19 de jan de 2012

Cameron acusa argentinos de colonialista

REINO UNIDO - ARGENTINA
Cameron acusa argentinos de colonialista
O Premiê britânico disse enfaticamente estar comprometido em proteger território das ilhas Falklands, que a Argentina chama de Malvinas, na tensão entre os dois países pela posse do arquipelágo. Em resposta o vice-presidente argentino, Amado Boudou, interinamente no cargo, qualificou as declarações do britânico como "uma falácia”.<

Foto: Carl Court - WPA Pool/Getty Images

O britânico David Cameron acusando cinicamente os argentinos de colonialista.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:Estadão, O Globo, The Guardian, The Daily Mail

Com a proximidade dos 30 anos da Guerra das Malvinas, o primeiro-ministro britânico David Cameron acusou a Argentina de ser colonialista por reivindicar o território.

Em discurso ao parlamento britânico nesta quarta-feira, Cameron afirmou que está comprometido em proteger as ilhas do Atlântico Sul e acrescentou que os cidadãos das Malvinas devem poder escolher sua nacionalidade.

- O que os argentinos têm falado recentemente, eu diria que realmente está muito mais para colonialismo, porque essas pessoas querem continuar como britânicas e os argentinos querem que eles façam outra coisa - afirmou o primeiro ministro britânico.

Foto: Reuters

O Monumento da Libertação em Port Stanley, Malvinas em homenagem as mais de 900 pessoas mortas durante a invasão da Argentina em 1982

O Reino Unido controla as Ilhas Malvinas desde 1883. A guerra por causa da propriedade do território, que fica a 480 km da costa argentina, aconteceu entre abril e junho de 1982 e causou a morte de 255 britânicos e 650 argentinos.

O governo britânico diz que só vai aceitar discutir a soberania das ilhas se os três mil moradores de lá pedirem por isso. O país também afirma que os insulanos querem continuar com a cidadania britânica.

Foto: Reuters

O general argentino Mario Benjamin Menendez que governou as Malvinas durante o conflito.

A tensão sobre a soberania das Ilhas Malvinas tem crescido nos últimos anos por causa da exploração de petróleo no local e ganha ingredientes extra com os 30 anos da guerra e com a visita do Príncipe William prevista para este ano.

Em junho do ano passado, a presidente argentina Cristina Kirchner descreveu o Reino Unido como um “poder colonialista em decadência” por se recusar a discutir sobre as ilhas e disse que os argumentos britânicos eram exemplos de “mediocridade beirando a estupidez”.

Em dezembro, os governos de Brasil, Chile e Uruguai concordaram em bloquear seus portos para navios com bandeiras das ilhas, mesmo com as tentativas do governo britânico de se aproximar da América Latina para evitar um bloqueio econômico. O ex-presidente brasileiro Lula também já criticou pessoalmente a soberania britânica sobre as ilhas.

A jornalista argentina Flavia Dzodan escrevendo no jornal inglês The Guardian, diz que se houver colonialismo é da parte de David Cameron, não da Argentina.

Comenta num trecho, que Cameron não pode respeitar o direito à autodeterminação do Falklands negando-o a países sul-americanos.

Diz que o primeiro ministro britânico rearrumou a história, convenientemente esqueceu-se de mencionar que os habitantes das Ilhas Falklands, foram expulsos por um ato de força, em 1833, e a população atual descende dos britânicos levados para substituir os habitantes argentinos.

Lembrou que por definição, este sim, é um ato de colonialismo.

Registrou que ontem à noite o vice-presidente argentino, Amado Boudou, que substitui Cristina Kirchner, que está convalescente de uma cirurgia, rebateu as declarações Cameron e qualificados como "uma falácia, uma explosão desajeitada ignorantes das realidades históricas".

Foto: Pedro Ladeira/AFP/Getty Images

O chanceler britânico, William Hague, ouvindo, incomodado, o chanceler brasileiro Antônio Patriota defendendo os direitos da Argentina sobre as Malvinas.

Em visita ao Brasil, nesta quarta-feira, 18, o chanceler britânico, William Hague, levantou a questão dizendo que “a posição britânica em relação à ilha não vai mudar apesar da pressão argentina”. Ouviu do Ministro das Relações Exteriores brasileiro, Antonio Patriota, que o Brasil e a região reconhecem soberania argentina em disputa pelas Ilhas Malvinas.

"As decisões da Unasul (União de Nações Sul-americanas) e do Mercosul são públicas e não há necessidade de reafirmá-las", disse Patriota depois de ser questionado se o Brasil reitera a decisão do Mercosul, feita em dezembro, de proibir o ingresso a portos do bloco de navios que estejam com a bandeira das Malvinas, em apoio à reivindicação da Argentina.

"Apoiamos as resoluções das Nações Unidas que insistem que os governos argentino e britânico dialoguem sobre o tema".

Hague, por fim, preferiu amenizar a discussão dizendo que a diferença de opiniões não deve afetar a "crescente e produtiva" relação com o Brasil.

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