27 de set de 2013

‘The Economist’: com economia sem rumo, eleitores brasileiros tem poucas razões para reeleger Dilma

BRASIL - Economia
‘The Economist’: com economia sem rumo, eleitores brasileiros tem poucas razões para reeleger Dilma
Segundo a reportagem, da revista britânica Economist a presidente Dilma Rousseff tem sido incapaz de enfrentar os problemas estruturais do país e interfere mais que o antecessor na economia, o que tem afugentado os investidores estrangeiros para longe de projetos de infraestrutura e minado a reputação conquistada a duras penas pela retidão macroeconômica, dos tempos de FHC.

Reprodução detalhe do site da The Economist

O Brasil estragou tudo? - Desde 2011, o Brasil conseguiu apenas um crescimento anual de 2%. Seus cidadãos estão descontentes - em julho, eles foram às ruas para protestar contra o alto custo de vida, serviços públicos deficientes e a corrupção dos políticos", informa a revista

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, Veja, Jornal do Brasil, The Economist, The Economist , Terra

Em reportagem especial de 14 páginas, a revista britânica The Economist aponta os erros cometidos pela administração da presidente que fizeram o Brasil desapontar o mercado e perder credibilidade.

De um foguete, representado pelo Cristo Redentor, que apontava para o alto, imponente, na capa de 2009, para uma aeronave desgovernada nos céus, perto de colidir com o Corcovado, na capa atual. Essa é a comparação feita pela revista britânica The Economist ao tratar da evolução do Brasil nos últimos quatro anos. A publicação, de grande credibilidade entre os que atuam no mercado financeiro, na edição distribuída na América Latina questiona se o Brasil, de fato, "estragou tudo", depois de ter sido, por um breve período, a estrela dos emergentes.

Segundo a reportagem, a presidente Dilma Rousseff tem sido incapaz de enfrentar problemas estruturais do país e interfere mais que o antecessor na economia, o que tem assustado investidores estrangeiros para longe de projetos de infraestrutura e minado a reputação conquistada a duras penas pela retidão macroeconômica. A The Economist é categórica ao afirmar: "até agora, eleitores brasileiros têm poucas razões para dar a Dilma um segundo mandato".

O especial de quatorze páginas sobre a economia brasileira é assinado pela jornalista Helen Joyce, correspondente da revista no Brasil.

“A economia estabilizada no governo de Fernando Henrique Cardoso, em meados da década de 1990, acelerou-se e no governo de Luiz Inácio Lula da Silva no início de 2000. E, após ter quase tropeçado, após o colapso do Lehman, em 2008 (fala do estouro da bolsa imobiliária americana) em 2010 cresceu 7,5%, seu melhor desempenho em um quarto de século. Para aumentar a magia, o Brasil foi premiado tanto da Copa do Mundo de futebol do próximo ano e no verão Olimpíadas de 2016. Com a força de tudo isso, Lula convenceu os eleitores no mesmo ano para escolher como presidente sua protegida tecnocrática, Dilma Rousseff”.


As duas capas, 2009 Cristo Redentor decolando, 2013, sem rumo

VOO DE GALINHA - Desde então, o país voltou para a terra aos solavancos. Em 2012, a economia cresceu 0,9%. Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas em junho nos maiores protestos de uma geração, reclamando dos altos custos de vida, serviços públicos deficientes e a ganância e a corrupção dos políticos. Muitos já perderam a fé na ideia de que seu país estava indo para a órbita e diagnosticada apenas outro Voo de galinha, como eles batizaram surtos econômicos de curta duração anteriores”- assevera a revista no inicio da reportagem.

Em 2009, em meio à crise econômica mundial, a revista fez também um especial de quatorze páginas para ressaltar os anos de bonança do país, reproduzindo a imagem do Cristo decolando como se fosse um foguete. À época, a economia brasileira patinava, ainda sofrendo o impacto da turbulência nos Estados Unidos. Contudo, indicadores macroeconômicos estáveis acabaram contando mais, para a Economist, do que a retração econômica de 2009, de 0,2%.

Para a revista, a falta de ação do governo Dilma é a principal razão para o chamado "voo de galinha" do país, jargão usado para denominar situações em que países ou empresas têm um crescimento disparado, mas que não se sustenta. "A economia estagnada, um estado inchado e protestos em massa significam que Dilma Rousseff deve mudar de rumo", informa a publicação.

INVESTIMENTOS TIPO BIQUINI - Apesar das dimensões continentais do país e uma malha viária precária, os gastos do país com infraestrutura são tão acanhados como um biquíni. O Brasil gasta apenas 1,5% do PIB em infraestrutura, em comparação com uma média global de 3,8%, apesar de sua infraestrutura representar apenas 16% do PIB, em comparação com 71% em outras grandes economias.

As deficiências de infraestrutura adiciona custos desnecessários para as empresas. Um agricultor do Mato Grosso, produtor de soja, gasta 25% do valor do produto, no transporte, quando um produtor americano de Iowa, tem uma despesa que representa apenas 9%.

O texto reconhece que outros emergentes também desaceleraram após o boom que teve o auge em 2010 para o Brasil. "Mas o Brasil fez muito pouco para reformar seu governo durante os anos de boom", diz a revista. Um dos problemas apontados pela reportagem é o setor público, que "impõe um fardo particularmente pesado para o setor privado".

Um dos exemplos é a carga tributária que chega a adicionar 58% em tributos e impostos sobre os salários. Esses impostos são destinados a prioridades questionadas pela Economist. "Apesar de ser um país jovem, o Brasil gasta tanto com pensões como países do sul da Europa, onde a proporção de idosos é três vezes maior", diz o texto que também lembra que o Brasil investe menos da metade da média mundial em infraestrutura.

PROBLEMAS ANTIGOS - A publicação reconhece que muitos desses problemas são antigos, mas Dilma Rousseff tem sido "relutante ou incapaz" de resolvê-los e criou novos "interferindo muito mais que o pragmático Lula". "Ela tem afastado investidores estrangeiros para longe dos projetos de infraestrutura e minou a reputação conquistada a duras penas pela retidão macroeconômica, induzindo publicamente o presidente do Banco Central a cortar a taxa de juros. Como resultado, as taxas estão subindo, atualmente, mais para conter a inflação persistente", diz o texto.

"A dívida bruta subiu para 60% ou 70% do PIB - dependendo da definição - e os mercados não confiam na senhora Rousseff", completa o texto. A Economist chega a ironizar, chamando a presidente de "Dilma Fernández", que é o sobrenome de Cristina Kirchner, presidente da Argentina.

Apesar das críticas, a revista demonstra otimismo com o futuro a longo prazo do Brasil. "Felizmente, o Brasil tem grandes vantagens. Graças aos seus agricultores e empresários eficientes, o país é o terceiro maior exportador de alimentos do mundo", diz o texto, que menciona também o petróleo da camada pré-sal.

A publicação elogia ainda a pesquisa em biotecnologia, ciência genética e tecnologia de óleo e gás em águas profundas. Além disso, lembra que, apesar dos protestos populares, o Brasil "não tem divisões sociais ou étnicas que mancham outras economias emergentes, como a Índia e a Turquia".

Foto: Veja

A Economist afirma que a maior vantagem da Dilma é uma oposição fraca e fragmentada. Mais preocupante do que a oposição é fogo amigo. A maioria dos partidos que integram a coalizão só quer ficar no poder. Se sua candidatura apresentar qualquer risco de fracasso, os aliados vão pular do barco sem hesitação.

Ela não conta nem com a lealdade de seu próprio partido. Eles a aceitaram porque ela era a escolha e de Lula, e porque todos os candidatos óbvios foram atingidos pelo escândalo de corrupção que envolveu o governo anterior. Muitos do partido gostaria de ver o retorno de Lula. Ele provavelmente iria angariar mais votos do que Dilma Rousseff. Mas desde que saiu, ele já disse inúmeras vezes que não quer concorrer novamente. Apenas um colapso total na popularidade de Dilma o faria mudar de idéia. O que ainda parece improvável, mas não é inimaginável.

A revista diz que a presidente Dilma ainda teria tempo para começar reformas necessárias, fundindo ministérios e cortando gastos públicos, caso esteja disposta a colocar a "mão na massa". "Mas, diante do atual cenário, ainda que a presidente esteja com foco no possível segundo mandato, os "eleitores brasileiros têm poucas razões para dar a ela a vitória". - concluiu The Economist.


A presidente Dilma retomou sua conta oficial no Twitter para rebater a publicação inglesa:
"Eles (The Economist) estão desinformados. O dólar estabilizou, a inflação está sob controle e somos o único grande país com pleno emprego". "Somos a terceira economia que mais cresceu no mundo no segundo trimestre. Quem aposta contra o Brasil, sempre perde", acrescentou Dilma, tuitando.

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