desabastecimento que sempre houve no governo chavista, em alguns produtos, tem incomodado mais os consumidores. Nem a inflação, nem o desabastecimento devem melhorar a curto prazo. O país perdeu o melhor do boom do preço do petróleo que ocorreu durante os 14 anos de governo Hugo Chávez.

Maduro usou tudo o que pôde usar, ao arrepio das instituições, para se eleger. A Constituição estabelece que é o presidente da Assembleia que deve governar neste período até a eleição. Mas ele é que foi empossado. Assim, ficou no lugar privilegiado para a campanha, concedendo aumentos salariais e outras benesses no meio da disputa eleitoral. A institucionalização democrática é outro desafio que a Venezuela está longe de enfrentar. Lá, vale a máxima: se a regra não favorecer o grupo chavista é desrespeitada.

Se a oposição vencer — o que não é o mais provável — dificilmente terá resposta para tudo isso e para controlar as Forças Armadas, que hoje tutelam o governo chavista e querem mantê-lo no poder. Nos últimos dias, o candidato Henrique Capriles demonstrou força política e reduziu a diferença nas intenções de voto. Mas não o suficiente.

É muito difícil que o chavismo permaneça unido sem Chávez. Ficará nos primeiros tempos. Nos próximos anos vai se fracionar nas brigas internas para testar a liderança ainda incipiente de Nicolás Maduro. Nada será como antes, Maduro não é Chávez. Passado o período inicial, da força que vem das urnas, ele terá que acomodar os vários grupos de interesse no consórcio do poder para continuar governando.

A imprensa independente foi calada ou os grupos venderam as empresas, o que torna o debate político no país empobrecido para a dimensão dos desafios que o espera a partir de segunda-feira, quando um novo presidente estará oficialmente eleito.

Durante a campanha, Nicolás Maduro disse aos eleitores que se for para fazer — a vontade do nosso comandante —, os venezuelanos teriam que aprofundar as relações estratégicas com a China. O país tem emprestado muito dinheiro para a Venezuela, é natural que ele se volte para lá. O que não é natural é o Brasil continuar acreditando que haverá um bloco chamado Mercosul no qual a Venezuela entra para fortalecer. O país vizinho tem emergências que o Mercosul não consegue atender.
*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda a publicação original

8 de abr. de 2013

VENEZUELA: Oposição mostra força, mas não vai ganhar pleito

VENEZUELA- Eleições
Oposição mostra força, mas não vai ganhar pleito
O opositor Henriques Capriles, mantém o otimismo mesmo com a maioria das pesquisas o colocando pelo menos 10 pontos percentuais abaixo do candidato de Chávez, Nicolas Maduro.

Foto: Leo Ramirez/AFP

— “Não sou oposição, sou solução. Sei trabalhar com gente que pensa diferente. Líderes não são herdados, são construídos”. – Henrique Capriles, candidato de oposição

Postado por Toinho de Passira
Fonte: O Globo, Blog de Miriam Leitão, O Globo, Reuters , El Nacional

A sete dias das eleições venezuelanas, o governador de Miranda, o oposicionista Henrique Capriles, mostrou a força da oposição ao lotar com centenas de milhares de seus eleitores a Avenida Bolívar, um histórico bastião de partidários de Hugo Chávez no Centro de Caracas. O ato, batizado de “Caracas Heróica”, foi o maior comício da oposição desde 1999, quando o presidente falecido em março elegeu-se pela primeira vez. Os manifestantes denunciaram desde cedo que o governo estaria dificultando o acesso às principais estradas de Caracas e promovendo grandes atrasos no metrô.

Nada impediu, no entanto, que os oposicionistas tomassem o Centro da capital, ocupando ruas, calçadas e até construções abandonadas para ter uma visão melhor de Capriles, que convocou a massa pelo Twitter. No microblog, o candidato, apoiado por 19 partidos da aliança Mesa da Unidade Democrática, escreveu:

“Caracas, vamos em frente. Faremos a capital transbordar de alegria e esperança! Vamos!”.

Foto: Leo Ramirez/AFP

O governo vem usando a máquina a favor de Nicolás Maduro. Ontem, por exemplo, tentou atrasar o metrô, para impedir que a marcha pró-Capriles fosse um sucesso. Mas foi.

No sábado, o candidato governista, Nicolás Maduro, dirigiu um ônibus a caminho de um comício, invocando seu passado de motorista. O presidente interino, designado por Chávez como seu sucessor, esforça-se para vincular sua imagem à de seu mentor e seguir a jornada bolivariana rumo ao chamado “socialismo do século XXI”, marcado pela grande intervenção estatal sobre a economia.

Maldição para eleitores oposicionistas

Em seus comícios, Maduro exibe vídeos em que Chávez orienta seus milhões de simpatizantes a votarem no presidente interino da Venezuela se ele não tivesse mais condições de governar o país.

Outros vídeos mostram balões com mensagens como “pelo amor à minha cultura” e “pelo amor às minhas crianças” rumo ao céu, onde o rosto de Chávez aparece entre as nuvens.

A campanha governista ganhou um toque ainda mais surreal quando Maduro declarou que uma maldição secular poderia cair sobre as cabeças de quem não votasse nele.

— Chávez nos ensinou o valor supremo da lealdade. Com ela, tudo é possível. A traição só nos traz derrotas e maldições — pregou Nicolas Maduro.

Capriles, por sua vez, propõe uma política de livre mercado e amparada em programas sociais. Aos ataques desferidos pelo presidente interino, Capriles responde com críticas à segurança pública, ao estado dos hospitais e à falta de água que assola o país.

Segundo o oposicionista, Maduro é uma “cópia ruim” de Chávez e não conseguiu conter a desvalorização do bolívar, a moeda venezuelana, nem o aumento da inflação.

O governador de Miranda mantém o otimismo mesmo com a maioria das pesquisas o colocando pelo menos 10 pontos percentuais abaixo de Maduro. Mas o comitê do presidente interino também se apressa em jogar água sobre o clima de “já ganhou” de seus simpatizantes, temendo que isso aumente a abstenção.

A eleição merece atenção internacional devido à alta concentração de reservas de petróleo no território venezuelano. Diversos países latino-americanos que receberam o recurso com preços subsidiados por Chávez, como Cuba e Equador, torcem pelo triunfo de Maduro.

A companhia Petróleos da Venezuela (PDVSA), que conta com 100 mil empregados, é uma peça-chave do programa chavista. Ainda em 2010, durante as eleições legislativas, seus funcionários receberam e-mails agradecendo “por sua disposição em participar e contribuir para a consolidação do projeto bolivariano”. Quem não aderisse à campanha era demitido, segundo um ex-empregado da PDVSA que não quis ser identificado.

Há dois anos, a PDVSA impede o reencaminhamento de suas mensagens a e-mails externos. Mas alguns funcionários tiram fotos dos comunicados que os convocam a fazer campanha para Maduro.

Foto: Foto: Leo Ramirez/AFP

Eleitores chegaram a subir num prédio em construção para apoiar Capriles

Provavelmente, Maduro ganhará a eleição que ocorrerá no próximo domingo. O problema é como ele vai governar: usou elementos mágicos durante toda a campanha. Diz que Chávez é um passarinho que anda com ele. Isso funciona para a eleição, mas não para governar. Ele comparou também o presidente morto a Jesus Cristo.

O correspondente do jornal britânico The Guardian, que está lançando o livro Comandante, pela editora Intrínseca, diz que o surrealismo explica a campanha de Maduro.

Ele, que foi escolhido de última hora, terá de enfrentar uma economia em crise, inflação alta, baixo crescimento. Por outro lado, foram feitas transformações sociais importantes, mas a melhoria tem a ver com transferências diretas que precisam da renda do petróleo. Além disso, terá de enfrentar a falta de investimento, as dificuldades em todas as áreas. Para a Venezuela, a China virou uma grande fonte de empréstimo, só que, com a morte de Chávez, os chineses estão mais seletivos e fazendo exigências maiores. O ambiente econômico desafiador provavelmente vai exigir uma reorganização das despesas do Estado e, potencialmente, uma reforma do controle estrito do sistema monetário. Mas Maduro ofereceu poucas pistas sobre o que ele pode mudar se for eleito -- se é que vai mudar algo.

A indústria de petróleo da Venezuela ainda fornece uma fonte de receita invejável, mas pesados empréstimos para financiar a construção de casas, pensões para os idosos e bolsas para mães pobres deixaram o governo sem a abundância de 2012.

Foto:El Nacional

“A traição só nos traz derrotas e maldições” — pregou Nicolas Maduro

Um termômetro fundamental para o futuro da nação exportadora de petróleo será se Maduro, supondo que ele ganhe a eleição, manterá o ministro das Finanças, Jorge Giordani, o arquiteto da expansão constante do controle do Estado sobre a economia privada.

Enquanto a impaciência do público com os problemas diários, como a violência, as quedas de energia e a infraestrutura de má qualidade, não prejudicou a popularidade de Chávez devido ao seu status quase religioso entre os partidários, Maduro pode não ser tão imune.

O pesquisador local Oscar Schemel previu uma vitória confortável para Maduro no domingo, mas um grande desafio logo na manhã seguinte.

"Maduro está garantido na Presidência", disse ele. "O que virá depois é mais complicado... há importantes desafios pela frente. O nível de tolerância do povo vai cair, e suas demandas se tornarão ainda mais urgentes."