3 de jul de 2013

Avião de Morales proibido de sobrevoar França, Itália e Portugal, por suspeita que Snowden estivesse a bordo

BOLIVIA
Avião de Morales proibido de sobrevoar França, Itália e Portugal, por suspeita que Snowden estivesse a bordo
Por pressão do governo americano, esses três países europeus proibiram a passagem e pouso do avião presidencial boliviano por seus territórios. Precisando abastecer no caminho para La Paz, o avião fez um pouso não programado, na Áustria, onde se verificou que a noticia era um boato. O jornal francês Le Figaro resumiu dizendo que os países sul-americanos, estavam enfurecidos com o grave incidente.

Foto: Heinz-Peter Bader/Reuters

Falando a imprensa em Viena, o Presidente Evo Morales disse, referindo-se aos Estados Unidos: ""Eu sinto que é uma desculpa para assustar, intimidar e advertir, especialmente um pretexto para silenciar-nos contra a política saques contra invasões e dominação."

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Terra, APA, Derstandard, Kurier, Vosizneias , ABC, Kurier, Panorama, The Peterborough Examiner, El Diario, La Prensa, Pagina Siete

Sob a suspeita de estar conduzindo no avião presidencial, como passageiro extra, o ex-consultor da CIA, Edward Snowden (com a cabeça posta a premio pelo governo americano), o presidente boliviano, Evo Morales ao regressar de Moscou, onde foi participar uma cúpula de países produtores de gás natural, passou pelo vexame de ter seu avião proibido de pousar e sobrevoar pelos territórios de Portugal, França e Itália.

A solução encontrada foi realizar um pouso emergencial na Áustria.

O avião presidencial boliviano é um modelo francês Dassault Falcon 900EX, que tem, segundo o fabricante, uma autonomia de voo de 8.800Km. Para fazer a rota Moscou-La Paz, que é de 12.500Km, a aeronave teria que necessariamente reabastecer, em território europeu, antes de iniciar a travessia do Atlântico rumo à Bolívia.

O governo boliviano, através do Ministério das Relações Exteriores, negou que o americano estivesse a bordo e disse que a decisão de Portugal e França foi devido à “soberana mentira”.

Mais tarde, o governo da Áustria confirmou que o ex-consultor da CIA não estava no avião. Especula-se que a autorização do governo austríaco para o pouso, incluía a exigência de que o avião fosse inspecionado por autoridades aduaneiras do país, para checar a possibilidade da presença do espião americano foragido, entre os passageiros, em algum compartimento da aeronave.

O chanceler da Bolívia, David Choquehuanca, afirmou que Portugal e França colocaram a vida do presidente Morales em risco. "Queremos expressar nosso incômodo e mal-estar, porque pôs a vida do presidente em risco", disse em entrevista coletiva em La Paz.

Enquanto elaborava o plano de voo para regressar a La Paz, o comando do avião do mandatário boliviano, recebeu um comunicado, das autoridades portuguesas, que a autorização de sobrevoo e aterrissagem em Portugal estava cancelada, sem maiores explicações.

Foi então refeita rota com a programação de uma aterrissagem para reabastecimento, em território espanhol, nas Ilhas Canárias.

Foto: APA/EPA

O presidente da Áustria, Heinz Fischer, para minimizar o incidente, foi até o aeroporto prestar assistência a Evo Morales, que apesar dos pesares agredeceu a acolhida

Como o avião presidencial no ar, a França comunicou que a autorização de sobrevoo por território francês havia sido cancelada, inviabilizando o pouso na Espanha.

O chanceler do Equador, Ricardo Patiño, afirmou que as decisões de Lisboa e Paris foram "tremenda ofensa" ao presidente Evo Morales. Patiño disse que pedirá uma "reunião extraordinária" de ministros das Relações Exteriores da União Sul-Americana de Nações (Unasul) para analisar o incidente com Morales e as denúncias de Snowden.

"Não é possível suspeitar que no avião de Morales viajasse o senhor Snowden, e tiveram o atrevimento de negar a um presidente de uma república sul-americana a passagem por seu espaço aéreo. Isto me parece uma tremenda ofensa". "Daqui enviamos nossa solidariedade ao presidente Morales e a rejeição do que ocorreu com ele".

Na noite desta terça-feira, o avião de Morales pousou no Aeroporto de Viena "sem Edward Snowden" a bordo, informou um funcionário do ministério austríaco das Relações Exteriores."

O presidente austríaco Heinz Fischer foi, cortesmente, até o aeroporto de Viena, encontrar-se com Evo Morales, segundo ele, para assegurar que o presidente boliviano recebesse tratamento condigno a um Chefe de Estado.

Durante sua estada em Moscou, o presidente Evo Morales, em entrevista a TV russa, disse que estava disposto a considerar um pedido de asilo político do americano Edward Snowden, que revelou os programas secretos de espionagem dos Estados Unidos e que está retido, com o passaporte americano cancelado, no aeroporto de Moscou.

Ninguém tem dúvidas que tanto Portugal quanto a França, receberam forte pressão do governo americano para proibir o pouso e o sobrevoo do avião presidencial boliviano.

O gesto é quase uma declaração de guerra, uma agressão inconcebível, a uma nação amiga.

Talvez os americanos, com o gesto, quisessem demonstrar que estão dispostos a jogar pesado com o país que aceitar dar asilo ao seu espião renegado. Exageraram ,porém, na dose. O que pode passar para o público interno e para a comunidade internacional, é a incompetência do serviço secreto EUA, que teria acionado as autoridades para bloquear o avião de Morales, baseado em boatos, que se revelaram falsos. Mais um vexame internacional patrocinado pelo governo Obama.

Foto: Patrick Domingo/AFP

O avião do presidente Evo Morales finalmente autorizado a decolar, rumo a Bolívia, às 05:30, de hoje, horário local, depois de quase 14 horas de permanência forçada no aeroporto de Viena, após terem sido revogadas as proibições de sobrevoo, impostos pelo governos da França, Portugal, Itália e Espanha, no dia anterior

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