21 de abr de 2013

Quem não se comunica... A tropa de comunicadores da campanha de Eduardo Campos

BRASIL – Pernambuco – Eleição 2014
Quem não se comunica...
a tropa de comunicadores da campanha de Eduardo
A reportagem de Bruna Serra para o Jornal do Commercio: “Rumo a 2014, Eduardo Campos recruta um time de pesos pesados em comunicação para dar suporte à sua candidatura presidencial”

Foto: Leo Caldas/Editora Globo

Eduardo Campos apronta imagem e meios de comunicação para enfrentar a batalha de 2014

Postado por Toinho de Passira
Texto de Bruna Serra
Fonte: Jornal do Commercio - Edição Impressa

Maior arma de uma disputa eleitoral, responsável por vitórias marcantes e derrotas inesquecíveis, a comunicação é a alma de qualquer campanha. Experiente que é em disputas majoritárias, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), está se cercando de profissionais especialistas nas mais diversas áreas da comunicação para enfrentar a presidente Dilma Rousseff (PT) nas urnas.

Ciente de que o jogo está começando antecipado em mais de um ano, o pernambucano articula a montagem de um quartel-general de comunicação. A ideia é monitorar as ações do governo petista, o que amplia a possibilidade de explorar as falhas cometidas pela presidente Dilma Rousseff (PT), bem como sua relação com os partidos da base, que o governador julga desgastada. Pescar os insatisfeitos é a meta do momento estabelecida pelo presidenciável socialista.

Do escritório também será possível avaliar quais são os momentos mais oportunos para que o governador desembarque em Brasília e apareça destacando sempre posições que gerem ainda mais alvoroço na coalizão comandada por Dilma Rousseff. No comando das estratégias de comunicação estão perfis diferenciados de profissionais que já trabalham com o governador e têm inserção no cenário nacional. O queridinho é o argentino Diego Brandy, que conta com a total confiança do chefe e coordenou a campanha do prefeito Geraldo Julio (PSB) no Recife ano passado.

Foto: Nando Chiappetta/Diario de Pernambuco

Eduardo Campos ouve atentamente o sociólogo marqueteiro Antônio Lavareda

A dupla Duda Mendonça - que foi o mentor do sucesso "é só você querer e o amanhã assim será. Bate o pé e diga Lula, eu quero Lu-lá" - e o sociólogo Antônio Lavareda, que ganhou fama nas campanhas do PSDB, também estão na equipe de Campos.

Recentemente, o sociólogo foi o responsável por uma pesquisa em que ouviu 8 mil pessoas em todo o Brasil. A sondagem, apesar de oferecido também um resultado quantitativo, teve como foco as escutas qualitativas, aquelas em que se quer saber os problemas que mais afetam a população, que lhe são caros.

A sondagem teve como objetivo ajudar a traçar a estratégia a ser adotada para sensibilizar os brasileiros nessa fase de pré-campanha, bem como sentir a receptividade do discurso adotado por Eduardo até aqui.

Outro antigo companheiro de comunicação do governador é o publicitário Edson Barbosa. Ele detém a conta de propaganda nacional do PSB. Foi sua equipe que desenvolveu os vídeos veiculados nas inserções da legenda no início deste mês, mostrando experiências bem sucedidas das administrações pessebistas. Barbosa tem excelente circulação em Brasília e está no time de profissionais com o respaldo de ter capitaneado a campanha que fez Eduardo Campos chegar ao poder em Pernambuco quando ainda amargava o terceiro lugar nas pesquisas com o slogan "É Eduardo, É!".

Os socialistas avaliam entre si, nos bastidores, que a campanha a ser travada pelo Palácio do Planalto em 2014 terá contornos semelhantes a de 2006. Ponderam que o governador sairá de percentuais modestos para a vitória, graças a sua capacidade de dialogar - num eventual segundo turno - com uma parcela do eleitorado que teria menos simpatia pelo PT e mais afinidades com Aécio Neves (PSDB) ou a ex-senadora Marina Silva, caso ela consiga consolidar o Rede Sustentabilidade.

O trabalho político também está tendo como base a comunicação. Pesquisas vem sendo feitas por Estados, para identificar o perfil dos prefeitos, senadores, deputados estaduais e federais que mais se adequam ao palanque que Campos deseja montar. Dois pré-requisitos já estão definidos: pouca vulnerabilidade a cooptação por parte do governo federal e baixa capacidade de se intimidar com eventuais reações mais abruptas do Planalto.

Foto: Divulgação

O argentino Diego Brandy, “o Mago”, rara imagem ao lado do governador Eduardo Campos

O "mago" envolto em mistério

Com sua figura envolta em aura de mistério, o argentino Diego Brandy faz tremer a corte socialista. Responsável pelas pesquisas que norteiam a atuação do governador Eduardo Campos, trocou a Bahia por Pernambuco em 2006, quando cuidou da primeira campanha de Eduardo ao governo. Os dois foram apresentados pelo publicitário Edson Barbosa.

De lá para cá, "o mago", como é conhecido nos corredores do Palácio do Campo das Princesas, ganhou fama e importância no xadrez eleitoral. Dizem os clientes que seu maior atributo é estar um passo à frente do pensamento do eleitor.

Brandy, 50 anos, é discreto. O sotaque argentino, cultivado. Apesar de estar na rede social do momento, o Facebook, tem apenas 39 amigos e sua última postagem foi feita no ano passado.

Pai de quatro meninas, libriano e amante do Carnaval, Diego não gasta sua imagem nas noitadas recifenses e evita aparecer em eventos da gestão ao lado do patrão.

O Jornal do Commercio tentou ouvi-lo durante vários meses. O primeiro contato foi ainda em 2012. Simpática e gentil, a secretária do Cipec, centro de pesquisas que ele mantém, prometeu um retorno que não aconteceu. Em março de 2013, uma colaboradora de Diego intermediou o contato. Se aproximava a Semana Santa quando Brandy finalmente deu retorno. Agradável, apesar de reticente, disse que era avesso à imprensa. Diante da insistência, o argentino prometeu que, passado o feriado, um encontro poderia ser agendado. Desde então, nunca mais foi possível falar com o "hermano", que se recusa a passar um número de celular onde possa ser encontrado.

Graças à sua atuação, tornou-se cada vez mais próximo do governador, com quem desfruta raros fins de semana de folga. Na Argentina, Diego atuou ao lado de João Santana, que cuida da imagem da presidente Dilma Rousseff (PT). Seus amigos orbitam no entorno do estafe estadual, de onde não sai uma palavra sequer sobre o publicitário.

Capa do caderno de Política, do Jornal do Commercio, deste domingo
Ao que parece, Diego Brandy é um homem para se ter no rol de amigos. Uma simples pergunta sobre o mago e qualquer interlocutor franze a testa deixando claro não ter qualquer informação.

Brandy abraçou a causa socialista com fervor. Atuou como a principal mente a planejar a campanha do prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB). Deixou de ser apenas um pesquisador e foi alçado a marqueteiro.

Acompanhou o atual prefeito como um pai durante todo o processo eleitoral. Fontes afirmam que foi ele o primeiro a ser consultado quando Campos ainda estava na fase de escolha do secretário que iria disputar a eleição municipal.

Entretanto, Brandy e Campos estão num momento de afastamento. O governador considerou que a eleição de Geraldo, eleito com 51%, poderia ter sido por uma margem mais ampla. E Diego teve seu trabalho colocado em xeque.

Desde que o governador tornou-se presidenciável, Brandy figura nas colunas políticas mais prestigiadas. Pipocam notas a seu respeito nos veículos dos grandes grupos de comunicação do Brasil. Todas o apontam como "o mestre" do socialista.

Cada passo de Eduardo Campos é acompanhado por pesquisas de opinião. Desde uma simples ordem de serviço - como foi o caso da que determinou o início das obras de navegabilidade do Rio Capibaribe - até o "day after" da decisão de intermediar a negociação dos royalties junto aos governadores brasileiros. Todos os passos acompanhados com lupa pelo argentino de barba grisalha, cabelos lisos e óculos redondo de aro tartaruga.

Ter Diego Brandy dedicado a uma campanha eleitoral que não envolva candidatos do gosto do governador é como tentar comprar uma bolsa da grife francesa Hermés. Significa enfrentar uma fila de espera interminável e desembolsar cifras estratosféricas. O produto final, dizem as pessoas próximas, não tem como resultar em frustração, embora alguns socialistas destilem que após a campanha de Geraldo, ele foi aprovado pelo chefe "com nota sete".

Chegada de Lavareda abre disputa interna

Apesar da extensa equipe que está sendo montada para dar respaldo de comunicação a campanha presidencial de Eduardo Campos, dois homens serão os principais responsáveis pela condução dos trabalhos: o sociólogo Antônio Lavareda e o pesquisador argentino Diego Brandy.

A grande questão do momento é a disputa interna que se estabeleceu entre os dois, que se desdobram para agradar o chefe.

Antônio Lavareda entregou há duas semanas a Eduardo Campos uma pesquisa extensa, onde brasileiros de todos os Estados foram ouvidos e avaliados por especialistas em comportamento e neurociência. Esses dois últimos itens são uma "novidade" que o sociólogo trouxe para o processo de escuta da população, onde são analisados gestos e expressões, identificando semblantes de insegurança ou confiança, por exemplo.

"O governador ficou muito satisfeito com o resultado", relatou uma fonte palaciana. O novo método da pesquisa apresentada por Lavareda consiste em colocar eletrodos em regiões do cérebro dos dispostos a participar da sondagem. Em seguida, apresenta-se um vídeo ou um pronunciamento dos candidatos e assim é medido o que chama mais atenção nas falas, reações mais comuns.

Foto: Divulgação

Não esquecer que ainda entra no jogo, o diretor Global, Guel Arraes, titio de Eduardo Campos

Brandy, apesar de ser mais próximo do governador, com já foi dito, teve seu trabalho colocado em xeque quando assumiu a campanha de Geraldo Julio como marqueteiro, chefe da comunicação e apesar de vitorioso, obteve um resultado eleitoral, aquém do esperado por Eduardo Campos que esperava ver o afilhado eleito com um percentual maior do que os 51% .

Cadeira cativa no PSB, Edson Barbosa, que tem alto trânsito em Brasília, dividirá com Duda Mendonça a concepção dos programas e a criação das marcas que Eduardo deve sustentar durante a campanha. Nesse campo ainda deve entrar o tio do governador, o diretor global Guel Arraes, que tratará da estéticas do guia eleitoral.


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