23 de jan de 2012

Republicanos ainda indefinidos na escolha do candidato para enfrentar Obama

ESTADOS UNIDOS - ELEIÇÕES
Republicanos ainda indefinidos na escolha
do candidato para enfrentar Obama

A vitória de Gingrich na primária da Carolina do Sul embola ainda mais a escolha do Partido Republicano por um candidato suficientemente forte para ameaçar Obama. Em três primárias realizadas, os republicanos tiveram um vencedor em cada. Em Iowa, Santorum terminou na frente, em New Hampshire, Romney, que lidera as pesquisas nacionais, venceu. Agora, na Carolina do Sul, deu Gingrich.

Foto: Eric Thayer/Reuters

"Vencer Barack Obama tem que ser a missão número um do Partido Republicano. Um segundo mandato para Barack Obama será um desastre para este país, e eu estou comprometido em vencê-lo", assegurou Gingrich, após a vitória nas primárias da Carolina do Sul

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Estadão, The New York Times, Daily Mail, The Guardian, Terra

O ex-presidente da Câmara de Representantes (Deputados) dos Estados Unidos Newt Gingrich ao vencer de forma contundente, com e 40% dos votos, (Mitt Romney obteve 27% ; Rick Santorum, 17%; e ultraliberal Ron Paul, 13%) as primárias da Carolina do Sul, criou musculatura e partiu par o ataque.

Sem perda de tempo, aproveitou o momento para tentar colocar na cabeça do eleitor, que “que ele é o único candidato republicano capaz de vencer o presidente Barack Obama em 6 de novembro.”

"Posso concorrer ponto a ponto com Obama nos grandes temas. Existem grandes diferenças", disse Gingrich querendo se mostrar mais preparado que os seus outros concorrentes republicanos.

Alguns comentaristas políticos americanos dizem que o que ele diz pode ser uma verdade, pela sua vivência política e oratória empolgante. Mas outros tantos não acreditam, que mesmo assim, seja ele o escolhido para enfrentar Obama. As pesquisas nacionais indicam o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney como preferido do eleitorado republicano, que deve ganhar de forma arrasadora as próximas primárias na Flórida, segundo pesquisas ele lidera com cerca de 30 pontos porcentuais à frente dos rivais.

Entusiasmado com a vitória, Gingrich, comparou-se ao lendário republicano Ronald Reagan, que em dezembro de 1979 estava 30 pontos atrás do então presidente democrata Jimmy Carter e acabou ganhando as eleições.

Reagan, lembrou Gingrich, conseguiu convencer o eleitorado com suas ideias conservadoras e valores e "o país decidiu que ele tinha razão".

Por sinal, em todos os debates, os candidatos Republicanos lembram e tentam se comparar ao caubói Ronaldo Reagan, herói de um passado distante, ninguém, porém, nem menciona George Bush, o companheiro republicano que exerceu a presidência recentemente.

Segundo Gingrich, a mensagem dos eleitores da Carolina do Sul foi dupla: por um lado, "dor" e "sofrimento" pelo "tremendo" nível de desemprego e por, outro, o "nível de raiva" contra o sistema estabelecido.

Foto: Roberto Gonzalez/Getty Images

Mitt Romney já está em campanha na Flórida, onde deve ganhar com folga e estragar a alegria passageira de Gingrich.

No dia 3 de janeiro, foi dada a largada para a escolha do candidato republicano que enfrentará Barack Obama nas eleições presidenciais, no dia 6 de novembro de 2012. Trata-se de um longo processo de realização de primárias nos Estados e territórios americanos, durante o qual os eleitores elegerão delegados que participarão da Convenção Nacional do Partido Republicano, nos dias 27 e 30 de agosto.

Nas primárias, os eleitores vão às urnas e, por meio de voto secreto, escolhem os delegados que representam seus interesses. Além das primárias tradicionais (realizadas na maioria dos Estados), algumas unidades optam pelas caucuses: pequenas assembleias, geralmente compostas por militantes partidários, que têm a mesma função das primárias, mas com a principal diferença de que em uma caucus o voto é público.

As primárias e as caucuses possuem uma quantidade de delegados proporcional ao tamanho da população do Estado que representam, ao passo os pré-candidatos mais votados recebem um número de delegados proporcional à quantidade de votos obtidos. Neste ano os republicanos terão 38 primárias e 17 caucuses, que, juntas, distribuirão 2.286 delegados. Será candidato aquele que, na Convenção, obtiver os votos de ao menos 1.144 delegados.

Registre-se que em três primárias realizadas, os republicanos tiveram um vencedor em cada. Em Iowa, Santorum terminou na frente. Em New Hampshire, Romney venceu. Agora, na Carolina do Sul, deu Gingrich.

Apesar do favoritismo de Romney na Flórida, a vitória de Gingrich na Carolina do Sul, pode fazer alguns eleitores moverem-se na sua direção. Por sinal, há quem diga que o seu sucesso na última primária veio junto com apoio de setores conservadores do Partido Republicano - há uma semana, ele chegou a ficar cerca de 10 pontos porcentuais atrás de Romney.

A primeira ajuda veio de Sarah Palin, musa do movimento ultraconservador Tea Party e ex-candidata a vice-presidente dos EUA em 2008. Na quarta-feira, ela declarou que se votasse na Carolina do Sul, votaria em Gingrich. No dia seguinte, o governador do Texas, Rick Perry, que até então disputava a nomeação do partido, desistiu e anunciou que também apoiava Gingrich.

Newt Gingrich gastou milhares de dólares em anúncios na televisão falando mal do companheiro Romney. Sem meias palavras questionava a vocação conservadora de Romney e tentou associá-lo à imagem de destruidor de empregos nos EUA, além de qualificá-lo como um sonegador de impostos.

Para analistas, vencer na Carolina do Sul era fundamental para a continuidade da campanha de Gingrich e crucial para determinar o futuro da corrida republicana. O Estado escolheu o candidato presidencial republicano - em detrimento do democrata, inclusive Barack Obama - em 11 das últimas 12 eleições para a Casa Branca.

Foto: Mark Wilson/Getty Images

Gingrich e a terceira esposa, Callista Gingrich. Os americanos vão aprovar uma Primeira Dama que quando secretaria virou amante e tomou o lugar da segunda mulher, que também foi amante?

Foto: Captura de video

A segunda esposa de Gingrich, Marianne, contando na TV que o marido pediu um "casamento aberto", enquanto tinha um caso com a terceira esposa.

Gingrich porém também tem telhado de vidro, como por exemplo alguns escândalos sexuais que ele guarda no currículo, que agora, com seu crescimento podem frisados para destruí-lo. Vão lembrar que ele quando era presidente da Câmara dos Representantes, de 1995 a 1999, comandou, com muito entusiasmo, o processo que tentava dá um impeachment no presidente Bill Clinton, devido ao escândalos sexual com a estagiária. Mais tarde, descobriu-se que ele vivia, também, um caso extraconjugal. Diferente de Clinton, ele acabou ficando com a amante e abandonando a mulher, que tinha câncer - hoje, ele está no terceiro casamento, com sua ex-secretária Callista, de quem foi também amante.

Apesar da ficha corrida pesada demais para um candidato presidencial, o ex-presidente da Câmara dos Representantes, no entanto, é um excelente orador - saiu-se bem em quase todos os debates até agora - e parece que está a ponto de nocautear Santorum e se consolidar como o candidato dos conservadores, o único nome capaz de derrotar o moderado Romney.com apoios que podem influenciar a seu favor as disputas futuras.

Foto: Haraz N. Ghanbari/Associated Press

Enquanto os republicanos autodestroem-se Obama faz uma campanha aparentemente serena e até cantou para os seguidores numa das últimas aparições. O presidente americano, porém sabe que as coisas não serão tão fáceis, raramente um presidente consegue se eleger com o país em crise econômica e o desemprego batendo recordes. Esses são inimigos mais mortais que qualquer candidato oposicionista.


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