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9 de jan. de 2013

Chavistas oficialmente informam que Chávez não comparecerá a posse nesta quinta-feira, 10

VENEZUELA
Chavistas oficialmente informam que Chávez não comparecerá a posse nesta quinta-feira, 10
O impasse da ausência do presidente Hugo Chávez a posse, para se investir de um novo mandato, para o qual foi reeleito, está sendo arranjado de qualquer maneira pelos chavistas, que convocaram a população a sair as ruas, para manter o presidente moribundo no poder, rasgando a constituição do país. Institucionalmente quem será o presidente da Venezuela após o dia 10 de janeiro, quando acaba o mandato de Chávez? Não poderá ser o vice, pois, na Venezuela o segundo homem da república é nomeado pelo presidente empossado.

Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuter

ROTINA - Quase todos os dias em Caracas há uma manifestação de apoio a Chávez

Postado por Toinho de Passira
Fontes: BBC Brasil, El Nacional, El Mundo, El Universal, La Razon

A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou na noite desta terça-feira uma permissão para que o presidente Hugo Chávez se ausente do país por tempo indeterminado, após um comunicado da Vice-Presidência do país dizendo que o mandatário não poderá estar presente em Caracas nesta quinta-feira, dia 10 de janeiro, dia previsto para a posse em seu novo mandato.

O presidente da Assembleia, Disodado Cabello, aliado de Chávez, leu o comunicado explicando que por "recomendação médica" o presidente não poderá estar na cerimônia devido à recuperação após a operação a que foi submetido no mês passado em Havana, em Cuba, para tratar um câncer.

"O comandante presidente pediu para informar que, de acordo com as recomendações da equipe médica (...) o processo de recuperação pós-cirúrgica deverá ser estendido para além de 10 de janeiro", afirmou a carta, firmada pelo vice-presidente Nicolás Maduro.

Na carta há também o pedido para que Chávez possa prestar o juramento diante do Tribunal Supremo de Justiça, tal como estabelece o artigo 231 da Constituição venezuelana, sem precisar uma data em específico.

O líder não foi visto em público nem fez comunicação direta desde o dia 11 de dezembro, quando se submeteu a uma quarta operação em Cuba, e onde permanece desde então.

Na segunda-feira, o ministro de Comunicação e Informação venezuelano, Ernesto Villegas, informou que a situação de Chávez é "estável" e disse que continua sendo submetido ao mesmo tratamento.

A confirmação de que Chávez não estará em Caracas para tomar posse no dia 10 elimina uma das dúvidas sobre a situação do presidente, mas não elimina as incertezas sobre o futuro político do país.

A oposição venezuelana pediu à mais alta corte do país que decida, com base nos termos da Constituição, o que deve ocorrer após a ausência do líder na cerimônia marcada para a quinta-feira.

O líder oposicionista, Henrique Capriles, disse que caso Chávez não preste o juramento, de acordo com o Carta Magna venezuelana o presidente da Assembleia Nacional deve atuar como presidente interino e novas eleições devem ser convocadas em 30 dias.

Em entrevista coletiva, ele disse que o vice-presidente Nicolás Maduro e seu gabinete de ministros não foram eleitos e não podem decidir o que ocorrerá com o país.

"No dia 10 de janeiro tem início um novo período constitucional. Na Venezuela não há monarquia nem o sistema cubano em que um passa o poder ao outro. Na Venezuela há eleições", disse Caprilles.

Ele insistiu na ideia de que no dia 7 de outubro, data das últimas eleições presidenciais, "elegeu-se o presidente da República, não o vice-presidente, que na Venezuela não é [escolhido] por voto popular” (é designado pelo presidente após tomar posse). “O povo não votou por Nicolás Maduro nem pelos ministros, o povo votou pelo presidente e aceitamos o resultado", afirmou.

Em resposta, o governo vem insistindo que o juramento e a cerimônia de posse são apenas uma formalidade quando se trata de um presidente reeleito.

O presidente do Parlamento, Diosdado Cabello, pediu que a população saia em passeatas a favor de Chávez e disse que líderes mundiais deveriam vir a Caracas na quinta-feira para mostrar seu apoio ao presidente.

Já o líder opositor Henrique Capriles pediu que nenhuma liderança regional latinoamericana sucumba aos pedidos dos governistas e que evitem embarcar em "jogos políticos".

Ele e o deputado opositor Miguel Ángel Rodríguez relembraram que em seu último comunicado enviado de Cuba, o próprio presidente Hugo Chávez pediu que se respeite a Constituição, convocando-se novas eleições, e que o povo vote em Maduro.

Ainda no dia 8 de dezembro, Chávez disse que "[o vice-presidente Nicolás Maduro] não só deve concluir o período, como manda a Constituição, mas também, em minha firme opinião, plena como uma lua cheia, irrevogável, absoluta, total –já que neste cenário se obriga a convocar, como manda a Constituição, novas eleições presidenciais- ser eleito como presidente da República Bolivariana da Venezuela".

"Se esta é sua ordem, por que não a cumprem? Se são os desejos do presidente Hugo Chávez, que sejam cumpridos. Doa a quem doer", disse Rodríguez diante do Parlamento.


Os chavista vão fazer a constituição ser interpretada da maneira que lhes for conveniente. Enquanto Hugo Chávez estiver respirando, mesmo com a ajuda de aparelhos em Cuba, vai continuar “presidindo” o país.


9 de out. de 2012

Eduardo Campos, rumo a 2014, mostra cacife do PSB

BRASIL – Pernambuco- Eleições 2012
Eduardo Campos, rumo a 2014, mostra cacife do PSB
Em coletiva, Eduardo exibe força do seu partido, levanta a bandeira de um “novo federalismo” e foge do assunto Presidência

Foto:Ricardo B. Labastier/JC Imagem

Eduardo não nega mais veementemente que não é candidato a presidente em 2014, mudou o discurso, afirmando seguidamente: “Nenhum partido pode falar sobre 2014, agora”

Postado por Toinho de Passira
Texto de Eduardo Machado
Fonte: Jornal do Commercio - Edição impressa

Em 2010, quando foi reeleito com 82,83% dos votos válidos (maior percentual do Brasil), Eduardo Campos despontou como uma “noiva” a ser cortejada pelo PT e pelo PSDB para os pleitos seguintes. Dois anos depois, as eleições municipais mudaram o xadrez político nacional e o PSB passou de coadjuvante para compor o elenco principal.

Ao garantir capitais importantes como Belo Horizonte e Recife, disputar o segundo turno em outras três e eleger um total de 436 prefeitos em todo o País, o cacife da legenda alcançou um novo patamar. Além disso, mesmo em cidades onde não teve candidato próprio, o apoio do partido foi disputado entre os adversários.

”O PSB teve vitórias expressivas em 2008, 2010 e em 2012. Isso não quer dizer que é hora de tratarmos de 2014. Vamos primeiro finalizar o 2º turno nas cidades restantes e depois trabalhar para ajudar a presidenta Dilma a recolocar o Brasil no caminho do crescimento econômico”, ressaltou Eduardo Campos, em entrevista coletiva ontem à tarde, na sede provisória do governo, no Centro de Convenções.

O governador analisou ainda a situação de seus (poucos) adversários locais, após a totalização dos votos para prefeito. “A oposição sai da eleição do tamanho que o povo desejou. Democracia é isso.”

Eduardo Campos foi questionado se era candidato à Presidência em 2014 por seis vezes durante a coletiva. De excelente humor, após eleger Geraldo Julio no primeiro turno e ladeado pelo presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, do vice-presidente nacional da legenda, Roberto Amaral, e do secretário nacional, Carlos Ikeda, ele não se importou em responder repetidamente a mesma indagação.

“Vou ter que aguentar vocês me perguntando isso e vocês vão ter que aguentar escutar a mesma resposta sempre. Nenhum partido pode falar sobre 2014, agora. Isso será resolvido no momento certo”, ressaltou o governador.

Animado com a superação da meta estabelecida – vencer em 400 cidades pelo País –, Eduardo Campos encaixou um discurso que enquadra o PSB como uma terceira via concreta para o eleitor. “Nosso partido tem tamanho e tem propostas. Temos governos estaduais e municipais importantes e o resultado do primeiro turno mostra que o PSB é uma opção que ganha cada vez mais unidade e respeito.”

Ao se posicionar como uma força não-atrelada ao PT, Eduardo estabeleceu uma bandeira a ser levantada pelo seu partido. “Há uma nova pauta em discussão que aparece com mais partidos se fortalecendo: o novo federalismo, com uma avaliação direta sobre o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e o FPE (Fundo de Participação dos Estados)”, destacou.

Eduardo tomou cuidado para não se mostrar definitivamente aliado do PT ou do PSDB. “As divergências na eleição do Recife não interferem no plano estadual ou nacional.”

Por outro lado, a parceria com o PSDB permanece viva. “Temos posições divergentes, mas isso não impede que reconheçamos os méritos do governo Fernando Henrique, como a estabilidade financeira, ou a melhoria do acesso à educação. Sem contar que temos alianças antigas com o PSDB em vários Estados.”

Amanhã, a executiva nacional do PSB terá uma reunião para definir a estratégia do segundo turno. “Vamos gravar para os guias eleitorais à noite e nos fins de semana e ajudar onde for preciso.”

Perguntado se teria que trabalhar dobrado, agora que Geraldo Julio está fora do governo, Eduardo reagiu com descontração. Ele asseverou que o time deixado pelo prefeito eleito na Secretaria de Desenvolvimento Econômico está dando conta do recado.

“Já trabalho dobrado com Geraldo ou sem Geraldo. Ele é um grande quadro técnico e político. Só uma pessoa não pode dizer que se surpreendeu com o desempenho dele e essa pessoa sou eu. Vocês vão ver que Geraldo sabe montar equipe, comandar e trabalhar muito. Nós vamos ajudá-lo da mesma forma que ele nos ajudou no governo. Ele será o melhor prefeito que o Recife já teve”, concluiu o governador.


*"PSB mostra o seu cacife, rumo a 2014" é o título original do texto

4 de set. de 2012

Humberto culpa Supremo por rejeição dos recifenses

BRASIL – Recife – Eleições 2012
Humberto culpa Supremo por rejeição dos recifenses
Diante da possível condenação massiva dos petistas integrantes da quadrilha do mensalão, o Partido dos Trabalhadores monta um discurso de perseguição judicial “daselites” para justificar a provável derrota constrangedora que sofrerá nas eleições municipais desse ano. Humberto Costa pega carona justificando sua derrocada e rejeição como fruto do julgamento do mensalão, como se sua biografia de administrador e a forma como foi impostos, como candidato biônico, não tivesse nada a ver com o seu fiasco eleitoral.

Foto: Sergio Figueiredo/Flickr

Humberto Costa, 28% dos recifenses não votam nele de jeito nenhum

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Folha de Pernambuco, O Globo

O Partido dos Trabalhadores une o discurso para justificar a derrota nas urnas e o encarceramento dos seus mensaleiros, dizendo que está sofrendo um ataque “daselites”, como se o Supremo Tribunal Federal, fosse um grupo de opositores que estariam condenando inocentes petista à cadeia.

O candidato petista a prefeito do Recife, Humberto Costa, diante dos números do IBOPE que o apresenta como um dos candidatos mais rejeitados pelos eleitores - 28% dos eleitores, dizem que não votam nele em nenhuma hipótese - atribui esta ojeriza eleitoral ao julgamento do mensalão.

Para ele, o período escolhido para o julgamento foi para pode atrapalhar os candidatos do PT durante as eleições:

“Há neste momento uma situação de exposição do partido. Existe um julgamento, e de alguma forma se reflete na rejeição. Não é por acaso que o mensalão foi marcado para o período eleitoral. Atrapalha, mas ele termina, não é? Não vai durar… acho que no segundo turno deve já ter terminado esse julgamento”, afirmou o petista.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou na noite desta segunda-feira, em Osasco, que o partido foi vítima de um “golpe” de setores conservadores da sociedade com a condenação do deputado federal João Paulo Cunha no julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). Sem citar o nome do deputado, ele disse que o “golpe” ocorre porque seus adversários não conseguem ter sucesso nas urnas.

- “Essa elite suja, reacionária, não tolera que um operário tenha mudado o país. Não tolera que uma mulher dê continuidade a esse projeto (...) E isso, para quem mantinha o povo subjulgado, é inaceitável. E quando eles são derrotados nas urnas, eles lançam mão dos instrumentos de poder que ainda dispõe, desde a mídia conservadora, passando pelo Judiciário, para tentar nos derrotar”.

Os petistas querem fazer os brasileiros eleitores acreditarem que eles estão sendo vítimas de uma perseguição injusta pelos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Fingem não saber que seus companheiros, liderados pelo quadrilheiro José Dirceu, sacavam nas bocas dos caixas dos bancos milhões, originários dos cofres públicos, dinheiros em espécie, tão volumosos que eram até transportados em carros fortes, no maior show de corrupção partidária, jamais vista na história desse país.

O escândalo e a corrupção é tão evidente e grosseira, fruto da certeza da impunidade, que um tribunal que tem 70% dos seus integrantes, nomeado pelos governos de Lula e Dilma Rousseff, não vacila em condenar, por corrupção e lavagem de dinheiro, os acusados do mensalão, os marginais integrantes do Partido dos Trabalhadores.

No caso do Recife, Humberto Costa, está sendo rejeitado porque sua história, como administrador público é sombria e suspeita.

Quando Ministro da Saúde do governo Lula, a pasta se transformou num centro de corrupção, disputando com o mensalão a sangria do dinheiro público . Foi tenebrosamente histórico o caos que a saúde brasileira enfrentou nesse período, tanto que na reforma ministerial, no começo do segundo ano de mandato, o presidente Lula, livrou-se de Humberto, que saiu do ministério com o rabo entre as pernas.

Humberto é rejeitado, de forma recorde, porque além dos recifenses que não o suportam, inúmeras facções do seu próprio partido, não aceitam a sua forma prepotente de tentar exercer liderança, inspirado no seu guru e protetor o companheiro mensaleiro José Dirceu.

Humberto vai perder a eleição porque é um candidato biônico e incompetente. Apesar de senador da república, recém-eleito, debaixo do manto protetor de Eduardo Campos, está levando uma rasteira eleitoral, de um candidato desconhecido e pouco carismático.

O povo recifense está votando no poste de Eduardo Campos, o candidato virtual, que nunca ninguém tinha visto antes, porque aceita qualquer coisa, menos Humberto Costa e seu partido, prosseguirem no comando da prefeitura do Recife.

Ele devia ficar quieto e respeitoso com o Supremo, pois se alguém reabre as investigações dos vampiros ...(?)


2 de jul. de 2012

MÉXICO: Enrique Peña do PRI é novo presidente

MÉXICO
Enrique Peña do PRI ganha eleições
O candidato é jovem e moderno, mas representa o velho velho e surrado Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México por sucessivos 71 anos. Não foi surpresa, devido Às pesquisas, mas é desconfortável ver os eleitores mexicanos, novamente colocarem no poder ao partido que os submeteu a um regime semi-ditatorial, por tantos anos

Fotos: Reuters



Enrique Pena Nieto, o novo presidente do México, eleito neste domingo, comemora ao lado de sua esposa a popular atriz de novelas, Angelica Rivera

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters, BBC Brasil, G1

O candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI), Enrique Peña Nieto, é o novo presidente do México, segundo resultado das eleições realizadas neste domingo, quando obteve quase 39% dos votos. No México as eleições são decididas por maioria simples, sem que haja um segundo turno.

Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), seria o segundo colocado com 32% e Josefina Vázquez Mota, candidata do PAN (Partido Ação Nacional), do atual presidente e Calderón, teria obteve cerca de 26% dos votos.

A vitória de Peña Nieto leva o PRI de volta ao poder após 12 anos. O partido governou o México de 1929 a 2000, até a vitória de Vicente Fox, também do PAN, presidente que antecedeu Calderón.

Além de seu novo presidente, os eleitores mexicanos escolheram, neste domingo, novos congressistas, alguns governadores e prefeitos, numa eleição marcada pelo debate sobre economia e a guerra às drogas.

Autoridades mexicanas afirmaram que a votação transcorreu pacificamente na grande maioria do país.

Milhares de policiais foram mobilizados para proteger quase 80 milhões de eleitores de possíveis atos de violência de cartéis em zonas eleitorais. Nas eleições além do presidente, com mandato de seis anos, renovou-se o Parlamento e foram escolhidas autoridades estaduais e municipais, um total de 2.127 cargos públicos.

Pela coincidência destas votações simultâneas, o pleito foi o maior na história do México.

Foto: Associated Press

Solados diante do Instituto Federal Eleitoral (IFE) do México, no dia da eleição presidencial

No campo econômico, as questões mais prementes na campanha eleitoral foram a pobreza extrema - que afeta quase um terço dos mexicanos - e a sensação, de grande parte da população, de perda de poder aquisitivo, apesar das taxas de crescimento recentes do país (entre 3% e 4%).

Outro tema importante do debate eleitoral foi a insegurança. O México vive sua maior onda de violência ligada ao narcotráfico, com casos de chacinas, sequestros e desaparecimentos ligados a disputas entre cartéis, e entre narcotraficantes e autoridades.

São estimados 50 mil mortos desde 2006, quando o presidente conservador Felipe Calderón foi eleito e abriu uma ofensiva contra o narcotráfico.

No entanto, não é esperada uma mudança radical na política de repressão ao tráfico, nem a retirada do Exército das ruas do país.

Foto: Getty Images

Enrique Peña, tratado pelas eleitoras com um pop star

Jovem, elegante e capaz de causar comoção como um astro da música: Enrique Peña Nieto, de 45 anos, conseguiu levar o seu polêmico Partido Revolucionário Institucional (PRI) de volta à Presidência do México no domingo.

A falta de alternância de poder no país, transformou a democracia mexicana num embaraçosa ditadura com eleições, aparentemente livres, mas, maculadas por atos tipicamente ditatoriais, fraudes, corrupção e uso da máquina publica, para atrair e comprar eleitores.

O excesso de tempo no poder, 71 anos, fez o escritor peruano Mario Vargas Llosa descrever a situação como "a ditadura perfeita".

Cansada de escândalos de autoritarismo e corrupção, a população os retirou do poder através das urnas, em 2000.

Agora, porém, muitos mexicanos parecem ter relegado esses problemas a um segundo plano, mostrando-se mais preocupados com o desemprego e a violência que assolam o país sob o governo do Partido Ação Nacional (PAN).

MARKETING MATRIMONIAL Casamento de Enrique Peña Nieto com a popular atriz Angélica Rivera. Fazia parte da campanha?
"Vamos ter um governo eficaz, honesto, transparente e que preste contas... A luta contra a violência vai prosseguir. Sim, com uma nova estratégia para proteger a vida dos mexicanos", disse o sorridente Peña Nieto no final da noite de domingo, após declarar vitória na eleição presidencial.

Ele também prometeu manter uma economia de livre mercado, mas com "consciência social".

Toda a campanha do PRI se baseou em torno da carismática figura do ex-governador do Estado do México, que não apresentou propostas mirabolantes. Mas, para afiançar sua confiabilidade, Peña Nieto valeu-se de um recurso que já havia utilizado em campanhas anteriores: registrou suas promessas em cartório.

"Você me conhece, e sabe que eu vou cumprir", dizia ele na propaganda que inundou os meios de comunicação nos últimos três meses.

O PAN contestou esse slogan dizendo que muitas obras ficaram inconclusas durante o período (2005-11) em que ele governou o Estado do México, que cerca a capital, ou então que ele dava destaque excessivo a tarefas banais da administração.

Seus adversários e alguns meios de comunicação chegaram a acusá-lo de ser um "produto de marketing", como se fosse um galã de novelas imposto pela poderosa rede de TV Televisa, e que um dos componentes do plano para promovê-lo foi seu casamento, em 2010, com a popular atriz Angélica Rivera.

Durante a campanha, Peña Nieto enfrentou a revelação de infidelidades conjugais durante o primeiro casamento, tendo inclusive dois filhos com suas amantes. Também foi alvo de um movimento estudantil que realizou várias passeatas contra ele.

Peña Nieto anda sempre com o topete engomado e de camisa branca, e seus colaboradores o definem como alguém que sabe trabalhar em equipe, ser bom gestor e se rodear de pessoas capazes.

Ele se define como um pragmático que valoriza mais os resultados que as ideologias, e disse durante a campanha que estimulará investimentos privados na petrolífera Pemex - algo que é tabu inclusive dentro do seu partido.

Peña se formou politicamente no que analistas chamam de Grupo Atlacomulco, visto como parte da velha guarda do PRI, frequentemente caricaturada como um dinossauro de rabo pesado, capaz de manipular várias administrações do partido.

O grupo, cuja existência é negada pelos líderes partidários, está supostamente composto por ex-governadores do Estado do México que nasceram na localidade de Atlacomulco nas últimas sete décadas, e que funcionaria como uma espécie de clã.

A seu redor teriam sido tecidas obscuras tramas de corrupção, e há quem diga que uma bruxa do povoado previu que dali sairiam seis governadores, e que um deles chegaria a presidente. Peña é o sétimo governador oriundo de Atlacomulco.

28 de jun. de 2012

Lula dá uma banana para Humberto

PERNAMBUCO – Recife – Eleições 2012
Lula dá uma banana para Humberto
Blog do Jamildo: “Na festa junina da casa do vice-governador João Lyra Neto, em Caruaru, o governador Eduardo Campos, dizia publicamente que não esperava problemas com o ex-presidente. “Lula não me cobra nada. Quem pega no meu pé é a petezada”, dizia

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

A IMAGEM QUE VALE POR MIL PALAVRAS Foto divulgada no site do Instituo Lula, hoje à tarde.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Instituto Lula, Blog do Jamildo, Wikipedia – Humberto Costa

A foto de Lula sorrindo e apertando a mão de Eduardo Campos, divulgada nesta tarde, foi uma tapa na cara lisa de Humberto Costa. O petista fuxicava que o ex-presidente estava “arretado”, com o governador de Pernambuco.

A verdade é que Lula e Eduardo nunca estiveram tão unidos e mancomunados.

O blog do Jamildo diz que, sem alarde e pouco vazamento, o governador Eduardo Campos viajou à São Paulo, nesta quinta-feira (28), para discutir as eleições no Recife com Lula. Não queria lançar o seu candidato, Geraldo Júlio (PSB), sem antes comentar pessoalmente o assunto com o ex-presidente.

Isso debaixo do tiroteio petista, com o presidente do PT, Rui Falcão, declarando guerra a Eduardo, num vídeo, incitando a militância do PT contra o PSB local.

O encontro com Lula, nesta manhã, antes da oficialização do nome do seu apadrinhado nesta tarde, destruiu a argumentação da ala de Humberto Costa, do PT, que tem alimentado a imprensa local com a informação de que Lula estaria brigado com Eduardo Campos, por ter este ter abandonado a aliança com o PT.

Nas redes sociais, ainda segundo Jamildo, depois do encontro, o assessor de comunicação do governo Eduardo, Carlos Percol, divulgou a foto oficial do encontro, sem perder a oportunidade de fazer ironia. “Eles parecem intrigados?”, questionou.

Na “festa junina da casa do vice-governador João Lyra Neto, em Caruaru, o governador Eduardo Campos, dizia publicamente que não esperava problemas com o ex-presidente. “Lula não me cobra nada. Quem pega no meu pé é a petezada”, dizia.

Humberto Costa que já foi uma trinta vezes candidato a Prefeito do Recife, embora ninguém se lembre, ouviu o canto da sereia de José Dirceu e sua trupe e aceitou fazer parte da trama para dar um impeachment paraguaio no Prefeito João da Costa, e aparecer como o candidato da conciliação.

O plano seria ótimo se não houvesse Eduardo Campos no caminho, como a pedra do poema de Carlos Drummond de Andrade.

Desde da origem das brigas do PT recifense, nos tempos dos embates preliminares, em que engalfinhavam-se João Paulo, o ex-prefeito e João da Costa, prefeito atual, que o governador de Pernambuco viu a possibilidade de tomar de assalto a sucessão do Recife.

Assim, quando concordou em apoiar Haddad em São Paulo, acertou com Lula, que em troca queria ter liberdade na sucessão recifense. Acordo selado, Eduardo ficou esperando os petistas entregarem a rapadura.

Não deu outra, as facções petistas entraram em pé de guerra, e iam se enfraquecendo enquanto travavam batalhas sem fim. Faziam e anulavam prévias, davam impeachment e por fim decidiram nomear o biônico Humberto Costa.

A estas altura Eduardo tinha comido a candidatura petista pelas beiradas, como canjica quente.

Humberto preocupado com seu próprio umbigo, só viu que estava sozinho e mal pago, quando já era tarde demais. Apelou para Lula, como um naufrago a uma tabua de salvação. Ganhou uns tapinhas nas costa, um abraço apertado e só.

Finalmente, não podendo mais retardar, hoje pela via fotográfica, Lula, também abandonou o barco de Humberto, e disse com quem estava.

Politicamente Lula ficou do lado certo. Quem tem mais a oferecer politicamente no futuro? Humberto, um senadorzinho obrigado a lhe apoiar, ou Eduardo, o dono de um partido de alcance nacional?

Não é a primeira vez que Lula, prefere o conterrâneo recifense Eduardo, ao campinense paulista, Humberto Costa.

Na eleição de governador em 2006, Lula inventou uma engenharia política, apoiando ao mesmo tempo, Eduardo e Humberto, fazendo comícios com os dois no mesmo palanque.

Na prática Lula estava tratando Humberto, que era do seu partido, como o filho bastardo, e Eduardo, do PSB, como se fora o filho legítimo.

Humberto perdeu Eduardo ganhou e Lula foi ficando cada vez mais ligado a Eduardo e distanciado do desimportante Humberto.

Nesse instante a única vantagem que Humberto dispõe, é que, por ser médico, pode prescrever, para si mesmo, aqueles comprimidos de tarja preta. Não abuse!

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Eduardo ficou bem na foto, Humberto não pode negar.


26 de jun. de 2012

MÁ NOTÍCIA: Clã Sarney lança nova geração na política

MARANHÃO – Eleição 2012
MÁ NOTÍCIA: Clã Sarney lança nova geração na política
Quase 60 anos depois do atual senador José Sarney ter participado e vencido de um pleito pela primeira vez, os Sarneys estão lançando, nessa eleição, uma nova fornada de descendentes e aparentados, visando manter o domínio do desfortunado feudo do Maranhão


ALIADA ADEQUADA A prefeita de Paço do Lumiar, Bia Venâncio, acusada em 22 processos por corrupção, abriu mão da reeleição em beneficio de Adriano Sarney

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Prosa & Política, Blog do Edgar Ribeiro, Folha de São Paulo, Blog do Cesar Bello, Blog Sua Cidade, Wikipedia, Estadão

Com a segunda geração envelhecendo, o clã Sarney aposta em novos nomes para não ver seu legado minguar”- reporta a jornalista Andreza Matais da sucursal de Brasília da Folha de São Paulo

Adriano Sarney, 32 anos, neto do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e filho do deputado José Sarney Filho (PV-MA) vai disputar a eleição para prefeito de Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís.

Será a entrada da terceira geração da família na política, 57 anos após a primeira eleição de José Sarney.

Adriano é a maior esperança do clã para manter o controle do Maranhão. Com 110 mil habitantes e a 23 km do centro da capital, Paço do Lumiar é estratégica na "geografia Sarney": é o melhor caminho para a ilha de Cururupu, onde a família tem casas.

Vovô Sarney é um exemplo para o netinho Adriano
Cinco candidatos com experiência política já desistiram da eleição em Paço, para apoiar o neto do homem ou por acharem não terem chances com ele no páreo.

”Se for eleito, esse será o primeiro emprego de Adriano, que nos seus 32 anos de vida, nunca pregou "um prego em uma barra de sabão" diz o blogueiro maranhense.

A única atividade laboral de Adriano Sarney, que se tem notícia, foi quando a Polícia Federal que investigava possíveis irregularidade no sistema de crédito consignado no Senado o identificou como operador, no instante em que Sarney estava sendo bombardeado pela descoberta dos seus 300 imorais atos secretos. . Descoberto, Adriano, perdeu a boquinha, como não sabe fazer nada , a família resolveu pendurá-lo no cargo de Prefeito de Paço do Lumiar.

O principal cabo eleitoral de Adriano é a atual prefeita, Bia Venâncio (PSD) (que desistiu da reeleição para abrir espaço ao neto do senador) responde a 22 processos na Justiça e já foi afastada quatro vezes, sob acusação de corrupção. Como se vê uma correligionária perfeita para um Sarney que está começando. "Onde eu estiver, ele vai estar comigo", disse Bia enquanto enfileirava elogios ao novo pretenso candidato:

Papai Sarney Filho, destinou verbas federais para Paço do Lumiar, em forma de emendas parlamentares
"Tudo o que tem aqui em Paço tem o dedo da família Sarney."

Como não tinha nenhuma ligação com o município, Adriano é questionado sobre a legalidade de sua pretensão, por falta de domicílio eleitoral, (pela lei o candidato tem que residir na cidade onde pretende se candidatar) costuma exibir como prova de que tem endereço no município, uma conta de luz, em seu nome, de um sítio, nos limites da cidade..

A reportagem da Folha de São Paulo diz que o Blogueiro Cesar Bello está disposto a ingressar na Justiça eleitoral, para questionar o documento emitido pela Cemar, a companhia energética do Estado governado por Roseana Sarney.

O neto tem a quem puxar: o avô, hoje senador pelo estado do Amapá, também não possui nenhuma ligação com o estado que representa. Comprou em Macapá, apenas para constar, uma casa que serve como seu endereço junto à justiça eleitoral.

Segundo a Folha de São Paulo, as outras apostas da família Sarney, são Filuca Mendes (PMDB), afilhado de batismo de Sarney, candidato em Pinheiro. E Souza Neto, casado com uma sobrinha da governadora Roseana, que irá disputar como vice em Santa Inês.

Filuca já conseguiu uma pequena proeza. O PT decidiu apoiá-lo ignorando resolução que impede novas alianças com o DEM, também na chapa de Filuca. Petistas contrários prometem recorrer ao Diretório Nacional.

20 de jun. de 2012

Farsa Histórica – Merval Pereira

OPINIÃO
Farsa histórica
“Maluf, do seu ponto de vista, agiu com a esperteza que sempre o caracterizou, mas com requintes de crueldade. Ao exigir que Lula fosse à sua casa para selar o acordo, e chamar a imprensa para registrar o momento glorioso para ele e infame para grande parte dos petistas, ele estava se aproveitando da fragilidade momentânea do PT.”

Foto: Moacyr Lopes Junior/Folhapress

Lula aperta a mão de Maluf sob o olha do afilhado Haddad, a foto polêmica, incomodou Erundina e chocou o país

Postado por Toinho de Passira
Texto de Merval Pereira
Fonte: Blog do Merval

A foto que incomodou Luiza Erundina e chocou o país, do ex-presidente Lula ao lado de Paulo Maluf para fechar um acordo político de apoio ao candidato petista à Prefeitura paulistana (o nome dele pouco importa a essa altura) é simbólica de um momento muito especial da infalibilidade política de Lula.

Sua obsessão pela vitória em São Paulo é tamanha que ele não está mais evitando riscos de contaminação como o que está assumindo com o malufismo, certo de que tudo pode para manter ou ampliar o seu poder político.

O choque causado por esse movimento radical pouco importará se a vitória vier em outubro. Mas se sobrevier uma derrota, a foto nos jardins da mansão daquele que não pode sair do país por que está na lista dos mais procurados pela Interpol será a marca da decadência política de Lula, que estará então encerrando um largo ciclo político em que foi considerado insuperável na estratégia eleitoral.

Até o momento, as alianças políticas com Maluf eram feitas por baixo dos panos, de maneira envergonhada, como a negociação em que o PSDB paulista fechava um acordo com o PP em busca de seu 1m30s de tempo de propaganda eleitoral.

A própria Erundina disse, candidamente, que o que a incomodara foi o excesso de exposição do acordo partidário.

Maluf, do seu ponto de vista, agiu com a esperteza que sempre o caracterizou, mas com requintes de crueldade.

Ao exigir que Lula fosse à sua casa para selar o acordo, e chamar a imprensa para registrar o momento glorioso para ele e infame para grande parte dos petistas, ele estava se aproveitando da fragilidade momentânea do PT, que tem um candidato desconhecido que precisa ser exposto ao eleitorado para tentar se eleger.

Lula, como se esse fosse o último reduto eleitoral que lhe falta controlar, está fazendo qualquer negócio para viabilizar a candidatura que inventou.

Já se entregara ao PSD do prefeito Gilberto Kassab, provocando um racha no PT talvez tão grande quanto o de agora, e acabou levando uma rasteira que já prenunciava que talvez o rei estivesse nu.

Agora, quem lhe deu a rasteira foi uma dupla irreconciliável, que Lula tentou colocar no mesmo saco sem nem ao menos ter se dado ao trabalho de conversar antes: Luiza Erundina, que um dia foi afastada do PT por ter aceitado um ministério no governo de coalizão nacional de Itamar Franco, agora se afasta do PT malufista.

E Maluf, que vinha minguando como força política, viu a possibilidade de recuperar a importância estratégica em São Paulo no pouco mais de um minuto de televisão que o PP detém por força de lei.

A sucessão de erros políticos que Lula parece vir cometendo nos últimos meses – a escolha de Haddad, o encontro com Gilmar Mendes, a CPI do Cachoeira, o acordo com Maluf – só será superada se acontecer o que hoje parece improvável, uma vitória de Fernando Haddad.

No resto do país, o PT está submetendo os aliados a seus interesses paulistas, fazendo acordos diversos para garantir em São Paulo uma aliança viável.

A foto de Lula confraternizando com Maluf tem mais um aspecto terrível para a biografia do ex-presidente: ela explicita uma maneira de fazer política que não tem barreiras morais e contagiou toda a política partidária, deteriorando o que já era podre.

As alianças políticas entre Lula, José Sarney, Fernando Collor e Maluf colocam no mesmo barco políticos que já estiveram em posições antagônicas fazendo a História do Brasil, e hoje fazem uma farsa histórica.
Em 1989, José Sarney era presidente da República depois de ter enfrentado Paulo Maluf no PDS. Ante uma previsível vitória do grupo de Maluf derrotando o de Mario Andreazza, Sarney rompeu com partido que presidia, ajudou a fundar a Frente Liberal (PFL) e foi vice de chapa de Tancredo.

Na campanha presidencial da sucessão de Sarney, Lula disse o seguinte dos hoje aliados Sarney e Maluf: "A Nova República é pior do que a velha, porque antigamente era o militar que vinha na TV e falava, e hoje o militar não precisa mais falar porque o Sarney fala pelos militares e os militares falam pelo Sarney. Nós sabemos que antigamente se dizia que o Adhemar de Barros era ladrão, que o Maluf era ladrão. Pois bem: Adhemar de Barros e Maluf poderiam ser ladrão (sic), mas eles são trombadinhas perto do grande ladrão que é o governante da Nova República, perto dos assaltos que se faz".

Na mesma campanha, Collor não deixou por menos: chamou o então presidente Sarney de "corrupto, incompetente e safado".

Durante a campanha das Diretas Já Lula se referiu assim a Maluf: "O símbolo da pouca-vergonha nacional está dizendo que quer ser presidente da República. Daremos a nossa própria vida para impedir que Paulo Maluf seja presidente".

Maluf e Collor tinham a mesma opinião sobre o PT até recentemente. Em 2005, quando Maluf foi preso e Lula festejou, e recebeu a seguinte resposta: “(..) se ele quiser realmente começar a prender os culpados comece por Brasília. Tenho certeza de que o número de presos dá a volta no quarteirão, e a maioria é do partido dele, do PT".

Já em 2006, em plena campanha presidencial marcada pelo mensalão, Collor disse que foi vítima de um "golpe parlamentar", do qual teriam participado José Genoino e José Dirceu,"enterrados até o pescoço no maior assalto aos cofres públicos já praticado nessa nação".

E garantiu: "Quadrilha quem montou foi ele (Lula)", citando ainda Luiz Gushiken, Antonio Palocci, Paulo Okamotto, Duda Mendonça, Jorge Mattoso e Fábio Luiz Lula da Silva, o filho do presidente.

São muitas histórias e muita História para serem esquecidas simplesmente por que Lula assim decidiu.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original

8 de jun. de 2012

PT RECIFE: “Oi, Lula, decepção, em Recife você não manda não!”

PERNAMBUCO – Recife – Eleições 2012
“Oi, Lula, decepção, em Recife você não manda não!”
Gritava a militância na recepção de João da Costa no aeroporto do Recife, em mais um capitulo da novela mexicana da sucessão municipal do Recife. Estranho foi ver Humberto Costa ser lançado candidato a candidato biônico, a prefeito do Recife em São Paulo, sob a influência do mensaleiro José Dirceu. Por outro lado o governador Eduardo Campos, deixou a impressão que não gostou nada de ter perdido momentaneamente o controle total da situação e manda recados sifrados ao PT, numa plantação de melancias.

Foto: Clemílson Campos/JC Imagem

João da Costa, em dia de pop star, na chegada ao Recife:
“- Não vou submeter meu apoio a um ato de força!”

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Blog do Jamildo, Blog do Ricardo Setti, O Globo, UOL, G1, Blog do Jamildo

O colunista Ricardo Setti, muito apropriadamente, comparou o ato da Executiva do Partido dos Trabalhadores, em impor Humberto Costa com o candidato biônico a Prefeitura do Recife, as intervenções do Partido Comunista da extinta União Soviética e ao AI-5, o ato dos militares que governavam o Brasil em 1968, que dava poderes excepcionais ao presidente da república, o General Costa e Silva, suspendendo as garantias constitucionais.

Mais rasteiro o Deputado petista Fernando Ferro, afirmou que a atitude da Executiva Nacional do PT em optar por Humberto Costa, preterindo João da Costa, teria sido "um estupro".

Foto: Blog do Jamildo

Ruidosos partidários do cassado João da Costa, no aeroporto dos Guararapes

Quando regressou ao Recife, depois do golpe da Executiva nacional, João da Costa foi recebido por uma numerosa e ruidosa militância no aeroporto dos Guararapes, que bem ao estilo petista gritava palavras de ordem como “Oi, Lula, decepção, em Recife você não manda não” ou “Golpe é covardia, respeita a democracia”.

Na manhã desta sexta-feira (8), o prefeito joão da Costa, concedeu entrevista ao programa Super Manhã, com Geraldo Freire. Adiantou que deve mesmo recorrer ao Diretório Nacional para rever a decisão da Executiva. Disse ainda que Humberto ainda não o procurou para conversar e que espera que ele não procure tão cedo.

Se tiver suas pretensões negada dentro do Partido, João da Costa pode tentar abrigar-se numa decisão judicial, para se manter candidato. Neste caso, para manter a candidatura de Humberto, o PT, teria que expulsar João da Costa, para tirar-lhe a legenda, e a coisa ia ficar ainda mais mal cheirosa.

Foto: Celso Calheiros/Especial para Terra

Humberto Costa, ao lado do presidente do PT estadual, deputado Pedro Eugênio e do ex-prefeito João Paulo, lançando sua candidatura a prefeito do Recife, num clima de velório

Por estranho que possa parecer Humberto Costa “lançou” sua candidatura a Prefeito de Recife, na cidade de São Paulo, no tapetão doa Executiva Nacional do PT. Sabendo que a militância local, que apoia majoritariamente João da Costa o estava chamando de biônico, tentou rebater com argumentos vazios e prepotentes. Primeiro disse que não poderia ser chamado de biônico, pois tinha o apoio de Lula, como se o apoio de Lula fosse uma força superior que superasse o vexame do “estupro” ao resultado da convenção do partido.

Depois disse que não podia ser classificado de golpista, pois, segundo ele, havia participado da resistência aos governos militares, como se isso impedisse que ele, fosse beneficiado por um ato semelhante aqueles produzidos pelas ditaduras. Basta lembrar que Fidel Castro pegou nas armas para livrar Cuba do ditador Fulgencio Batista e depois disso sentou-se na cadeira de ditador onde está a mais de 50 anos.

Sabe-se perfeitamente que essa intervenção no Recife estava sintonizada com o apoio do PSB, de Eduardo Campos, ao candidato petista a prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad.

Ao que parece que a indicação de Humberto, numa manobra de José Dirceu e a sua turma da facção petista “Construindo um Novo Brasil”, antigo “Campo Majoritário”, queria tirar o governador Eduardo Campos, do “controle” da sucessão do Prefeito do Recife, de olho na futura sucessão estadual e federal.

Foto : Eduardo Braga/SEI

Enquanto isso Eduardo Campos aparece no meio de um plantio de melancias. O que ele quer dizer com isso ?

A direção nacional petista acusada de ditatorial e truculenta, parece estar querendo medir forças com o governador Eduardo Campos, estão “cutucando o capeta com vara curta”.

Eduardo parece não ter sido consultado, ou se consultado, não concordou com o nome de Humberto Costa, sua resposta foi o silencio após o anúncio da indicação. Manifestou-se ruidosamente através do seu pau mandado, o presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, que também é Secretário da Articulação Política do estado, comunicando que não “estava garantido automaticamente o apoio dos socialistas aos petistas”.

Sileno Guedes, que estava cotado para ser o vice-prefeito, indicado por Eduardo, na chapa petista, foi mais além falando em entrevista à rádio CBN:

"Ninguém está desmerecendo a importância do PT, mas o partido entrou num processo autofágico e, se não tivermos cuidado, isto pode contaminar os outros partidos da Frente Popular". E fez questão de acrescentar, que não está descartada a possibilidade do PSB lançar um candidato próprio a Prefeitura do Recife.


Os quatro ases de Eduardo Campos: Tadeu Alencar, Danilo Cabral, Sileno Guedes e Geraldo Júlio, todos do PSB, mais o curinga Maurício Rands, do PT

Para dá visibilidade a este recado o governador Eduardo Campos, foi da palavra à ação, e na tarde desta quinta-feira, exonerou quatro secretários de Estado, desincompatibilizando-os para ficarem em condições de ser o candidato majoritário do seu partido para as próximas eleições> São eles: Tadeu Alencar (Casa Civil), Danilo Cabral (Cidades), Sileno Guedes (Articulação Política) e Geraldo Júlio (Desenvolvimento Econômico), além do próprio Maurício Rands, que volta à Câmara dos Deputados.

Comenta Jamildo no seu Blog que “É como se o governador colocasse quatro cartas na mesa e dissesse que, se for preciso, pode levantar seu rei de espadas”.

Os caciques petistas não estão gostando nada da forma como Eduardo está comportando-se nesta situação. Imaginavam que Eduardo estava vetando o nome de João da Costa para candidato, mas governador queria era indicar o candidato petista, o primo de sua esposa, o fiel escudeiro Mauricio Rands (PT) e o vice Sileno Guedes (PSB). Para ele, ou tudo ou nada. Ou tem o controle total nas eleições municipais do Recife, ou pula fora da aliança, e lança candidato próprio em Recife, e se a coisa se radicalizar, talvez também em São Paulo.

Sem o apoio de Eduardo, Humberto Costa vai ficar falando fino, sozinho e pode até pode renunciar, transformando-se na viúva Porcina, “aquela que foi sem nunca ter sido”.

O certo é que ainda muita água do Rio Capibaribe vai passar por baixa da Ponte Princesa Isabel, até essa novela mexicana acabar.

Charge: MIGUEL - Jornal do Comércio (PE)


7 de jun. de 2012

Candidatura empacada – Merval Pereira

OPINIÃO
Candidatura empacada – Merval Pereira
”O tucano Serra diz que faz acordos com partidos, não pessoas, para exorcizar a presença no PR do mensaleiro Waldemar da Costa Neto nos bastidores da negociação. Já Lula considera estranho que o PR, estando na base aliada de Dilma, apoie um candidato tucano à prefeitura paulistana. Enfim, uma verdadeira geleia geral que só pode resultar em governos sem espinha dorsal e, sobretudo, sem valores a defender.”

Foto: J F Diorio/AE

Haddad escoltado por Lula fala no Programa do Ratinho. Nenhum partido aceitou fazer uma aliança com o PT para apoiar a candidatura do “novo” (Haddad) , o que diz muito da desconfiança com que os políticos a estão tratando, mesmo tendo Lula como seu fiador.

Postado por Toinho de Passira
Texto: Merval Pereira
Fonte: Blog do Merval

Se a medida para avaliar o potencial de uma candidatura é sua capacidade de agregar apoios partidários, a de Fernando Haddad à prefeitura paulistana continua empacada. Até o momento, nenhum partido aceitou fazer uma aliança com o PT para a disputa municipal, o que diz muito da desconfiança com que os políticos a estão tratando, mesmo tendo Lula como seu fiador.

Restam PSB e PCdoB como chances de aliança política para engordar o tempo de televisão e rádio na propaganda eleitoral gratuita. O PSB paulista, que fazia parte da base aliada do governador Geraldo Alckmin, prefere majoritariamente apoiar José Serra, e o governador Eduardo Campos está tendo que intervir para mudar essa tendência, atendendo ao pedido de Lula.

E o PCdoB tem em Netinho um candidato de fôlego curto, mas que pode ter uma base de votos importante para a eleição de vereadores e uma negociação no segundo turno. A tendência, no entanto, é que os dois partidos acabem aderindo à candidatura Haddad, mas o PSB fará isso sem entusiasmo.

Partidos da base aliada ou estão com o tucano José Serra, como o PV e o PR, ou estão tratando de suas próprias candidaturas, como o PMDB com Gabriel Chalita, o PP com Celso Russomanno ou até mesmo o PDT com Paulinho da Força.

É que, em circunstâncias como esta, é mais fácil ter uma candidatura própria para se resguardar para o segundo turno do que enfrentar diretamente Lula, negando-se a fazer a aliança, como fez o PR. Mas o PR tem razões próprias para demonstrar seu descontentamento com o governo.

O apoio do PR à candidatura à Prefeitura de São Paulo de José Serra, provocando lamentações no próprio ex-presidente Lula, que tentou em vão levar o partido para apoiar Fernando Haddad, o candidato petista que ele inventou, é exemplar da bagunça em que se transformou nosso sistema partidário.

O minuto e meio a que o PR tem direito na propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão faz com que o passado do partido seja absolvido em qualquer coligação partidária, seja do PSDB, seja do PT.

Afastado do governo Dilma por acusações de corrupção, o ex-ministro Alfredo Nascimento continua atuando como grande cacique político, barganhando os minutos que seu partido tem país afora, sem que o programa partidário ou a ideologia tenham alguma coisa a ver com as coligações que vai fechando.

O tucano Serra diz que faz acordos com partidos, não pessoas, para exorcizar a presença no PR do mensaleiro Waldemar da Costa Neto nos bastidores da negociação.

Já Lula considera estranho que o PR, estando na base aliada de Dilma, apoie um candidato tucano à prefeitura paulistana.

Enfim, uma verdadeira geleia geral que só pode resultar em governos sem espinha dorsal e, sobretudo, sem valores a defender.

O PMDB acredita que seu candidato, Gabriel Chalita, tem mais chances de ir para o segundo turno que Haddad e faz o jogo da coligação para contar com o apoio do PT num segundo turno contra Serra.

Se o caso é de apresentar um candidato "novo", então Chalita tem melhores condições do que Haddad, pois, além de ter um ar mais jovem que o do petista, tem mais experiência política, já tendo sido testado com sucesso nas urnas.

Essa estratégia de contrapor o "novo" ao "velho", tratando o candidato tucano como "desgastado", como disse Lula a seu respeito no "Programa do Ratinho", só tem despertado a indignação da senadora Marta Suplicy, barrada por Lula na pretensão de ser novamente candidata a prefeita justamente sob o argumento de que o partido precisaria de uma figura "nova" para sinalizar ao eleitorado que algo havia mudado.

Tudo isso para marcar a idade do candidato tucano, pois José Serra tem 70 anos, enquanto Fernando Haddad tem 49, mas atingindo a veterana senadora.

Acontece que a questão não deveria se resumir à idade do candidato, mas à maneira nova de fazer política, e isso até agora não se viu na campanha petista e, ouso dizer, não se verá, pois ela é fruto do mais antigo modelo de fazer política, a imposição pelo "cacique" de um nome de sua preferência, sem que as bases partidárias possam dar sua opinião.

Se uma prévia fosse feita, é provável que a senadora Marta Suplicy a vencesse com sobras, mesmo com Lula apoiando Haddad.

O PT fez em São Paulo o que está fazendo em Recife, onde desrespeitou as prévias para impedir a candidatura à reeleição do prefeito João da Costa.

Da conspiração para fazer do senador Humberto Costa o candidato oficial participa também o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que se oferece ao eleitorado como uma liderança jovem e renovadora, mas que tem hábitos de oligarca, seguindo a tradição de seu avô Miguel Arraes.

Hábitos, aliás, que Lula critica nos discursos de palanque, mas adota com grande gosto. Entre o que Lula diz e o que faz, apoiando as grandes oligarquias nacionais, como a dos Sarney no Maranhão, vai uma grande diferença.

Em São Paulo, Serra, o político "velho", que já concorreu três vezes à prefeitura, tendo sido eleito em uma delas, teve que disputar uma prévia dentro do PSDB pela primeira vez para concorrer, numa demonstração de que os "velhos" hábitos podem ser modificados, desde que se queira.


*Acrescentamos subtítulo, foto e legenda ao texto original

16 de mai. de 2012

Apoio a causa gay, não altera popularidade de Obama

ESTADOS UNIDOS – Eleições 2012
Apoio a causa gay, não altera popularidade de Obama
Apesar de todo o barulho da mídia, a declaração de apoio ao casamento gay, feita pelo presidente americano, (a capa da edição da "Newsweek" que estará nas bancas na próxima semana, tem Obama na capa com a manchete “O primeiro presidente gay”) e do debate político acirrado, as pesquisas indicam que o presidente nem foi prejudicado nem favorecido eleitoralmente, com esse episódio.

Capa da "Revista Newsweek" da próxima semana

Obama na capa da Newsweek: "Primeiro presidente Gay"

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters , Exame, Publico, Bom dia Brasil, The Daily Best

Na capa da edição da "Newsweek" que estará nas bancas em 21 de maio mostra uma fotomontagem do presidente Barack Obama com uma auréola com as cores do arco-íris - símbolo das bandeiras dos grupos militantes de homossexuais, bissexuais e transexuais, acrescida da polêmica manchete: “O primeiro presidente gay” A matéria de capa da edição da "Newsweek" foi escrita pelo jornalista Andrew Sullivan, ativista político e homossexual.

Sullivan antecipou em seu blog parte do conteúdo da matéria: "Obama teve de descobrir sua identidade como negro e depois se reconciliar com sua família branca, da mesma maneira que os homossexuais descobrem sua identidade e depois têm de se reconciliar com sua família heterossexual".

Diz também que a decisão de Obama de se anunciar favorável ao casamento homossexual não foi uma manobra política apenas visando às eleições presidenciais de novembro.

"Quando alguém faz uma pausa e avalia o histórico de Obama sobre os direitos dos homossexuais, percebe que, de fato, isto não foi uma aberração", destacou o blogueiro. "Foi a culminação inevitável de três anos de trabalho".

A manifestação de apoio do presidente Barack Obama ao casamento entre homossexuais, porém, apesar de inflamar as paixões políticas, não melhorou sua popularidade, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na terça-feira.

De acordo com a pesquisa, 31 por cento dos norte-americanos veem Obama de forma mais favorável por causa da declaração dele, enquanto 30 por cento passaram a vê-lo de forma menos favorável. Para 40 por cento, o anúncio não alterou a opinião sobre o presidente.

Obama disse que seu anúncio sobre o tema foi uma decisão pessoal, mas ele com isso abriu um intenso debate político, junto com especulações de que isso teria sido uma manobra para ajudá-lo na disputa pela reeleição em novembro.

Mitt Romney, favorito para ser o candidato republicano a presidente, é contra o casamento gay, e não teve como evitar que a questão tirasse o foco dos seus esforços para atacar a atuação de Obama na economia.

A questão do casamento gay é vista de forma muito diferente entre republicanos e democratas. No caso de simpatizantes do partido democrata, 53 por cento passaram a ver Obama de forma mais favorável após o anúncio; entre os republicanos, 56 por cento passaram a vê-lo de forma mais negativa.

Julia Clark, do instituto Ipsos, disse que essa divisão pode ser útil para os republicanos, que historicamente, segundo ela, têm mais sucesso na mobilização de seus seguidores em torno de questões sociais polêmicas.

"A extrema polarização que vemos na clivagem entre democratas e republicanos é (...) bastante substancial", disse Clark.

"Quando vemos os dois grupos separadamente, acho que isso pode definitivamente mexer nas coisas na disputa nos próximos meses, dependendo de quem for capaz de se mobilizar mais efetivamente."

Foto: Associated Press

O cantor Ricky Martin apresentou um evento, cujos ingressos custavam U$ 5 mil, para arrecadar fundos para a campanha eleitoral do presidente Obama, no Museu de Arte Rubin, em Nova York, em um evento organizado por uma organização LGBT.


14 de mai. de 2012

Hugo Chávez, o imortal?

Venezuela
Hugo Chávez, o imortal?
Faltam apenas cinco meses para as eleições presidenciais na Venezuela, os boatos de que Hugo Chávez não sobreviverá até o pleito, alastra-se com a mesma intensidade que os seus índices de popularidade para ganhar com folga a re-re-eleição.

Foto: Associated Press

PROVA DE VIDA - Hugo Chavez, discurso inflamado, em mais um regresso de Cuba, no aeroporto Simon Bolivar, em Caracas.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters , Opera Mundi, 2001, Blog do Manuel Isidor, Jornal do Brasil, Radar Online - Veja, O Globo, Blog do Merval Pereira, La Prensa

”O delicado estado de saúde do presidente Hugo Chávez se tornou um problema de estado insustentável. Ansiedade, boatos, mentiras e meias-verdades continuar a alimentar uma agitação nacional coletiva” - diz o jornalista Manuel Isidro Molina, em artigo no conceituado jornal venezuelano “La Razón”.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, 57 anos, cantou e fez um empolgado discurso nesta sexta-feira, 12, procurando demonstrar vigor e espantar boatos de que estaria à beira da morte, ao chegar de mais uma de suas idas e vinda a Cuba, onde realiza o tratamento de um câncer recorrente que veio a público em agosto de 2010.

Agora que faltam apenas cinco meses para as eleições presidenciais, os boatos de que Hugo Chávez, não sobreviveria até o pleito, alastra-se com a mesma intensidade que a sua popularidade. Segundo pesquisas publicadas recentemente, o enfermo coronel Chávez, tem 63,7% das intenções de voto e o saudável, jovial e boa pinta Henrique Capriles, candidato único das oposições, tem apenas 23,2%.

A cada pesquisa, quanto maior o boato do agravamento do estado de saúde do presidente, mais ele conquista eleitores, mesmo impossibilitado de fazer campanha, por ordem médica.

O candidato de oposição está cada vez mais encurralado no seu discurso, não pode falar mal de Chávez, sob o risco de despertar piedade. Seus pronunciamentos tentam abordar de forma delicada e sútil, os problemas, econômicos, sociais e de política externa, da Venezuela, mas sem se referir ao responsável por este estado de coisas.

Já o coronel Hugo Chávez está livre para detratá-lo usando de todos os meios de que dispõe. Por exemplo, em discursos oficiais em cadeias de rádio e televisão, fala do adversário como se fosse um inimigo externo da Venezuela.

Ele não diz o nome do adversário, usa apelidos pejorativos para referir-se a eles. Capriles, por exemplo, é chamado costumeiramente pelo coronel Chávez, de "majunche” (pouca coisa) ou "cochino" (porco), acrescido de burguês, apátrida, e de representar a burguesia, o imperialismo e o capitalismo.

Capriles pacientemente não responde aos insultos, diz apenas que foi eleito pelos opositores "para resolver os problemas da Venezuela" e não para "brigar".

Foto: Getty Images

Henrique Capriles, o candidato da oposição, tem a desvantagem de ser saudável demais para conseguir vencer o velho coronel enfermo e abatido.

Como não há nada oficial crível as especulações dominam o noticiário sobre o estado de saúde do presidente, o jornalista Merval Pereira do O Globo, chegou a afirmar, em fevereiro que “o estado de saúde do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, é considerado crítico, e as perspectivas não são nada boas. Os exames, analisados por médicos brasileiros, indicam que o câncer está em processo de metástase, se alastrando em direção ao fígado, deixando pouca margem a uma recuperação”.

Recentemente O Globo afirmou que “quadro de saúde (de Hugo Chávez) não é dos melhores”: segundo o jornalista venezuelano Nelson Bocaranda, o primeiro a noticiar o câncer do presidente, que vinha sendo negado pelo governo.

Segundo Bocaranda Chávez não vem apresentando melhora e "a negação da doença, manifestada a cada aparição, somada à depressão provocada por conhecer a realidade e não poder compartilhá-la com seus seguidores" são "os principais inimigos de sua recuperação".

O jornalista acrescentou que estes seriam os motivos pelos quais os médicos brasileiros que fariam parte da equipe médica de Chávez se retiraram do grupo.

Detalhe da primeira página do Jornal "La Razón", neste domingo

A imprensa desnorteada especula se o presidente tem o risco de morte eminente

Numa crise depressiva, Chávez chegou passou nove dias em silêncio, o que ocasionou rumores de sua morte. O presidente teve que passar pelo vexame de vir a público para provar que estava vivo.

Mergulhando nas especulações registra-se que o câncer do coronel realmente está em metástase. A versão dele, a nova cirurgia, com sucesso, foi para retira de um novo tumor e que o primeiro já havia sido neutralizado com a quimioterapia.

Especialistas comentam que se há um novo tumor, seria necessária mais quimioterapia e ainda mais agressiva que a primeira, e não o tratamento de radioterapia, com o que Chávez diz ter se submetido no último mês em Cuba.

Porém a chegada triunfal de Hugo Chávez parece desmentir tudo isso, no seu Blog, o jornalista Nelson Bocaranda, havia afirma que o presidente Hugo Chávez, estava com uma fratura no fêmur, causado pelo tratamento radioterápico e não conseguia caminhar sem ajuda.

Por outro lado, diz-se que o presidente é medicado com estimulantes e energéticos um pouco antes de chegar ao Aeroporto em Caracas, para durante alguns minutos parecer bem disposto e saudável. Quanto o disfarce de sua capacidade motora, diz-se que as fotos foram feitas apenas por fotografo oficial, não foi permitido jornalista na base aérea, e que surpreendentemente, pela primeira vez a chegada do presidente não foi televisionada ao vivo.

A Venezuela é hoje um gigante poço de petróleo à deriva. O país está parado esperando para ver até onde o seu presidente sobrevive. Como não há uma preparação para o inevitável, sucessor indicado, transição à vista, a Venezuela pode cair numa comoção social histérica, com riscos de golpes de estado e suspenção das eleições, se de repente Chávez se for.


6 de mai. de 2012

Hollande derrota Sarkozy

FRANÇA – ELEIÇÃO 2102
Hollande derrota Sarkozy
François Hollande é o novo presidente da França, com 51,8% dos votos, no segundo turno. Nicolas Sarkozy, que tornou-se o primeiro líder do país a não se reeleger nos últimos 30 anos. Ele é o 11º líder europeu a deixar o poder por causa da crise econômica. François Hollande representa a volta dos socialistas ao poder, após 17 anos na oposição.

Foto: Pascal Rossignol/Reuters/Paris Match

Os partidários de François Hollande comemorando a vitória na Praça da Bastilha, Paris

Postado por Toinho de Passira
Fontes:BBC Brasil, G1, Le Monde, Liberation, O Globo, Paris Match , The New York Times, Folha de São Paulo

O candidato socialista François Hollande é o novo presidente da França, após vencer o segundo turno das eleições para o Palácio do Eliseu, neste domingo. O presidente conservador Nicolas Sarkozy reconheceu a derrota para o adversário, que assumirá o cargo em 15 de maio.

As pesquisas se confirmam Hollande tem 51,9% dos votos, ante 48,1% do rival e candidato à reeleição Nicolas Sarkozy.

Em discurso a seus partidários, o presidente Sarkozy, já admitiu a derrota para o socialista e afirmou que ligou para Hollande, desejando-lhe "boa sorte".

Foto: Michel Euler/Associated Press

Presidente Nicolas Sarkozy, falando aso partidários agradecendo o apoio e reconhecendo a derrota

"Aceito essa derrota por causa dessa França aberta, democrática", disse ele, aclamado aos gritos de "Nicolas, Nicolas" por uma multidão em Paris.

"Tentei fazer o melhor para proteger o povo francês. Apesar dos milhões que votaram em mim, nós falhamos. Vocês me apoiaram, mas não tivemos êxito", acrescentou.

Sarkozy ainda pediu que o UMP, seu partido, permaneça unido para as eleições parlamentares, acontecerão em junho. "Não se dividam, permaneçam unidos. Temos que ganhar a batalha das legislativas", afirmou o presidente em reunião fechada com partidários.

Foto: Philippe Wojazer/Reuters/Paris Match

A decepção dos partidários de Sarkozy vendo o resultado desfavorável no telão

O chanceler francês do governo Sarkozy, Alain Juppé, foi o primeiro ministro a se manifestar sobre o pleito, e voltou a dizer que o foco do partido serão as eleições legislativas.

"Sarkozy fez uma campanha magnífica. Os milhões de franceses que votaram nele merecem essa consideração. Nós não o abandonamos, voltaremos na batalha das legislativas".

Com essa virtual vitória, ele se torna o segundo presidente socialista da Quinta República Francesa fundada pelo general Charles De Gaulle em 1958, depois de François Mitterrand, chefe de Estado de 1981 a 1995.

Foto: Philippe Desmazes/Agence France-Presse — Getty Images
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François Hollande falando pela primeira vez como o candidato vitorioso

Nos primórdios das discussões no seio do Partido Socialista (PS) para o embate eleitoral de maio de 2012, o nome de François Hollande como candidato presidenciável nunca foi levado muito a sério. Ao longo de sua trajetória política, uma imagem pouco favorável colou no personagem.

Ao romper com a tradição de extrema-direita de seu pai, Hollande se afirmou como um social-democrata “profissional”, sem jamais conseguir impor uma forte e singular personalidade de liderança. Ao contrário: era considerado um político “frouxo”, desajeitado, incapaz de defender com vigor e convicção suas opiniões, apelidado inclusive de “marshmallow vivo”.

Sua constância na vida política do partido, como secretário-geral por onze anos (1997-2008), se caracterizou por um papel secundário no front socialista. Hollande nunca foi chamado para ser ministro, preterido por sua então mulher, Ségolène Royal, nos governos François Mitterrand e Lionel Jospin. Na campanha presidencial de 2007, recebeu a pouco elogiosa alcunha de “Monsieur Royal”: o companheiro da candidata ao Palácio do Eliseu, de quem, no entanto, já estava separado há um ano, condição estrategicamente mantida em segredo.

Quase incógnito, François Hollande pavimentou com paciência e obstinação seu caminho rumo à candidatura socialista de 2012, sem se intimidar com o franco favoritismo do ex-ministro da Economia e ex-diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn, posteriormente colocado fora da disputa pela acusação de estupro em Nova York, em maio do ano passado.

Foto: Gonzalo Fuentesl/Reuters/Paris Match

A festa da esquerda francesa: jovens partidários de Hollande, comemoram

Revitalizado por uma nova relação amorosa, com a jornalista Valérie Trierweiler, emagrecido de vários quilos por uma exigente dieta, o insosso Hollande mudou a postura e elevou o tom de voz para relembrar o jovem candidato a deputado de 26 anos que ousou afrontar Jacques Chirac nas eleições legislativas de 1981, na região de Corrèze.

Tido como filho espiritual do entusiasta da construção europeia Jacques Delors, economista de formação, o novo presidente da França, 57 anos, terá o desafio de provar que o voto que o elegeu foi a escolha por um projeto de governo, e não apenas a opção anti-sarkozista que restou.

Charge do "Le Monde"

(Excesso de promessas) - “Sr. Presidente não é possível embarcar imediatamente a bagagem da campanha”


5 de mai. de 2012

Sarkozy avança mas Hollande mantém dianteira

FRANÇA – ELEIÇÕES 2012
Sarkozy avança mas Hollande mantém dianteira
As pesquisas de opinião francesa, constatam que em uma semana Hollande perdeu seis pontos percentuais para Sarkozy, a diferença entre os dois que já foi de 12% caí para apenas 4 pontos percentuais. Há ainda muitos eleitores indecisos, em número suficiente de mudar a história da eleição francesa e barrar a vitória, tida como certa, do socialista François Hollande. Poucos acreditam numa virada do marido de Carla Bruni, mas, como no futebol, o resultado só está garantido quando o juiz aponta o centro do campo dando por encerrada a partida.

Foto: Getty Images

Partidários de Hollande conduzem cartazes do esquerdista que pode estar a um dia de se tornar o primeiro socialista a vencer as eleições presidenciais na França desde 1988.

Postado por Toinho de Passira
Fontes:The New York Times, O Globo, Reuters

Na véspera das eleições presidenciais francesas, a batalha pelo comando da quinta maior economia mundial se volta agora para um grupo determinante: os 15% de eleitores indecisos. Todos os caminhos sugerem uma vitória do socialista François Hollande contra o atual presidente Nicolas Sarkozy, da UMP. Mas com a última sondagem da última sexta-feira indicando uma diferença de apenas quatro pontos percentuais entre os dois — a menor desde o início da corrida —, alguns observadores, como Marco Incerti, do Centro de Estudos de Política Europeia, em Bruxelas, não descartam uma surpresa impulsionada pelos que ainda não definiram o voto.

— Não se deve assumir que a vitória de Hollande é certa. Eu acho que ele vai ganhar, mas a diferença entre os dois diminuiu. Surpresas não podem ser descartadas — alerta.

Incerti não exclui também a possibilidade de que Hollande seja eleito presidente agora e seus rivais da direita vençam as eleições legislativas de junho — o que forçaria o novo presidente a uma espécie de consenso com a direita, dificultando a implementação de planos mais ousados da esquerda socialista.

Sarkozy precisa desesperadamente de 80% dos votos dos eleitores de Marine Le Pen — a líder da extrema-direita que conquistou mais de 18% do eleitorado no primeiro turno. O presidente-candidato também luta por pelo menos 50% dos votos de François Bayrou, líder do único partido de centro na França, o MoDem. Mas levou uma bordoada dos dois nesta semana crucial de campanha.

Le Pen anunciou que vai votar em branco — um gesto que, segundo os analistas, tem a intenção de fazer implodir a direita tradicional para aumentar suas chances nas próximas eleições. E Bayrou anunciou que, “em nome dos valores” da França, vai votar com a esquerda, ou seja, em Hollande. Bayrou disse que não pode apoiar a “corrida para a extrema-direita” do presidente.

Como a maior parte dos indecisos é de eleitores de Le Pen e Bayrou, Sarkozy é colocado numa missão perigosa. Além disso, no debate de três horas entre Hollande e Sarkozy, na quarta-feira, o socialista passou no seu grande teste. Antes chamado pelos críticos de “pudim francês” — mole no discurso e nas ideias — ele se mostrou ofensivo e firme diante de um Sarkozy surpreendentemente na defensiva. Pascal Perrineau, diretor do Centro de Estudos da Vida Política Francesa (Cevipof), em Paris, não descarta surpresas:

— As linhas ainda podem se mover, e não se devem descartar elementos de surpresa — opinou.

Foto: Getty Images

Sarkozy correndo em busca dos eleitores da extrema direita e dos indecisos, até o último minuto da campanha

As últimas oito sondagens publicadas na quinta e sexta-feira dão vitória para Hollande. Mas três delas mostram que a diferença entre os dois diminuiu para cinco pontos percentuais — 52,5% para Hollande contra 47,5% para Sarkozy — e numa, do Ifop para a “Paris Match”, para apenas quatro pontos, 52% a 48%. Na pesquisa da Ipsos para o jornal “Le Monde”, Hollande perdeu 0,5 ponto na última semana. Já na sondagem da BVA para o “Le Parisien”, Sarkozy subiu um ponto, enquanto a Opinion Way, para o conservador “Le Figaro”, anuncia que Sarkozy subiu 1,5 ponto. O “Le Monde” estima que 54% dos eleitores de Marine Le Pen vão votar em Sarkozy (ele precisa de 80%) e 15%, em Hollande. Já os partidários de Bayrou estariam divididos: 38% com Sarkozy e 30% com Hollande. François Hollande continua a recuar e Nicolas Sarkozy, a avançar nas intenções de voto para o segundo turno das eleições presidenciais na França. A dois dias da votação, a diferença entre os dois é de 4 pontos percentuais a favor do candidato socialista, segundo uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira pela revista “Paris Match”. A diferença os coloca dentro da margem de erro.

Foto: Thomas Coex/Agence France-Presse — Getty Images

Marine Le Pen, diante da estatua equestre de Joana D’Arc, recusando oficialmente a apoiar Sarkozy. Ele precisa que 80% dos eleitores que votarem nela no primeiro turno, a desobedecem e votem nele amanhã, dia 6.

Nicolas Sarkozy está correndo contra o tempo e contra as evidências para conseguir a reeleição presidencial no próximo domingo.

A campanha eleitoral se encerra oficialmente à meia-noite desta sexta-feira na França e uma nova pesquisa de opinião deve ser então publicada. Para as últimas horas de propaganda, Sarkozy programou uma agenda apertada, com entrevista a uma rádio e eventos pelo país. Já Hollande marcou discursos e um comício final.

— Acho que nenhum francês tem vontade de que a França se encontre na mesma situação que a da Espanha hoje, depois de sete anos de um governo socialista. Olhem para a Espanha, vocês querem essa situação? A questão não é meter medo, a questão é olhar o outro lado da nossa fronteira. A Espanha abandonou sua disciplina, fez as reformas que tinha que fazer, a Espanha contratou funcionários. Quem paga isso? Os 375 mil desempregados que surgiram nos últimos dois meses — atacou Sarkozy em entrevista à rádio Europe 1, em que também afirmou que, se for reeleito, vai formar um novo governo em 48 horas.


3 de mai. de 2012

FRANÇA: Sarkozy e Hollande duelaram na TV

FRANÇA – ELEIÇÃO 2012
Sarkozy e Hollande duelaram na TV
O presidente francês, Nicolas Sarkozy e seu rival socialista François Hollande participaram nesta quarta-feira do único debate televisivo prévio ao segundo turno da eleição presidencial, na França. O evento era visto como a última chance para que Sarkozy reverter o prognóstico de derrota no próximo domingo, dia 6. Hollande tem uma vantagem de 6 a 10 pontos percentuais nas pesquisas. A derrota de Sarkozy só pode ser evitada por um improvável milagre do apoio dos eleitores da extrema direita.

Foto: Alexandre

François Hollande e Nicolas Sarkozy em momento de tensão durante o debate de quase tres horas, transmitido ao vivo ontem à noite.

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters , France TV, O Globo, Paris Match, Blog de Antonio Ribeiro - VEJA, Le Monde

A quatro dias das eleições na França, o esperado debate protagonizado pelos dois candidatos a presidente pelos próximos cinco anos, o conservador Nicolas Sarkozy e o socialista François Hollande, gerou nesta quarta-feira desavenças e confronto de visões de governo, com momentos de tensão e de fricções de tom acirrado.

Na condição de desafiante por estar atrás nas pesquisas de opinião, o presidente Sarkozy procurou, numa disputa de números e estatísticas, desestabilizar seu adversário ao contestar seu conhecimento da realidade do país e sua capacidade de assumir o comando da nação, desqualificando-o repetidas vezes como “mentiroso” e, uma vez, de “pequeno caluniador”.

Foto: Reuters

Hollande dirigindo-se a Sarkozy: — Com você é muito simples: a culpa nunca é sua!

O candidato socialista insistiu no balanço negativo do atual governo, de fraco crescimento econômico e elevado índice de desemprego, e criticou a postura do rival de não assumir suas responsabilidades e de “querer se passar por vítima”.

— Com você é muito simples: a culpa nunca é sua — atacou Hollande logo no início do debate, que durou duas horas e 52 minutos.

O candidato socialista se colocou como o presidente da “mudança” e da “normalidade”, condenando o “partidarismo” do presidente da República durante seu mandato e prometendo governar pela união de todos os franceses.

— Eu quero mudar de política. A escolha é simples: os franceses desejam continuar com uma política que não funcionou? Ou mudar, o que significa fazer da recuperação de nosso país a grande causa? Quero também unir, não somente os socialistas e a esquerda, mas todos aqueles que prezam os valores da República.

Sarkozy vinha apostando todas as suas fichas nesse evento para virar o favoritismo a seu favor. "Não é uma disputa de palavras, é uma hora da verdade", disse ele nesta semana a jornalistas.

Mais impopular presidente a disputar uma reeleição na França, e o primeiro na história moderna a não ter liderado no primeiro turno, Sarkozy é visto por muitos como responsável pelos problemas econômicos da França, e seu estilo pessoal desagrada a grande parte do eleitorado.

Depois do segundo turno, ele tem feito propostas - especialmente de controle imigratório - que buscam atrair o eleitorado que no primeiro turno deu quase 18 por cento dos votos à ultraidireitista Marine le Pen.

Na terça-feira, Le Pen liberou seus 6 milhões de eleitores para votarem como preferirem, no que representou mais um golpe para as esperanças de Sarkozy, que esperava uma declaração de apoio dela.

No debate Sarkozy tentou sublinhar sua experiência no exercício do poder, e criticou a “presidência normal” reivindicada pelo adversário:

— A situação de um presidente da República não é normal. A sua normalidade não está à altura das questões em jogo.

Foto: Reuters

Sarkozy: “Hollande quer menos ricos. Eu, menos pobres”.

Sarkozy fez um apelo dramático e direto aos eleitores dos líderes da extrema-direita, Marine Le Pen, e do centro, François Bayrou, num gesto em busca de seus votos para o segundo turno:

— Eu quero falar àqueles que votaram em Marine Le Pen. Eu ouvi suas exigências por nação, fronteiras, autenticidade, firmeza. Eu quero falar aos eleitores de François Bayrou. O núcleo de seu projeto é a redução dos déficits. Hollande recusa a “regra de ouro” (a inscrição na Constituição do equilíbrio orçamentário). Eu farei que ela seja adotada, se preciso por referendo, pois um país que não diminui sua dívida e seus déficits não é livre.

Os dois candidatos divergiram sobre a dívida pública do país, as políticas da União Europeia, questões de imigração, a energia nuclear e até sobre a data de retirada das tropas francesas do Afeganistão.

O socialista Dominique Strauss-Kahn, acusado de estupro no tempo que dirigia o Fundo Monetário Internacional (FMI), também entrou na discussão. Questionado por sua moralidade pública, Sarkozy disparou:

— Não vou tomar lições de um partido político que quis, com entusiasmo, se unir em torno de Dominique Strauss-Kahn — disse, referindo-se ao fato de que o ex-diretor do FMI era o favorito à candidatura socialista antes do escândalo sexual.

Comentaristas políticos franceses avaliaram, logo após o debate, que Sarkozy não obteve sucesso em seu intento de marcar pontos importantes para o segundo turno e em desacreditar seu adversário, mas ao contrário, se viu mesmo obrigado a, por vezes, se manter na defensiva. O entourage do presidente acusou Hollande de ser “arrogante”, chegando a dizer que Sarkozy foi “insultado”. Hollande disse que “agora os franceses sabem” do que é capaz, ao reconhecer “momentos rudes” durante o debate.

A pesquisa de opinião Ifop-Fiducial divulgada ontem mantém uma confortável vantagem no segundo turno para Hollande, de 54% a 46% sobre Sarkozy (contra 54,5% a 45,5% na sondagem anterior).

O tradicional confronto face a face entre os dois turnos do pleito presidencial francês provoca, segundo os institutos de pesquisa, mais ruído do que uma real influência na opinião do eleitor. Os debates “nunca impactaram a relação de força eleitoral”, nota Frédéric Dabi, diretor do instituto Ifop.

— Não se pode dizer que nada ocorrerá, mas no passado nunca ocorreu nada de muito importante — disse ao jornal “Le Monde”.

Para Emmanuel Rivière, do instituto TNS Sofres, “não há exemplo de um debate que tenha feito verdadeiramente mudar a tendência a favor do desafiante”, condição hoje ocupada por Nicolas Sarkozy.

Após os debates, desde o primeiro, em 1974, os institutos constataram a manutenção das previsões, ou no máximo uma mínima alteração. Em 1988, François Mitterrand caiu um ponto percentual após a confrontação televisiva com Jacques Chirac. Em 2007 e 1995 nada mudou. Mesmo em 1974, na eleição mais acirrada até hoje, Mitterrand e Giscard d’Estaing permaneceram na igualdade de 50% (Giscard venceu com 50,7%).

Foto: Reuters

Contrariando as expectativas de Sarkozy, ao final o debate acabou 0X0, como começou.