1 de jul de 2013

Ações da OGX, empresa de Eike Batista, desabam quase 40%, depois de anúncio de suspensão de projetos

BRASIL – Economia
Ações da OGX, empresa de Eike Batista, desabam quase 40%, depois de anúncio de suspensão de projetos
A OGX, a petroleira de Eike Batista anunciou hoje ao mercado que vai paralisar a produção de três poços de produção do campo de Tubarão Azul ao longo de 2014. O motivo é falta de óleo. O comunicado “altera praticamente todo o cenário no qual se baseavam as expectativas do mercado para a companhia, partindo agora para outro patamar, muito mais de sobrevivência do que de crescimento”, alerta a corretora Planner em relatório enviado aos clientes.

Foto: Daniel Marenco/Folhapress

Governador Sérgio Cabral e a presidenta Dilma Rousseff vestem a jaqueta da OGX e ladeiam o empresário Eike Batista, na pomposa solenidade, que marcou o início de produção de petróleo da OGX, na Bacia de Campos, agora anunciado como inviável

Postado por Toinho de Passira
Fontes: Reuters, Exame, O Globo

Segundo a Agência Reuters a OGX, do empresário Eike Batista, anunciou nesta segunda-feira que suspenderá o desenvolvimento de três campos de petróleo e interrompeu a construção de cinco plataformas, motivando queda de até 39 por cento das ações da companhia.

A petroleira também informou que não investirá no aumento da produção dos poços do campo de Tubarão Azul, na bacia de Campos, onde a extração pode parar no ano que vem.

Citando novas interpretações de dados geológicos, a OGX disse não ser viável o desenvolvimento dos campos Tubarão Tigre, Tubarão Gato e Tubarão Areia, onde as novas plataformas da OSX --também controlada por Eike-- iriam operar.

"Restam poucos caminhos para a empresa. Já há algum tempo deixamos de ter preço justo e indicação para (as ações da) OGX, pela mais absoluta incapacidade de reunir dados confiáveis para realizar projeções", afirmou o analista Luiz Francisco Caetano, da Planner, em relatório intitulado "OGX: O fim da história?".

O anúncio da OGX veio após os três poços marítimos da empresa em produção, todos em Tubarão Azul, sofrerem problemas operacionais e registrarem quedas e interrupções nos últimos meses.

A produção marítima, que chegou ao pico de 13,2 mil barris de petróleo por dia em janeiro, despencou para 1,8 mil barris por dia em abril, recuperando-se a 6,8 mil barris por dia em maio.

As sucessivas frustrações com o nível de produção da OGX e a queima de caixa pela petroleira têm motivado forte queda das ações da empresa, contagiando os papéis de outras companhias de Eike listadas na Bovespa.

No meio de junho, a agência de classificação de crédito Fitch rebaixou o rating da OGX para "CCC", indicando alto risco de não pagamento da dívida.

Neste pregão, os papéis OGX, chegaram a valer 39,2 por cento menos.

No fim de maio, Eike reduziu sua participação na OGX de 61,09 para 58,92 por cento, em operações na bolsa por um preço médio de 1,73 real por papel.

Eike tem o compromisso de aportar até 1 bilhão de dólares na OGX, que tem uma opção contra o empresário a ser exercida até abril de 2014 ao preço de 6,30 reais por papel, se o Conselho da companhia julgar necessário.

Porém, a saída de três conselheiros independentes da OGX na semana passada, os ex-ministros Pedro Malan (Fazenda), Rodolpho Tourinho (Minas e Energia) e da ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie, seria um sinal de que empresa não exigirá de Eike o cumprimento da operação.

A OGX teve prejuízo de 804,6 milhões de reais no primeiro trimestre, quase três vezes superior ao do mesmo período do ano anterior, devido a uma baixa contábil bilionária com poços secos.

IMPACTO NO MERCADO

A queda das ações da OGX tem impacto no mercado brasileiro como um todo pois, além da visibilidade da empresa perante os investidores internacionais, muitos dos quais participaram de sua abertura de capital, o papel tem um peso de 2,55% no Índice Bovespa. A ação estreou no mercado em junho de 2008 custando R$ 11,31 e chegou a valer R$ 23,27 em outubro de 2010.

Além disso, como principal ativo do grupo EBX, do empresário Eike Batista, as dúvidas sobre sua viabilidade afetam as outras companhias coligadas, como a MMX Mineração, a LLX Logística e o estaleiro OSX.

Somando as demais empresas (MMX e LLX), o peso do grupo no Ibovespa sobe a 3,72%. LLX ON cai 8%, MMX cai 6%. OSX está em alta, de 1,4%, já que ela receberá os US$ 449 milhões pela quebra dos contratos no curto prazo. MPX Energia cai 1,32% e a empresa de carvão CCX, 13,19%.

CENÁRIO JÁ COMPLICADO

A divulgação dos problemas de produção da OGX agrava um cenário já conturbado para a empresa, que tem um endividamento elevado e baixas receitas. O mercado já vinha especulando desde a semana passada como a empresa faria para pagar seus débitos, de cerca de R$ 8 bilhões, o que estaria levando os principais bancos do país a procurar alternativas para evitar perdas e Eike a tentar vender ativos e participações para capitalizar as empresas e reduzir o endividamento.

As estimativas são de que Bradesco, Itaú e BTG Pactual tenham quase R$ 1 bilhão cada emprestados para a OGX e a Caixa Econômica Federal mais R$ 750 milhões. O BNDES tem uma posição de cerca de R$ 9 bilhões emprestados para o grupo EBX como um todo.

Segundo a gestora de recursos Vetorial, o impacto da queda de OGX e suas irmãs está prejudicando outros setores, especialmente o financeiro, por conta das dívidas com os bancos. Somente a queda de OGX tem um impacto negativo de quase um ponto no Ibovespa, lembra a gestora.

Em março, a holding de Eike, a EBX, firmou acordo de cooperação estratégica com o BTG Pactual para assessoria financeira, linhas de crédito e futuros investimentos para projetos.

Naquele mesmo mês, o controlador do BTG, o banqueiro André Esteves, chegou a afirmar que no caso da OGX, diferentemente de outras empresas de Eike, não havia muito para o banco fazer. "Uma coisa que não vamos fazer e não temos capacidade de fazer é tirar mais petróleo do fundo dos poços", disse Esteves em entrevista a um jornal.

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