5 de jun de 2013

Fantasma laranja, ligado ao deputado Garotinho, é dono de apartamento de luxo, na Barra

BRASIL - Corrupção
Fantasma laranja, ligado ao deputado Garotinho,
é dono de apartamento de luxo, na Barra
Polícia investiga caso do empresário que não existe e que tinha negócios milionários com o deputado federal e seu partido. Ninguém pode negar que foi o deputado Garotinho quem inventou o laranja fantasma milionário.

Foto: Agência Brasil

Garotinho diz que não conhece o fantasma e que vai mover ação judicial
contra o jornalista e a revista Época

Postado por Toinho de Passira
Texto de Hudson Corrêa , para a Revista Época
Fontes: Época, Blog do Garotinho, Porta da Polícia Civil - RJ, ”thepassiranews”

Delegacia Fazendária (Delfaz) da Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu inquérito para apurar quem está por trás de um empresário fantasma usado para desviar dinheiro público. Na manhã de segunda-feira (3), durante operação de busca e apreensão realizada como parte das investigações, a Delfaz fez uma descoberta inusitada. O fantasma aparece em certidões de cartório como dono do apartamento 402 em um dos prédios do Barra Golden Green, um dos condomínios mais caros do Rio de Janeiro, na praia da Barra da Tijuca, com direito a vista para o mar e campo de golfe. Um imóvel no local não sai por menos de R$ 3 milhões. ÉPOCA revelou o desvio contra o erário no fim do mês passado. George Augusto Pereira não existe, mas aparece como dono da GAP Comércio e Serviços Especiais, que embolsou milhões em verbas públicas. A empresa tem ligações com o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) e sua família.

Foto: Divulgação

Barra Golden Green, local onde fantasma ligado a Garotinho
possui apartamento avaliado em R$ 3 milhões

George surge como proprietário do imóvel em uma escritura de promessa de compra e venda datada de fevereiro de 2007. Até as contas de energia elétrica vinham em nome da assombração. Mas, no apartamento, em vez de George, os policiais civis encontraram o empresário Fernando Trabach Gomes, que comanda uma rede de postos de gasolina. ÉPOCA revelou que Trabach se fazia passar por George, inclusive em telefonemas com a reportagem. Ele também possui ligações, mesmo que indiretas, com Garotinho. O empresário prestou serviços para a campanha do PR no Rio em 2010, fornecendo combustível. O deputado é presidente estadual do partido e comanda a legenda com mãos de ferro, inclusive nas campanhas eleitorais.


Fim da Maioridade Penal

O fantasma George tinha uma carteira de identidade falsa, usada para abrir a GAP e movimentar contas bancárias, por onde passaram milhões em dinheiro público. A empresa foi contratada, em 2009, pela Prefeitura de Campos dos Goytacazes, cidade do norte fluminense administrada pela prefeita Rosinha Garotinho (PR), mulher do deputado. O contrato para aluguel de ambulâncias é totalmente fraudulento e deu prejuízo de R$ 32 milhões à prefeitura, segundo acusa o Ministério Público do Rio.

No apartamento do Golden Green, a Delfaz apreendeu quatro pen-drive e um laptop que estavam com Trabach, além de documentos. Também foram recolhidos computadores e uma grande quantidade de papéis na sede da GAP, que fica em Duque de Caxias, Baixada Fluminense. Atualmente, a empresa está em nome da mãe do empresário, Jacira Trabach Pimenta. A próxima etapa da investigação será a análise do material apreendido.

Garotinho se defende, afirmando que nunca conheceu George. O deputado diz que Trabach sempre se apresentou como o representante da GAP. “Os motivos para o senhor Fernando Trabach se passar por outra pessoa só ele poderá explicar à polícia”, escreveu em sua página na internet. Garotinho, porém, ainda não respondeu a uma série de perguntas sobre o caso, Trabach alega que também não sabia da fraude.

Sete perguntas para Garotinho responder
sobre o empresário fictício George Augusto Pereira

O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) ainda deve muitas explicações sobre sua relação com o empresário fantasma George Augusto Pereira dos Santos. ÉPOCA elaborou sete perguntas que o deputado não respondeu sobre o caso.

George Augusto Pereira nunca existiu, foi criado a partir de uma carteira de identidade falsa. Suas iniciais deram origem à GAP Comércio e Serviços Especiais, uma empresa com relações muito próximas a Garotinho e sua família. Graças a essas ligações, a GAP embolsou mais de R$ 32 milhões em contratos públicos. No raro momento em que veio a público se explicar, Garotinho disse que não sabia quem era George. Permanecem as seguintes dúvidas:


Fim da Maioridade Penal

1. Em junho de 2011, Wladimir Matheus, um dos filhos de Garotinho, emprestou um carro de luxo da GAP. O rapaz sofreu um acidente e destruiu o automóvel, um Ford Fusion modelo 2011, contra um muro. Logo depois, o fantasma George, ou melhor, alguém se fazendo passar por ele, deu uma entrevista a ÉPOCA. O falso George chamou Matheus de “um amor de pessoa”, demonstrou intimidade com o rapaz e disse que não cobraria o prejuízo com a perda total do carro, avaliado em R$ 80 mil. Por que Garotinho não procurou George, ao menos para saber quem era o empresário que elogiava tanto seu filho e poupava o rapaz de pagar o prejuízo com o carro?

2. Desde 2009, a GAP tem contrato milionário com a Prefeitura de Campos dos Goytacazes, cidade do norte fluminense. A prefeita é Rosinha Garotinho (PR), mulher do deputado e mãe de Matheus. Na semana passada, Garotinho disse à rádio CBN que seu filho fez mal ao emprestar o carro de uma empresa contratada pela prefeitura, por haver conflito de interesses. Por que, então, Garotinho não procurou George para cobrir o prejuízo com o carro destruído? Se há conflito de interesses só em emprestar um veículo, não existe conflito ainda maior em não ressarcir a empresa?

3. Na mesma época do acidente de Matheus, Garotinho alugava da GAP um Ford Fusion 2011 com verba da Câmara para transitar em Brasília. Ele diz que o carro destruído pelo filho não é o mesmo alugado pela Câmara. Mas se George não existe, quem assinou os recibos para comprovar a locação do veículo?

4. Entre 2009 e 2011, a GAP embolsou R$ 32 milhões da Prefeitura de Campos dos Goytacazes para alugar ambulâncias ao município. Ainda tem um contrato de R$ 15 milhões em vigor, totalizando R$ 47 milhões. Desde agosto de 2011, o Ministério Público do Rio afirma que a contratação foi totalmente fraudulenta. Por que, diante de uma acusação tão grave, a prefeitura não fez uma rigorosa auditoria na GAP? Por que a prefeitura não intimou George a se explicar sobre as acusações do Ministério Público?

5. No mês passado, ÉPOCA publicou que George já estava sendo investigado e que, pelo menos no papel, vendera a milionária GAP por apenas R$ 100 mil. Dois dias depois, Garotinho discursou no plenário da Câmara e disse que não havia irregularidades na contratação da empresa pela prefeitura de Campos, pois a GAP “ganhou licitamente a concorrência”. O deputado mandou investigar o contrato e concluiu que tudo era legal? Como ele chegou a tal conclusão, se George é um fantasma?

6. O empresário Fernando Trabach Gomes se fazia passar por George. Ele falou em nome do fantasma em uma entrevista concedida à ÉPOCA em 2011. Garotinho admitiu que conheceu o empresário na campanha para deputado federal em 2010. Também afirmou que Trabach sempre se apresentou como representante da GAP. O deputado nunca interrogou Trabach sobre quem era, afinal, George, o dono da empresa com contrato milionário com a prefeitura, com negócios com seu gabinete e que ainda emprestara um carro a seu filho?

7. Trabach opera uma rede de postos de gasolina que forneceu combustível à campanha do PR ao governo do Rio. Garotinho comanda o PR no Estado. O empresário recebeu R$ 1,2 milhão da campanha, mas apresentou à Justiça Eleitoral notas fiscais com indícios de falsificação. Trabach também enganou o PR, ou integrantes do partido sabiam do esquema? Além de Garotinho, de seu filho, da sua mulher Rosinha, o empresário também passou a perna na legenda que o deputado preside no Rio?

Garotinho no seu Blog com a manchete Organizações Globo voltam a atacar para me difamar diz que a “revista Época, das Organizações Globo, cumprindo fielmente o script traçado por Sérgio Cabral através das agências FSB e Prole, que ganham milhões do governo do Estado, volta a me atacar no dia de hoje”.

Diz que o repórter Hudson Corrêa, que assina a matéria, é fraquíssimo, assevera que a matéria está cheia de insinuações sem nenhuma prova, e que o jornalista procura esconder que a empresa GAP fez negócios com Estado, inclusive a própria Polícia Civil.

O deputado diz no Blog que para o repórter da Época, “o fantasma que dirige a GAP é amigo só da família Garotinho”. Desdenha dizendo que “o bobinho do Hudson, repórter da Época, ainda deixa sete perguntas para que eu caia na sua armadilha de responder no meu blog”.

Conclui dizendo:

“Caro Hudson, vou responder é na sua revista, na Época, através de ação judicial que já estou movendo. Aliás, vocês da InfoGlobo já viraram fregueses de carteirinha de me pagarem indenizações por inventarem notícias contra mim. Só que desta vez meus advogados me orientaram diferente, processar civil e criminalmente, além do veículo, o próprio autor da matéria, se bem que esta aí quem escreveu para você foi a turma do Palácio Guanabara.


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O amigo invisível do deputado Garotinho
*Acrescentamos subtítulo, fotos, legendas, ilustrações e material jornalísticos de outras fontes, a publicação original

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