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16 de jan. de 2015

Acidente que matou Eduardo Campos aconteceu por erros do piloto, conclui investigação da Aeronáutica

BRASIL – Acidente Aéreo
Acidente que matou Eduardo Campos aconteceu por
erros do piloto, conclui investigação da Aeronáutica
Não foi encontrado nenhum indício de falha técnica: as duas turbinas estavam em perfeita condição de uso. Apurou-se que o piloto não estava suficientemente treinado para pilotar o sofisticado Cessna 560 XL, e que a relação entre os dois pilotos não era boa. Somam-se a isso os “fatores contribuintes”: o tempo estava fechado, com muita chuva, e a pista da Base de Santos, curta e entre picos, é considerada difícil mesmo para pilotos experientes e em boas condições de tempo.


Eduardo morreu quando era terceiro lugar, nas pesquisas, na corrida eleitoral para presidente

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Estadão

As investigações da Aeronáutica, que começam a ser divulgadas no início de fevereiro, concluíram que o acidente que matou o presidenciável do PSB e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, no meio da campanha eleitoral do ano passado, foi causado por uma sequência de falhas do piloto Marcos Martins - desde a falta de treinamento para aquela aeronave até o uso de “atalho” para acelerar o procedimento de descida.

Como resultado decisivo, Martins foi obrigado a abortar o pouso e arremeter bruscamente, operando os aparelhos em desacordo com as recomendações do fabricante do avião e acabando por sofrer o que é tecnicamente descrito como “desorientação espacial”. É quando o piloto perde a referência do avião em relação ao solo, não sabe se está voando para cima, para baixo, em posição normal, de lado ou de ponta cabeça.

Essa conclusão sobre a “desorientação espacial” baseou-se em informações sobre os últimos segundos do voo, no momento em que o avião embicou num ângulo de 70 graus e em potência máxima, como se o piloto acelerasse pensando que estava em movimento de subida, quando na verdade estava voando para baixo, rumo ao solo.

O acidente ocorreu na manhã de 13 de agosto de 2014, quando o Cessna 560 XL saiu do aeroporto Santos Dumont, no Rio, rumo à Base Aérea de Santos, no Guarujá, em São Paulo. Por volta de 10h, a aeronave caiu em Santos, no bairro Boqueirão. Além de Eduardo Campos, que estava em terceiro lugar na corrida presidencial, morreram quatro assessores dele, o piloto e o copiloto Geraldo Magela Barbosa.


Avião que transportava Campos e mais seis pessoas caiu no bairro do Boqueirão, em Santos

Treinamento. - Nesses cinco meses de investigações, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, órgão da Aeronáutica (Cenipa) levantou ainda todo o perfil psicológico, pessoal e profissional dos dois pilotos e listou uma sequência de falhas de Marcos Martins, antes e durante o voo.

Não foi encontrado nenhum indício de falha técnica ou de operação do sistema aeronáutico. As duas turbinas foram detalhadamente analisadas e estavam em perfeita condição de uso, mas a caixa preta de voz não foi útil para as conclusões. Ela simplesmente não estava ligada, não gravou as conversas durante o voo.

Conforme apurado pelos investigadores, Martins não estava treinado para o Cessna 560 XL, uma aeronave sofisticada e nova, concluída em 2010. Ele, por exemplo, nunca tinha passado pelo simulador.

Está registrado, também, que a relação entre os dois pilotos não era boa.

Eles já tinham um histórico de atritos e o copiloto teria, inclusive, pedido para não mais voar com Martins, que, em redes sociais, se disse “cansadaço” dias antes do acidente. Aquele seria, possivelmente, o último voo conjunto da dupla.

Arte: Estadão

TRAJETO - Erro na rota de pouso e na de recompor-se depois de ter arremetido

Chuva e pista. - Essas falhas prévias de preparo técnico e psicológico na cabine de comando foram agravadas por duas circunstâncias objetivas - ou “fatores contribuintes”, no jargão dos investigadores. O tempo estava fechado, com muita chuva, e a pista da Base de Santos, curta e entre picos, é considerada difícil mesmo para pilotos experientes e em boas condições de tempo.

Apesar de todos esses agravantes, e talvez por excesso de autoconfiança, Martins cometeu, segundo os investigadores da Aeronáutica, o erro que deflagrou todo o desfecho trágico: ele desdenhou a rota determinada pelos manuais para o pouso na Base de Santos, não fez a manobra exigida para aquela pista e tentou pousar direto, de primeira.

Mal comparando com um carro, é como se o piloto não tivesse feito o retorno previsto, tentando um “atalho” para entrar direto num estacionamento.

Depois da imprevidência e de embicar para o pouso, ele concluiu que não conseguiria e foi obrigado a arremeter bruscamente. A manobra é considerada a prova da desorientação do piloto.

11 de out. de 2014

O apoio da Família de Eduardo Campos a Aécio Neves

BRASIL - Eleição 2014 - 2º Turno
O apoio da Família de Eduardo Campos a Aécio Neves
"Hoje, temos duas possibilidades: continuar como estamos ou trilhar um caminho de mudanças. O Brasil pede mudanças. O governo que aí está tornou-se incapaz de realizá-las". – Renata Campos

Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Filho de Eduardo Campos lê carta escrita pela mãe.

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Blog do Jamildo, Veja,

Em seu primeiro ato público no segundo turno das eleições presidenciais, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) recebeu neste sábado (11), em um comício realizado no Clube Internacional, no Recife, o apoio da família e de aliados políticos do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que faleceu em um acidente aéreo em agosto, em plena candidatura presidencial. O ato ocorre três dias depois que a Executiva Nacional do PSB decidiu apoiar Aécio na segunda etapa da corrida presidencial.

Antes da fala do tucano, o filho homem mais velho do ex-governador pernambucano, João Campos, leu uma carta escrita pela viúva Renata Campos, pedindo apoio à candidatura do mineiro. Outros dois irmãos, Maria Eduarda e Pedro, compareceram ao ato.

Carta de Renata Campos
Lida no ato de apoio a candidatura de Aécio Neves, em Pernambuco

Foto: Diario de Pernambuco

Depois de realizar atos de sua agenda de campanha no Recife, hoje,(11), o candidato Aécio Neves almoçou na casa de Eduardo Campos, onde foi recebido por Renata Campos, viúva do ex-governador

Fonte:  Diario de Pernambuco

Bom dia a todos e a todas. Nossas primeiras palavras são de gratidão ao povo pernambucano pela confiança e bela vitória no dia 5. Expressamos nossos sentimentos nas urnas. Reconhecemos o caminho. Nós não desistimos do Brasil. Nosso muito obrigado ao povo pernambucano. Para nós, esse ano foi muito duro. Perdemos nosso Eduardo, o nosso Dudu, o nosso pai, o nosso líder. Ele tinha um grande sonho, tornar o Brasil um país mais justo, mais humano, mais equilibrado onde as pessoas estivessem em primeiro lugar. Dedicou sua vida à construção desse sonho.

Ele sabia que para chegar nesse novo Brasil era preciso um novo caminho. Infelizmente, quis o detino que o caminho que sonhávamos não se tornasse possível. Hoje, temos duas possibilidades: continuar como estamos ou trilhar um caminho de mudanças. O Brasil pede mudanças. O governo que aí está tornou-se incapaz de realizá-las.

Nós continuamos acreditando nos mesmos valores. Nós continuamos com os mesmos sonhos. Só será possível mudar o Brasil se tivermos capacidade de unir e dialogar, respeitando as diferenças. É preciso reconhecer os avanços que tivemos, as contribuições de todos, mas é fundamental organizar e arejar a casa.

Aécio, acredito na sua capacidade de diálogo e gestão. Sei que não é aprimeira vez que seu caminho cruza com o de Eduardo. Lembro que lá atrás em momentos importantes da história o caminho do seu avô Tancredo cruzou com o de Doutor Arraes. Sei que também eram diferentes, mas souberam se unir pelo bem do Brasil. Em vários momentos, quando era necessário, você e Eduardo sabiam sentar e dialogar e encontrar caminhos.

Eduardo tinha bandeiras muito claras e se quisermos mudar o Brasil é preciso levar adiante seus ideais, as reformas que ele tanto lutou. O pacto Federativo, o Saúde Mais 10, o Pacto pela Vida, uma educação de qualidade com escolas de tempo integral, passe livre, um desenvolvimento com sustentabilidade, entre outras.

Penso, Aécio, que hoje é um dia muito importante na sua caminhada. Aqui no Nordeste, em Pernambuco, estado que sempre foi palco de lutas libertárias, que tem um povo generoso, com força e coragem, que tem a cara de Eduardo e Arraes.

Daqui você vai levar a garra e a energia do nosso povo que serão fundamentais e essenciais para construção de um novo Brasil. Um Brasil que se respeite, reconheça suas diferenças, que saiba combater as desigualdades criando oportunidades para todos. Só assim seremos capazes de construir uma nação justa, soberana, livre, fraterna e equilibrada, como Eduardo tanto sonhou. Somos nordestinos, pernambucanos e queremos juntos construir a nação brasileira. Sigua em frente, Aécio, boa sorte e que Deus nos proteja.

8 de out. de 2014

Por que Marina vai ter que apoiar Aécio?

BRASIL - Eleição 2014 -2º turno
Por que Marina vai ter que apoiar Aécio?
A família Campos com o aval da viúva Renata, já se manifestou que vai apoiar Aécio Neves no segundo turno. Vai ser assim independente do que Marina decidir. Naturalmente, todas as mais importantes lideranças do PSB alinhar-se-ão no mesmo rumo. Marina que foi apoiada e adotada com entusiasmo pelo grupo, não pode reclamar, nem tomar um caminho diferente, sob o risco de ficar isolada e desautorizada.

Foto: Roberto Pereira/Reprodução

FAMÍLIA AÉCIO, FAMÍLIA CAMPOS - Letícia e Aécio visitam Renata e Eduardo, para conhecer o novo filho do casal Miguel Campos. Também na foto o político paraibano Cássio Cunha Lima

Postado por Toinho de Passira

Na ultima eleição presidencial, 2010, Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima, mais conhecida com Marina Silva, obteve 19,6 milhões de votos, 19,33% dos sufrágios válidos no primeiro turno. Aboletada no frágil Partido Verde, desdenhou dos pedidos de apoio de ambos os candidatos remanescentes, Dilma Rousseff e José Serra e declarou que não apoiaria nenhum dos candidatos e que deixava aos seus eleitores a opção de escolher livremente para qual lado deveriam ir.

Talvez, por comodismo e para evitar comprometimentos, ela quisesse repetir o gesto agora, mas a situação é completamente diferente. O PSB e a família de Eduardo Campos apoiaria Aécio, quer ela quisesse ou não. Acolhida o seio do PSB, quando seu partido A Rede de Sustentabilidade não conseguiu registro no TSE, ela não exerce nenhuma liderança dentro do partido, que na verdade com a morte do centralizador Eduardo Campos, ficou momentaneamente acéfalo.

Não dá para esconder que atualmente a maior liderança do PSB, mesmo sem cargo formal, é a viúva de Eduardo, a decidida Renata Campos. Lembrar que com a publicação do resultado do pleito, novas e promissoras lideranças se impõe sobre o partido, como o futuro governador Paulo Câmara, o futuro senador Fernando Bezerra, e o atual prefeito do Recife Geraldo Júlio.

É bem verdade que o presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, que assumiu com a morte de Eduardo, tem uma asa arriada para o lado de Dilma e opinou primariamente pela neutralidade, procurando beneficiar a petista. Mas ele não possui poder de levar o seu desejo adiante.

Aécio Neves e Eduardo Campos eram mais que dois políticos contemporâneos com ideias convergentes. Eram amigos fraternais. Desde há muito quando o mineiro vinha a Recife era recebido por Eduardo, sem nenhum formalismo político. Os encontros e as conversas aconteciam na sala de estar da Casa de Eduardo, em Casa Forte, com as bênçãos e a simpatia de Renata Campos. Farto registro fotográfico comprova isso.

Nesta segunda, enquanto Marina fazia mistério e fazia reuniões, Antônio Campos — irmão de Eduardo Campos, filiado ao PSB e primeiro membro da família do então presidenciável do partido a declarar apoio a Marina Silva depois da tragédia — anunciou no Facebook seu apoio à candidatura do tucano Aécio Neves à Presidência.

Antônio Campos seguramente tomou a iniciativa com o concordo de Renata. A viúva, querendo ficar nos bastidores, prefere que o cunhado, como membro do partido represente a família na hora de se posicionar politicamente.

É importantíssimo para Aécio esse apoio em nível nacional, mas é particularmente valiosa a herança eleitoral pernambucana que o mineiro pode usufruir.

No primeiro turno, só 284.771 pernambucanos votaram em Aécio, 5,92% dos votos válidos. Por sua vez Marina Silva dispôs de 2.310.700 votos, 48,06%, de eleitores agora órfãos.

Verificando que nas últimas eleições, em 2910, Marina, então no Partido Verde, conseguiu 903.655, em Pernambuco, pode-se concluir que tecnicamente pelo menos 1.407.045, o total acrescido ao patrimônio eleitoral dela, pelos pernambucanos, aconteceu graças aos socialistas de Eduardo Campos. Se não tudo, pelo menos esse 1,4 milhões de votos pernambucanos, tende a migrar sim, para os lados de Aécio Neves, bastando uma sinalização da família campos, se for através de Renata, melhor ainda.

Portanto essas reuniões programadas, os acenos de Aécio, o mistério e as exigências programáticas de Marina, são apenas encenações do que já foi decidido. Marina sabe que não tem o controle da situação. Melhor para ela, nesse momento, aderir ao que já está decidido pelo partido, fingindo que protagonizou decisivamente da adesão a Aécio.

Prego batido, ponta virada, como se costuma dizer por aqui.

12 de set. de 2014

É verdade, Eduardo Campos, depois de morto, doou 2,5 milhões a campanha de Marina Silva

BRASIL - Eleição 2014
É verdade, Eduardo Campos, depois de morto,
doou 2,5 milhões a campanha de Marina Silva
A transferência em espécie ocorreu no dia seguinte ao desastre que matou o então candidato, enquanto ainda se procurava os restos mortais do pernambucano. Basileu Margarido, coordenador da campanha e homem de confiança de Marina, defende que estranho evento foi um ato contábil legal. Pode até ter sido, mas...

Foto: Arquivo

Eduardo Campos, doação psicografada

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Dia

O jornal O Dia reportou o que já havia sendo divulgado pela internet informalmente: é verdade que no dia seguinte ao desastre que matou o presidenciável Eduardo Campos, mesmo antes de seus restos mortais tivessem sido recolhidos do local onde caiu o avião, seus partidários transferiram em espécie R$ 2,5 milhões de sua conta de campanha para o Comitê Financeiro Nacional, administrado pelo PSB, que, dias depois, anunciaria Marina Silva como substituta.

Tecnicamente, depois de morto, e em lugar incerto e não sabido, Eduardo Campos, que por causa do falecimento estava encerrando a sua campanha, decidiu transferir o dinheiro que estava com a campanha dele, para os cofres do Partido, para ser usado posteriormente na campanha de Marina.

Informa o jornal que segundo o coordenador financeiro da campanha, Basileu Margarido — homem de confiança de Marina — tudo está dentro da legalidade e justifica:

“O escritório de Direito que nos atende consultou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para fazer a operação. Segundo eles, não há nada de errado”, garantiu. O TSE, porém, não confirmou a consulta e informou que ainda vai analisar as prestações de contas.

Foto: Reprodução

Quem é Bazileu Margarido? O Delúbio Soares de Marina?

Um parêntesis: Basileu Margarido, onde esses políticos arranjam essas figuras de nomes exóticos para cuidar das finanças das campanhas e dos partidos? Depois do celebre Delúbio Soares agora surge esse tal de Margarido. Fecha o parêntesis.

A operação de transferência ocorreu no dia 14 de agosto, foi em dinheiro vivo e seu registro está na segunda prestação de contas dos candidatos, divulgada no sábado seguinte pelo TSE.

Nessa prestação de contas o PSB, Basileu Margarido, ainda atônito, não fez nenhuma menção ao jato Cessna, usado por Campos, e que é alvo de investigação da Procuradoria Geral da República por crime eleitoral e suspeita de caixa 2.

Dois advogados especialistas em Direito Eleitoral, consultados pelo jornal O Dia em condição de anonimato, asseveraram que a transferência não poderia ocorrer, já que, ao morrer, o CNPJ da candidatura de Campos automaticamente ficou extinta, e legalmente o dinheiro ficaria retido. Segundo eles, só no final da campanha o partido poderia ter acesso “a doação”, como item de sobra de arrecadação.

“Provavelmente, eles não quiseram deixar parada a quantia, que é razoável, e antes mesmo de comunicarem oficialmente a morte do ex-governador retiraram o dinheiro”, interpretou um deles.

Marina fingindo que não tem nada com isso
“Não deixa de ser estranho que uma campanha que se propõe a fazer a nova política, se valha de artifícios da velha”, opina outro.

Os dois concordam que, neste caso, o pior que poderá ocorrer é a aprovação das contas pelo TSE, mas com ressalvas, “além, é claro, do constrangimento, já que é um subterfúgio contábil que eles por certo criticariam se fosse realizado por outro partido”.

Um olhar mais acurado faz supor que a operação tem tudo para ser um jeitinho de lavar uma grana, em espécie, que estava nos cofres da campanha, compondo a contabilidade do velho conhecido Caixa 2.

Não se pode ver com naturalidade os constantes flagrantes de dinheiro em espécie na posse de candidatos e campanhas, nos tempos de dinheiro eletrônico, facilidade de transferência bancária e riscos de ter os comitês assaltados.

Imaginamos o pânico de Basileu Margarido, enquanto todo o resto do partido a pranteava a morte de Eduardo Campos, com esse dinheiro de reputação duvidosa a lhe queimar as mãos. Mostrou que é um sujeito hábil e frio: preferiu trazer imediatamente a grana para a luz do dia, correndo os riscos das interpretações que poderão ser dadas pelo TSE, contando que boas desculpas e explicações saneadoras poderão ser fabricadas a posteriori, do que ficar com ela, parada e clandestina, nos cofres da reputação de Eduardo Campos.

Há de se perguntar se o candidato foi consultado. Se a procuração informal de tomar decisões em seu nome, estaria em vigor, naquelas circunstâncias. Sabe-se que as procurações formais perdem a validade com o falecimento. Em termos práticos, diante das circunstancias foi uma decisão malandramente sábia, que pode até encontrar respaldo legal, mas moralmente...

11 de set. de 2014

Morto, Eduardo Campos deve eleger, Paulo Câmara, governador de Pernambuco

BRASIL – Eleição 2014
Morto, Eduardo Campos deve eleger, Paulo Câmara, governador de Pernambuco
A queda do avião de Eduardo fez a campanha de Paulo Câmara subir

Postado por Toinho de Passira
Texto de Josias de Souza
Fonte:  Blog do Josias de Souza

Em 13 de agosto de 2014, dia da morte de Eduardo Campos, o deputado Márcio França, presidente do PSB de São Paulo, vaticinou: “O Armando Monteiro já pode renunciar à candidatura dele ao governo de Pernambuco. Não tem a menor chance. O Paulo Câmara está eleito.”

Decorridos 29 dias, o Datafolha atesta a previsão: a candidatura de Armando Monteiro (PTB) definhou 14 pontos percentuais, despencando de 47% para 33%. Já não exibe todos os sinais vitais. Tudo indica que a pretensão política do personagem morreu. Pior: não foi para o céu.

Com Paulo Câmara (PSB) deu-se o oposto. Desde a morte do seu padrinho, o ex-azarão agigantou-se de 13% das intenções de voto para para 39%. Pela primeira vez, encontra-se numericamente à frente do seu antagonista. Para Câmara, ex-secretário de Fazenda do Estado, a morte de Campos foi um enorme despertar.

6 de set. de 2014

Em delação premiada, ex-diretor da Petrobras diz que o Governador Eduardo Campos estava entre os recebedores de propina

BRASIL - Corrupção
Em delação premiada, ex-diretor da Petrobras diz que Eduardo Campos estava entre os recebedores de propina
O ex-diretor da Petrobras, Paulo Costa dizia na cela em que está preso na Polícia Federal em Curitiba (PR) que não teria eleições neste ano se ele revelasse tudo o que sabe. Entre parlamentares, ministros e governadores, a lista de atingidos pode chegar a 70 destacados políticos de cinco partidos, entre eles o PT, o PMDB, o PP e o PSB

Foto: Helia Scheppa/JC Imagem/AE

PROPINA - Ex-diretor Paulo Roberto Costa confirmou o esquema de propinas para políticos dentro da Petrobras

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha de S.Paulo, Diario do Poder, Facebook – Diario do Poder, Blog do Camarotti, Época>, Blog do Coronel

Na sua coluna, do dia 04, o jornalista Claudio Humberto, Diário do Poder, dizia, no dia 04, que o fato do Congresso Brasileiro, está esvaziado, no momento, pouco tinha a ver com o chamado recesso branco, que sempre ocorre em período eleitoral. A delação premiada, do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, em curso, na Polícia Federal em Curitiba, era a verdadeira responsável, a tirar o sono de inúmeros parlamentares, deputados e senadores, que circulavam por Brasília com o semblante carregado.

Nesta sexta, 05, a noite, os sites começaram a divulgar noticias, sobre a delação, materializando os temores dos políticos. Há ainda alguns desencontros de informação. A Revista Veja, que está para circular neste sábado, traz como reportagem de capa, O DELATOR FALA, e diz, no seu site, que vai publicar uma lista dos parlamentares, governadores e ministro, citados pelo ex-diretor da diretoria de Abastecimento da Petrobras, durante os governos Lula e Dilma, entre 2004 e 2012.

O site do jornal Folha de S. Paulo, diz que o delator dedurou pelo menos 12 senadores, 49 deputados federais e um governador.

Outros sites destacam que além dos parlamentares, estão na lista, três governadores e um ministro, do governo Dilma, oriundo da equipe de Lula.

A LISTA

Hoje pela manhã, mesmo sem a lista de Veja, começou a circular os primeiros nomes dos beneficiados com as proprinas: entre eles os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA). Os senadores, Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, e Romero Jucá (PMDB-RR). Entre os deputados figuram o petista Cândido Vaccarezza (SP) e João Pizzolatti (PP-SC).

Citado também, o ex-ministro das Cidades e ex-deputado Mario Negromonte, também do PP.

Na relação dos três governadores, apontados por Paulo Roberto como destinatário da propina, estão políticos de estados onde a Petrobras tem grandes projetos em curso: Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio, Roseana Sarney (PMDB), atual governadora do Maranhão e Eduardo Campos (PSB), ex-governador de Pernambuco e ex-candidato à Presidência da República morto no mês passado em um acidente aéreo.

Os citados teriam recebido 3% dos valores dos contratos celebrados enquanto ele, Paulo Roberto Costa, era diretor, entre 2002 e 2012, atingindo parte do período do Governo Lula e parte do governo Dilma.


Capa da revista Veja desta semana
MODUS OPERANDI

Desde a sexta feira passada, 29 de agosto, Costa está depondo em regime de delação premiada para tentar obter o perdão judicial. Ele é alvo da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que desmantelou um grande esquema de lavagem de dinheiro e corrupção na Petrobrás. São depoimentos diários que se estenderam por toda semana. O número de políticos citados foi mencionado por Costa nos primeiros depoimentos, mas pode crescer até o final da delação.

Costa relatou a formação de um cartel de empreiteiras dentro da Petrobras, em quase todas as áreas da estatal. Partidos políticos eram supostos beneficiários de recursos desviados por meio de comissões em contratos arranjados. E exemplificou:

“Todo dia tinha político batendo em sua porta”. Num depoimento, ele citou uma conta de um “operador do PMDB” em um banco europeu.

O ex-diretor Paulo Roberto, que assumiu a diretoria de Abastecimento da Petrobras, ainda no primeiro governo Lula, por indicação do ex-líder do PP deputado José Janene (PR) , já falecido, contou que os desvios nos contratos da Petrobrás envolveriam desde o funcionário do terceiro escalão até a cúpula da empresa, durante sua gestão na diretoria de Abastecimento, entre 2004 e 2012.

O ex-executivo também citou quase todas as grandes empreiteiras do País que conseguiram os contratos. Inicialmente seu alvo foram as empresas, mas não havia como isentar os políticos, uma vez que, segundo ele, foram beneficiados com propinas.

Por causa da citação aos políticos, que têm foro privilegiado, os depoimentos serão remedidos para a Procuradoria Geral da República. A PGR afirmou que só irá receber a documentação ao final do processo de delação.

Lembrar que Costa foi responsável pela obra mais cara da Petrobras, a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, cujo preço final pode ultrapassar R$ 40 bilhões. Segundo a Polícia Federal, os contratos eram superfaturados e o sobrepreço era repassado pelas empreiteiras ao doleiro Alberto Youssef. O doleiro, por sua vez, cuidaria da distribuição do suborno aos políticos.

PERDÃO JUDICIAL

O acordo de delação premiada assinado por Paulo Roberto prevê praticamente o perdão judicial. A pena que ele receberá será mínima comparada aos 50 anos que poderia pegar se responder aos processos – já é réu em duas ações, uma sobre corrupção na Petrobrás e outra sobre ocultação e destruição de documentos.

O acordo prevê que o ex-executivo será colocado em liberdade quando encerrar os depoimentos. Ele deve ficar um ano usando tornozeleira eletrônica, em casa, no Rio, sem poder sair na rua.

Os depoimentos têm sido longos. No primeiro dia foram mais de quatro horas. Um advogado do Paraná que esteve com ele diz que Costa está “exausto, mas se diz aliviado”. O ex-executivo teria demonstrado preocupação apenas quando soube que a imprensa noticiou a delação premiada. Seu temor é se tornar um “arquivo vivo”.

Os depoimentos são todos filmados e tomados em uma sala na Custódia da PF em Curitiba. Ao final de cada dia os depoimentos são lacrados e criptografados pelo Ministério Público Federal, que os envia diretamente para a PGR, em Brasília. A PGR mandou emissário a Curitiba no início do processo de delação.

DOLEIRO - ELEIÇÃO

O doleiro Alberto Youssef, também preso acusado de ser um dos cabeças do esquema desbaratado pela Lava Jato, também tentou negociar com o Ministério Público Federal uma nova delação premiada (ele fez a primeira no caso do Banestado, em 2003), mas desistiu ao ser informado que pegaria pelo menos 3 anos de prisão, em regime fechado.

O depoimento do ex-diretor, Paulo Roberto Costa, foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) para análise e homologação do ministro Teori Zavascki.

Segundo o Blog do Camarotti, a avaliação no PT é que o depoimento de Paulo Roberto Costa pode criar forte desgaste na campanha de Dilma Rousseff. A maior preocupação é que haja divulgação do depoimento com denúncias sobre a existência de caixa dois de campanha e do financiamento de políticos aliados.

29 de ago. de 2014

Ministério Público trabalha com hipótese de drone da Aeronáutica ter derrubado avião de Eduardo Campos

BRASIL - Investigação
Ministério Público trabalha com hipótese de drone da Aeronáutica ter derrubado avião de Eduardo Campos
”A possibilidade de um veículo aéreo não tripulado da Aeronáutica ter colidido com o avião no acidente que matou o presidenciável Eduardo Campos (PSB) é uma “hipótese real”, disse Antônio Campos, irmão do candidato, por informações que recebeu do Ministério Público Federal

Foto: AP

Local onde aconteceu o acidente com o candidato Eduardo Campos e outros seis assessores

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Jamildo, Folha de S.Paulo, Blog do Merval

O Ministério Público Federal de São Paulo está investigando, entre outras, a possibilidade do avião que conduzia o candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB) e outras seis pessoas no último dia 13 de agosto, ter sido abatido por um drone da Força Aérea Brasileira.

Não se trata de uma teoria de conspiração vinculada nas redes sociais. O procurador da República Thiago Lacerda Nobre, responsável pelo acompanhamento da investigação do caso, encaminhou à Aeronáutica um ofício pedindo explicações sobre o uso de um Veículo Aéreo Não-Tripulado (VANT), popularmente conhecido como drone, no local onde aconteceu a colisão com o avião Cessna Citation 560 XL, que caiu em Santos.

Entre os questionamentos feitos pelo promotor ao Comandante da Aeronáutica, o tenente-brigadeiro do Ar Junini Saito, estão a permissão para o drone realizar sobrevoo no local do acidente. Nobre também questiona se existem relatos de algum drone, em específico o “Acauã”, da Aeronáutica, ter perdido o contato com os controladores no dia do acidente. O desaparecimento do veículo no mesmo dia da tragédia também é alvo dos esclarecimentos solicitados pelo promotor.

Para sustentar a tese, o promotor reuniu fotos do local do acidente e apontou a existência de rodas semelhantes às usadas nos drones do modelo Acauã. O MPF também quer saber quantos drones, do modelo VANT Acauã, existem nos quadros da força aérea e se todos estão em operação. Num questionamento direto o promotor pergunta se há notícia de que um equipamento do gênero que teria desaparecido na área do acidente no dia da queda, 13 de agosto.

Reprodução
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A jornalista Marcela Balbino, repórter do Blog do Jamildo, obteve cópia do Oficio enviado a Aeronáutica pelo Promotor Federal

O irmão do presidenciável Eduardo Campos, Antônio Campos, em Santos, nesta quarta-feira, 27, confirmou que tem conhecimento da possibilidade de um drone ter colidido com o avião e provocado o trágico acidente aéreo.

”A possibilidade de um veículo aéreo não tripulado da Aeronáutica ter colidido com o avião no acidente que matou o presidenciável Eduardo Campos (PSB) é uma “hipótese real”, disse Antônio Campos, irmão do candidato.

Claro que até agora ninguém oficialmente aventou um atentado, mas numa investigação não se pode abandonar nenhuma possibilidade.

Se foi um ato criminoso, o serviço não teria sido completo, pois a perigosa Marina Silva escapou.

Logo após o acidente ela atribuiu a “providência divina” não se encontrar entre os passageiros do avião acidentado. Segundo o jornalista Merval Pereira, “na verdade, a razão de Marina não estar naquele avião fatídico é bem mais prosaica e humana: ela não queria se encontrar com o deputado Marcio França, do PSB, candidato a vice do governador tucano Geraldo Alckmin, coligação a que ela se opunha em São Paulo, que esperava o grupo em Santos.

Mesmo que tenha sido um drone da aeronáutica, não somos partidários da teoria de atentado, pelas características da nossa força aérea, mais provável seria uma teoria de uma fatalidade gerada por irresponsabilidade e incompetência.

Foto: Reprodução

Vant, ou drone, do modelo Acauã, utilizado pela Aeronáutica, pesa 150 kg e pode causar danos significativos e até derrubar uma aeronave caso se choquem durante voo.

18 de ago. de 2014

A guerra dos tronos - Ricardo Noblat, para O Globo

BRASIL – Opinião
A guerra dos tronos
Arraes morreu de morte morrida aos 89 anos de idade. Eduardo, de morte inesperada, trágica, aos 49 anos. Como o avô e o pai adotivo, Eduardo não deixa herdeiros. Primeiro porque não teve tempo para deixar. Segundo porque não fez questão de deixar. Marina disputará a vaga de Dilma porque era vice de Eduardo – não porque fosse sua herdeira.

Foto: Blog do Noblat

SEM HERDEIRO IMEDIATO - Tamanha era a força de Eduardo que ele se reelegeu em 2010 com 82% dos votos, ganhou a eleição em todos os municípios do Estado

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ricardo Noblat
Fonte: Blog do Noblat

Tal avô, tal pai adotivo e tal filho.

Há nove anos, pouco antes de morrer, o mítico Miguel Arraes, três vezes governador de Pernambuco, cassado e exilado pela ditadura de 1964, ouviu a provocação feita por um amigo do seu neto, Eduardo Campos: “Não está na hora de passar o chapéu, doutor?”.

Arraes respondeu de pronto: “Quem quiser que pegue”.

Isto é: não indicarei um herdeiro. Quem quiser que conquiste o lugar.

Entre amigos, mais de uma vez nos últimos anos, Lula disse que considerava Eduardo uma espécie de filho adotivo seu.

Quem, dentro do PT, Lula formou para sucedê-lo no comando do partido? Por todos os meios possíveis, Lula sempre deu um jeito de apagar quem lhe pudesse fazer sombra.

Concorreu à presidência da República cinco vezes. Para substituí-lo por quatro anos apenas, Iluminou um poste chamado Dilma.

O poste rebelou-se, bateu o salto no chão com raiva e decidiu tentar se reeleger. Lula amaldiçoa a hora em que não abriu o jogo e combinou com Dilma que em 2014 seria novamente a vez dele.

Agora é tarde. Nem mesmo o fantasma de Marina Silva será capaz de remover Dilma do caminho de Lula. Se depender de Dilma, Lula brilhará em sua campanha e a seu serviço. Mas não dividirá o protagonismo com ela.

Arraes morreu de morte morrida aos 89 anos de idade. Eduardo, de morte inesperada, trágica, aos 49 anos.

Como o avô e o pai adotivo, Eduardo não deixa herdeiros. Primeiro porque não teve tempo para deixar. Segundo porque não fez questão de deixar.

Marina disputará a vaga de Dilma porque era vice de Eduardo – não porque fosse sua herdeira.

Pernambuco, um dos Estados mais politizados do país, ficou politicamente órfão.

Tamanha era a força de Eduardo que ele se reelegeu em 2010 com 82% dos votos, ganhou a eleição em todos os municípios do Estado, encabeçou nos últimos quatro anos a lista dos governadores mais bem avaliados do país, e juntou 20 partidos para derrotar fragorosamente o PT há dois anos e eleger prefeito do Recife quem jamais disputara uma eleição.

Os amigos, às suas costas, o chamavam de “O Imperador”. Pois bem: “O Imperador” indicou para seu lugar um ex-auxiliar que, como o prefeito, era novato em matéria de eleição – o técnico Paulo Câmara, ex-secretário da Administração e da Fazenda de Eduardo.

O Datafolha, no sábado passado, conferiu a Paulo 13% das intenções de voto contra 47% de Armando Monteiro Filho, candidato apoiado pelo PT.

Se estivesse vivo, Eduardo daria um jeito de animar seus seguidores.

Dotado de uma extraordinária autoconfiança, de uma capacidade de trabalho invejada por amigos e adversários e de um admirável poder de persuasão, para Eduardo não existia o talvez ou o quem sabe.

Parecia convencido de que nada o impediria de atingir de fato seus objetivos. E a se levar em conta sua curta, mas meteórica e bem-sucedida trajetória política, estava certo.

Eduardo morreu convencido de que elegeria seu candidato ao governo de Pernambuco, e de que venceria Dilma no segundo turno com a ajuda de Aécio Neves, do PSDB.

Da única vez que falou para milhões de brasileiros – cerca de 35 milhões, a audiência do Jornal Nacional na última terça-feira -, cunhou a frase pela qual começa a se tornar conhecido: “Não vamos desistir do Brasil”.

Pouco depois de dizê-la, e como não parasse de falar, ouviu de Patricia Poeta, apresentadora do telejornal, a advertência curta e grossa: “Seu tempo acabou, candidato”.

Morreu no dia seguinte. Virou história.

Foto: Toinho de Passira/thepassiranews

VAZIO, SOLIDÃO - Rua da Aurora, no centro do Recife, 10 da manhã, durante o velório de Eduardo Campos.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legendas a publicação original

Pesquisa após morte de Eduardo, faz Marina crescer e ameaçar eleitoralmente tanto Aécio, quanto Dilma

BRASIL – Eleição 2014
Pesquisa após morte de Eduardo, faz Marina crescer e ameaçar eleitoralmente tanto Aécio, quanto Dilma
Nesse momento as pesquisas indicam que nem para Aécio, nem para Dilma, as coisa pioraram tanto, quando se poderia esperar. Para Marina as notícias são boas, mas não tão alvissareiras quanto ela gostaria. Em resumo, o cenário muda para uma incerteza absoluta na disputa presidencial.

Arte Folha de S Paulo

Postado por Toinho de Passira
Fonte: Folha de S. Paulo

Marina Silva aparece com 21% das intenções de voto, retornado à disputa na segunda colocação, na preferência dos eleitores. Está um ponto à frente de Aécio Neves (20%), tecnicamente empatada com ele. Dilma obteve 36%.

Resultados constatados na pesquisa do Datafolha, publicada hoje. A consulta aos eleitores foi realizada nos dois dias seguintes após o anúncio da trágica morte de Eduardo Campos, dias 14 e 15, e foram ouvidas 2.843 pessoas.

Esse resultado potencializa a hipótese quase inequívoca de uma eleição em dois turnos.

Nas simulações de segundo turno, Marina aparecer à frente de Dilma. Se a eleição fosse hoje, a ex-vice de Eduardo Campos venceria a candidata de Lula por 47% a 43%.

Na mesma hipótese Aécio, num segundo turno, perderia para Dilma com uma margem de oito pontos: 47% a 39%. Ou seja, Marina ameaça tirar Aécio do segundo turno e derrotar Dilma quando houver o enfrentamento.

Observe-se, porém, que os números da pesquisa indicam que Marina não tirou eleitores de Dilma nem de Aécio. O número de eleitores que os havia escolhidos permaneceu os mesmos. Fica claro que Marina tornou-se a preferida dos indecisos, seduzindo a fatia do eleitorado que dizia não ter optado por nenhum dos candidatos.

Já que o segundo turno é inevitável, cria-se a situação inusitada, dos petistas terem que torcer para que Aécio supere Marina, por ser mais vantajoso enfrentá-lo no segundo turno.

Claro que esse é um retrato do presente momento, se as eleições fossem hoje, possivelmente seria assim.

O quadro momentâneo é excepcional, estamos a apenas uma semana da morte impactante de Eduardo Campos, da ampla exposição dos fatos e da comoção favorável, criada pela imprensa e na opinião pública.

Certamente “o impacto do acontecimento, que já atingiu o seu auge, cairá de agora em diante”.

Enxugadas às lágrimas, as próximas pesquisas dirão se Marina é mesmo tão competitiva assim, ou essa foi apenas um surto momentâneo.

Uma coisa é certa, se a opção final for Marina e Dilma o país estará numa encruzilhada dolorosa.

A segunda viuvez eleitoreira de Marina - Reinaldo Azevedo

BRASIL - Opinião
A segunda viuvez eleitoreira de Marina
O velório e o sepultamento que acabou deixando de lado o decoro e se transformando em micareta eleitoral


Não há sofrimento no olhar - Marina, à beira do caixão de Campos, ergue o retrato do candidato morto: viúva política e rainha posta. Isso não é dor. É política.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Reinaldo Azevedo
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo

Explico. Deixo textos fáceis para outros. Alinho-me com aqueles que preferem os difíceis, ainda que sob pena de desagradar a muitos, até mesmo a alguns leitores habituais. Não posso fazer nada. Penso o que penso. E meu único compromisso aqui no blog, na Folha ou na Jovem Pan é este: dizer o que penso. Vamos lá. De súbito, Eduardo Campos virou a versão masculina e brasileira de Inês de Castro, aquela “que, depois de ser morta, foi rainha”, na formulação imortal de Camões, em “Os Lusíadas”. Se tiverem curiosidade, pesquisem a respeito da personagem. As circunstâncias são outras, mas, nos dois casos, há uma espécie de coroação post mortem. Marina Silva, já apontei aqui, para a minha não supresa, fez-se a viúva profissional de mais um cadáver. Campos foi, sim, coroado rei. Morto no entanto, logo alguém se lembrou de dar vivas à nova rainha. Tudo bastante constrangedor para quem repudia a demagogia, o mau gosto e a exploração da morte como moeda eleitoral.

Vocês sabem que tratei aqui de modo muito decoroso — e não pretendo mudar a rota — a morte de Campos. Mesmo o comportamento da família me parecia correto a mais não poder. Havia dor genuína, mas também comedimento. Havia sofrimento, porém temperado pelo pudor. Afinal, morria o marido, o filho, o pai… Vi, bastante comovido, e comentei nesta página o vídeo que seus filhos fizeram em homenagem ao Dia dos Pais, tornado público três dias antes da tragédia. Renata, a viúva de verdade, preferia, então, o silêncio e, a despeito do aparato que a cerca, não vi partir dela nenhuma nota fora do tom. A cerimônia de sepultamento neste domingo, no entanto, fugiu, obviamente, ao controle. Assistimos ao enterro inequívoco de um político. E o que se via ali era muita gente organizada para fazer o cadáver procriar… votos.


Viatura do Corpo de Bombeiros com lema político da campanha de Campos, estampado também na camiseta de três de seus filhos: punhos cerrados

Não me peçam para compactuar com isso. Achei justo e correto que se organizasse um velório público. Campos era um governante popular em sua terra e morreu de forma trágica. Mas pergunto: o que fazia aquela faixa no veículo do Corpo de Bombeiros com a declaração “Não vamos desistir do Brasil”, lema idêntico ao que se lia na camiseta de seus filhos, três deles desfilando sobre a viatura, com os punhos cerrados, numa manifestação inequivocamente política? Não! Eu não posso me desculpar por estar aqui a apontar a inadequação da manifestação se eles próprios não souberam separar, como seria o correto, o domínio da dor, que creio ser verdadeira, daquele em que se aloja a pregação eleitoral. Os fogos de artifício, então, não deixaram a menor dúvida de que o velório e sepultamento haviam se transformado numa micareta política. Lamentável. Como era o esperado, houve tempo para vaias à presidente da República e a seu antecessor, Lula, aos gritos de “Fora, Dilma!”, “Fora, PT!” e, é óbvio, “Marina Presidente!”.

Infelizmente, para a tristeza do Brasil, no sentido mais amplo da expressão, o Campos morto ganhou uma projeção que o vivo jamais conseguiu. E Marina, mais uma vez, se apresentou como a viúva de plantão. O PSB ainda não fez dela a candidata, mas é só uma questão de tempo. A já presidenciável teve cinco dias ininterruptos de horário eleitoral gratuito. E, com seu ar sempre pesaroso, magro, quase quebradiço — mas sem se esquecer de acenar de vez em quando e de deixar escapar furtivos sorrisos —, empertigou-se quando necessário para vestir o manto da fortaleza moral e se apresentar para a batalha.

Não foi, assim, então, quando se transformou numa espécie de viúva oficiosa de Chico Mendes? Até hoje há quem acredite que ela era uma seringueira dos pés descalços quando ele foi assassinado, em dezembro de 1988. Não! Ela já tinha sido eleita vereadora um mês antes e, àquela altura, já era militante do PT e da CUT. Tinha fundado com Mendes, em 1985, a central sindical no Acre. Mas ficou com o espólio político do cadáver, como fica, agora, com o de Campos. Rei morto, viúva posta. Em vez de “Brasil pra frente, Eduardo presidente”, o grito de guerra dos campistas, ouviu-se, então, no velório, “Brasil, pra frente! Marina presidente!”.

Não foi um dia feliz para o comedimento, para o decoro, para o bom gosto e para o bom senso. Que Deus tenha piedade do Brasil se os eleitores não tiverem!

15 de ago. de 2014

Viúva relembra a última conversa com Eduardo Campos

BRASIL - Tragédia Eduardo Campos
Viúva relembra a última conversa com Eduardo Campos
Dona Renata surpreendia a todos. Ela se mostrava forte, até leve, andando entre as pessoas e conversando com os que lhe procuravam para apresentar condolências. Não caiu em prantos publicamente, apesar do olhar avermelhado, que carregava ainda na noite de ontem, de quem está sentindo a dor como uma força constante. Às vezes, parecia ser ela quem tranquilizava seus interlocutores.

Foto: Arquivo

Renata Campos e Eduardo no último carnaval

Postado por Toinho de Passira
Texto de Júnia Gama
Fonte: O Globo

No fim do dia de quinta-feira, o movimento na casa da família Campos estava intenso. Eram muitos os familiares, amigos e políticos que acompanharam desde sempre a trajetória de Eduardo Campos e queriam estar perto de “dona Renata”, como ele chamava a mulher, e dos cinco filhos do casal. O ambiente era dolorido e, em quase todos os rostos, olhos marejados e expressões de consternação. Eram dezenas de pessoas reunidas na parte externa, divididas entre a varanda e a área arborizada ao redor da piscina. Quase todas de pé. Em torno do bebê Miguel, filho caçula do casal, que passava de colo em colo, estavam os únicos sorrisos visíveis na casa.

Dona Renata surpreendia a todos. Talvez por ainda não ter realizado a perda tão inesperada, ela se mostrava forte, até leve, andando entre as pessoas e conversando com os que lhe procuravam para apresentar condolências. Não caiu em prantos publicamente, apesar do olhar avermelhado, que carregava ainda na noite de ontem, de quem está sentindo a dor como uma força constante. Às vezes, parecia ser ela quem tranquilizava seus interlocutores. Ela contou sua última conversa por telefone com o marido: haviam falado sobre o perfil das possíveis primeiras-damas, ela e Letícia Weber, mulher de Aécio Neves, que havia sido publicado no GLOBO no dia do acidente.

— Olhe, você saiu no jornal!

Ela, espirituosa, respondeu:

— Ah, é? E você, escapou? — pergunta que costumava fazer sempre que a família sabia que sairia uma reportagem sobre o marido.

Eduardo retrucou:

— Disseram lá que você manda em mim!

Dona Renata riu e pediu que ele lhe enviasse uma cópia do texto. Desligou o telefone e voou. Quando desembarcou em Recife, ligou o aparelho e a primeira mensagem que entrou foi a foto reproduzindo a reportagem. Também foi a última mensagem que recebeu do marido.

Ontem, ela contava essa história como se fosse mais uma conversa trivial e não a última entre marido e mulher.

— Não estava no script — concluiu Renata, repetindo uma expressão que vem usando a muitos que se aproximam para consolá-la.

CONSELHEIRA DE EDUARDO

Nesse momento, chegou outra viúva, que permaneceu em um abraço com Renata que durou mais que alguns minutos. Era Eliane Aquino, a mulher do ex-governador de Sergipe, Marcelo Déda, falecido em decorrência de um câncer no final do ano passado. Campos e Déda eram amigos. Assim como Renata, Eliane também tem um filho pequeno com síndrome de Down e citou as semelhanças entre a história que se abateu sobre as duas:

— Os dois eram nordestinos, tão jovens, morreram em São Paulo e nos deixaram filhos especiais. Me disseram que um dia eu ia entender o porquê da vinda do meu filho. Você também, Renata.

Renata respondeu que um padre também lhe havia feito essa afirmação. E lembrou que o batizado do filho Miguel aconteceu em uma igreja pequenina, exatamente um mês antes do acidente de Eduardo:

— Eu sabia que ele seria eleito e não queria um batismo grande, de filho de presidente.

Renata é uma mulher discreta, de bastidores, conselheira fundamental de Eduardo, mas que deixava a ele a atuação na linha de frente. Outra frase que ela tem dito aos amigos nas conversas ao redor da piscina e na área externa da casa, onde estão concentradas as visitas, é sobre a paixão de Eduardo pela política:

— A política para ele não era só trabalho, era também um hobby.

Os quatro filhos mais velhos estão sentidos. Mas, talvez confortados na fortaleza da mãe, aguentam firme o momento. Causa surpresa perceber que, tão jovens, seus olhares sustentam serenidade. Em meio ao furacão de mudanças, o homem mais velho, João Henrique, de 20 anos, comentou com colegas que um grande desejo e preocupação da família nesse momento é encontrar o relógio e o cordão de ouro com medalhinhas que Eduardo carregava sempre. As medalhinhas foram sendo acumuladas ao longo da vida do político e têm um valor sentimental imenso para a família, apreensiva com a possibilidade de não conseguir resgatar dos escombros esse fragmento de lembrança.

José Henrique, de 9 anos, o filho caçula até a chegada de Miguel, parece ainda não entender bem o que está ocorrendo. Ele anda entre os irmãos e os amigos, depois vai para o colo da mãe. Abraça Renata, fala algo em seu ouvido, afunda a cabeça em seu peito e depois sai, sem aparentar ter chorado. João e Pedro, o filho do meio, de 18 anos, ficam orbitando perto da mãe e dos amigos e namoradas que vieram dar forças. A menina, Maria Eduarda, de 22 anos, tem lágrimas nos olhos, mas consegue sorrir ternamente sempre que conversa com alguém.

APOIO A OUTRA VIÚVA

No início da noite, a jornalista Cecília Ramos, esposa do assessor de Eduardo, Carlos Percol, que também estava no voo, chegou à residência. Muito jovem, recém-casada, Cecília mostrava seu luto com um vestido preto e choro constante. Coube a Renata, que usava calça jeans e uma bata branca, consolá-la. Assim que a viu chegar, a anfitriã dirigiu-se à entrada da casa e abraçou sua companheira de tragédia. Cecília foi se acalmando, e logo começou a missa em homenagem aos maridos e demais vítimas do acidente. Foram os filhos que fizeram as leituras na celebração, na varanda da casa. João foi encarregado pelo Padre Luciano Brito de ler um trecho do Livro de Jó, que fala sobre vida eterna.

O diretor de cinema Guel Arraes, tio de Campos, também aparentava estar muito sentido com a morte do sobrinho. A um grupo, dizia que Eduardo seria “insubstituível” na política:

— O Eduardo tem uma personalidade muito própria. Ele é neto do Miguel Arraes, foi muito próximo do Lula, e podia simplesmente ter imitado um dos dois. Mas não, ele tem uma personalidade brilhante, muito própria. Nem o sobrenome Arraes ele usou, adotou o Campos, só dele.

A mãe de Eduardo, Ana Arraes, externava de forma mais visível sua dor. Chorava bastante e era confortada pelos amigos. Padre Pedro Rubens, reitor da Universidade Católica de Pernambuco, que se dizia contagiado pela disposição política de Eduardo e foi prestar sua homenagem ao ex-governador, resumiu o sentimento, ainda incompreensível:

— É uma saudade do futuro.

25 de abr. de 2014

Datafolha mostrou empate entre Dilma, Aécio e Eduardo Campos, pesquisados apenas eleitores que conhecem os três candidatos

BRASIL - Eleição 2014
Datafolha mostrou empate entre Dilma, Aécio e Eduardo Campos, pesquisados apenas eleitores que conhecem os três candidatos.
Quem conhece Dilma vota em outro, revelou pesquisa. Eduardo Campos comemora ter aparecido melhor colocado e vitorioso num inevitável segundo turno. Ainda é uma premissa que precisa ser reafirmada nas próximas pesquisas de opinião, mais pôs combustível nos comitês dos candidatos

Ilustração Folha de S. Paulo

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Notícia UOL, Folha de S. Paulo, O Globo, Blog do Reinaldo Azevedo

Pesquisa confirma o que dizem os candidatos quando repetem que agora ainda é cedo para analisar o cenário eleitoral, pois a maioria dos brasileiros ainda não está conectada à disputa de outubro e poucos eleitores conhecem neste momento todos os principais nomes na corrida pelo Palácio do Planalto.

Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, realizada nos dias 2 e 3 deste mês, apenas 17% dos eleitores afirmam conhecer "bem" ou "um pouco" os três principais pré-candidatos a presidente: Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

Nesse universo, o resultado final é muito diferente daquele apurado quando é considerado o total da amostra do instituto.

No cenário testado apenas com eleitores que conhecem os três principais candidatos, Campos fica com 28%. É seguido por Dilma, com 26%. Aécio pontua 24%.

Os três estão tecnicamente empatados, pois a margem de erro, nesse caso, sobe para cinco pontos percentuais, para mais ou para menos. No âmbito geral da pesquisa, essa margem chega a apenas dois pontos percentuais.

O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, faz um alerta: "Os eleitores que conhecem os três candidatos são os que mais acessam o noticiário, ou seja, são os mais escolarizados, de renda mais alta etc. Nada indica que o eleitor típico de Dilma, ao conhecer Aécio e Campos, deixará de votar nela".

Ou seja, a oposição não terá certeza de sucesso se garimpar apoio apenas entre os que já conhecem e votam em Dilma sem saber direito quem são Aécio e Campos.

A jazida inexplorada de votos à disposição de adversários do PT –e também aberta para a própria presidente Dilma– está no vasto grupo de eleitores que não vota na candidata governista e ainda não conhece muito bem as opções em jogo para pensar em fazer uma mudança.

Em todos os cenários pesquisados pelo Datafolha, no levantamento completo, a petista pontua de 38% a 43% e aparece à frente dos demais candidatos. O restante dos eleitores prefere outros nomes, está indefinido ou vota em branco, nulo ou em nenhum candidato.

Ainda dentro do universo dos que dizem conhecer bem Dilma, Aécio e Campos, desaparece o amplo favoritismo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, registrado em todas as pesquisas até agora.

Quando é ele, e não Dilma, o candidato, seu percentual chega a 32%. Aécio e Campos pontuam 23% cada um.

Se Campos é substituído pela ex-ministra e ex-senadora Marina Silva como candidata do PSB a presidente, ela fica com 34% e lidera numericamente a pesquisa contra 23% de Dilma e 25% de Aécio –tudo no universo dos que dizem conhecer os três principais nomes na disputa.

Marina Silva também permanece competitiva se disputar nesse nicho eleitoral contra Lula e Aécio. Nesse cenário, a ex-senadora pontua 32%. O ex-presidente registra 29% e o tucano tem 24%.

Nessa semana, no entanto, o PSB confirmou que a chapa da legenda terá Campos como candidato e Marina na vaga de vice.

SEGUNDO TURNO

Nas simulações de segundo turno feitas pelo Datafolha com esse grupo de 17% dos eleitores que conhece Dilma, Aécio e Campos, os vitoriosos são sempre de oposição –com uma vantagem fora da margem de erro.

Numa eventual disputa entre Dilma e Aécio, a petista seria derrotada porque sua marca é de 31% contra 47% do tucano. Na hipótese de embate com Campos, o socialista registra 48% contra 31% da atual ocupante do Palácio do Planalto.

Resumindo: Eduardo e Aécio têm até outubro para se tornarem conhecidos em todo o Brasil, se quiserem ter alguma chance.

Os comitês de Eduardo Campos e de Aécio, encheram-se de esperanças, o de Dilma acendeu a luz vermelha.

15 de abr. de 2014

Eduardo e Marina a chapa de oposição - Merval Pereira

BRASIL -
Eduardo e Marina a chapa de oposição
Postura que marcará a campanha da dupla foi definida pelo economista Eduardo Gianetti: essa chapa é a terceira via, uma alternativa para os eleitores que já estariam cansados da polarização entre PT e PSDB que vem marcando as disputas para a presidência da República desde 1994. Seguindo a linha de seus líderes, Gianetti disse que os avanços construídos tanto por FHC quanto Lula não foram seguidos pelo governo Dilma, frustrando assim o eleitorado.

Arte sobre foto de Ueslei Marcelino/Reuters

Atacando o fisiologismo e o "patrimonialismo", dos governos petistas, Eduardo pregou um pacto em torno de um programa de governo e disse que colocará fim à distribuição de cargos. “Quem nos apoiar não vai achando que terá um ministério para chamar de seu”, avisou o pessebista

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira
Fonte: Blog do Merval

A definição de que a chapa PSB e Rede é uma resposta ao autoritarismo do governo petista, que tentou inviabilizá-la de todas as maneiras, é uma postura de combate do ex-governador Eduardo Campos e mostra bem a linha de atuação que ele e a ex-senadora Marina Silva terão durante a campanha eleitoral.

Com o lançamento da chapa Campos-Marina, fica definido um dos principais postulantes pela oposição à sucessão da presidente Dilma, acabando a especulação de que a ex-ministra e ex-senadora Marina Silva não aceitaria um posto inferior na chapa, ela que estaria em segundo lugar na corrida presidencial se fosse candidata isolada.

Marina aceitou ser vice de Campos, mas não se considera em plano inferior politicamente, tanto que disse que caminhará “lado a lado” com ele. Essa visão, antes de ser um complicador para a composição da chapa, é uma solução para que os eleitores “marinistas” não se sintam desprestigiados e possam trabalhar para a transferência de votos de Marina para a chapa que o ex-governador de Pernambuco encabeça.

Campos, em entrevista prévia ao lançamento da chapa “pura” – Marina filiou-se ao PSB depois de ter sido negado o registro da Rede, e repetiu ontem as críticas ao governo por tentar inviabilizá-la – teve uma boa saída para explicar sua dissidência, depois de ter participado dos dois governos de Lula e dos primeiros anos do de Dilma: “Esse governo decepcionou não só a mim, mas a muitos dos outros milhões que nele votaram”.

A outra postura que marcará a campanha da dupla foi definida pelo economista Eduardo Gianetti: essa chapa é a terceira via, uma alternativa para os eleitores que já estariam cansados da polarização entre PT e PSDB que vem marcando as disputas para a presidência da República desde 1994. Seguindo a linha de seus líderes, Gianetti disse que os avanços construídos tanto por FHC quanto Lula não foram seguidos pelo governo Dilma, frustrando assim o eleitorado.

Caberia agora a Campos e Marina dar prosseguimento a esses legados, com uma visão nova que incorporaria o melhor dos dois partidos. Essa postura, se levada ao pé da letra, pode isolar a chapa Campos e Marina, que ficaria sem apoios políticos para o segundo turno. Como pedir o apoio dos tucanos se eles forem alvos de ataques no primeiro turno?

Na carta de princípios esboçada está o compromisso de não fazer ataques pessoais aos adversários, o que poderá levar a que tanto Campos quanto Marina façam suas críticas no campo programático, o que seria uma novidade em eleições presidenciais recentes.

Foi esse estilo, no entanto, que levou a ex-senadora Marina Silva a ter uma grande votação em 2010, sem atacar mesmo a então candidata Dilma Rousseff, com quem se desentendeu no governo Lula. O próprio Lula comentou recentemente que compreendia a dissidência de Marina, pois acompanhou suas desavenças com Dilma no ministério.

Colocada como de oposição ao governismo, a candidatura de Campos caminha para tentar receber a maioria possível de votos dos eleitores de Marina, e terá na vice uma candidata atuante, que poderá ocupar palanques alternativos durante a campanha.

Há na política a definição de que vice não dá voto a ninguém, mas pode tirá-los. Marina está desafiada pelas circunstâncias eleitorais a provar o contrário quanto à transferência de votos. Mas terá que ter cuidados para não tirar votos de Campos em setores delicados na relação dos dois, que, segundo ela, ainda está sendo construída.

O agronegócio é um desses temas delicados que pode provocar desavenças durante a campanha, assim como a relação com os evangélicos. Marina citou ontem o fato de ser uma “mulher de fé”, mas garantiu que não faz do púlpito palanque. Tem a seu favor a campanha de 2010, em que não usou a religião para se promover, mas mesmo assim recebeu uma votação maciça dos evangélicos.

O problema para ela nesta eleição é que o pastor Everaldo, do PSC, está em campanha assumidamente como candidato evangélico, e quando um irmão é candidato, a maioria dos votos vai para ele, como demonstram as pesquisas do professor Cesar Romero Jacob, diretor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, que lançou o e-book Religião e Território no Brasil: 1991/2010 da Editora da PUC.

Ao analisar as transformações no perfil religioso da população brasileira, com o crescimento do número de evangélicos no país, esse trabalho é útil para o entendimento do cenário eleitoral. Marina não fez campanha como evangélica, mas as igrejas evangélicas fizeram campanha para ela, o que significou boa parte de seus votos, que agora serão disputados pelo pastor Everaldo.
*Alteramos título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

26 de mar. de 2014

Ministério Público cobra de Eduardo Campos socorro para a Saúde em Pernambuco

BRASIL - Eleição 2014
Ministério Público cobra de Eduardo Campos
socorro para a Saúde em Pernambuco
Promotores sugerem a governador que remaneje ‘gastos não essenciais’. Na ação civil pública, o Ministério Público de Pernambuco dá prazo de seis meses para que o problema seja resolvido e estipula um outro período, de apenas 90 dias, como o limite de espera para cirurgias eletivas.

Foto: Aluisio Moreira/SEI

E AGORA DUDU? - Eduardo Campos cobrado por não ter feito o dever de casa

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de Letícia Lins
Fonte: O Globo

Depois de reclamarem que, só no ano passado, o governo de Pernambuco gastou R$ 52,8 mil com fornecimento de bolo de rolo e R$ 388 mil com bufê do camarote oficial no carnaval, os promotores Helena Capela e Clóvis Ramos Sodré da Motta, da Promotoria de Defesa da Saúde da capital, acionaram o governo do presidenciável Eduardo Campos (PSB) para que tome providências no sentido de apressar o atendimento a 3.992 pacientes que há mais de dois anos se encontram à espera de cirurgias nos três principais hospitais de Recife.

Na ação civil pública, o Ministério Público de Pernambuco dá prazo de seis meses para que o problema seja resolvido e estipula um outro período, de apenas 90 dias, como o limite de espera para cirurgias eletivas. Caso a medida não seja cumprida, o governo poderá arcar com multa diária de R$ 50 mil. Os dois promotores pedem que o governador remaneje verbas destinadas “a gastos não essenciais” em outros setores para socorrer os serviços de saúde. Eles citam até os R$ 241 milhões anunciados pelo governador na semana passada para socorrer financeiramente as prefeituras.

O juiz Edvaldo José Palmeira, da Quinta Vara da Fazenda Pública, deu prazo de cinco dias, a partir da data da entrega da intimação, para que o governo apresente sua defesa. Mas, até ontem, a intimação não havia chegado ao Palácio do Campo das Princesas.

A lista de pessoas aguardando cirurgia foi elaborada com base nas informações repassadas pelos três maiores hospitais de Recife (Restauração, Otávio de Freitas e Getúlio Vargas). Os dados, no entanto, restringem-se à espera nas áreas de Traumatologia e Cirurgia Geral. Por esse motivo, os dois promotores calculam que haja mais de cinco mil pessoas em situação semelhante no estado. Eles pedem que o governo forneça em um mês a lista completa de doentes que aguardam procedimentos cirúrgicos nos hospitais oficiais. Também exigem que seja utilizado o Sistema Nacional de Regulação, com uma lista única de pacientes, o que permitiria evitar favorecimentos e assegurar aos doentes a realização de cirurgia por ordem de chegada e prioridade do caso.

Foto: Hans von Manteuffel / O Globo

A promotora Helena Capelo questiona o estado quanto ao atraso em cirurgias de hospitais públicos

— Do jeito que o modelo opera, a lista está sujeita a diversos tipos de manipulação. Basta ter uma certa amizade com algum auxiliar de enfermagem para a fila ser furada. Há casos em que a longa espera pode provocar deformações no paciente, como nos portadores de osteomielite. Em outros, eles podem até vir a óbito — reclamou a promotora.

A investigação vem sendo efetuada há mais de um ano, segundo informou Helena Capela. Ela disse que tentou a assinatura de um termo de ajustamento de conduta com a Secretaria de Saúde, mas que a orientação no órgão era para que o entendimento não fosse realizado. A propaganda oficial afirma que a oferta de serviços de saúde aumentou em 90% desde 2007, quando Campos assumiu o governo.

Em nota, a Secretaria de Saúde atribui as longas filas “à demanda crescente da população, motivada em grande parte pela epidemia do trauma, causada por acidentes de trânsito e pelo envelhecimento da população”. A secretaria informa ainda que vem tomando medidas “para agilizar exames, procedimentos e reduzir o tempo de permanência nos hospitais, além de conveniar ao SUS toda a oferta de leitos na rede privada”. Já o presidenciável deu outra justificativa para explicar o problema.

— É natural que, quando se expandem as ações básicas de saúde e a oferta de exames de média complexidade, tenha mais gente fazendo exames, e aumente a demanda por cirurgias. Estamos em um processo contínuo de melhora, e Pernambuco tem uma produtividade muito maior do que os outros estados. Hoje já atendemos às recomendações da Organização Mundial de Saúde — afirmou ele ao GLOBO.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original

24 de mar. de 2014

Eduardo Campos suspeita que Dilma provoca desvalorização, para depois, privatizar Petrobras

BRASIL - Escândalo Petrobras mda
Eduardo Campos suspeita que Dilma provoca desvalorização, para depois, privatizar Petrobras
O pré-candidato e Governador de Pernambuco, Eduardo Campos, enquanto insinua incompetência, má gestão e manobra fraudulenta do governo da presidenta em relação à Petrobras, ressalta que na gestão dela, a empresa perdeu 50% do valor de mercado e quadruplicou o endividamento, levanta a tese que tudo é de propósito, para facilitar a privatização da estatal.

Foto: Mauro Filho/Mosf

Eduardo Campos: "Minha preocupação, neste momento, é não deixar a Petrobrás vulnerável, é preservar a empresa por tudo o que ela significa para o Brasil e para a economia brasileira"

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Estadão, G1, Exame

Eduardo Campos, o governador de Pernambuco e pré-candidato do PSB à presidência, levantou suspeita sobre uma possível desvalorização proposital da Petrobras, no valor de mercado da empresa, como uma manobra para privatizar a estatal, durante um evento realizado neste sábado, em Salvador.

"Às vezes, fico desconfiado se isso não faz parte de um jogo para desvalorizar e vender a Petrobrás", disse o presidenciável. "Queremos que as posições sejam deixadas claras. Em 2010 (durante a campanha eleitorial), a hoje presidente (Dilma Rousseff) acusou o candidato do PSDB (José Serra) de querer fazer um processo de privatização da Petrobrás. Três anos depois, a empresa vale metade do que valia e tem uma dívida quatro vezes maior". É preciso ter um debate muito consistente, que não omita da sociedade o que houve, efetivamente."

Campos também criticou a condução da crise, por parte do governo e do conselho de administração da empresa. "A gente não pode achar que a saída de uma pessoa pode resolver um problema que é mais complexo", comentou, sobre a demissão do diretor financeiro da BR Distribuidora, Nestor Cerveró. "A gente não pode achar que agora está tudo normal. É fundamental o esclarecimento sobre essas questões."

Apesar da suspeita, o governador pernambucano disse considerar ser "cedo" para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as ações da empresa. "Vários parlamentares da bancada do PSB já assinaram o pedido de criação da CPI, mas nós, da direção partidária, achamos que temos de ter tranquilidade para cumprir as etapas necessárias. Isso para que, depois, não venham fazer leituras equivocadas, de que estamos nos valendo (politicamente) de uma situação de constrangimento do governo, mesmo que tenha sido gerada pelo próprio governo."

O PSB, de Eduardo Campos, é um dos partidos que pediu a convocação da presidente da Petrobrás (Graça Foster) e do ministro das Minas e Energia (Edison Lobão) para prestar os esclarecimentos necessários ao Congresso. "É necessário primeiro ver a etapa das convocações, ver os esclarecimentos prestados, para que a bancada do PSB possa tomar uma posição", explicou. "Se os esclarecimentos forem insuficientes, não teremos problema em decidir formalmente, pela direção do partido, pela criação da CPI."

Segundo Campos, é necessário "cuidado" na condução dos processos de investigação, para não prejudicar a empresa. "Minha preocupação, neste momento, é não deixar a Petrobrás vulnerável, é preservar a empresa por tudo o que ela significa para o Brasil e para a economia brasileira", observou. "A gente tem esse tipo de preocupação, que não haja uma disputa política sobre o tema."

13 de mar. de 2014

Eduardo Campos põe as mangas de fora

BRASIL - Opinião - Eleição 2014
Eduardo Campos põe as mangas de fora
Eduardo Campos utiliza-se de frases de efeito para atrair aqueles que não estão satisfeitos com Dilma e não querem os tucanos de volta. Entrou num caminho sem volta quando disse, que "ninguém aguenta mais quatro anos de Dilma".

Foto: Eduardo Braga/SEI

Eduardo Campos disse também que Dilma estava de "aviso prévio", ou seja, a estada da presidenta no Palácio do Planalto estão com os dias contados.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Dora Kramer
Fonte: Estado de S. Paulo

O menos conhecido entre os postulantes à Presidência na eleição deste ano, o governador Eduardo Campos precisa virar notícia. O caminho mais curto é polemizar com quem já é notícia: a presidente Dilma Rousseff.

Independentemente de ela responder - o que provavelmente não fará -, os ataques diretos à presidente rendem espaço no noticiário político ao governador de Pernambuco e ajudam na identificação como candidato de oposição junto ao eleitorado.

Uma fórmula simples. Opção arriscada, diriam alguns, pois representa um caminho sem volta. Seria, se nessa altura Eduardo Campos ainda estivesse apostando em alguma forma de convivência com os ex-aliados do PT.

Não parece. Ou melhor: tudo indica que o governador agora atravessou mesmo o seu rubicão. Resolveu assumir de vez o papel de oposicionista sem adjetivos, dispensando até mesmo o estágio na ambiguidade que marcou a conduta dos candidatos do PSDB nas últimas eleições presidenciais.

Os tucanos primeiro ficaram com receio de se contaminar com os problemáticos índices de popularidade do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso e depois se conduziram com medo de se confrontar com o alto grau de popularidade de Luiz Inácio da Silva.

Não defenderam o legado de seus dois governos, viram o PT subtrair-lhes o patrimônio da estabilidade econômica e fizeram três campanhas presidenciais nas quais era complicado o eleitor perceber em que lado mesmo estavam os tucanos. Os discursos eram dúbios e os posicionamentos do partido nos Estados também.

Escolado nessas escapadelas - até porque Minas Gerais foi protagonista por três vezes de uma das mais evidentes -, o senador Aécio Neves quis acumular a candidatura com o posto de presidente do PSDB. Para controlar as alianças regionais do partido e evitar a formação de possíveis quintas colunas.

Voltando a Eduardo Campos, ele não pode dar-se ao luxo da dubiedade. Se não partir para o confronto, deixa esse espaço todo livre para o tucano Aécio. Além disso, fica eternamente na sombra do governismo federal e não trilha o caminho independente que pretende.

Nas últimas semanas fez duas frases de efeito citando nominal e diretamente a presidente da República. Na primeira, disse que ela estava de "aviso prévio". Ou seja, cumprindo seus últimos meses no cargo. Com isso, enfrentou logo um tema tabu, o de que Dilma está reeleita.

Pode até ser favorita, mas ele como adversário "à vera" precisa se comportar como quem tem chance de derrotá-la. A segunda frase de Eduardo Campos sinaliza a intenção de atrair a atenção dos descontentes com o desempenho e com a maneira de ser da presidente.

"O Brasil não aguenta mais quatro anos de Dilma", afirmou, numa oração de fácil compreensão e que se presta bem ao uso político da repetição de uma ideia força sem muita elaboração de conteúdo. Guardadas as proporções, é o que faz Lula.

Dessa fase de Campos não escapam os tucanos. Ontem entraram na roda por tabela, quando o governador acusou a presidente de "varrer para debaixo do tapete" as dificuldades da economia tal como fez Fernando Henrique antes da eleição de 1998. Assim, o candidato do PSB vai tentando não ficar a reboque de ninguém.

Avaliados os custos e os benefícios, digamos que não tem nada a perder. Pode ser visto como ingrato? Pode, mas quem o vê por essa ótica não vota nele, pois considera que seu compromisso com o PT deveria ser eterno.

Para isso, Eduardo Campos também tem resposta. Dirá que seu dever de lealdade começou e terminou com Lula. Dilma ele ajudou a eleger, não o contrário.

E o PT, quando o chamou de playboy mimado sem que Lula desautorizasse a declaração nem Dilma impusesse algum reparo, deu uma boa ajuda à decisão do governador de pôr as mangas formal e oficialmente de fora.

Para todos os efeitos, foi o governo quem começou.
*Alteramos o título, acrescentamos subtítulo, foto e legenda à publicação original