23 de jul de 2013

"Cristo bota fé nos jovens!", afirmou o Papa Franciso no Brasil

BRASIL – Papa Francisco no Rio de Janeiro
"Cristo bota fé nos jovens!", afirmou o Papa Francisco no primeiro pronunciamento ao chegar no Brasil
Francisco ao chegar ao Rio impôs seu estilo, desvencilhou-se rapidamente da fila de autoridades na Base Aérea do Galeão, embarcou em um Fiat Idea e percorreu o caminho até o centro. De vidros abertos, o primeiro papa latino-americano acenava o tempo todo, e manteve a janela abaixada até nos momentos em que, por um erro na segurança, uma pequena multidão acercou-se do seu carro. Com mais sorte que planejamento, o deslocamento do pontífice se deu sem problemas até o centro, onde desfilou num Papa móvel aberto e sem blindagem lateral

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

LEGENDA

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters , Folha de S. Paulo, Veja, O Globo, G1, Corriere della Sera, Time, Paris Match

O Papa Francisco chegou ao Brasil às 15h45 desta segunda-feira (22) para presidir a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), desfilou em carro aberto e saudou os jovens em seu primeiro discurso, no Rio de Janeiro. "Cristo bota fé nos jovens", afirmou o pontífice argentino, que faz sua primeira viagem internacional desde que foi escolhido sucessor de Bento XVI. O Papa fica no país até domingo (28) e ainda visitará a cidade de Aparecida (SP), nesta quarta.

Francisco foi recebido com flores brancas pela presidente Dilma Rousseff na base aérea do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Em seguida, percorreu um trajeto, acompanhado por uma multidão, em três carros, incluindo o papamóvel, e de helicóptero, até o Palácio da Guanabara, onde ambos discursaram.

Foto: Beth Santos/Reuters

"Cristo bota fé nos jovens. E também os jovens botam fé em Cristo", afirmou o Papa. "Obrigado pelo seu generoso acolhimento (...). Vim para a JMJ para encontrar os jovens que vieram de todo o mundo atraídos pelos braços abertos pelo Cristo Redentor. Estes jovens vêm de diversos continentes, falam línguas diferentes, são portadores de variadas culturas e, todavia, em Cristo encontram as respostas para suas mais altas e comuns aspirações e podem saciar a fome de verdade límpida e de amor autêntico que os irmanem para além de toda diversidade", afirmou.

"Cristo abre espaço para eles [jovens], pois sabe que energia alguma pode ser mais potente daquela que se desprende do coração dos jovens", disse o Papa. "Atenção, a juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo (...), por isso nos impõe grandes desafios. A nossa geração se demonstrará à altura da promessa contida em cada jovem quando lhes souber abrir espaço."

Foto: Stefano Rellandini/Reuters

O Papa disse também que o Brasil possui "profundos sentimentos de fé". "Venho para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração", disse. "Aprendi que para ter acesso ao povo brasileiro é preciso ingressar pela porta de seu imenso coração. Permitam-se que nessa hora eu possa bater delicadamente a essa porta", disse.

"Por isso, peço licença para entrar e transcorrer essa semana com vocês. Não tenho nem ouro nem prata, mas tenho algo de mais precioso que me foi dado: Jesus Cristo", afirmou o Papa Francisco.

Antes, a presidente Dilma Rousseff deu boas-vindas ao Papa. “É uma honra redobrada em se tratando do primeiro Papa latino-americano”, disse. “O Brasil e seus mais de 50 milhões de jovens acolhem de braços abertos os peregrinos de dezenas de países que vieram para essa grande celebração."

"A juventude brasileira tem sido protagonista nesse processo e clama por mais direitos sociais (...). Os jovens exigem respeito, ética e transparência. Querem que a política atenda a seus interesses, aos interesses da população", disse.

"A juventude brasileira está engajada numa luta por uma nova sociedade. Essa celebração da juventude durará muito mais do que os dias da jornada", completou.

Foram quase 12 horas de viagem ao Brasil. Minutos após descer do avião Airbus A330 da Alitalia, que saiu do Aeroporto de Fiumicino, próximo a Roma, às 8h55 (3h55 em Brasília), Francisco cumprimentou autoridades e religiosos que o aguardavam ao longo de um tapete vermelho estendido na pista do Galeão e ouviu o Hino da Jornada de um coral de 140 crianças.

Foto: Associated Press

Segundo o porta-voz do Vaticano, Frederico Lombardi, o Papa ficou 15 minutos na cabine do avião na aterrissagem. "Tivemos medo", brincou. Segundo ele, o Papa teve uma viagem tranquila, mas muito ativa, com "uma energia extraordinária". O porta-voz disse ainda que Francisco pediu ajuda aos jornalistas no voo porque ele veio para dar sua mensagem e, sem eles, ela ficaria apenas parcial.

Após os cumprimentos, Francisco entrou em um carro em direção à Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Centro do Rio. Dezenas de pessoas acenavam durante o trajeto. Uma falha no esquema de segurança permitiu que fiéis se aproximassem do carro que o levava e conseguissem tocar o pontífice, para desespero dos seguranças que cercavam o veículo.

Foto: Associated Press

Em vez de seguir pela pista do meio da avenida Presidente Vargas, o comboio papal pegou a pista do canto, onde centenas de ônibus que tinham sido desviados da outra pista estavam parados, exatamente para deixar a outra via livre para a comitiva papal.

O automóvel onde o papa seguia, de vidros abertos, ficou preso entre os ônibus e centenas de fiéis. Foram 12 minutos para percorrer um trecho de 500 metros, com muitos riscos e apreensão com a segurança.

Foto: Reuters

Mesmo nos momentos em que uma pequena multidão perigosamente entusiasmada envolveu o carro onde estava, o Papa Francisco que havia baixado o vidro do veículo, não fechou a janela nem parou de acenar e sorrir.

O esquema de segurança era insuficiente para a emergência, os poucos agentes desdobravam-se para conter a multidão, ao mesmo tempo em que tinham que correr de volta para o veículo que os conduzia, fazendo com que em alguns momentos do trajeto os fiéis se aproximaram de Francisco sem que houvesse intervenção da segurança.

Foto: Reuters

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, reconheceu, no inicio da noite, que o cerco ao carro do papa Francisco, durante o trajeto pela Avenida Presidente Vargas no centro do Rio, causou apreensão na equipe de sua comitiva. Entretanto, ele avaliou que o imprevisto atendeu a um dos objetivos do papa em sua viagem ao Brasil.

"O bloqueio ao carro do papa no caminho do aeroporto ao Palácio Guanabara acabou se transformando em uma extraordinária experiência onde ele conseguiu ver de perto o entusiasmo dos jovens, do povo brasileiro", disse padre Lombardi, em entrevista coletiva no início da noite desta segunda-feira, 22.

De acordo com o porta-voz do Vaticano, um assessor do papa ficou assustado ao ver o carro cercado pela multidão após a interrupção do tráfego na Presidente Vargas. “Mas o papa, por sua vez, estava sorridente, tranquilo, acenando para as pessoas com a janela aberta” - contou Lombardi, sorrindo.

Ao chegar na catedral, onde Francisco trocaria o carro pelo papamóvel, o comboio entrou por uma rua paralela, que estava sem policiamento.

Próximo à catedral, o carro foi novamente cercado por uma multidão, mas o Papa continuou acenando com a janela aberta, protegido por seguranças.

Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo


Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Francisco subiu então no papamóvel em direção ao Theatro Municipal. O primeiro desfile no veículo, sem proteção lateral, foi acompanhado por centenas de fiéis. Francisco foi aplaudido, fotografado e parou para beijar crianças. Nesses locais o policiamento fardado era velado, parecia não existir, e um cordão de isolmento humano feito por voluntários conseguiu a contento manter a multidão que saudava o pontífice, nas calçadas.

Depois, Francisco embarcou em outro carro até o 3º Comando Aéreo Regional (Comar). Por volta das 17h50, foi de helicóptero até o Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na Zona Sul, encontrar-se com a presidente Dilma Rousseff, o governador do Rio, Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes e outras autoridades. Às 18h, o Papa chegou ao palácio do governo, onde proferiu seu discurso.

Foto: Clayton de Souza/Estadão

PROTESTOS

Ao menos três grupos se reuniram no Largo do Machado, na Zona Sul do Rio, para protestar contra a visita do Papa. No início da noite, houve tumulto em frente ao Palácio da Guanabara, quando o Papa já havia deixado o local. Manifestantes jogaram bombas de fabricação caseira e coquetel molotov em policiais, que revidaram com balas de borracha, jatos d'água e bombas de gás lacrimogêneo.

Pelo menos sete detidos e três feridos. Manifestantes e OAB afirmam que houve disparo de arma letal, que atingiu a perna de manifestante. Jornalistas foram presos por transmitir protesto ao vivo.

O Papa fica hospedado nesta segunda na Residência Assunção, no Sumaré. Jorge Bergóglio deve dormir no quarto 5, que possui uma área de 45 metros quadrados. Nos sete dias em que ficará no país, Francisco fará pelo menos 15 pronunciamentos. A expectativa de especialistas é que ele quebre protocolos e faça pregações emblemáticas para reforçar suas posições frente aos desafios da igreja.

Cerca de 5,5 mil jornalistas acompanham a visita, 2 mil da imprensa internacional.

Nesta terça-feira (23), Francisco passa o dia descansando, sem compromissos oficiais

Foto: Stefano Rellandini/Reuters

O que importa é a fé!

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