6 de jun de 2013

Defesa de Thor Batista, filho do bilionário Eike Batista, recorre da condenação por homicídio culposo

BRASIL - Justiça
Defesa de Thor Batista, filho do bilionário Eike Batista, recorre da condenação por homicídio culposo
A juíza Daniela Barbosa de Souza diz na sentença que condenou Thor teve conduta imprudente ao volante e estava em altíssima velocidade quando atropelou Wanderson Pereira dos Santos. O filho do empresário Eike Batista atropelou e matou um ciclista em 2012. Thor já tinha cometido nove infrações de trânsito, sete por excesso de velocidade.

Foto: Jadson Marques/R7

Thor Batista na 61º DP, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense (RJ), quando prestou depoimento sobre acidente que matou o ciclista na Rio-Petrópolis, na noite do dia 17 de março

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Terra, Bom Dia Brasil.,

A defesa de Thor Batista, filho do empresário Eike Batista, vai recorrer da condenação por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Thor atropelou um ciclista em 2012.

Pela sentença, Thor Batista vai ter a carteira de habilitação suspensa e não poderá dirigir por dois anos. A pena de detenção, também de dois anos, foi convertida em prestação de serviços comunitários, de preferência em instituições voltadas para a recuperação de vítimas de trânsito.

A juíza Daniela Barbosa de Souza determina ainda que o filho mais velho do empresário Eike Batista e da ex-modelo Luma de Oliveira pague R$ 1 milhão, que deverá ser usado na reabilitação de vítimas de acidentes de automóvel.

Fotos: Nicson Olivier/Folhapress

A Mercedes-Benz SLR McLaren de Thor Batista, danificada do choque com o ciclista.


A exclusiva placa EIK- 0063

No dia 17 de março de 2012, o filho de Eike voltava de Petrópolis em seu Mercedes-Benz SLR McLaren prata, quando atingiu o ajudante de caminhão Wanderson Pereira dos Santos, que trafegava de bicicleta.

No dia 17 de março de 2012, o filho de Eike voltava de Petrópolis em seu Mercedes-Benz SLR McLaren prata, quando atingiu o ajudante de caminhão Wanderson Pereira dos Santos.

De acordo com a denúncia, Thor agiu de forma imprudente ao dirigir o veículo em velocidade incompatível com a pista, conforme laudo pericial. Foi demonstrado que o veículo trafegava pelo menos a 135 Km/h, enquanto a velocidade máxima permitida no trecho é de 110 Km/h.

Ainda segundo a denúncia, Thor ultrapassou um ônibus da empresa pela faixa da direita e, em seguida, momentos antes de atingir a vítima, repetiu a manobra irregular ao ultrapassar outro carro. Thor estava habilitado para dirigir desde dezembro de 2009.

Foto: Nicson Olivier/Folhapress

Destroços da bicicleta da vítima, atiradas longe pelo impacto

O Instituto Médico Legal (IML) apontou que o ciclista havia ingerido bebida alcoólica antes do acidente: foi detectada concentração de 15,5 dg/l (decigramas por litro) de álcool no sangue da vítima.

A perícia listou seis indicadores que atestariam a velocidade mínima de 135 km/h da Mercedes no momento do atropelamento: a violência com que o pé da vítima foi amputado pelo impacto; a grande distância percorrida pelo corpo após a colisão; o carro ter parado alguns metros à frente da vítima; a bicicleta ter sido encontrada quase em frente ao corpo da vítima, mas no lado oposto da pista; os dados técnicos do veículo; e "a aplicação das leis físicas oriundas da mecânica newtoniana".

De acordo com a denúncia, Thor agiu de forma imprudente ao dirigir o veículo em velocidade incompatível com a pista, conforme laudo pericial. Foi demonstrado que o veículo trafegava pelo menos a 135 Km/h, enquanto a velocidade máxima permitida no trecho é de 110 Km/h.

De acordo com a sentença, Thor Batista foi imprudente e dirigia em alta velocidade no momento do acidente. Segundo a juíza, isso foi determinante para a morte da vítima.

A sentença destacou ainda que Thor já tinha cometido nove infrações de trânsito, sete por dirigir acima da velocidade permitida, e que durante o interrogatório, Thor afirmou que as multas não eram problema dele, mas sim de alguma secretária. Bastava pagar e pronto.

Os advogados de Thor Batista disseram que vão recorrer da sentença, e que nada do que a juíza determinou será efetivado enquanto houver recurso.

Foto: Marcia Foletto/ Agência O Globo

FAMÍLIA Maria Vicentina Pereira (esquerda), tia e mãe adotiva de Wanderson Pereira dos Santos e Andreia Pereira da Silva, prima dele. Famíliares receberam de Thor, um milhão, antes da sentença, agora querem mais

FAMÍLIA DE VÍTIMA, THOR E EIKE SERÃO INVESTIGADOS

Além da condenação, a juíza determinou também o envio de peças do processo ao Ministério Público (MP), para que a promotoria investigue Marcio Tadeu Rosa Silva - amigo da família da vítima -, Eike Batista, Thor, e também Maria Vicentina Pereira e Cristina dos Santos Gonçalves- familiares de Wanderson.

Todos os investigados fazem parte de um acordo que deu ao bombeiro Marcio Tadeu a quantia de R$ 100 mil a título de compensação “pelo auxílio e consolo à família da vítima”.

Thor pagou para Maria Vicentina Pereira e Cristina dos Santos Gonçalves - a mãe e a companheira de Wanderson - R$ 1 milhão, em um acordo. O valor foi dividido em duas partes iguais, e cada uma deu R$ 50 mil a Marcio, por sua ajuda no momento do acidente, conforme contou o advogado Cleber Carvalho Rumbelsperger, que defende a família da vítima, ao Terra.

Em maio deste ano, Cleber afirmou que iria processar Thor por ter revelado o acordo. “Estava firmado no contrato, existe um valor a ser pago se isso (a confidencialidade) não fosse respeitado. O valor é de R$ 500 mil. (...) Por isso, vamos pedir o valor da multa prevista no contrato”, afirmou o advogado.

Além de pedir a execução da multa, o advogado da família da vítima afirmou que entraria com um processo por danos morais contra Thor. Segundo ele, após a divulgação do valor pago pelo filho do empresário Eike Batista Maria Vicentina e Cristina Gonçalves passaram a sofrer assédio de parentes e amigos.

“Muitos dizem ‘poxa, mas você disse que não ganhou nada’ e coisas desse tipo”, afirmou o advogado. Por conta das inúmeras ligações, a mãe da vítima deixou sua casa, de acordo com Cleber, e está na residência de parentes.

Em resumo, a defesa de Thor, comprou as testemunhas para não piorarem a situação do cliente, no processo, distribuiu uma grana preta com a família, para ficarem quietos. Não satisfeito, o advogado da família da vítima resolveu pegar mais uma grana do filho do milionário, uma discreta, disfarçada e leve extorsão. Eike Batista deve ter pisado em rastro de corno, ou seja, no próprio rastro.


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