25 de jan de 2012

O mundo submerso do Costa Concordia

ITÁLIA
O mundo submerso do Costa Concordia
As notícias sobre o naufrágio do luxuoso transatlântico Costa Concordia, na cota toscana, Itália, falam dos 16 corpos já encontrados, dos 24 ainda desaparecidos, do trabalho insalubre e insano dos mergulhadores, que buscam sobreviventes e corpos nas suas entranhas submersas e as acusações que se acumulam contra o capitão Francesco Schettino.

Foto: Reuters

Mergulhadores onde era um dos restaurantes do navio> Ao fundo pode se ver um enorme painel reproduzindo um afresco de Michelangelo originalmente pintado na Capela Sistina, em Roma.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Metro, Paris Match, Extra, Terra, Terra, Daily Mail, Reuters, Paris Match

A Defesa Civil italiana informou nesta terça-feira que as equipes de resgate encontraram o corpo de mais uma vítima fatal do acidente do Costa Concordia: uma mulher idosa, que estava com um colete salva-vidas, o número de mortos sobe para 16.

A toda hora muda-se o número de possíveis desaparecidos, fala-se agora em 24. Comenta-se também que o acidente pode ter causado mais morte que os números oficiais venham a indicar. Só metade dos corpos resgatados até agora foi identificado. É verdade que o estado de decomposição em que se encontram, após dias submersos sob as águas do mar, dificulta e até impossibilita suas identificações. A maioria só fica sendo conhecida através de exames de DNA, comparativos com os de parentes que as procuram. Já se fala que pelo menos um dos mortos encontrado seria um clandestino, que estava na embarcação, mais não estava registrado nem como passageiro, nem como tripulante.

Um mergulhador citado pelo Daily Mail teria dito: “Há um cheiro insuportável de decomposição lá em baixo”!

Os mergulhadores da Marinha, da polícia e da defesa civil, que buscam corpos e até improvaveis sobreviventes, nos corredores e nas cabines submergidas correm cada vez mais riscos.

Foto: Associated Press

Rebocador é carregado com móveis e utesílios retirados do Costa Concordia

A revista francesa Paris Match resume: O "Costa Concordia" já não é um palácio flutuante, tornou-se uma armadilha de 290 metros de comprimento e 114,5 mil toneladas.

O interior do navio, sob as aguas do mar, tornou-se um fossa escura. Nos corredores, nos grandes espaços de laser, restaurantes e camarotes, matérias-primas degradadas, comida, restos mortais, feses, mobiliário, utesílios, bagagem e quilômetros de carpete descolados formando imensos tubos.

Percorrer toda a sua extensão é um desafio: numa área equivalente a três campos de futebol e uma altura equivalente a 20 andares, situam-se 17 pontes e 1.500 cabines.

A enorme embarcação sinistrada está ancorada precáriamente num lajedo e constantemente movimenta-se. Agrimensores calculam desde domingo, 15 de janeiro, as oscilações do "Costa Concordia". "Em média, ele se move 7 milímetros por hora", calcula um cientista. Ele desliza para o mar à noite, particularmene entre às 22:00 e 02:00, acompanhando a movimentação das marés.

Mais de uma vez, porém, durante o dia, essas oscilações fizeram as buscas serem suspensas. Há o risco real, do barco se despreender do rochedo, e deslizar para um abismo submarino, levando consigo os mergulhadores que estiverem no seu interior.

Foto: Reuters

O Costa Concordia com bóias de proteção para evitar que um possível vazamento de óleo espalhe-se pelo Mediterraneo

Estão sendo ultimados os preparativos finais para a delicada e perigosa operação de retirada as 2.400 toneladas do combustível dos tanques do navio. A empresa holandesa Smit - apoiado pelo Blacks Leghorn - deve começar a extração do o combustível, neste sábado. O combustível será aquecido com ar quente, para se tornar mais fluido, para ser bombeado. A previsão é que a operação toda dure cerca de 30 dias.

Há temores permanente que os tanques do Concórdia se rompam e cause um acidente ecológico de proporções catastroficas, turvando as mais cristalinas águas do Mediterrâneo, em torno da Ilha de Giglio, onde ocorreu o sinistro.

Foto: EPA/Centro subacquei dei Carabinieri

Mergulhador diante do casco do Costa Concordia afundado

Foto: Reuters/Centro subacquei dei Carabinieri

O grande sino do Costa Concordia pode ser visto pendurado numa parte submersa da embarcação, no caminho dos mergulhadores

O chefe da Defesa Civil, Franco Gabrielli, disse que mesmo com o começo do bombeamento, para esvaziamento dos tanques de combustiveis, as buscas por desaparecidos não vão parar.

Claro que com o começo das operações de retirada do óleo, aumentarão, ainda mais, os riscos para os mergulhadores, pois isso afetará a precária estabilidade do navio.

Foto: DAPD

Capitão Francesco Schettino, afundando em acusações.

O comandante do Costa Concordia, o capitão Francesco Schettino, continua em prisão domiciliar, mas o Ministerio Público italiano demanda para que ele vá para um presídio. A cada nova versão de sua responsabilidade e participação decisiva para que ocorresse o acidente sua situação se complica.

Fala-se que ele mudou a rota e arriscou-se passar tão perto do litoral da ilha para saudar um comandante aposentado. Bebera muito durante o jantar, e que estava na cabine de comando, na hora do acidente, em companhia de uma jovem moldávia, Dominica Cemortan, 25 anos, que não constava da lista de passageiros.

Ela nega ser amante do capitão e que estivesse com ele no momento da colisão. Teria ido à cabine após o acidente, chamada por oficiais, para traduzir, para os passageiros russos as instruções do comandante. Ela diz que ao contrário do que se apregoa ele foi um herói durante o acidente, que se não fosse sua intervenção, milhares teriam morrido.

Outra mulher, desta vez a sua esposa, Fabiola Rossi, saiu em defesa de Schettino, disse, em uma entrevista publicada nesta terça-feira, que estava indignada com a maneira como seu marido vinha sendo retratado na mídia.

"Meu marido está no centro de uma tempestade sem precedentes na mídia", disse Fabiola Rossi, à revista francesa Paris Match.

"Não consigo pensar em nenhuma outra tragédia naval ou aérea em que a parte responsável tenha sido tratada com tanta violência... Essa é uma caçada humana, as pessoas estão atrás de um bode expiatório, de um monstro", afirmou.

O advogado de Schettino, que diz que seu cliente admite responsabilidade parcial pelo desastre.

Mais provas se junta às acusações contra o comandante Schettino: apenas 15 minutos após a colisão ele disse por telefone aos proprietários do navio Costa Concordia:

"Fiz uma besteira, enviem rebocadores e helicópteros".

Vai ser difícil ele explicar porque só após uma hora e meia, veio à ordem dos passageiros abandonarem o navio.

Foto: Giampiero Sposito/Reuters

O local onde o navio de Costa Concórdia acidentou-se e encalhou ao bater em rochas perto da ilha de Giglio, na região da Toscana, Itália, se tornou um ponto turístico. Curiosos e turistas têm ido ao local para ver o navio, num cenário que parece cena de filme. Levam câmeras ou tabletes para fotografar ou registram as cenas do próprio celular.


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