8 de jun de 2013

Vai ser pedida extradição de israelita condenado por trafico de órgãos humanos em Pernambuc0

BRASIL - ITÁLIA - Pernambuco
Será pedida extradição, para o Recife, do major israelense, traficante de órgãos, preso em Roma
Gedalya Tauber, ex-oficial do exército de Israel, foi preso no aeroporto de Roma, na Itália. Contra ele havia um mandato de prisão internacional expedido pela Interpol. Ele foi condenado, a 11 anos e nove meses de prisão, por ter aliciado, entre 2002-2003, cerca de 30 moradores de áreas pobres do Recife, a doarem rins, mediante pagamento

Foto: Ansa/Corriere Adriatico

Gedalya Tauber, o traficante de órgãos, prisão no aeroporto Leonardo da Vincci, em Roma

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1 - PE, Diario de Pernambuco, Corriere della Sera, La Repubblica, Il Messaggero,
Polícia Federal

O superintendente da Polícia Federal em Pernambuco, Marcelo Diniz Cordeiro, afirmou nesta sexta-feira (7) que o governo brasileiro vai pedir a extradição do ex-oficial do exército israelense, Gedalya Tauber, major da reserva, preso nesta quinta-feira (6), na Itália, condenado por liderar uma quadrilha de tráfico de órgãos com atuação em bairros pobres do Recife.

Gedalya Tauber, de 77 anos, acabou preso no aeroporto Leonardo da Vincci, em Fiumicino, Roma, quando tentava entrar na Itália vindo de Boston, nos Estados Unidos.

Os policiais da aduana italiana desconfiaram da legitimidade do passaporte apresentado pelo israelense e ao fazerem uma pesquisa na base de dados da Interpol, descobriram que o ex-oficial era procurado em todo o mundo desde 2009.

Tauber estava em liberdade condicional quando conseguiu o benefício de viajar a Tel Aviv, Israel, sua terra natal, com o compromisso de voltar.

Seu bom comportamento carcerário e com a pena quase cumprida, fez com que o juiz das execuções penais, permitisse que ele viajasse. Como não retornou no prazo previsto, teve o livramento condicional revogado e a prisão decretada em 29 de outubro de 2010 pelo juiz Abner Apolinário da Silva. Desde então, estava sendo procurado em todo o mundo, inclusive pela Interpol.

Depois de ser preso pela primeira vez, em Recife, Gedalya passou por várias unidades prisionais até ir parar na Penitenciária Agro-industrial São João, em Itamaracá, em março de 2007, quando obteve a progressão de regime para o semiaberto.

Foto: Alejandro Zambrana/Esp.DP/D.A Pr

Tauber , em 2003, quando da sua prisão no Recife

Em dezembro do mesmo ano, conseguiu a liberdade condicional, o que o obrigava a se apresentar à Justiça uma vez no mês. Inicialmente condenado a uma pena de 11 anos e nove meses, Gedalya conseguiu a comutação (redução) da pena em novembro de 2008 para oito anos e nove meses.

A organização criminosa que Tauber liderava aliciou, a partir de 2002, entre 30 a 47 moradores de áreas carentes da capital pernambucana para venderem seus próprios órgãos.

Os principais jornais italianos noticiaram a prisão, porém, informaram aos seus leitores, que o israelense havia sido condenado a prisão perpétua no Brasil, na verdade não existe a pena de prisão perpétua, no Brasil.

A quadrilha a qual ele fazia parte terminou sendo desarticulada pela Operação Bisturi, realizada entre março e dezembro de 2003. Ao todo, 34 integrantes da quadrilha foram condenadas, sendo 12 no Brasil, duas em Israel e 20 na África do Sul.

Na maioria dos casos, as pessoas doavam os rins, que podiam render entre US$ 6 a US$ 12 mil dependendo da idade do doador e das condições do órgão. As pessoas eram levadas a um hospital em Durban, na África do Sul, onde retiravam os órgãos e os transplantavam em outra pessoa.

Durante as investigações, constatou-se que Gedalya Tauber era o chefe da organização criminosa, responsável pelo suporte econômico da quadrilha trazendo dinheiro para o Brasil para a cooptação das vítimas, pagando pelos órgãos e pelas despesas médicas, viagens, hospitais, etc.

Foto: Reprodução

Um dos “doadores”, no aeroporto da Africa do Sul

Os órgãos, quase em sua totalidade rins, eram oferecidos para pacientes de Israel e África do Sul, no intuito também, de aplicar um golpe no sistema de saúde de Israel, que indenizava cada cirurgia com o valor de U$ 150 mil dólares.

As pessoas que faziam a cirurgia, instruídas pela quadrilha, assinavam uma declaração afirmando que a pessoa que receberia o órgão era seu parente. Após recebimento dos valores a quadrilha pagava o dinheiro pertinente à pessoa que se submetia a intervenção cirúrgica para retirada do órgão (valores que oscilava de R$ 5 mil a R$ 30 mil) e dividia o restante com todos os integrantes da quadrilha que chegava a ser vinte vezes mais do que os brasileiros recebiam.

Detalhe da imagem do site do jornal "La Republica"

Site do jornal italiano "La Repubblica", noticiando a prisão

No Recife, o esquema era comandado por Ivan Bonifácio, conhecido com capitão Bonifácio, condenado a dez anos de reclusão, e sua esposa Eldênia de Souza, condenada a quatro anos e sete meses. O casal agia junto com o doutor José Sílvio Bourdoux, capitão médico da Polícia Militar, condenado a sete anos e quatro meses de reclusão, que utilizava seu consultório para emitir as solicitações de exame a respeito da compatibilização com o recebedor do transplante.

Ao final do processo foram condenadas 12 pessoas no Brasil (aliciadoras), duas em Israel (responsável pelo fraude no Sistema de Saúde para realização das cirurgias) e 20 na África do Sul (médicos e enfermeiras que realizavam as cirurgias).

Durante as investigações, foi detectada a ida de 47 pessoas para o Hospital Sant Agostini em Durban, na África do Sul. Embora no processo criminal, conste apenas 19 “doadores”, por falta de provas, nos outros casos.

O esquema criminoso começou a ruir, quando alguns “doadores” descobriram que haviam recebido quantias bastante inferiores, a outros, pela “doação”. Sentindo-se burlados queixaram-se à policia.

Estima-se que aproximadamente U$ 4 milhões de dólares foram movimentados pela quadrilha.

Não tivesse fugido, Tauber, que estava em liberdade condicional, com direito até de fazer uma viagem internacional, já teria cumprido à sentença, e não teria mais nenhuma conta a prestar à justiça brasileira. Quebrada a condicional, voltará ao regime fechado por pelo menos três anos.


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