6 de jan de 2012

BRASIL – ESTADOS UNIDOS
USA suspende compra de aviões da EMBRAER
que seriam usados no Afeganistão

A EMBRAER ainda comemorava a vitória na licitação da venda de vinte aviões, A-29 Super Tucano, um contrato de 355 milhões de dólares, com o Pentágono quando veio a má notícia de que a empresa americana Hawker Beechcraft Corporation (HBC) anunciou decisão de contestar a licitação na Justiça, após sua aeronave, a AT-6, ter sido excluída da negociação, causando a suspensão temporária do contrato. Outra má notícia é que os americanos anunciaram que os aviões serão usados no Afeganistão, para combater os talibãs, o que automaticamente estará atraindo a ira do terrorismo internacional, em direção ao Brasil.

Foto: EMBRAER/Divulgação
O A-29 Super Tucano, da Embraer, em ação

Postado por Toinho de Passira
Fontes:BBC Brasil, The Blaze, Veja, Monitor Mercantil

No instante em que o Pentágono anunciava que os vinte aviões, A-29 Super Tucano, da Embraer, recentemente vendidos ao governo dos Estados Unidos, um contrato de 355 milhões de dólares, deveriam ser repassados ao Corpo Aéreo do Exército Nacional do Afeganistão, onde seriam usados para combater grupos insurgentes como o Talibã, o governo americano comunicou a suspensão temporária da compra, depois que uma rival abriu processo no país para contestar o resultado da licitação.

A empresa americana Hawker Beechcraft Corporation (HBC) anunciou decisão de contestar a licitação na Justiça, após sua aeronave AT-6 ser excluída da competição.

"A concorrência e a avaliação de seleção foram justas, abertas e transparentes. A Força Aérea está confiante nos méritos de sua decisão de concessão do contrato e espera que o litígio seja rapidamente resolvido", divulgou em nota John Dorrian, porta-voz da Força Aérea norte-americana.

Falando a BBC o Pentágono (Departamento de Defesa americano), antes da suspensão temporária da compra, afirmou que as aeronaves A-29 Super Tucano seriam entregues às forças afegãs para promover "treinamento avançado em voo, vigilância, interdição aérea (ataques a alvos no solo) e apoio aéreo próximo".

Em nota, a Embraer confirmou o destino das aeronaves e disse que elas seriam vitais "para ajudar o Afeganistão e nações parceiras (dos EUA) a desenvolver suas próprias capacidades aéreas (...), ajudando a trazer de volta com segurança e rapidez soldados americanos no Afeganistão e limitando a necessidade de forças americanas em outros locais".

Em discurso em junho de 2010, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que a presença de soldados americanos no Afeganistão (onde os EUA combatem desde 2001) se encerraria no fim deste ano. Basicamente os americanos foram para o Afeganistão para procurar Bin Laden, com a morte do líder terrorista eles deixaram de se preocupar com o destino dos afegãos, que era a desculpa para a ocupação militar e vão entrega-los a própria sorte.

O A-29 Super Tucano é uma aeronave militar leve, projetada especialmente para ações de contra insurgência. Capaz de voar em velocidade e altitude baixas, já teve cerca de 200 unidades encomendadas e é atualmente usado por forças aéreas de seis países.

Firmado ao custo de US$ 355 milhões (R$ 650 milhões), o contrato para a venda dos vinte aviões foi o primeiro entre a Embraer e a Defesa americana e prevê ainda o treinamento de pilotos e a manutenção das aeronaves. A companhia terá 60 meses para entregar os vinte aviões. Na licitação está prevista a possibilidade da extensão da venda para até 55 aeronaves, chegando o contrato ao valor de US$ 950 milhões.

Foto:

As instalações da EMBRAER, Jacksonville, na Flórida

Para concorrer à venda, conforme determina a legislação americana, a Embraer teve que praticamente se tornar uma empresa americana, foi obrigada a se associar a uma empresa estadunidense, a escolhida foi a Sierra Nevada Corporation.

Segundo a Embraer, os equipamentos serão montados em Jacksonville, no Estado americano da Flórida, e terão ao menos 88% de seus componentes fabricados por empresas americanas ou países que se enquadram noBuy America Act (legislação que regula as compras do governo americano).

Realce-se que os aviões não estão sendo vendidos para uso da força aérea americana, As aeronaves serão doadas ao governo afegão para combater os talibãs. Os americanos deram preferencia a uma aeronave não utilizada pela sua Air Force, para esse serviço evitando que uma eventual captura ou queda de um desses aviões dessem informações sobre equipamento aéreo usado pelos EUA.

A EMBRAER diz que há cerca de 150 A-29 Super Tucano em operação em várias regiões do planeta. Elas já voaram, ao todo, 130 mil horas (das quais 18 mil em missões de combate), sem jamais terem sido abatidas.

Segundo a companhia, a simplicidade de operação do Super Tucano, permite que pilotos experientes possam estar aptos para operá-los em poucas semanas de treinamento.

Procurada pela Reuters, sobre a suspensão temporária do contrato a Embraer preferiu não comentar o assunto.

Há um grande otimismo que o governo americano consiga contornar essa questão da licitação e os aviões da EMBRAER serão finalmente vendidos aos EUA.

A notícia que soa a princípio alvissareira e nos enche de orgulho, precisa, porém, ser analisada com preocupação e cautela, quando se sabe que os aviões brasileiros estão sendo vendidos, principalmente, para combater o grupo fundamentalista terrorista Talibã em atuação no Afeganistão.

Estamos diretamente atraindo a ir dos terroristas talibãs, que não tem muito tradição de atuação fora dos territórios onde atuam, mais tem fortes laços com a Al-Quaeda e outros movimentos fundamentalistas com braços terroristas. Ou seja, sem termos a menor preparação, nem preocupação das autoridades, estamos atraindo a ira do terrorismo internacional.

Foto:

Tucanos em treinamento nos céus brasileiros


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