17 de jun de 2013

Arena Pernambuco: vexame anunciado

BRASIL – Pernambuco – Copa das Confederações
Arena Pernambuco: vexame anunciado
A Arena Pernambuco está a 22 quilômetros do Recife, a questão é como levar 42 mil pessoas para um mesmo ponto da cidade e depois trazê-las de volta num tempo razoável. O transporte público afunilou, não se tem acesso com veículos particulares por falta de estacionamento. As estradas no entorno ainda estão em construção e mal sinalisadas. Graças a Deus, não houve acidentes, nem danos, só decepção.

Foto: Lorena Aquino/G1

Torcedores enfrentaram tumulto na Estação Cosme e Damião

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, Fox Sports, G1

Os torcedores que foram assistir ao primeiro jogo da Copa das Confederações na Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, Grande Recife, não pouparam críticas sobre o acesso ao estádio, que fica a 19 quilômetros da capital pernambucana.

A partida entre Espanha e Uruguai terminou às 20h56 do domingo (16), e às 23h, mais de duas horas após o apito final, ainda tinha gente tentando sair do local. Muitos, que já tinham enfrentado problemas no trajeto de ida, resolveram deixar o campo antes do início do segundo tempo, temendo mais tumulto na volta. Outros só saíram do estádio quase uma hora após o fim da partida e, mesmo assim, tiveram dificuldade para voltar para casa. O público do jogo foi de 41.705 torcedores.

Foto: Lorena Aquino/G1

Engarrafamento na BR-232, no Recife, a caminho da Arena Pernambuco

Os problemas não foram surpresas. A dois dias do jogo, o site da BBC Brasil, estampava uma manchete preocupante: Copa das Confederações expõe 'falta de planejamento' em RecifeNa reportagem a correspondente, Camilla Costa previa o vexame, dizendo que a “estreia oficial de Recife na Copa das Confederações, que sedia neste domingo o terceiro jogo do torneio, entre Espanha e Uruguai, expõe alguns dos principais problemas e lacunas no planejamento urbano da cidade – uma das mais atrasadas nos preparativos para o Mundial de 2014”.

”O início da partida está previsto para ocorrer às 19h (horário de Brasília) na Arena Pernambuco, que, ao contrário de outras cidades-sedes da competição, está localizada em um município vizinho, São Lourenço da Mata, a cerca de 20 quilômetros do centro da capital pernambucana”.

Essa é a Praça Esportiva mais distante de um centro urbano do mundo.

Adiante ela comenta que a chegada das seleções da Espanha e do Uruguai, na quarta-feira, foi marcada por engarrafamentos, protestos e acidentes que causaram transtorno para os moradores e para as equipes, que tiveram dificuldades para treinar, por causa das chuvas e do trânsito.

Lugano: "Somos uruguaios e estamos acostumados com coisa muito pior do que isso. A nossa surpresa foi por não ter o mínimo. Queremos um campinho de treinamento perto do hotel, só isso"
Noutra matéria o site da Fox Sports comenta a insatisfação da equipe do Uruguai com a infraestrutura e organização da competição.

Na quinta-feira à noite, após chegar a Pernambuco, os uruguaios não conseguiram treinar por causa do estado em que as fortes chuvas deixaram os gramados dos centros de treinamento locais.

No dia seguinte, a seleção chegou ao CT (Centro de Treinamento) do Sport de Recife depois de uma hora no trânsito, prejudicado por obras de última hora no trajeto. Na BR-101, trabalhadores tapavam buracos e corrigiam falhas no asfalto e no acostamento.

O Centro de Treinamento do Sport fica a 18 quilômetros do local em que os jogadores estão hospedados, em Recife.

Na entrevista coletiva desta sexta-feira, o zagueiro e capitão do Uruguai, Diego Lugano, soltou o verbo e falou sobre a organização da Copa das Confederações:

"A distância entre hotel e campo é de quase uma hora e meia para ir, e leva o mesmo tempo para voltar. A gente não tinha previsto essas coisas. Cansa muito. São coisas para melhorar".

"Viemos aqui com muita alegria e vontade de somar. Mas o básico para o elenco de futebol é ter um campinho em boas condições e relativamente perto do hotel. Somos gente muito simples, não quero hotel cinco estrelas, melhor comida, nem ser tratado como V.I.P. no aeroporto. Só quero um campo perto do hotel, que é o básico. Que isso possa ser arrumado para as próximas vezes", disse o zagueiro, que deixou claro que estava fazendo criticas construtivas.

Foto: Alexandre Morais/G1

Bergson Souza e Millena Rocha ficaram decepcionados com o transporte e o serviço no estádio. Eles estão pensando em vender os ingressos já comprados para o segundo jogo no local, entre Itália e Japão, na próxima quarta-feira (19)

No site G1, há vários depoimento de torcedores frutados ou revoltados com a experiência de ter tentado assistir, neste domingo, o jogo Espanha X Uruguai, na Arena Pernambuco:

O Expresso Torcida foi um serviço idealizado pelas prefeituras do Recife e Jaboatão dos Guararapes, onde os torcedores deixavam os carros em shoppings dos municípios e pegavam um ônibus expresso até estações de metrô. A população reclamou principalmente das filas para conseguir pagar e tirar a pulseira que dava acesso à viagem.

O engenheiro Bergson Souza e a contadora Millena Rocha decidiram deixar o estádio logo após o começo do segundo tempo. “A Arena tá bonita, o espetáculo é lindo, mas há uma série de gargalos. Para ir ao estádio, levamos quatro horas da estação Cajueiro Seco até a Cosme e Damião. Essa última tem um grande problema que é a escada. Ela é muito estreita para passar tanta gente. É impossível. O povo não conseguia descer e, com isso, se aglomerava na plataforma do metrô. Não queremos passar por isso na volta para casa e saímos antes. Estou decepcionado”, lamentou.

"Saímos do estádio antes do gol do Uruguai, mas ao ver a fila do ônibus que levava até a estação Cosme e Damião, decidimos voltar e esperar. [A fila] estava parada, não andava", disse o torcedor Rodrigo Leite. Ele estava acompanhado da esposa Ana Cláudia e da amiga Mariana Serpa. "Sem falar que as divisórias da fila atrapalharam bastante a saída", acrescentou.

Foto: Lorena Aquino/G1

Torcedores deixam o estádio antes do fim do jogo para tentar fugir do tumulto na volta para casa

Antes de chegar no ponto dos ônibus circulares, era possível ver grades das divisórias derrubadas no chão, o que tumultuou a fila quilométrica. Exaustos, alguns torcedores sentaram em um barranco às margens da Arena para esperar a multidão diminuir.

Foto: Luna Markman/G1

Torcedor Zé Mário pagou R$ 228 pelo ingresso e diz dinheiro foi jogado no lixo

O empresário Gustavo Jácome, 35 anos, também desistiu de ver o jogo até o fim. “Trouxe meu filho Vítor, de 4 anos, mas estou voltando para casa mais cedo porque a viagem foi péssima na vinda. Não quero passar sufoco na volta”, argumentou.

Problemas também dentro do estádio: o produtor de eventos Zé Mário pagou R$ 228 pelo ingresso e acredita ter jogado o dinheiro no lixo. Ele saiu da Arena aos 42 minutos do primeiro tempo. "A fila do bar era grande, não consegui comprar nada e estou morrendo de fome. Depois, quero evitar a confusão na volta, com toda aquela gente no metrô. Na ida, saí do Shopping RioMar e passei duas horas para chegar aqui", contou.

Foto: Lorena Aquino/G1

Muita gente resolveu parar e esperar em vez de enfrentar multidão para voltar à estação Cosme e Damião

O médico Alexandre Borges estava irritado com os serviços prestados na Arena, de onde saiu no intervalo da partida. "Cheguei às 16h30, justamente para não enfrentar a multidão, mas os portões não estavam abertos como prometido. Peguei chuva no local da arquibancada aonde eu estava, a fila do bar estava grande, os banheiros sujos, então resolvi ir embora logo", reclamou.

Na sexta (14), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Pernambuco, já havia entrado com representação no Procon estadual contra a Fifa. O motivo foi a queixa de um grupo formado por 30 torcedores que adquiriram ingressos para os jogos e reclamaram da localização dos assentos especificado nos bilhetes. "Todas as queixas têm relação com a aquisição de ingressos. A Fifa dividiu as arquibancadas em quatro categorias e não especificou claramente em que área ficariam", afirmou o presidente da OAB-PE, Pedro Henrique Reynaldo Alves.

Foto: Luna Markman/G1

Terminal de ônibus Cosme e Damião ficou sem luz das 20h28 e 20h46

O terminal de ônibus da Estação Cosme e Damião, onde paravam os circulares trazendo os torcedores da Arena Pernambuco, ficou sem energia durante 18 minutos, entre 20h28 e 20h46. No local, os coletivos chegavam em intervalos de até 2 minutos, sempre lotados. Muitos torcedores desembarcaram às pressas.

“É o medo de perder o próximo trem e pegar outro muito lotado”, disse uma das passageiras.

A estreita escada da Estação Cosme e Damião, que leva até a plataforma de embarque, também atrapalhou a volta para casa.

Fizeram um estádio no meio do nada, e pouco fizeram, ou fizeram o insuficiente para que chegue a ele. Vai ser uma dor de cabeça a cada partida.


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