15 de jan de 2012

O naufrágio do transatlântico italiano

ITÁLIA
O naufrágio do transatlântico italiano
O luxuoso transatlântico italiano, Costa Cruzeiros, chocou-se contra um arrecife, na costa da Toscana, na noite desta sexta-feira. O impacto abriu um buraco no casco fazendo a embarcação ficar parcialmente submersa. Três pessoas morreram, mas há uma sinistra expectativa que esse número venha a crescer. Pelo menos 60 ocupantes do navio ainda encontram-se desaparecidos. Havia cerca de 4.200 pessoas a bordo na hora da colisão. O comandante e o oficial que estava na torre de comando na hora do acidente estão presos. Todos os 53 brasileiros que estavam entre os passageiros e tripulantes figuram entre os sobreviventes.

Foto: Stringer /Reuters

O imensa transatlântico naufragado na costa da Toscana, Itália. "Vivemos momentos de caos total. Ninguém da tripulação sabia dizer o que devíamos fazer. O navio começou a inclinar e todo mundo foi jogado por cima dos outros. Muita gente ficou machucada", contou um sobrevivente.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:G1, The New York Times, Revista Época, Corriere della Sera , UOL, Veja

Pelo menos três pessoas morreram e 60 pessoas ainda estão desaparecidas, dos 4.234 passageiros e tripulantes, do luxuoso transatlântico, Costa Cruzeiros, de dez andares, que na noite desta sexta-feira, próximo à ilha de Giglio, na Toscana, bateu num arrecife, encalhou num banco de areia. O navio começou a naufragar inundado por milhares de toneladas de água do mar que entrava por um rasgão de 160 metros abertos no casco. Acabou inclinado, a 80º, boiando precariamente nas águas do Mar Tirreno.

A embarcação fazia um cruzeiro pelo Mediterrâneo: saiu do porto de Civitavecchia, a 80 quilômetros da capital Roma, com destino a Savona, no norte do país. De lá, partiria numa rota com escalas em Palermo (Sicília), Cagliari (Sardenha), Palma de Mallorca, Barcelona (Espanha) e Marselha (França). Cerca de 2 horas depois de zarpar, por volta das 21h30 (18h30 de Brasília), as sirenes soaram.

O Itamarati informou, na tarde deste sábado, que os brasileiros, 47 passageiros e seis tripulantes, que estavam na embarcação, estão bem, segundo noticiou o consulado do Brasil em Roma.

Foto: Corriere Della Sera

Durante o dia, mergulhadores, numa perigosa operação, fizeram busca infrutíferas por sobreviventas, vasculhando a embarção por dentro e nos arredores. Os trabalhos foram suspensos à noite devendo retoranar nas primeiras horas da manhã deste domingo.

Dois passageiros franceses e um peruano membro da tripulação estão entres os mortos, segundo um funcionário do hospital em Grosseto, Tuscany.

Noticia-se que após o impacto, o capitão chegou a tentar mudar o curso do navio, tomando a direção da ilha de Giglio, para facilitar a evacuação dos passageiros, mas o navio tombou antes.

Foto: Stringer/REUTERS

Os passageiros foram resgatados por helicópteros e barcos da guarda costeira. Supõe-se que os desaparecidos estão entre aqueles que tomados de pânico pularam do navio que se inclinava nas águas geladas do Mar Tirreno.

Autoridades italianas abriram um inquérito sobre o acidente. O jornal Corriere della Sera disse que pescadores locais comentaram que era raro para um navio do tamanho do Costa Concordia tomar esse curso, entre a costa toscana e as ilha Giglio. O mais comum era a rota do outro lado da ilha em mar aberto.

Foto: Enzo Russo/European Pressphoto Agency

O comandante do navio, capitão Francesco Schettino, sendo preso pela polícia italiana, neste sábado

A polícia italiana prendeu o capitão do navio, Francesco Schettino e primeiro oficial na ponte, Ciro Ambrosio, sob a acusação, até agora, de imperícia pela causa do naufrágio, de homicídio múltiplo e abandono dos passageiros. Consta que o capitão deixou a área do acidente e se pôs a salvo, antes que os passageiros e tripulantes tivessem sido devidamente resgatados.

Francesco Verusio, o promotor chefe de Grosseto -onde se concentra a investigação- diz não acreditar na versão simplista que o comandante Schettino deu aos investigadores, de que o acidente ocorreu apenas porque o arrecife onde o navio esbarrou não se era registrado na sua carta naútica.

Para o promotor, o Costa Concordia estava seguindo uma "rota errada”, e acabou encontranado a rocha fatídica.

De acordo com a Costa Cruzeiros, proprietária do navio, a rota era correta, o navio poderia passar entre a ilha e o continente, segundo os planos de navegação.

Foto: Remo Casilli/Reuters

Sobreviventes chegando ao Porto Santo Stefano, na Ilha Giglio.

Foto: Stringer/REUTERS

Alguns passageiros do Costa Concordia queixaram-se da lentidão das equipes de socorro, afirmaram que levaram até 1 hora e 30 minutos para deixar o navio.

Um dos passageiros do Costa Concordia disse à imprensa italiana que, "todos estavam jantando quando a luz apagou, houve um tranco e os pratos caíram da mesa".

Quando a luz voltou, o comandante do navio anunciou uma avaria no gerador elétrico e garantiu um conserto rápido, mas a inundação devido à fissura no casco fez o navio ficar inclinado.

Então a tripulação pediu que todos colocassem os coletes salva-vidas e logo veio a ordem para abandonar o navio, disse o passageiro.

Antes disso, muitos passageiros, apavorados, teriam se jogado na água, segundo testemunhas.

Outra passageira, a jornalista Mara Parmegiani, descreveu "cenas de pânico dignas do 'Titanic'", com empurrões entre os passageiros, gritos e choro.

Ela também denunciou o que considerou a falta de preparação da tripulação, afirmando que houve problemas quando os botes salva-vidas foram lançados ao mar e que alguns coletes salva-vidas não funcionaram.

Unidades da Guarda Costeira, navios mercantes e ferrys garantiram a evacuação dos passageiros e tripulantes.

Foto: Majlend Bramo/Massimo Sestini CRN

Mais de 2 mil toneladas de diessel podem vasar dos tanques do navio tombado

O risco de um desastre ambiental estão entre as questões a serem enfrentadas, após o acidente. Nos tanques do Concord, há pelo menos 2.380 toneladas de combustível diesel que podem vazar no mar e alcançar facilmente as praias turisticas da região. A empresa proprietária da embarcação informou que uma equipe técnica holandesa está a caminho do local do acidente para lidar com possíveis problemas ambientais.

Foto: Remo Casilli/Reuters

Pessoal da Guarda Costeira italiana recuperar a caixa-preta do navio de cruzeiro Costa Concordia, o que será muito útil na investigação que procura esclarecer as causas do acidente.

Notícias atualizadas, nesta manhã de domingo, reduz para 17 o número de desaparecidos e confirma que 30 pessoas ficaram feridas, duas delas em estado grave.

Um casal de sul-coreanos, foi resgatado ilhados dentro de uma cabine, sem ferimentos, por mergulhadores que vasculhavam o navio inundado.

Já na manhã deste domingo, o comissário-chefe de bordo, Marrico Giampetroni, 57 anos, foi localizado, com uma perna quebrada, em um dos restaurantes do navio, 36 horas após o acidente. Ele trabalhava no Costa Concordia, desde os 18 anos de idade, acidentou-se, fazendo buscas no terceiro pavimento, verificando se algum passageiro ainda encontrava-se a bordo precisando de ajuda.

Apesar da gravidade da fratura, o seu estado geral é bom, informou um dos bombeiros responsável pelo resgate, que foi feito por um helicóptero.

Foto: Reuters

O comissário chefe Marrico Giampetroni é içado por um helicoptero após ter sido localizado ferido dentro do navio Costa Concordia, um dia e meio após o acidente




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