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29 de out. de 2013

Drama de Eike Batista continua: a OGX vai pedir recuperação judicial nesta quarta-feira

BRASIL - Economia
Drama de Eike Batista continua:
a OGX vai pedir recuperação judicial nesta quarta-feira
Decisão ocorre um mês após a companhia anunciar que não pagaria uma parcela de 45 milhões de dólares aos detentores de títulos vendidos no mercado internacional. Dívida da petroleira é estimada em 4 bilhões de dólares. Um editor da revista 'Bloomberg Businessweek' disse no início do mês, que há grande chances de Eike Batista já estar com o patrimônio negativo".

Foto: Fabio Motta/Estadão

OGX deve entrar com pedido de recuperação judicial na quarta, mais que as empresas, Eike já pode ter perdido toda a fortuna pessoal

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo, 'Bloomberg Businessweek', Veja

A OGX deve apresentar à Justiça o pedido de recuperação judicial na quarta-feira. A decisão ocorre um mês após a companhia anunciar que não pagaria uma parcela de 45 milhões de dólares aos detentores de títulos vendidos no mercado internacional. Só a esses credores, a OGX deve 3,6 bilhões de dólares. O total de dívidas da petroleira é estimado em 4 bilhões de dólares.

Pelas regras do contrato com os credores, a companhia tinha prazo até 3 de novembro para negociar uma saída. Sem acordo, o caminho seria a recuperação judicial ou, num extremo, a falência.

Segunda-feira, a OGX anunciou ao mercado o fracasso das negociações. A principal proposta aos credores previa que eles injetassem mais capital em troca de participação na empresa. Inicialmente, pediram-se 500 milhões de dólares. Depois, o valor baixou para 250 milhões, mas nenhum credor quis correr o risco de perder ainda mais dinheiro. Segundo cálculos internos da OGX, seu principal ativo, o campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos, ainda exigirá investimentos de 2 bilhões de dólares até começar a dar lucro.

Ontem, enquanto seus advogados delineavam a estratégia para a recuperação judicial na OGX, Eike Batista demonstrava perplexidade com o fracasso das negociações.

“Ele ainda não entendeu por que não deu certo. Até agora ainda acredita que a companhia tem solução”, diz um amigo. Mas, segundo interlocutores dos credores, nas últimas semanas, apesar das longas reuniões no Rio de Janeiro e em Nova York, ficou claro que o clima dentro da própria OGX era tão confuso que ficou difícil saber em quem confiar.

Os três consultores contratados para trabalhar na reestruturação – Angra Partners, Lazard e Blackstone – não se entendiam e parte deles entrou em atrito com os principais executivos da petrolífera, que acabaram sendo demitidos. O primeiro a sair foi o diretor financeiro e de relações com investidores, Roberto Monteiro, e, mais recentemente, o próprio CEO, Luiz Guimarães Carneiro.

O comportamento de Eike também não ajudou. Ao perceber que a saída de Monteiro havia irritado os credores, Eike mandou readmiti-lo, o que deixou uma impressão ainda pior. Em poucos dias, Monteiro foi desligado novamente.

A menos que uma solução realmente milagrosa surja de hoje para amanhã, qualquer saída para a OGX passará pela recuperação judicial – a maior já realizada na América Latina. A partir do momento em que o juiz aprovar a medida, a empresa tem 60 dias para apresentar um plano.

Em seguida, haverá uma assembleia de credores para a aprovação desse plano. Começará então uma nova fase para a empresa, igualmente difícil e, ao que tudo indica, bastante longa.

No inicio deste mês a edição internacional da revista de negócio americana 'Bloomberg Businessweek' ironizava a crise do empresário Eike Batista comentando na capa da publicação sobre a foto do empresário:"Como perder uma fortuna de US$ 34,5 bilhões em um ano".

O texto destaca o luxo e o poder que cercavam o executivo há um ano: "Até aquele momento (abril de 2012), ele havia fundado cinco empresas negociadas publicamente e estava próximo de lançar a sexta. Sua fortuna pessoal é estimada em US$ 34,5 bilhões; a maioria de suas empresas são geridas sob o guarda-chuva de uma companhia com suas iniciais, o grupo EBX. Aos 55 anos, ele é o homem mais rico do Brasil - e o oitavo mais rico do mundo".

Ao final de 2010, observadores cuidadosos poderiam ter percebidos alguns sinais estranhos sobre o império Batista, comenta a matéria na revista. Por exemplo, Batista estava vendendo publicamente uma participação no Campos Basin para compradores chineses e outros investidores possíveis, sem ter encontrado interessados - isto em um momento em que o grupo Sinopec, de Pequim, estava disposto a pagar US$ 7,1 bilhões por uma parcela de 40% das operações brasileiras da espanhola Repsol", relata a reportagem.

Hoje, a OGX é a empresa mais problemática do grupo EBX. A situação da empresa contrasta com a ostentação de riqueza que sempre marcou o comportamento de Eike Batista, destaca a "Businessweek". A revista lembra que o empresário chegou a posar com um carro de luxo estacionado em sua sala de estar, além de dar festas em seu iate particular.

O editor Matthew Miller, afirma que o patrimônio do empresário pode ter evaporado completamente. Segundo Miller, a dinâmica de vender ativos em uma empresa para saldar dívidas de outra, expediente usado por Eike nos últimos meses, pode ter minado todos os seus recursos, ainda que não haja comprovação disso até o momento. Com uma fortuna de cerca de 70 milhões de dólares, o empresário não conseguirá fazer um aporte de 1 bilhão de dólares na OGX nos próximos meses, conforme a empresa exige valendo-se dos termos do acordo de acionistas. "Há grande chances de ele já estar com o patrimônio negativo", diz Miller.

A revista lembra que o empresário chegou a posar com um carro de luxo estacionado em sua sala de estar, além de dar festas em seu iate particular.

"Sugere-se que o papa Francisco, que planeja voltar ao Brasil em breve, visite novamente os pobres, incluindo Batista", ironizou a revista.

17 de set. de 2013

Eike Batista culpa executivos da OGX e falta de sorte por colapso das empresas

BRASIL - Economia
Eike Batista culpa executivos da OGX e
falta de sorte por colapso das empresas
Em entrevista ao The Wall Street Journal, Eike, disse que os executivos do setor de petróleo o enganaram, que a saída dos seus investidores foi precoce e que também não teve sorte (chegou a citar seu mapa astral). Enquanto isso, credores detentores de cerca de US$ 10 bilhões em dívidas emitidas pelas empresas de Batista tentam encontrar formas de recuperar seu dinheiro em uma das maiores reestruturações de dívida em andamento no mundo.

Foto: Jonathan Alcorn /Bloomberg

No espaço de um ano, Eike foi da posição de sétimo homem mais rico do mundo, com uma fortuna de US$ 30 bilhões, à exclusão da lista de bilionários, uma das maiores e mais rápidas implosões financeiras dos tempos modernos.

Postado por Toinho de Passira
Reportagem de John Lyons e Luciana Magalhães (Colaborou Loretta Chao)
Fontes: The Wall Street Journal - Brasil, Estadão

O empresário Eike Batista, protagonista de um dos maiores colapsos financeiros da história, está apontando pessoas que ele considera responsáveis por sua queda.

Em entrevista ao The Wall Street Journal — a primeira desde que seu império desabou no início deste ano —, o ex-piloto de corrida de barcos de alta velocidade, de 56 anos, disse que os executivos do setor de petróleo que ele costumava chamar de "Dream Team" o enganaram. Ele também disse que seus investidores saíram do negócio precocemente. E ele simplesmente não teve sorte.

"Eu sou o maior perdedor nisso tudo. Eu tentei criar riqueza para todos nós. Essa foi a razão de levantarmos todo o dinheiro — para criar riqueza e dividi-la", disse na sexta-feira o executivo em seu escritório no Rio de Janeiro. "Eu acreditei nisso. Vivendo em um país que tem essas descobertas de petróleo gigantescas, por que eu não poderia ter sido abençoado com uma delas?"

No curto espaço de tempo de um ano, o empresário foi da posição de sétimo homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada de US$ 30 bilhões, à exclusão da lista de bilionários, uma das maiores e mais rápidas implosões financeiras dos tempos modernos.

As ações das suas seis empresas de capital aberto caíram, em alguns casos, 90% este ano depois que a petrolífera do grupo não conseguiu produzir a maior parte dos 10 bilhões de barris de petróleo que Batista disse que tinha potencial de atingir. De Nova York ao Rio de Janeiro, detentores de cerca de US$ 10 bilhões em dívidas emitidas pelas empresas de Batista estão se esforçando para encontrar formas de recuperar seu dinheiro em uma das maiores reestruturações de dívida em andamento no mundo.

A queda de Batista tem se tornado uma parábola sobre excessos do boom dos mercados emergentes que ergueram o Brasil nos últimos dez anos. Durante uma corrida que durou cinco anos, investidores respeitados como Black Rock Inc., Pacific Investment Management Co. e o fundo soberano de Abu Dhabi investiram no grupo de empresas novatas. Batista gostava de chamar esses ativos como "à prova de idiotas". Mas anos após levá-los ao mercado, nenhum deles deu lucro.

Enquanto ele falava, as luzes de uma de suas plataformas marítimas brilhavam na Baía da Guanabara. Os detentores de títulos de dívida esperam que ela esteja intacta e possa ser vendida para que sejam reembolsados pelo dinheiro investido.

Eike disse que estava cansado das intensas rodadas de negociações, que algumas noites vão até às 4 da manhã.
Batista disse que poderia levantar US$ 1 bilhão vendendo suas plataformas de petróleo. Mas deu poucos detalhes sobre a série de negociações em andamento. Em Nova York, detentores de US$ 3,6 bilhões de títulos de dívida da OGX, que agora valem centavos de dólar, tentam obrigar Batista a injetar mais US$ 1 bilhão na petrolífera. O empresário, por sua vez, está pedindo aos credores que coloquem mais dinheiro na OGX. Ele disse que eles provavelmente vão assumir o controle da empresa. Se não chegarem a um acordo, o caso pode acabar nos tribunais brasileiros.

Embora as perspectivas para a OGX pareçam sombrias, dizem analistas, Batista tem conseguido vender partes de algumas outras empresas do grupo EBX em uma enxurrada de negociações nas últimas semanas. Em agosto, a EIG Management Co. concordou em investir até US$ 560 milhões por uma participação majoritária da empresa de logística LLX. Em julho, vendeu o controle da geradora de energia MPX para à alemã E.ON . A mineradora MMX vendeu o Porto Sudeste para a Trafigura Beheer BV e o Mubadala Development Co., num negócio de US$ 400 milhões.

O empresário diz que esses acordos indicam que parte do seu conglomerado é mais saudável do que os investidores acreditam. "Essas coisas são de algum modo à prova de idiotas porque você pode vendê-las mesmo num mercado louco", disse.

Batista deu aos investidores uma forma de participar da impressionante história do crescimento econômico do Brasil em um momento em que eles buscavam alternativas para a desaceleração das economias europeia e americana. A bolsa brasileira esteve entre os mercados acionários com melhor desempenho no mundo por vários anos seguidos e o país resistiu bravamente à crise financeira de 2008. Para completar, o Brasil encontrou os maiores campos de petróleo em águas profundas de todos os tempos quando o preço do petróleo estava subindo.

A partir de 2006, Batista emitiu ações de uma série de empresas de commodities interligadas que ele montou para lucrar com a promessa do Brasil.

"O Brasil era o mercado favorito de todos. É fácil atirar pedras agora, mas ninguém colocou uma arma na cabeça de ninguém e disse você tem que comprar", diz Will Landers, que cuida dos fundos de ações da América Latina da Black Rock, maior gestora de recursos do mundo. Landers diz que a Black Rock vendeu grande parte dos ativos que tinha do grupo EBX, mas que ainda estava entre os maiores acionistas da OGX.

Batista disse que reconhece agora que o aumento dos preços do petróleo era uma bolha que o ajudou a crescer. Ele ainda acredita que o otimismo ligado à economia do Brasil não era um exagero. "O Brasil é esse gigante que supostamente vai cair num buraco e nunca cai porque ele é sempre maior que o buraco."

Vestindo um terno de risca e uma camiseta cinza durante a entrevista, Batista estava com os cabelos desalinhados e os olhos cansados. Ele disse que estava cansado das intensas rodadas de negociações, que algumas noites vão até às 4 da manhã.

Foto: Karime Xavier/Folhapress

Eike, "comendo vidro", no seu escritório no Rio de Janeiro

No auge de sua ascensão, nenhuma das empresas do grupo EBX causou mais agitação do que a OGX. Para criá-la, Batista montou um grupo de altos executivos vindos da Petrobras, que os investidores acreditavam ser ideais para selecionar os melhores campos de petróleo. Agora Batista diz que esses executivos eram bons em encontrar petróleo, não produzi-lo. E que eles não conheciam a geologia com a qual a OGX lidava. Pior, afirma, eles lhe entregavam relatórios brilhantes para convencê-lo a pagar gordos bônus. "A motivação não era necessariamente me apresentar a verdade", disse. Vários ex-executivos da OGX não quiseram comentar.

Eike diz que se sente à vontade para culpar os gestores da OGX, já que, como um executivo do setor de mineração, ele não tinha conhecimentos da indústria de petróleo para questionar os relatórios que eles apresentavam.

"Sou dono de um grande grupo. Eu sozinho não posso fazer isso. Eu poderia ser o dono de um hospital, mas sem 50 cirurgiões das suas respectivas áreas você não é nada. Não tenho o conhecimento específico. Você não pediria ao dono de um hospital para operar o seu rim", disse.

Batista acredita em sorte e superstições. "Se você olhar para o meu mapa astral, esse período não foi favorável para mim", disse. "A boa fase? Ela já começou, literalmente, este mês."

Ele já prevê um retorno. Profissionais do mercado que o encontraram nos últimos dias dizem que ele fala incessantemente sobre a história do empreendedor americano Elon Musk, fundador da empresa de pagamentos Paypal, da companhia de viagens espaciais SpaceX e da fabricante de carros elétricos Tesla Motors .

Ao longo da entrevista, ele citou várias vezes Musk como um empreendedor que foi desacreditado pelos investidores e depois mostrou que eles estavam errados. Ele acredita que vai ter o mesmo triunfo quando seu porto, sua mina e outras partes do grupo se tornarem rentáveis.

"Musk disse que começar uma empresa é como comer vidro", disse. "Eu estou comendo vidro.


Son Salvador - Estado de Minas (MG)

15 de ago. de 2013

O ex-Rio X, de Mara Bergamaschi

BRASIL - Opinião
O EX-RIO X
Durante a inauguração no Alemão, os jornais registraram que, mesmo ausente, Eike Batista recebeu mais elogios e agradecimentos do governador Sérgio Cabral (PMDB) do que os chefes militares responsáveis pela ocupação do Complexo durante um ano e meio.

Foto: AE

Eike Batista, então o homem mais rico do Brasil, anunciou junto com o governador Sérgio Cabral, que doaria R$ 20 milhões por ano para construir e equipar as UPPs

Postado por Toinho de Passira
Texto de Mara Bergamaschi
Fonte: Blog do Noblat

Há exatos três anos, Eike Batista, então o homem mais rico do Brasil e o oitavo do mundo, anunciou em cerimônia pública que doaria R$ 20 milhões por ano para o governo do Rio construir e equipar as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Seriam, até 2014, R$ 100 milhões para “um projeto fantástico, modelo para o Brasil e para o mundo”.

Logo depois, no Natal de 2010, Eike daria uma entrevista ao jornal britânico The Guardian em que reafirmaria esse compromisso, classificando-o como fundamental para alcançar um de seus dois principais objetivos: transformar o Rio em um “lugar inacreditável” na próxima década.

Segundo definiu ao Guardian, o Rio X seria ”uma mistura de Califórnia, Nova York e Houston, combinando praias estonteantes com importância financeira e arquitetura ultramoderna.”

Para a capital, ele prometia, além da pacificação das favelas, a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas, a recuperação da Marina da Glória e a transformação do Hotel Glória em suntuoso cinco estrelas, comparável aos de Dubai.

O outro objetivo primordial do bilionário, de acordo com o Guardian, era alcançar a primeira posição na lista da Forbes. Para isso, a holding EBX estimava investir R$ 34 bilhões no Estado na construção de portos, indústrias e prospecção de petróleo.

Entre 2010 e 2012, o grupo financiou a compra de uma centena de carros e motos para UPPs.Também construiu as sedes da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, e da Fazendinha e da Nova Brasília, no Complexo do Alemão.

Há um ano, durante a inauguração no Alemão, os jornais registraram que, mesmo ausente, Eike Batista recebeu mais elogios e agradecimentos do governador Sérgio Cabral (PMDB) do que os chefes militares responsáveis pela ocupação do Complexo durante um ano e meio.

Naquele momento, Cabral não parecia ver qualquer problema na onipresença de Eike nas esferas pública e privada do Rio. Até o Maracanã corria o risco de ganhar um X se, nos últimos dois meses, a popularidade de Cabral e o valor das ações de Eike na Bolsa não tivessem despencado juntos, meteoricamente.

Fora do rol dos bilionários, com uma fortuna agora estimada em R$ 400 milhões, o empresário rescindiu na semana passada, em silêncio, o convênio milionário para as UPPs.

Infelizmente suspenso, o mega projeto Rio X começa a se desintegrar por uma de suas melhores faces – a filantropia de grande alcance social. A Secretaria de Segurança disse que irá organizar seu orçamento para assumir, com ajuda de outros parceiros, os custos.

Enquanto isso, a UPP da Rocinha – e outras – estão provisoriamente instaladas em contêineres – como aquele para onde Amarildo foi levado antes de desaparecer.

Foto: Roberto Moreyra/EXTRA

Unidades de Polícia Pacificadora da Rocinho, um contêiner


Mara Bergamaschi é jornalista e escritora. Foi repórter de política do Estadão e da Folha em Brasília. Hoje trabalha no Rio, onde publicou pela 7Letras “Acabamento” (contos,2009) e “O Primeiro Dia da Segunda Morte” (romance,2012). É co-autora de “Brasília aos 50 anos, que cidade é essa?” (ensaios,Tema Editorial,2010)

29 de jul. de 2013

Eike Batista, agora, é um reles milionário

BRASIL - Economia
Eike Batista, agora, é um reles milionário
O empresário não é mais bilionário, os dados são do ranking da agência de notícias Bloomberg, que diz que a fortuna do empresário encolheu para um quarto de bilhão, um merreca, para quem pretendia ser o homem mais rico do mundo.

Foto: AE

Eike Batista, está no inferno astral, economico, polírtico e social

Postado por Toinho de Passira
Fontes: O Globo, Folha de S. Paulo

O empresário Eike Batista, controlador do grupo EBX, deixou de ser bilionário, segundo cálculos da agência de notícias Bloomberg. Na sexta-feira, sua fortuna estava avaliada em apenas US$ 216,95 milhões. O cálculo considera bens pessoais e valor das participações do empresário nas empresas do grupo, descontadas as dívidas.

É um tombo e tanto para quem tinha, em março de 2012, US$ 34,5 bilhões.

Eike chegou a declarar que ultrapassaria o mexicano Carlos Slim, "pela direita ou pela esquerda", e se tornaria o homem mais rico do mundo.

As empresas do grupo EBX enfrentam uma crise de confiança que derreteu o valor de suas ações na Bolsa.

Segundo a agência, Eike deve ao menos US$ 2 bilhões na pessoa física e US$ 1,5 bilhão ao Mubadala, fundo de desenvolvimento de Abu Dhabi.

O empresário pagou, recentemente, US$ 500 milhões ao Mubadala e renegociou os US$ 1,5 bilhão restantes em sete anos.

A derrocada de Eike começou quando a produção de petróleo da OGX decepcionou. A empresa foi obrigada a reconhecer que todas as suas previsões estavam equivocadas e a desistir de explorar vários de seus campos.

A petroleira era a mola propulsora de várias das companhias X, como o estaleiro OSX. A queda da OGX acabou arrastando todo o império.

Eike fechou uma parceria com o banco BTG Pactual, de André Esteves, para tentar reestruturar o grupo. Mas o processo acabou se transformando numa liquidação de ativos.

O empresário colocou à venda praticamente todos os negócios para honrar suas dívidas. Uma fatia da termelétrica MPX já foi vendida para a alemã E.ON.

A expectativa é que Eike se desfaça em breve de uma participação na mineradora MMX e também do que restou de suas ações da MPX.

A OGX está em busca de um sócio que ajude a reestruturar sua dívida. A petroleira tem US$ 3,6 bilhões em bônus no exterior e com a queda de produção, essa dívida se tornou impagável.

O BTG também está em busca de um sócio para o porto do Açu, operado pela LLX, mas até agora não obteve sucesso. Já o estaleiro OSX deve ser fechado.

20 de jul. de 2013

O Brasil como prioridade: ontem, hoje e sempre, de Eike Batista

BRASIL - Opinião
O Brasil como prioridade: ontem, hoje e sempre
O empresário Eike Batista veio a público defender-se da crise de credibilidade que ronda seu grupo empresarial e se diz arrependido de ter entrado na Bolsa de Valores.Em artigo publicado no jornal Valor Econômico e no Globo, nesta sexta-feira, 19, ele afirma que "se pudesse voltar no tempo, não teria recorrido ao mercado de ações".


Quem mais perdeu com a derrocada no valor da OGX foi um acionista: Eike Batista. Ninguém perdeu tanto quanto eu, e é justo que assim seja. Eu investi em um negócio de risco.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Eike Batista
Fonte: O Globo

Ao longo dos últimos meses, decidi que não me pronunciaria sobre a avalanche que se abateu sobre minha vida privada e principalmente sobre meus negócios. Mudei de ideia nos últimos dias diante da grande insistência de amigos próximos e alguns de meus executivos. Venho a público então submeter à reflexão aspectos que têm passado em branco quando se analisa minha trajetória empresarial.

Eu me tornei um empreendedor ainda no início dos anos 80, quando me aventurei no garimpo da Amazônia. Aprendi bastante em regiões de fronteira, ambientes hostis à atividade produtiva, enormes dificuldades de toda ordem para transportar equipamentos, surtos de malária que me obrigaram a substituir equipes inteiras da noite para o dia, o desafio de extrair minério em locais quase inacessíveis e meu próprio questionamento em torno das possibilidades de êxito diante das adversidades que se apresentavam. Acabei por me tornar proprietário de minas em diversos países e decidi estabelecer-me em definitivo no Brasil e me desfazer das participações que detinha na área de mineração.

Muitas vezes as pessoas imaginam que surgi do nada, em meio a uma febre desenfreada de aberturas de capital, e que surfei na onda de um mercado em alta que, sem qualquer razão aparente, me ofereceu um cheque em branco com algumas dezenas de bilhões para que eu pudesse brincar de empreender.

Nestes últimos anos aprendi muito, errei e acertei em diversos projetos contribuindo para geração de riqueza para terceiros, para mim e principalmente para investidores. Se algum dia mereci a confiança do mercado, foi porque havia uma trajetória de mais de 30 anos de muito trabalho, desafios superados, sucesso e uma capacidade comprovada de cumprir compromissos.

Como entendo que a OGX está na origem da crise de credibilidade que se abateu sobre meu nome e que acabou por turvar as realizações e conquistas de empresas como MPX, MMX e LLX, começo por ela.

O que aconteceu desde que ficou claro que a OGX não estaria apta a apresentar os resultados que um dia pareceu possível alcançar? Eu me tornei de repente um aventureiro inconsequente que arregimenta recursos para seu próprio benefício e não se importa se entregará o que havia anunciado? Hoje é difícil lembrar, mas a OGX foi construída por algumas das cabeças coroadas por décadas de serviços prestados a empresas de renome. Eu não investi na indústria do petróleo sem me cercar daqueles que eu e o mercado entendíamos estar entre os mais capacitados profissionais com que se podia contar. Ao arrematar os campos que arrematou, a expectativa em torno da OGX era altíssima. Esta mesma expectativa parecia uma irrelevância diante dos prognósticos que recebi de diversas empresas independentes no mercado do petróleo. Uma delas foi a DeGolyer & MacNaughton (D&M).

De acordo com um relatório divulgado em 2011, auditado por empresas independentes de renome internacional, a OGX possuiria recursos aproximados de 10,8 bilhões de barris de petróleo equivalente (incluídos recursos contingenciais e prospectivos). Meu corpo técnico me reafirmava, dia após dia, a mesma coisa. Minhas empresas eram auditadas por três das maiores agências de risco do mundo, e nunca uma delas veio a mim ou a público alertar que não era bem assim.

Evidentemente, eu estava extasiado com as informações que me chegavam. Podia tê-las guardado para mim? Não, eu era o controlador de uma companhia de capital aberto e o que fiz foi compartilhar todo aquele esplendor e respectivos desafios com o mercado, além dos riscos envolvidos e chances de sucesso neste negócio de tão alto risco.

Tive ofertas para vender fatias expressivas ou mesmo o controle da OGX a partir de um valuation de 30 bilhões de dólares. Há dois anos, coloquei mais um bilhão de dólares do meu bolso na companhia. Eu perdi e venho perdendo bilhões de dólares com a OGX. Alguém que deseja iludir o próximo faz isso a um custo de bilhões de dólares? Se eu quisesse, poderia ter realizado uma venda programada de 100 milhões de dólares por semestre ao longo de 5 anos. Eu teria embolsado 5 bilhões de dólares e ainda assim permaneceria no controle da OGX. Mas não o fiz.

Quem mais perdeu com a derrocada no valor da OGX foi um acionista: Eike Batista. Ninguém perdeu tanto quanto eu, e é justo que assim seja. Eu investi em um negócio de risco. É injusto e inaceitável, por outro lado, ouvir que induzi deliberadamente alguém a acreditar num sonho ou numa fantasia. Quem mais acreditou na OGX fui eu. Continuo acreditando e por isso estamos, nestes últimos meses, reinventando a companhia. Não desistirei deste desafio.

A OGX tem sido alvo de todo tipo de movimento especulativo, com vendas a descoberto no mercado e vazamentos de informações (falsas ou verdadeiras) numa escala sem precedentes e totalmente irresponsável. Muita gente ganhou dinheiro com a OGX por conta de toda esta excessiva especulação. Muitos também têm perdido dinheiro assim.

Sou solidário com os investidores que acreditaram na OGX em sua origem e que me honraram com sua confiança naquele momento ou mesmo depois, quando parecia que a companhia entregaria resultados de grande magnitude. O que posso dizer a essas pessoas é que acreditei neste cenário tanto quanto elas. Investi e continuo investindo quase todo meu patrimônio, tempo e dedicação na OGX e nas demais empresas X. E lamento profundamente não ver confirmados os prognósticos de consultorias de renome, auditados por agências de idêntico renome e referendados por executivos de renome.

Sou um otimista incorrigível em relação a meu país, a meus negócios e às pessoas que me cercam. Ao longo de minha atividade empresarial, os êxitos e conquistas superaram largamente fracassos e erros. Mas os fracassos aconteceram e eu nunca os escondi. Tive experiências mal sucedidas com a fabricação de jipes, com uma empresa concebida para concorrer com os Correios, com algumas minas fora do Brasil das quais tive de abrir mão por fatores diversos. Mas eu nunca deixei de ser transparente, pagar ninguém e nem de honrar meus compromissos. Sempre mirei atividades de alto risco com possibilidades de elevados retornos para parceiros e acionistas. Mineração é uma atividade de risco. Extração de petróleo é uma atividade de alto risco. As promessas de retorno são elevadas, num caso e noutro, mas o risco é grande. Isso jamais foi escondido, faço questão de pontuar novamente.

Mais do que ninguém, me pergunto onde errei. O que deveria ter feito de diferente? Uma primeira questão talvez esteja ligada ao modelo de financiamento que escolhi para as empresas. Hoje, se pudesse voltar no tempo, não teria recorrido ao mercado de ações. Eu teria estruturado um private equity que me permitisse criar do zero e desenvolver ao longo de pelo menos 10 anos cada companhia. E todas permaneceriam fechadas até que eu estivesse seguro de que havia chegado o momento de abrir o capital. Nos projetos que concebi, o tempo se revelou fator de estresse vital para a reversão de expectativas sobre companhias que ostentam resultados amplamente satisfatórios e possuem ativos valiosos.

Nos casos de MPX, MMX e LLX, a depreciação do valor de mercado é claramente incompatível com o que têm a oferecer. Estes últimos investimentos que efetuei tiveram como importante motivação contribuir para um Brasil mais competitivo, estruturado logisticamente e capaz de proporcionar um futuro melhor para o conjunto de sua população. A MPX possui a maior carteira de projetos licenciados do país. Ela se tornou modelo no conceito de térmicas ao longo da costa e gera hoje 2 mil megawatts, o suficiente para alimentar a cidade do Rio de Janeiro. Em pleno cenário de crise energética, foi dito publicamente por um membro da Aneel que, graças à MPX, não haveria apagão ou racionamento de energia.

A MMX já produz 7 milhões de toneladas anuais de minério de ferro e conta com um ativo de importância estratégica vital, o Porto do Sudeste. Graças a ele será possível extrair minério de ferro de Minas Gerais e exportar a partir do quadrilátero ferrífero com ampla repercussão para a logística e para a balança comercial. A LLX conta com o Porto do Açu, pólo industrial para os setores de petróleo e para o transporte de cargas em geral e a granel. É um porto-indústria que revela, em escala crescente, sua capacidade de atrair novas parceiras para sua retroárea de aproximadamente 90km2. Dentre as empresas que já se instalaram ou estão se instalando no Açu, estão Technip, National Oilwell Varco (NOV), BP, GE, Wartsila e Vallourec, todas grandes corporações internacionais que acreditam nos meus negócios e no Brasil.

As pessoas ainda comentam que sou o cara do papel, do power point. Por que não visitam o Porto do Açu? Por que não visitam o Porto do Sudeste? Por que não visitam as plantas da MPX? É justamente o oposto do que se tem falado: sou o cara da economia real, que, mesmo com muitos obstáculos, coloca as coisas de pé. No pico das obras de meus empreendimentos, 30 mil pessoas estavam empregadas tornando concreto o que até então eram apenas sonhos. Isso é papel? Trinta mil pessoas em atividade? Eu realmente gostaria que todos os que duvidam de minha capacidade de entregar pudessem visitar o Porto do Sudeste e o Porto do Açu e as térmicas da MPX já em operação. É um convite que gostaria de fazer a todos. São empreendimentos para o Brasil, para o futuro do país. Meu sentimento é de que, em pouco tempo, as pessoas vão olhar para trás e pensar que pude oferecer minha contribuição ao desenvolvimento do sistema logístico brasileiro. Coloquei 2 bilhões de dólares do meu bolso na construção de um estaleiro por acreditar nas encomendas da OGX. No total, investi mais de 4 bilhões de dólares em recursos próprios nas empresas X.

Tomei a decisão de reestruturar o controle das companhias. Faço isso com a certeza de que tenho um legado a deixar ao país, e não abrirei mão de colaborar na condição de acionista relevante em cada companhia. Honrarei todos os meus compromissos. Não deixarei de pagar um único centavo de cada dívida que contraí. Acredito no meu país e nunca desistirei de investir recursos próprios em ativos que contribuem para toda a sociedade.

Eu me enxergo e continuarei a me enxergar como um parceiro do Brasil. Acho que cumpri esse papel ao conceber e entregar projetos que terão uma importância crucial nas próximas décadas. Falhei e decepcionei muitas pessoas, em especial por conta da reversão de expectativas da OGX. Esta reversão contaminou todo o Grupo X e acarretou um déficit de credibilidade com o qual nunca me deparei em minha trajetória. Mas o fato é que fui tão surpreendido quanto cada um de meus investidores, colaboradores e todo o mercado. Esta é a verdade. Hoje me sinto frustrado por não ter sido capaz de entregar o que eu mesmo esperava nos casos da OGX e da OSX, esta última concebida em parte para oferecer suporte à primeira em suas atividades. Mas acredito que a OGX reestruturada se tornará um player relevante no setor em que atua, assim como confio numa OSX redimensionada a partir de um novo cenário.

Sempre agi de boa-fé e sempre o farei. Acho que era isso o que mais gostaria de dizer e que, assim espero, sintetiza meu percurso empresarial nos últimos cinco anos. Com minha estrutura de capital equacionada, continuarei a empreender e tenho convicção de que ainda vou gerar riqueza novamente e deixar um país melhor com estes ativos que criei do zero. Eu talvez faça isso agora sem o mesmo peito aberto de antes. Talvez tenha confiado demais em pessoas que não mereciam esta confiança, ainda que no final a responsabilidade seja toda minha. Com certeza eu também não me submeteria à exposição pública excessiva de tempos recentes, da qual me arrependo sobretudo por haver exposto igualmente minha família e meus amigos a uma curiosidade indesejada.

O orgulho de erguer do nada tantas empresas em tempo tão curto me colocou no centro do palco e eu me vi como o porta-voz de um novo empreendedor, que não tem vergonha de expor suas conquistas e mostrar que é possível gerar riqueza e ao mesmo tempo contribuir com o desenvolvimento do país. Tenho consciência de que fui um símbolo para as pessoas, a representação de um Brasil que prospera, que dá certo e está preparado para desempenhar um papel de preponderância global. A destruição de valor dos meus negócios colocou por terra talvez o sonho de muita gente que acreditou na possibilidade de partir do zero e se tornar um empreendedor de sucesso. Espero que elas procurem enxergar o que deu certo em minha trajetória e peço que esperem alguns anos para uma avaliação mais definitiva do que terei sido capaz de construir com o apoio dos que acreditaram e dos que ainda acreditam em mim. Houve muitos acertos e eles ficarão mais evidentes em tempo não tão longo. Não me refiro apenas aos negócios propriamente ditos. Nestes últimos cinco anos, apoiei causas de naturezas diversas, que me levaram a investir centenas de milhões de reais próprios em projetos de interesse público e social ou mesmo de caráter humanitário, principalmente na Cidade do Rio de Janeiro, o que hoje é esquecido por muitos. Isso eu faria e farei novamente se estiver a meu alcance.

Nos últimos meses, meu obituário empresarial tem ocupado as páginas de blogs, jornais e revistas. Só posso dizer que me vejo muito longe deste Eike aposentado. Tenho 57 anos e muita energia para arregaçar mangas e tirar do papel novos projetos. Sou um empreendedor brasileiro, acredito no que faço, amo meu país. A cada dia, minha cabeça fervilha com ideias novas, que nascem do nada e tomam forma aos poucos. Eu me alimento desta capacidade de sonhar e de realizar. Empreender está no meu sangue, no meu DNA. É minha fonte inesgotável de energia e de vida.

— Honrarei todos os meus compromissos. Não deixarei de pagar um único centavo de cada dívida que contraí.

10 de jul. de 2013

Caso Eike Batista põe em xeque apoio do BNDES a megagrupos brasileiros

BRASIL - Economia
Caso Eike Batista põe em xeque apoio do BNDES
a megagrupos brasileiros
Segundo informações do BNDES, o total de empréstimos contratados pelo grupo EBX nos últimos anos foi de R$ 10,4 bilhões de reais. o suficiente para pagar por todos os estádios da Copa.

Foto: Ricardo Moraes/Reuters

"Eike prometeu demais e entregou de menos" - diz consultor financeiro.

Postado por Toinho de Passira
Texto de Ruth Costas Da BBC Brasil em Londres
Fontes:   BBC Brasil

O colapso do grupo EBX, do magnata brasileiro Eike Batista, põe em xeque as políticas de apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em relação a grandes grupos nacionais.

Essa é a avaliação tanto de Aldo Musacchio, professor da Harvard Business School, quanto de Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), que vêm estudando as práticas e escolhas do banco e seus efeitos sobre a economia brasileira.

"É impressionante ver como algumas das escolhas feitas pelo BNDES (no apoio ao que vem sendo chamado) de 'campeões nacionais' não estão obtendo os resultados esperados", diz Musacchio.

"E o grupo EBX é apenas o último exemplo disso. Com todos os protestos contra a corrupção e esse debate sobre os custos dos estádios (da Copa), parece problemático o fato de o banco ter arriscado bilhões nesse grupo."

O EBX - conglomerado que inclui a petrolífera OGX, a produtora de energia MPX, o estaleiro OSX, a mineradora MMX e outras empresas - era um cliente preferencial do BNDES.

Segundo informações do banco, o total de empréstimos contratados pelo grupo nos últimos anos foi de R$ 10,4 bilhões de reais. o suficiente para pagar por todos os estádios da Copa.

O valor inclui os recursos que o banco se comprometeu a emprestar a Eike, mas não desconta o que já foi pago e o que ainda não foi desembolsado. O BNDES se recusa a revelar quanto o grupo efetivamente lhe deve alegando sigilo bancário, mas diz que sua exposição a EBX é "pequena" e Eike teria oferecido "amplas garantias" aos empréstimos.

De acordo com um levantamento do banco Merryll Lynch feito com base nos balanços das empresas, porém, tal exposição seria da ordem de R$ 4,9 bilhões – o que faria do BNDES a instituição financeira mais exposta ao grupo.

Além disso, o BNDESPar, braço de participações acionárias do banco, tem pequenas participações na SIX (33,02%), MPX(10,34%), CCX (11,72%), MMX (0,66%) e OGX (0,26%), em um total de mais de R$ 500 milhões.

Eike era, em março de 2012, o oitavo homem mais rico do mundo segundo a agência Bloomberg, com um patrimônio estimado em US$ 34,5 bilhões (R$ 78 bilhões).

A desaceleração chinesa, a perda de vigor do PIB brasileiro e uma série de problemas do grupo EBX, porém, fizeram com que suas empresas pouco a pouco perdessem a confiança dos mercados.

Primeiro a OSX revisou suas metas de produção. A mineradora MMX teve obras paralisadas no Chile e desistiu de projetos no país. Quando a petrolífera OGX anunciou a inviabilidade comercial de seus poços da Bacia de Campos, na semana passada, as ações de algumas empresas do conglomerado caíram em queda livre e começou-se a falar em uma reestruturação total do grupo.

A fortuna de Eike encolheu para US$ 2,9 bilhões (R$ 6,5 bilhões).

"O problema do grupo EBX foi ter crescido rápido demais apostando em um cenário muito otimista", diz Wilber Colmerauer, do Emerging Markets Investments em Londres. Ou seja, Eike prometeu demais e entregou de menos.

Foto: Divulgação

Estadão: em um ano, BNDES vê investimentos no Grupo EBX diminuir em R$ 359 mi

CRITICAS

"É claro que não foi só o BNDES que se enganou com a EBX. Os bancos e investidores privados também acreditaram em suas promessas de grandes lucros", diz Almeida.

Para o especialista do IPEA, no entanto, a questão é que o BNDES faz empréstimos com recursos públicos e juros subsidiados e, portanto, deveria ser guiado por uma lógica diferente da usada pelo setor privado – o que não parece ser o caso.

"Poderíamos ter investido os recursos (emprestados ou usados para adquirir participações no grupo EBX) em setores que nos levassem a criar tecnologias novas e não vão se desenvolver se não tiverem incentivos", diz Almeida.

"É claro que também há riscos nessa opção, mas um risco justificado pelos potenciais benefícios em termos de aprendizado, de mudança estrutural no setor produtivo que ajudariam a diversificar a economia do país e lhe dar mais perspectivas no longo prazo. Não vejo o que ganharíamos apoiando um grande grupo como o EBX, que além de ser mais capaz de captar recursos no setor privado atua em áreas em que o Brasil já é 'forte', já tem vantagens comparativas."

Musacchio, de Harvard, concorda com o diagnóstico.

"As grandes apostas do BNDES nos últimos anos têm sido em (empresas que atuam na área de) commodities - petróleo, mineração, gás, carne congelada e etecetera", diz ele.

"Isso quer dizer: o banco está apostando em setores que são muito dependentes do crescimento do PIB chinês em um momento em que a China está desacelerando. Mas se você conversa com produtores de equipamentos médicos, de hard drive e outros (produtos de alto valor agregado) se dá conta que eles não estão recebendo tanto apoio."

Foto: Fábio Rossi/Agência O Globo

Porto Açu: Projeto de mega-porto do grupo X busca investidores

PESQUISA

Musacchio conta ter feito um estudo analisando os investimentos de portfólio do BNDESPar desde 2008 e a conclusão foi de que sua performance, em termos de retornos financeiros, foi muito fraca, "bem aquém da performance da Bovespa em geral".

"Você pode argumentar que o objetivo do BNDES não é maximizar seus lucros", diz o economista. "O problema é que nossos estudos têm mostrado que eles também não têm investido ou emprestado dinheiro para as empresas que mais precisam (por não terem recursos próprios para investir ou fontes de financiamento alternativa). E supostamente, isso ocorreria porque eles estariam escolhendo empresas com boas performances e resultados (Para reduzir seus riscos)."

Já Colmerauer é menos crítico. Para ele, apesar de algumas apostas erradas, nos últimos anos o BNDES também ajudou a criar grupos nacionais que seriam "estrelas do mercado, como a Brazil Foods (resultado da fusão da Perdigão com a Sadia)."

Ele diz que os problemas da empresa de Eike de fato têm gerado grande apreensão nos mercados e agora há uma corrida para entender até que ponto os bancos públicos – e em especial o BNDES – poderiam ser atingidos por suas repercussões.

"Trata-se de um ciclo vicioso: o pessimismo em relação à economia brasileira faz com que seja mais difícil para Eike conseguir novos empréstimos e reestruturar suas empresas e ao mesmo tempo, o colapso do valor de mercado de seu grupo ajuda a ampliar o pessimismo das expectativas sobre o país."

1 de jul. de 2013

Ações da OGX, empresa de Eike Batista, desabam quase 40%, depois de anúncio de suspensão de projetos

BRASIL – Economia
Ações da OGX, empresa de Eike Batista, desabam quase 40%, depois de anúncio de suspensão de projetos
A OGX, a petroleira de Eike Batista anunciou hoje ao mercado que vai paralisar a produção de três poços de produção do campo de Tubarão Azul ao longo de 2014. O motivo é falta de óleo. O comunicado “altera praticamente todo o cenário no qual se baseavam as expectativas do mercado para a companhia, partindo agora para outro patamar, muito mais de sobrevivência do que de crescimento”, alerta a corretora Planner em relatório enviado aos clientes.

Foto: Daniel Marenco/Folhapress

Governador Sérgio Cabral e a presidenta Dilma Rousseff vestem a jaqueta da OGX e ladeiam o empresário Eike Batista, na pomposa solenidade, que marcou o início de produção de petróleo da OGX, na Bacia de Campos, agora anunciado como inviável

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters, Exame, O Globo

Segundo a Agência Reuters a OGX, do empresário Eike Batista, anunciou nesta segunda-feira que suspenderá o desenvolvimento de três campos de petróleo e interrompeu a construção de cinco plataformas, motivando queda de até 39 por cento das ações da companhia.

A petroleira também informou que não investirá no aumento da produção dos poços do campo de Tubarão Azul, na bacia de Campos, onde a extração pode parar no ano que vem.

Citando novas interpretações de dados geológicos, a OGX disse não ser viável o desenvolvimento dos campos Tubarão Tigre, Tubarão Gato e Tubarão Areia, onde as novas plataformas da OSX --também controlada por Eike-- iriam operar.

"Restam poucos caminhos para a empresa. Já há algum tempo deixamos de ter preço justo e indicação para (as ações da) OGX, pela mais absoluta incapacidade de reunir dados confiáveis para realizar projeções", afirmou o analista Luiz Francisco Caetano, da Planner, em relatório intitulado "OGX: O fim da história?".

O anúncio da OGX veio após os três poços marítimos da empresa em produção, todos em Tubarão Azul, sofrerem problemas operacionais e registrarem quedas e interrupções nos últimos meses.

A produção marítima, que chegou ao pico de 13,2 mil barris de petróleo por dia em janeiro, despencou para 1,8 mil barris por dia em abril, recuperando-se a 6,8 mil barris por dia em maio.

As sucessivas frustrações com o nível de produção da OGX e a queima de caixa pela petroleira têm motivado forte queda das ações da empresa, contagiando os papéis de outras companhias de Eike listadas na Bovespa.

No meio de junho, a agência de classificação de crédito Fitch rebaixou o rating da OGX para "CCC", indicando alto risco de não pagamento da dívida.

Neste pregão, os papéis OGX, chegaram a valer 39,2 por cento menos.

No fim de maio, Eike reduziu sua participação na OGX de 61,09 para 58,92 por cento, em operações na bolsa por um preço médio de 1,73 real por papel.

Eike tem o compromisso de aportar até 1 bilhão de dólares na OGX, que tem uma opção contra o empresário a ser exercida até abril de 2014 ao preço de 6,30 reais por papel, se o Conselho da companhia julgar necessário.

Porém, a saída de três conselheiros independentes da OGX na semana passada, os ex-ministros Pedro Malan (Fazenda), Rodolpho Tourinho (Minas e Energia) e da ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie, seria um sinal de que empresa não exigirá de Eike o cumprimento da operação.

A OGX teve prejuízo de 804,6 milhões de reais no primeiro trimestre, quase três vezes superior ao do mesmo período do ano anterior, devido a uma baixa contábil bilionária com poços secos.

IMPACTO NO MERCADO

A queda das ações da OGX tem impacto no mercado brasileiro como um todo pois, além da visibilidade da empresa perante os investidores internacionais, muitos dos quais participaram de sua abertura de capital, o papel tem um peso de 2,55% no Índice Bovespa. A ação estreou no mercado em junho de 2008 custando R$ 11,31 e chegou a valer R$ 23,27 em outubro de 2010.

Além disso, como principal ativo do grupo EBX, do empresário Eike Batista, as dúvidas sobre sua viabilidade afetam as outras companhias coligadas, como a MMX Mineração, a LLX Logística e o estaleiro OSX.

Somando as demais empresas (MMX e LLX), o peso do grupo no Ibovespa sobe a 3,72%. LLX ON cai 8%, MMX cai 6%. OSX está em alta, de 1,4%, já que ela receberá os US$ 449 milhões pela quebra dos contratos no curto prazo. MPX Energia cai 1,32% e a empresa de carvão CCX, 13,19%.

CENÁRIO JÁ COMPLICADO

A divulgação dos problemas de produção da OGX agrava um cenário já conturbado para a empresa, que tem um endividamento elevado e baixas receitas. O mercado já vinha especulando desde a semana passada como a empresa faria para pagar seus débitos, de cerca de R$ 8 bilhões, o que estaria levando os principais bancos do país a procurar alternativas para evitar perdas e Eike a tentar vender ativos e participações para capitalizar as empresas e reduzir o endividamento.

As estimativas são de que Bradesco, Itaú e BTG Pactual tenham quase R$ 1 bilhão cada emprestados para a OGX e a Caixa Econômica Federal mais R$ 750 milhões. O BNDES tem uma posição de cerca de R$ 9 bilhões emprestados para o grupo EBX como um todo.

Segundo a gestora de recursos Vetorial, o impacto da queda de OGX e suas irmãs está prejudicando outros setores, especialmente o financeiro, por conta das dívidas com os bancos. Somente a queda de OGX tem um impacto negativo de quase um ponto no Ibovespa, lembra a gestora.

Em março, a holding de Eike, a EBX, firmou acordo de cooperação estratégica com o BTG Pactual para assessoria financeira, linhas de crédito e futuros investimentos para projetos.

Naquele mesmo mês, o controlador do BTG, o banqueiro André Esteves, chegou a afirmar que no caso da OGX, diferentemente de outras empresas de Eike, não havia muito para o banco fazer. "Uma coisa que não vamos fazer e não temos capacidade de fazer é tirar mais petróleo do fundo dos poços", disse Esteves em entrevista a um jornal.

12 de jun. de 2013

Eike Batista sai da lista dos 200 mais ricos do mundo

BRASIL - Economia
Eike Batista sai da lista dos 200 mais ricos do mundo
Depois de ter diminuído sua participação na OGX, petrolífera do grupo EBX, provocando uma queda nas ações da companhia, o empresário Eike Batista saiu da lista dos 200 homens mais ricos do mundo da agência de informações financeiras Bloomberg.

Foto: Fred Prouser/Reuters

Fortuna do empresário agora está avaliada em “apenas” US$ 6,1 bilhões.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Época, Folha de S.Paulo, G1, Bloomberg

O empresário Eike Batista saiu da lista dos 200 maiores bilionários do mundo da Bloomberg, após vender ações de sua produtora de petróleo OGX, diminuindo a sua participação na companhia.

Segundo reportagem publicada pela Bloomberg, a queda de 9,3% nas ações da OGX na terça-feira ajudou a reduzir US$ 196 milhões do valor de mercado da companhia e deixou o bilionário com uma fortuna estimada em US$ 6,1 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index. A Bloomberg não informa a posição do brasileiro no ranking.

Eike chegou a ser o oitavo homem mais rico do mundo em março do ano passado, quando teve seu patrimônio avaliado em US$ 34,5 bilhões. Chegou a dizer que estava se preparando para ser o primeiro. Em janeiro deste ano, o empresário aparecia na 78ª posição.

Entre os dias 24 e 29 de maio, o empresário vendeu 70,5 milhões de ações da OGX por R$ 121,8 milhões. Com isso, a participação do empresário na companhia recuou de 61,09% para 58,82%.

"Se o próprio dono está se desfazendo das ações, provavelmente não é um bom negócio", disse à Reuters o sócio-diretor da Intrader Corretora, Anderson Luz.

A OGX já acumula perda de 73% de valor de mercado no ano. Há dois anos, o valor de mercado da empresa girava em torno dos R$ 50 bilhões, no final do ano passado valia R$ 14,17 bilhões, terminou o pregão de terça-feira com valor de mercado de R$ 3,78 bilhões.

O Índice de Bilionários da Bloomberg é atualizado diariamente, mas o site do ranking só oferece informações dos 100 mais ricos.

Na lista atual, com dados atualizados até 11 de junho, os únicos brasileiros que figuram entre as 100 maiores fortunas do mundo são Jorge Paulo Lemann, investidor controlador da Anheuser-Busch InBev, e o banqueiro José Safra.

Lemann aparece na 33ª posição, com fortuna estimada em US$ 20,6 bilhões, e Safra na 82ª posição, com patrimônio avaliado em US$ 11,9 bilhões.

6 de jun. de 2013

Defesa de Thor Batista, filho do bilionário Eike Batista, recorre da condenação por homicídio culposo

BRASIL - Justiça
Defesa de Thor Batista, filho do bilionário Eike Batista, recorre da condenação por homicídio culposo
A juíza Daniela Barbosa de Souza diz na sentença que condenou Thor teve conduta imprudente ao volante e estava em altíssima velocidade quando atropelou Wanderson Pereira dos Santos. O filho do empresário Eike Batista atropelou e matou um ciclista em 2012. Thor já tinha cometido nove infrações de trânsito, sete por excesso de velocidade.

Foto: Jadson Marques/R7

Thor Batista na 61º DP, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense (RJ), quando prestou depoimento sobre acidente que matou o ciclista na Rio-Petrópolis, na noite do dia 17 de março

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Terra, Bom Dia Brasil.,

A defesa de Thor Batista, filho do empresário Eike Batista, vai recorrer da condenação por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Thor atropelou um ciclista em 2012.

Pela sentença, Thor Batista vai ter a carteira de habilitação suspensa e não poderá dirigir por dois anos. A pena de detenção, também de dois anos, foi convertida em prestação de serviços comunitários, de preferência em instituições voltadas para a recuperação de vítimas de trânsito.

A juíza Daniela Barbosa de Souza determina ainda que o filho mais velho do empresário Eike Batista e da ex-modelo Luma de Oliveira pague R$ 1 milhão, que deverá ser usado na reabilitação de vítimas de acidentes de automóvel.

Fotos: Nicson Olivier/Folhapress

A Mercedes-Benz SLR McLaren de Thor Batista, danificada do choque com o ciclista.


A exclusiva placa EIK- 0063

No dia 17 de março de 2012, o filho de Eike voltava de Petrópolis em seu Mercedes-Benz SLR McLaren prata, quando atingiu o ajudante de caminhão Wanderson Pereira dos Santos, que trafegava de bicicleta.

No dia 17 de março de 2012, o filho de Eike voltava de Petrópolis em seu Mercedes-Benz SLR McLaren prata, quando atingiu o ajudante de caminhão Wanderson Pereira dos Santos.

De acordo com a denúncia, Thor agiu de forma imprudente ao dirigir o veículo em velocidade incompatível com a pista, conforme laudo pericial. Foi demonstrado que o veículo trafegava pelo menos a 135 Km/h, enquanto a velocidade máxima permitida no trecho é de 110 Km/h.

Ainda segundo a denúncia, Thor ultrapassou um ônibus da empresa pela faixa da direita e, em seguida, momentos antes de atingir a vítima, repetiu a manobra irregular ao ultrapassar outro carro. Thor estava habilitado para dirigir desde dezembro de 2009.

Foto: Nicson Olivier/Folhapress

Destroços da bicicleta da vítima, atiradas longe pelo impacto

O Instituto Médico Legal (IML) apontou que o ciclista havia ingerido bebida alcoólica antes do acidente: foi detectada concentração de 15,5 dg/l (decigramas por litro) de álcool no sangue da vítima.

A perícia listou seis indicadores que atestariam a velocidade mínima de 135 km/h da Mercedes no momento do atropelamento: a violência com que o pé da vítima foi amputado pelo impacto; a grande distância percorrida pelo corpo após a colisão; o carro ter parado alguns metros à frente da vítima; a bicicleta ter sido encontrada quase em frente ao corpo da vítima, mas no lado oposto da pista; os dados técnicos do veículo; e "a aplicação das leis físicas oriundas da mecânica newtoniana".

De acordo com a denúncia, Thor agiu de forma imprudente ao dirigir o veículo em velocidade incompatível com a pista, conforme laudo pericial. Foi demonstrado que o veículo trafegava pelo menos a 135 Km/h, enquanto a velocidade máxima permitida no trecho é de 110 Km/h.

De acordo com a sentença, Thor Batista foi imprudente e dirigia em alta velocidade no momento do acidente. Segundo a juíza, isso foi determinante para a morte da vítima.

A sentença destacou ainda que Thor já tinha cometido nove infrações de trânsito, sete por dirigir acima da velocidade permitida, e que durante o interrogatório, Thor afirmou que as multas não eram problema dele, mas sim de alguma secretária. Bastava pagar e pronto.

Os advogados de Thor Batista disseram que vão recorrer da sentença, e que nada do que a juíza determinou será efetivado enquanto houver recurso.

Foto: Marcia Foletto/ Agência O Globo

FAMÍLIA Maria Vicentina Pereira (esquerda), tia e mãe adotiva de Wanderson Pereira dos Santos e Andreia Pereira da Silva, prima dele. Famíliares receberam de Thor, um milhão, antes da sentença, agora querem mais

FAMÍLIA DE VÍTIMA, THOR E EIKE SERÃO INVESTIGADOS

Além da condenação, a juíza determinou também o envio de peças do processo ao Ministério Público (MP), para que a promotoria investigue Marcio Tadeu Rosa Silva - amigo da família da vítima -, Eike Batista, Thor, e também Maria Vicentina Pereira e Cristina dos Santos Gonçalves- familiares de Wanderson.

Todos os investigados fazem parte de um acordo que deu ao bombeiro Marcio Tadeu a quantia de R$ 100 mil a título de compensação “pelo auxílio e consolo à família da vítima”.

Thor pagou para Maria Vicentina Pereira e Cristina dos Santos Gonçalves - a mãe e a companheira de Wanderson - R$ 1 milhão, em um acordo. O valor foi dividido em duas partes iguais, e cada uma deu R$ 50 mil a Marcio, por sua ajuda no momento do acidente, conforme contou o advogado Cleber Carvalho Rumbelsperger, que defende a família da vítima, ao Terra.

Em maio deste ano, Cleber afirmou que iria processar Thor por ter revelado o acordo. “Estava firmado no contrato, existe um valor a ser pago se isso (a confidencialidade) não fosse respeitado. O valor é de R$ 500 mil. (...) Por isso, vamos pedir o valor da multa prevista no contrato”, afirmou o advogado.

Além de pedir a execução da multa, o advogado da família da vítima afirmou que entraria com um processo por danos morais contra Thor. Segundo ele, após a divulgação do valor pago pelo filho do empresário Eike Batista Maria Vicentina e Cristina Gonçalves passaram a sofrer assédio de parentes e amigos.

“Muitos dizem ‘poxa, mas você disse que não ganhou nada’ e coisas desse tipo”, afirmou o advogado. Por conta das inúmeras ligações, a mãe da vítima deixou sua casa, de acordo com Cleber, e está na residência de parentes.

Em resumo, a defesa de Thor, comprou as testemunhas para não piorarem a situação do cliente, no processo, distribuiu uma grana preta com a família, para ficarem quietos. Não satisfeito, o advogado da família da vítima resolveu pegar mais uma grana do filho do milionário, uma discreta, disfarçada e leve extorsão. Eike Batista deve ter pisado em rastro de corno, ou seja, no próprio rastro.


21 de mai. de 2013

Para fazer caixa, Eike Batista coloca avião à venda

BRASIL - Economia
Para fazer caixa, Eike Batista coloca avião à venda
O empresário Eike Batista, dono do Grupo EBX, colocou à venda um avião executivo da empresa. A notícia causou frisson entre os investidores que ainda estão presos nas empresas X do empresário. Será um negócio de rotina ou a coisa está feia mesmo. Será que ele vai se desfazer também da ex-mulher Luma de Oliveria?

Foto: Captura de Tela

Anuncio no site oferecendo o avião diz que a aeronave tem capacidade para transportar 13 passageiros e já voou 1.418 horas. Tem dois banheiros, área privada e guarda-roupa.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: G1, Controller, Uol - Economia, Terra - Economia

O empresário Eike Batista, dono do Grupo EBX, colocou à venda um jato executivo modelo Legacy 600, da Embraer, ano 2008. A aeronave tem capacidade para transportar 13 passageiros.

A aeronave com a logomarca do grupo está anunciada no site Controller.com. O preço pedido pelo avião de Eike não foi informado. No mesmo site, no entanto, outro jato Embraer Legacy do mesmo ano é anunciado por US$ 14,5 milhões.

Procurado, o Grupo EBX disse que não vai comentar o assunto.

Estudo divulgado na última sexta-feira (17) pela consultoria Economática aponta que as empresas do Grupo EBX tiveram prejuízo de R$ 1,154 bilhão no primeiro trimestre de 2013. Foi a primeira vez que o prejuízo das empresas superou a marca de R$ 1 bilhão desde que os papéis do grupo passaram a ser negociados no mercado acionário, em 2006.

O empresário não aparece mais no ranking da Bloomberg dos 100 maiores bilionários do mundo. Em março de 2012, Eike chegou a figurar entre os oito mais ricos do ranking, quando teve a sua fortuna avaliada em US$ 34,5 bilhões. Em janeiro deste ano, o empresário aparecia na 78ª posição.

O Índice de Bilionários da Bloomberg é atualizado diariamente e oferece uma ferramenta de busca com dados e perfis sobre cada um dos bilionários.

Foto: Thiago Bittencourt/AgNews

Esse avião, que agora foi posto à venda, é o mesmo que Eike Batista, emprestou a Madonna em 2009. Na foto ela desembarcando, no Rio de Janeiro, do jato, seguida do então namorado brasileiro Jesus Luz.


2 de mai. de 2013

Eike, pobre menino rico do Brasil

BRASIL - Economia
Eike, pobre menino rico do Brasil
Eike Batista, de 56 anos, é exuberante, barulhento, extrovertido e frequentador das colunas sociais. O exuberante Eike sempre quis ser o homem mais rico do mundo. Dizia ter dúvidas sobre se ultrapassava o bilionário número um, o mexicano Carlos Slim, “pela direita ou pela esquerda”. No último ano, Eike viu seu patrimônio encolher de US$ 30 bilhões para perto de US$ 10 bilhões. Ele continua bilionário – mas sua história, contada da perspectiva de hoje, tornou-se um enredo de queda. .

Foto: Divulgação

Em 2012, Eike foi, disparado, o maior perdedor no ranking dos maiores bilionários globais. Passou de 7º para 100º lugar na lista da revista americana Forbes. Em um ano, sua fortuna pessoal diminuiu em dois terços.

Postado por Toinho de Passira
Texto de José Fucs, para revista Época
Fonte: Época

O livro “O X da questão”, uma autobiografia escrita com o jornalista Roberto D’Ávila lançada em 2011, o empresário Eike Batista narra a própria trajetória no mundo dos negócios e da sua receita para o sucesso. Eike era então o homem mais rico do Brasil e oi oitavo do mundo, com uma fortuna pessoal estimada em US$ 30 bilhões(cerca de R$ 60 bilhões ao câmbio atual). No livro, Eike exalta a própria capacidade de transformar projetos em ouro e sua capacidade para captar bilhões no mercado financeiro. Fracassos anteriores, como uma fábrica de jipes e uma empresa de encomendas expressas que ele tentara montar, entram na história apenas para reforçar o êxito que viria depois. "Uma convicção se forjou em mim desde muito cedo: Você cresce com as dificuldades. Ou "estresses", como prefiro chamar", diz Eike. "o estresse separa os homens dos meninos, os verdadeiros empreendedores dos que jamais montariam um negócio por sua própria conta e risco".

Eike não dá sinal, em nenhum momento do texto, de que estava prestes a viver o maior estresse de sua vida empresarial. Nas autobiografias precoces, o capítulo seguinte acaba escrito pela vida real - e, no caso de Eike, não seria o mais brilhante da história. Pouco depois de lançar o livro, as coisas começaram a desandar, no maior teste para sua capacidade de crescer na adversidade. Seu império bilionário, erguido velozmente em sete anos, começou a desmoronar em ritmo ainda mais rápido.

O estouro da "bolha Eike" transformou-se em tema de conversas entusiasmadas em Brasília, Londres e Nova York, nos bancos e na Bolsa de Valores, nos jornais e nas mesas de bar. Ele formou um dos maiores grupos empresarial do Brasil, com projetos bilionários em áreas-chaves da economia, como petróleo, energia, logística, construção naval e portos. No total, estima-se que eles já tenham consumido mais de R$ 50 bilhões, entre recursos captados na Bolsa e empréstimos feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por bancos comerciais, estatais e privados. "Apesar das dificuldades vividas pelo grupo, é prematuro dizer que ele quebrará", afirma o presidente de um grande banco do país. Desde já, porém, pode-se dizer que o Eike que sobreviverá deverá ser uma fração daquele que parecia ter conquistado o Everest dos negócios. "Eike nunca mais voltará ao patamar em que estava", diz Luiz Cezar Fernandes, sócio da Gradual Investimentos, de São Paulo, e fundador do antigo banco Pactual, que deu origem ao BTG Pactual.

As dificuldades de Eike têm repercutido negativamente no exterior, onde muitos investidores haviam apostado em seu sucesso comprando papéis emitidos pelas empresas do grupo. Os principais veículos de economia e negócios, que antes exaltavam Eike, noticiaram em reportagens recentes os problemas que ele enfrenta. No final de março, o Wall Street Journal publicou um artigo com o título "Para Eike Batista, a realidade chegou". No início de abril, uma reportagem da revista Forbes dizia que "Eike Batista está se tornando rapidamente o pobre menino rico do Brasil". "Outro dia, durante uma viagem de negócios ao exterior, encontrei um grande investidor estrangeiro com muito caixa para aplicar, sempre em busca de oportunidades no Brasil", diz um gestor brasileiro de fundos de risco. "Ele investiu um bom dinheiro nos negócios do Eike e estava louco da vida". Quando perguntei se ele continuaria a investir no Brasil, ele disse: "Me arruma um brasileiro sério, em quem eu possa confiar, que eu invisto agora".

Em 2012, Eike foi, disparado, o maior perdedor no ranking dos maiores bilionários globais. Passou de 7º para 100º lugar na lista da revista americana Forbes. Em um ano, sua fortuna pessoal diminuiu em dois terços. Passou de US$ 30 bilhões para US$ 10,6 bilhões - uma perda equivalente a US$ 53 milhões por dia ou US$ 2,2 milhões por hora. Trata-se de um golpe duro para quem costumava alardear, em tom de chacota, que não sabia se ultrapassaria o mexicano Carlos Slim, primeiro colocado na lista, "pela esquerda ou pela direita". As principais empresas do grupo EBX, que Eike controla, fecharam 2012 no vermelho. (Todas as empresas de Eike têm, na sigla do nome, a letra X, o símbolo da multiplicação.) O prejuízo total ficou em R$ 2,5 bilhões. Só a OGX, do setor de petróleo, perdeu R$ 1,1 bilhão. Na BM&F Bovespa, o valor de mercado dos maiores empreendimentos de Eike caiu, de R$ 54,7 bilhões, na data de lançamento das ações, para R$ 16 bilhões, na última sexta-feira, 26 de abril.

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Primeira embarcação produziada pela OSX, empresa do Grupo EBX, de Eike, que atua na indústria naval e offshore, a embarcação produziu o primeiro óleo da OGX e está em atividade no campo de Tubarão Azul, localizado em águas rasas da Bacia de Campos, litoral do Rio de Janeiro

AS RAZÕES DA QUEDA

O que, afinal, aconteceu? Como um dos mais promissores e ousados empreendedores brasileiros, alguém capaz de encantar Wall Street, passou, de uma hora para outra, a depender da ajuda do governo para não quebrar? Para entender as razões da queda de Eike, é preciso penetrar nos detalhes da complexa estrutura empresarial que ele construiu em torno da letra X. Como na Xanadu do imperador mongol Kublai Khan, descrita pelo poeta romântico Samuel Coleridge, o castelo de Eike foi projetado em torno de jardins de fertilidade, de onde o mel verteria como gotas de orvalho e seria possível tomar o leite do Paraíso. Suas árvores eram identificadas pelas siglas OGX, OSX, LLX, MMX, MPX e CCX. No centro, a petrolífera OGX, anunciada como uma nova Petrobras. Como na Xanadu descrita por Coleridge, porém, o castelo de Eike foi erguido no ar.

A maior falha de Eike foi não entregar o que prometera em seus projetos, em especial no caso da OGX. Ela chegou a representar três quartos do grupo em valor de mercado, em 2011. Hoje, representa um terço. Dos 30 blocos exploratórios de petróleo que a OGX detém, só três estão em funcionamento e, mesmo assim, com produção limitada. A promessa era, já em 2011, extrair por dia 20 mil barris de petróleo, com apenas um poço em operação. Em março passado, a OGX produziu 15.100 barris por dia nos três poços que opera - 25% abaixo da meta. Não há, de acordo com os analistas, perspectiva de aumento até 2014. A própria empresa informa que seriam necessários 70 mil barris por dia para o balanço sair do vermelho. "Companhia de petróleo não é para qualquer executivo chegar lá e fazer", afirmou na semana passada a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, durante palestra na Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, em um recado velado a Eike.

De acordo com um ex-executivo do grupo X, Eike deveria ter se concentrado no aumento da produção do£ primeiros poços. Em vez disso, gastou a maior parte do dinheiro captado de bancos e investidores para furar novos poços. O objetivo era passar ao mercado a percepção de que encontrara mais petróleo e, assim, captar mais recursos para financiar sua expansão.

A produção em marcha lenta afetou as demais árvores plantadas, em torno da OGX, no Xanadu de Eike. A missão da OSX, um estaleiro, seria fornecer navios para transportar o petróleo da OGX -ou, nas palavras de Eike, seria uma "Embraer dos mares". Em menor escala, o desempenho da OGX afetou também a LLX, uma empresa de logística responsável pela construção do Porto de Açu, no Rio de Janeiro, criado para atender principalmente os petroleiros da OSX. Contaminou até as outras três companhias de Eike com ações negociadas na Bolsa - a MMX, do setor de mineração, criada para ser uma “mini-Vale", a MPX, de energia, e a CCX, cujo principal ativo é uma mina de carvão na Colômbia (leia o quadro na página 86).

Como um bom vendedor, Eike embalou bem os projetos que apresentou aos investidores, com a promessa de gerar resultados em prazos relativamente curtos. A certa altura, começou a ficar claro que ele não cumpriria suas metas. Com isso, a credibilidade de Eike, conquistada em negócios anteriores na área de mineração ficou seriamente arranhada. Como costuma dizer o próprio Eike, "o capital é covarde". Subitamente, as portas se fecharam para ele. A bicicleta, impulsionada pelo dinheiro farto dos bancos e do mercado de capitais, parou de girar. O caixa para tocar os projetos e honrar as dívidas de suas empresas, sem o ingresso das receitas planejadas, ficou curto. "Eike foi tão bom vendedor de seus projetos e sonhos que ele mesmo acreditou na fantasia", diz o economista Rodrigo Constantino. WA sensação é que ele juntou o egocentrismo e a megalomania evidentes e surtou. Ficou tão grande que se achou invencível."

De repente, o que antes era "vendido" por Eike como virtude quando as coisas iam bem - a interdependência dos projetos da OGX, OSX e LLX -, passou a trabalhar contra quando as coisas começaram a ir mal. Eike sabia tudo de mineração - um fato reconhecido pelo mercado -, mas quase nada de petróleo e gás quando decidiu investir no setor. Projetos que encantaram os investidores tinham problemas. O grupo nega, mas empresários que atuam no setor de infraestrutura afirmam que a construção do Porto de Açu foi iniciada sem os estudos geológicos necessários. Segundo eles, isso obrigou a LLX, responsável pelo empreendimento, a instalar estacas mais profundas do que se previa inicialmente, em razão do terreno arenoso, quase um mangue. Isso aumentou os custos. Empresários de mineração afirmam também que o minério de ferro da MMX tem baixa qualidade e exige muita água para ser limpo - informação também contestada pelo grupo de Eike. Resultado: mais custos de produção.

Como se não bastassem as árvores de seus projetos bilionários na área de infraestrutura, Eike plantou também diversas outras plantas e arbustos em seu Xanadu. Está envolvido na exploração de ouro, por meio da AUX, e na produção de chips, por meio da SIX Semicondutores, cuja fábrica fica em Ribeirão das Neves, Minas Gerais. É dono de um restaurante de comida chinesa e do Hotel Glória, no Rio, em reforma. Tornou-se sócio do empresário Rubem Medina no Rock in Rio, por meio de sua empresa de entretenimento, a IMX. Criou até o próprio time de vôlei, o RJX, com jogadores de seleção brasileira, como Bruninho e Dante. Agora, quer assumir a gestão do Maracanã, que deverá reabrir oficialmente para o público em junho, com um amistoso entre Brasil e Inglaterra, pouco antes da Copa das Confederações. Pretende, ainda, implementar um projeto urbanístico que inclui um prédio na Marina da Glória, um dos principais cartões-postais cariocas. "Eike abriu demais o leque", afirma um banqueiro com experiência na reestruturação de empresas. "Se ele tivesse escutado o pai (o ex-presidente da Vale Eliezer Batista), teria feito metade dos investimentos que fez. Agora, está pagando o preço da ousadia."

Uma intensa rotatividade de executivos, pouco usual em empresas de grande porte, ampliou as dúvidas sobre a habilidade de Eike para tocar os negócios e manter os talentos necessários a seu desenvolvimento. Desde 2010, Eike trocou em suas empresas nada menos que 31 altos executivos, entre eles nove presidentes. Seduzidos pelas promessas de bônus generosos, boa parte em ações, muitos saíram quando Eike os convidou a aplicar parte do que haviam recebido nas próprias empresas, cujos papéis estavam em queda, após a quebra do banco americano Lehman Brothers, em 2008.

A maior e mais conflituosa perda de Eike naquele período foi o engenheiro Rodolfo Landim. Ele fora trabalhar com Eike em maio de 2006 como seu braço direito. Saiu em abril de 2010, por não ter concordado em diminuir seus bônus e ceder parte das ações que recebera para capitalizar os negócios de Eike. Ex-funcionário de carreira da Petrobras com respeitável conhecimento técnico do setor, Landim galgara os degraus mais altos na estatal, como presidente da BR Distribuidora e da Gaspetro. Com Eike, liderou as operações bem-sucedidas de lançamento das ações de cinco empresas do grupo X na Bolsa -MMX, MPX, LLX, OGX e OSX. Pelas contas de Landim, a MMX, a primeira a abrir o capital, valia R$ 600 milhões quando ele chegou. Quatro anos depois, quando saiu, o grupo se multiplicara e se diversificara. Valia R$ 82,4 bilhões. No período em que esteve com Eike, Landim acumulou um patrimônio pessoal estimado em R$ 200 milhões, entre salários, bonificações e ações, algo como R$ 50 milhões ao ano.

Hoje, dono de sua própria petrolífera, a Ouro Preto Petróleo e Gás, e sócio da Mare Investimentos, uma empresa de gestão de recursos, Landim disputa com Eike uma ação na Justiça que poderá torná-lo quase R$ 500 milhões mais rico. Ele cobra uma participação de 1% na holding pessoal de Eike, a Centennial Asset Mining Fund, com sede no Estado americano de Nevada, que controla grande parte de suas ações nas empresas do grupo X. Segundo Landim, essa participação lhe fora prometida num bilhete escrito por Eike numa viagem de avião de Londres para o Rio de Janeiro, em dezembro de 2006. A Justiça entendeu, porém, que o manuscrito não tinha valor jurídico e rejeitou o pedido de Landim em segunda instância. Seu advogado, Sergio Tostes, entrou com um embargo declaratório no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, para questionar se Eike não violou o "princípio da boa-fé", ao alegar que o bilhete não tem valor jurídico, apesar de reconhecer que ele o escreveu e o assinou. A decisão final da corte ainda está pendente.

No começo de 2013, depois de 50 dias trabalhando como vice-presidente da EBX, a holding do grupo, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, presidente da Firjan, pediu demissão. De acordo com quem convive ou conviveu com ele, Eike escuta bem menos as opiniões de seu pessoal do que diz em seu livro. "O Eike é um cara complicado", diz Landim. "Ele gosta que as pessoas o elogiem o tempo todo."

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AS RELAÇÕES COM O GOVERNO

Eike tem boas relações em várias esferas do governo e com políticos - do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao governador do Rio, Sérgio Cabral. Foi um dos principais doadores de recursos para as campanhas eleitorais de ambos e também da presidente Dilma Rousseff. Eike também doou R$ 1 milhão para o filme Lula, o filho do Brasil lançado em 2009. Em janeiro, a bordo do jatinho de Eike, Lula o acompanhou numa visita ao Porto de Açu. Conseguiu uma audiência com Dilma para conversar sobre a crise de seus negócios. "Eike Batista não é diferente de nenhum outro empresário", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

ÉPOCA revelou dias atrás a operação hospital que era articulada em Brasília para ajudar Eike a sanar os problemas do Porto de Açu. O empreendimento ainda não atraiu investimento suficiente para torná-lo sustentável sem os embarques de petróleo da OGX previstos no projeto. A pedido de Lula, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, acionou o embaixador brasileiro em Cingapura, Luís Fernando Serra. Ele atuou como intermediário para tentar convencer a empresa SembCorp Marine a transferir o estaleiro Jurong Aracruz do Espírito Santo para o Porto de Açu. Com a divulgação do lobby de Eike, a operação foi abortada.

A Petrobras é candidata a tomar parte no socorro ao grupo X. A estatal nunca manifestara interesse em se instalar em Açu, mas informou que poderá usar o porto de Eike como base de petroleiros. Também poderá encomendar navios e plataformas à OSX, que tem capacidade ociosa. Talvez até adiante algum dinheiro para a empresa de Eike, antes mesmo de receber as encomendas. "É um negócio, não se trata de ajuda", afirmou Graça Foster, da Petrobras, ao comentar as negociações com o grupo X. "Como o Eike se dimensionou para uma OGX muito maior, ele agora tem braços especializados e equipamentos, mas não tem óleo, enquanto a Petrobras tem óleo, mas não tem equipamentos suficientes para fazer a extração", diz um banqueiro familiarizado com as negociações. "Deve haver um ponto de intersecção construtivo para as duas companhias."

Também se discute no governo o leilão de um trecho que ligará o Porto de Açu à malha ferroviária nacional. O BNDES, que irrigou generosamente as empresas do grupo X, poderá conceder novos créditos ou até comprar mais ações - hoje, o banco já detém participações relevantes em duas, CCX e MPX, de 11,72% e 10,34%, respectivamente. Na semana passada, o BNDES anunciou um crédito suplementar de quase R$ 1 bilhão para a mineradora MMX. Nascido para operar por conta própria, longe dos úberes generosos do Estado, o grupo de Eike poderá se tornar cada vez mais dependente das benesses oficiais.

A operação salvamento de Eike também tem outros atores. No início de março, uma parceria foi fechada com o BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, para reestruturar o grupo X. Apoiada pelos principais credores, ela incluiu uma linha de crédito adicional de R$ 1,3 bilhão, além dos cerca de R$ 300 milhões que o BTG já emprestara a Eike. Como Eike, Esteves cultiva boas relações em Brasília, e seu apoio poderá ajudar o grupo X a receber dinheiro do governo. O retrospecto de Esteves no mercado financeiro sugere que dificilmente ele se envolveria com os negócios de Eike se não acreditasse que é possível salvá-los e lucrar com isso. ÉPOCA apurou que, se tiver sucesso, sua remuneração deverá ser calculada com base na valorização dos papéis de Eike na Bolsa, tendo como base o dia do fechamento da parceria, em 6 de março. Até agora, a reação dos investidores não correspondeu às expectativas. Os preços das ações da OGX caíram cerca de 40% desde então. Em 2014, se a empresa aumentar a produção de petróleo, é possível que haja um salto nas cotações.

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O IMPACTO DA CRISE

Numa reviravolta inimaginável até pouco tempo atrás, Eike é hoje lembrado mais por suas dívidas que por sua fortuna, mais pelas dificuldades de seus negócios que por suas conquistas. Só o BNDES emprestou R$ 10 bilhões ao grupo, incluindo o crédito à MMX em abril. Desse total, estima-se que Eike ainda esteja devendo R$ 5,5 bilhões ao BNDES. Como boa parte dos empréstimos foi repassada às empresas do grupo por bancos comerciais, são eles que assumem o risco das operações, e não o BNDES, diz um dos credores. A exposição direta do BNDES ao grupo X é, segundo ele, inferior a R$ 500 milhões - R$ 109 milhões, de acordo com Eike.

No total, incluindo os repasses do BNDES, os bancos comerciais têm cerca de R$ 16 bilhões emprestados às empresas de Eike. Perto de R$ 3 bilhões foram concedidos à EBX, holding do grupo, pelo Itaú Unibanco e pelo Bradesco, os maiores credores, a maior parte com garantia em ações das empresas. Nos últimos meses, a desvalorização dos papéis gerou desconforto nos dois bancos, especialmente no Itaú, que passou a cobrar novas garantias e ameaçou não renovar os empréstimos. No final, o problema parece ter sido resolvido, ao menos temporariamente.

Ainda é preciso incluir na conta cerca de US$ 3,6 bilhões (R$ 7,2 bilhões) em papéis emitidos pela petrolífera OGX no exterior e vendidos a investidores privados. Somando todas as dívidas do grupo, o total gira em torno de R$ 25 bilhões, além dos cerca de R$ 27 bilhões captados no mercado acionário. A Moody's, uma das maiores empresas internacionais de classificação de risco, anunciou em abril o rebaixamento da avaliação da OGX e deixou aberta a possibilidade de fazer novo rebaixamento no futuro. Curiosamente, a desvalorização dos papéis até agora foi menor que a das ações da empresa.

Para tentar contornar essa situação dramática, o BTG sabe que é preciso, antes de tudo, resgatar a confiança dos investidores. Na visão do banco, MMX, MPX e CCX, além da AUX, a mineradora de ouro, de capital fechado, são projetos que funcionam de forma relativamente independente. A LLX também é um caso visto como menos problemático que OGX e OSX, pois é um projeto que pode ser implementado em fases, de acordo com a demanda e a disponibilidade de caixa. "O grande problema são as empresas que começam com O", diz um executivo envolvido na parceria. São aquelas que dependem de óleo.

Uma equipe de sócios e executivos do BTG está mergulhada no grupo X, para fazer uma avaliação de cada negócio e adequar a gestão a novas metas. Como o grupo X precisa gerar caixa rápido, está em andamento uma renegociação das dívidas. Poderá haver redução do ritmo ou até a paralisação de projetos. A venda de participações e de ativos também deverá reforçar o caixa. No final de março, foi anunciada a venda de metade da participação de Eike na MPX para a E.On, maior empresa de energia da Alemanha, por R$ 1,4 bilhão. Agora, há rumores de que o BTG está negociando a venda de uma fatia da OGX, o epicentro da crise, para a Lukoil, segunda maior petrolífera da Rússia, ou para a Petronas, a estatal de petróleo da Malásia.

No final, a participação de 60% a 70% que Eike detém no capital das empresas do grupo X deverá diminuir para 20% ou 30%, como no caso da MPX. As empresas precisam de sócios que entrem com dinheiro para ajudar a levar os projetos adiante. Eike, em vez de se envolver no dia a dia, deverá continuar no Conselho de Administração das empresas. Só coletará dividendos se - e quando - as empresas derem lucro.

Diante de seu perfil arrojado, muita gente vê Eike como arrogante e parece torcer para vê-lo beijar a lona. Num país carente de empreendedores capazes de correr riscos e ter sucesso graças a seu arrojo e tino empresarial, que possam servir de exemplo não apenas para os mais jovens, mas para toda a sociedade, seria uma derrota ver alguém como ele acabar dependendo de favores do governo para sobreviver.

Qualquer que seja seu futuro, porém, seu caso trará lições para as novas gerações. Se conseguir se recuperar, ele poderá se tornar um exemplo de como é possível aprender na adversidade e reerguer um império abalado. Ou - caso ele perca, seja obrigado a recorrer ao governo ou a se desfazer de suas empresas - de como o pior inimigo de um homem de negócios pode ser a confiança em si mesmo. Em ambos os cenários, uma coisa sua história já deixou clara: os castelos erguidos no ar e os jardins de Xanadu só existem nos sonhos e nos versos românticos.