16 de ago. de 2009

Hamas extermina grupo opositor radical em Gaza

Hamas extermina grupo opositor radical em Gaza
Do confronto deflagrado na sexta-feira pelo menos 24 pessoas resultaram mortas, enquanto centenas ficaram feridas, algumas delas em estado grave

Foto: AP

O clérigo Abdul-Latif Moussa, líder do grupo ultra radical Jund Ansar Allah, morto durante ataque dos Hamas

Fontes: BBC Brasil, AFP, O Globo, G1

O Hamas afirmou, no dia seguinte, sábado, que restaurou a ordem e retomou o controle no sul da Faixa de Gaza depois de um confronto com um grupo que qualificou como “radical islâmico”.

Imaginemos o tamanho desse radicalismo que faz o Hamas considerá-los radicais, apesar de islâmico.

Pelo menos 24 pessoas morreram na sexta-feira, quando o Hamas lançou a ofensiva contra o grupo radical Jund Ansar Allah, que havia declarado um "emirado islâmico" na região, desafiando a autoridade do Hamas, que controla o território de 1,5 milhões de habitantes desde junho de 2007, com isso decretou a sua pena de morte e fim do grupo.

O clérigo Abdul-Latif Moussa, não quis se entregar e morreu ao detonar os explosivos que levava em um cinto durante o confronto, matando o policial do Hamas que tinha sido enviado para prendê-lo.

O confronto aconteceu em uma mesquita de Rafah, (na foto com marcas do ataque) perto da fronteira com o Egito, durou cerca de sete horas e acabou por volta da meia-noite na sexta-feira. O Hamas também invadiu a casa de Moussa.

Entre os mortos, há seis membros do Hamas, incluindo um alto comandante, Mohamed al-Shamali, e um civil. O restante dos mortos seriam membros do Jund Ansar Allah.

Cerca de 120 pessoas ficaram feridas, algumas delas com gravidade, o que pode elevar ainda mais o número de mortos.

Acredita-se que o grupo Jund Ansar Allah (Guerreiros de Alá) seja ligado à Al-Qaeda.

O grupo Jund Ansar Allah ficou conhecido há dois meses quando tentou realizar um ataque contra soldados israelenses em Gaza.

Acredita-se que a organização seja bastante crítica ao Hamas, que controla a Faixa de Gaza, acusando o grupo de não adotar posturas que sigam de maneira estrita a lei islâmica.

O chefe do governo do Hamas em Gaza, Ismail Haniya, negou que existam militantes estrangeiros armados no território. Israel alega que veteranos dos conflitos no Afeganistão e no Iraque buscam agora levar a ideologia da Al-Qaeda para terras palestinas.

Foto: Reuters

A residência de o líder Abdul-Latif Moussa, foi atacada com armas pesadas, onde provavelmente morreu quando acionou o cinturão de explosivos transformando-se num homem bomba

O Hamas já desbaratou outros grupos inspirados na rede Al-Qaeda no passado, mas teme que outros militantes extremistas se dirijam à região, o que fez com que a entrada de pessoas armadas que não pertençam ao Hamas tenha sido proibida em Gaza. 

Apesar da superioridade numérica e militar, o Hamas, sabe que não tem o controle total da situação, da forma que declara, pois nesse tipo de conflito, um só radical é capaz de fazer grandes estragos.

Por exemplo um grupo de Gaza pró-Al Qaeda ameaçou em seu site explodir ministérios, prédios e mesquitas do Hamas como vingança pelos confrontos com a organização Jund Ansar Allah e pela morte do líder desse movimento, o xeque Abdel-Latif Moussa.

Foto: Reuters

Alguns dos mortos no conflitos, enfileirados na Mesquita de Rafah, antes dos funerais

O autodenominado Syuf al-Haq al-Islamiye (As Espadas da Justiça Islâmica) saiu em defesa de seus companheiros jihadistas e afirmou que o conflito "não terminou".

O grupo pede aos seguidores para se manterem "afastados das mesquitas onde vão os infiéis de Ismail Haniyeh (chefe do Governo do Hamas em Gaza), ministros e deputados desse Executivo que legisla contra a vontade de Alá".

Os jihadistas pedem também aos habitantes de Gaza, controlada pelo Hamas desde junho de 2007, para evitar a área do Parlamento e os tribunais militares porque estão entre os alvos de sua anunciada vingança.

Rafah, onde ocorreu o conflito, é o reduto na Faixa de Gaza do movimento salafita, que tem uma ideologia ligada à rede terrorista Al-Qaeda de Osama Bin Laden.

Estes incidentes foram os mais violentos em Gaza desde a operação militar lançada por Israel contra o empobrecido território entre dezembro do ano passado e janeiro, que tinha como objetivo acabar com os disparos de foguetes do Hamas contra o Estado hebreu. Na ofensiva, de três semanas, morreram 1.400 palestinos.

Foto: AP

As tropas regulares que fazem a segurança do território dominado pelo Hamas, patrulham nas áreas próximas ao local onde se realizam os funerais

O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, tentou negar a existência do grupo salafita.

O Hamas assumiu o poder em Gaza em junho de 2007, após uma semana de combates contra as forças do movimento Fatah. A autoridade Nacional palestina presidida atualmente por Mahmoud Abbas, desde então, governa apenas a Cisjordânia.

O movimento islamita Hamas é considerado um grupo terrorista por Estados Unidos e Israel, que mantém um bloqueio ao território. No entanto, é considerado moderado pelo Jund Ansar Alá, que defende a aplicação estrita da sharia, a lei corânica.


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